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19 dezembro, 2025

ESTAÇÃO ZOOTÉCNICA NACIONAL : Fonte-Boa
. [S.l.], [s.n. - Composto e impresso na Imprensa Lucas & C.ª - Lisboa], [194?]. In-8.º (22,5 cm) de 17, [3] p. ; [14] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante monografia sobre a Estação Zootécnica Nacional, reputada instituição agro-pecuária situada na Quinta da Fonte-Boa, Santarém.
Livro ilustrado no texto com tabelas estatísticas, e em separado, com 14 estampas impressas sobre papel couché reproduzindo animais criados na Fonte-Boa, e algumas vistas das instalações da Estação.
"A Estação Zootécnica Nacional é hoje um estabelecimento de fomento pecuário e investigação científica, instalado a 9 quilómetros de Santarém, na quinta da Fonte-Boa, nome porque é vulgarmente conhecida.
A sua fundação data de 1887, então simplesmente como Coudelaria, só tendo oficialmente ampliado o seu âmbito de acção 26 anos mais tarde.Se. de princípio, foi a espécie cavalar a única cujo melhoramento e fomento se teve em vista, obedecendo às necessidades e solicitações da época e às tradições nacionais nesse capítulo, não decorreu muito tempo sem que se tornasse extensiva a outras espécies - e muito especialmente à ovina - semelhante acção.
Lenta mas progressivamente se tem feito a transformação dêste Estabelecimento, à medida que os trabalhos aqui realizados, os progressos da técnica e as necessidades nacionais o têm exigido.
Presentemente a organização da Estação Zootécnica Nacional abrange 5 secções às quais estão confiados outros tantos sectores de actividade:
Serviços Coudélicos;
Espécies Alimentares;
Serviços Laboratoriais;
Serviços Culturais;
Serviços Administrativos.
Para se poder avaliar da trajectória percorrida no meio século da sua existência é suficiente dizer que o primeiro dêstes sectores foi, durante bastantes anos, a razão de ser do Estabelecimento, sem que, a-pesar disso, tivesse atingido a amplitude e aperfeiçoamento presentes.
De facto, se durante os primeiros 51 anos de vida dêstes serviços se distribuïram gratuitamente pelo País 3.553 garanhões que beneficiaram 73.383 éguas, nos últimos 5 anos êsses números atingem, respectivamente, 1.0006 e 23.233, afora a cedência de 102 asininos pelos quais foram beneficiadas mais 1.855 éguas.
Êste ponto já de si importante pelo seu significado de progresso na acção fomentária, revestirá aspecto mais transcendente se considerarmos que, como lógica conseqüência, permitiu entre os técnicos e a lavoura relações mais íntimas e freqüentes, cujo proveito para ambos e para o País escusado será enaltecer.
Esta cooperação foi reforçada ainda com a passagem para êste estabelecimento, em 1940, dos serviços de registo do reprodutores destinados à produção de cavalos para o exército.
Assim, a Estação Zootécnica Nacional contrasta a produção cavalar de cêrca de 200 casas de lavoura, as quais possuem, aproximadamente, 4.000 éguas e 3.000 poldros, e presta-lhes toda a assistência técnica possível."
(Excerto do Estudo)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

17 setembro, 2025

SEQUEIRA, Gustavo de Matos e CÂNCIO, Dr. Francisco - O RIBATEJO E AS FESTAS CENTENÁRIAS DE LISBOA.
Por... Jornalista e Arqueólogo, e por... Escritor e Jornalista, promovidas pelo Grupo de Coordenação Cultural de Santarém. [S.l.], Edição das Cantinas Escolares de Santarém, 1947. In-8.º (20x14,5 cm) de 36, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante subsídio para a história do Ribatejo. Trata-se das conferências de dois eminentes vultos da cultura portuguesa do século XX sobre a zona ribatejana e a sua ligação a Lisboa via Tejo, pronunciadas por ocasião das celebrações do centenário da tomada da capital aos mouros.
"Terra de lavradores e fidalgos, o Ribatejo! Ao contrário do Minho, a lavoura não é só faina de caseiros, mas honra dos proprietários e título da sua nobreza. Grandes nomes de criadores de toiros e de cavalos, de lavradores de searas, vinhas e olivais nos ficaram do passado. Deixaram fama e título ganaderias e coudelarias cujo ferro marcado na carne ainda se tem de cór.; mas a tradição permanece, e hoje ainda os há, e todos os conhecem, lavradores de estirpe, que primam em apurar raças e sangues, na Azinhaga, na Golegã, em Vale de Figueira, em Salvaterra, na Azambuja, em Coruche, em Benavente, no Cabo, em Samora Correia, e noutras terras da riba do sagrado rio que os clássicos poetizaram."
(Excerto da Conferência de Gustavo de Matos Sequeira)
"O Ribatejo, todo ele, tem motivos de ternura e de enlevo, desde as lezírias sem fim dos campos de Vila Franca e Santarém, com os seus toiros bravios e os seus campinos heróicos, até à vegetação luxuriante da Chamusca e aos olivais ricos das chãs ubérrimas da velha Abrantes.
Ao norte, pela margem direita do Tejo além, as colinas e os outeiros, numa leve cordilheira, com os seus casais caiados, perdidos por entre pinhais e searas em plena florescência, as vilas e aldeias, com os campanários das suas igrejas e os restos heróicos dos seus castelos; mais para cima a serrra de Aire com a sua beleza mística, fronteira do Ribetejo, enquadrando um horizonte de glorioso passado e de grandezas mortas.
O sul, com as suas pastagens, as suas valas ensombradas, com as suas povoações ricas de vida agrícola prende em muito a nossa atenção.
Já o tenho dito e parece-me não ficar mal repeti-lo mais uma vez, que o Ribatejo possui um pouco de todas as paisagens de Portugal."
(Excerto da Conferência de Francisco Câncio)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
15€

08 setembro, 2024

SANTOS S. J., Pe. Domingos Maurício Gomes dos -
A RELAÇÃO DA VIDA E MORTE DOS SETE MÁRTIRES DE MARROCOS DE FR. ANTÓNIO DA CONCEIÇÃO.
Pelo... (Comunicação apresentada à 7.ª Secção do XXIII Congresso Luso-Espanhol - Coimbra, 1956). Coimbra, Associação Portuguesa para o Progresso das Ciências, 1957. In-4.º (26x18 cm) de 62, [2] p. ; il. ; [1] f. desdob. ; B.
1.ª edição.
Reprodução de um manuscrito do século XVI, pouco conhecido, sobre a também pouco conhecida vida, martírio e morte de sete jovens portugueses e espanhóis reféns de Muley Hamet, Rei de Marrocos, por não abdicarem da sua religião.
Trata-se da narrativa de Fr. António da Conceição, que integrou a embaixada de D. Francisco da Costa, em Maio de 1579, para resgatar os prisioneiros da batalha de Alcácer Quibir, e que, paralelamente, terá tomado conhecimento da situação dos jovens.
Livro ilustrado com o escudo da Ordem trinitária e a portada da Relaçam cada um em sua página, e no final do livro, em folha desdobrável (25,5x31 cm): Planta do palácio xerifiano de Marrocos no século XVI, pertencente à Biblioteca do Escurial, estando reproduzido no verso desta a legenda do palácio do Xerife - "registo das indicações manuscritas no original da planta" -, e fac-símile de duas páginas da Relaçam.
"A «Relaçam da Vida e Morte de Sete Moços que Moleiamete rei de Marrocos matou porque não eram christãos, dos quais hum era filho d'elche & de moura de nação, os outros feitos mouros por força, a 4 de Julho de 85, escrita per hum religioso da Santissima Trindade & Redenção de Captivos», é um manuscrito de 190x250 mm e 64 folhas (1r-64r). [...]
O texto consta de três peças: 1. «Carta pera o serenissimo primcipe Cardeal governador do reino de Portugal pola s. c. r. m. delrei d'Espanha Dom Philippe nosso Senhor» (fols. 3r-4v).
2. «História da vida e morte de sete moços que elRei Xarife mandou matar em casa em sua casa por dizerem que erão christãos» (fols. 5r-62v).
3. «Sertificação da verdade da história (fols. 62v-62r). Embora adicionada ao texto precedente, como capítulo complementar, o 14. constitui, apenas, uma declaração de fidedignidade na narrativa dos factos - por parte de quem a escreveu. [...]
O autor, como expressamente indica a carta introdutória, é Frei António da Conceição, religioso da Ordem da Santíssima Trindade, o qual, tendo acompanhado, por indicação do seu superior monástico e ordem do Cardeal Rei D. Henrique, a embaixada que este monarca enviara a Marrocos para tratar do resgate dos prisioneiros de Alcácer Quibir, se encontrava na capital xerifiana do Sul, quando se deram os acontecimentos narrados. Teve, assim, ocasião e oportunidade de se certificar, miùdamente, da veracidade deles, por si ou por testemunhas presenciais idóneas.
A biografia de Fr. António da Conceição é bastante conhecida.
Nasceu na Ribeira de Santarém, em 1549, e morreu nas masmorras de Marrocos, a 20 de Maio de 1589. Foram seus pais Bastião Rodrigues e Maria Pais. Na sua cidade natal, fez o curso de artes. Em 1566, recebeu, ali, o hábito trinitário, prosseguindo, mais tarde, em Coimbra, o estudo das ciências filosóficas e teológicas, tendo por mestre o célebre Fr. Luís Soares, fervoroso partidário do Prior do Crato. Por esse motivo, o mestre veio a ser encarcerado no seu convento escalabitano, do qual fugiu para França, e dali para Inglaterra, onde assistiu, como confessor e conselheiro, a D. António, até 1591, data em que morreu, prematuramente, com só 44 anos de idade.
Quando, em maio de 1579, D. Francisco da Costa foi enviado embaixador a Marrocos, para tratar do resgate dos prisioneiros de Alcácer Qyubir, levando por secretário Luís Fernandes Duarte, Fr. António, ao lado de Fr. José de Madre de Deus, acompanhou a embaixada, como confessor do diplomata. [...]
Por toda a parte, a estamenha branca do trinitário, assinalada no escapulário pela cruz azul-escarlate da Ordem, esvoaçava, num vaivém incessante. Através de masmorras e cadeias, Fr. António ia visitando, consolando e animando à paciência,  nos trabalhos do cativeiro, os pobres prisioneiros, como testemunha expressamente Jerónimo de Mendonça.
Os renegados ou elches, como ali se lhes chamavam, mereceram-lhe atenção especial. Sem se poupar a sacrifícios e perigos, tentou reduzi-los, de novo, à fé cristã, causando a admiração do próprio Xerife, pelo seu desassombro.
Entre os frutos deste zelo de redenção espiritual, deve contar-se a recuperação de 7 jovens, martirizados em 1585, da qual o piedoso trino santareno se faz cronista, no presente códice.
O caso resume-se nisto. Entre os prisioneiros de Alcácer e entre os prisioneiros das surtidas dos corsários nas carreiras de navegação do Mediterrâneo e do Atlântico ou nas costas do Algarve e Ilhas Adjacentes, vendidos ao Xerife de Marrocos, contavam-se algumas crianças e jovens.
É sabido o destino de tais cativos. Segundo Fr. António da Conceição, o Xerife Abde Almélique, antecessor de Mulei Ahmede Almançor, enquanto homiziado na Turquia, contraíra o hábito de servir-se, de portas adentro, de moços elches ou renegados, alguns tornados eunucos não só para ofícios ordinários de sua pessoa, quer dizer como criados, «mas também para seus appetites brutais», isto é, para práticas sodomíticas.
«Os mais destes ou quasi todos», de diversas nações - gregos, esclavões, alemães, ingleses, castelhanos, portugueses e de outros países, faziam «mouros por força, a poder d'asoutes & outros inumeraueis tormentos, com que a tenrra jdade  não pode». Só os portugueses e castelhanos se mantinham mais renitentes na sua fé, que não abandonavam de todo, bem como na educação familiar, recebida em sua terra."
(Excerto do estudo)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
30€

01 agosto, 2024

O SANTISSIMO MILAGRE.
CANÇÃO Que contem abreviadamente a historia completa do SANTO MILAGRE DE SANTAREM. Desde o seu maravilhoso apparecimento, com os mais prodigios que foram acontecendo: como tambem as Cerimonias com que se fazem as suas Procissões. Porto, Typographia de D. Antonio Moldes, 1870. In-8.º (15,5x10,5 cm) de 65, [1] p. ; [3] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curiosa versão poética do Milagre de Santarém, famoso fenómeno medieval ocorrido no século XIII.
Obra em verso, dividida em quatro partes: O Milagre da Hostia Sagrada; O Milagre da Ambula; Os Arcebispos e as Procissões; A fuga e o homem das Botas. No final, em Observação, o autor justifica o livro, seguindo-se o relato de um outro milagre sucedido em França: Martin ou vaticinio singular sobre a França - Feito a Luiz XVIII no Anno de 1816, por um Lavrador.
Opúsculo raro e muito interessante. A BNP não menciona.
Ilustrado no texto com um bonito desenho no final da Canção, e em separado, com três estampas representando:
- a "pobre mulher" com as vestes em sangue;
- a Arca do Pão da Vida;
- a Custódia antiga e Âmbula com o Santíssimo Milagre.
"O milagre eucarístico de Santarém, também chamado de Santíssimo Milagre, trata-se de um milagre eucarístico dos mais célebres e reconhecidos no mundo, cientificamente analisado, e o qual ocorreu em Santarém, Portugal, no século XIII, sendo ainda hoje objeto de uma veneração nacional e internacional.
Corria o ano de 1226 (ou o de 1247, segundo alguns cronistas) quando, em Santarém, vivia uma pobre mulher, a quem o marido muito maltratava, andando desencaminhado com outra. Cansada de sofrer, foi pedir a uma bruxa que, com os seus feitiços, pusesse fim à sua triste sorte. Prometeu-lhe esta remédio eficaz, mas necessitaria de uma hóstia consagrada.
Depois de hesitar, a pobre mulher foi à Igreja de Santo Estêvão, confessou-se e, recebida a Sagrada Partícula, com suma cautela a tirou da boca, embrulhando-a no véu. Saiu rapidamente da igreja, encaminhando-se para a casa da feiticeira. Mas, então, sem que ela o notasse, do véu começou a escorrer sangue, o que, visto por várias pessoas, as levou a perguntar à infeliz que ferimentos tinha. Confusa em extremo, corre para casa, e encerra a Hóstia Miraculosa numa arca. Passou o dia, entretanto, e à tarde voltou o marido. Já em alta noite, acordam os dois, e vêem toda a casa resplandecente. Da arca saíam misteriosos raios de luz. Inteirado o homem do acto pecaminoso da mulher, de joelhos, passaram o resto da noite, em adoração.
Mal rompeu o dia, foi o pároco informado do prodígio sobrenatural. Espalhada a notícia, meia Santarém acorreu pressurosa a contemplar o Milagre. A Sagrada Partícula foi então levada, processionalmente, para a Igreja de Santo Estêvão, onde ficou conservada dentro de uma espécie de custódia feita de cera. Mas, passado alguns anos (em 1340), ao abrir-se o sacrário para expor à adoração dos fiéis, como era costume, encontrou-se a cera feita em pedaços e, com espanto, descobriu-se que a Sagrada Partícula se encontrava encerrada numa âmbula de cristal, miraculosamente aparecida. Esta pequena âmbula foi colocada num ostensório de prata dourada, onde ainda hoje se encontra."
(Fonte: Wikipédia)

"Almas fieis e devotas,
Ouvi co m toda a attenção,
Um dos milagres maiores,
Feitos ao Povo Christão:
Correndo o anno de mill
Duzentos sessenta e seis,
Reinando Affonso Terceiro,
De Portugal um dos Reis:
Surtiu haver neste Reino
Um Casal mui desunido:
Discordia havia perpétua
Entre a Mulher e o Marido,
Na Villa de Santarem,
Sobre o Téjo situada,
Em a Rua das Esteiras
Tinham a sua morada."

(Excerto de Parte Primeira - O Milagre da Hostia Sagrada)

Exemplar brochado em bom geral de conservação. Cansado. Sem capas. Pelo interesse e raridade justifica encadernação
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
45€

21 maio, 2024

BRAGA, Theophilo - FREI GIL DE SANTAREM. Lenda faustiana da Primeira Renascença. Por... Alma Portugueza. Porto, Livraria Chardron, 1905. In-8.º (19,5x12 cm) de XXIII, [1], 376 p. ; E.
1.ª edição.
Versão dramática da lenda de S. Frei Gil de Santarém, religioso português que por amor vendeu a alma ao Diabo.
"Gil Rodrigues de Valadares, filho do Alcaide-mór de Coimbra, frequenta as Escholas do Mosteiro de Santa Cruz. Absorve-se na meditação das doutrinas neoplatonicas, que actuam na primeira Renascença, do seculo XIII, as quaes suscitando a theoria do Amor, que se manifesta no ideal do novo Lyrismo dos Trovadores, na acção heroica da Cavalleria, no culto mystico da Virgem, prestando novo Symbolos á Arte, na contemplação da Natureza pelas investigações experimentaes dos Alchimistas que preparam as inducções da Sciencia, tambem coincidem com a formação das Irmandades e Jurandas em que fortifica o Proletariado.
Entre estas correntes complexas, que determinam a agitação revolucionaria d'esse seculo, Gil de Valadares chega á concepção platonica: O Poder, a Sciencia e o Amor, como as trez manifestações divinas por excellencia."
(Excerto de I - A primeira Renascença - Symbolisação artistica)
Dom Gil Rodrigues de Valadares, O.P., também conhecido sob os nomes de São Frei Gil de Portugal, São Frei Gil de Vouzela, São Frei Gil de Santarém, ou simplesmente São Frei Gil (Vouzela, c. 1190 - Santarém, 14 de maio de 1265). "Foi um frade dominicano médico, taumaturgo, teólogo e pregador português dos séculos XII e XIII, beatificado pelo Papa Bento XIV a 9 de Maio de 1748. É um dos beatos portugueses com maior projecção nacional e internacional. Sobre São Frei Gil e o seu percurso de vida teceram os séculos numerosas lendas e histórias. De acordo com uma história popular, ele foi abordado em sua jornada por um estranho cortês que prometeu ensinar a arte da magia em Toledo. Como pagamento, diz a lenda, o estranho exigiu que Gil entregasse sua alma ao demónio e assinasse o pacto com seu sangue. Gil obedeceu, e depois de se dedicar sete anos ao estudo da magia sob a direção de Satanás, foi para Paris, obteve facilmente o grau de doutor em medicina e realizou muitas curas maravilhosas. Uma noite, enquanto ele estava trancado em sua biblioteca, um cavaleiro gigante, armado da cabeça aos pés, teria aparecido a ele e, com sua espada desembainhada, exigiu que Gil mudasse sua vida perversa. O mesmo espectro apareceu pela segunda vez e ameaçou matar Gil se ele não se refizesse. Há quem acrescente que a sua conversão tivera início apenas na mesma cidade de Paris e se consumara em Palência, onde entrara na Ordem dos Pregadores. Giles voltou a Portugal, depois de tomar o hábito de São Domingos no mosteiro recentemente erguido em Palência, por volta de 1221. Pouco depois, seus superiores o enviaram para a casa dominicana em Santarém. Ali ele levou uma vida de oração e penitência, e, ainda de acordo com as lendas, por sete anos sua mente foi atormentada pelo pensamento do pacto que ainda estava nas mãos de Satanás. Finalmente, narra seu biógrafo, o diabo foi compelido a entregar o pacto e colocá-lo diante do altar da Santíssima Virgem."
(Fonte: Wikipédia)
Belíssima encadernação inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada, e com cercadura e desenho de Teófilo Braga com o seu inconfundível guarda chuva gravados a seco e a ouro na pasta anterior. Preserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação. Aparado e pintado à cabeça. Carimbo de posse na f. rosto e ex-libris no verso da mesma. Sem f. ante-rosto.
Muito invulgar.
Indisponível

15 abril, 2024

COSTA, Maria Clara Pereira da -
OS DA CARREIRA DA ÍNDIA E MINA OU DE TORNA-VIAGEM COM BENS PATRIMONIAIS NO ORIENTE, NOS AÇORES E NO NORTE DE ÁFRICA. [O testamento do cavaleiro fidalgo da Casa de Sua Magestade Barnabé Fernandes]. Separata do Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira - vol. XLI (1983). [S.l.], [s.n. - Gráfica Maiadouro - Maia], [1986]. In-8.º (21,5 cm) de [1], 74 p. (206-279 p.), [1] p. ; il. B.
1.ª edição independente.
Interessante ensaio histórico sobre Barnabé Fernandes, navegador português torna-viagem natural de Almeirim, que fez a Carreira da Índia, com forte ligação à Ilha Terceira - porto de escala no regresso - pelo casamento.
Trabalho invulgar, com relevância para a história desta rota marítima e da genealogia dos primeiros colonizadores da Ilha.
Ilustrado com 8 gravuras distribuídas por outras tantas páginas: uma de Santarém, outra de Goa e seis de Angra do Heroísmo.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa da autora ao Dr. Francisco Santana, conhecido académico e historiador.
"Trago como tema de estudo a este colóquio um só documento que nem original é. [...] É certo, contudo, que para nós os arquivistas todo e qualquer documento em sentido absoluto é digno da melhor atenção, mas nem sempre é fácil encontrar-se a técnica adequada a que o seu valor como testemunho se torne se torne útil ao historiador. Tentaremos com o o documento em causa fazê-lo e neste momento com um encanto especial pois irei darei a mão a Barnabé Fernandes (assim se chama o cavaleiro fidalgo de torna-viagem que estudaremos), e com ele e o seu testamento passear a minha infância pelas ruas de Angra, a imaginação pelas guerra de Arzila, a saudade pela velha Goa, os desencontros da vida, a presença dos mortos, a lonjura dos sonhos pelos lábios ressequidos que o meu Atlântico salgou; e isto sem qualquer singularidade por individual que pareça, nem traição ao ofício por regado de emoção, uma vez que são estes, nós os ilhéus bem o sabemos, os dados essenciais do processo histórico que gerou o homem atlântico. De facto, de tudo isto Barnabé Fernandes fará história, pois se o mundo não é para esquecer e se a história entre o mais é memória funcional das coisas, temos de dar voz ao homem colectivo imediato e às múltiplas formas de pressão que o condicionam, mas ainda ao rochedo que é, ao lugar, ao homem imediato, à marca que o devir da sua viagem no fluir das gerações acaso deixar."
(Excerto do preâmbulo)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€

25 setembro, 2023

CHARRUA, João Vicente de Oliveira -
AMORES DUM INFORTUNADO PRÍNCIPE DE PORTUGAL.
Narrativa histórica que obteve Menção Honrosa nos importantes Jogos Florais de 1937. Marco de Canavezes, Composto e impresso na Empresa Publicidade, [1937]. In-4.º (23,5x18,5 cm) de 9, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa novela histórica, narra o fatídico acidente equestre que vitimou o príncipe herdeiro D. Afonso, filho de D. João II, perto de Santarém, à beira Tejo, resultando essa tragédia no ruir do sonho nacional de uma coroa ibérica unida sob pendão português.
Bonita edição, impressa em papel encorpado. Raro. A Biblioteca Nacional não menciona o livro.
"D. Afonso, filho estremecido do rei D. João II de Portugal, e a linda e encantadora princesa D. Isabel, filha dos célebres reis católicos, foram postos em Terçaria na vila de Moura.
A graciosidade e a estonteante beleza da princesinha, que mais parecia flor de quimera ou lenda de castelã encantada, logo feriram o coração do esbelto e jovem príncipe português. Desfeitas as intrigas palacianas que envolviam as casas reinantes de Portugal e Castela, fôra o casamento dos príncipes ajustado com grande aprazimento das conveniências políticas das duas nações. [...]
A sete de Dezembro realizava-se enfim, com extraordinário cerimonial, o casamento dos jovens príncipes. A noiva, radiante e bela, exercia sôbre todos poderosa fascinação; D. Manuel, duque de Beja, ficara de tal forma perturbado, exclamara tanta admiração, que teve de receber prudentes avisos da parte da rainha sua irmã!
Seria o destino,  sempre caprichoso e enigmático, quem lhe poisasse na alma o vago pressentimento, de que êle, duque de Beja, estaria para ocupar os lugares do infeliz príncipe consorte!?
Efectivamente, uma corrida, desastrosa e trágica ao longo do Tejo, fez de D. Manuel o herdeiro de duas heranças valiosíssimas: o trono de Portugal e a desditosa e amante princesa espanhola, tornada viuva quando ainda não tinha decorrido o poético e enternecedor ano de noivos... Aquele sonho começado nas terçarias de Moura, e desenvolvido por forma radiosa no convento do Espinheiro quebrara-se tão funestamente, funebremente, nas margens do Tejo!
O soberano fôra com alguns palacianos entregar-se a exercícios de natação nas águas do Tejo. O herdeiro, alegando cansaço, ficara próximo do palácio; mas passados os primeiros momentos após a recuso de os acompanhar, ou fôsse porque lhe mordessem a imaginação as palavras levemente e amigavelmente trocistas que ouviu, ou fôsse a volubilidade própria dos dezesseis anos, o certo é que resolveu segui-los. Chamou para companheiro o fidalgo D. João de Meneses a quem propôs um páreo. Lançaram-se os corcéis em desordenada carreira; com as patas ferindo lume, as ventas dilatadas, os musculosos membros galgando espaços e mal poisando no terreno como se fôssem animais alados, êsses corcéis tomavam aspectos lendários e tétricos."
(Excerto da Narrativa)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

22 fevereiro, 2023

AZEVEDO, Pedro A. de - O TERRITORIO DE ANEGIA.
Por...
Lisboa, Imprensa Nacional, 1898. In-4.º (25 cm) de 32 p. ; B.
1.ª edição independente.
Monografia sobre o antigo território de Anegia, região cujos limites, algo indefinidos, vigoraram entre os século IX e XI, sob a égide do Condado Portucalense, no período imediatamente anterior à fundação da nacionalidade.
"Entre os annos de 875 e de 1090 encontra-se numerosas vezes citado nos diplomas dos Portugaliae Monumenta Historica o territorio de Anegia, tão cedo desapparecido, que mal vestigios temos d'elle nos seculos posteriores, estando esses mesmos poucos restos aniquilados tão completamente nos nossos dias, que o nome de Anegia, que o era tambem da capital da região, a custo pôde ser identificado com a moderna povoação de Eja. [...]
Tinha elle - [o território] - uma superficie razoavel e começando na parte superior do rio Ferreira conglobava o curso inferior dos rios Sousa e Tamega, depois passando o Douro ia terminar a cêrca de metade do rio Paiva, já em plena Beira. Expondo com mais minuciosidade, a fronteira de Anegia principiava nas proximidades do Ferreira, a cima alguma cousa de Vandoma, passava depois por Marecos e Soalhães e d'aqui descia até Sande, no Douto, por onde se alongava até Foz-do-Sousa, e entrando por este rio chegava até á confluencia do Ferreira, o qual subia até ao tal ponto indeterminado onde começámos. Para aquém do Douro era muito pouco consideravel o territorio de Anegia que comprehendia o curso do Sardoeira em toda a sua extensão, parte do rio Paiva até Alvarenga, e incluia ainda Villa Meã, na freguesia de Espadanedo, e Real.
Dentro d'este perimetro encontravam-se as localidades importantes de Anegia e Aratrus (castro), alem dos mosteiros de Cette, Paço-de-Sousa e Pendorada (Alpendurada) e da posição estrategica do castro de Vandoma."
(Excerto do texto)
Pedro Augusto de São Bartolomeu de Azevedo (Santarém, 1869 - Lisboa, 1928). Historiador. "Sócio efetivo da Academia das Ciências de Lisboa e Diretor interino da Biblioteca Nacional. A sua opinião em matéria de paleografia e diplomática fazia fé; trabalhador incansável, ninguém como ele, depois de Sousa Viterbo se devotou ao trabalho inglório mas benemérito da publicação de documentos. Todas as revistas portuguesas de erudição de há trinta anos a esta parte o contaram como colaborador e se o seu espírito não pendeu a criação de sínteses, raros, como Pedro de Azevedo tão dignamente concorreram para este ideal do trabalho histórico, dilatando as suas possi­bilidades. O seu conhecimento dos Arquivos, em especial do Arquivo da Torre do Tombo do qual fora conservador era profundo; por isso nunca ninguém recorreu debalde aos seus generosos e desinteressados conselhos ou suges­tões."
(Fonte: http://www.joaquimdecarvalho.org/artigos/artigo/219-Pedro-A.-de-Azevedo)
Exemplar brochdo em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

10 setembro, 2021

MATOS, Alfredo de - A ESCOLA DE FREI JOSÉ E DE FREI MANUEL DA CONCEIÇÃO NA SERRA DE SANTO ANTÓNIO : um farol que brilhou nas trevas.
[Prefácio de Domingos de Pinho Brandão, Bispo Auxiliar do Porto]. [S.l.], Edição da Igreja Paroquial da Serra de Santo António, [1976]. In-8.º (21 cm) de 180, [4] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Monografia sobre Serra de Santo António e os dois religiosos que no primeiro quartel do século XIX puseram a freguesia no mapa, fruto da sua história de vida, e da escola que erigiram e onde leccionaram.
Livro ilustrado no texto com fotogravuras a p.b.
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Na primeira metade do seculo dezanove, mais precisamente cerca do ano de 1837, a até então humilde localidade da Serra de Santo António viu-se projetada a nível nacional. Isto porque dois frades egressos do convento do Varatojo, em Torres Vedras, após o encerramento do mesmo pelo decreto de Joaquim António de Aguiar, de 28 de Maio de 1834, ali se refugiaram: um, Frei José da Conceição, natural do lugar, perseguido pela justiça, acusado de ter escondido os valores do convento antes de sair; outro, Frei Manuel da Conceição, por fervor apostólico e solidariedade para com o colega e amigo.
Foi este Frei Manuel, que, por volta de 1837, abriu uma escola de ensino secundário, na Serra de Santo António, onde residia. Seis anos mais tarde, resolvidos os problemas com a justiça, juntou-se-lhe Frei José como docente. A escola chegou a ter uma frequência de cerca de 100 alunos, vindos de todo o país. Terminou em 1875 com a morte de Frei Manuel e o regresso de Frei José ao convento."
(Fonte: https://www.municipiosefreguesias.pt/freguesia/373/13/heraldica-da-freguesia-de-serra-de-santo-antonio)
"Os dois egrégios varatojanos, que se acoitaram nas escarpas cinzentas e quase nuas da Serra de Santo António, foram dar ali - como é fácil ver - por influência de razões totalmente diferentes. Um, atraído pelo magnetismo natural do sangue; o outro, empurrado pela incrível circunstância adversa de a família o rejeitar - circunstância a que deu providencial remedeio o chamado que retine dentro da alma dos amigos que verdadeiramente o são.
Nestes pontos se viram, respectivamente, Fr. José e Fr. Manuel da Conceição.
A causa primeira de tudo isto foi a política. No entanto, a posição de ambos, relativamente aos políticos da época, diferenciava-se com perfeito rigor. Enquanto ninguém era capaz de dar fé da mais pequena «aquela», por parte destes, contra Fr. Manuel, reinava, no ânimo de alguns Liberais, uma vontade que nem um braço contra Fr. José. E o caso é que repetidas vezes tentaram pôr em obra o que lhes andava nos desejos: deitar-lhe a mão."
(Excerto do Cap. V - O farol que brilhou nas trevas)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
20€

10 março, 2021

CARDOSO, Nuno Catharino - TUMULOS PORTUGUESES.
Relação de cento e cincoenta e sete  dos mais belos ou curiosos tumulos e sarcofagos existentes em Lisboa e em diversas cidades e vilas de Portugal, acompanhada de elucidativas gravuras através das quais facilmente se pode avaliar o que são estes monumentos
. Lisboa, Edição do Autor, 1937. In-4.º (24,5 cm) de 15, [1] p. (inc. capas) ; il. ; B. Col. Arte Portuguesa - XX
1.ª edição.
Interessante subsídio para a história da arte tumular.
Ilustrado com fotogravuras de monumentos funerários ao longo das páginas de texto.
No final do opúsculo inclui o "Indice Alfabetico dos 157 Tumulos citados neste trabalho".
Tiragem: 350 exemplares.
"Em Portugal há bastantes tumulos, sendo alguns dentre êles muito artisticos, como poderá verificar quem percorrer o país e fizer o respectivo inventário.
Ora revestidos da maxima simplicidade, como serve de exemplo o tumulo dos Sete Cavalheiros mortos, em 1242, na tomada de Tavira, ora sumptuosos, como são entre outros, os tumulos de D. Pedro I e de D. Ignês de Castro, em Alcobaça, verdadeiras maravilhas em pedra lavrada, existem em Portugal tumulos de estilos e epocas bem diversas, a começar no seculo XII, formando um conjunto admiravel que completa o nosso patrimonio artistico que possue, nesse e noutros generos, exemplares de grande belesa e valor, como tenho demonstrado através da paginas desta colecção.
Falar dos tumulos portugueses corresponde a recordar muitas paginas da Historia de Portugal desde D. Afonso Henriques á Grande Guerra, pois bastantes desses monumentos perpetuam a memoria de vultos  nacionais bem ilustres, ácerca dos quais a morte não teve verdadeiramente poder, tais foram os feitos que legaram á posteridade, enobrecendo os seus nomes."
(Excerto do preâmbulo, Alguns dos mais belos ou curiosos tumulos existentes em Portugal)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
20€

22 junho, 2015

ARRUDA, João - ATRAVEZ DE SANTAREM (Notas d'um chronista). Prefaciado por Alberto Pimentel. Santarem, Imprensa Moderna, 1898. In-8.º (19,5cm) de [6], VII, [1], 182, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de curiosas crónicas escalabitanas.
"O sr. João Arruda percorreu Santarem, recheando de notas e observações a sua carteira de folhetinista, sem gastar mais tempo do que um monge de Cistér levaria a persignar-se pausadamente antes de escrever o antelóquio de um "in folium" bernardo.
Póde elle, o auctor, ter-se fatigado; o leitor jámais se fatigará, porque o ha de recrear a variedade do kaleidoscopo, a successão rapida dos assumptos e a levesa do traço pittoresco, que serpenteja sobre o papel se o morder."
(excerto do prefácio)
Matérias:
- Esca Abidis. - Da varanda de Monte Iraz. - Santa Irene. - De manhã, á hora do mercado. - O poeta da «Alma Nova». - O Senhor S. Jorge. - Romagem da Saude. - A côrte dos milagres. - Aspectos da feira da Piedade. - Pedral'varez Cabral. - A semana dos confeiteiros. - No paiz das uvas. - Diogenes, empresta-me a lanterna. - Á sahida dos touros. - De noite.
Encadernação inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta e na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Aparado. Pastas e lombada cansadas, com defeitos vários.
Muito invulgar e apreciado.
Com interesse regional.
35€
Reservado

26 setembro, 2014

SYNOPSE DO PRONUNCIAMENTO NACIONAL EM SANTAREM. Lisboa: Typographia de P. A. Borges, 1846.
e
DIAS, Dr. Miguel Antonio - ALLOCUÇÃO AOS ELEITORES DO DISTRICTO DE SANTAREM. Recitada Pelo... em Assemblea Geral de 27 de Setembro de 1846. Lisboa. Typographia Neryana, 1846.
Inclui o Programma, ou Principios Geraes que os Deputados do Circulo Eleitoral de Santarem devem sustentas nas Cortes de 1847 (19-22 pp).
2 vols juntos, in-8º (21cm) de 163, [1] p. e 22, [2] p. ; B.
Interessante contributo coevo, em duas obras independentes, ambas da autoria de Miguel António Dias (a primeira saiu sob anonimato), sobre o conturbado período nacional conhecido pela Revolução da Maria da Fonte, revolta popular, resultante das tenções sociais remanescentes das Guerra Liberais, que viria a dar origem a mais uma guerra civil - A Patuleia -, protagonizada por Cartistas e Setembristas, e que se prolongaria por cerca de 8 meses, entre 1846 e 1847.
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"É de todos bem sabido que os Cabraes perderam, e quasi que venderam, o malfadado Portugal; e que a providencia houve por bem preparar a reacção do Minho para elle ser regenerado, e para deitar fóra de si aquelles bandoleiros politicos.
Tambem todos sabem que reduziram o exercito portuguez a um estado rude e vendavel, porque era, em geral, composto de máos officiaes; e que os povos, que lhes haviam págo e dado armas para sua defeza e guarda, tiveram de lutar contra elles de braço a braço!
Nunca os portuguezes hão mostrado melhores desejos, nem mais acrisolado patriotismo, do que na emancipação actual; mas em vez de encontrarem homens, que bem os dirigissem, não tiveram, em geral, senão chefes pouco expertos, e que enganados tambem os enganáram! Mas confiando na emenda, e na vontade dos povos, ainda esperamos pelo remedio; e, em quanto este não chega, trataremos do pronunciamento de Santarem.
Com a suppressão da liberdade de imprensa, decretada pelos Cabraes, mal se podiam transmitir noticias pelo paiz; e a não ser o major Avila, que, no transito do Minho para Lisboa, escreveu de Rio-Maior para Santarem, só mui tarde os Santarenos teriam verdadeiras instrucções ácerca da Revolta."
(excerto da introdução da Synopse..., Ao Leitor)
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"Eis-nos, pois, Senhores, chegados á nossa época actual: é a época do Pronunciamento Nacional, e da Maria da Fonte.
Sim , Senhores, esta matrona, tenha ou não existencia real, merece a nossa apotheóse: deve ser posta no numero dos Deoses; porque foi ella o astro brilhante que nos conduzio á gloria e á salvação.
Apenas a Maria da Fonte la no Minho arvorou, em vez da dourada bandeira, a sua rude mas temerosa fouce, todos os Patriotas, os de pé descalço (acceittamos o epigramma, porque exprime maravilhosamente o misero estado, em que nos deixárão os contrários!...) Repitto, Senhores: Apenas a Maria da Fonte ousou levantar o estandarte da Revolta, todos os Povos descontentes e opprimidos corrêrão a prestar-lhe voluntario auxilio.
O movimento foi rapido como a faisca electrica; porque a anciedade publica era geral por todo o Paiz: O movimento foi Nacional; porque foi geralmente abraçado pelo pobre, pelo rico, pelo ignorante e pelo sabio, pelo plebeu e pelo nobre."
(excerto da Allocução)
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Exemplares em bom estado de conservação. Sem capa frontal. Nome do autor da Synopse (Miguel António Dias) manuscrito na f. rosto deste volume.
Pela importância e raridade a justificar encadernação.
Raros.
Com interesse histórico, em particular para a região escalabitana.
Indisponível