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18 julho, 2023

J. P. OLIVEIRA MARTINS : In Memoriam.
30 Abril 1845 - 24 Agosto 1894.
Oitavo anniversario do seu fallecimento. Preço 300 réis. [S.l.], [s.n.], [1902]. In-4.º (23,5x17,5 cm) de 20 p. ; B.
1.ª edição.
Homenagem a Joaquim Pedro de Oliveira Martins (1845-1894), ilustre historiador, político e cientista social português, por ocasião do 8.º aniversário da sua morte. O prefácio - Ao leitor - é assinado por seu irmão Guilherme, tendo o elogio/apontamento biográfico - Oito annos de repouso - ficado a cargo de Jaime de Magalhães Lima. Inclui no interior, à parte, as notas biográficas do homenageado por ordem cronológica e a lista de obras publicadas.
"O producto da venda d'este opusculo constituirá um fundo cujo rendimento será destinado á creação d'um premio escolar que receberá o nome de Premio Oliveira Martins".
"Que incerta a vida ultra-tumular dos que no mundo exerceram poder sobre os homens! Aqueles que pareciam destinados ao esquecimento, passando na terra apenas entre leves sussurros d'estranheza, ressurgem em espirito, a dominar gerações ininterrompidas; outros, cuja morte foi temeroso luto, lançando o pavor nas multidões, como abandonadas da protecção dos deuses, rapidamente se sepultam n'um desapparecimento de todo o vestigio, apagado para sempre, sem que a saudade jámais o descubra. [...]
Um amigo meu, vendo morta a seu lado uma pessoa querida e meditando o passado e tristes erros que alli terminavam, ao pressentir para ella esse esquecimento total, verdadeira anniquilação da alma, exclamou n'um impeto doloroso: - Afinal, o melhor é vivermos para deixar saudades.
Que saudades deixou Oliveira Martins? Como ressurgiu, depois que a escuridão de quatro estreitas paredes de marmore, rematando tormentosos dias, lhe encerrou para eterna paz o corpo fatigado?"
(Excerto de Oito annos de repouso)
Exemplar brochado, por aparar, em bom estado geral de conservação. Capa apresenta pequeno orifício e uma ou outra mancha.
Invulgar.
Com interesse biográfico.
15€

