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16 maio, 2019

MACEDO, J. C. - AS CINZAS DUM TEMPO PERDIDO. Ascensão e queda das FP-25? Mem Martins, Publicações Europa-América, 1985. In-8.º (21cm) de 178, [2] p. ; B. Col. Estudos e Documentos, 217
1.ª edição.
Impressionante relato de João Macedo Correia, um ex-operacional das FP-25 de Abril, organização armada clandestina de extrema-esquerda que protagonizou dezenas de atentados em Portugal, entre 1980 e 1987.
"Este livro é o resultado do «diário da prisão», que fui escrevendo desde esse dia 16 de Agosto de 1984 até estes dias de Maio de 1985. As notas, as mais importantes, compilei-as, destruindo tudo o resto. Espero ter sido claro quanto à loucura normal que impregna todo um acto político desprovido da sensibilidade cultural. As notas compiladas dactilografei-as numa parte (a aba do chapéu) de Monsanto. Poderia ter feito um simples e maçudo relatório das coisas da ascensão e queda das FP25, mas a frieza de tal propósito levou-me a uma atitude romanesca, porventura a mais indicada maneira de dizer que a vida e a ficção se diluem, muita vez, num acto."
(posfácio do autor)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Com defeitos na contracapa.
Invulgar.
10€

02 março, 2017

SILVA, Josué da - O JULGAMENTO DOS BOMBISTAS. Lisboa, Editorial Caminho, 1978. In-8.º (18,5cm) de 183, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante peça jornalística sobre o julgamento dos operacionais do ELP e MDLP - movimentos clandestinos de extrema-direita - acusados de atentados terroristas de norte a sul do país, entre 1975 e 1976.
Capa de Jorge Palha.
"A partir de Outubro de 1975 o Norte do País foi o palco de uma série de atentados que visavam bens e militantes pertencentes a organizações de esquerda. Durante meses foram destruídas inúmeras viaturas de militantes ou simpatizantes do partido Comunista, foram atirados engenhos explosivos contra a Liga Comunista Internacionalista, a livraria Avante! ou uma tipografia que estava a imprimir um livro de vasco Gonçalves. Desde o início a autoria desses atentados era atribuída ao Exército de Libertação Nacional (ELP) e o Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP), organização que foi dirigida pelo ex-presidente da República António Spínola e a que estava ligado Alpoim Calvão.
Meses mais tarde, o terrorismo de direita desceu para o Sul: a bomba na embaixada de Cuba (da qual resultaram dois mortos), a explosão de uma viatura na Avenida da Liberdade, em frente do centro de trabalho do PCP (em que morreu uma pessoa) e o rebentamento de uma torre de controlo do Aeroporto da Portela ficaram como os atentados mais conhecidos. Em meados de 1976 foi preso Ramiro Moreira, o maior operacional da rede que começou a ser julgado em Novembro de 1977. No processo eram também réus, como autor moral, Joaquim Ferreira Torres (assassinado anos mais tarde) e Mota Freitas, ex-comandante da PSP do Porto, como autor moral e material. E por aqui se ficou o processo no que respeita às ligações ao MDLP.
Oito meses depois foi conhecida a sentença. De 16 réus foram absolvidos 11. Condenados foram apenas os operacionais: Ramiro Moreira levou a pena mais pesada, 21 anos que nunca chegou a cumprir. Recorreu e entretanto fugiu para Espanha. Acabou por ser indultado por Mário Soares, em Dezembro de 1991."
(fonte: sites.google.com/site/pequenashistorietas/historia-de-portugal/terrorismo-em-portugal)
"Com o desenrolar da história do julgamento dos bombistas vamo-nos apercebendo de muita coisa que nunca veio a público. E ficamos a saber que gente é essa que nunca olhou a meios para atingir os seus fins, deixando que o leitor vislumbre com a clareza possível o que autenticamente esteve, ou ainda está, por detrás de todo o imbróglio das bombas."
(Apresentação)
"No dia 16 de Novembro de 1977 começou no 5.º Tribunal Militar, em Lisboa, um julgamento que iria fazer correr rios de tinta e criar alguns sobressaltos na consciência dos portugueses que acreditam na justiça democrática: o julgamento do agrupamento terrorista que entre fins de 1975 e até finais de 1976 espalharia o pânico, a destruição e a morte por todo o País. Ligado às organizações fascistas ELP e MDLP, este agrupamento em julgado a partir daquela data é, no entanto, apenas um braço (importante, embora, mas apenas isso) da horda antidemocrática que, inetgrando antigos elementos da ex- PIDE-DGS, da Ex-Legião Portuguesa, FNLA, UNITA e vários militares e civis de tendência nazi-Fascista, tentaram subverter o Portugal pós-25 de Abril numa onda de violência e de desordem caótica."
(excerto da Introdução)
Índice:
- Introdução; - O libelo acusatório; - Uma peça importante do processo; - O diário do julgamento; - A confissão gravada de Ramiro Moreira; Chicana processual; - Inventar nulidades onde só há verdade material dos factos; - Uma sentença singular e um acordão cheio de lacunas; - Justa homenagem aos mortos e não só.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Assinatura de posse na f. anterrosto.
Invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

17 fevereiro, 2017

CALISTO, Luís - ACHAS NA AUTONOMIA. [Viagem ao Interior da FLAMA]. [Por]... Jornalista do Diário de Notícias. Design: José Miguel Araújo. Coordenação fotográfica: Rui Marote. [Lisboa? - Funchal?], Diário de Notícias, 1995. In-fólio (30cm) de 288 p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Capa de José Miguel Araújo.
Importante trabalho histórico. Documento imprescindível para a compreensão do percurso da autonomia madeirense. Aborda pormenorizadamente o processo do chamado “Verão Quente” de 1975 e a intervenção do movimento independentista FLAMA (Frente de Libertação do Arquipélago da Madeira), analisando os acontecimentos do processo autonómico mais significativos até 1995.
Muitíssimo ilustrado com fotografias a p.b. e a cores em todas as páginas de texto.
"Autonomia é subversão. Esta Autonomia da Madeira. Para uns, revolução tranquila. Para outros, revolução-revolução. O processo autonómico madeirense nasceu subversivo. O 25 de Abril trouxe aos dois arquipélagos portugueses a autonomia política, a autonomia administrativa e a autonomia financeira. Autonomia financeira do Funchal?
Vinte anos depois, as questões velhas são novas questões. Todos elogiam a Autonomia. Que é mãe de obras e descentralizações que nem em cinco séculos. Todos lhe vêem defeitos. [...]
O "Diário de Notícias" meteu-se ao desafio de ouvir, para recontar, histórias da História recente. Recordar o que está mal recordado, informar passagens que ficaram em segredo. Uma forma de tentar perceber as novas questões formulando-as dentro dos contornos originais. Presidente do Governo, líderes partidários, políticos de todos os planos e quadrantes, dirigentes da FLAMA, o outro mundo à parte dos operacionais independentistas, gente da Cultura, figuras do Povo - foi grato ouvir desfiar descomplexadamente episódios madeirenses cada um deles com um bocado de nós. Recusaram-se a colaborar com este livro de jornal os ministros da República que a Madeira teve e tem, Lino Miguel e Rodrigues Consolado - uma pena, pedras angulares que são da batalha autonómica.
Este tempo depois, há feridas por cicratizar e um mar de posições por compreender na imensidão do Atlântico entre a Madeira e o Continente. É fado, "Portugal é uma mina para Freud", diz Eduardo Lourenço".
(excerto da Nota do autor)
Índice:
Entre as brumas da memória. Abril com Marcello e Thomaz. 1974 - Revolução intraquila; 1975 - Madeira em Flamas; 1976 - Primeiro Parlamento; 1977 - Ano de ciclone; 1978 - Jardim Presidente; 1979 - Um adeus flamista; 1980 - Camarate no Funchal; 1981 - Recado americano; 1982 - Morte do bispo; 1983 - Bloco Central falido; 1984 - Natal de crise; 1985 - A caminho da Europa; 1986 - Cavaco trouxe Bothas; 1987 - Elogio aos operacionais; 1988 - "Ajudei, ajude-me"; 1989 - Mísseis longe; 1990 - Guerrilha e crude; 1991 - Visita do Papa; 1992 - Défice democrático; 1993 - Lapsus linguae; 1994 - Virgílio Homero; 1995 - A luta continua. Partidos em combate. Transferências de poderes. Gráficos. Agradecimentos.
Luís Calisto. "É um jornalista madeirense que, no arquipélago, tem quatro décadas ao serviço de jornais, rádio e TV, tendo ocupado funções de direcção nomeadamente no Diário de Notícias do Funchal, onde ainda hoje se encontra mas ocupado noutros trabalhos.Figura polémica, mas indubitavelmente conhecedor por dentro, como poucos, da realidade madeirense."
(fonte: www.clubedejornalistas.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com indubitável interesse histórico e regional.
50€

09 julho, 2015

SOARES, Fernando Luso - O CASO DIAS COELHO. Alegações da Assistente Maria Teresa Tengarrinha Dias Coelho, no seu recurso para o Supremo Tribunal Militar. Por... Lisboa, [s.n. - imp. na Tip. Jornal do Fundão Editora], 1977. In-4º (24,5cm) de 69, [7] p. ; B.
1.ª edição.
Recurso interposto pelo autor contra a sentença proferida pelo 1.º Tribunal Militar Territorial de Lisboa no caso do julgamento dos assassinos de Dias Coelho, conhecido artista plástico e membro do P.C.P.
“No dia 19 de Dezembro [de 1961] foi assassinado a tiro pela PIDE na Rua dos Lusíadas em Alcântara o camarada José Dias Coelho, de 38 anos de idade, membro da Direcção da Organização Regional de Lisboa do Partido Comunista Português.
«O crime foi cometido por uma brigada de 5 agentes da PIDE que saindo de um automóvel o assaltaram em plena rua, disparando dois tiros contra o nosso camarada, que não tinha consigo qualquer arma. Um tiro à queima-roupa, em pleno peito, deitou-o por terra e outro foi disparado com ele já no chão.
«Isto passou-se cerca das 8 horas da noite. Precipitadamente, os assassinos meteram o nosso camarada no automóvel e só 2 horas depois o foram entregar, já a expirar, no Hospital da CUF. Que fizeram os bandidos da PIDE a este homem moribundo, nas duas horas em que o tiveram em seu poder?"
(in http://www.dorl.pcp.pt)
"Acentua-se, dia a dia, a perplexidade dos portugueses perante os resultados dos sucessivos julgamentos em que são réus os elementos da organização terrorista que foi a PIDE-DGS. Os leigos na matéria, mas que são cidadãos com direito a compreender os fenómenos da vida deste país, interrogam-se, na sua perplexidade, sobre as causas dos tão meigos tratamentos judiciais que vão levando estes pides. Importa, todavia, marcar bem, e desde já, que os Tribunais não têm culpa desta suavidade. Eles estão também a ser vítimas, e com eles o próprio prestígio da justiça democrática, de um conjunto lamentável de circunstâncias e de condições que vamos passar a analisar."
(excerto da nota prévia)
Matérias:
José António Dias Coelho, por Margarida Tengarrinha
Nota prévia: A PIDE-DGS e a fábula do camponês e a víbora
Minuta do Recurso
I - Admissibilidade e objectividade geral deste recurso. II - A Justiça é feita pelos Tribunais em nome do Povo. III - A sentença recorrida ofendeu gravemente o Povo. IV - Foi o Tribunal vítima de estruturas em crise?... V - Os factos imputados e a aceitação hipotética de uma qualificação jurídica. VI - A verdadeira questão: o Tribunal errou na qualificação típica do facto criminoso. VII - A qustão do dolo. VIII - Algumas contradições do acordão recorrido. IX - Conclusões.
Anexos
- A Constituição não é inconstitucional. - Uma peça fundamental da estrutura monopolista.
Fernando Augusto de Freitas Mota Luso Soares (1924-2004). “Advogado de presos políticos perseguidos pela PIDE-DGS, polícia política do Estado Novo, foi além de disso prolifero ficcionista, ensaísta e dramaturgo. Foi assistente da Faculdade de Direito de Lisboa, contribuindo para a análise e estudo das ideias políticas, sem abdicar da sua perspectiva ideológica. Foi também magistrado do ministério público. Faleceu aos 80 anos, em 2004. Entre outras obras, publicou: Crimes e Criminosos na Divina Comédia de Dante (1954); O Banqueiro Anarquista e Outros Contos do Raciocínio de Pessoa (1964); Cadáver Adiado que Procria (1967); Teatro Vanguarda Revolução e Segurança Burguesa (1973); PIDE/DGS – Um Estado dentro do Estado.”

(in https://www.marxists.org/portugues/luso/index.htm)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

18 novembro, 2014

A EXPERIÊNCIA DE TODOS PARA TODOS - GUERRA SUBVERSIVA : deslocamentos em comboio automóvel.
[S.l.], [Edição da 3.ª Repartição da 3.ª Região Militar de Angola], [196-]. In-4.º (23cm) de 28 p. ; [1] planta ; B. 
1.ª edição.
Manual de contraguerrilha, policopiado, para uso exclusivo das tropas portuguesas durante a Guerra Colonial. A capa apresenta dois carimbos com a indicação "RESERVADO", bem como, no interior, nas páginas de texto.
Ilustrado em separado com um croquis (escala 1: 100.000) de uma importante secção do teatro de operações - um caso real da acção de contraguerrilha.
"Os apontamentos que vão seguir-se baseiam-se na experiência adquirida por unidades que se deslocaram milhares de quilómetros através de regiões infestadas de terroristas quando da fase inicial da contra-ofensiva lançada pelas Forças Armadas Nacionais para reocupação dos Postos Administrativos e demais localidades então sob controlo do inimigo."
(excerto da introdução)
Matérias:
1 - As viaturas.
a) Sua protecção. b) Disposição do pessoal transportado. c) Sobressalentes e material diverso. d) Conservação. e) Carregamento. f) Atrelados. g) Viaturas com guincho.
2 - Constituição de pequenas colunas automóveis. Dispositivo.
3 - Colunas auto da ordem das 25 a 30 viaturas (CCaç).
4 - Medidas de segurança a adoptar nos comboios de viaturas automóveis.
5 - Viaturas civis e militares passivas.
6 - Ligação entre as viaturas.
7 - Remoção e transposição de obstáculos.
a) Árvores derrubadas e abatizes. b) Valas. c) Pontes.
8 - Reacção perante as emboscadas às colunas automóveis.
a) Princípios gerais. b) Organização dos planos de fogos defensivos nas colunas automóveis.
9 - Estacionamento das colunas automóveis durante os altos de marcha.
a) Pequenos altos. b) Grandes altos. c) Escolhas dos locais para estacionamento. d) Disposição das viaturas nas áreas de estacionamento. e) Segurança no estacionamento.
10 - Apoio aéreo.
Uma Acção de Contraguerrilha (Caso real)
Referências. 1: Situação particular. 2: Missão. 3: Força executante. 4: Como decorreu a aproximação. 5: Descrição da acção. 6: Resultados da acção. 7: Diversos. 8: Ensinamentos colhidos.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro e muito curioso.
Com interesse histórico e militar.
Indisponível

15 março, 2013

LETRIA, José Jorge – O TERRORISMO E OS “MEDIA” : o “tempo de antena” do terror. Lisboa, Hugin, 2001. In-8º grd. (23cm) de 123, [1] p. ; B.
1ª edição.
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
Tema actual, alvo de debate e reflexão, sobretudo a partir do 11 de Setembro de 2001.
José Jorge Alves Letria (n. 1951). “É um jornalista, político, poeta e escritor português. Estudou Direito, História e História da Arte na Universidade de Lisboa sendo Pós-Graduado em Jornalismo Internacional e Mestre em "Estudos da Paz e da Guerra nas Relações Internacionais" pela Universidade Autónoma de Lisboa.”
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Apresenta diversas notas e correcções a caneta ao longo do livro.
10€

07 setembro, 2011

DUGOS, Carlos - M. D. L. P. - E. L. P. - O que são? Alfragide, Edições Acrópole, Lda, 1976. In-8.º (21cm) de 109, [10] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
'A verdade sobre os dois movimentos clandestinos - sensacional reportagem em Espanha'.
"O tema da oposição clandestina, constitui um ponto obscuro na informação pública portuguesa. Muito se tem dito e escrito sobre os movimentos que a si próprios se intitulam de libertação, sem que, no entanto, se haja aprofundado o problema, analisando-o com isenção e espírito independente. Por isso, o havermos decidido, autor e editor, elaborar e publicar um livro que esclarecesse a opinião pública de Portugal quanto à verdadeira essência da oposição clandestina."
(excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível