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07 maio, 2026

AUGUSTO, Ignacio -
A INFELIZ.
Conto moral. Por... [Porto], Editor Ignacio Augusto [Imprensa Nacional], 1905. In-8.º (19x12 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Conto verídico com intuitos moralizadores. Narra a "perdição" de uma moça do campo, desde os tempos da fábrica onde se empregara (e fora seduzida) às ruas de Lisboa onde, de prostíbulo em prostíbulo, terminou os seus dias. No final, o autor apela à consciência colectica pela "extranha tolerancia em favor das vergonhosas casas de prostituição".
Opúsculo curioso e muito invulgar. A BNP não menciona. Nada foi possível apurar acerca do autor d'A infeliz, uma vez que não foi possível chegar a qualquer fonte bio-bibliográfica, mas pelo sentido da narrativa seria do Porto, como aliás a "biografada", mas esta dos arrabaldes da Cidade Invicta.
"Em 1886, epocha em que se passa esta narrativa, vivia n'uma das freguezias do visinho concelho do Porto, uma familia composta de pae, mãe e uma filha, uma innocente e loira creancinha que era o enlevo de seus paes.
Thereza, assim se chamava a joven que fórma o assumpto d'esta narração, passou os primeiros annos da sua vida na aldeia. Na plenitude das suas forças e da sua saude, Therezinha tomava parte alegremente em todos os innocentes jogos das creanças da sua idade.
Á medida que ia crescendo, notava-se que chegaria a ser uma rapariga formosissima; possuia umas bellas feições e uma esbelta figura, presentes do céu que desgraçadamente se trocam para muitas infelizes em rêdes de Satanaz. A sua educação domestica deixou alguma coisa a desejar, não obstante, a sua familia desfructava de uma certa consideração na aldeia.
Therezinha foi crescendo, crescendo, e, pelo espaço de muitos annos, cumpriu com exactidão todos os seus deveres.
Como seus paes não fossem ricos, com pesar seu, se viram obrigados pela idade avançada e pela falta de saude, a pedirem a uns antigos conhecimentos, para que a sua filha fosse admittida como operaria-aprendiza em uma fabrica de tecidos, onde pudesse ganhar o sufficiente para a ajuda do seu alimento e do seu vestuario. [...]
Na fabrica acima dita, quem exercia o logar de pagador era o filho d'um dos proprietarios da mesma, um valdevinos, em toda a extensão da palavra, e a quem o pae obrigou a trabalhar, para lhe tornar com a prisão d'um trabalho assiduo, a orgia menos extensa.
Mas, mesmo assim o seu germem vicioso e envenenador, ia-se alastrando lentamente em todas as victimas que por fatalidade de dirigiam um olhar, ou por algumas d'aquellas a quem a necessidade obrigava a dirigirem-se-lhe.
Carlos, pois assim se chamava o pagador, nas suas horas vagas passeava pela fabrica jogando ás escondidas de seu pae, chalaças ás operarias. As mais escrupulosas respondiam-lhe inconvenientemente, em quanto que as menos escrupulosas se riam das suas chalaças respondendo com ditos e gracejos de toda a ordem. No numero d'estas, contava-se Thereza."
(Excerto de A Infeliz)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Envelhecido e manuseado. Capas frágeis, manchadas, com defeitos.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
20€

03 outubro, 2020

METODO PRATICO DE DEFEZA INDIVIDUAL. Processos de self defence por meio de box e do jiu-jitsu
. Lisboa, Edição da Tipografia de Francisco Luís Gonçalves, [1922]. In-8.º (14 cm) de 64 p. ; mto il. ; B. Biblioteca Desportiva e de Recreio (Edição Gonçalves), I
1.ª edição.
Curioso manual de defesa individual, contendo os mais variados golpes de defesa e ataque. No final, inclui um capítulo muitíssimo interessante dedicado ao Risco, "processo de luta genuinamente português - jogo de golpes - outrora muito em voga entre os bairristas de Alfama, Mouraria e Bairro Alto".
Livrinho profusamente ilustrado ao longo do texto com bonitos desenhos exemplificativos dos vários tipos de luta abordados na obra.
"A self defence, isto é, a defeza do individuo servindo-se dos seus recursos proprios, constitue uma das mais urgentes e oportunas necessidades do homem moderno.
Em plena civilisação, nos grades centros policiados, na rua, na estrada, num descampado, o cidadão está á mercê de ataques imprevistos ou agressões desleais.
Para triunfar com segurança dêstes precalços, não lhe basta muitas vezes uma constituição fisica, robusta, a estatura herculea dotada de solidos musculos. [...]
Num guet-apens, numa embuscada, numa cilada, á traição, o individuo pacifico pode cair vitima d'um assaltante se, confiado demasiadamente na eficacia e ubiquidade dos agentes da ordem, não aprender convenientemente alguns processos de self defence.
Nesta conjuntura, parafraseando um conhecido proloquio, é licito preconisar o defende-te a ti mesmo e não confies a outrem a protecção da tua integridade corporal.
A self defence tem um metodo, uma tatica, as suas regras. É uma combinação do box inglês e francês, da luta, do jiu-jitsu e do jogo da vara ou bengala.
O box, - the noble art of the self defence, como os ingleses lhe chamam, - é, certamente, o processo mais honesto e leal de ataque ou defeza.
Nós, porém, optamos, quando as circunstancias o exijam e a ocasião seja propicia, pelo tiro de revólver a devida distancia. É sumario, quando se possue a faculdade de ser um bom atirador.
Este processo defensivo tem, comtudo, os seus inconvenientes.
As detonações, produzindo alarme, podem atrair ao local da agressão outros malfeitores.
A matraca usada pelos policemen americanos não deixa tambem de recomendavel, porque é uma arma portatil, leve, de facil disfarce e terrivelmente perigosa.
Consta de uma lamina de cautechoue presa ao pulso por meio de uma correia de couro.
Todavia, qualquer dos meios apontados como recurso de defeza individual resultam ineficazes num corpo a corpo quando o transeunte inopinadamente atacado, fica virtualmente  impossibilitado de fazer uso de qualquer arma.
Está, pois, provado que a aprendizagem da self defence é uma necessidade, não só porque é uma garantia de segurança, mas porque é tambem um metodo de desenvolvimento fisico."
(Excerto de Palavras preliminares)

Indice: Palavras  preliminares. | A Torsão - Torsão dos dedos e da mão. | O Sôco - O sôco directo. | O Pontapé - De biqueira. | A Rasteira (golpe dos apaches). |  A Cabeçada (golpe dos apaches). | Manejo da bengala: Alvejando a cabeça; Alvejando o corpo. | O Coup de Pére François (golpes triviais do apachismo francês e americano). | O Coup du Pante - A Cadeirinha. | O Coup de la Bascule - O Balanço. | Jiu-Jitsu - A mão; sua função e adaptação ao exercicio do jiu-jitsu. | O Risco. | Vocabulario.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
A BNP dispõe de apenas um exemplar no seu acervo.
45€