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13 setembro, 2026

AGUIAR, Asdrúbal António de -
VITRIOLAGEM.
[Por]... Professor da Faculdade de Medicina de Lisboa. [S.l.], [s.n. - Costa Carregal - Porto], 1953. In-4.º (23x16 cm) de 45, [3] p. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo sobre a vitriolagem, acto de derramar ácido sulfúrico ou outra substância corrosiva no corpo de uma pessoa - quando propositado - para causar queimaduras graves e desfiguração permanente.
Ensaio invulgar e muito curioso, publicado em separata do Jornal Médico, XXI (519) 5-22, 1953.
"Os corpos químicos corrosivos, entrando em contacto com a pele, provocam queimaduras mais ou menos extensas em superfície e mais ou menos profundas. [...]
Entre as queimaduras por cáusticos que mais vezes se observam contam-se as motivadas pelo ácido sulfúrico concentrado. Porque a este ácido também se chama «vitríolo» ou «óleo de vitríolo», designam-se as queimaduras por ele criadas de efeitos de vitriolagem. [...]
A vitriolagem é acidental ou criminosa. A primeira, a acidental ou fortuita, sobrevém inesperadamente sem que a vontade de quem quer que seja intervenha. [...]
A vitriolagem criminosa é quase sempre passional. Os crimes são, em geral, executados por mulheres. O seu número excede bastante o dos casos em que o acto violento é lavado a cabo pelos homens.
Nas vitriolagens efectuadas pelas mulheres os pacientes são, quase constantemente, os amantes que as abandonam deixando-as grávidas, que casam com outras ou que com outras passam a viver, ou os próprios maridos por quem experimentam ciúmes extremos, ou que se lhes tornam igualmente odiosos por as trocarem por outras mulheres ou mulher, suas rivais que lhes pretendem roubar ou que de facto lhes roubaram os mesmo amantes ou esposos.
Também por vezes as mulheres, porque são invertidas, vitriolam outras da sua afeição para desforço destas se afastarem ou se inclinarem para mulheres diversas, se também forem homossexuais, ou para homens se forem heterossexuais.
A contar há ainda as vitriolagens, se bem que excepcionais, de «souteneurs», executadas pelas meretrizes, suas amantes predilectas, em presença de ameaças de abandono, de abandono real ou em face de interesse que outras companheiras de mester por eles mostrem.
As vitriolagens levadas a cabo por homens são, como já se registou, em número reduzido. No entanto, há casos de indivíduos atirarem ao rosto das mulheres suas amantes que os repelem, que se entregam a outros, que com outros pretendem casar ou que estão a ponto de o fazer, ou de mulheres que lhes não aceitam propostas amorosas.
Casos se verificam, ainda que muito raros, de maridos vitriolarem as esposas por estas os atraiçoarem. [...]
Na vitriolagem passional os lugares do corpo escolhidos para a efectivarem são, na sua quase totalidade, o rosto e o pescoço..."
(Excerto do Estudo)
Asdrúbal António de Aguiar (Lisboa, 1883-1961). "Foi um médico legista, professor universitário, pioneiro da sexologia em Portugal. Teve um papel fundamental no desenvolvimento científico e na estruturação da medicina legal no país durante a primeira metade do século XX. Foi docente na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e exerceu o cargo de diretor do Instituto de Medicina Legal de Lisboa. Foi considerado um dos maiores especialistas do país em patologia forense. Destacou-se pela abordagem científica e descomprometida (para a época) de temas fracturantes, escrevendo extensivamente sobre crimes sexuais, homossexualidade e a evolução dos costumes sob uma perspetiva médico-legal. Como perito forense, esteve envolvido em momentos marcantes da história portuguesa, incluindo a realização de exames periciais no cadáver do ex-presidente da República, Sidónio Pais, após o seu assassinato em 1918. (IA)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse científico e criminal.
20€
Reservado

04 março, 2023

AGUIAR, Prof. Doutor Asdrúbal de -
CAUSAS DAS MORTES DO REI D. CARLOS I E DO PRÍNCIPE REAL D. LUÍS FILIPE.
Separata das «Imprensa Médica : Ano XXIII - Outubro de 1959
. Lisboa, [s.n.], 1959. In-4.º (23,5cm) de 25, [1] p. ; B.
1.ª edição independente.
Importante subsídio médico-legal para o apuramento das causas que conduziram à morte do rei D. Carlos e do príncipe herdeiro, D. Luís Filipe.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Dr. Armando Cavaleiro Pinto Basto.
"Até ao presente, e já vai decorrido mais de meio século, não foram indicados, de maneira decisiva ou pelo menos presumível, as causas das mortes do rei D. Carlos e do Príncipe Real D. Luís Filipe, sucedidas no Terreiro do Paço no dia 1 de Fevereiro de 1908, pelas 17 horas e meia ao regressarem com a Rainha D. Amélia a Lisboa, vindos de Vila Viçosa.
O regicídio perpetrado nessa ocasião filiou-se em acontecimentos políticos de vulto que de meses pretéritos vinham acontecendo. [...]
Poderia aludir aqui, com maior minúcia, a estes e outros precedentes imediatos ou distantes da anormal situação, esmiuçar as actividades dos revoltosos, enumerar-lhes os nomes, etc. Seria fastidioso fazê-lo. Demais nada disso importa para o propósito em vista: determinar as verdadeiras causas das mortes do rei e do príncipe real. Também não tratarei, pormenorizadamente, dos fins trágicos dos regicidas sucedidos igualmente no Terreiro do Paço, após o atentado. Apenas me referirei à maneira como foi executado o duplo homicídio de D. Carlos e de D. Luís Filipe, e isso, porque interessa para a boa compreensão de certos factos a que aludirei. [...]
A chegada a Lisboa, prevista para as 16 horas e 15 minutos, foi retardada de 1 hora e 5 minutos, atracando o vapor «D. Luís» que do Barreiro transportava o rei, a rainha, o príncipe e a comitiva às 17 horas e 20 minutos na estação fluvial do Terreiro do Paço, então alojada na margem do Tejo, próximo do torreão, pertença no Ministério da Guerra. [...]
O rei, a rainha, o príncipe real e o infante D. Manuel tomaram então lugar num «landau» aberto, tirado por duas parelhas de cavalos, ocupando D. Carlos e D. Amélia os lugares trazeiros - a rainha à direita do rei, e D. Luís Filipe e D. Manuel os lugares dianteiros, o príncipe em frente do rei e o infante em frente da rainha. A carruagem poz-se em marcha entrando na rua ocidental do Terreiro do Paço, sendo seguida, a curta distância, por outro «landau» igualmente tirado por duas parelhas, conduzindo os camaristas de serviço - condes de Figueiró e marquês de Alvito, e pela carruagem do presidente do Ministério. Nenhuma escolta militar acompanhava o «landau» real. De resto, não era costume fazer acompanhar o rei ou a rainha, nas suas passagens pelas ruas de Lisboa, de qualquer destacamento militar, a não ser em actos oficiais.
Quando a carruagem real atingiu as arcadas próximas da rua do Arsenal, sobre as quais se encontrava instalado o Ministério da Fazenda, predecessor do actual Ministério das Finanças, foram disparados seguidamente dois tiros de carabina sobre o rei por um indivíduo de nome Manuel da Silva Buíça, o qual saíra, de súbito, de entre os populares estacionados no passeio do lado do Terreiro e avançava para o leito da rua para trás da carruagem, e logo a seguir também dois tiros de pistola «Browning» por outro indivíduo, Alfredo Luís da Costa, que parece ter surgido de entre os mesmos populares, o qual correu igualmente para trás da carruagem, que ia já a voltar para a rua do Arsenal.
Mal foram disparados os tiros que atingiram o rei, este caiu para o lado direito. Semelhantemente apenas foram desfechados os tiros que alcançaram o príncipe, este tombou para a frente, para cima do corpo do rei.
D. Carlos pouco tempo teve de vida - uns escassos segundos. [...] O príncipe teve morte instantânea. [...]
Já de noite os cadáveres foram conduzidos para o Paço das Necessidades, cada um em seu «landau», precedidos por outro em que se transportavam as rainhas D. Amélia e D. Maria Pia e o infante D. Manuel. Foram recebidos pelo Dr. D. Tomaz de Mello Breyner, médico de serviço.
No dia seguinte, 2 de Fevereiro, procedeu-se ao embalsamamento de ambos após o exame dos ferimentos neles existentes.
O embalsamento foi demorado. Durou cerca de 12 horas. [...]
Não se realizaram as autópsias por determinação expressa do governo. Julgaram-nas dispensáveis. Realmente elas nada importavam para a organização do corpo de delito directo destinado a julgamento dos regicidas, pois estando estes mortos, não podiam ser julgados. Este e possivelmente outros motivos, levaram o governo a tal decisão."
(Excerto de Causas das mortes do Rei D. Carlos I...)
Matérias:
Medicina Legal - Causas das mortes do Rei D. Carlos I e do Príncipe Real D. Luís Filipe. [Introdução]. | Relatório do exame no cadáver de Sua Majestade El-Rei o Senhor D. Carlos. - Conclusões. | Relatório do exame no cadáver de Sua Alteza o Príncipe Real Senhor D. Luís Filipe. - Conclusões. | I. Efeitos traumáticos provocados no Rei D. Carlos pela agressão de que foi vítima. - II. Efeitos traumáticos provocados no Príncipe Real D. Luís Filipe pela agressão de que foi vítima. | Em resumo.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

12 junho, 2018

AGUIAR, Dr. Asdrubal Antonio d' - SCIENCIA SEXUAL. (Contribuições para o seu estudo). Virgindade. Por... Chefe de serviço do Instituto de Medicina Legal de Lisboa, Professor do Curso Superior de Medicina Legal. Lisboa, Livraria Aillaud e Bertrand, 1924. In-4.º (26cm) de 258 p. ; E.
1.ª edição.
Curioso estudo histórico e científico sobre a virgindade feminina.
"A virgindade tem sido muito diversamente apreciada, segundo os tempos e os paizes. Pode dizer-se que, quanto mais adeantada é a civilisação d'um povo tanto mais a virgindade tem sido rodeada de attenções.
Ao ser chamado para decidir da virgindade d'uma rapariga ou d'uma mulher o medico-legista encontrar-se-ha deante d'uma pessoa, cuja obesrvação apenas revelará se os orgãos genitaes se acham ou não intactos O exame medico-legal não lhe permite ir mais alem.
O medico forense deverá, portanto, manter-se na maior reserva em tudo que implique com a virgindade, por assim dizer moral, pois ella mantem-se fora do seu alcance, excepto em exames psychiatricos que nada dizem quanto á integridade anatomica dos orgãos sexuaes, isto é, quanto á virgindade physica.
A perda de virgindade consiste hoje, como na epocha do sabio auctor das Questiones medico-lehales [Zacchias], na destruição da integridade hymenial; ha, porém, uma grande diferença. Na verdade, nos tempos de Zacchias, Paré e Condronchio, se a inteiresa do hymen era destruida não pelos tratos sexuaes mas pela mão ou por qualquer outro objecto propositada ou fortuitamente, já não havia perda de virgindade.
Hoje quer a integridade das vias genitaes seja lesada pelas relações sexuaes, quer por outro qualquer mechanismo, ha sempre privação da virgindade..
Evidentemente o medico-legista não pode asseverar que a mulher ou rapariga physicamente incolume e pura se não tenha entregado a certos contactos lubricos.
Ahi estará a razão da repugnancia moral em considera-las como virgens. Realmente n'essas mulheres, prostitutas no pensamento e semi-virgens no corpo, que considerar de puro e incolume a não ser para alem do hymen?
A virgindade moral ou castidade, a pureza da alma emfim, reunida á physica é um thesouro maximamente considerado entre o maior numero de povos civilisados e de tanto maior valia quanto mais rara se vae tornando."
(Excerto da introdução)
Asdrubal António de Aguiar (1883-1961). "Natural de Lisboa, formou-se em Lisboa em 1912 entrando nesse mesmo ano para o Instituto de Medicina Legal como assistente livre. Em 1913 foi nomeado assistente da Faculdade de medicina e membro adjunto do Conselho Médico-Legal, em 1918 passou a ser chefe de serviço e adjunto do Instituto Médico-Legal, tornando-se desde 1919 professor do curso de Medicina Legal. Publicou variadíssimos estudos medicos."
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Falta da f. anterrosto. Dada a qualidade do papel, alguma páginas apresentam manchas de oxidação.
Invulgar.
Indisponível

26 maio, 2018

AGUIAR, Prof. Doutor Asdrúbal de - CAUSAS DAS MORTES DO REI D. CARLOS I E DO PRÍNCIPE REAL D. LUÍS FILIPE. Pelo... Da Academia das Ciências de Lisboa. Separata das «Memórias» (Classe de Ciências - Tomo VIII). Lisboa, Academia das Ciências de Lisboa, 1960. In-4.º (24,5 cm) de 25, [3] p. ; B.
Importante subsídio médico-legal para o apuramento das causas que conduziram à morte do rei D. Carlos e do príncipe herdeiro, D. Luís Filipe.
"Até ao presente, e já vai decorrido mais de meio século, não foram indicados, de maneira decisiva ou pelo menos presumível, as causas das mortes do rei D. Carlos e do Príncipe Real D. Luís Filipe, sucedidas no Terreiro do Paço no dia 1 de Fevereiro de 1908, pelas 17 horas e meia ao regressarem com a Rainha D. Amélia a Lisboa, vindos de Vila Viçosa.
 Não vou aludir aqui aos precedentes imediatos ou distantes do regicídio, não me demorarei a registar as justificadas preocupações da Família Real antes e durante a viagem até Lisboa. Seria fastidioso fazê-lo. Demais nada disso importa para o propósito em vista, qual é, o de determinar as verdadeiras causas das mortes do rei e do príncipe. Também não tratarei dos fins trágicos dos regicidas sucedidos igualmente no Terreiro do Paço logo após o atentado. Apenas muito sucintamente me referirei à maneiro como foi executado o duplo homicídio e aos efeitos imediatos dos tiros constatados em D. Carlos e D. Luís Filipe, logo após a consumação dos crimes, e isso, porque de qualquer modo pode interessar para a boa compreensão de certos factos a que aludirei.
O rei D. Carlos, a rainha D. Amélia e o príncipe real D. Luís Filipe desembarcaram do vapor que os conduziu do Barreiro até à estação Fluvial do Terreiro do Paço, então instalada na margem do Tejo, próximo do torreão integrado nas instalações do Ministério da Guerra. Aí se lhes juntou o infante D. Manuel. Tomaram então todos lugar num «landau» aberto, tirado por cavalos, ocupando D. Carlos e D. Amélia os lugares trazeiros - a rainha à direita do rei, e D. Luís Filipe e D. Manuel os lugares dianteiros, o príncipe em frente do rei e o infante em frente da rainha. A carruagem pôs-se em marcha entrando na rua ocidental do Terreiro do Paço sendo seguida, a certa distância, por duas outras conduzindo, a primeira o Presidente do Ministério e a segunda os camaristas de serviço.
Quando a carruagem real atingiu o então Ministério da Fazenda instalado sobre as arcadas próximas da rua do Arsenal, foram disparados seguidamente dois tiros de carabina sobre o rei por um indivíduo de nome Manuel da Silva Buíça, o qual saíra de súbito, de entre os populares estacionados no passeio do lado do Terreiro e avançara para o leito da rua para trás da carruagem e também dois tiros de pistola Browning sobre o príncipe por outro indivíduo, Alfredo Luís da Costa, que parece ter surgido de entre os mesmos populares, o qual correu igualmente para trás da carruagem, que ia já a voltar para a rua do Arsenal.
Mal foram disparados os tiros que atingiram o rei, este caiu para o lado direito. Igualmente apenas foram disparados os tiros que alcançaram o príncipe, este caiu para o interior da carruagem.
O rei pouco tempo teve de vida - alguns escassos segundos. [...] O príncipe teve morte instantânea. [...]
Já de noite os cadáveres do rei e do príncipe real foram conduzidos para o Paço das Necessidades.
No dia seguinte, 2 de Fevereiro, procedeu-se ao embalsamamento de ambos após o exame dos ferimentos neles existentes.
Não se realizaram as autópsias por determinação do governo. Julgaram-nas dispensáveis. Realmente elas nada importavam para a organização do corpo de delito directo destinado a julgamento dos regicidas, pois estando estes mortos, não podiam ser julgados. Este e possivelmente outros motivos, levaram o governo a tal decisão."
(Excerto de Causas das mortes do Rei D. Carlos I...)
Matérias:
- Causas das mortes do Rei D. Carlos I e do Príncipe Real D. Luís Filipe. [Introdução]. - Relatório do exame no cadáver de Sua Majestade El-Rei o Senhor D. Carlos. - Conclusões. - Relatório do exame no cadáver de Sua Alteza o Príncipe Real Senhor D. Luís Filipe. - Conclusões. - I. Efeitos traumáticos provocados no Rei D. Carlos pela agressão de que foi vítima. - II. Efeitos traumáticos provocados no Príncipe Real D. Luís Filipe pela agressão de que foi vítima. - Em resumo.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível