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29 novembro, 2024

BORDALO, F. M. -
TRINTA ANNOS DE PERIGRINAÇÃO (1821-51.).
Manuscrito achado na Gruta de Camões. Por... Macao: China. Typographia Albion de Jno: Smith, Praya Grande, No. 61. 1852. In-8.º (21x14 cm) de 69, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Memórias da vida aventurosa do autor, empreendida aos 12 anos de idade.
"Completo hoje trinta annos. Parece-me que esta idade é o apogeu da vida humana - d'ahi em diante o astro na nossa existencia caminha para o occaso. Chegado a este ponto da perigrinação, todo o homem deve parar, e olhar para traz, fazer o seu testamento, e a sua confissão geral.
Não prégo como Fr. Thomaz. Faço o que digo. A prova aqui está!
O meu testamento é simples, reduz-se a quatro palavras: - Nada possuo, e nada devo.
Agora, quanto á confissão, isso é historia mais comprida. Vamos começál-a, que não ha tempo a perder.
Trinta annos nos separam do principio d'esta perigrinação. Trinta annos! - Quantos successos espantosos, extraordinarios, incriveis tem avultado n'este lapso de tempo!... [...]
Larga familia foi a minha - e bem reduzida está hoje!
De quinze irmãos restam quatro!
Tres d'elles dedicaram-se á Marinha; porem dois já estão sepultados no Oceano; o que ainda vive sou eu. [...]
Eu fui o ultimo d'esses quinze irmãos. Nasci, como já disse, a 5 de Maio de 1821, - no mesmo dia que um grande homem expirou - Napoleão; - em Lisboa, n'essa linda terra, que um ceu tão formozo corôa! mas fadado a perigrinar desde tenra idade, com tendencia para a vida aventureira, com vocação para o mar, só gozei do repouso no seio da familia até aos doze annos. D'ahi em diante comessei a variar de domicilio, e se bem que muitas vezes voltei á patria, e ahi presisti mesmo alguns annos, nunca mais tornei a alcançar aquella paz de espirito e o socego da primitiva idade. Na Europa, na Africa, na Azia, na America, na Oceania, - por entre borrascas e calmarias - sobre gelos, e debaixo dos ardores tropicaes, - tenho passado dias amargurados, e alguns felizes tambem... felizes - se ha na vida dias que possam assim chamar-se!... Tenho gozado e sofrido muito; tenho encontrado corações que harmonisam com o meu... mas ainda mais - peitos refalsados, que especularam com a min ha sinceridade, com os mais santos impulsos da alma... e tantos, que fizeram de mim o que hoje sou - reservado, desconfiado, incredulo!..."
(Excerto de Trinta annos de perigrinação)
Francisco Maria Bordalo (1821-1861). Capitão-tenente da Armada Portuguesa. Escritor e jornalista, foi o percursor do romance marítimo na nossa literatura. Amigo íntimo de Herculano, de Garrett e de outros intelectuais da época, deixou páginas de muito interesse para o conhecimento da vivência a bordo dos navios do seu tempo. Marinheiro aos 12 anos, estudou Matemáticas na Academia de Marinha. Como guarda-marinha fez numerosas viagens a partir de 1837. As suas impressões de viagens foram traduzidas pelo Times.
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Lombada esfolada nas extremidades. Primeiras folhas alvo de restauro nos cantos.
Raro.
60€

16 maio, 2018

BORDALO, Francisco Maria – EUGENIO : romance maritimo. Por... 2.ª edição. Lisboa, Typ. na rua dos Douradores, 1854. In-8.º (19cm) de 288 p. ; E.
Eugenio inaugurou o denominado "romance marítimo" em Portugal, género literário muito apreciado na segunda metade do século XIX. A presente edição foi a 1.ª publicada em Portugal, tendo sido publicada originalmente no Brasil alguns anos antes (1846).
Livro ilustrado com bonitas capitulares.
“Este romance marítimo – primeiro do seu género que se escreveu em portuguez – foi impresso no Rio de Janeiro em 1846. Poucos exemplares d’essa edição vieram á Europa – felizmente, porque está recheada de erros typographicos, alem das faltas que revelam a precipitação com que foi escripto o livro. Eis as palavras com que terminámos o prefacio d’aquella primeira edição:
«Este romance, delineado nos mares de Africa, começado a executar em Lisboa, continuado no Rio da Prata, e concluido no Brasil, resentir-se-há, sem duvida, das calmas e borrascas entre as quaes foi architectado, e das sensações sob cuja influencia foi escripto em tão diferentes climas; não terá, talvez, unidade de acção nem de estylo, caracteres bem sustentados, grande invenção… mas, terá elle vida… sentimento?»
«Não somos nós o jury competente para o decidir.»
«Rio de Janeiro, 12 de Fevereiro de 1846»
Hoje corrigimos, alterámos, emendámos, cortámos aqui, accrescentámos acolá… ficaria melhor o livro? Tambem não podemos decidir – o publico o julgará.
Lisboa, 25 de Novembro de 1853.”
(Introdução)
Francisco Maria Bordalo (1821-1861). Capitão-tenente da Armada Portuguesa. Escritor e jornalista, foi o percursor do romance marítimo na nossa literatura. Amigo íntimo de Herculano, de Garrett e de outros intelectuais da época, deixou páginas de muito interesse para o conhecimento da vivência a bordo dos navios do seu tempo. Marinheiro aos 12 anos, estudou Matemáticas na Academia de Marinha. Como guarda-marinha fez numerosas viagens a partir de 1837. As suas impressões de viagens foram traduzidas pelo Times.
Bonita encadernação coeva inteira de carneira com rótulo carmim e dourados na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Falta f. anterrosto (?). Selo de posse no verso da f. de guarda.
Raro.
Indisponível