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21 setembro, 2026

ROSA, Marques - TRES MULHERES (novelas historicas). Prefácio de Julio Dantas. Lisboa, Depositaria a Empreza Portugal-Brazil [Composto e impresso na Tip. do Instituto - Sernache do Bonjardim], [1921]. In-8.º (17x11,5 cm) de [4], 203, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de três novelas históricas tendo como protagonistas, cada uma delas, uma mulher "lendária" em diferentes épocas da história nacional, reportando a primeira à lenda de Gonçalo Hermigues, o Traga-Mouros, cavaleiro templário, companheiro de armas de D. Afonso Henriques, e a sua amada Oureana (Fátima). Livro interessante, de leitura agradável.
Ilustrado com três bonitas capitulares, uma por novela.
Inclui no final um glossário dos termos antigos utilizados pelo autor.
"Do alto do minarete da masejad (mesquita) de Al-Kassr-bun-abu-Danés (Salatia, Urbs Imperatoria - Alcacer do Sal) o muezzin debruçado nos balustres, rodeando a bôca escancarada com as mãos em campânula, lançou o apêlo, gritado na sua lingua, vagaroso e cantante:
«Só Deus é Deus e Mahomét o seu profeta: - Orai.»
Como se apenas esperasse que os ultimos écos do brado se apagassem, ondulando pelas quebradas do rio e pelos recôncavos da várzia, o sol espreitou por cima das cumiadas da Serra das Chagas e da Serrinha os corucheus da mesquita e dirigiu para as glaucas e arrepiadas aguas do Chetawir (Sado) as primeiras flechas de luz.
N'este comenos desaportilhou-se lentamente, com estrépito de trancas e guinchos de roldanas, a porta de ferro aberta ao Leste da muralha; e uma alegre cavalgada irrompeu e serpeiou, descendo a congosta que vinha dar á veiga extendida a montante do rio, ao Norte e ao Oriente da povoação.
Mancébos e donzelas, a jovial mocidade da opulenta capital de Al Kassbr vozeavam, parolavam, trocavam salamaleks e cortesias, vibrando o ar ambiente de ruidos d'estribilhos e saturando-o de perfumes de laranjeira e nardo. [...]
Acoudelava a turba das mulheres, a filha do kaid d'Al Kassr.
Quinze anos. Estatura esbelta. Busto onduloso. Contornos amplos. Na côr mate da pele a bôca fendia-se curta, abrindo os lábios rubros sobre os dentes pequeninos, brancos de nacar. [...]
Em tôrno d'ela agruparam-se os moços almuades enamorados e volteiros.
E a joven castelã ria d'êles, com um riso sonoro e soluçado, desnorteando-os com a sua irónica desenvolvura."
(Excerto de Fátima)
"Na sexta feira 17 de janeiro de 1578, o senhor bispo conde D. Manuel de Menezes voltou-se a meio na grande cadeira de jacarandá com o assento e o alto espaldar de coiro lavrado de Córdova, tauxiado de prata. Acomodôu sôbre as rebeldes farripas de cabêlo já grisalho, o solideu roxo. Sofraldou um pouco a samarra e puxou de leve os cordões da murça.
Antes de falar, fixou sucessivamente a queixosa e o arguido. Depois tornou a medir com o olhar a queixosa.
Era ela uma destas criaturas de idade imprecisa, tanto aparentando 25 como 40 anos, que nunca tiveram ao menos aquêle período de frescura que caracteriza os primeiros tempos seguintes á puberdade.
Não tinha contornos.
Toda a figura era angulosa, dura de linhas, espalmada. [...]
Era esta criatura filha do grande matemático Pedro Nunes, lente de Prima nos Estudos Gerais de Coimbra."
(Excerto de Guiomar)
"Acabára tempestuosamente a refeição da manhã.
Tinham as madres do convento de Santa Clara de Vila Real começado apenas a dispersar do refeitório para o lavabo erguido com a sua dupla concha no claustro, quando a garria de bronze entrou de tanger a capítulo.
Em volta do tanque, as freiras dividiram-se imediatamente em dois bandos. As mais velhas, com as mãos metidas nas mangas dos habitos cinzento, sorriam irónicamente. As mais novas e as noviças, torcendo as mãos brancas, quasi diáfanas, cheias de aneis, e gesticulando com violencia, batiam de quando em quando o lagêdo polido com os sapatinhos de tacão de perdiz, altos tacõis pintados de vermelho, fivelados de oiro ou prata com pedras preciosas, e arremessavam para a nuca os veus negros da Regra."
(Excerto de Soror Clara)
Índice:
Fátima. (Século XIII) | Guiomar. (Século XVI - 4.º Quartel) | Soror Clara. (Século XVIII - 1.º Quartel).
Policarpo Marques Rosa (1864-1927?). "Natural de Pederneira, Nazaré. Ilustre filho adoptivo de Alvaiázere. Apesar de não ter nascido no concelho de Alvaiázere, adoptou Alvaiázere como sendo a sua terra natal, pois foi aqui que viveu a maior parte da sua vida. Desempenhou vários cargos, entre eles, presidente do Senado Municipal, Administrador do Concelho de Alvaiázere, Director do Hospital e do Grémio Alvaiazerense, durante a Primeira República.
Como activista republicano fundou, na vila de Alvaiázere, os semanários “O Combate” e o “Pátria Livre”, dos quais foi seu director e seu principal redactor, sendo colaborador nos semanários “A Voz da Justiça” e “Gazeta da Figueira”, ambos da Figueira da Foz.
Marques Rosa foi um escritor erudito, escreveu vários romances históricos sobre diversas personagens de épocas diferentes, o que o obrigou a fazer muita investigação no Arquivo Nacional/Torre do Tombo, Lisboa. No entanto, o seu estilo literário na época estaria muito longe do modernismo emergente, pois estava muito próximo dos escritores Júlio Brandão e em particular de Júlio Dantas.
Este nosso conterrâneo foi um nome sonante no seu tempo, viveu uma vida intensa e multifacetada, foi um republicano convicto, advogado, notário, solicitador, arquitecto, politico, investigador, escritor, prosador, ensaísta, jornalista e poeta."
(Fonte: https://terrasdaribeirinha.wordpress.com/category/policarpo-marques-rosa/)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

