Mostrar mensagens com a etiqueta Rio de Janeiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rio de Janeiro. Mostrar todas as mensagens

12 agosto, 2026

CASTRO, Vieira de -
DISCURSO SOBRE A CARIDADE.
Recitado aos 26 de janeiro de 1867, no salão do theatro lyrico do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Typ. - Perseverança - Rua do Hospicio n. 91. 1867. In-8.º (21x13,5 cm) de 70, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Discurso proferido no Rio de Janeiro, Brasil, nunca republicado, pouco tempo antes de Vieira de Castro celebrar o seu casamento com Claudina Adelaide Guimarães, filha de um rico empresário português radicado no Brasil, união que terminaria tragicamente em Maio 1870, com a morte violenta da moça às mãos do marido.
Autógrafo do autor(?) na capa.
"(Sorrindo e passeando a vista pelo publico). E o meu discurso está feito!E a Caridade sois vós! E a Caridade é isto: é este condescender incessante com todos os appêlos; é esta concurrencia offegante e apressada a todos os chamamentos! E a sua influencia são ámanhã as enfermidades saradas, os pobres consolados, e as tristezas sem dôr!
(Pausa)
(Com enthusiamo). Mas deixem-me antes de tudo, meus Senhores, alevantar o espirito neste paiz que talhou a pique as sua fórmas esculturaes, e recortou, como de polo a polo, as suas feições gigantescas n'uma montanha immensa, que atira com a sua testa para o meio das nuvens para que as estrellas lhe emmoldurem lá em cima thiara explendida, e cá em baixo assenta as suas bases n'um mundo immenso... [...]
Paiz selvagem lhe chamam! Paiz selvagem, de certo é! Paiz selvagem, sim; e quem ha ahi que possa offender-se do titulo?
Selvagem como tudo quanto é grande de mais para caber nos moldes acanhados de qualquer convenção! Selvagem como tudo quanto ha de gigantesco e de herculeo, assim nas variadas manifestações do mundo phisico, como nas manifestações variadissimas do mundo moral."
(Excerto do Discurso)
José Cardoso Vieira de Castro (1837-1872). "Nasceu no Porto a 2 de janeiro de 1837 e faleceu em Luanda a 7 de outubro de 1872. Foi escritor e político. Orador dotado e polémico, teve um percurso atribulado durante os seus estudos na Universidade de Coimbra, que frequentou intermitentemente entre 1853 e 1864, ano em que se formou em Direito. Foi vice-presidente da Câmara Municipal de Fafe e deputado. 
Foi agraciado com a Comenda de Carlos III (Espanha) e com o grau de cavaleiro da Imperial Ordem da Rosa (Brasil).
Passou um período no Brasil, onde se relacionou com os intelectuais daquela nação e foi nomeado presidente honorário do Gabinete Português de Leitura no Rio de Janeiro. Ali casou, no Rio de Janeiro, com Claudina Adelaide Gonçalves Guimarães, filha de um abastado empresário e banqueiro. Suspeitando que a cônjuge lhe fora infiel, assassinou-a, corria o ano de 1870, e foi por isso condenado a 10 anos de degredo em Angola, onde faleceu cerca de dois anos depois, com a idade de 35 anos. 
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente da classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 12 de julho de 1866."
(Fonte:  https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/20577)
Belíssima encadernação meia de pele com dourados gravados na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capas envelhecidas, algo sujas, com defeitos. Capa anterior alvo de restauro. F. ante-rosto apresenta mancha no cantos inferior direito. Foi acrescentado ao corpo do livro outro tanto de páginas em branco para "engrossar" o volume.
Raro.
Peça de colecção.
50€

26 julho, 2026

LISBÔA, Conselheiro -
RELAÇÃO DE UMA VIAGEM A VENEZUELA, NOVA GRANADA E EQUADOR.
Pelo... A. M. pela Universidade de Edimburgo, Membro Correspondente do Instituto Historico e Geographico Brasileiro. Bruxellas, A. Lacroix, Verboeckhoven e Cia, Editores - Rua Real, 3, Bêco do Parque - Com Casa em Leipzig e em Leorne, 1866. Direitos de reproducção e traducção reservados. In-4.º (23,5x15 cm) de 393, [1] p. ; 
[1] mapa a cores em 2 f. ; [11] plantas/mapas ; [17] estampas ; [4] f. partitura ; [1] quadro desdob. ; E.
1.ª edição.
Importante livro de viagens por países da América Latina, locais onde o autor - diplomata - esteve destacado.
Obra de fôlego, nunca reeditada, belamente ilustrada em separado com estampas, quadros, plantas e mapas, sendo alguns deles desdobráveis. Inclui partitura do hino patriótico colombiano "El 20 de Julio - Cancion nacional".
Exemplar muito valorizado pela dedicatória manuscrita de Miguel Lisboa ao "Ex.mo Senhor Almeida e Albuquerque". Assina "O Autor".
"Eu prevejo que a publicação em 1865 de uma relação de viagens escrita em 1853 dará logar a commentarios por ventura justos. Conheço que o interesse de taes narrativas como a que com tanta tardança apresento ao publico, depende em grande parte da sua novidade; e esse conhecimento com effeito fez-me por muito tempo hesitar si deveria ou não publicar o meu trabalho. [...]
O interesse que teem os brasileiros em conhecer o estado social das Republicas que com nosco limitam, longe de haver diminuido de 1853 para cá tem augmentado. Graça á abertura do rio Amazonas, nosso commercio com as que estão contiguas pelo Norte e Oeste váe-se desenvolvendo. A mesma ignorancia sobre o estado de civilisação dellas, sobre o que ahi ha de apreciavel, assim como dos elementos de desordem e decadencia que retardam os seus progressos, existe ainda. Acostumados, fazendo echo com escriptores europeos apaixonados e superficiaes, a só enxergar nas Republicas hespanholas as suas revoluções, a falta de garantias que em algumas dellas se manifesta, e a sua decadencia material, fazemos-lhes grande injustiça desconhecendo o muito que ha nellas de respeitavel e sympathico, já no caracter de seus habitantes, descendentes de uma raça nobre e cavalheresca, que apezar de 50 annos de desordens e máo governo, ainda possúe, a meu ver, elementos de futura prosperidade e grandeza, já nos monumentos historicos que ainda hoje attestam a energia dessa raça emprehendedora."
(Excerto de Advertencia)
"No dia 2 de Setembro de 1852, pelo meio dia, embarquei-me a bordo do vapôr Orinôco, capitão Hast, pertencente á Real companhia dos paquetes de vapôr das Indias occidentaes, com destino a Santomaz, uma das ilhas chamadas Virgens, situada quasi á vista da colonia hespanhola de Porto-Rico.
São bem conhecidos no porto do Rio de Janeiro os magnificos vapôres desta Companhia, uma das mais importantes da Gran Bretanha. Si ella tem tirado de seus esforços ampla remuneração, é preciso confessar que tem feito importantes serviços ao commercio e ás communicações do velho mundo com o Brasil e com as republicas hispano-americanas. [...]
De muitas commodidades gozam os passageiros a bordo destes vapôres: o aceio é igual ao que se encontra em todos os navios de guerra ingleses; a superioridade e abundancia de viveres frescos fazem esquecer que se navega no alto mar; o serviço dos despenseiros é tam regular quanto é possivel em uma reunião que nunca é menor de cem pessõas e frequentemente excede a duzentas; finalmente o systema de ventilação é muito estudado, e os camarotes e beliches a bordo do Orinôco são mais espçosos e commodos que os de fragatas e náos em que tenho viajado. Eu occupei só um camarote que tinha dez palmos de comprimentos, oito de largura e dez de altura, tendo uma abertura para o mar de pé e meio quadrado."
(Excerto de I - Viagem de Southampton a Santomaz; a real Companhia dos paquetes de vapôr das Indias occidentaes; Sombrero)
Miguel Maria Lisboa (1809-1881). "Nasceu no Rio de Janeiro a 22 de maio de 1809 e faleceu em Lisboa a 28 de abril de 1881. Foi diplomata. Formou-se em artes pela Universidade de Edimburgo e seguiu a carreira diplomática, tendo cumprido missões em Londres, no Chile, na Venezuela, na Bolívia, no Equador na Nova Granada (atual Colômbia), no Peru, nos Estados Unidos, na Bélgica e em Lisboa.
Pertenceu ao Conselho do Imperador D. Pedro II, foi veador da Imperatriz Tereza Cristina, grande dignitário da Imperial Ordem da Rosa, comendador da Ordem de Cristo, grã-cruz da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e da Ordem de Nossa Senhora Jesus Cristo (ambas de Portugal) e da Ordem Ernestina da Saxónia, da Casa Ducal da Saxónia. Recebeu o diploma de Artium Magister da Universidade de Edimburgo. Em 1° de janeiro de 1839 foi eleito sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente estrangeiro da classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 28 de fevereiro de 1867."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/20587)
Belíssima encadernação meia em pele com nervuras, rótulos e letras a ouro na lombada. Conservas as capas de brochura. Aparado e carminado à cabeça.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capas envelhecidas, alvo de pequenos restauros. Interior correcto.
Ex-libris de Aucindio Rodrigues da Silva na f. ante-rosto.
Raro.
250€

12 setembro, 2025

COMPENDIO DOS EXERCICIOS DA VENERAVEL ORDEM TERCEIRA DA PENITENCIA DO NOSSO SERAFICO PADRE S. FRANCISCO E DAS INDULGENCIAS QUE GOZÃO SEUS IRMÃOS TERCEIROS, CONCEDIDAS POR MUITOS SUMMOS PONTIFICES, E CONFIRMADA PELA SANTIDADE DE BENEDICTO XIV.
Mandado imprimir pelo Irmão-Mestre Antonio de Oliveira Santos. Rio de Janeiro, Typ. Episcopal de Antonio Gonçalves Guimarães & C.a, 1861. In-8.º (14,5x11 cm) de 48 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante compêndio da Ordem Terceira da Penitência, instituição religiosa franciscana localizada na cidade do Rio de Janeiro, Brasil.
"A Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência é uma igreja colonial localizada junto ao Convento de Santo António, no morro do mesmo nome, no centro do Rio de Janeiro. Pela sua decoração barroca exuberante, é considerada uma das mais importantes da cidade e do país." (Wikipédia)
Índice:
I - Do exercicio de cada dia. II - Dos exercicios de cada Semana. III - Dos exercicios de cada Semana. IV - Dos exercicios de cada mez. V - Dos exercicios de cada anno. VI - Dos exercicios geraes para todo o tempo. VII - Das absolvições concedidas aos Irmãos da Penitencia. VIII - Compendio das Indulgencias concedidas aos Irmãos e Irmãs da Veneravel Ordem Terceira de Penitencia... IX - Do que devem advertir e saber, ácerca das referidas Indulgencias Plenarias. X - Dos dias Santos das nossas tres Ordens, em que os nossos Irmãos Terceiros, e os mais fieis, confessados e commungados, ganhão Indulgencia Plenaria, visitando as Igrejas da Ordem. XI - Dos privilegios especiaes, que concederão os Pontifices aos Irmãos Terceiros. | Appendix a todo o summario | Advertencias: Fórma da Petição para tomar o Habito. Fórma da Petição para professar: - Interrogatorios | Fórma de lançar o Habito aos Irmãos Terceiros, que muitas vezes succede pedirem os moribundos: Benção do Habito - Oremus; Benção do Cordão - Oremus; Ao cingir o Cordão - Oremus. | Fórma da Profissão: Benção do Habito - Oremus; Benção do Cordão - Oremus; Ao cingir o Cordão - Oremus. | Fórma da absolvição de Nosso Padre S. Francisco no artigo da morte: Deprecação.
Exemplar brochado, protegido por capas lisas coevas, em bom estado geral de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e religioso.
20€

15 julho, 2024

DOUSSIN-DUBREUIL, J. L. - CARTAS ÁCERCA DOS PERIGOS DO ONANISMO (Masturbação) e conselhos relativos ao tratamento das molestias de delle resultão. Por... Passadas do francez a portuguez para uso da mocidade brasileira pelo Dr. João Candido de Deos e Silva, Natural do Pará, Dignitario da Imperial Ordem do Cruzeiro, etc. Rio de Janeiro, Em Casa dos Editores-Proprietarios Eduardo & Henrique Laemmert, [1842]. In-8.º (17,5x11,5 cm) de 134, [2] p. ; E.
1.ª edição brasileira.
Livro curiosíssimo. Decidiu-se o autor pela sua publicação após tomar conhecimento "dos espantosos e rapidos progressos que faz diariamente o vicio da masturbação", e os malefícios para a saúde associados a tais práticas.
Obra rara, originalmente editada em Paris (1813) com o título Lettres sur les dangers de l'onanisme. A BNP tem recenseado 1 exemplar desta obra, sem no entanto nomear editor, data e local de edição.
"No século XVIII europeu, o onanismo - termo utilizado à época para designar a patologia associada à prática da masturbação - recebeu distintas interpretações para alertar o que a medicina e a religião consideravam ser um flagelo social prejudicial à saúde e uma profanação aos preceitos cristãos. Enquanto o discurso religioso condenou o praticante em nome de uma pretensa moral, o campo médico buscou descrever incessantemente todos os desvios. Durante dois séculos, pôde se observar a existência de publicações que enunciavam sádicas perseguições e condenações na tentativa de reprimir a prática da masturbação. [...]
A tradução dessas obras para o português, nos séculos subsequentes aos originais ingleses e franceses, possibilitou que o discurso sobre a sexualidade e, especificamente, o combate ao onanismo repercutisse no espaço luso-brasileiro. Não obstante, estes discursos religiosos e médicos atuavam na constituição de uma sociedade profundamente cristã devota que, em grande medida, era guiada pelos “bons costumes” manifestados por representações dos protocolos sociais aplicados nos grandes centros urbanos europeus.
Para o século XIX, identificamos a existência de dois manuais médicos franceses, ambos traduzidos para o português, que alertavam implacavelmente os perigos do onanismo em crianças e jovens. O primeiro, composto por epístolas masculinas, foi publicado na cidade do Rio de Janeiro no ano de 1842 pelo jurista João Cândido de Deus e Silva (1787-1860). Tratar-se-ia de uma versão traduzida da obra Lettres sur les dangers de l'onanisme (1813), divulgada em Paris pelo médico francês Jacques-Louis Doussin-Dubreuil (1762- 1831)."
(Ripe, Fernando, Sobre o “funesto hábito” da masturbação infantil, in Revista Brasileira de História & Ciências Sociais - RBHCS, Vol. 14 Nº 28, Janeiro - Junho de 2022)
"As cartas, que aqui apresento, vão taes quaes as escrevi a um mancebo, que se destinava ao estudo da medicina, e que se havia entregado ao onanismo, mas que m'o declarou a tempo ainda proprio para o curar. [...]
Admirarão talvez o ter eu tratado de tão importante materia com um mancebo que se deve suppôr de vinte annos de idade, quando muito, e de o haver eu feito medico de seus camaradas; mas, por pouco que se haja reflectido, ter-se-ha notado que os rapazes confião uns aos outros de bom grado aquillo que encobrem a pessoas mais velhas. [...]
Neste momento recebo eu noticia da morte de um filho unico de quinze annos de idade, cuja residencia não dista da minha. Este desgraçado moço não declarou que usava da masturbação, senão quando se vio proximo a perder a vida."
(Excerto de Discurso Preliminar)
Taboa das Materias:
Discurso Preliminar | Primeira Carta. Ao Sr. ***, Estudante em Bordéos. Carta II. Carta III. Descripção dos signaes que dão a conhecer o individuo que se dá ao onanismo. Carta IV. Indica o Autor novos signaes por onde se conhecem os mancebos que se entregão ao onanismo, e reputa menos equivoco a magreza diaria apezar do muito comer. Carta V. Reflexões do Autor ácerca dos temperamentos. | Conselhos sobre o modo de tratar os masturbadores | Factos que provão quão difficultoso é deixar o habito do onanismo; frequentes e involuntarias perdas de liquido seminal | Dieta | Do uso dos purgativos na cura destas enfermidades ! Se póde ser util a sangria para combater os effeitos do onanismo? | Se podem, os que se dão a esses excessos, usar de clysteres contra longa constipação? | Se podem colher grande utilidade do uso do leite? | Do uso dos banhos quentes | Do uso dos banhos frios | Do exercicio | Conselhos de Willaume a respeito do onanismo | Explicação de alguns termos que se encontrão | Nomes dos autores citado no decurso esta obra.
Jacques-Louis Doussin-Dubreuil (Saintes, 1762 - Paris, 1831). "Foi um médico e cirurgião francês. Pioneiro na vacinação, foi o fundador da Société Royale Académique des Sciences de Paris (dissolvida em 1826), da Société d'Encouragement pour l'Industrie Nationale e da Société Galvanique et de Recherche Physique. Aprendeu cirurgia com o pai, então em Paris, tendo sido um dos primeiros a declarar-se a favor da vacinação (vacinou os próprios filhos). Membro da Société Centrale de Vaccine, propôs depósitos de vacinas por toda a França, o que ajudou a reduzir os efeitos de uma epidemia de varíola. Foi médico-chefe do gabinete de caridade do 10.º Bairro de Paris."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação em meia de percalina com ferros gravado a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

17 maio, 2024

I ROMAGEM AOS JERÓNIMOS : 1963 - CLUB DE REGATAS VASCO DA GAMA
. Rio de Janeiro - Brasil, [Clube de Regatas Vasco de Gama - Nobre Gráfica Editora Ltda - Barão de Bom Retiro], [1963]. In-4.º (23x16 cm) de 97, [7] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Memória da primeira romagem de uma comitiva do Vasco da Gama, popular clube carioca, ao Mosteiro dos Jerónimos - Lisboa, no ano de 1963.
Livro raro, por certo com tiragem reduzida, profusamente ilustrado com fotografias a p.b. relacionadas com a viagem a Portugal, incluindo eventos com a presença de figuras de proa do regime português: o PR Almirante Américo Tomaz, o PC Prof. António de Oliveira Salazar e o Almirante Henrique Tenreiro. Registe-se ainda, a título de curiosidade, o registo fotográfico do banquete oferecido pela direcção do Sport Lisboa e Benfica à comitiva brasileira no Estoril, e da presença da equipa profissional de Benfica e Belenenses na homenagem prestada nos Jerónimos ao navegador português.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do presidente do clube vascaíno - Manoel Joaquim Lopes - a Jorge Felner da Costa, Director do Centro de Turismo de Portugal no Rio de Janeiro e do Secretariado Nacional da Informação, Cultura Popular e Turismo (SNI), em Lisboa.
"Este documentário da Primeira Romagem aos Jerónimos realizada no ano administrativo de 1963 - sexagésimo quinto da fundação - é oferecido aos vascainos para guarda e lembrança do grande ato da vida social do Club de Regatas Vasco da Gama, em terras portuguêsas e em louvor de seu Imortal Patrono.
Dizemos "Primeira Romagem" porque confiamos plenamente no espírito cívico-sentimental dos associados de nossa agremiação para esperar outras visitas à Pátria-Mãe, berço do Almirante Navegador.
A Romagem aos Jerónimos, é indispensável que se explique, não representou uma promoção, no sentido moderno da expressão. Constitui o prosseguimento da tradicional linha de luso-brasilidade que desde a fundação do Club de Regatas Vasco da Gama se vem mantendo lealmente, para satisfação de quantos se agrupam em tôrno de sua gloriosa bandeira.
A fundação ocorreu quando o mundo político festejava com Portugal o 4º Centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo das Índias.
A 9 de Setembro de 1900, durante a solenidade da posse do presidente Leandro Augusto Martins, na modesta sede da Travessa do Maia (mais tarde Passeio Público), inaugurou-se o retrato de Vasco da Gama oferecido pelo sócio João Rodrigues de Oliveira. Uma composição livre, sem traços precisos da real fisionomia do homenageado, fixadas todavia as linhas características do marinheiro e descobridor destemido."
(Excerto de Sentido histórico da Romagem)
Encadernação em percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior e na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e desportivo.
35€

16 abril, 2024

HERCULANO, Alexandre - EURICO. Por... Precedido de uma apreciação litteraria por J. M. Velho da Silva. Rio de Janeiro, Imprensa Industrial, 1877. In-8.º (15,5x10,5 cm) de XV, [1], 287, [1] p. ; E.
1.ª edição brasileira.
Estamos em presença, cremos, da primeira edição brasileira de Eurico o Presbítero, lançada poucos meses após a morte do historiador. A "apreciação literária" de Velho da Silva data de 9 de Novembro de 1877, tendo Herculano falecido a 13 de Setembro do mesmo ano. Existe uma edição deste romance impressa no Brasil com o título completo - Eurico, o Presbytero - algo que não acontece na presente ("Eurico" apenas) - com data de 1907, e a seguinte inscrição na f. rosto: "1.ª edição brasileira (cuidadosamente revista)". Raro. Não existe menção ou referência bibliográfica a este livro, quer em Portugal quer no Brasil.
"Os applausos e as censuras os escriptores vivos, pódem vir de origem duvidosa. Os assombros por sublimidades apparentes, as lisonjas que a mediocridade sóe empregar para engrandecer-se á sombra da grandeza de um nome, ou as invejas maldizentes pelas primazias que se admiram e o desejo parvo dos que desejam levantar-se sobre ruinas magestosas, pódem erigir altares ás divindades rusticas dos gaulezes e apedrejar como os iconoclastas ao Jupiter de Phidias ou á Venus de Praxiteles.
A personalidade litteraria de Alexandre Herculano é hoje historica porque a posteridade apoderando-se de seu nome já o estampou no livro dos seculos."
(Excerto da Apreciação litteraria)
"No reconcavo da bahia que se encurva ao oeste do Calpe, Carteia, a filha dos phenicios, mira ao longe as correntes rapidas do estreito de devide a Europa da Africa. [...] Debaixo do governo de Witiza e de Ruderico a antiga Carteia é uma povoação decrepita e mesquinha, a roda da qual estão espalhados os fragmentos da passada opulencia, e que, talvez, na sua miseria, apenas nas recordações, que lhe suggerem esses farrapos de louçainhas juvenis, acha algum refregerio ás amarguras de malfadada velhice.
Não! - Resta-lhe ainda outro: a religião de Christo.
P presbyterio, sityuado no meio da povoação, era um edificio humilde, como todos que ainda subsistem alevantados pelos godos sobre o sólo de Hespanha. [...]
O presbytero Eurico era o pastor da pobre parochia de Carteia. Descendente de uma antiga familia barbara, gardingo na côrte de Witiza, tiuphado ou millenario do exercito wisigothico, vivêra os ligeiros dias da mocidade nos deleites de opulente Toletum. Rico, poderoso, gentil, o amor viera, apesar disso, partir a cadêa brilhante da sua felicidade. Namorado d'Hermengarda, filha de Favila duque de Cantabria, e irman do valoroso e depois tão celebre Pelagio, o seu amor fôra bem infeliz. O orgulhoso Favila não consentira que o menos nobre gardingo pusesse tão alto a mira dos seus desejos. Depois de mil provas de um affecto immenso, de uma paixão ardente, o moço guerreiro vira submergir todas as suas esperanças."
(Excerto de II - O Presbytero)
Alexandre Herculano de Carvalho Araújo (1810-1877). "Natural de Lisboa é, a par de Almeida Garrett, figura fundadora do Romantismo em Portugal. Historiador, ensaísta, ficcionista, jornalista, político, polemista e poeta na fase de juventude, estudou Humanidades, fez estudos práticos de Comércio, de Diplomática (Paleografia) e de línguas. Liberal, envolveu-se na revolta do Regimento de Cavalaria 4 (1831) contra o regime absolutista, o que o levou ao exílio em Inglaterra, depois em França. Em 1832 segue rumo aos Açores, para integrar o contingente de tropas leais a D. Pedro que vêm a desembarcar no Mindelo. Após a vitória foi nomeado bibliotecário na Biblioteca Pública do Porto (1833-36). Data desse período o texto relativo à situação da Literatura portuguesa em geral Qual o estado da nossa literatura? Qual o trilho que ela pode seguir? e Poesia - Imitação - Belo - Unidade publicados no «Repositório Literário» (1834-35). Já em Lisboa publica A Voz do Profeta (1836-37) com propósitos panfletários anti setembristas, funda e dirige «O Panorama», revista literária do primeiro romantismo português em cujas páginas dá à estampa O Bobo (1843 - em livro só em 1878) e O Pároco da Aldeia (1844) e dirige o «Diário do Governo». Nomeado bibliotecário-mor das bibliotecas da Ajuda e das Necessidades em 1839, desenvolveu intensa investigação documental que deu origem a História de Portugal (1846-53) e a História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal (1854-59). Foi deputado pelo Partido Cartista (1840-41) e, em 1856, integrou o grupo de fundadores do Partido Progressista Histórico. Entretanto havia-se batido contra a censura da imprensa (1850), escreveu e dirigiu jornais - «O País» (1851), «O Português» (1853). Entre 1860-1865 participou na redação do 1º Código Civil Português o que lhe valeu uma das grandes polémicas que manteve com o clero. Em 1867, casou-se e retirou-se para a sua quinta em Vale de Lobos (Santarém) dedicando-se à produção de azeite e trabalhando nos Portugaliae Monumenta Histórica."
(Fonte: https://acpc.bnportugal.gov.pt/colecoes_autores/n86_herculano_alexandre.html)
José Maria Velho da Silva (Rio de Janeiro, 1811-1901). "Foi um romancista, orador, poeta, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, mordomo da Casa Imperial, superintendente da Imperial Fazenda de Petrópolis e professor brasileiro. Segundo José Veríssimo, na sua História da literatura brasileira, pertenceu como poeta à primeira fase romântica brasileira, embora, como teórico fosse afeito ao estudo da retórica, vinculada à estética antecedente. É autor de um único romance, Gabriela (Rio, Imprensa Industrial, 1875), comparado às Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antonio de Almeida. A segunda edição é do ano seguinte. Sua extensa obra se divide ainda em livros didáticos, biografias, discursos e estudos variados. Foi nomeado conselheiro."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada, Sem capas de brochura. F. rosto alvo de restauro.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado, com pequenas falhas e defeitos.
Muito raro.
Com interesse histórico e bibliográfico.
Sem registo na BNP.
75€

19 janeiro, 2024

RIO, João do
(Paulo Barreto) -
AS RELIGIÕES DO RIO. Rio-de-Janeiro : Paris, H. Garnier, Livreiro-Editor, 1906. In-8.º (18,5x12 cm) de [10], 245, [1] p. ; 24, [2] p. Cat. Liv. Garnier ; B.
Trabalho pioneiro. Importante contributo para o estudo da feitiçaria, satanismo, do sobrenatural e das seitas religiosas no Brasil, e em particular no Rio de Janeiro. Em 1904 o jornalista João Paulo Barreto, que ficou mais conhecido como João do Rio, escreveu para o jornal carioca Gazeta de Notícias uma série de reportagens sobre as diversas manifestações religiosas que eram praticadas no Rio de Janeiro. No mesmo ano, foi publicado em livro, com curta tiragem, hoje muito raro. Em 1906 seguiu-se a presente edição, também ela rara. "Foi considerado um livro polémico, adorado por alguns e esconjurado por outros, por o considerarem irónico e preconceituoso".
Ilustrado no texto com "escalas" das Intonações, do Karma, da Fisiolatria, e lista de nomes esotéricos com as respectivas construções nominais.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao conhecido escritor e cronista português Albino Forjaz de Sampaio (1884-1949).
"A religião? Um mysterioso sentimento, mixto de terror e de esperança, a symbolisação lugubre ou alegre de um poder que não temos e almejamos ter, o desconhecido avassallador, o equivoco, o medo, a perversidade..
O Rio, como todas as cidades nestes tempos de irreverência, tem em cada rua um templo e em cada homem uma crença diversa.
Ao ler os grandes diários, imagina a gente que está ríum paiz essencialmente catholico, onde alguns mathematicos são positivistas. Entretanto, a cidade pullula de religiões. Basta parar em qualquer esquina, interrogar. A diversidade dos cultos espantar-vos-á. São swendeborgeanos, pagãos litterarios, phgsiolatras, defensores de dogmas exóticos, auctores de reformas da Vida, reveladores do Futuro, amantes do Diabo, bebedores de sangue, descendentes da rainha de Sabá, judeus, schismaticos, espiritas, babalãos de Lagos, mulheres que respeitam o oceano, todos os cultos, todas as crenças, todas as forças do Susto. Quem atravez a calma do semblante lhes adivinhará as tragédias da alma? Quem no seu andar tranquillo de homens sem paixões irá descobrir os reveladores de ritos novos, os mágicos, os nevropathas, os delirantes, os possuidos de Satanaz, os mystagogos da Morte, do Mar e do Arco-íris? Quem poderá perceber, ao conversar com estas creaturas, a lucta fratricida por causa da interpretação da Bíblia, a lucta que faz mil religiões á espera de Jesus, cuja reapparição está marcada para qualquer destes dias, e á espera do Anti-Christo, que talvez ande por ahi? Quem imaginará cavalheiros distinctos em intimidade comas almas desencarnadas, quem desvendará a conversa com os anjos nas chombergas fétidas.
Elles vão por ahi, papas, prophetas, crentes e reveladores, orgulhosos cada um do seu culto, o uniço que é a Verdade. Falai-lhes boamente, sem a tenção de aggredil-os, e elles se confessarão, - porque só numa cousa é impossível ao homem: enganar o seu semelhante, na fé.
Foi o que fiz na reportagem a que a «Gazeta de Noticias»| emprestou uma tão larga hospitalidade e um tão grande rindo; foi este o meu esforço: levantar um pouco o mysterio das crenças nesta cidade."
(Excerto do preâmbulo)
Índice:
[Preâmbulo] | No Mundo dos Feitiços: - Os Feiticeiros; - «As Iauõ»; - O Feitiço; - A Casa das Almas; - Os novos feitiços de Sanin; - A Egreja Positivista; - Os Maronitas; - Os Physiolatras. | O Movimento Evagelico: - A Igreja Fluminense; - A Igreja Presbyteriana; - A Igreja Methodista; - Os Baptistas; - A. A. C. M.; - Irmãos e Adventistas. | O Satanismo: - Satanistas; - Á Missa Negra; - Os Exorcismos; - As Sacerdotizas do Futuro; - A Nova Jerusalém; - O Culto do Mar. | O Espiritismo: - Entre os Sinceros; - Os Exploradores; - As Synagogas.
João do Rio (pseud. de Paulo Barreto - João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto) (1881-1921). "Jornalista, cronista, contista e teatrólogo, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 5 de agosto de 1881, e faleceu na mesma cidade em 23 de junho de 1921. Fez os estudos elementares e de humanidades com o pai. Aos 16 anos, ingressou na imprensa, notabilizando-se como o primeiro jornalista brasileiro a ter o senso da reportagem moderna, entre as quais se tornaram célebres “As religiões no Rio” e o inquérito “O momento literário”, ambas reunidas depois em livros ainda hoje de leitura proveitosa, constituindo o segundo excelente fonte de informações acerca do movimento literário do final do século XIX no Brasil.
Nos diversos jornais em que trabalhou, granjeou enorme popularidade, sagrando-se como o maior jornalista de seu tempo. Usou vários pseudônimos, além de João do Rio, destacando-se: Claude, Caran d’Ache, Joe, José Antônio José. Como homem de letras, deixou obras de valor, sobretudo como cronista. Foi o criador da crônica social moderna. Como teatrólogo, teve grande êxito a sua peça A bela madame Vargas, representada pela primeira vez em 22 de outubro de 1912, no Teatro Municipal.
Ao falecer, era diretor do diário A Pátria, dedicado aos interesses da colônia portuguesa, que fundara em 1920. No seu último “Bilhete” (seção diária que mantinha naquele jornal), escreveu: “Eu apostaria a minha vida (dois anos ainda, se houver muito cuidado, segundo o Rocha Vaz, o Austregésilo, o Guilherme Moura Costa e outras sumidades)...” Seu prognóstico ainda era otimista, pois não lhe restavam mais que algumas horas quando escreveu aquelas palavras.  Falecido dentro de um táxi, deu corpo ficou na redação de A Pátria, exposto à visitação pública. Seu enterro, dos maiores da história carioca, realizou-se com cortejo de cerca de cem mil pessoas. Na Academia Brasileira de Letras, que então ficava no Silogeu Brasileiro, na praia da Lapa, disse-lhe o discurso de adeus Carlos de Laet.
Segundo ocupante da cadeira 26, foi eleito em 7 de maio de 1910, na sucessão de Guimarães Passos, e recebido pelo acadêmico Coelho Neto em 12 de agosto de 1910. Recebeu o acadêmico Luís Guimarães Filho."
(Fonte: https://www.academia.org.br/academicos/paulo-barreto-pseudonimo-joao-do-rio/biografia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Raro.
85€

15 junho, 2023

ALMEIDA, Julia Lopes d' - A VIUVA SIMÕES
. Lisboa, Antonio Maria Pereira - Editor, 1897. In-8.º (16,5 cm) de 210, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Romance de costumes brasileiro cuja acção decorre no Rio de Janeiro. Originalmente saído dos prelos em livro pela mão do editor António Maria Pereira (Lisboa), foi anteriormente publicado como folhetim na Gazeta de Notícias (Rio, 1895). A obra da autora - Júlia Lopes de Almeida - insere-se na corrente literária do Realismo/Naturalismo, e foi "reconhecida pelos críticos coetâneos como a primeira romancista brasileira, uma profissional das letras".
"Em uma de suas obras mais relevantes, A viúva Simões, Júlia Lopes de Almeida enfatiza as prescrições às mulheres brasileiras, o que se dá pela representação de uma viúva e o ressurgir de uma paixão há tempos esquecida. Telles (2008) resume a narrativa dizendo que:
[...] temos mãe e filha da alta burguesia apaixonadas pelo mesmo homem.
No conflito, a mãe experiente e conhecedora das artes da sedução e a filha
inocente e ingênua, as duas enlouquecem e permanecem encarceradas nos
anseios e culpas de uma vida sem nenhuma perspectiva, a não ser a regra
social do casamento
(Telles, 2008, p. 438).
Conforme a estudiosa destaca, a transgressão da personagem acaba punida, revelando, portanto, o destino daquelas que ousavam transgredir os papéis impostos socialmente."
(Fonte: Guimarães, Cinara Leite - O espaço ficcional em narrativas de Júlia Lopes de Almeida: A viúva Simões e a Falência, João Pessoa, 2015)
"Apesar de moça e de rica, a viuva Simões raras vezes sahia; dedicava-se absolutamente á sua casa, um bonito chalet em Santa Thereza. Vivia sempre alli, inquirindo, analysando tudo n'um exame fixo, demorado, paciente, que exasperava os seus cinco criados: a Benedicta, cosinheira preta, ex-escrava da familia; o Augusto, copeiro, francez, habituado a servir só gente de luxo; a lavadeira Anna, allemã, de roasto largo e olhos deslavados; o jardineiro João, portuguez, homem já antigo no serviço, e uma mulatinha de quinze annos, cria de casa, a Simplicia, magra, baixa, com um focinho de fuinha e olhos pequenos, perspicazes e terriveis.
Não era facil dirigir pessoal tão differente em raças e em educação. A viuva, modesta, e um pouco indolente para os deveres exteriores, consumia alli, dentro das suas paredes, toda a sua actividade.
Em vida do marido frequentara algum tanto a sociedade; mas depois que elle partiu sósinho para o outro mundo, ella encolheu-se com medo que se discutisse lá fóra a sua reputação, cousa em que pensava n'uma obsessão quasi nevrotica.
Adquirira fama de menagère exemplar; e então levava o escrupulo a um ponto elevadissimo, para não desmerecer nunca do conceito de boa dona de casa."
(Excerto do Cap. I)
Júlia Lopes de Almeida (1862-1934). "Nasceu no Rio de Janeiro, a 24 de setembro de 1862, numa família de abastados imigrantes portugueses. Importante escritora, ativista pelo abolicionismo e cronista brasileira, teve uma educação liberal e esmerada. Em 1886, mudou-se para Lisboa e, no ano seguinte, já casada com o poeta português e diretor da revista A Semana Ilustrada Filinto Almeida, publicou o seu primeiro livro de contos, Traços e Iluminuras. Colaborou intensamente com diversas publicações periódicas sobre temas políticos e sociais, como a abolição da escravatura e os direitos civis, e, depois do seu regresso ao Brasil, para São Paulo, em 1889, publicou o seu primeiro romance, Memórias de Marta. Ao longo dos seguintes, Júlia Lopes de Almeida publicará alguns dos seus mais conhecidos romances, entre eles, A Falência. Nos primeiros anos do início do século, o casal mudou-se para uma casa no Rio de Janeiro, conhecida como Salão Verde, um espaço frequentado por intelectuais cujas conhecidas tertúlias eram organizadas e dirigidas por Júlia. Apesar de ter sido uma das impulsionadoras da criação da Academia de Letras Brasileira, viu, por ser mulher, o seu nome preterido da lista de membros-fundadores, em favor do marido. Em 1925, a família cruza novamente o Atlântico para se fixar em Paris. De regresso ao Brasil, Maria Júlia Lopes de Almeida, um dos nomes mais importantes do modernismo brasileiro, morre na sua cidade-natal, vítima de malária, a 30 de maio de 1934."
(Fonte: Wook)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação. Capa apresenta pequeníssima falha de papel no pé.
Muito raro.
75€

17 agosto, 2021

CHOMET, H. - GUIA THEORICA E PRATICA DAS MOLESTIAS VENEREAS.
Por...
Rio de Janeiro, Typographia Universal de Laemmert, 1857. In-8.º (17,5 cm) de 232 p. ; E.
1.ª edição.
Importante tratado oitocentista sobre a Sífilis, publicado pelo Dr. Chomet, reputado médico francês radicado no Rio de Janeiro.
"Logo depois de sua apparição no mundo a molestia de que se trata neste livro, recebeu não poucas denominações. Os povos que a julgárão importada de França, a chamárão Mal-Francez, Gallico. Aquelles que a considerárão como vinda de Napoles, lhe derão o nome Mal-Napolitano; e os Turcos, os Allemães, os Polacos, os Russos, alternativamente accusados e accusadores a chamárão por diversos modos.
O nome mais geralmente admittido foi o de Molestia Venerea. Esta denominação, por mais jjusta que seja, indica perfeitamente o acto venereo que lhe dá commummente a sua origem.
A palavra Syphilis é mais recente; e a palavra franceza Vérole não é mais que uma denominação justificada por alguns symptomas da molestia. [...]
A mesma sombra que envolve a origem de muitas molestias contagiosas, envolve tambem a origem desta. A opinião de não poucos autores é que esta molestia existe desde a mais remota antiguidade. [...]
Na época de que tratamos, parece incontestavel que a molestia hoje chamada venerea não appareceu com os symptomas identicos ao que ella apresenta agora. E isso não é de admirar, porque nessa época, a civilisação estava pouco adiantada, os costumes, os usos, a falta de asseio, as doenças da pelle havião de ter uma grande influencia sobre o curso e o resultado desta molestia."
(Excerto de Considerações geraes sobre a Syphilis)
Joseph Antoine Hector Chomet (1808-187?). Médico, insurgente, escritor e cantor amador. Nasceu em 17 de Março de 1808 em Moulins, (Allier), França. Completou os seus estudos em Paris, defendendo uma tese sobre rinoplastia (1832). Nos anos seguintes publicou diversos tratados académicos. Após o golpe de 1851 que pôs fim à Primeira República Francesa, e que conduziu à restauração imperial em favor de Luís Napoleão (Napoleão III), sobrinho de Bonaparte, Chomet foi acusado de insurrecto e liderar sociedades secretas de inspiração socialista. Foi condenado ao desterro na Argélia. Pode, no entanto, escolher o exílio voluntário na Suíça; posteriormente esteve na Bélgica, e finalmente no Brasil, onde se estabeleceu no Rio de Janeiro. Aí continuou a exercer medicina e tornou-se membro da Academia Imperial de Medicina do Rio de Janeiro. Publicou diversos trabalhos em português, incluindo o presente. Mais tarde retornou a França, para a sua cidade natal. Em 1872, ainda morava em Moulins.
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado, com os rebordos das pastas desgastados.
Muito raro.
Sem registo na BNP de Lisboa.
50€

18 dezembro, 2020

SALAMONDE, Eduardo - BORDALLO PINHEIRO. Rio de Janeiro, [s.n. - Typographia Aldina, Rio], 1899. In-8.º (18,5 cm) de 48, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Folheto mandado imprimir por um grupo de amigos de Rafael Bordalo Pinheiro residentes no Rio de Janeiro, pretendendo desta forma homenagear o homem e o artista.
A obra divide-se em duas partes, sendo a primeira dedicada a Bordalo Pinheiro, o caricaturista - e a segunda, a Bordalo Pinheiro, o oleiro, com alusões históricas à indústria das Caldas.
Ilustrado com um retrato do homenageado em página inteira.
"Eça de Queiroz e Bordallo Pinheiro parecem ser os mais claros e poderosos representantes da arte portugueza ao findar este seculo febril, em que a nivelação das intelligencias, o derramamento da cultura, a aproximação cada vez mais intima dos corações e dos cerebros vão desnacionalizando a arte, dando a todas as expressões de sensibilidade e de pensamento como que um unico typo de emoções e de idéas. [...]
Ora, em Portugal um dos dois grandes homens, que comprehenderam o povo, que sentiram a sua tradição, que a accomodaram ás exigencias do seculo, que lhe descobriram os grande veios emocionaes, que deram á obscuridade da sua força productora a fascinação de uma admiravel renascença, foi Raphael Bordallo Pinheiro.
Quando ha vinte annos nos deixou, elle era simplesmente, mas inimitavelmente, um caricaturista."
(Excerto do Cap. I, O caricaturista)
"A esse sentimento da tradição, profundo em Raphael Bordallo Pinheiro, se deve o renascimento da industria ceramica das Caldas, de que tão curiosos vasos, tigelas, pucaros, malgas, infusas e panellas, com o seu relevo tão vivo e o seu esmalte tão alegre, attestavam a excellencia do barro e o gosto dos antigos oleiros. A região das Caldas é de velha data um viveiro de obscuros artistas, em que a aptidão technica e o senso profissional se desenvolvem, tornando-se como innatos, á força de passar de pais a filhos, no correr de seculos, esse officio da fabricação de louça. [...]
Dar alento a uma industria que modorrava; crear uma grande fonte de actividade e de producção; estabelecer ao mesmo tempo com essa manufactura de tanto prestimo e tão superior belleza um fóco de alta educação artistica."
(Excerto de O oleiro)
Encadernação editoria em percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior.
Exemplar em bom estado de conservação. Sem f. anterrosto.
Raro.
Sem registo na BNP.
Com interesse bordaliano.
Peça de colecção.
Indisponível

17 agosto, 2020

MAIA, José Joaquim Rebello - ROMA E O ESPIRITISMO. Opusculo dedicado ao Rmo. Sr. Prior da Parochial Igreja de Santa Justa da Cidade de Lisboa. Com uma carta preambular  ao Exm. Sr. Conselheiro Saldanha Marinho. Por... Questão Religiosa. Rio de Janeiro, Typ. do - Globo - Rua dos Ourives n. 51, 1877. In-8.º (18,5 cm) de 84 p. ; B.
1.ª edição.
Ensaio sobre as questões doutrinárias que separam o Catolicismo do Espiritismo. O autor dedica a obra ao Prior de Santa Justa (Lisboa), que terá "tratado rudemente" a memória de seu irmão, o médico Ayres Maia, no seu enterramento civil.
"Entre duas idéas oppostas que se debatem para uma dellas ser verdadeira deve a outra necessariamente ser falsa; assim a affirmativa da existencia do inferno que a igreja catholica sustenta está em opposição a essa mesma existencia que o Espiritismo refuta.
Préga a igreja a necessidade do eterno castigo da culpa como co-relação do premio da virtude tambem eterno. Nega o Espiritismo a eternidade desse castigo como monstruosa desilgualdade entre a punição e o crime, porque desigualdade não seria justiça, e sustenta a eternidade do premio como principio do sublime attributo do amor e da bondade infinita do Creador.
Examinemos, pois, estas doutrinas diametralmente oppostas, esta questão que é nossa, que mais do que nenhuma outra interessa ao nosso futuro, e vejamos se a luz da razão illuminando o quadro poderá mostrar-nos de qual dos dous lados se eostenta o brilho da verdade."
(Excerto do Cap. I, A queda dos anjos e o inferno)
Matérias:
Carta preambular  ao Exm. Sr. Conselheiro Saldanha Marinho. | Dedicatória ao Rmo. Sr. Prior da Parochial Igreja de Santa Justa da Cidade de Lisboa. | A meu irmão o Sr. Diogo Maia. | I - A queda dos anjos e o inferno. II - Creação do Mundo. | III - A reincarnação e o premio eterno.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel.
Raro.
Indisponível

18 maio, 2020

LEÃO. Poema organizado por um grupo de admiradores. Rio de Janeiro, Typ.-Lyth. Steele, Mattos & Cia., 1924. In-4.º (24 cm) de 26, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Homenagem poética a um cão - o Leão - organizada por um grupo de admiradores cariocas do animal.
Livro insólito, raro e muito curioso, por certo de curtíssima tiragem.

"Era bello e sagaz: chamava-se Leão.
Um homem se não foi, foi mais do que isso - um cão.
Tinha o pello amarello, espesso e luzidio,
Sem muito crêspo ser, nem muito corredio.
Por cauda, um mero côto em forma de pincel,
Servindo, oh paradoxo, ás vezes de painel.
As orelhas pendendo ao longo do focinho,
Juntavam-se com este em gracioso alinho.
A fronte soberana, augusta, magestosa,
Ridicula tornava a humana portentosa.
E tudo que possue de bello a natureza
Ali se resumia em rara singeleza,
Pendendo d'ella, austero, aos olhos entreposto,
Não um focinho, não!... mas um formoso rosto
Que, certo estou, faria arder de grande inveja,
A muitos ou, até, quem sabe... Salvo seja!..."

(Excerto do poema)

Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Apresenta pequena mancha de humidade junto ao corte lateral, visível apenas nas primeiras folhas.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional de Lisboa e na BN do Rio de Janeiro.
Peça de colecção.
Indisponível

04 agosto, 2019

CONCEIÇÃO, Antonio Pereira da - ROTEIRO DE CABO FRIO ATÉ AO PORTO DE SANTOS. Por... Porto, Typ. de Alexandre da Fonseca Vasconcellos, 1875. In-8.º (20,5 cm) de 22, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso roteiro técnico, descritivo de todos os pontos marítimos relevantes entre Cabo Frio (Rio de Janeiro) e Santos (São Paulo). Inclui uma pormenorizada descrição do porto do Rio de Janeiro e as suas particularidades, bem como os conselhos do autor para uma correcta entrada no Porto.
"Cabo Frio - É um promontorio bastante elevado, tendo da parte do Sudoeste a ilha do mesmo nome; por esta circumstancia fórma entre o continente e a ilha da parte do Noroeste um bom ancoradouro, abrigado de todos os ventos excepto do Nordeste."
(Cabo Frio)
"Chegando o navio de noite, não havendo a bordo pessoa bem conhecedora do porto do Rio de Janeiro, é prudente dar fundo em frente ao Pão de Assucar, isto é É. O. com elle, para pela manhã ir para dentro coma briza do mar, porque muitas vezes a corrente sendo contraria á maré, faz desgovernar o navio no lugar mais perigoso, que é entre a Fortaleza de Santa Cruz e o forte do Lage."
(Para se entrar no Porto do Rio de Janeiro)
Matérias:
 - Cabo Frio. - Cano Negro ou Ponta Negra. - A Gavia. - Pão de Assucar. - Farol da Ilha Raza. - A Ilha Redonda. - Para se entrar no Porto do Rio de Janeiro. - Ilha da Marambaia. - Bahia da Ilha Grande. - Ilha de S. Sebastião. - Estreito de S. Sebastião. - Os Alcatrazes. - Santos. - Para se entrar em Santos. - Barra de S. Vicente. - Queimada Grande.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Possui apenas a capa frontal, simples e lisa.
Raro.
A BNP dispõe de apenas um exemplar no seu acervo, em "mau estado", com acesso restrito.
Indisponível

23 maio, 2019

THOMAZ, M. - ELOGIO // DE // RENATO DUGUAY // TROUIN, // TENENTE GENERAL // DAS ARMADAS NAVAES DE FRANÇA, // COMMENDADOR DA ORDEM REAL MILITAR // DE S. LUIZ, // Por M. THOMAZ, // Traduzido da lingua Franceza, com todas // as Notas, e huma Advertencia Proemial // do Traductor, que em parte póde ser- // vir para exame da Obra, // POR HUM HOMEM DE MAR, //Em Lisboa anno de 1774. // Discurso, que ganhou o premio da Academia // Franceza em 1761. // LISBOA // NA REGIA OFFICINA TYPOGRAFICA. // ANNO MDCCLXXIV. // Com licença da Real Meza Censoria. In-12.º (15cm) de LXXX, 114, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Tradução da biografia militar de René Duguay-Trouin (1673-1736), corsário francês ao serviço do monarca Luís XIV - o Rei Sol -, cujo maior feito de armas terá sido a conquista do Rio de Janeiro em Setembro de 1711, e que nesta obra é tratado com o devido relevo. O autor, Antoine Léonard Thomas (1732-1785), relata a vida do almirante francês através de uma narrativa pejada de incongruências e inverdades, só explicada por manifesto desconhecimento dos factos (ou sabujice).
Gaspar Pinheiro da Câmara Manuel (1766-1791), o Homem de mar que assina a tradução, é um experimentado oficial da marinha de guerra portuguesa, que corrige e "desmascara" com algum humor o Elogio. A sua Advertência proemial é uma lição de história, bem como as notas e referências históricas que preenchem parte substancial da tradução da obra.
"A maior acção, que se confiou a Duguay Trouin, e de que o Orador faz o mais relevante apreço, foi o ataque, e tomada do Rio de Janeiro: facção sempre memoravel, e conseguida na verdade com poucas forças, porém reduzida a fabula no elogio. Bastava escrever tudo o que se soubesse, e se presumisse do valor, prudencia, e disciplina daquelle Capitão; porém não contar trezentos canhões combinados para a defensa da entrada do Rio de Janeiro, aonde certamente não havia sessenta para este fim. Sete Náos, que servião de barreira ás Fortalezas, sendo sómente quatro, e desarmadas. Suppôr a Ilha das Cobras fortificada em 1711, quando a primeira pedra da sua fortificação foi lançada pelo Brigadeiro José da Silva Pais, que em 1736 partio de Lisboa para delinear as fortificações daquella parte da America."
(Excerto da Advertencia proemial)
Encadernação recente em meia de pele com cantos, e ferros gravados a ouro na lombada.
Livro em bom estado de conservação. Não possui errata (v. exemplar digitalizado da Biblioteca Nacional do Brasil), antes uma folha em branco, parte do livro, que nos leva a crer, salvo melhor opinião, ter saído dos prelos como está, sem emendas.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
750€

31 janeiro, 2019

CUPERTINO DE MIRANDA, António - OS ÓRFÃOS DA GUERRA. [S.l.], Rio de Janeiro, 1918. In-8.º (20cm) de 15, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Discurso de António Cupertino de Miranda proferido pouco tempo após o armistício a favor da escolas para os orfãos de guerra patrocinadas pela Colónia Portuguesa do Rio de Janeiro.
"Ao lembrar-me do motivo e do momento (e trago-os sempre na memória) que congraçaram a colónia portuguesa, na espontaneidade mais simpática e mais honrosa dum movimento colectivo, eu vejo os nossos heróicos soldados, garbosos no viço dos seus anos e nos entusiasmos do seu coração, a caminho do campo da luta, a enfrentar a soberbia de um inimigo poderoso e aguerrido.
Naquele momento triste do adeus à Pátria, a um pedido piedoso correspondeu uma promessa formal e sagrada.
Eram os velhos arrimados a seus bordões, eram as mães que ficavam sem amparo, eram as esposas conduzindo pela mão as criancinhas, eram as noivas que viam enublar-se de tristeza infinda o doirado castelo das suas esperanças - que acorreram à praia e alongavam os olhos saudosos e tristes pelo Atlântico além, vendo desaparecer, Deus sabe até quando, Deus sabe se para sempre, aquela mocidade radiosa, sadia e forte, que dava vida e enchia de alegria a doce e bucólica terra portuguesa."
(Excerto do discurso)
António Cupertino de Miranda (1886-1974). "Nasceu em 21 de janeiro de 1886, em Famalicão, segundo filho duma família de proprietários agrícolas, partiu para o Brasil em 1915, por motivos políticos, lá permanecendo por mais de 30 anos. Exerceu a atividade de professor, dedicou-se ao jornalismo. A partir de 1918, começou a sua atividade de representação e procuradoria. Assumiu o papel de delegado da Casa Bancária Cupertino de Miranda & Cª, como secretário geral do Banco Aliança no Brasil. António Cupertino de Miranda desenvolveu um papel decisivo no tecer da rede de negócios que abrangeu os dois lados do Atlântico, tendo contribuído significativamente para o processo de acumulação de capitais que estiveram na base do Banco Português do Atlântico. Regressa a Portugal a 7 de agosto de 1948, com 62 anos."
(Fonte: http://www.facm.pt/facm/facm/pt/fundacao/antonio-cupertino-miranda)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo da BNP ou de qualquer outra fonte bibliográfica.
Indisponível