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29 outubro, 2026

VIANA, Mário Gonçálvez -
DA SUGESTÃO NO ANIMATÓGRAFO.
Estudo social, psicológico e crítico, original de... [S.l.], [Edição do Autor - Composto e impresso na tipografia André J. Pereira  & F.º - Viana do Castelo], Ano de 1921. In-8.º (17,5x12,5 cm) de 26, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Ensaio pioneiro - pretensamente científico - sobre o efeito que o cinema e a projecção de filmes em salas às escuras, verdadeiros "antros de perversidade", tem na mente e no comportamento humano, e o perigo que representa para a sociedade tais "experiências".
Obra rara, interessante e muito curiosa, com indubitável interesse para a bibliografia cinéfila.
"É um caso curioso, a curiosa psicologia das sociedades contemporâneas que se vão suicidando lentamente, sem terem a nítida noção do que fazem. Um sôpro de desvario obscurece a inteligência humana, fazendo desaparecer o resto de bom-senso que ainda parecia existir.
Os mais alarmantes simptomas de dissolvência, latentes muitas vezes ou esboçados apenas, são precipitados irremediavelmente pela fôrça poderosa de um conjunto de circunstâncias de tal forma alarmante, que surpreëndem pela rapidez do imprevisto e mais ainda - que assustam, pela sua gravidade presente e por uma sombria perspectiva de conseqúências possivelmente desastrosas, os espíritos estudiosos e calmos de todos os que não se deixam arrastar na avalanche sinistra das actuaes loucuras humanas. [...]
No entanto, longe de nos querermos referir a todos eles, é nosso intuito, por ora, focar com nitidez a influência deletéria e subversiva que tem exercido sôbre os indivíduos em especial - e portanto sôbre os agrupamentos sociaes em que eles vivem e de que fazem parte - um dos elementos mais desorganizadôres das sociedades que se arrogam a civilizadas - o Animatógrafo."
(Excerto do Estudo)
Mário Gonçalves Viana (Lisboa, 1900 - Esposende, 1977). "Pedagogo, escritor e crítico literário, atividade que exerceu no Jornal do Comércio e Colónias e no Polígrafo. Foi professor e formador de professores. Foi, igualmente, autor de uma obra vasta nas áreas da pedagogia, psicologia e biografia. Refletiu, abundantemente, sobre os valores da educação e sobre a deontologia docente. Fez os estudos secundários em Coimbra, tendo-se licenciado em Direito na Universidade de Lisboa em 1923. De 1927 a 1930, foi redactor principal do Jornal do Comércio e das Colónias, de que era também crítico literário. Entre 1934 e 1936, exerceu o cargo de conservador do Registo Civil de Manteigas, tendo depois seguido a carreira de professor do ensino secundário em vários estabelecimentos de Viana do Castelo, Esposende e Porto. Colaborou no jornal A Voz, de Lisboa, com uma secção regular de Sociologia Agrária, e foi cronista e crítico literário do Diário do Minho, de Braga. Tem ainda colaboração sobre educação física, pedagogia desportiva e psicologia, dispersa por jornais e revistas de Portugal, Brasil, Uruguai, Chile, Itália, França e Espanha."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, parcialmente por abrir, bem conservado. Capas oxidadas.
Raro.
Peça de colecção.
35€

10 dezembro, 2025

ENGLER, Robi -
ATELIER DE CINEMA DE ANIMAÇÃO. Manual para ateliers de cinema de animação e produção de filmes de animação de baixo custo. Lisboa, Centro de Formação da RTP, 1980. In-8.º (20,5x14,5 cm) de [6], 296, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso manual para aprendizagem de realização e produção de filmes de animação de baixo custo. Obra destinada ao uso exclusivo dos funcionários da RTP, hoje obsoleta, dadas as novas técnicas de abordagem cinematográficas. Ainda assim, trata-se de uma peça de colecção muitíssimo interessante relacionada com a "arqueologia" cinematográfica.
Profusamente ilustrado com desenhos exemplificativos ao longo das páginas do livro.
"Este manual para trabalhos de animação e produção de filmes de animação de baixo custo, dá-nos não só uma descrição bastante compreensiva das dificuldades desta matéria, mas é também uma introdução fundamental à importante técnica de produção de programas para televisão.
O especialista em animação, sr. Robi Engler, trabalhou em colaboração com a "Radiotelevisão Portuguesa - Centro de Formação, Lisboa" em 1980 e oferece-nos este manual para o seu trabalho de animação no futuro."
(Preâmbulo)
Sumário:
[Preâmbulo] | Introdução | Equipamento básico para filmagem | A câmara | As luzes | O plateau da mesa de animação | Bolsa de utensílios para desenho | O ensino da animação | O atelier de animação | O grupo de trabalho | Técnicas de animação | Definições do cinema animado | Técnicas de animação para os ateliers | Pinturas e desenhos animados | Animação no quadro preto ou branco | Animação com figuras recortadas | Animação com diversos materiais | Animação com objectos | Animação com barro ou plasticina | Animação com grânulos | Pixilation | Desenhos animados em papel A4 | Riscos e pinturas directas no filme | Animação sem filme | Princípios básicos da animação | Tempo e espaço | Linha-guia e guia de espaços | Desenhos chave e desenhos intermédios | Velocidade e cadência da exposição | Deformação de objectos em movimento | Linha de acção | Preparação - Acção - Reacção | Lei do movimento de Newton | Movimentos cíclicos | Caminhar em ciclo | Linguagem visual | Argumento e guião gráfico | Truques do ofício | Economia na animação | O cenário panorâmico de fundo | O cenário em primeiro plano | Animação com níveis múltiplos | Movimentos compostos | Filhas de filmagem | Actue de acordo com a realidade | Posições da "câmara" | Perspectiva | Efeitos especiais | Expressões faciais | Animação síncrona - Diálogo | Títulos | Diagramas técnicos | Desenho e pintura | Aplicações em televisão | Banda sonora | Efeitos sonoros | Bibliografia | Crass câmara de animação.
Exemplar em brochura, batido à máquina e policopiado, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
35€

22 novembro, 2025

FRAGOSO, Fernando - A HISTÓRIA DE JOÃO RATÃO. Contada por... Lisboa, Depositária Editorial Progresso, L., [1940]. In-8.º (19 cm) de 140, [4] p. ; [8] f. il. ; B.
1.ª edição.
"A partir de uma opereta, a história amorosa dum soldado português, João Ratão, que regressa da frente de batalha na Flandres, sendo envolvido em intrigas motivadas pela inveja, quanto a Vitória, uma rapariga do povo que namorara através de cartas escritas por outros...
Evocação do patético cenário da guerra (1914-18), e a faina dos madeireiros, no deslumbrante Vale do Vouga."
(Fonte: José de Matos-Cruz, O Cais do Olhar, 1999)
Livro ilustrado com fotogravuras a p.b., reproduzindo cenas do filme, distribuídas por 8 folhas separadas do texto.
"A opereta «João Ratão», um dos grande êxitos do Teatro musicado português, foi escrita por Ernesto Rodrigues, João Bastos e Felix Bermudes. Fernando Fragoso e Jorge Brum do Canto adaptaram-na à tela. Jorge Brum do Canto dirigiu o filme, que é uma produção da Tobis Portuguesa."
(Excerto do preâmbulo)
"A faina começara pela madrugada. Ainda havia estrêlas no céu, quando, no pinhal, sobranceiro ao rio, os lenhadores romperam a vibrar, no sopé dos troncos, as machadas compassadas, que se repercutiam, cavas e profundas, pelo vale, e iam morrer lá em baixo, com o marulhar das águas no açude. [...]
O sol rompera. A neblina desfizera-se, pouco a pouco. [...]
Caíra o último pinheiro. Ia começar a derrama. [...] E foi justamente à hora do almoço, quando as marmitas fumegavam, alinhadas sôbre o brazido, que o Zé Maria divisou, na curva do caminho, a figura bem conhecida de «Sô Puxa», o carteiro da terra, fazendo esforços visiveis para subir a ladeira, montado na sua bicicleta, que zig-zagueava pela estrada poeirenta. [...]
Zá Maria, o capataz, a tôda a força dos pulmões, berrou lá do alto:
- Ó «Sô Puxa»! Há alguma coisa p'ra gente? [...]
«Sô Puxa» esquadrinhou a mala, a monologar entre os dentes:
- Que raio de gente esta! Todos querem cartas... e não sabem ler... Que faria, se soubessem...
E rematou com o estribilho de sempre, que era, ao mesmo tempo, um protesto e um desabafo, uma espécie de válvula de segurança da sua irritação permanente:
- ... Puxa!...
E logo, numa transição:
- Aí vai o jornal - e estão com sorte...
Os grandes, um título doloroso e alarmante! Zé Maria abanou a cabeça, num mixto de tristeza e desaprovação, e comentou:
- Mais tropas nossas que vão para França!
Fez-se um silêncio. Um rapazote aloirado quebrou-o, numa voz onde se sentia a amargura da saudade:
- Ó sr. António?! Tem tido notícias do João?!...
Encostado a uma árvore, olhar perdido na distância, como se quisesse penetrar os segredos da imensidão, sr. António volveu, triste:
- Isso sim! Há três semanas que não recebo notícias! Pobre filho! Onde êle me foi parar!
Pelo cérebro daqueles homens, passou, numa saüdade, a figura de João da Mó, o mais insinuante, o mais alegre dos rapazes de Santiago da Ermida, o João Ratão, orgulho dos seus pais, enlevo das moçoilas, o noivo de Vitória, a mais bonita das raparigas, umas poucas de léguas em redor. [...]
- Maldita guerra!
E na serena tranqüilidade da serra, os homens, de machada em riste, atacaram os pinheiros com o mesmo desespêro, com que, na Flandres, outros homens se apostavam em abater almas cristãs."
(Excerto do Cap. I, Manhã na Serra)
"Havia mêses que João Ratão se encontrava em França, no sector ocupado pelas tropas portuguesas, na planície alagada e erma da Flandres. Partira um dia de Portugal, empilhado num navio, com milhares de camaradas, num grande barco cinzento, que era pequeno para conter tantos homens e tanto material. Embarcara com a alma dilacerada, por deixar a sua terra., sem esperanças de voltar. [...]
Foi num dia nevoento e triste que chegaram a França. Chovia a bom chover. Mas a população dispensara aos bravos soldados, que de tão longe vinham em seu socôrro, uma recepção entusiástica! João Ratão, quando desfilara, com todo o batalhão, pelas ruas empedradas do pôrto francês, entre alas de povo, que festejava a chegada dos portugueses, sentira um arrepio. Era alguém! Orgulhoso da sua missão, marchando com garbo e aprumo, João Ratão deitava o rabo do olho às raparigas, que se alinhavam nos passeios, ao longo das ruas. E que lindas carinhas! De si para si, João pensou que a guerra, afinal, não era tão má como a pintavam...
Mas enganara-se! Era pior e bem pior do que todos supunham. Quando chegou às primeiras linhas e ouviu o troar do canhão teve mêdo! [...]
Havia três dias já que o inimigo bombardeava sem cessar as posições ocupadas pelas tropas portuguesas. Bombardeava, noite e dia, com regularidade, batendo as trincheiras e a rectaguarda, com fôgo certeiro e cadenciado. Os rapazes sabiam o que aquilo queria dizer: era o prelúdio duma ofensiva, se não fôsse uma armadilha para outro sector, para um ataque de surpresa. [...]
- Temos dança! - comentou João Ratão para os seus companheiros, no abrigo, onde o cimento e os sacos de areia os protegiam da chuva de metralha. [...]
Durou horas esta luta de morte na defesa das primeiras linhas. Uns após outros, todos os ataques foram repelidos. E quando caiu a noite, sôbre o campo juncado de mortos e moribundos, os portugueses mantinham intacta a frente confiada à sua guarda.
João Ratão foi dos que se ofereceram para a perigosa missão de recolher os feridos na «terra de ninguém». Ouviam-se gemidos, ao longe, no silêncio da noite, só perturbado pelo breve matraquear das metralhadoras dos postos avançados."
(Excerto do Cap. IV, Nas Linhas de Fogo...)
Índice: [Preâmbulo]. | [Explicação cinematográfica da obra]. | Distribuição do Filme. | I - Manhã na serra. II - Carta do João. III - Primavera de Amor. IV - Nas Linhas de Fogo. V - Boas Novas. VI - A Canção da Mariette. VII - Dois Marotos. VIII - «Mademoiselle Frou-Frou». IX - A provocação. X - Manuela diverte-se. XI - O arraial. XII - A Calúnia. XIII - Desespêro. XIV - Dia cinzento. XV - A chegada do tenente. XVI - O interrogatório. XVII - A Cruz de Guerra. XVIII - Desastre no rio! XX - Epílogo.
Encadernação recente, em tela, com ferros gravados a ouro na lombada. Conservas capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse para a bibliografia WW1.

Junto com:

COSTA, Júlio de Sousa e -
SEVERA (Maria Severa Onofriana) : 1820-1846. Apontamentos e notícias para a sua história noso-psicológica * Casos interessantes em que intervieram personagens de destaque * A vida na Mouraria * A boémia doirada * O retrato da Severa * Doença e morte * A vala comum... 2.ª edição. Lisboa, Livraria Bertrand, [1936]. In-8.º (19 cm) de 207, [1] p. ; [1] f. il. ; B.
Importante subsídio biográfico para a história da Severa, mítica fadista lisboeta - a primeira a ser conhecida no meio, talvez a mais famosa de sempre.
Ilustrado com duas estampas extra-texto:
- Cópia do desenho incompleto, a tinta da china, tendo no verso a simples nota: "A Severa", encontrado no espólio artístico do pintor Francisco Metrass (1825-1861);
- A casa onde morou a Severa.
Inclui no final do livro a partitura de "Quando eu morrer, raparigas", música que se afiança ter sido composta pela Severa bem como os versos que ela cantava de preferência, cuja letra evidenciava a vontade, após a morte, de ser sepultada em vala comum.
"A Severa...
Muito se tem falado desta desventurada que fez perder a serenidade, a compostura e também o juizo a filhos de algo e burguezes! E quantos lances de ciúme não provocou, sem o desejar, entre os da fina-flor da fadistagem da velho Mouraria!...
Êste livro de breves notícias e apontamentos coligidos durante largos anos, teve por finalidade acarretar subsídios para a crónica ou para o estudo psicológico dessa mulher que teve a popularidade triste que todos conhecem.
A sua mocidade cheia de beleza triunfante despertou paixões e ocasionou desvarios. Era a sina fatal com que viera a êste mundo de provação e destêrro. Pelas páginas que vão lêr-se passam muitos personagens do seu tempo e alguns da sua intimidade... Deslizam sombras de fidalgos, artistas, políticos, burgueses e alguns da negra legião do rebutalho da cadeia e da magna caterva da navalha...
Na vala comum onde ela quiz fôsse lançada, nessa cova larga do cemitério do Alto de S. João, da sua Lisboa, onde nascera e que tanto amava, terminou o drama da vida tempestuosa e delirante que teve, todavia, grandes claridades!...
Era linda... Disseram-mo duas pessoas que ainda a conheceram. O seu aspecto gentil e perturbante, os olhos cheios de meiguice e ternura que não era fingida e o seu corpo escultural, encantaram os homens do seu tempo."
(Excerto do Proémio)
Índice:
Poucas palavras como proémio. | I - Primeiras investigações. II - O conde Vimioso. III - Na vida airada. IV - A companheira de Severa. V - Um incidente na Praça do Campo de Santana. VI - As façanhas da Severa. VII - Não dou felicidade a pessoa alguma... VIII - Os actores Teodorico e Epifânio na rua do Capelão. IX - A ervanária da Mouraria. X - Uma amiga da Severa. XI - No «Colete Encarnado». XII - A taberna do «Manhoso». XIII - Recordações. XIV - O retrato da Severa. XV - Que expiação? XVI - Lancem-me à vala comum!... XVII - A Severa no teatro. Aditamento (Certidão de óbito da Severa). | Quando eu morrer raparigas [partitura]. | Índice. | Índice alfabético dos personagens, locais e factos que figuram neste livro.
Encadernação recente, em tela, com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Com sublinhados a caneta ao longo do livro.
Invulgar.
Com interesse histórico.
2 volumes encadernados num único tomo.
Preço conjunto:
35€
Reservado

23 abril, 2025

RIBEIRO, Fernando Curado -
DIÁRIO DUMA VOZ...
Inconfidências, Críticas, Programas, Entrevistas. Porto, Editora - Livraria Progredior, 1947. In-8.º (19x13 cm) de 263, [1] p. ; [6] f. il. ; B.
1.ª edição.
Livro de memórias de Curado Ribeiro, conhecido actor português e homem da rádio, cuja voz inconfundível acompanhou milhares de portugueses espalhados pelos quatro cantos do mundo.
Ilustrado com 6 folhas separadas do texto.
Exemplar muito valorizado pela sua dedicatória autógrafa a António Miguel.
"Este livro não tem intenções literárias. Escrito a correr, respigado aqui e acolá, deste ou daquele apontamento, deste ou daquele papel esquecido, é um conjunto de ideias nascidas dos passos de um trabalho feito ao microfone ou por ele sugeridas.
Escrevi-o aos tombos, na mesa da locução ou sobre os tampos dos planos, à pressa, arrastado pela paixão da Rádio, na exiguidade de tempo de um homem que é simultâneamente locutor, cantor, produtor radiofónico, actor e jornalista."
(Excerto do Prefácio)
Fernando Teixeira Curado Ribeiro (Lisboa, 1919-1995). "Estudante de engenharia, dotado de boa figura e voz romântica, começou a cantar nos serões académicos do Instituto Industrial e acabou por trocar a engenharia pelas canções: em 1938 ingressa na Emissora Nacional, como cançonetista do conjunto Excêntricos do Ritmo. Em 1940 passa a locutor. Ainda cantou durante uns anos, mas a Emissora Nacional achou que quem cantava não poderia ler notícias sérias – e a vontade de fazer rádio foi preponderante. E foi a bela voz na rádio que despertou a atenção de Milú quando soube que Arthur Duarte procurava um galã para o filme “O Costa do Castelo”. Falou-lhe nele – e Curado Ribeiro acabou contratado ‘dez minutos depois de entrar no gabinete do realizador’, segundo o próprio actor confessou em entrevista, quarenta anos volvidos. Sem abandonar a rádio, Curado Ribeiro vai fazer uma série de filmes de seguida. Entretanto estreia-se no teatro – a cantar – na revista “Festa Rija”, em Novembro de 1944, no T. Avenida."
(Fonte: https://cinemaportuguesmemoriale.pt/Pessoas/id/3014/t/fernando-curado-ribeiro)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos, e pequena mancha no pé que se prolonga pelas primeiras páginas do livro.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e radiofónico.
25€

07 agosto, 2024

BOLÉO, José de Paiva -
O CINEMA E A VIDA ESCOLAR.
[Por]... Médico-Escolar no Liceu Gil Vicente de Lisboa. Separata no n.º 16 de «A Saúde Escolar». Lisboa, [s.n. - Escola Tipográfica das Oficinas de S. José - Lisboa], 1937. In-4.º (23,5x15,5 cm) de 17, [3] p. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante inquérito realizado no ensino liceal português com o objectivo de verificar a apetência, interesse e conhecimentos dos jovens para o Cinema.
Estudo pioneiro, com interesse para a história e bibliografia cinematográfica nacional.
Exemplar com menção de oferta manuscrita do autor.
"Os inquéritos incidindo sôbre um pequeno número de pessoas, dão resultados sensìvelmente aproximados a um largo inquérito, desde que digam respeito a um meio bastante homogéneo.
O presente trabalho considero-o, por isso, suficientemente exacto. Foi feito em condições óptimas, de improviso, na aula (a última do ano lectivo) sem que houvesse tempo de se inventarem respostas e colocados os alunos à vontade. Explicou-se que estes inquéritos eram freqüentes noutras nações e que por êles se podiam avaliar quais as preferências e os gostos dos rapazes neste capítulo do cinema.
Os rapazes sentem-se honrados quando se lhes dá confiança de se receberem as suas opiniões sôbre um determinado assunto. E assim obtive depoïmentos interessantes como se vai ver.
Este estudo julgo-o inédito em Portugal e vai revelar algumas facêtas desconhecidas da vida escolar liceal."
(Introdução)
Índice:
[Introdução] | Como foi feito o inquérito | A paixão do cinema | Porque preferem os rapazes o cinema | Filmes preferidos | Filmes de que mais gostaram | Filmes que mais impressão causaram | Actores e actrizes preferidos | Salas de cinema preferidas | O cinema e a saúde | O cinema e a moral | O cinema e o aproveitamento escolar | Conclusão.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
10€

15 setembro, 2023

MOLTALVERDE, Chitónio - OS PRIMÓRDIOS DO CINEMA PORTUGUÊS. [S.l.], [s.n. - Mirandela & C.ª, Lisboa], Novembro. 1970. In-8.º (18,5x12,5 cm) de 16 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante ensaio histórico. Trata-se do resumo cronológico dos primórdios do cinema português (1896-1916).
Livrinho ilustrado com o retrato d'Os pioneiros portugueses - Aurélio da Paz Reis; Manuel Maria da Costa Veiga; João Freire Correia; Ernesto de Albuquerque.
"Portugal foi um dos primeiros países a receber a visita do cinema. Começámos cedo a produzir filmes. Ainda o fascinante invento dos Lumière só tinha um ano de vida já alguns portugueses tentavam desvendar os segredos da sua magia.
Dos primórdios, que consideramos o período que vai da sua fundação até 1916, o seu estudo, análise e dados estatísticos tornam-se um tanto problemáticos, em virtude da falta de registos que possam atestar essa actividade. A partir de 1917 o panorama passa a ser outro, com a saída em 15 de Março do primeiro número da «Cine Revista», o primeiro jornal cinematográfico português. Tudo se modifica. As dúvidas podem ser esclarecidas através da consulta dos orgãos que, desde então a esta data, se têm publicado.
O presente trabalho não é mais que um ensaio cronológico do cinema português, do tempo que vai de 1896 a 1916. Depois, sobre o que se seguiu, já muitos estudiosos se têm ocupado."
(Introdução)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse bibliográfico.
15€

10 janeiro, 2023

FONSECA, M. S. - FRANCIS FORD COPPOLA.
Organização e Texto de... Lisboa, Cinemateca Portuguesa / Fundação Calouste Gulbenkian / Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, 1987. In-fólio (32 cm) de 223, [1] p. ; mto. il. ; E.
1.ª edição.
Catálogo editado por ocasião do Ciclo "Francis Ford Coppola em Contexto" com o alto patrocínio da Embaixada dos Estados Unidos da América em Lisboa.
Edição esmerada, muito ilustrada, impressa em papel de superior qualidade.
No presente trabalho, além da biografia e filmografia de Coppola, é abordado com pormenor alguns clássicos realizados pelo Mestre, como, entre outros, O Padrinho (The Godfather), Apocalipse Now e Jardins de Pedra (Gardens of Stone).
Manuel S. Fonseca (n. 1951). "É editor e autor. Viveu em Luanda de 1959 até final de 1976. Fundou a Três Sinais e a Guerra e Paz editores. Esteve ligado à Cinemateca Portuguesa, à RTP 2, à SIC e foi produtor cinematográfico na Valentim de Carvalho Filmes. Publicou livros de cinema e é cronista."
Encadernação do editor em tela de seda vermelha, com letras em baixo-relevo gravadas a azul; sobrecapa plastificada com estrelas a ouro.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
30€

24 setembro, 2021

FRAGOSO, Fernando - A HISTÓRIA DE JOÃO RATÃO.
Contada por...
Lisboa, Depositária Editorial Progresso, L., [1940]. In-8.º (19 cm) de 140, [4] p. ; [8] f. il. ; B.
1.ª edição.
"A partir de uma opereta, a história amorosa dum soldado português, João Ratão, que regressa da frente de batalha na Flandres, sendo envolvido em intrigas motivadas pela inveja, quanto a Vitória, uma rapariga do povo que namorara através de cartas escritas por outros... Evocação do patético cenário da guerra (1914-18), e a faina dos madeireiros, no deslumbrante Vale do Vouga."
(Fonte: José de Matos-Cruz, O Cais do Olhar, 1999)
Livro ilustrado com fotogravuras a p.b.,  reproduzindo cenas do filme, distribuídas por 8 folhas separadas do texto.
"A opereta «João Ratão», um dos grande êxitos do Teatro musicado português, foi escrita por Ernesto Rodrigues, João Bastos e Felix Bermudes. Fernando Fragoso e Jorge Brum do Canto adaptaram-na à tela. Jorge Brum do Canto dirigiu o filme, que é uma produção da Tobis Portuguesa."
(Excerto do preâmbulo)
"A faina começara pela madrugada. Ainda havia estrêlas no céu, quando, no pinhal, sobranceiro ao rio, os lenhadores romperam a vibrar, no sopé dos troncos, as machadas compassadas, que se repercutiam, cavas e profundas, pelo vale, e iam morrer lá em baixo, com o marulhar das águas no açude. [...]
O sol rompera. A neblina desfizera-se, pouco a pouco. [...]
Caíra o último pinheiro. Ia começar a derrama. [...] E foi justamente à hora do almoço, quando as marmitas fumegavam, alinhadas sôbre o brazido, que o Zé Maria divisou, na curva do caminho, a figura bem conhecida de «Sô Puxa», o carteiro da terra, fazendo esforços visiveis para subir a ladeira, montado na sua bicicleta, que zig-zagueava pela estrada poeirenta. [...]
Zá Maria, o capataz, a tôda a força dos pulmões, berrou lá do alto:
- Ó «Sô Puxa»! Há alguma coisa p'ra gente? [...]
«Sô Puxa» esquadrinhou a mala, a monologar entre os dentes:
- Que raio de gente esta! Todos querem cartas... e não sabem ler... Que faria, se soubessem...
E rematou com o estribilho de sempre, que era, ao mesmo tempo, um protesto e um desabafo, uma espécie de válvula de segurança da sua irritação permanente:
- ... Puxa!...
E logo, numa transição:
- Aí vai o jornal - e estão com sorte...
Os grandes, um título doloroso e alarmante! Zé Maria abanou a cabeça, num mixto de tristeza e desaprovação, e comentou:
- Mais tropas nossas que vão para França!
Fez-se um silêncio. Um rapazote aloirado quebrou-o, numa voz onde se sentia a amargura da saudade:
- Ó sr. António?! Tem tido notícias do João?!...
Encostado a uma árvore, olhar perdido na distância, como se quisesse penetrar os segredos da imensidão, sr. António volveu, triste:
- Isso sim! Há três semanas que não recebo notícias! Pobre filho! Onde êle me foi parar!
Pelo cérebro daqueles homens, passou, numa saüdade, a figura de João da Mó, o mais insinuante, o mais alegre dos rapazes de Santiago da Ermida, o João Ratão, orgulho dos seus pais, enlevo das moçoilas, o noivo de Vitória, a mais bonita das raparigas, umas poucas de léguas em redor. [...]
- Maldita guerra!
E na serena tranqüilidade da serra, os homens, de machada em riste, atacaram os pinheiros com o mesmo desespêro, com que, na Flandres, outros homens se apostavam em abater almas cristãs."
(Excerto do Cap. I, Manhã na Serra)
"Havia mêses que João Ratão se encontrava em França, no sector ocupado pelas tropas portuguesas, na planície alagada e erma da Flandres. Partira um dia de Portugal, empilhado num navio, com milhares de camaradas, num grande barco cinzento, que era pequeno para conter tantos homens e tanto material. Embarcara com a alma dilacerada, por deixar a sua terra., sem esperanças de voltar. [...]
Foi num dia nevoento e triste que chegaram a França. Chovia a bom chover. Mas a população dispensara aos bravos soldados, que de tão longe vinham em seu socôrro, uma recepção entusiástica! João Ratão, quando desfilara, com todo o batalhão, pelas ruas empedradas do pôrto francês, entre alas de povo, que festejava a chegada dos portugueses, sentira um arrepio. Era alguém! Orgulhoso da sua missão, marchando com garbo e aprumo, João Ratão deitava o rabo do olho às raparigas, que se alinhavam nos passeios, ao longo das ruas. E que lindas carinhas! De si para si, João pensou que a guerra, afinal, não era tão má como a pintavam...
Mas enganara-se! Era pior e bem pior do que todos supunham. Quando chegou às primeiras linhas e ouviu o troar do canhão teve mêdo! [...]
Havia três dias já que o inimigo bombardeava sem cessar as posições ocupadas pelas tropas portuguesas. Bombardeava, noite e dia, com regularidade, batendo as trincheiras e a rectaguarda, com fôgo certeiro e cadenciado. Os rapazes sabiam o que aquilo queria dizer: era o prelúdio duma ofensiva, se não fôsse uma armadilha para outro sector, para um ataque de surpresa. [...]
- Temos dança! - comentou João Ratão para os seus companheiros, no abrigo, onde o cimento e os sacos de areia os protegiam da chuva de metralha. [...]
Durou horas esta luta de morte na defesa das primeiras linhas. Uns após outros, todos os ataques foram repelidos. E quando caiu a noite, sôbre o campo juncado de mortos e moribundos, os portugueses mantinham intacta a frente confiada à sua guarda.
João Ratão foi dos que se ofereceram para a perigosa missão de recolher os feridos na «terra de ninguém». Ouviam-se gemidos, ao longe, no silêncio da noite, só perturbado pelo breve matraquear das metralhadoras dos postos avançados."
(Excerto do Cap. IV, Nas Linhas de Fogo...)
Índice: [Preâmbulo]. | [Explicação cinematográfica da obra]. | Distribuição do Filme. | I - Manhã na serra. II - Carta do João. III - Primavera de Amor. IV - Nas Linhas de Fogo. V - Boas Novas. VI - A Canção da Mariette. VII - Dois Marotos. VIII - «Mademoiselle Frou-Frou». IX - A provocação. X - Manuela diverte-se. XI - O arraial. XII - A Calúnia. XIII - Desespêro. XIV - Dia cinzento. XV - A chegada do tenente. XVI - O interrogatório. XVII - A Cruz de Guerra. XVIII - Desastre no rio! XX - Epílogo.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
A BNP dispõe de apenas um exemplar registado na sua base de dados.
Com interesse histórico e cinematográfico.
Indisponível

21 junho, 2021

CANTO, Jorge Brum do - CHAIMITE.
Um filme de...
[S.l.], [s.n. - Composto e Impresso na Gráfica Monumental, Lda.], 1953. In-4.º (25 cm) de [12] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Folheto explicativo de Chaimite, filme realizado por Jorge Brum do Canto, em 1953, sobre as campanhas africanas de Mouzinho e a captura por este do régulo rebelde Gungunhana.
Livrinho ilustrado com cenas do filme e o retrato dos actores.
"Dentro da extraordinária teoria de feitos que em sol maior natural se orquestram nas nossas campanhas da Ocupação - esta conta os vátuas invasores do pedaço moçambicano sobe a primeiro plano com a força dum paradigma e dum símbolo.
No filme, tentámos não só dar a revivescência de seres e circunstâncias que que amanheceram ensolarados de heroísmo numa época tristemente crepuscular, como despertar, ao espírito do espectador e a par dessa canção de gesta, o amor pela terra de África tão portuguesa como a de cá - através do espírito construtivo que, na cidade, eleva o «Chai-Chai» primeiro de café a restaurante e depois a hotel - e que, no campo, impulsiona Daniel recém-casado a lançar os alicerces duma cidade futura, transformando o inapropriado mato virgem em valor real de properidade."
(Excerto de A razão de Chaimite)
Matérias: A razão de Chaimite. | Jorge Brum do Canto - Director e interprete. | Os protagonistas de Chaimite. | Para além do que se vê, pelo Prof. Doutor Luiz Pinto Coelho. | O fundo musical de Chaimite. | Chaimite : um documento digno do prestígio do nosso exército. | [Palavras patrióticas de Mouzinho]. | Ficha técnica e artística de Chaimite.
Exemplar brochado - com estampa colada na capa frontal - em bom estado geral de conservação. Capas algo oxidadas.
Raro.
Peça de colecção.
20€

17 abril, 2021

MACHADO, A. Victor - GUIA PRÁTICO DE CARACTERIZAÇÃO.
Colectânea de ensinamentos úteis para uso dos Amadores Dramáticos. Por... Lisboa, Editores Ferreira & Franco, L.da, [193-]. In-8.º (16,5 cm) de 47, [1] p. ; [15] f. il. ; C.
1.ª edição.
Curioso manual de caracterização - inovador na época - com interesse para a história da reprentação entre nós.
Livro ilustrado com 15 estampas intercaladas no texto.
"Ao reünir neste livrinho alguns ensinamentos, que julgo de utilidade, sôbre caracterização, tive apenas o propósito de prestar-vos um serviço, por não existir no nosso mercado livresco qualquer obra em português e actualizada, sôbre a pintura e transformação do rosto.
Entre nós bem pouco se tem escrito sôbre caracterização, o que em parte justifica o seu desconhecimento, sobretudo dos principiantes em teatro, e o que também não é para causar grande assombro, se atendermos a que, ainda hoje - triste é dizê-lo - há actores que se utilizam da rôlha de cortiça queimada e do arame fumado para «fazer as rugas»...
Entre os nossos actores há, no entanto, alguns a quem devemos prestar justiça, reconhecendo-os verdadeiros mestres em caracterização. Todavia, não escrevem, não divulgam os seus conhecimentos, a sua técnica e o seu saber, que êles monopolizam para a criação dos seus admiráveis «tipos», compostos com arte e ciência, reveladores dum alto poder de observação e aturado estudo. [...] Em Itália, e especialmente em Inglaterra, algo se tem publicado sôbre a Arte de Caracterização, e que a maioria dos nossos profissionais de teatro desconhece.
O Guia Prático de Caracterização não é, como o seu nome o indica, um tratado completo; é, sim, um Guia Prático, um resumido mas prestante conselheiro dos Amadores Dramáticos, sobretudo recomendável aos que começam."
(Excerto da Nota preambular)
Índice: [Dedicatória]. | [Nota preambular]. | I - Dos tempos idos à época actual. II - Confidências de Signoret - Ensinamentos aos novos. III - A caracterização no cinema. IV - Traços fisionómicos - Método de Lavater.
Encadernação editorial cartonada com letras a negro sobre fundo laranja.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
20€

22 fevereiro, 2021

LEDUC, Jean - VIA MACAU.
Argumento original de Jean Leduc, para o filme do mesmo nome, com Roger Hanin, Anna Gafi e Françoise Prévost
.
Um livro confidencial. Lisboa, Edições de Bolso - Luís S. Campos, editor, 1966. In-8.º (16 cm) de 145, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso romance cinematográfico. Trata-se do argumento da longa-metragem franco-portuguesa Via Macau (1966) cuja acção decorre sobretudo entre o Estoril e Macau. O filme foi rodado em Lisboa, Estoril, Estúdios Tobis, Macau e Hong Kong. Além da direcção de fotografia de João Moreira, foram atribuídos papeis secundários a actores portugueses, com destaque para Varela Silva.
Releva-se ainda, e sobretudo, a presença de Amália Rodrigues, que interpretou na tela o tema principal da banda sonora do filme - o fado Le premier jour du monde.
Livro ilustrado com cenas do filme a p.b. - distribuídas por 4 páginas - impressas sobre papel couché.
"É «Via Macau» um livro apresentado em moldes diferentes dos habituais, dado que nesta publicação desejámos oferecer ao Leitor a obra tal como a escreveu Jean Leduc para o filme que viria a realizar, e que será brevemente exibido entre nós.
Trata-se, portanto, de um «guião», um «argumento cinematográfico» em todo o sentido da expressão, e como tal desenvolvido numa linguagem extremamente concisa. Linguagem em que ressalta a arte de fazer diálogo.
Esse, o grande mérito desta forma literária - traduzir sentimentos e imagens, não pela exposição, mas pela expressão da linguagem falada: o diálogo."
(Nota do Autor)
"Outono no Estoril. Um carro da polícia atravessa a vila. Pelo altifalante a população é prevenida de que, nesse mesmo dia, às 18 horas, vai ser provocada uma explosão na zona Norte, para abrir o traçado na nova auto-estrada, pelo que a circulação será interrompida.
O carro roda lentamente. Seguindo-o descobrimos os aspectos característicos do Estoril e Cascais: o porto, as colinas que o rodeiam, o Hotel Estoril-Sol, magnífica construção ultra-moderna, cuja fachada se encontra decorada com bandeiras de diferente nacionalidades, pois que uma importante Conferência Internacional está a ter aí lugar. O carro da polícia é, a dada altura, obrigado a parar por momentos para deixar passar dois ou três carros ostentando pequenas bandeiras oficiais, onde se exibem alguns diplomatas. Recomeça a andar dirigindo-se para uma rua na zona comercial."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

11 agosto, 2020

FRAGOSO, Fernando - HOLLYWOOD EM LISBOA. Encontros e desencontros com as vedetas de cinema, que a guerra trouxe a Portugal. Lisboa, Vida Mundial Editora, 1942. In-8.º (19 cm) de 184, [8] p. ; B.
1.ª edição.
Obra publicada em plena 2.ª Guerra Mundial. Conjunto de depoimentos e reportagens jornalísticas a propósito do fluxo de personalidades ligadas ao cinema internacional que se refugiou em Portugal após a eclosão do conflito.
"A guerra trouxe a Portugal algumas das mais célebres vedetas mundiais. Lisboa, Cais da Europa, assistiu, dêste modo, à luzida parada das figuras que se habituara a admirar, imaterializadas em sombra e luz. Quando menos se esperava, desfeito o equilíbrio do sistema «astral» euro-americano, presenciámos, surpreendidos e interessados, o espectáculo duma chuva de estrêlas, sôbre as ruas e hoteis da cidade - estrêlas de todos os tamanhos e feitios, com a luz própria do seu talento ou com a chama duma publicidade engenhosa e bem estudada. [...]
Tôdas, grande e pequenas, cintilantes ou apagadas, viviam uma hora difícil, pela inquietação de Marte, que desorganizara as constelações existentes...
A guerra, com efeito, eclodira em França. E, quinze dias depois das primeiras notícias da invasão, aquele país capitulava, quási sem ter tempo de combater. O êxodo, iniciado semanas antes, atingiu, em poucos dias, proporções fabulosas. Portugal acolheu, então, com a hospitalidade proverbial do seu povo, essas vedetas, que traziam ainda no olhar o pavor do pesadelo vivido.
O que vão ler não é um romance nem uma obra literária, na acepção pretenciosa do termo. É, sim, e apenas, a reportagem, o depoimento dum jornalista que, por dever de ofício, surpreendeu algumas das figuras mais gradas da tela, nas horas de incerteza, nas horas dramáticas que viviam - e as traz, agora, ao convívio dos leitores, tais como elas são na vida real. [...]
Nas páginas que se seguem, há capítulos para ler e meditar - confissões e desabafos de produtores e realizadores, actos de contrição e actos de fé dos que têm responsabilidades nos destinos do Cinema."
(Excerto do Prefácio)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Com pequeno "rendilhado" de traça visível nas últimas folhas do livro, à cabeça, sem atingir a mancha tipográfica.
Invulgar e muito interessante.
Indisponível

27 novembro, 2018

"CHARLOT NAS TRINCHEIRAS". [S.l.], [s.n.], [1918].
Dimensões: 65cm
Stand up recortada sobre madeira fina, alusiva à curta metragem muda, escrita, produzida, realizada e interpretada por Charlie Chaplin - "Shoulder Arms" (EUA, 1918), exibida em Portugal com o título Charlot nas Trincheiras.
Belíssimo artigo de época.

Peça de colecção.
Indisponível

03 novembro, 2018

NEGREIROS, José de Almada - DESENHOS ANIMADOS : realidade imaginada. Escrito expressamente a convite da emprêsa do cinema Tivoli para a apresentação do film de Walt Disney «Branca de Neve e os sete anões». Lisboa, Editorial Ática, Ltd, 1938. In-8.º (22,5cm) de 12 p. ; B.
1.ª edição.
Capas desenhadas por Almada Negreiros.
"Uma grande alegria nos espera hoje, a nós que amamos o cinema e a todos a quem êle diverte: imos ver muito melhor do que o habitual em desenhos animados, imos ver nascer uma arte.
Entre os vários autores de desenhos animados, Walt Disney é justamente o mais famoso. E é digno de registar que seja o próprio Walt Disney, o qual todos julgaríamos esgotado pelo inédito da emprêsa dos desenhos animados, quem venha hoje muito para além da maneira como o conhecemos, demonstrar em alta classe de artista a alta categoria dos desenhos animados. Porque os valores de arte e de cinama de Walt Disney estão incomparàvelmente acima do melhor aprêço que lhe tenha sido dado até hoje. A América propõe o seu nome para prémio Nobel de literatura, mas a humanidade conta com êle desde já com mais uma arte. [...]
Personalidade eminentemente perspicaz, constante e coerente, Walt Disney viu primeiro do que ninguém que os desenhos animados iam àquém da missão que representavam, que se ficavam pelo acêrto do desenho, do colorido e música, dando já logar mais à fantasia do que pròpriamente à imaginação criadora. [...]
Esta é a história de «Branca de Neve e os sete anões», o melhor negócio de cinema até hoje realizado! Apenas em Hollywood e Estado de Nova-York o seu lucro foi de quatrocentos e cinqüenta mil contos líquidos!! É de esperar que êste resultado convença sobretudo os julgadores do cinema e principalmente aqueles que não querem ainda ver que o lucro é sempre proporcional à arte no espectáculo."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas com manchas de acidez.
Invulgar.
35€

28 setembro, 2018

NAZARÉ, Anibal - A ULTIMA AVENTURA DE MATA-HARI. Romance extraído do Film da «Métro-Goldwyn-Mayer». Ilustrado com fotografias do mesmo Film, e acompanhado dum estudo-critico sobre Greta Garbo. Adpatação de... Lisboa, João Romano Torres & C.ia : Livraria Editora, [193-}. In-8.º (18,5cm) de 151, [1] p. ; [20] p. il. ; B.
1.ª edição.
Romance cinematográfico baseado no filme americano de 1931 sobre os últimos dias de Mata Hari, famosa dançarina exótica e cortesã, executada pelos franceses sob acusação de espionagem, em 1917. O filme foi dirigido por George Fitzmaurice, com Greta Garbo no papel principal.
Ilustrado em extratexto com cenas do filme, e alguma publicidade à literatura disponível na editora.
"Alexandre Rosanoff, oficial do serviço privado do Czar , e o coronel Schubin, adido militar á Embaixada da Russia, apearam-se dum automovel, em frente duma moradia particular.
Eram seis horas; a noite descera escura, envolvendo a grande cidade.
Na escuridão, os faróes do carro rasgavam na estrada dois sulcos de poeira luminosa.
Distinguia-se confusamente por entre a ramagem do arvoredo, a massa pardacenta do edifício.
Rosanoff, o mais novo e o mais impaciente dos dois, não esperou que se apagassem as luzes do carro, para se apear.
Atingido em cheio pela luz dos faróes, viu que se tinha precipitado e instintivamente, quiz confundir-se com a parede. E logo se fez ouvir a voz exasperada de Schubin:
- Tome cuidado que pode aparecer alguem! Não ha nenhum interesse em sermos vistos neste sítio, nas circunstâncias actuais.»
Ouvindo isto, Rosanoff sorriu.
No seu entender, tudo corria o melhor possivel. Pois não era chegado o momento de ele ver a celebre bailarina, cuja fama, galgando de capital em capital, chegara ás longinqúas casernas do seu país? [...]
Chegára nessa mesma tarde do "front". Que significava pois, para ele, o perigo? Nada, pelo habito."
(Excerto do Cap. I, A dança pagã)
Aníbal Nazaré (1909-1975). "Autor da revista e do fado, Aníbal Nazaré estreou-se em 1925 com a direcção da Revista de Arte e Sport: Publicação Mensal de Teatro, Literatura, Coreografia e Sport. Cedo trabalhou para o teatro de revista, sendo autor e co-autor de aproximadamente 140 peças. Colaborou neste âmbito com Henrique Santana e Nelson de Barros. Paralelamente à carreira na revista, foi autor de várias letras de fados, entre as quais se destacam «Tudo isto é fado», «Sempre que Lisboa canta», etc., sendo essa a actividade que mais o projectou. Publicou duas obras na Romano Torres, sendo a primeira A última aventura de Mata-Hari, romance inspirado no filme de mesmo nome que estreou em 1931 com Greta Garbo no papel principal. Em 1936, publicou na mesma editora a sua obra de maior relevo, As luzes da cidade. Trata-se de um livro onde estão compiladas crónicas de sua autoria, como «O pensamento», «No cinema, há cinco dias» e «O elogio da indiferença»."
(Fonte: http://fcsh.unl.pt/chc/romanotorres/?page_id=59)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro e muito curioso.
Com interesse para a bibliografia da WW1.
Indisponível

21 maio, 2018

in ALFRED HITCHCOCK'S. Ciclo organizado pela Cinemateca Portuguesa e pela Fundação Calouste Gulbenkian com o alto patrocínio das Embaixadas Britânica e dos Estados Unidos da América em Lisboa No Teatro Municipal de S. Luís e no Grande Auditório da Fundação. De Fevereiro a Abril de 1982. [Lisboa], Edição da Cinemateca Portuguesa e da Fundação Calouste Gulbenkkian, 1982. In-4.º (26cm) de 220, [4] p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Importante biografia de Alfred Hitchocock - o mestre do suspense - e a sua obra, publicada por ocasião do ciclo de cinema a si dedicado.
Índice: Da vida e obra de Alfred Hitchocock, por João Bénard da Costa. As aparições de Hitchocock, por Maurice Yacowar. Léxico mitológico para a obra de Hitchocock, por Philippe Demonsablon. It's only a film ou a face do nada, por Pascal Bonitzer. Alfred Hitchocock, por Luís Noronha da Costa. A cortina rasgada, por Jorge Alves da Silva. Plotting de Hitchocock family, por Susan Schenker. Filmografia. Bibliografia.
Encadernação editorial com ferros gravados a seco e a negro e aplicação manual de gravura colorida.
Muito invulgar.
20€