15 fevereiro, 2024

GUERRA, A. A. -
QUATRO ANNOS ENTRE OS FRADES.
Entre dois fanatismos. (Memorias ligeiras do convento). Nazareth, [Edição do Auctor], Composto e impresso na Typographia Freire, 1911. In-8.º (22x14 cm) de [8], 68, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Memórias do autor relativas à sua passagem pelo colégio franciscano de S. Bernardino, anexo ao convento do mesmo nome em Atouguia da Baleia, Peniche, e por fim, no último de quatro anos, em Montariol, Galiza - Espanha, "internamento" decidido por seus pais que muito o contrariou, e que o autor resume em poucas palavras: "entregue pelo fanatismo d'um pae ao fanatismo d'uma comunidade".
Obra de forte pendor anticlerical, publicada na Nazaré, pouco tempo após a instauração da República. Com indubitável interesse para o conhecimento do viver juvenil em colégios do género na época.
Com dedicatória (impressa) ao "Eminente tribuno e illustre ministro da Justiça sr. Dr. Affonso Costa."
"A ninguem melhor do que V. Ex.ª poderia ser dedicado um livro d'esta natureza [...] porque o assumpto de que trata tem uma certa ligação com acontecimentos de que V. Ex.ª foi o principal protagonista. Refiro-me ao acto nobre e patriotico que honra sobremaneira V. Ex.ª, de pôr em debandada esse bando negro de abutres, ramifivado em frades e jesuitas, que tinha por missão nefanda embrutecer os espiritos, abusando de consciencias simples e inocentes, e por aspiração unica uma futura prepotencia espiritual que lhe collocasse nas mãos os cofres das victimas, depois de asselvajadas pela uncção hypocrita das suas praticas religiosas."
(Excerto de Dedicatoria-Prefacio)
"Era em 1898. Eu tinha 10 annos de edade.
Habilitado para o exame d'instrucção primaria, estava prestes a fazel-o, quando um incidente por que eu certamente não esperava m'o veio addiar para tempo indeterminado.
O incidente deu-se da seguinte forma: Eu tinha notado que meu pae trocava, havia já tempo, uma especie de correspondencia mysteriosa com um ser qualquer, visto que elle ia levar as cartas ao correio e a mim me mandava procurar as respostas, missão para que julgava não serem necessarias precauções, porque eu não teria o atrevimento de lhe apresentar as cartas já sciente do seu conteúdo.
Eu andava dominado d'uma intensa curiosidade por saber do que se tratava, mas não encontrava meio de satisfazel-a. Reflectindo um dia que minha mãe poderia estar a par do que acon tecia, fui ter com ella e sem hesitações nem rodeios pedi-lhe me desvendasse o  mysterio.
- Isso são negocios de teu pae com que nada tenho e portanto não sei do que se trata.
Mas o sorriso com que ella acompanhou estas palavras era um desmentido formal á sua pretendida ignorancia, e eu continuei a instar, a ver se apurava alguma coisa.
- Olha, não tenho tempo de te aturar! foi a resposta que me deu... [...]
Os echos das lides campestre rumorejavam na sua monotonia fastienta pelas campinas recem-trabalhadas dos labores de fim de verão. [...]
Pois foi n'um d'esses dias que eu deixei o ninho meu paterno para encetar uma vida de peripecias que se poderiam muito bem romancear. Não tenho, porem, esse intuito. São isto apenas memorias singelas e despretenciosas, e os factos que apresento são verdadeiros, podendo eu autentical-os com testemunhos de companheiros meus, cujo paradeiro não ignoro."
(Excerto de I - Para o convento)
Indice:
Dedicatoria-Prefacio | I - Para o convento. II - Primeiros dias de collegio. III - Tentativas de fuga. IV - Novos horisontes. V - Humildade ou humilhação? VI - Educação scientifica. VII - Educação religiosa. VIII - Disciplina. IX - O decreto de 1901. X - Derradeira tentativa.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
45€

25 dezembro, 2021

SILVA, José Lucas da - A SENHORA DA NAZARETH.
Historia da Imagem desde a sua vinda da Palestina até ao presente, accrescentada com muitas notas historicas, uma pequena noticia da villa da Pederneira, do sitio e templo da Nazareth e com a origem do cirio da Prata Grande. Por...
Mafra, Typographia Mafrense, 1892. In-8.º (19 cm) de 62, [4] p. ; C.
1.ª edição.
Importante subsídio para os anais de Nossa Senhora da Nazaré (e sua imagem), bem como a lenda a ela associada.
Obra sobejamente citada sobre o tema, com relevância histórica para a castiça vila piscatória.
Raro, e interessantíssimo opúsculo, onde a lenda se (con)funde com a história, enriquecido com extensa bibliografia, comentários e notas do autor.
"Possuindo nós, de muitos annos, um manuscripto antigo, que trata dos varios successos relativos á imagem a Senhora da Nazareth, desde a sua origem e vinda da Palestina, do seu apparecimento em Portugal nas costas do oceano, junto á villa da Pederneira, e ainda das alternativas porque, durante a invasão franceza, a mesma imagem passou, até ser finalmente restituida ao seu templo da Nazareth; e achando o mesmo manuscripto assaz curioso, concebemos logo a idea de o darmos á luz da publicidade, ampliando-o quanto possivel nos fosse."
(Excerto do preâmbulo - Duas palavras ao leitor)
"Nada ha que nos indique d'um modo positivo a origem ou principio da veneranda imgem da Senhora da Nazareth. Todavia, é tradição mui antiga e de constante fama que já, no tempo do apostolos, ella era reverenciada na cidade da Nazareth, na Palestina, como modelo da Virgem, Mãe de Deus, nascida na mesma cidade.
Se tomarmos, pois, na devida consideração uma noticia que, no deccorrer dos seculos, tem vindo de bocca em bocca até nós, pois que não temos outros argumentos com que possamos fundamentar este assumpto, devemos acreditar que a imagem da Senhora fòra produzida n'aquella cidade da Galiléa, cuja denominação tomara no primeiro seculo da nossa era, e que na mesma cidade ficara «com  muito culto do devotos christãos da Palestina» até ao 4.º seculo, em que «se levantou, no Oriente, uma grande heresia contra a veneração das imagens.»."
(Excerto do Cap. I - Antiguidade da imagem da Senhora)
"Era pelos annos de 1182, aos 14 do mez de setembro, - dia em que a egreja celebra a exaltação da santa cruz. - A  manhã, que havia rompido soturna, conservava-se obscurecida pela grande cerração que ordinariamente se levanta do mar. Nada se distinguia, a não ser a curta distancia. D. Fuas Roupinho, montado em fogoso ginete, prepara-se com os seus famulos e monteiros para a sua habitual diversão. Depois de algum tempo de cavalgada, tendo chegado á matta de Pataias, que era muito abundante em caça, especialmente em caça grossa, afigurou-se-lhe descobrir um veado ou cousa semelhante. Lançou-se logo em sua perseguição, sem prever sequer o perigo, persuadido, como estava, de que, deante de si, se extendia terra firme; mas, como a densidade da neblina o não eixasse divisar o ponto para onde corria, inesperadamente se achou na extremidade de uma rocha muito estreita e saliente, como que suspensa sobre o abysmo do oceano.
Em risco tão imminente, sem ter já onde firma o cavallo, prestes a despenhar-se e a ser engullido pelas ondas, lembrou-se, de supito, D. Fuas, de implorar a protecção da Virgem Nossa Senhora, cuja morada alli perto se achava. Com effeito, valeu-lhe ella de tal modo que o impaciente animal, empinado nas patas trazeiras, estacara momentaneamente na ponta do penedo, immovel, qual estatua de pedra."
(Excerto de A Senhora livra a D. Fuas da morte)
Matérias:
Duas palavras ao leitor. | I - Antiguidade da imagem da Senhora. - Grande heresia, no Oriente, no 4.º seculo da era christã. - Vinda da imagem da Palestina para o mosteiro da Cauliniana em Hespanha. II - Invasão da peninsula pelos mouros. - Derrota dos christãos na batalha de Guadalete. - D. Rorigo no mosteiro da Cauliniana. - Sahida de Castella, do rei e do monge romano com a imagem. - Sua estada no  monte Seano, onde vivem algum tempo. III - Partida do monge para as costas do oceano. - Sua retirada com a imagem para uma gruta. - Sua vida no deserto. IV - Revelação ao monge Romano da sua mote. - Algumas palavras sobre o assumpto. - Suas ultimas vontades. - Retirada de D. Rodrigo para Vizeu, onde está sepultado. - Recapitulação. V - Caracter guerreiro de D. Affonso Henriques. - Suas conquistas aos mouros. VI - D. Fuas Roupinho. - Descoberta da imagem da Senhora na gruta. - Descripção da imagem. - A Senhora livra a D. Fuas da morte. - Ermida da memoria - Fama do milagre succedido. - D. Affonso Henriques visita a imagem. - Edificação do templo por D. Fernando 1.º - Melhoramentos feitos no mesmo templo e na ermida. VII - Invasão franceza e causas que a determinam. - Insurreição dos povos do norte do paiz contra o governo intruso. - Os povos da Nazareth seguem este exemplo. - Calamidades porque passam, não escapando o templo a Senhora, cuja imagem desapparece. - Encontro e collocação da imagem no seu logar. VIII - Terceira invasão. - O reitor da collegiada consulta os governadores do reino. - Sahida da imagem para o sitio do Pendão. IX - Chega ao conhecimento dos governadores onde está a imagem. - Sua conducção para a real capella de Queluz. X - Restabelecimento da paz em Portugal. - Restituição da Imagem á sua real casa - Festejos em Queluz e freguezias do transito. - Sua entrada triumphal no templo da Nazarth. - XI - Satisfação aos leitores. - Fundação da freguezia e villa da Pederneira. - Praia e sitio da Nazareth. - Templo da Senhora. - Romarias ou cirios que todos os annos vão á Nazareth. - É convidado o leitor a gosar dos festejos. - Como Julio Cesar Machado os descreve. - Origem do cirio da «Prata Grande» e razão porque a Egreja Nova é cabeça d'este cirio. XII - Juncção de 17 freguezias, formando uma confraria. - Do respectivo compromisso. - Fins da confraria e ordem porque as mesmas freguezias se congregamXIII - Brve resenha do que, do compromisso, mais se prende com o que ainda hoje se observa. - Conclusão.
Encadernação cartonada com capa de brochura aposta na pasta frontal.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Mancha de humidade antiga, no pé, atinge primeiras folhas o livro.
Raro.
Com interesse histórico.
45€

23 janeiro, 2020

SANTOS, Luís Quaresma dos - OBSERVAÇÕES DE ONDAS INTERNAS NÃO-LINEARES GERADAS SOBRE O CANHÃO SUBMARINO DA NAZARÉ. Tese de Mestrado em Ciências Geofísicas - Oceanografia (Universidade de Lisboa). Lisboa, Academia de Marinha, 2007. In-4.º (24 cm) de 102, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Tiragem: 200 exemplares.
Estudo académico, de tiragem reduzida, sobre o famoso "canhão da Nazaré", responsável pelas magníficas ondas gigantes que atraem ao nosso país surfistas e curiosos de todo o mundo.
Muito ilustrado a p.b. e a cores, com 51 figuras no texto, entre desenhos esquemáticos, gráficos, mapas, fotografias, imagens de satélite, etc.
"De entre uma dezena de canhões existentes na margem continental portuguesa, o da Nazaré é sem dúvida o mais imponente. Para além de ser um dos maiores do mundo, ele rasga por completo a plataforma continental, perpendicularmente à costa, e estende-se por mais de 220 km. A Norte do canhão a plataforma é estreita (40-50 km) e plana, com um declive médio da ordem de 0.3%. A Sul do canhão a plataforma torna-se ainda mais estreita e menos profunda, apresentando-se confinada pelo Cabo Carvoeiro (Peniche) e as Ilhas das Berlengas.
Sendo um gigantesco acidente topográfico, o canhão da Nazaré desempenha um papel preponderante na circulação regional das massas de água. As suas características favorecem o transporte de massa e energia entre as regiões das plataformas interna e o oceano profundo. A configuração de eixo do canhão promove a convergência da energia baroclínica e a divergência da energia barotrópica. Como resultado observa-se a propagação de uma maré interna de grande amplitude ao longo do seu domínio interno, assim como uma redução da amplitude da maré junto da costa da Nazaré."
(Excerto da introdução)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Esgotado.
25€

01 junho, 2018

MACATRÃO, Armando Salles - EXPRESSÕES DA NAZARÉTH. [S.l.], Edição do Autor [Execução técnica: Tipografia Ocidental, Viseu], 1988. In-8.º (20,5cm) de 163, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para o estudo linguístico e histórico sobre a linguagem popular da Nazaré, através das "expressões idiomáticas" empregues quotidianamente pelo povo desta antiga vila piscatória.
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"O povo da Nazaré é um documento vivo. Fácil de consultar. Ao dispor de todos, em todos os dias do ano: uma capa negra, um olhar de soslaio; um modo diferente de sentar à porta ao cair da tarde; uma ruga que conta mil histórias, mil desgostos; aquele sabor amargo de se ter perdido alguém querido que já não é substituído - nem pode ser; alguém a quem o mar chamou a si como seu.
Documentos ao nosso alcance. Todos os dias.
Só que é preciso ter dedos delicados para virar essas páginas. Dedos carinhosos que não magoem nem demonstrem pressa e que saibam passar para o papel (para o eterno) todas as letras, frases, insultos, pragas, ralhos, etc., etc., que enriquecem este povo que é o povo da Nazaré."
(Excerto da apresentação, retirada da contracapa)
"Escrever sobre a Nazaré não é fácil e mais difícil se torna quando se quer tratar um tema específico como é aqui o caso da linguagem. Para tal é necessário, acima de tudo, ser nazareno, isto é, ter lá nascido e vivido, pois só assim se pode entender o seu modo de pensar, bem como o verdadeiro significado dos seus ditos, inchents, alborques, pragas, etc. Na Praia pensa-se duma maneira, no Sítio doutra, e na Pederneira diferente das outras duas."
(Excerto da dedicatória)
"Não foi sem motivos que me dediquei a fazer o levantamento das expressões da Nazaré, mas foi por acaso que tal ideia surgiu. Tudo começou no Verão de 19982 enquanto conversava com colegas na esplanada do Café Tá-Mar. Perante alguns termos e frases locais, porque é habitual entre nazarenos falar desse modo, surgiu-me a ideia de começar a anotar quantas são as expressões usadas na terra. Naquele mesmo dia tomei nota de quase trinta termos e expressões bem como das histórias a que se associam. No dia seguinte já tinha o dobro de material recolhido e, a partir daqui, comecei a verificar que tinha "descoberto" algo maravilhoso. "Afinal" - pensei - "isto é uma face, de um certo modo latente, da identidade Nazarena que será perdida se não for documentada". Foi então que decidi fazer um estudo meticuloso e aprofundado sobre a origem, significado, e emprego das expressões para publicação. Nesta altura também andava preocupado por observar tanta modificação, abandono, e destruição daquilo que mais identifica a terra como Nazaré, de modo que, esta face "nova", este promontório de expressões veio oportunamente impor-se, indestrutível no Tempo. Mais importante talvez, foi o facto de ter vindo reforçar a identidade Nazarena."
(Excerto da introdução)
Índice:
Dedicatória. Introdução. A Nazaré em geral. O Povo. Comparações. O mar. Faina do mar. Materiais da faina do mar. Barcos. Peixe. O tempo. Ralhos. Pragas. Insultos. Expressões interjeccionais. Expressões diversas - I. Expressões diversas - II. Vocábulos.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Com um pequeno corte na parte superior da capa.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível