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23 outubro, 2020

LAURIANNA, Duqueza - PARA SER AMADA : conselhos d'uma coquette. Segredos femininos. Lisboa, Parceria A. M. Pereira - Livraria Editora, 1904. In-8.º (17 cm) de 300, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Obra curiosíssima de um autor de culto - Alfredo Gallis - que assina com um dos seus numerosos pseudónimos - Duqueza Laurianna.
"Eis aqui como me acudiu a ideia d'escrever este livro.
Recebi um dia a seguinte carta:
«Minha querida Laurianna
«Estou desesperada. Anda-me a cabeça á roda, tenho medo d'endoidecer... Se não vens em meu auxilio sou capaz de tudo... Meu marido engana-me... E com quem? Quiz sabel-o...
«E vi-a, essa creatura que me roubou a minha felicidade. Não é bonita. Direi mesmo que é feia, mais feia do que eu. Tu sabes bem que me não illudo sobre a minha pessoa.
«Recordo-me que um dia, ennumerando todos os encantos troçava eu com alguma amargura das injustiças da natureza, tão prodiga para comtigo, tão parcimoniosa a meu respeito; e tu disseste-me com a tua graça e a tua bondade do costume:
- «Tu és ainda mais injusta coma natureza - não, tu não és feia; e se quizesses dar-te a esse cuidado, poderias muito bem passar por uma linda mulher.
- Para quê, respondi eu, meu marido ama-me como sou.
«E tu accrescentaste:
- «Oh! minha querida, é preciso prevêr tudo!"
(Excerto do Prologo)
"Não pômos os monstros fóra do combate.
Ha rostos irregulares, olhos demasiados pequenos, narizes grossos demais, testas muito abahuladas, figuras desengraçadas, mãos largas demais, dedos quadrados; mas todos estes defeitos podem ser attenuados e desapparecer mesmo, se se possue a arte de pentear, de se vestir, de se calçar, se, principalmente, se possue o fogo sagrado, a scentelha do coquettismo, que illumina e transforma os mais feios rostos. Toda a mulher de espirito que o quizer, póde pois, aspirar a ser uma das nossas mulheres bonitas. Para attingir esse fim, ha todo um conjuncto de cuidados, de minucias, que fazem precisamente o objecto d'este livro."
(Excerto de Não ha mulheres feias)
Indice:
Prologo. | A belleza. | O papel da mulher na humanidade. | Monographia da mulher bonita. | Não ha mulheres feias.| Hygiene especial para as mulheres bonitas. | Anemia e nevrose. | Meios preventivos e curativos da anemia e da nevrose. | Influencia do ar e da luz. | A hygiene do fato. | Hygiene da alma. | A pelle, a côr. | Segredos da belleza. | As mãos. | O cabello. | Os olhos. | A bocca. | O nariz. | O pé. | A arte de se vestir. | A moldura. | Os perfumes. | O espirito e o bom tom. | Conclusão.
Joaquim Alfredo Gallis (1859-1910). "Mais conhecido por Alfredo Gallis, foi um jornalista e romancista muito afamado nos anos finais do século XIX, que exerceu o cargo de escrivão da Corporação dos Pilotos da Barra e o de administrador do concelho do Barreiro (1901-1905). Usou múltiplos pseudónimos, entre os quais Anthony, Rabelais, Condessa do Til e Katisako Aragwisa. Desde muito jovem redigiu artigos e folhetins em jornais e revistas, entre os quais a Universal, a Illustração Portugueza, o Jornal do Comércio, a Ecos da Avenida e o Diário Popular (onde usou o pseudónimo Anthony). Como romancista conquistou grande popularidade, especializando-se em textos impregnados de sensualismo exaltado que viviam das «fraquezas e aberrações de que eram possuídas, eram desenvolvidas entre costumes libertinos e explorando o escândalo». Escreveu cerca de três dezenas de romances, por vezes publicados com o pseudónimo Rabelais. Alguns dos seus romances têm títulos sugestivos da sensualidade que exploram, nomeadamente Mulheres perdidas, Sáficas, Mulheres honestas, A amante de Jesus, O marido virgem, As mártires da virgindade, Devassidão de Pompeia e O abortador. É autor dos dois volumes da História de Portugal, apensos à História, de Pinheiro Chagas, referentes ao reinado do rei D. Carlos I de Portugal."
Encadernação do editor inteira de percalina com ferros gravados a seco nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Manuseado. Pastas cansadas; falha do revestimento nas extremidades da lombada. Com escritos infantis a tinta na f. de guarda e na 1.ª p. de texto.
Raro.
Indisponível

27 fevereiro, 2020

BRU, Paul - A INSEXUADA. Romance de... [Tradução]: Duqueza Laureana. Lisboa, Parceria A. M. Pereira-Livraria Editora, 1905. In-8.º (17cm) de 291, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Romance sensual. A tradução d'A Insexuada é da responsabilidade de Alfredo Gallis, apreciado escritor português de literatura erótica, que nesta obra assina com o pseudónimo Duqueza Laureana.
"No vasto pateo rectangular, sob o hall immenso, dominados pela alta chaminé da fabrica, os volantes dos locomoveis, em repouso, dormiam. Na série ininterrupta dos ateliers, as machinas de recortar ficavam inactivas junto dos bancos; não se ouvia, como de costume, o ruido estridente das serras d'entalhar, o ranger das plainas polidoras, o rugido dos tornos, o silvo agudo das limas.

Nem por isso, porem, era menor o vae vem continuo dos operarios atarefados - Tapeceiros e marceneiros, decoravam o hall de ricas tapeçarias, de moveis luxuosos, de plantas raras, transformando-o em sala de baile. [...]
Entre a avenida Ledru Rollin e a rua Croratier, defronte da orta principal encimada por uma marquise de cotim riscado d'encarnado, apertava-se uma multidão curiosa olhando para a taboleta nova.
Mobilia em todos os estylos

Marcenaria d'arte
Casa Morel pae e filho

As donas de casa do bairro Saint-Antoine, que vinham buscar provisões esqueciam-se da hora. As vendedoras ambulantes, impellindo os seus carrinhos extasiavam-se indifferentes ao «Circuler» dos policias."
(Excerto do Livro Primeiro, Cap. I)

Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capas restauradas, com defeitos e pequenas falhas de papel.
Raro.
Indisponível