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24 dezembro, 2025

RIBEIRO, Julieta Adelina Menezes Rodrigues - CULINÁRIA VEGETARIANA, VEGETALINA E MENÚS FRUGÍVEROS. 
Livro dedicado às mulheres luso-brasileiras por... Quarta edição emendada e revista pela autora. Porto, Machado & Ribeiro, Lda, 1923. In-8.º (22x14 cm) de 359, [1] p. ; il. ; B.
Importante publicação sobre cozinha naturista, verdadeira "bíblia" da bibliografia vegetariana, contém 1264 receitas, as mais variadas. Apesar de se terem publicado quatro edições entre 1916 e 1923, sendo a presente a última e mais completa, trata-se de uma obra invulgar e muito procurada.
Livro ilustrado no texto com tabelas e cerca de oito dezenas de desenhos e fotogravuras.
"Ao esgotar-se a terceira edição dêste volume, escrito em momentos fugazes, roubados  às canceiras do lar, aos cuidados maternais e filiais que se impõem ao coração feminino, devotado ao culto da tradição que se esvai e ao amôr do porvir que renasce, seja-me lícito afirmar que a quarta edição, lançada ao público, representa apenas um atestado de glória para a doutrina que exemplifica e põe em prática. Só a verdade consegue vencer e perdurar. O que se baseia na fantasia e no devaneio estiola, cança e em  breve esquece.
As três edições esgotadas, em poucos anos desapareceram do mercado, o que prova que o livro correspondeu a uma necessidade do público estudioso.
Cada edição que reaparece limada, aperfeiçoada e corrigida, acompanha a evolução do pensamento em matéria naturista, actualisando-se, segue a esteira do ideal; a perfectibilidade ambicionada. [...]
São, pois, justificados os motivos do aparecimento da 4.ª edição da «Culinária Vegetariana», prevendo que os adeptos e mesmo os extranhos ao Naturismo se congratulem com o reaparecimento dêste livro necessário em todos os lares, indispensável a todas as managëres, ciosas de  espelharem a felicidade como anjos da família que devem ser."
A autora,
Julieta A. M. R. Ribeiro.
Quinta de Vil'Alva - Vila Real - Janeiro 1923
(Excerto do Prólogo da 4.ª edição)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa frágil, com pequenas falhas de papel. Sem contracapa. Interior correcto.
Raro.
35€

19 fevereiro, 2023

ALMANAQUE VEGETARIANO ILUSTRADO DE PORTUGAL E BRASIL : 1915 - 3.º ano.
Propaganda naturista: Regimes racionais e práticas salutares. Guia para seguirmos uma vida sã e perfeita, indemne da doença e das perversões sociais. Porto, Sociedade Vegetariana - Editora, 1914. In-4.º (23 cm) de 191, [1] p. ; [1] f. il. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Almanaque Vegetariano para o ano de 1915. Excelente exemplo da propaganda vegetariana do princípio do século XX, sendo este almanaque um dos mais importantes veículos de divulgação da cultura naturista entre nós. Reúne artigos sobre os mais diversos e interessante assuntos, da moda às apreciadas receitas culinárias.
Livro muito ilustrado ao longo do texto com desenhos e fotogravuras, e uma estampa em separado.
"Na cultura portuguesa, os discursos vegetariano e naturista tiveram alguma relevância a partir das primeiras décadas do século XX, em particular devido à ação dos membros da Sociedade Vegetariana de Portugal, fundada no Porto em 1911. [...]
No seu intuito de converter e propagandear os ideais vegetarianos e naturistas, a Sociedade Vegetariana Portuguesa foi conseguindo sócios brasileiros, de várias regiões do país, publicou cartas e fotografias de muitos deles, na revista O Vegetariano e no Almanaque Vegetariano [1913-1922], e nesses periódicos incluiu receitas culinárias com produtos brasileiros, ao mesmo tempo que foi publicitando o aparecimento das sociedades vegetarianas e naturistas brasileiras. Por outro lado, sabe-se que todas as publicações da Sociedade Vegetariana de Portugal, incluindo as referidas revistas, eram vendidas no Brasil."
(Fonte: Braga, Isabel Drumond. Em busca do novo Éden no século XX: os portugueses e a fundação de colónias naturistas no Brasil. História, Ciências, Saúde - Manguinhos, Rio de Janeiro, v.25, n.3, jul.-set. 2018, p.659-678.)
"É êste o título, pode dizer-se clássico neste género de publicações, com que a maior parte dos almanaques encimam a sua primeira página. Assim, tambêm, para não fugir demasiadamente à rotina, se abre êste repositório de máximas de Saúde e de Vida Natural com tão conhecida frase.
O ano de 1915 há de ser fértil em guerras e em desavenças sociais entre os homens: aí fica o primeiro vaticínio. Haverá fome e moléstias nos povos, tais são as segunda e terceira das visões.
Porque tão fatídicos êsses presságios? Porque tão funestas adivinhações?
É que a humanidade continua adstrita a tantos e tão viciosos costumes que, por muitos anos, à pesta, à fome e à guerra continuarão sendo levantados alteres. A Civilização foi a criadora dêstes males. Construi a humanidade, de per si, tantos artifícios que, necessáriamente, as doenças físicas, económicas e morais serão de ano para ano mais avantajadas e crueis."
(Excerto da abertura - O Juízo do Ano, de Amílcar de Sousa)
Encadernação editorial em percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Pasta frontal apresenta desgaste no canto inferior direito.
Raro.
Indisponível

28 junho, 2020

BASTOS, J. - A SAUDE E A LONGEVIDADE. (Um grito de alarme). [Lisboa], Typ. «A Liberal» : Cesar Correia, 1907. In-8.º (22,5 cm) de [2], 101, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso trabalho de índole naturista, publicado nos alvores das práticas vegetarianas entre nós.
Livro valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Em geral todos pensam que gozar saude, é não ter dôres physicas que vivamente incommodem. E assim contentam-se em dizer que passam bem.
Não. A saude, o dom mais precioso da vida, não é só isso.
N'esta epoca de degenerescencia, que infelizmente vem já de tempos mais remotos, escasseiam os verdadeiros exemplares de pessoas saudaveis e por isso, não offerecendo comparações que ilucidem e se imponham aos olhos dos menos observadores, deixemo-nos obcecar pelas idéas geradas n'esse turbilhão das sociedades, pensando e adaptando o estribilho, que a saude sempre assim foi.
Não. Se a saude fosse sempre o que é hoje, não seria tão outra, como era, a longevidade dos nossos antepassados.
A saude, a verdadeira saude, não é só o bem estar do corpo, como tambem é o bem estar do espirito.
Um individuo de perfeita saude, não sente nunca, por assim dizer, as complicas funcções do corpo. E quando tal succede, é porque o organismo se tornou victima de alguma causa morbida.
O seu espirito, directo reflexo do estado do corpo, impelle-o a encarar alegre, despreocupado, verdadeiramente feliz, as muitas difficuldades da vida.
O trabalho, para elle, constitue um completo gozo do qual dimana, quando menos, a facil manutenção das suas necessidades, e, quando mais, a larga satisfação dos seus desejos e caprichos.
A natureza encanta-o e tudo para elle sorri.
Se casa, não especula com o amor: confia no seu braço. Se tem filhos, e quantos mais melhor, acarinha-os, adora-os e o lar torna-se-lhe um paraizo.
A longevidade leva-o a revêr-se infante em successivas proles que o animam e abençoam.
E quando a morte chega, porque não ha nada eterno, não morre de dôr porque nunca teve dôres, extingue-se, docemente, como que, ainda creança, adormecendo de um somno reparador no pequeno berço, em que o embalaram seus paes...
Mas é uma utopia! - hão de já objectar. Não! É assim mesmo.
Queremos viver e morrer assim? É simples. Pratiquemos a Hygiene em todas as suas modalidades."
(Excerto de A saude)
Matérias:
Ás minhas filhas. | A saude e a longevidade. (Um grito de alarme). | A saude. | A alimentação. | A Eschola. | Os Costumes. | Os Remedios. | Relato. | Conclusão.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas sujas, com defeitos e pequena falha de papel na lombada.
Raro.
Sem registo na BNP (tem recenseada apenas a 2.ª edição).
Indisponível

21 maio, 2016

FERREIRA, Ardisson - O HOMEM É FRUGÍVORO. Demonstração anatómica, fisiológica e antropológica da alimentação humana racional. Conferência realisada no Ateneu Comercial do Porto, em 26 de Julho de 1912. Porto, Sociedade Vegetariana - Editora, 1912. In-4.º (23 cm) de 23, [1] p. ; B. XII Volume da Biblioteca Vegetariana
1.ª edição.
"Leão Tolstoi disse laconicamente: «Comemos muito»; eu atrevo-me a acrescentar: ... e mal! [...]
Devo declarar-vos, em abôno da verdade, que antes do dia 7 dêste mês, nunca me tinha decidido a pensar a sério da fisiologia da nutrição, não só porque outros muitos afazeres me roubavam o tempo, como ainda porque o frugivorismo só há alguns mêses começou a ser exalçado, entre nós, por aqueles que o estudaram scientificamente ou lhe reconheceram os salutares efeitos, por experiência própria."
(Excerto do texto)
Augusto Ardisson Ferreira (Lisboa, 1873 - 1932). "Foi um médico e cirurgião que se dedicou também à escrita, sendo ainda uma artista plástico curioso. Foi um divulgador da cultura física, tendo traduzido as obras de J. P. Müller para português. Mais tarde, causou polémica ao criticar Müller, que considerou um plagiador. Escreveu diversos livros de grande sucesso e colaborou em revistas como O Vegetariano e Vida e Saúde, e participou em vários congressos em Portugal e no estrangeiro. Encontra-se colaboração da sua autoria na revista Tiro e Sport (1904-1913)."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

19 janeiro, 2016

SOUZA, Dr. Amílcar de - O NATURISMO. Alimentação Natural. Conselhos Higiénicos. Tratamentos racionais. Práticas quotidianas. Guia para sãos e doentes. Porto, Sociedade Vegetariana - Editora, [1912]. In-8.º (22,5cm) de 288 p ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Ilustrada extra-texto com o retrato do autor de corpo inteiro.
Curioso manual vegetariano do início do século XX. Trata-se da rara edição original do 1.º trabalho do autor, obra precursora do movimento vegetarianista português. Contém inúmeras práticas e conselhos para uma vivência plena, saudável e natural, apoiada em conceitos que davam os primeiros passos na época, tendo o seu epicentro na cidade do Porto.
                                       ........................
"Encontrar-se-hão por estas páginas além muitos conselhos repetidos em muitas práticas de salubridade. O problema não é novo. Moralistas, filósofos e higienistas de todas as épocas teem pensado na melhor maneira de valorizar e não deixar perder a vida. A saúde é o único bem. O resto quási nada vale. Que importa ser um Cresus mas estar paralítico na cama? O caminheiro roto e quási nu, de povoado em povoado, pelos carreiros rústicos, pobre viandante, quanto mais saúde não tem do que a velha ricaça, gotosa e devota no seu gabinete todo tapeçaria, sentada na sua poltrona de veludo.
Com êste volume pretendemos contribuir para que a humanidade se oriente mais lógicamente na perfeição física da qual resultará maior moralidade. E as considerações que singelamente apresentamos, representam sobretudo muito amor íntimo, muito desejo de acertar para conseguir desfazer toda a ganga aderente ainda dos velhos preconceitos de higiene vulgarmente praticada ou melhor, erradamente dinfundida.
A medicina não tem razão de existir verdadeiramente. A higiene é tudo. E cada vez os médicos vão compreendendo ser assim a verdade. Curar é já um artifício. Impedir o mal, eis o objectivo a conseguir. Assim o homem habita em casas más, fuma, bebe e come o que não deve, respira o ar confinado, veste-se e calça-se ilógicamente. Resultado: minora a vida, cerceia-a, extingue-a antes do tempo funestamente. [...]
O género humano está decadente. O excesso de prazeres instiga o homem, a mulher e a criança para que, em poucos anos e miserávelmente, o aniquilamento surja. Devemos estimar a morte como natural mas só quando a máquina humana deixe de funcionar, gastos, pelo tempo, todos os elementos celulares e não provocada pela incontinência. Durante a mocidade, o homem desperdiça. Quando chega a velhice prematura quer readquirir o passado mas já não pode..."
(excerto do prólogo)
Matérias:
- A alimentação natural. - A Vida Natural. - Higiene Naturista nos climas quentes. - Higiene Individual. - Como se define alimento? - Como se deve comer. - A Supremacia do Frutos. - O jejum dietético. - O que se deve comer. - O Eden Moderno. - O Homem Normal. - O Homem e o Gorila. - A cura pelas uvas. - A Dieta Pura. - Vegetarismo. - A boca e os dentes. - O culto pela água. - Vantagens da água. - O exercício físico. - Como se pode obter a saúde. - Higiene do Intestino. - O Artritismo. - Higiene do Sono. - Higiene de Acordar. - A Emancipação da Mulher. - Devemos ter família? - A Educação da Vontade. - A Casa Higiénica. - Portugal, estação de Saúde. - Onde passar as férias? - Os perigos do tabaco. - «Mens sana in corpore sano». - Degenerescência. - A cura pela Natureza. - O Sistema Just. - O Sistema Kuhne. - O Sistema Kneipp. - O Sistema Fletcher. - O Sistema Muller. - O Sistema Lahmann. - O Sistema  Rikli. - Vida Simples. - Ao Ar livre. - A cura da Tuberculose. - Como se prolonga a vida? - A luta pela existência. - A Vida e a Morte. -  O problema da longevidade. - Como deter a morte. - Higiene da Maternidade. - Morte Serena. - As árvores frutíferas. - Decálogo do Centenário. - Regras da vida. - O triunfo do frugivorismo. - A caminho duma Nova Vida. - A Prática do Naturismo.
Amilcar de Sousa (1876-1940). “Nasceu em Cheires, Sanfins do Douro, Alijó, em 1876. Filho dum abastado viticultor duriense. Formou-se em Medicina pela Universidade de Coimbra em 1905, partindo depois para Paris, onde se consagrou ao estudo das doenças da nutrição. De regresso a Portugal, lançou-se numa intensa campanha em prol do Naturismo, como a mais racional forma de se viver, e do Vegetarianismo, como alimentação sadia, indicada para combater e curar as doenças da nutrição. Foi um pioneiro do Vegetarianismo em Portugal. Fundou e dirigiu a revista “O Vegetariano” e a Sociedade Vegetariana de Portugal, no Porto, da qual foi o primeiro Presidente. Viajou pela Europa e na América, em excursões de estudo que enriqueceram a sua larga bagagem de conhecimentos, na especialidade a que se devotou, e manteve contacto estreito com sumidades médicas de renome mundial, com quem se correspondeu. Na imprensa e no livro, pela palavra e pelo exemplo, proclamou o poder terapêutico das vitaminas, sob a forma de frutos e vegetais, comprovando-o com as curas obtidas na sua clínica, que exercia gratuitamente. Além de inúmeros artigos em revistas científicas e em jornais, Amílcar de Sousa foi autor de diversos livros sobre Saúde, e publicou os seguintes livros: O Naturismo, publicado em 1912, com várias reedições, sendo o mais conhecido; A Saúde pelo Naturismo; A Cura da Prisão do Ventre; A Redenção; O Naturismo em Vinte Lições; Banhos de Sol; Arte de Viver, este último em 1934, e o único de sua autoria que não foi traduzido para espanhol. Foi também um activo defensor dos interesses da viticultura duriense, pugnando, em conferências e artigos na imprensa periódica, pela criação da Casa do Douro, como um dos organismos necessários para garantir a alta qualidade do Vinho do Porto e promover a expansão do seu Comércio. Faleceu no Porto, em 1940.”
(fonte: wikipédia)

Excadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Apresenta ligeiro desgaste do manuseio junto à lombada.
Raro.
Indisponível