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05 agosto, 2026

PIMENTA, Alfredo -
A REVOLUÇÃO MONARCHICA. Por...
Lisboa, Edição do Autor , 1919. In-8.º (18x12 cm) de 60, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Importante ensaio doutrinário publicado pouco tempo após a efémera tentativa de restauração monárquica, que ficaria para a história como a 'Monarquia do Norte'.
Publicado no rescaldo dos acontecimentos da Monarquia do Norte (a tentativa de restauração monárquica liderada por Paiva Couceiro em janeiro de 1919), o livro funciona como um estudo crítico e uma apologia ideológica. Nele, o autor analisa a instabilidade da Primeira República Portuguesa e defende a solução monárquica como a alternativa lógica contra a desordem política da época.
Alfredo Pimenta, que no início da sua vida pública teve simpatias anarquistas e republicanas, já se tinha convertido nesta altura a um monarquismo convicto e contra-revolucionário, posicionamento que reflete diretamente nas páginas desta obra de cariz doutrinário. (IA)
"A questão política continúa em equação, á espera de uma resolução positiva, normal e definida. O Equívoco nacional, aggravado com o advento do regime republicano, mantem-se. [...]
A situação republicana gerada pelos intuitos e pela vontade de Sidonio Pais, fracassou e morreo estrangulada ás mãos da demagogia organizada. A dissolvencia dos caracteres accentuou-se. A impotencia das intelligencias attingio a sua maxima evidencia. Não ha Governo. Não ha Lei.
E no entretanto, um momento houve em que seria fácil conduzir o Paiz àquella estabilidade, àquella comcórdia, àquella calma que são as condiçoens essenciais da sua vida normal.
Uma vez assassinado o Presidente Sidonio Pais, o caminho lógico, intelligente, seguro, era só um: o da restauração das instituiçoens tradicionais portuguezas, em moldes diversos dos que ellas tinham em 5 de outubro de 1910. [...]
No domingo, 19 de janeiro, á 1 hora da tarde, estávamos nós no Largo das Duas Egrejas com um dos mais combativos e decididos jornalistas da Monarchia, combinando a nossa acção parlamentar do dia seguinte, quando o governo de Tamagnini Barboza de apresentasse, como esperávamos, ás Câmaras, a relatar os acontecimentos sediciosos de Santarem. As nossas palavras e os nosso projectos não eram de quem presumia que meia hora depois, no Porto, se restaurasse a Monarchia."
(Excerto de 26, Fevereiro) 
Alfredo Pimenta (Guimarães, 1882 - Lisboa, 1950). "Escritor, conhecedor profundo da língua portuguesa, desenvolveu em estilo próprio, de grande clareza e rigor científico, uma vasta bibliografia que se espraia pela História, teorização politica, crítica filosófica, literária, géneros que muitas vezes tomaram a feição de polémica, em que era exímio, pela defesa intransigente dos seus pontos de vista e argúcia de argumentos. Cultivou também a poesia."
(Fonte: https://www.amap.pt/p/alfredo-pimenta)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo sujas, manchadas. Rubrica de posse na f. rosto.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€
Reservado

03 outubro, 2023

CÁMEIRA, José Martins - ORDENS E RELATORIOS. Operações Militares sobre Fornos d'Algôdres e Lamego em 1919.
Por... Major d'Infantaria
. Castello Branco, Typographia da «Casa Progresso», [1919]. In-8.º (21 cm) de 31, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio histórico, com interesse táctico-estratégico, relativo ao período revolucionário apelidado "Monarquia do Norte".
Trata-se de um interessantíssimo manancial de ordens e relatórios redigidos pelo Major José Cámeira, comandante do 2.º grupo de metralhadoras, envolvido nas operações de combate aos insurrectos monárquicos sobre Fornos de Algodres e Lamego, no período compreendido entre 23 de Janeiro e 12 de Fevereiro de 1919.
Relatório muitíssimo valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao "Alferes... da bataria de Art.ª do Destacamento misto n.º 1".
"No desejo de satisfazer o pedido dos meus camaradas que fizeram parte dos destacamentos successivos do meu comando por ocasião da conspiração monarquica do norte, tomei o encargo, por este facto sómente, de compilar todas as ordens de operações e relatorios que elaborei, no decorrer do movimento insurrecional, quasi sem alterar a redação e muito menos a fórma e disposição, para não perder a sua principal caracteristica de originalidade - a mais aceitavel como lembrança - mas aonde certamente muito havia a rectificar, mórmente por não ter tido á minha disposição arquivo algum e em especial os regulamentos de campanha, de saude e de subsistencias e que a memoria nem sempre conseguia capazmente dispensar."
(Preâmbulo)
"No dia 23 de Janeiro, sendo comandante do 2.º grupo de metralhadoras, sou chamado ao quartel general da 2.ª divisão, provisoriamente instalado na cidade de Guarda, para assumir o comando das tropas de cobertura, algumas d'estas jà fixadas na margem esquerda do rio Mondego, n'uma linha de vigilancia e de segurança de cerca de 24 quilometros, assim distribuidas: 30 homens em Celorico da Beira, 50 em Juncaes, 60 em Cabra e 30 em Nespereira.
Uns 200 homens seguiam a caminho para reforço d'aquelas, tambem pertencentes ao regimento d'infantaria n.º 12.
Em virtude das instruções recebidas embarquei, por 12 horas, na estação de caminho de ferro da Guarda com as forças d'infantaria de reforço e mais uma secção de artilharia de montanha, acrescida de uns 100 homens apeados d'esta arma.
Desembarcada a secção de A. M. na estação de Celorico da Beira, segui com as restantes forças ate ás proximidades de Jejua, ponto escolhido para desembarque, d'onde se passou para a margem esquerda do rio Mondego e d'ali se marchou para Mosquitela, tendo o cuidado de tornear o alto do Pendão 2.º (537.∙.), de Penedia (525.∙.) e outros contiguos para a coluna não ser vista das tropas rebeldes.
Chegado a Mosquitela já depois do sol posto mandei ainda avançar cerca de 100 homens para Juncaes, ficando os restantes de reserva n'aquela povoação."
(Excerto da introdução)
A Revista Militar N.º 22 - Dezembro de 1922 - inclui um artigo do General Adriano Beça com o título As metralhadoras, onde elogia Cámeira: "Os oficiais deveriam possuir todo o curso da sua arma, ter menos de 30 anos de idade, os subalternos, não sendo admitidos nos grupos sem a respectiva especialização na Escola de metralhadoras pesadas. É êste o espirito dominante no corpo de oficiais que hoje constitue a élite dos grupos de metralhadoras, onde se encontram oficiais da envergadura do major José Martins Cámeira, que faz honra ao exército português e seria um elemento de inestimavel valor em qualquer outro exército europeu. Possue êle, alêm do saber profissional, a experiência da grande guerra e qualidades de comando, que o tornam um oficial prestigioso e lhe dão sobeja autoridade para, em assuntos técnicos emitir a sua opinião que deveria ser religiosamente acatada."
José Martins Cámeira (1878-?). "Militar, natural da Freguesia de Caria (Belmonte), residente em Castelo Branco. Nasceu a 06-10-1878. Era filho do Comendador Vicente Martins Ribeiro e de D. Piedade Pires Cameira Ribeiro. A sua carreira Militar, desde que em 1902 foi nomeado Alferes até que em 1935, já Coronel, foi nomeado Comandante Geral da PSP, foi sempre brilhantíssima. Exerceu professorado em escolas regimentais, tomou parte nas operações de Angola em 1935, no destacamento do Cuanhama como Comandante de Bateria, combatendo na Môngoa, Chana da Môngoa, Cacimbas, etc., bem como no combate de Nigiva, onde entrou com o seu destacamento. [Combateu na Primeira Guerra Mundial integrado nas forças do C.E.P. com o posto de capitão, sendo mais tarde promovido a major. Foi dos primeiros a embarcar para França, em 23.10.1916. Seguiu para o Q. G. do E. M. P. por ter sido colocado no E. M. Depois foi colocado como 2.º comandante de Infantaria 35. Foi comandante do 5.º Grupo de Metralhadoras, assumindo mais tarde o comando do Batalhão de Infantaria 14]. Fez parte do C.E.P. em França, e ali obteve promoções rápidas e comandos de responsabilidade, e combateu os revoltosos monárquicos do Norte em 1919 como comandante das tropas de cobertura junto do Mondego e coluna de operações de Lamego e Régua. Em 1920 foi Comandante da Escola de Metrelhadoras Pesadas e depois Instrutor de 1.º e 2.º grau na ECO. Fez o Curso de Metrelhadoras pesadas em França na “Machine Gun School” inglesa. Sendo Tenente-Coronel fez parte das forças que combateram, em 1931, os revoltosos das Ilhas Adjacentes, tomando parte no combate do Machico. Desempenhou muitas comissões técnicas importantes e constam na sua folha de serviços os mais altos louvores em serviço técnico e em campanha, tendo sido condecorado com o grau de Cavaleiro da Legião de Honra de França, a Medalha da Vitória e Medalhas Militares de Comportamento Exemplar (Cobre, Prata e Ouro), Medalha Militar de Prata das Campanhas do Exército de 1914 e 1915, Medalha Militar de Prata de Valor Militar (com letra C e Palma dourada); Medalha Militar de Bons Serviços (duas de Prata e uma de Ouro com letra C), Medalha Militar de Prata das Campanhas do Exército (França 1917 e 1918), Medalha Militar de Prata das Campanhas do Exército (Cuanhama, 1915), Cruz de Guerra e “fourvagères”, Cavaleiro da Torre e Espada com palma dourada, Comendador de Cristo, Comendador e depois Grande Oficial da Ordem Militar de Avis, etc."
(Fonte: https://www.facebook.com/1540060162973575/posts/1994210184225235/)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel.
Muito raro.
Com significado histórico e militar.
Sem registo na BNP.
Indisponível

30 julho, 2022

DIARIO DA JUNTA GOVERNATIVA DO REINO DE PORTUGAL.
Colecção completa (N.os 1 a 16 - 19 de Janeiro a 13 de Fevereiro de 1919). Reprodução zincográfica
. Porto, J. Pereira da Silva - Editor, 1919. In-8.º (21,5 cm) de [40] p. ; B.
1.ª edição em livro.
Edição fac-símile do Diario da Junta Governativa do Reino de Portugal, (15 números publicados + 1 número impresso, mas que não chegaria a circular), - orgão de informação do directório chefiado por Henrique de Paiva Couceiro que, com forças leais ao seu projecto político, havia proclamado a monarquia na cidade do Porto.
"A reprodução zincográfica do Diário da Junta Governativa do Reino de Portugal, constitui um dos elementos mais importantes para a história da restauração monárquica no Norte do país. Poucos conseguiram coleccionar até ao penúltimo número, e raríssimos até ao n.º 16, - que não chegou a ser distribuído - êste repositório interessantissimo de documentos históricos, onde a orientação dos restauracionistas mais vivamente se afirmou.
A impressão do Diário da Junta Governativa do Reino de Portugal, foi feita em três tipografias e em diferentes formatos: os n.os 1 a 3, na tipografia do jornal «A Pátria!», com a designação de «Tipografia Nacional», e os n.os 4 a 7, na «Tip. Mário Antunes Leitão», com as dimensões de 0m,47x0m,35, e os n.os 8 a 16, na «Empreza Gráfica A Universal», conservando estas últimas dimensões, excepção feita do n.º 16 (último) que tem 0m,45x0m,34."
(Introdução)
"A 19 de Janeiro de 1919, Domingo, foi proclamada no Porto a Monarquia, tendo como seu chefe Paiva Couceiro e muitos militares monárquicos, tendo esta proclamação sido seguida em muitos pontos do país, mas principalmente no Norte.
A Monarquia é restaurada no Monte Pedral, no Porto, onde as tropas monárquicas em parada ouvem a proclamação monárquica, lida por Satúrio Pires, fiel apoiante e grande amigo do capitão Paiva Couceiro. [...]
Às 17 horas, na sala de reuniões da Junta Geral do Distrito, tomou posse a Junta Governativa do Reino, com a presença do representante da Diocese do Porto, reverendo D. Teófilo Salomão, que receberia o juramento dos membros da Junta.
Foi então criado o Diário da Junta Governativa do Reino de Portugal. Neste jornal seriam publicados todos os decretos da Junta, reguladores da vida política, social e económica dos portugueses, fixando preços, feriados, o regime político, nomeações de oficiais e funcionários do estado, abolição do escudo, abolição do registo civil, requisição de veículos com «motor de explosão» e a regularização das relações com a Igreja. Num deles era publicado o decreto de abolição da República e recuperada a Carta Constitucional Portuguesa de 29 de Abril de 1826, e noutro era restabelecida como oficial a Religião Católica e Apostólica Romana."
(Fonte: Pereira, Pedro Marçal Vaz - Monarquia do Norte. A Guerra Civil entre Monárquicos e Republicanos : Onde Dois Governos Governaram Portugal Durante Três Semana, 2016)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Ex-libris de António Manuel Lobão de Mascarenhas no verso da capa.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
Indisponível

22 julho, 2012

SILVA, Silverio M. de Figueiredo Lobo e – BANDALHEIRA. Gouveia, [Ed. Autor] Comp. e imp. Tip. Motta & Irmão, 1919. In-8º grd. (24cm) de 86, [2] p. ; E.
Opúsculo publicado num período de grande turbulência da vida nacional, após o assassinato de Sidónio Pais ocorrido em Dez. 1918, e na sequência da revolta ocorrida no Porto, pouco tempo depois, em 19 de Janeiro de 1919, ocasião em que foi proclamada a monarquia - golpe efémero que viria a ser conhecido pela Monarquia do Norte.
Em tom cáustico, o autor ataca os sidonistas e “novos” monárquicos em geral, não poupando nos adjectivos para classificar o seu comportamento “vil” e errante, mas também particulariza, “chamando os bois pelo nome”. Denuncia a situação política do país, de compadrio e corrupção, pincelando o livro com exemplos da “podridão” que grassava, sobretudo em casos que o envolveram a ele pessoalmente, enquanto Delegado do Procurador da República.
“Esses torpes políticos, essa vil canalha, esterco ambulante, poeira mortífera, vilões d’origem, sò de mães nascidos, mordendo com o rabo como os lacraus, que da republica velha foram para a nova, com as mesmas caras, surgindo-lhes agora a monarquia, como os cães, alçam a perna, mijam sobre a republica e saltam para a monarchia onde ocupam os mesmos logares; os mesmos tal e qual. Vêm assim desde 1911 alguns e outros desde as eleições de 1917. Republicanos sem partido, republicanos do Pimentismo, republicanos do democratismo, republicanos da união sagrada, voltando ao democratismo d’ahi passando ao unionismo e sidonismo e de tudo isto para a monarchia restaurada…”
Silvério Máximo de Figueiredo Lobo e Silva, advogado e deputado, natural de Sever do Vouga. Delegado do Procurador da República quando escreveu a presente obra.
Encadernação recente cartonada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capas com defeitos; páginas oxidadas.
Muito raro.
Sem indicação de registo na Biblioteca Nacional de Portugal (BNP).
Peça de colecção. 
Indisponível