16 maio, 2023

RECORDAÇÕES -
Á MEMORIA DO NOSSO QUERIDO FILHO ANTONIO CORRÊA MEXIA DE MATTOS
Nascido em Loulé no dia 5 de junho de 1891 e fallecido em Lisboa no dia 5 de novembro de 1911. Fallecido quasi á mesma hora em que tinha nascido com muito poucos minutos de differença. Dedicam Seus inconsolaveis paes. [S.l.], [s.n. - Typ. «A Editora Limitada» - Lisboa], [1912]. In-8.º (19,5 cm) de XIII, [1], 190, [2] p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
In memoriam do jovem louletano António Correia Mexia de Matos patrocinado por seus pais, com a colaboração de amigos e admiradores do malogrado escritor.
Obra fora de mercado, para oferta, por certo com tiragem reduzidíssima, ilustrada em separado com um retrato de António de Matos. Trata-se do repositório de crónicas e artigos dispersos do jovem prosador sobre os mais diversos assuntos - sobretudo relacionados com o "seu" Algarve - com uma verve e desassombramento incomuns para a idade. Destaque para o "sentimento" posto no retrato do Fado - a canção nacional -, e na descrição da Coimbra estudantil.
Exemplar autografado pelo pai do escritor com dedicatória pungente a Carlos Cândido Pereira, condiscípulo de seu filho.
"Foi tão cruciante a dôr que sentimos ao ver evolar-se para sempre de ti o sopro da vida que te animava; foi tão rude o golpe vibrado ao nosso coração de paes, que tanto te idolatravam, que por algum tempo ficámos aturdidos e alheios a tudo o que que nos cercava... [...]
 Porque é que, contando apenas vinte annos, havias de desaparecer para sempre d'este  mundo d'enganos, sendo, como eras, um carinhoso filho, um irmão extremoso e um dedicado amigo?! [...]
Como piedosa homenagem á tua memoria, as produções litterarias que deixaste dispersas em varios jornaes e outras ineditas, colligimos neste livro, que não é destinado á venda publica, mas sim para ser offerecido aos teus e nossos amigos e, por isso, estes desculparão quaisquer incorrecções que nelle encontrem, porque têem que atender a que foram escritas, uma grande parte, em tenra edade e quando os teus conhecimentos litterarios oficiaes não iam alem do terceiro anno do lyceu e todas ellas dos quatorze aos vinte annos e do primeiro ao sexto anno do curso do lyceu.
Reunimos tambem a opinião da imprensa e de alguns amigos, a teu respeito. [...]
Nas regiões misteriosas para onde tão permaturamente partiste recebe esta singela homenagem e com ella as muitas lagrimas e saudades de teus desditosos paes."
(Excerto de Carta ao nosso filho)
"Se ha musicas que fazem vibrar na noss alma todos os sentimentos que possuimos, o fado é incontestavelmente uma d'ellas.
A italia com as suas affamadas operas; a Hespanha com as suas caracteristicas zarzuelas não interpretam melhor a psychologia dos seus povos, do que Portugal com o Fado.
Porque o fado, essa canção caracteristicamente portugueza, é acolhida com impetos de entusiasmo onde quer que se oiça e n'esses impetos parece que vae toda a alma dum portuguez, desfeita em pedaços, pelas vibrações mobidas do tanger duma guitarra. Sim, o fado é ouvido em toda a parte com os mesmos estuosos arrebatamentos, desde o mais sumptuoso palacio, onde, nas rumorosas abobadas, ecôam as suas notas, até á mais humilde mansarda, onde ellas se espalham, deixando no ar uma sonancia dolencia.
O fado tem o poder magico de interpretar os sentimentos da dôr, ou da alegria, que enlaceiam uma alma, pois que elle tangido languidamente numa guitarra faz percorrer no nosso corpo fremitos de estonteamento e produz-nos nevroses que, desaparecendo, deixam-nos emergidos numa doce e suave lethargia.
Elle, umas vezes, vem acompanhado d'alegria e vivacidade, outras vem envolvido em tristeza e melancolia; mas, quer venha duma maneira, quer doutra, o fado arranca-nos sempre expressões de enthusiasmo e sabe incutir-se na alma, ora arrebatadora, ora melancolicamente. [...]
Eu nunca me hei-de esquecer do conjuncto de linhas phisionomicas que apresentava o rosto dum misero cego que n uma feira tocava o fado numa guitarra velha. Cada desferimento dos seus dedos sobre as cordas, parecia vir acompanhado dum rajo de luz, soltos desses olhos, onde pairava para sempre o espesso nevoeiro da desgraça..."
(Excerto de O Fado)
Encadernação inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior e na lombada. Conserva a capa de brochura, que foi colocada depois da f. ante-rosto, precedendo a f. rosto.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Manuseado.
Raro.
35€

25 outubro, 2020

IN MEMORIAM a Artur do Canto Resende, Engenheiro Geógrafo. (Herói e Mártir de Pátria em Timor) : 1897-1945.
Condecorado com a "Torre e Espada" a título póstumo
. [Lisboa], Publicações do Sindicato Nacional dos Engenheiros Geógrafos, 1956. In-4.º (26 cm) de 149, [5] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Homenagem a Artur do Canto Resende, prisioneiro das forças de ocupação japonesas em Timor, viria a falecer num campo de detenção, em 1945, vítima da fome, doença e maus tratos. Inclui o testemunho de diversas personalidades, incluindo aqueles que com ele privaram e acompanharam no doloroso cativeiro.
Livro ilustrado com inúmeras fotografias a p.b. e um mapa - carta geográfica - de Timor, a duas cores, em página inteira.
Exemplar n.º 130 de uma tiragem não declarada.
"Pelos exemplos de rara nobreza de que havia dado sobejas provas, jogando, vezes sem conta, a vida em defesa dos seus compatriotas, o Eng. Artur do Canto, ao solicitar a exoneração do lugar que havia desempenhado a contento unânime da população de Timor (é prova irrefutável desta asserção o apelo que os portugueses fizeram ao Governador, Sr. Cap. Manuel de Abreu Ferreira de Carvalho, insistindo para que ele continuasse desempenhando o mesmo cargo), leva-nos a crer que factos ponderosos deviam brigar com a sua dignidade para tomar esta fatídica decisão que o desapossou de um lugar oficial na vida administrativa da Província e cujos reflexos depressa se fizeram sentir nas represálias, cujas circunstâncias propícias o seu denodado patriotismo criara na polícia das forças ocupantes.
Ele, que nunca pesou as consequências das suas atitudes desassombradas que assumia em perfeito holocausto à Pátria e para salvar da morte certa muitos portugueses, aliviando os sofrimentos morais e materiais de uma população subjugada e martirizada, não teve, no momento crucial da sua partida para o cativeiro, e depois ali, quem o livrasse da vingança ardilosa que havia fatalmente de o conduzir à morte pelas severas privações que lhe foram impostas.
Foi-se desta vida, envolvido em miseráveis farrapos, tendo por catre meia porta, sobre caixotes. Era o seu leito no cativeiro. As últimas palavras,ainda em perfeita consciência, proferiu-as ele três dias antes de morrer para um dos seus companheiros de cativeiro: «... vou tranquilo; não levo a mais pequena mancha que possa conspurcar a minha consciência»."
(Excerto do preâmbulo)
Artur do Canto Resende (Vila Franca do Campo, Açores, 7 de Agosto de 1897 - Kalabahi, Alor, 23 de Fevereiro de 1945) foi um engenheiro geográfico, trabalhador do Instituto Geográfico e Cadastral, que se notabilizou pela sua acção durante a ocupação japonesa de Timor. Foi condecorado, a título póstumo, com o grau de oficial da Ordem da Torre e Espada.
Em 1937, já com uma década de experiência em trabalhos de levantamento cartográfico, foi nomeado adjunto da recém-criada Missão Geográfica de Timor do Instituto Geográfico e Cadastral, tendo, após um período de preparação, chegado a Díli em Agosto de 1938, a bordo do paquete Colonial.
Estava em serviço em Timor Português quando em 1939 se desencadeou a Segunda Guerra Mundial na Europa, a que se seguiu em 1941 o ataque aéreo do Japão a Pearl Harbour e o desencadear a Guerra do Pacífico. Por razões estratégicas, os governos da Austrália e dos Países Baixos, esta última ao tempo a Potência administrante do território da actual Indonésia, uniram-se na ocupação de Timor Português por forças australianas e neerlandesas. Seguiu-se a Batalha de Timor e a ocupação da ilha pelas forças japonesas em Fevereiro de 1942. Artur do Canto Resende foi um dos poucos técnicos superiores da administração portuguesa que permaneceu no território.
Após a ocupação de Díli pelos japoneses desenvolveu-se uma difícil convivência entre as autoridades coloniais portuguesas e as forças de ocupação japonesas, com o Governador português de Timor, o capitão de Infantaria Manuel de Abreu Ferreira de Carvalho, com residência fixa no Palácio de Lahane e a sua acção fortemente condicionada pelo comandante das forças de ocupação japonesas, o tenente-general Yuichi Tsuchihashi, e pelo cônsul-geral japonês Masaki Yodogawa, figura a quem estava, de facto, confiada a administração civil do território. Embora as autoridades portuguesas fossem superficialmente toleradas, os japoneses governariam Timor de Fevereiro de 1942 até Setembro de 1945.
Foi nesse difícil e perigoso contexto, já que as prisões, os fuzilamentos e massacres se sucediam numa permanente guerra de guerrilha um pouco por todo o território, que Artur do Canto Resende se ofereceu voluntariamente, para exercer as funções de administrador do Concelho de Díli, cargo equivalente ao de Presidente da Câmara Municipal respectiva, em substituição de Lourenço de Oliveira Aguilar, que se encontrava doente e não era tolerado pelas autoridades de ocupação japonesa.
Aceite a nomeação pelo governador, passou a desenvolver uma notável missão de ajuda e socorro à população local e aos residentes portugueses, distribuindo comida e roupa e apelando para a libertação de prisioneiros em mãos japonesas. Simultaneamente a violência alastrava pela ilha, num crescendo de vandalismo e selvajaria, a que se seguiam prisões em massa, massacres e fuzilamentos. Foi num cenário de permanente desconfiança e de odiosa perseguição aos ocidentais presentes no território e de opressão pela força das populações locais, que foi obrigado a desenvolver a sua acção.
Apesar de repetidos bombardeamentos dos Aliados, entre ataques de guerrilhas e duras retaliações das forças japonesas contra os insurgentes timorenses, Artur do Canto Resende exerceu uma notável missão de ajuda e socorro, incutindo coragem com o seu exemplo, acudindo sempre que podia em situações de perigo.
As pressões das autoridades de ocupação nipónicas, que o acusavam de parcialidade em favor da resistência, levaram a que fosse exonerado do cargo de administrador de Dili a 9 de Março de 1944. Sem gozar da protecção, ainda que pequena, que era concedida às autoridades portuguesas na ilha, em 10 de julho daquele ano foi preso pelas forças militares japonesas e deportado para um campo de prisioneiros de guerra na vizinha ilha de Alor.
Faleceu a 23 de Fevereiro de 1945 em resultado dos maus tratos infligidos pela polícia militar japonesa, da mal-nutrição e da falta de cuidados médicos no campo de prisioneiros de guerra de Kalabahi, na ilha de Alor, então uma possessão colonial neerlandesa sob ocupação japonesa, hoje parte da Indonésia. Ficou sepultado naquela ilha."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível