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24 dezembro, 2025

RIBEIRO, Julieta Adelina Menezes Rodrigues - CULINÁRIA VEGETARIANA, VEGETALINA E MENÚS FRUGÍVEROS. 
Livro dedicado às mulheres luso-brasileiras por... Quarta edição emendada e revista pela autora. Porto, Machado & Ribeiro, Lda, 1923. In-8.º (22x14 cm) de 359, [1] p. ; il. ; B.
Importante publicação sobre cozinha naturista, verdadeira "bíblia" da bibliografia vegetariana, contém 1264 receitas, as mais variadas. Apesar de se terem publicado quatro edições entre 1916 e 1923, sendo a presente a última e mais completa, trata-se de uma obra invulgar e muito procurada.
Livro ilustrado no texto com tabelas e cerca de oito dezenas de desenhos e fotogravuras.
"Ao esgotar-se a terceira edição dêste volume, escrito em momentos fugazes, roubados  às canceiras do lar, aos cuidados maternais e filiais que se impõem ao coração feminino, devotado ao culto da tradição que se esvai e ao amôr do porvir que renasce, seja-me lícito afirmar que a quarta edição, lançada ao público, representa apenas um atestado de glória para a doutrina que exemplifica e põe em prática. Só a verdade consegue vencer e perdurar. O que se baseia na fantasia e no devaneio estiola, cança e em  breve esquece.
As três edições esgotadas, em poucos anos desapareceram do mercado, o que prova que o livro correspondeu a uma necessidade do público estudioso.
Cada edição que reaparece limada, aperfeiçoada e corrigida, acompanha a evolução do pensamento em matéria naturista, actualisando-se, segue a esteira do ideal; a perfectibilidade ambicionada. [...]
São, pois, justificados os motivos do aparecimento da 4.ª edição da «Culinária Vegetariana», prevendo que os adeptos e mesmo os extranhos ao Naturismo se congratulem com o reaparecimento dêste livro necessário em todos os lares, indispensável a todas as managëres, ciosas de  espelharem a felicidade como anjos da família que devem ser."
A autora,
Julieta A. M. R. Ribeiro.
Quinta de Vil'Alva - Vila Real - Janeiro 1923
(Excerto do Prólogo da 4.ª edição)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa frágil, com pequenas falhas de papel. Sem contracapa. Interior correcto.
Raro.
35€

19 fevereiro, 2023

ALMANAQUE VEGETARIANO ILUSTRADO DE PORTUGAL E BRASIL : 1915 - 3.º ano.
Propaganda naturista: Regimes racionais e práticas salutares. Guia para seguirmos uma vida sã e perfeita, indemne da doença e das perversões sociais. Porto, Sociedade Vegetariana - Editora, 1914. In-4.º (23 cm) de 191, [1] p. ; [1] f. il. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Almanaque Vegetariano para o ano de 1915. Excelente exemplo da propaganda vegetariana do princípio do século XX, sendo este almanaque um dos mais importantes veículos de divulgação da cultura naturista entre nós. Reúne artigos sobre os mais diversos e interessante assuntos, da moda às apreciadas receitas culinárias.
Livro muito ilustrado ao longo do texto com desenhos e fotogravuras, e uma estampa em separado.
"Na cultura portuguesa, os discursos vegetariano e naturista tiveram alguma relevância a partir das primeiras décadas do século XX, em particular devido à ação dos membros da Sociedade Vegetariana de Portugal, fundada no Porto em 1911. [...]
No seu intuito de converter e propagandear os ideais vegetarianos e naturistas, a Sociedade Vegetariana Portuguesa foi conseguindo sócios brasileiros, de várias regiões do país, publicou cartas e fotografias de muitos deles, na revista O Vegetariano e no Almanaque Vegetariano [1913-1922], e nesses periódicos incluiu receitas culinárias com produtos brasileiros, ao mesmo tempo que foi publicitando o aparecimento das sociedades vegetarianas e naturistas brasileiras. Por outro lado, sabe-se que todas as publicações da Sociedade Vegetariana de Portugal, incluindo as referidas revistas, eram vendidas no Brasil."
(Fonte: Braga, Isabel Drumond. Em busca do novo Éden no século XX: os portugueses e a fundação de colónias naturistas no Brasil. História, Ciências, Saúde - Manguinhos, Rio de Janeiro, v.25, n.3, jul.-set. 2018, p.659-678.)
"É êste o título, pode dizer-se clássico neste género de publicações, com que a maior parte dos almanaques encimam a sua primeira página. Assim, tambêm, para não fugir demasiadamente à rotina, se abre êste repositório de máximas de Saúde e de Vida Natural com tão conhecida frase.
O ano de 1915 há de ser fértil em guerras e em desavenças sociais entre os homens: aí fica o primeiro vaticínio. Haverá fome e moléstias nos povos, tais são as segunda e terceira das visões.
Porque tão fatídicos êsses presságios? Porque tão funestas adivinhações?
É que a humanidade continua adstrita a tantos e tão viciosos costumes que, por muitos anos, à pesta, à fome e à guerra continuarão sendo levantados alteres. A Civilização foi a criadora dêstes males. Construi a humanidade, de per si, tantos artifícios que, necessáriamente, as doenças físicas, económicas e morais serão de ano para ano mais avantajadas e crueis."
(Excerto da abertura - O Juízo do Ano, de Amílcar de Sousa)
Encadernação editorial em percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Pasta frontal apresenta desgaste no canto inferior direito.
Raro.
Indisponível

04 dezembro, 2022

VIEIRA, Júlio Martins - CAMINHOS DA SERRA
. [S.l.], [s.n. - Espaço Gráfico, Lda.], [1997]. In-8.º (20,5 cm) de 118, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Histórias e narrativas das jornadas empreendidas pelo autor, campista associativo militante, à "sua" Serra da Estrela.
Livro muito ilustrado com desenhos e fotogravuras a p.b. ao longo do texto, bem como uma carta militar da Serra em duas páginas. Inclui diversas canções e respectivas partituras.
Tiragem restrita a apenas 600 exemplares.
"Aproximando-se o vigésimo quinto aniversário do Clube de Campismo e Caravanismo da Covilhã, nascido em 27-05-1972, quero deixar este livro como um contributo para o historial deste Clube. [...]
Ireis encontrar algumas páginas com pequenos roteiros pedestres, mais localizados no maciço central da Serra da Estrela. Alguns, ao subirem até ao seu cume, ficavam por ali parados sem saberem o que fazer, no tocante ao embrenhamento no seu interior.
O porquê desses pequenos percursos, deve-se ao facto de não existir nenhuma sinalização dos mesmos, nem tão pouco "bredas" turísticas.
Deste modo pretendo contribuir para o melhor conhecimento da Serra da Estrela."
(Excerto de Do autor para o leitor)
"No ponto mais elevado de Portugal Continental, numa esplanada alterosa, fica O Malhão da Estrela, na Serra do mesmo nome: Estrela A sul dos Cântaros, na quota de 1991 m. a., encontra-se a dita esplanada alargada. O príncipe D. João VI, em 1802, mandou ali construir uma pirâmide de 9 m de altura com pedra extraída no local. Sendo hoje esta pirâmide mais conhecida pelo nome "A Torre", a 2000 m. a.
Ela passou, na época, a servir de elemento à triangulação na carta geográfica do Reino.
Os pastores, ao tempo, tinham por habituação chamarem à pirâmide Malhão Maior. E por quê? Pelo simples facto de eles mesmo terem construído em muitos pontos da Serra alguns malhões com 2m de altura, de características iguais a esta pirâmide. A utilidade destes pequenos malhões para os pastores é guardar os farnéis na sua cúpula, fora do apetite devorador das cabras.
Com o decorrer dos anos, a cúpula da pirâmide foi-se desmoronando aos poucos, por efeito dos gelos e dos ventos fortes próprios dos locais altos.
As pedras caídas das cúpulas da pirâmide, por ignorância as pessoas, foi atribuída à malvadez dos pastores, o que na realidade não correspondia à verdade concreta."
(Excerto de Os 2000 m. a. da Torre e o Cruzeiro)
Exemplar em brochura, bem conservado. Carimbos oleográficos (2) na f. rosto.
Raro.
A BNP dispõe de apenas um exemplar no seu acervo.
Indisponível

13 agosto, 2022

TECEDEIRO, Luís António Vaz - MEDICINAL POPULAR DA CHAMUSCA.
[Por]... Médico
. [S.l.], Garrido artes gráficas, 1997. In-8.º (20,5 cm) de 384 p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Curioso manual de medicina popular.
Ilustrado ao longo do texto, em página inteira, com tabelas, e 100 gravuras: 98 desenhos de plantas terapêuticas e duas fotogravuras de santos da devoção chamusquense: S. Braz e Nossa Senhora do Pranto.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
A "Medicina Popular da Chamusca" é um trabalho que contém, para além de referências a "Plantas locais de utilização mais frequentes em mézinhas", também "Plantas locais de proibitiva ou mais cautelosa utilização", e ainda considerações sobre "Manipulação das plantas" e "Preparação de algumas mézinhas" bom como dizeres "Por outras coisas da antiga botica caseira", "Pequena súmula terapêutica" e "Crendices, rezas e benzeduras"...
Não se trata de um trabalho exaustivo - está bem de ver - mas é suficientemente esclarecedor, neste aspecto deste progressivo concelho ribatejano, que vimos citando."
(Sinopse retirada da badana anterior)
"Ingénuo e boçal, inculto e tradicionalista o povo ainda acredita com certa frequência que existe o "mau olhado", "mal de inveja", ou "quebranto" e que os "espíritos" - as "almas do outro mundo"... - vagueiam pela terra como lobisomens" metendo medo a horas mortas a familiares, vizinhos ou amigos quando não tenham tido lugar no "Céu...", no "Purgatório...", nem no "Inferno". Na mesma ordem de ideias também está convicto que determinadas "benzeduras" ou "rezas" podem trazer saúde a quem sofre de doenças, fazer aparecer coisa desaparecida, evitar calamidades e, inclusive, esclarecer qualquer dúvida ou eventual suspeita!..."
(Excerto de "Crendices", "rezas" e "benzeduras" - a) Considerações gerais)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
35€

10 novembro, 2021

NOBRE, Antero - AR LIVRE. CAMPISMO.
Manual técnico organizado por... Vogal técnico do Comissão Organizadora do "Camping Club de Portugal"
. Lisboa, Editor Roberto S. Canuto, 1938. In-8.º (18,5 cm) de 262 p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Primeiro manual de campismo concebido por um português, dedicado, entre outros, "aos rapazes da "Mocidade Portuguesa" e "aos Escoteiros e "Guias" do seu País". Antes deste, havia sido impresso uma tradução do Scouting for boys, de Baden-Powell, com o título Manual do Escoteiro (Boy-scout), do Dr. Hermano Neves (1908), que durante duas décadas serviu de guia aos naturistas portugueses.
Livro profusamente ilustrado ao longo do texto com tabelas, desenhos, sinais e croquis, sendo alguns deles em página inteira.
"O Manual que hoje apresentamos aos rapazes da Mocidade Portuguesa, aos escoteiros, aos desportistas e ao público português, não é, nem tem sequer a pretenção de ser, uma obra completa e muito menos original. [...]
A única pretenção deste livro ´preencher uma grande e antiga lacuna da bibliografia escotista nacional, lacuna que supomos existir ainda também na bibliografia da «Mocidade Portuguesa», oferecendo aos rapazes um guia, que até aqui não tinham, para as suas actividades de campo, e divulgar, entre os portugueses não pertencentes às associações de escoteiros nem à «M. P.», os princípios basilares da técnica do Campismo, estimulando nestes o gôsto salutar pelo ar livre."
(Excerto do preâmbulo)
"O Campismo é, acima de tudo, uma reacção natural, instintiva, do homem contra a civilização actual, que vai a caminho de tornar complètamente impossível a vida nas cidades.
A vida que hoje se leva nos aglomerados urbanos é falsa e fictícia debaixo de todos os aspectos: má higiene geral - pouco ou nenhum sol, o ar extremamente viciado, a água tornada potável por processos químicos, o banho coisa rara; péssima higiene do vestuário, - fatos muito justos, a escôlha das côres unicamente orientada pela moda, os sapatos de feitios estilizados comprimindo e deformando os pés; ausência absoluta de higiene alimentar, - conservas, concentrados e misturas de todas as espécies fazendo 75% dos nossos contemporâneos doentes de estômago e intestinos; nenhuma higiene do repouso, - o cinema, o teatro e o botequim abertos até altas horas, os automóveis, os «electricos», as sereias das fábricas barulhando ensurdecedoramente todo o dia e tôda a noite; etc., etc., etc.
Fugir a tudo isto, procurar repouso e descanço por algum tempo fora do ambiente intoxicante das cidades, retemperar as fôrças físicas e morais gastas nesta vida extenuante, - eis a origem do Campismo e a sua finalidade primeira. "
(Excerto da Introdução)
Antero Nobre (Moncarapacho, 1910 - Olhão, 1997). "Foi um dos intelectuais olhanenses mais produtivos, pertencente à tríade intelectual de ouro da segunda metade do séc. XX (onde também incluo Francisco Fernandes Lopes e Alberto Iria). Desde cedo apresentou grande interesse pelas letras e pela cidadania empenhada em Olhão e no Algarve. Embora tendo frequentado a Faculdade de Letras, não concluiu o curso. Foi, durante anos, funcionário do Instituto Nacional das Actividades Económicas, tendo-se aposentado por motivos de saúde, passando então a exercer o magistério."
(Fonte: http://www.olhaocubista.pt/personalidades/antero_nobre.htm)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Encadernação simples em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Sem f. ante-rosto, e com falta de folhas do índice.
Raro.
Com interesse histórico.
15€

28 junho, 2020

BASTOS, J. - A SAUDE E A LONGEVIDADE. (Um grito de alarme). [Lisboa], Typ. «A Liberal» : Cesar Correia, 1907. In-8.º (22,5 cm) de [2], 101, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso trabalho de índole naturista, publicado nos alvores das práticas vegetarianas entre nós.
Livro valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Em geral todos pensam que gozar saude, é não ter dôres physicas que vivamente incommodem. E assim contentam-se em dizer que passam bem.
Não. A saude, o dom mais precioso da vida, não é só isso.
N'esta epoca de degenerescencia, que infelizmente vem já de tempos mais remotos, escasseiam os verdadeiros exemplares de pessoas saudaveis e por isso, não offerecendo comparações que ilucidem e se imponham aos olhos dos menos observadores, deixemo-nos obcecar pelas idéas geradas n'esse turbilhão das sociedades, pensando e adaptando o estribilho, que a saude sempre assim foi.
Não. Se a saude fosse sempre o que é hoje, não seria tão outra, como era, a longevidade dos nossos antepassados.
A saude, a verdadeira saude, não é só o bem estar do corpo, como tambem é o bem estar do espirito.
Um individuo de perfeita saude, não sente nunca, por assim dizer, as complicas funcções do corpo. E quando tal succede, é porque o organismo se tornou victima de alguma causa morbida.
O seu espirito, directo reflexo do estado do corpo, impelle-o a encarar alegre, despreocupado, verdadeiramente feliz, as muitas difficuldades da vida.
O trabalho, para elle, constitue um completo gozo do qual dimana, quando menos, a facil manutenção das suas necessidades, e, quando mais, a larga satisfação dos seus desejos e caprichos.
A natureza encanta-o e tudo para elle sorri.
Se casa, não especula com o amor: confia no seu braço. Se tem filhos, e quantos mais melhor, acarinha-os, adora-os e o lar torna-se-lhe um paraizo.
A longevidade leva-o a revêr-se infante em successivas proles que o animam e abençoam.
E quando a morte chega, porque não ha nada eterno, não morre de dôr porque nunca teve dôres, extingue-se, docemente, como que, ainda creança, adormecendo de um somno reparador no pequeno berço, em que o embalaram seus paes...
Mas é uma utopia! - hão de já objectar. Não! É assim mesmo.
Queremos viver e morrer assim? É simples. Pratiquemos a Hygiene em todas as suas modalidades."
(Excerto de A saude)
Matérias:
Ás minhas filhas. | A saude e a longevidade. (Um grito de alarme). | A saude. | A alimentação. | A Eschola. | Os Costumes. | Os Remedios. | Relato. | Conclusão.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas sujas, com defeitos e pequena falha de papel na lombada.
Raro.
Sem registo na BNP (tem recenseada apenas a 2.ª edição).
Indisponível

14 agosto, 2017

G. C. - OITO DIAS NO MINHO. Por... Lisboa, Typographia da Papelaria Palhares, 1902. In-8.º (19cm) de 308 p. ; E.
1.ª edição.
Interessante obra dedicada ao Minho e a duas cidades da Galiza, muito descritiva e repleta de evocações históricas, resultado do périplo turístico empreendido pelo autor que depois verteria para livro as suas impressões da viagem. Assinada com as iniciais "G. C.", a sua autoria é atribuída pela Biblioteca Nacional a Joaquim Guilherme da Costa Caldas.
"Todos os relogios bem regulados marcavam quatro horas e quinze minutos, quando, na tarde de um sabbado, eu transpunha a porta que dá ingresso á gare do Rocio.
Estava dado o primeiro passo. Não era já o sujeito ignorado, que tem quotidianamente o seu caminho entre o Monte Olivete e o Pote das Almas, era o touriste, com a pose de quem vae fazer uma digressão pelo Alto Minho, e mais ainda, pelo estrangeiro, embora esse estrangeiro fosse reduzido a uma parte minima da vizinha Hespanha - Tuy e Vigo."
(excerto de A Partida)
Matérias:
I - A Partida. II - Barcellos. III - Vianna e Ponte de Lima. IV - De Vianna a Caminha. V - Caminha. VI - Valença. VII - Tuy. VIII - Vigo. IX - De volta a Valença. X - Monsão. XI - Arcos e Ponte da Barca. XII - Em Braga. XIII - Guimarães. XIV - Visella. XV - Ovar. XVI - A volta.
Belíssima encadernação em meia de pele com nervuras e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Ausência(?) de f. em branco que precede a f. anterrosto(?).
Raro.
Com grande interesse regional.
A BNP tem apenas um exemplar registado na sua base de dados.
Indisponível

06 junho, 2016

PÓVOAS, F. Mendes - A SERRA DA ESTRELA E O HERMINISMO EM PLENO DESENVOLVIMENTO. Lisboa, Papelaria Fernandes, [1957]. In-8.º (18,5cm) de 114, [2] p. ; [1] mapa desd. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Muito ilustrada com fotogravuras e desenhos nas páginas do texto. Contém extratexto um mapa da serra em folha desdobrável.
Curioso guia da Serra da Estrela da autoria de um ilustre herminista.
"O [trabalho] que agora se apresenta, se a impulsioná-lo tem o fervoroso amor de duas dezenas de anos, é feito porém, de experiência e realidades.
A Serra da Estrela, pelas suas características sui generis, deixa então de ser um motivo regional, para projectar interesse nacional.
O heminismo pròpriamente dito prepara-se nos meios termos da Primavera e do Outono; tem sua eficiência de ares e águas no Estio e sedução das neves imaculadas em pleno Inverno.
Na época de Verão pode dar-se preferência à Serra ou à Praia, segundo os temperamentos ou as necessidades oriundas do império da saúde; no geral, a primeira espalhando pelas aldeias e vilas os interessados; e a segunda, exagera a cidade movimentando-se no rodopio das frivolidades americanizadas.
Na quadra hibernal a Serra não sofre rivalidade. As gentes que pisam os gelos por exigência da vida, miram as nevadas esbatidas pelo sol de oiro que fascina os olhos, deslizam em esqui os trenó, pelas camadas solidificadas durante meses sucessivos, acolhem-se à Natureza segundo seu condicionamento e muitas vezes sorriem até à fúria dos elementos.
É o ambiente que começa a prepara-se em Outubro. O sol abrasador que escaldou o rochedo gigantesco, secou a nascente límpida que murmurejava na encosta ressequida pela longa estiagem, queimou nos vales o pasto que enchia os gados da bocarra às tetas e torturou os mortais que lhe não puderam ser superiores, - deixou baixar a temperatura e os arrepios de vento fresco começaram a soprar nas encostas e sobem às cristas.
Se a chuva ainda não fertilizou a courela ou reverdeceu o prado, a melancolia outoniça que desperta a nostalgia dos sonhadores e a suaves claridades que dão à Montanha a pureza do verde-bronze diluído na sombra dos vales, - já apontam nos horizontes antes da hora do crepúsculo vespertino e anunciam lentamente a estação dos crisântemos.
A estas condições correspondem naturalmente duas partes no presente trabalho:
- Época de Verão: de Julho a Outubro;
- Época de Inverno - De Novembro a Junho.
Será pois, essa sua ordenação."
(Prefácio)
Francisco Mendes Póvoas (1890-1967). "Natural de Torroselo, Seia. Publicista, professor do ensino técnico e oficial estenógrafo da Assembleia Nacional. Fundou em 1924 a Liga Herminista Estrela d'Alva. Colaborou nos principais jornais de Lisboa e na Revista taquigráfica do Rio de Janeiro e de Valência. Foi colaborador da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Faleceu em 1 de Janeiro de 1967, em Lisboa.Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

21 maio, 2016

FERREIRA, Ardisson - O HOMEM É FRUGÍVORO. Demonstração anatómica, fisiológica e antropológica da alimentação humana racional. Conferência realisada no Ateneu Comercial do Porto, em 26 de Julho de 1912. Porto, Sociedade Vegetariana - Editora, 1912. In-4.º (23 cm) de 23, [1] p. ; B. XII Volume da Biblioteca Vegetariana
1.ª edição.
"Leão Tolstoi disse laconicamente: «Comemos muito»; eu atrevo-me a acrescentar: ... e mal! [...]
Devo declarar-vos, em abôno da verdade, que antes do dia 7 dêste mês, nunca me tinha decidido a pensar a sério da fisiologia da nutrição, não só porque outros muitos afazeres me roubavam o tempo, como ainda porque o frugivorismo só há alguns mêses começou a ser exalçado, entre nós, por aqueles que o estudaram scientificamente ou lhe reconheceram os salutares efeitos, por experiência própria."
(Excerto do texto)
Augusto Ardisson Ferreira (Lisboa, 1873 - 1932). "Foi um médico e cirurgião que se dedicou também à escrita, sendo ainda uma artista plástico curioso. Foi um divulgador da cultura física, tendo traduzido as obras de J. P. Müller para português. Mais tarde, causou polémica ao criticar Müller, que considerou um plagiador. Escreveu diversos livros de grande sucesso e colaborou em revistas como O Vegetariano e Vida e Saúde, e participou em vários congressos em Portugal e no estrangeiro. Encontra-se colaboração da sua autoria na revista Tiro e Sport (1904-1913)."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

19 janeiro, 2016

SOUZA, Dr. Amílcar de - O NATURISMO. Alimentação Natural. Conselhos Higiénicos. Tratamentos racionais. Práticas quotidianas. Guia para sãos e doentes. Porto, Sociedade Vegetariana - Editora, [1912]. In-8.º (22,5cm) de 288 p ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Ilustrada extra-texto com o retrato do autor de corpo inteiro.
Curioso manual vegetariano do início do século XX. Trata-se da rara edição original do 1.º trabalho do autor, obra precursora do movimento vegetarianista português. Contém inúmeras práticas e conselhos para uma vivência plena, saudável e natural, apoiada em conceitos que davam os primeiros passos na época, tendo o seu epicentro na cidade do Porto.
                                       ........................
"Encontrar-se-hão por estas páginas além muitos conselhos repetidos em muitas práticas de salubridade. O problema não é novo. Moralistas, filósofos e higienistas de todas as épocas teem pensado na melhor maneira de valorizar e não deixar perder a vida. A saúde é o único bem. O resto quási nada vale. Que importa ser um Cresus mas estar paralítico na cama? O caminheiro roto e quási nu, de povoado em povoado, pelos carreiros rústicos, pobre viandante, quanto mais saúde não tem do que a velha ricaça, gotosa e devota no seu gabinete todo tapeçaria, sentada na sua poltrona de veludo.
Com êste volume pretendemos contribuir para que a humanidade se oriente mais lógicamente na perfeição física da qual resultará maior moralidade. E as considerações que singelamente apresentamos, representam sobretudo muito amor íntimo, muito desejo de acertar para conseguir desfazer toda a ganga aderente ainda dos velhos preconceitos de higiene vulgarmente praticada ou melhor, erradamente dinfundida.
A medicina não tem razão de existir verdadeiramente. A higiene é tudo. E cada vez os médicos vão compreendendo ser assim a verdade. Curar é já um artifício. Impedir o mal, eis o objectivo a conseguir. Assim o homem habita em casas más, fuma, bebe e come o que não deve, respira o ar confinado, veste-se e calça-se ilógicamente. Resultado: minora a vida, cerceia-a, extingue-a antes do tempo funestamente. [...]
O género humano está decadente. O excesso de prazeres instiga o homem, a mulher e a criança para que, em poucos anos e miserávelmente, o aniquilamento surja. Devemos estimar a morte como natural mas só quando a máquina humana deixe de funcionar, gastos, pelo tempo, todos os elementos celulares e não provocada pela incontinência. Durante a mocidade, o homem desperdiça. Quando chega a velhice prematura quer readquirir o passado mas já não pode..."
(excerto do prólogo)
Matérias:
- A alimentação natural. - A Vida Natural. - Higiene Naturista nos climas quentes. - Higiene Individual. - Como se define alimento? - Como se deve comer. - A Supremacia do Frutos. - O jejum dietético. - O que se deve comer. - O Eden Moderno. - O Homem Normal. - O Homem e o Gorila. - A cura pelas uvas. - A Dieta Pura. - Vegetarismo. - A boca e os dentes. - O culto pela água. - Vantagens da água. - O exercício físico. - Como se pode obter a saúde. - Higiene do Intestino. - O Artritismo. - Higiene do Sono. - Higiene de Acordar. - A Emancipação da Mulher. - Devemos ter família? - A Educação da Vontade. - A Casa Higiénica. - Portugal, estação de Saúde. - Onde passar as férias? - Os perigos do tabaco. - «Mens sana in corpore sano». - Degenerescência. - A cura pela Natureza. - O Sistema Just. - O Sistema Kuhne. - O Sistema Kneipp. - O Sistema Fletcher. - O Sistema Muller. - O Sistema Lahmann. - O Sistema  Rikli. - Vida Simples. - Ao Ar livre. - A cura da Tuberculose. - Como se prolonga a vida? - A luta pela existência. - A Vida e a Morte. -  O problema da longevidade. - Como deter a morte. - Higiene da Maternidade. - Morte Serena. - As árvores frutíferas. - Decálogo do Centenário. - Regras da vida. - O triunfo do frugivorismo. - A caminho duma Nova Vida. - A Prática do Naturismo.
Amilcar de Sousa (1876-1940). “Nasceu em Cheires, Sanfins do Douro, Alijó, em 1876. Filho dum abastado viticultor duriense. Formou-se em Medicina pela Universidade de Coimbra em 1905, partindo depois para Paris, onde se consagrou ao estudo das doenças da nutrição. De regresso a Portugal, lançou-se numa intensa campanha em prol do Naturismo, como a mais racional forma de se viver, e do Vegetarianismo, como alimentação sadia, indicada para combater e curar as doenças da nutrição. Foi um pioneiro do Vegetarianismo em Portugal. Fundou e dirigiu a revista “O Vegetariano” e a Sociedade Vegetariana de Portugal, no Porto, da qual foi o primeiro Presidente. Viajou pela Europa e na América, em excursões de estudo que enriqueceram a sua larga bagagem de conhecimentos, na especialidade a que se devotou, e manteve contacto estreito com sumidades médicas de renome mundial, com quem se correspondeu. Na imprensa e no livro, pela palavra e pelo exemplo, proclamou o poder terapêutico das vitaminas, sob a forma de frutos e vegetais, comprovando-o com as curas obtidas na sua clínica, que exercia gratuitamente. Além de inúmeros artigos em revistas científicas e em jornais, Amílcar de Sousa foi autor de diversos livros sobre Saúde, e publicou os seguintes livros: O Naturismo, publicado em 1912, com várias reedições, sendo o mais conhecido; A Saúde pelo Naturismo; A Cura da Prisão do Ventre; A Redenção; O Naturismo em Vinte Lições; Banhos de Sol; Arte de Viver, este último em 1934, e o único de sua autoria que não foi traduzido para espanhol. Foi também um activo defensor dos interesses da viticultura duriense, pugnando, em conferências e artigos na imprensa periódica, pela criação da Casa do Douro, como um dos organismos necessários para garantir a alta qualidade do Vinho do Porto e promover a expansão do seu Comércio. Faleceu no Porto, em 1940.”
(fonte: wikipédia)

Excadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Apresenta ligeiro desgaste do manuseio junto à lombada.
Raro.
Indisponível