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20 abril, 2025

VIEIRA, P. Antonio -
SERMAM // DE S. IOAM // BAPTISTA. // NA PROFISSAM // Da Senhora // MADRE SOROR MARIA DA CRVZ, // Filha do Excellentissimo // DVQUE DE MEDINA SYDONIA, // SOBRINHA DA RAINHA N. S. // Religiosa de Sam Francisco. // No Mosteiro de Nossa Senhora da // Quietaçaõ das Framengas. // Em Alcantara. // Esteue o SANCTISSIMO SACRAMENTO exposto. // Assistiraõ suas MAGESTADES, & ALTEZAS. // PREGOVO O P. ANTONIO VIEIRA // da Companhia de IESV. Prégador de S. Magestade. //
EM LISBOA. COM TODAS AS LICENC,AS // Na Officina de Domingos Lopes Rosa. Anno 1644. In-8.º (19,5x14 cm) de [32] p. (inc. frontesp.) ; B.
1.ª edição.
Sermão do Padre António Vieira escrito a propósito da Profissão Perpétua de Soror Maria da Cruz, abadessa do Convento de Nossa Senhora da Quietação, sobrinha da rainha D. Luísa de Gusmão, mulher de D. João IV.
São muito raros e apreciados os sermões do insigne jesuíta, sobretudo os que, como é o caso, foram proferidos (e publicados) no contexto e sequência da Restauração da independência nacional.
"No dia em que nace a Voz de Deos, justamente emudecem as vozes dos homês. Admiraçoês emudecidas saõ a retorica deste dia: mirati sunt unisersi. Pasmos, & assombros saõ as eloquêcias desta acção: Factus est timor super omnes vicinos eorum. He dia hoje de falarem os coraçoês, & de callarê as ,lingoas: por isso a lingoa de Zacharias emudeceu, por isso os coraçoens dos Montanhezes fallauaõ. Posuerunt in corde suo discentes. E se em qualquer dia do grande Baptista he perigoso o fallar, & os discursos mais discretos saõ os que se remetem ao silencio; que sera hoje no concurso de tantas obrigaçoens em que as causas do temor, & os motivos da admiração se vem taõ crecidos? Se toda a razão dos assombros no nacimento do Baptista era verem que daua Deos a hua alma a mão de amigo. Et enim manus Domini erat cum illo; Quanto mais deue assombrar hoje nossa admiração ver q dà Deos a outra alma a mão de Esposo: Et enim manus Domini erat cû illa?"
(Excerto do Sermão)
Soror Maria da Cruz nasceu algures no final da década de 1620, provavelmente, em ou perto de Sanlúcar (Andaluzia), a sede dos duques de Medina Sidónia. O seu pai era Gaspar de Guzmán y Sandoval, 9.º Duque de Medina Sidonia (1602-1664), mas a identidade da sua mãe permanece desconhecida. A tia paterna dela foi Luísa de Guzmán (1613-1666), Rainha de Portugal 1640-1666. Irmã Maria juntou-se à tia quando esta foi para Portugal em 1633 para se casar o duque de Bragança, futuro rei de Portugal. Em Vila Viçosa (Alentejo), Luísa de Guzmán foi viver para o palácio ducal e Soror Maria da Cruz foi estudar para o vizinho convento franciscano das Chagas. Em Dezembro de 1640, Soror Maria mudou-se para Lisboa com a recém-proclamada família real onde ingressou no convento franciscano de Nossa Senhora da Quietação em Alcântara (BELÉM 1758: 546). Ela fez a sua profissão perpétua em 1644 com a presença da família real e em que o Padre António Vieira, o célebre jesuíta, pregou (VIEIRA 1644). Este convento recebeu fundos reais e confinava com a Quinta de Alcântara, uma das residências privilegiadas do novo família real (CASTELLO BRANCO 1971: 50-79; COSTA, CUNHA 2008: 169; COSTA 1712: 650). A própria Soror Maria recebia 40 mil réis por ano da Casa de Bragança - o património dos duques de Bragança (BA, Homem., 51-X-17: fls. 214). Foi dentro deste convento que provavelmente a Irmã Maria passou algum tempo com duas das suas primas, as infantas Dona Joana (1635-1653) e Dona Catarina (Catarina de Bragança 1638-1705, Rainha-consorte de Inglaterra (1662-1685), e onde ela acabaria por acolher diplomatas estrangeiros e dignitários. Foi neste convento que ela acolheu a rainha consorte francesa Maria Francisca de Sabóia (1646-1683) quando chegou em 1666 para casar com Afonso VI (1643-1683), Rei de Portugal (1656-1683)."
(Fonte: James, Ben - Two Marias: Illegitimacy and Agency on the fringes of  the Restoration Cour, Palácio Nacional de Sinta, 2024)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Envelhecido. Aparado, porém, nunca atingindo o texto. Mancha amarelada de humidade, desvanecida, transversal a todo o opúsculo. Com falhas e pequenos defeitos marginais. Protegido por capas lisas em papel celofane.
Raro.
Com interesse histórico e religioso.
Peça de colecção.
150€

02 abril, 2025

ALMEIDA, Fr. Cristovão de
 -
SERMÃO // DO Smo. SACRAMENTO, // EM ACÇAM DE GRAÇAS, // Na Dedicaçaõ do Templo, que lhe edificou // A RAINHA N. S. // No lugar em que a Magestade de ElRey N. S. // D. JOÃO O QUARTO // Que está em gloria, foi livre milagrozamente da morte, // que lhe intentava dar a sacrilega treiçaõ dos Castelhanos, // indo acompanhando a Christo Sacramentado na // Procissaõ de Corpus o anno de 1647. // ESTEVE O Smo. SACRAMENTO EXPOSTO. // ASSISTIRAM SVAS ALTEZAS. // Disse Missa de Pontifical o Capellão Mòr, Bispo de Targa, // Eleito de Lamego. // PREGOV O O. P. M. FR. CHRISTOVAM DE ALMEIDA // Religiozo de Santo Agostinho, Prègador de S. Magestade, Qualifica- // dor do S. Officio, & Lente de Theologia no Collegio de S. Antaõ // o Velho desta Cidade de Lisboa em 12. de Junho de 661. // EM LISBOA. // Com todas as licenças necessarias. // Na Officina de Henrique Valente de Oliveira, Impressor delRey N. S. // Anno de 1661. In-8.º (19 cm) de [8], 39, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Sermão-homenagem dedicado a D. João IV, falecido poucos anos antes, proferido na Igreja de Corpus Christi, Santa Maria Maior, Lisboa. "O edifício foi construído na sequência de um voto gratulatório da rainha D. Luísa de Gusmão, pela sobrevivência de D. João IV [a um atentado] perpetrado na altura da procissão do Corpo de Deus, o que foi explicado como manobras castelhanas, tendo a capela integrado um conjunto de obras régias de forte carga ideológica, apresentando-se como um dos primeiros monumentos de celebração do sucesso da Restauração".
Prédica proferida e publicada em pleno conflito entre os dois países ibéricos. São muito apreciados estes sermões da Restauração, pretendem celebrar e legitimar o poder real português.
Raro e importante. A BNP não menciona este sermão; possui outra versão mais recente (1672), editado em Coimbra na Officina de Joseph Ferreira, Livreiro da Universidade.
"Se os favores grandes fazé o agradecimento immortal, se quando o beneficio he maior que toda a esperança, não ha paga que seja igual ao beneficio, grande he o acerto desta acção, grande o fim desta solennidade. A Chrito Sacramentado consagra hoje a Fé, a Devação & a Piedade da Rainha N. Senhora este dia solennissimo, este Templo magestozo em agradecimento daquelle beneficio grande, daquele favor admiravel, que hoje fas quatorze annos fes neste lugar á Magestade do nosso invicto Rey Dom João o Quarto de felice, & saudoza memoria. [...]
Os bens, & os males do mundo naõ se fazem taõ incriveis por grandes, como se fazem incriveis por de desuzados Fazerse hum homem manjar (como se fazia Christo) para se dar a comer, Qui manducat meam carnem. Que couza ha mais desuzada, & ao parecer mais incrivel? Pois para o Senhor facilitar o credito a este singular beneficio rompe em tantos juramentos: Vere est cibus, vere est potus. Verdadeiramente, , que se a Piedade da Rainha nossa Senhora não edificára este admiravel Templo, para testemunho deste maravilhozo cazo, que podiamos justamente recear, que o naõ creriaõ os nossos descendêtes, porque para lhe dar credito, naõ parece que bastava, nem o testemunho autentico das escrituras, nem a verdade irrefragavel das historias. Quem avia de crer, que ouve hu homé taõ barbaro, que quis matar ao seu Rey à vista do Sacramento? E quem avia de crer, que foi este Rey taõ mimozo de Deos, que por duas vezes cegou a este traydor os olhos, quando quis empregar o tiro?"
(Excerto do Sermão)
Fr. Cristóvão de Almeida (1620-1679). "Natural da vila da Golegã onde nasceu em 1620. Professou com dezoito anos no Convento dos ermitas de Santo Agostinho, na cidade de Évora. Doutor em Teologia, Mestre da sua Ordem e nomeado pelo príncipe regente, D. Pedro, bispo coadjutor do Arcebispado de Lisboa, dignidade em que foi confirmado com o título de bispo de Martyria. Faleceu nas Caldas da Rainha no dia 26 de Outubro de 1679. Foi considerado um dos mais eloquentes oradores que subiram ao púlpito, com aplauso universal. Era elegante e erudito na oratória." (Inocêncio, Dicionário Bibliográfico Português)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Desencadernado. Apresenta rasgão a toda a largura do frontispício sem perda de papel; última página com falha de papel de algum relevo no pé.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Peça de colecção.
50€

23 março, 2025

RAMOS, Dr. Luiz Maria da Silva -
SERMÃO SOBRE A DIVINDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CHRISTO.
Recitado na Sé Cathedral de Coimbra. Pelo... Lente cathedratico da faculdade de theologia na universidade de Coimbra... Porto : Braga, Livraria Internacional de Ernesto Chardron - Eugenio Chardron, 1877. In-8.º (22,5x14 cm) de 24 p. ; B.
1.ª edição.
Sermão dedicado pelo autor a D. Manoel Corrêa de Bastos Pina, Bispo de Coimbra, Conde de Arganil, etc.
"O dogma da divindade de Jesus Christo, é tão necessario para explicar a historia do homem no tempo e no espaço, como o dogma da existencia de Deus, supremo arbitro de tudo, é necessario para explicar os phenomenos do universo. [...]
A divindade de Jesus Christo é, por isso, um verdadeiro postulado da historia, e conseguintemente um dogma razoavel. No Evangelho de hoje, offerece o Salvador a seus inimigos dous motivos, qual d'elles mais convincente, para abonar o seu caracter divino: a sua sanctidade immaculada: quis ex vobis arguet me de peccato? e a sua veracidade omnimoda: Si veritatem dico vobis, quare non creditis mihi? Logo Jesus Christo é Deus. Eis o que naturalmente se deduz das suas palavras, e eis tambem o assumpto do meu discurso."
(Excerto do Preâmbulo)
Luís Maria da Silva Ramos (1841-1921). "Nasceu em Braga. Em 23 de Dezembro de 1866, com 25 anos, formou-se na Faculdade de Teologia de Coimbra. Foi lente substituto da mesma Faculdade em 1876 e lente catedrático em 1874. Depois de ordenado sacerdote consta que foi professor no Seminário diocesano de Braga, onde Ieccionou Teologia moral, e no Seminário de Coimbra, onde regeu a cadeira de Teologia Litúrgica e Sacramental. Chegou a ser eleito director da Faculdade de Teologia de Coimbra.
Foi director da Estrela d'Alva, de Braga, e redactor da Civilisação Catholica, do Porto. Nesta última revista tomou a defesa da União Nacional com Tomás de Vilhena. Colaborou ainda noutra imprensa católica. A saber: União Catholica, Futuro, Consultor do Clero, todos de Braga; A Nação, de Lisboa; Caridade, Ordem e Instituições christãs, do Porto. A sua actividade sócio-cultural e religiosa não se esgotou na imprensa. Pertenceu, ainda à Academia filosófico-escolástica de S. Tomás de Aquino (Barcelona) e à Sociedade de S. Paulo para a difusão da imprensa católica (Roma)."
(Fonte: Jorge, Ana Maria C. M. - Os Participantes do I Congresso Católico Português (1871-1872), in Lusitania Sacra, 2.ª série, 12, (2000))
Exemplar em bom estado geral de conservação. Envelhecido. Frágil, com defeitos e pequenas falhas de papel na capa. Ausência da contracapa.
Raro.
Indisponível

26 setembro, 2024

MARTINS, Dr. Francisco - DISCURSOS. In-8.º (22x14,5 cm) de 17, [3]p. ; [1] f. il. (I) - 45, [3] p. (II) - 45, [3] p. (III) - 51, [1] p. (IV) - 33, [3] p. (V) - 31, [1] p. (VI) - 20 p. (VII) - 32 p. (VIII) ; E.
1.ª edição.
Livro composto por oito obras, todas com folha de rosto próprio, publicadas entre 1890 e 1904, incluindo sermões, orações, discursos, alocuções, e um relatório acerca de um compêndio proposto pelo autor para a disciplina de História Eclesiástica na Faculdade de Teologia da UC.
Ilustrado com uma estampa extra-texto no primeiro opúsculo - "Oração funebre que nas exequias solemnissimas de Sua Magestade El-Rei D. Luiz celebradas pela Universidade de Coimbra...".
O autor, figura de destaque do ensino na época, foi presbítero e professor catedrático na Faculdade de Teologia da Universidade de Coimbra e, mais tarde, no início do século XX, reitor do Liceu Nacional Central do Porto.
Exemplar valorizado pelo seu autógrafo com dedicatória ao "afilhado e amigo Alberto Moreira da Rocha Brito". A data visível na pasta anterior - "26-XII-903" - assinala o sacramento da Confirmação de Rocha Brito (1885-1955), que viria a ser "persona grata" de Coimbra e distinto professor da Faculdade de Medicina na Universidade, tendo obtido projecção na área da Dermatologia e Epidemiologia.
Encadernação em percalina com ferros gravados a seco e a negro e ouro nas pastas e na lombada.
Raro.
45€

12 fevereiro, 2023

PIMENTEL, João Pereira Botelho de Amaral e - SERMÃO SOBRE A TORPEZA DO PECCADO, Pregado na Sé Cathedral de Leiria, por... Bacharel formado em Direito, Deão da Sé Cathedral de Leiria... Na Primeira tarde das Domingas da Quaresma do anno de 1858. Braga: - Typ. União - Á Galeria n.º 12, 1864. In-8.º (20,5 cm) de 22, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Sermão de teor pessimista, reflete a desesperança com que, de uma forma geral, o autor encara o comportamento sócio-religioso do povo português.
Opúsculo ilustrado com gravura de Nossa Senhora no frontispício.
"Figura-se-me vêr um grande povo mergulhado em pesado somno, e dominado ao mesmo tempo por um somnambulismo frenetico, que o impelle para um terrivel, e proximo abismo, que lhe era facil evitar!... Eu vejo, Senhores, esse povo immenso, como reunido em larga praça, da qual sahem duas oppostas estradas, uma espaçosa, inclinada e coberta de illusorias flôres, vai finalisar bem depressa n'esse precipicio horrivel, outra, um pouco mais estreita, mas facilmente accessivel, conduz ao feliz termo a que todo elle aspira chegar. E o desgraçado povo somnambulo, longe de se dirigir em paz, e ordem para este ultimo caminho, se atropella em confusão e desordem, como furiosos bachantes, e corre quasi todo, com uma resolução e cegueira de loucos, para a beira d'esse precipicio horrivel, no qual em breve será desgraçadamente sepultado, se não houver alguem que o acorde do lamentavel somnambulismo, de que se acha dominado!..."
(Excerto do Sermão)
João Maria Pereira de Amaral e Pimentel (Oleiros, Castelo Branco, 1815 - Angra do Heroísmo, 1889). "28.º bispo de Angra, que governou a diocese entre 1872 e 1889, homem sensível e culto, dedicado às belas artes e à jardinagem, a quem a Diocese de Angra deve ter iniciado a publicação do Boletim Eclesiástico dos Açores, o qual, com mais de 130 anos de publicação ininterrupta, é hoje a mais antiga publicação periódica dos Açores.
Aparentemente por influência dum seu tio-avô, Frei Simão José Botelho Dourado, que era vigário de Oleiros e professor na Ordem de Malta, enveredou pela vida eclesiástica, ingressando no seminário lazarista de Cernache do Bonjardim.
Quando o Seminário das Missões de Cernache do Bonjardim fechou portas, por expulsão do seu corpo docente, foi obrigado a trabalhar para sustento da mãe e irmãs, sendo sucessivamente secretário do vigário capitular de Leiria, recebedor do concelho de Oleiros, escrivão da Câmara e advogado.
Ingressou no curso de direito da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, obtendo o bacharelato em 1849. Durante este período foi funcionário do Governo Civil do Distrito de Coimbra, para além de litografar sebentas e de exercer outras ocupações com as quais se sustentou.
Obtidas as ordens menores, passou a secretariar o bispo de Bragança, sendo ordenado presbítero em 1850, sendo logo nomeado vigário geral, chantre e vigário capitular daquela diocese.
Transferido para a diocese de Leiria, foi em 1854 nomeado deão, vigário geral e provisor da diocese. Neste ano foi agraciado com a comenda da Real Ordem Militar de Cristo.
Em 1865-1866 foi eleito e confirmado bispo de Macau, mas a nomeação não foi aceite pelo governo português, dada que a confirmação pontifícia restringia a sua jurisdição única e exclusivamente à cidade de Macau, contrariando as pretensões de jurisdição que Portugal mantinha sobre o governo espiritual dos católicos chineses.
Esta recusa levou a que retornasse ao seminário de Cernache do Bonjardim, nas funções de orientador do Colégio das Missões, a cujas actividades deixou ligado o seu nome.
Em Junho de 1871, o governo português apresentou-o à Santa Sé para bispo de Angra, sendo confirmado em consistório realizado em 22 de Dezembro de 1871 e nomeado pelo papa Pio IX.
O novo bispo de Angra nomeou seu procurador o Dr. Ferreira de Sousa que, em seu nome, tomou posse do bispado. Deu entrada na Diocese a 21 de Agosto de 1872, sendo recebido com as honras habituais, que incluíram Te Deum na catedral, onde deu anel a beijar ao clero, autoridades e pessoas de representação, seguindo-se, durante três noites, concerto pela Banda Militar dos Açores no salão de entrada do Paço Episcopal.
Governou com senso, fazendo numerosas visitas pastorais, publicando um acervo doutrinário cobrindo os temas e preocupações da época, com destaque para a Bula da Santa Cruzada, os tempos quaresmais, os excessos de emigração, e a posição do sacerdócio católico, com as suas prerrogativas e obrigações.
Entre a sua actividade normativa, destaca-se a regulamentação da jurisdição dos párocos, coadjutores e capelães e das oferendas às igrejas ou imagens, cruzes, altares e capelas.
Este bispo atravessou uma época difícil, com múltiplas discórdias, a que não eram alheias as facções políticas existentes na ilha e as tensões existentes entre a Igreja Católica Romana e o Estado. Para cúmulo, o relacionamento com o seu coadjutor com direito a sucessão, D. Francisco Maria do Prado Lacerda, o futuro 29.º bispo de Angra, estava longe de ser amistoso, havendo voz pública de graves questões e desentendimentos.
D. João Maria faleceu a 27 de Janeiro de 1889 na Quinta da Estrela, no Caminho de Baixo de São Carlos, arredores da cidade de Angra do Heroísmo.
Homem de profunda sabedoria e delicado espírito científico, era um grande apreciador das belas artes e passava o seu tempo livre cultivando flores."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sem contracapa.
Raro.
Indisponível

01 setembro, 2022

RIBEIRO, João Pedro - SERMAÕ // PREGADO // NA ENTRADA DE HUMA // RELIGIOSA, // POR // HUM PRESBYTERO // SECULAR. / SEGUNDA IMPRESSAÕ. //
PORTO: // Na Offic. de Pedro Ribeiro Fran- // ça, e Viuva Emery. // Anno de 1791. // Com Licença da Real Mesa da Comis- // saõ Geral sobre o Exame, e Cen- // sura dos Livros.
In-8.º (16x9,5 cm) de 31, [1] p. ; B.
Documento coevo, com indubitável interesse para o conhecimento do cerimonial e acto de entrada das religiosas para uma instituição monástica. Raro e muito interessante.
Obra anónima. De acordo com Inocêncio, a sua autoria pertence a João Pedro Ribeiro (1758-1839). A 1.ª edição foi publicada em Coimbra, 1788 (BNP não menciona).
"Riquezas, liberdade, e prazeres, saõ os atractivos, que nos offerece o Mundo,  que huma Alm que generosamente o renuncia, deixa fóra dos muros do Claustro, trocando por huma voluntaria pobreza, por huma obediencia inteira, por huma perpetua castidade. Se o Mundo nos podesse mostrar que aquelles seus bens saõ bens reaes, que elles se pódem gozar com prazer, que naõ custaõ mais do que valem: se elle podesse persuadir-nos que a paz, e a alegria se naõ póde encontrar n'huma clausura, que tudo ahi he desgosto, tudo angustia: que pelo contrario a estrada do Seculo conduz huma alma ao seu unico fim, com igual segurança, e menos obstaculos, que a da Religiaõ; oh! quanto eu chamára louco  quem largasse aquellas venturas do Mundo, para se ir sepultar dentro de hum Clautro, trocando todos os prazeres do Seculo por huma continua penitencia!
Minha amada Irmã em J. C. o Mundo com effeito assim o pensa, e elle tem muitos sectarios. Idolatra dos seus apparentes bens, chora hoje a vossa resoluçaõ, como nascida do pouco, que ainda o conheceis, do pouco que vos saõ patentes as austeridades, e desgostos da vida em que hoje entris. Mas quanto he elle antes acredôr das nossa lagrimas, e de todos os sensatos!
Permittîme, que por hum pouco vos levante este mystico véo, que apartou de vossos olhos o Mundo, e vos esconde para o Seculo..."
(Excerto do Sermão)
João Pedro Ribeiro (Porto, 1758 - 1839). "Presbítero secular, doutor em cânones pela Universidade de Coimbra, cónego doutoral nas sés de Faro, Viseu e Porto, desembargador honorário da Casa da Suplicação, conselheiro da Fazenda, cronista dos domínios ultramarinos, censor régio do Desembargo do Paço, sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa, etc.
Era um dos escritores mais eruditos de Portugal, verdadeiro percursor de Alexandre Herculano nas investigações históricas dos documentos existentes pelos arquivos e cartórios do reino, fundador da ciência diplomática em Portugal, quer dizer, da ciência que trata do estudo dos diplomas. João Pedro Ribeiro seguiu a carreira eclesiástica e recebeu ordens de presbítero. Matriculou-se depois na Universidade de Coimbra, na faculdade de cânones, em que se doutorou a 6 de maio de 1781. Passou a reger uma das cadeiras dessa faculdade, ficando em Coimbra, onde exerceu também funções sacerdotais. Em 1790 era já considerado como homem tão perito no estudo dos antigos documentos, que a Academia Real das Ciências o escolheu, apesar de não ser ainda seu sócio efectivo, para ir com Joaquim José Ferreira Gordo visitar os cartórios das câmaras, conventos, etc., para tirar quantos subsídios pudesse para a história pátria."
(Fonte: https://www.arqnet.pt/dicionario/ribeirojp.html)
Exemplar em brochura (capas simples, lisas), em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e religioso.
Indisponível

12 maio, 2021

GUIMARÃES, Dr. J. J. d'Oliveira - VIRGEM MARIA.
Sermão recitado na Real Capella da Universidade no dia 8 de dezembro de 1902. Pelo... Lente da Faculdade de Theologia
. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1903. In-4.º (24 cm) de [2], 21, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Sermão interessantíssimo, com o foco em duas vertentes: o dogma da Virgem Maria e o despontar do movimento feminista mundial, mostrando Oliveira Guimarães lucidez e pragmatismo sobre as matérias versadas, naturalmente à luz do pensamento e práticas da época .
"Ao levantar pela primeira vez a minha humilde voz na presença de assembleia tam illustrada, que outra mais eu não conheço em meu país, não é sem motivada tibieza de ánimo que balbucio as primeiras palavras da pobre oração, que em obediência á lei e compellido pelo dever me vejo hoje obrigado a pronunciar.
Mas, se me sinto absolutamente despido de dotes oratórios, necessários para o bom desempenho da missão de que estou incumbido, e me reconheço portanto incapaz de emprestar a qualquer assumpto o relêvo e colorido, que o torne attrahente e interessante a espíritos tam cultos, resta-me ao menos a consolação de que a matéria sôbre que ha de naturalmente versar o meu discurso é de si tam grandiosa e sublime, que nada lhe poderá obscurecer o alcance, nem empanar o brilho.
Trata-se effectivamente do dogma mais suggestivo, mais sympáthico, mais fecundo em effeitos morais, de toda a economia do christianismo - o dogma da Immaculada Conceição de Maria, definido pelo supremo Hierarcha da Igreja, a instâncias de toda a christandade, a 8 de dezembro de 1854. [...]
Trata-se enfim dum ponto doutrinal, que muito antes de ser imposto pelo inffalivel Magistério de Igreja à crença cathólica, com a verdade irrecusavel dum dogma, já nesta Universidade fôra objecto duma profissão de fé, como prova a inscripção commemorativa que ali está, no topo do transepto desta Capella, profissão que se repetia todas as vezes que houvesse de se conferir algum grau em qualquer das faculdades académicas."
(Excerto da primeira parte da obra)
"Meus senhores: - No momento em que estou fallando, talvez em muitas cidades de Inglaterra ou dos Estados Unidos da América do Norte, em várias dessas reüniões e congressos que revelam ao mundo a crescente importância do movimento feminista, se estejam nesta hora discutindo acaloradamente algumas das questões referentes á mulher, aos seus direitos, aos seus deveres, à sua missão no mundo, às profissões que julgam dever-lhes ser facultadas, à sua situação em relação ao homem, etc. [...]
As multidões impacientes de dôr e de oppressão, cansadas de miséria e de gritos, adquirem a consciência real do seu mal estar. [...]
Este estado de profundo desalento, que tam dolorosamente aggride as consciências e perturba os espiritos, ha de aggravar-se ainda mais, se possivel fôr, quando a mulher, pelas condições económicas, morais e sociais que o meio lhe está preparando, fôr arrastada a reclamar no immenso banquete da vida, pela violência da selecção, a parte que lhe pertence.
Quando esse lúgubre momento chegar, quando a mulher num esfôrço supremo do instincto da conservação, para garantir a sua sobrevivência, fôr obrigada a disputar ao homem a primazia do talento e do domínio, invadindo todas as profissões e misteres até agora a elle exclusivamente reservados; quando ella tiver de pôr ao serviço da necessidade as brilhantes qualidades que a caracterizam, o seu engenho, a sua paciéncia, a sua capacidade esthética, o seu gôsto artístico, a sua rara habilidade manual, a sua astúcia, a sua subtileza, etc., então a lucta pela vida tornar-se ha tam intensa e tam cruel, a selecção social será tam mortífera e violenta, que o mundo nos offerecerá certamente o espectáculo ignóbil e doloroso dum immenso pandemónio, onde a felicidade e o bem estar nunca encontrarám pousada nem lograrám abrigo."
(Excerto da segunda parte da obra)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

18 abril, 2021

ANTA, Dom Abbade d' - ORAÇÕES SAGRADAS. Collecção de sermões escolhidos.
Pelo... Manoel Ribeiro de Figueiredo ex-professor de Latim e Latinidade, Prégador Régio e Capellão da Casa Real, etc.
Porto, Imprensa Civilisação - Santos & Lemos, 1882. In-8.º (21 cm) de XXV, [1], 343, [8] p. ; C.
1.ª edição.
Obra dedicada pelo autor - Manuel Ribeiro de Figueiredo, o Abade de Anta (Espinho) - ao Conselheiro José Dias Ferreira, conhecido professor universitário de direito, advogado e político português. A extensa dedicatória, terminada na Praia d'Espinho, com data de 30 de Novembro de 1881, é o pretexto para o autor tecer considerações sobre a Oratória Sagrada em Portugal, apontando as causas para a sua decadência, numa espécie de dedicatória-prólogo que antecede a colectânea de sermões.
Indice:
Carta do Ill.mo e Ex.mo Snr. Conselheiro, José Dias Ferreira, ao aucthor. | Carta-Prologo do aucthor ao mesmo. | Sermão da Eucharistia. | Sermão de Jesus Christo, Senhor dos Afflictos. | Sermão do Coração de Jesus. | Sermão de Nossa Senhôra 'na sua Natividade. | Sermão das Dôres de Nossa Senhôra. | Sermão da Soledade de Nossa Senhôra. | Sermão do Lava-pés. | Sermão da Paixão de Jesus Christo. | Sermão da Ressurreição. | Sermão de Sancto Antonio. | Sermão de Sancta Mafalda. | Sermão de Santa Cicilia. | Sermão da Bulla da Sancta Cruzada. | Sermão em acção de Graças pelo triumpho das armas portuguezas sobre os Francezes. | Sermão em acção de Graças pela restauração de Portugal. | Discurso funebre 'no 33.º anniversario da morte do Senhôr D. Pedro 4.º. | Discurso funebre nas exequias por alma do mesmo. | Oração funebre 'nas exequias do Snr. Duque de Loulé. | Oração funebre 'nas exequias do Snr. Fructuoso José da Silva Ayres.
Exemplar cartonado em bom estado de conservação. Sem revestimento da lombada(?).
Raro.
Indisponível

26 novembro, 2020

PATRICIO, Padre F. J. - SERMÕES. I.
Trabalhos Oratorios
. Lisboa, Livraria de Antonio Maria Pereira - Editor, 1893. In-8.º (21,5 cm) de [4], 294 p. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de sermões proferidos pelo autor em ocasiões solenes, sobretudo a norte do Tejo. Uns anos mais tarde, em 1899, seria publicado um outro volume intitulado Sermões e discursos.
"Quando a misericordia divina realisou na incarnação do Verbo a portentosa obra  da rehabilitação humana, uma estrophe de celestial belleza e eterna poesia annunciou ao mundo este grandioso acontecimento.
- Gloria a Deus e paz aos homens! - dizia o cantico dos anjos, chamando ao presepio de Bethlem a adoração dos pastores e a vassallagem dos reis. E a sociedade humana escutou estas dulcissimas palavras como nuncias do resgate e pregoeiras da reconciliação entre o céo e a terra, porque viu n'ellas a immensa philosophia d'uma crênça eterna, que reunia todos os homens n'uma só familia e sob a benção do infinito amor d'um só pae, que é Deus!
Hoje que o culto de quasi dezenove seculos convida a sociedade a commemorar o nascimento do Salvador, repete a Egreja Catholica essa estrophe inspiradissima, que é a synthese admiravel d'uma religião de tolerancia, amor e verdade."
(Excerto de O Natal)
Indice:
I - O Natal - Prégado na egreja do convento da Ave Maria, no Porto. II - A Circumcisão - Prégado na egreja parochial de Santo Ildefonso, no Porto, no 1.º de janeiro de 1885. III - Corpus Christi - Prégado na cidade de Beja em 1890. IV - A Conceição Immaculada - Prégado na egreja da Victoria, no Porto, em 1887. V - Nossa Senhora da Esperança - Prégado na egreja do Recolhimento das meninas orphãs, no Porto, em 1877. VI - Nossa Senhora dos Desamparados - Prégado na cidade de Braga em 1891. VII - Mater Dolorosa - Prégado no templo dos Congregados, no Porto. VIII - O Mandato - Prégado em Villa Real em 1891. IX - Sepulto Domino - Prégado em Lamego em 1889. X - Paixão e Soledade - Prégado em Vianna do Castello em 1883. XI - Ressurreição - Prégado na villa de Moncorvo em 1888. XII - S. Sebastião - Prégado na egreja parochial d'Oliveira d'Azemeis em 1879. XIII - S. Bento - Prégado no mosteiro da villa de Santo Thyrso em 1881. XIV - Pro Regina - Oração gratulatoria prégada na egreja do Terço e Caridade, no Porto, no Te-Deum celebrado alli em 1879 pelas melhoras de sua magestade  a Rainha D. Maria Pia. XV - Restauração de Portugal - Prégado na patriarchal de Lisboa em 1888. XVI - Libertas - Prégado na egreja matriz de Villa do Conde em um Te-Deum celebrado em 1875 na commemoração do desembarque do exercito libertador. XVII - Cittá Dolente - Prégado nas exequias com que a Camara Municipal do Porto suffragou no templo da Lapa as victimas do incendio do theatro Baquet e offertado a El-rei D. Luiz I e á Rainha D. Maria Pia. XVIII - D. Pedro IV - Prégado na Real Capella da Lapa, no Porto, no anno de 1874. XIX - Flebilis ille! - Prégado no templo de S. Domingos, em Lisboa, nas exequias celebradas pela camara municipal em honra de Sua Magestade o sr. D. Luiz I, em 1889. XX - A bandeira do Sertanejo - Prégado na Real Capella da Lapa, no Porto, nas exequias celebradas por occasião de serem trasladados para alli os restos mortaes de Antonio Francisco Ferreira da Silva Porto, em 1891.
Francisco José Patrício CvSE (Vitória, Porto, 1850 - Porto, 1911). "Foi um sacerdote católico, renomado orador sacro, e investigador histórico português.
Terminou o curso do seminário em 1871, tendo sido ordenado presbítero em 1873. Em 1874 foi nomeado pregador régio, em em 1877, padre encomendado de Paranhos. Foi ainda, em 1902, nomeado reitor do Colégio dos Órfãos pela Câmara Municipal do Porto, cargo que exerceu até 1909, altura em que passou a ocupar o lugar de cónego capitular da Sé de Lisboa.
Notabilizou-se pela sua grande capacidade oratória, tendo sido responsável por fazer a prédica em diversos momentos notáveis, como nas exéquias de D. Luís I celebradas em Lisboa, Porto, e Lamego em 1889, nas das vítimas do incêndio do Teatro Baquet em 1888, nas do africanista Silva Porto em 1890, e aquando da trasladação dos restos mortais de Almeida Garrett do seu túmulo original no Cemitério dos Prazeres para o Mosteiro dos Jerónimos em 1903. Os seus sermões foram mais tarde reunidos em diversos volumes, sob o título Trabalhos Oratórios. Enquanto escritor, deixou impresso um livro, Telas Românticas, que reuniu diversos escritos da sua juventude, bem como diversos artigos de investigação histórica sobre a origem de romarias e usos populares, a maior parte publicados no Comércio do Porto mas também no Comércio Português, Jornal do Porto, Província, e Jornal da Manhã.
Foi eleito deputado pelo círculo eleitoral do Porto nas eleições de 1881, por Viana do Castelo em 1896, e novamente pelo Porto em 1901 e 1904; não se envolveu, contudo, em debates importantes.
Pertencia a numerosas corporações de beneficência e sociedades científicas e literárias: pertencia, entre outras, à Real Sociedade Humanitária do Porto, ao Instituto de Coimbra, à Sociedade de Geografia de Lisboa, à Sociedade dos Arqueólogos e Arquitectos Portugueses. Foi agraciado com o grau de cavaleiro da Ordem de Santiago da Espada em 1900, e com outras condecorações estrangeiras.
Morreu em 1911, vítima de uma doença da laringe que o fez perder a fala."
(Fonte: wikipédia)
Encadernação editorial inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta frontal e na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Dedicatória de oferta (não do autor) na f. rosto.
Muito invulgar.
Indisponível

19 janeiro, 2019

SILVA, Luiz Moreira Maia da - ORAÇÃO GRATULATORIA NA ACCLAMAÇÃO DO SENHOR D. PEDRO V. POR OCCASIÃO DO TE DEUM MANDADO CELEBRAR NA SÉ CATHEDRAL DO PORTO PELA CAMARA MUNICIPAL DA MESMA CIDADE NO DIA 16 DE SETEMBRO DE 1855, RECITADA POR..., Vigario de Santa Eulalia de Macieira de Sarnes. Porto, Na Typographia de Sebastião José Pereira, 1855. In-8.º (21,5cm) de 27, [3] p. ; B.
1.ª edição.
"Que vivido enthusiasmo é este, que incita os animos de toda uma Nação?! Como é expansivo o jubilo, que ressumbra na face de seus filhos! Porque ondeam sobre o Tejo e Douro tão festivas, e vistosas galas? Porque se ergue tão radiante e magestosa esta bella do Occidente, cuja fronte se reclina á sombra das parreiras do Minho, e cujos membros se espreguiçam pelas orlas do Oceano?
Não vos é grata essa excitação continua, esse tumultuar sem trégoas no paiz dos Viriatos e Lidadores? [...]
É porque n'este dia memoravel empunha o Sceptro dos Seus Maiores o Descendente dos nossos Reis. É porque n'esse Joven pullulam, de mãos dadas, os brios da Natureza, e os primores da arte... Porque é neto d'um Heroe, que abandonou duas Corôas, e maravilhou dous mundos... filho d'um Regente, que, provindo dos extranhos, é Portuguez do coração..."
(Excerto do preâmbulo)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Capas frágeis e oxidadas, com defeitos e falhas de papel nos cantos.
Raro.
10€

04 agosto, 2018

MARTINS, Dr. Francisco - RELIGIÃO E SCIENCIA. Sermão que na solemnidade inaugural do anno lectivo de 1894-1895, e juramento dos lentes da Universidade de Coimbra prégou o... Lente cathedratico da Faculdade de Theologia. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1894. In-4.º (23,5cm) de 33, [3] p. ; B.
1.ª edição.
"Tudo o que é humano está sujeito a vicissitudes: condição imperterivel da contingencia immanente em sua natureza; mas tambem é insito nesta o aspirar sempre ao mais elevado e perfeito. [...]
O fim essencial da religião é ligar por amor os homens a Deus, e por este amor os homens entre si.
Ora, como naturalmente somos inclinados a amar um ser tanto mais, quanto melhor conhecemos as suas perfeições, segue-se que tudo, que possa concorrer para o conhecimento dos infinitos attributos do Ser Creador, contribue á realisação daquelle fim.
E, como todas as sciencias humanas estudam a magnificentissima obra da creação, em que divinas perfeições rebrilham e se ostentam, principalmente aos olhos de quem lida por perscrutar-lhe os segredos, áquelle fim nos conduzem todas.
Todas ellas são destinadas a elevar o homem, e tudo o que eleva o homem o approxima de Deus. Todos trabalham por dissipar as trevas da ignorancia, e quanta mais luz alumiar um espirito, tanto mais nitidamente nelle se  representará a imagem de Deus.
Deste modo podemos com Clemente Alexandrino considerar as sciencias como preparatorio e auxiliar da religião."
(Excerto do Sermão)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas envelhecidas e algo manchadas.
Raro.
Indisponível

10 fevereiro, 2017

VIEIRA, Padre Antonio - SERMÃO DE SANTO ANTONIO : Prégado Na cidade de S. Luiz do Maranhão, no anno de 1654. Pelo... [Santo Antonio e os Peixes]. Porto, Livraria Mesquita Pimentel - Editora, 1895. In-8.º (18,5cm) de VIII, 69, [3] p. ; B.
Edição comemorativa publicada por ocasião do 7.º centenário natalício de Santo António, reproduzindo um dos mais conhecidos sermões de Vieira - o celebrado Sermão aos Peixes, que tanta polémica provocou no Brasil, junto da comunidade portuguesa, acusada por Vieira de maltratar e utilizar os nativos como mão-de-obra escrava.
"O Sermão de Santo António foi pregado no dia 13 de Junho de 1654, na cidade de S. Luís do Maranhão, três dias antes de Padre António Vieira partir ocultamente para Portugal, para denunciar o modo como os índios estavam a ser tratados pelos colonos portugueses. Este sermão recebeu este nome por ter sido pregado no dia em que se celebra Santo António. Outra razão prende-se com o facto de Padre António Vieira tomar Santo António como modelo e, fazendo referência ao milagre dos peixes, tomar a decisão de imitar o santo português e, também ele, ir pregar aos peixes. Estes peixes são alegóricos, simbolizando as qualidades e os defeitos dos homens. Padre António Vieira aproveita ainda o sermão para tecer um enorme panegírico (elogio rasgado) a Santo António. A par e passo, é apresentado o exemplo de Santo António, ora em paralelo com os peixes elogiados, ultrapassando ele as virtudes desses peixes, ora numa posição antitética com os peixes criticados, por o santo apresentar as qualidades opostas aos defeitos desses peixes."
(fonte: pt.scribd.com)
"Corria o seculo XIII, quando na Italia e cidade de Arimino, banhada pelo rio Marecchia, appareceu um frade franciscano, de origem portugueza, prégando aos hereges. Chamava-se Antonio de Lisboa e sempre se revelára modêlo de oradores sagrados; prégava pela palavra e pelo exemplo.
A sua palavra, que sempre fôra lus a infiltrar-se na intelligencia, a afugentar as sombras da ignorancia, a illuminar os abysmos do erro, a queimar a teia do sophisma, a guiar no labyrintho dos escrupulo dos ouvintes, d'esta vez parecia incidir n'uma muralha de bronze. [...]
Tal era a cegueira de espirito e a dureza do coração dos habitantes d'aquella cidade. [...]
O ardor, porém, da sua fé, o zelo pela salvação das almas, o amor á Santa Egreja e a gloria de Deus não consentiam que a lingua se atasse e a voz emmudecesse, e portanto o humilde missionario dirigiu-se para a prai no ponto em que o rio se lança no mar, e ahi collocado começo a fallar aos peixes, como se fôra enviado da parte de Deus.
Rompeu o notabilissimo improviso pelas palavras:
«Ouvi a palavra de Deus, vós, ó peixes do mar e do rio, já que os herejes não querem ouvil-a»."
(excerto da introdução, Duas palavras)
"Enfim, que havemos de prégar hoje aos peixes? Nunca peior auditorio. Ao menos têm os peixes duas boas qualidades de ouvintes: ouvem e não fallam. Uma só coisa pudéra desconsolar ao prégador, qie é serem gente os peixes, que se não ha de converter. Mas esta dôr é tão ordinaria, que já pelo costume quasi se não sente. Por esta causa não fallarei hoje em céo nem inferno; e assim será menos triste este sermão, do que os meus parecem aos homens, pelos encaminhar sempre á lembrança d'estes dois fins.
«Vós sois o sal na terra». Haveis de saber, irmãos peixes, que o sal, filho do mar como vós, tem duas propriedades, as quaes em vós mesmos se experimentam: conservar o são, e preserval-o para que se não corrompa. Estas mesmas propriedades tinham as prégações do vosso prégador Santo Antonio, como tambem as devem ter as de todos os prégadores. Uma é louvar o bem, outra reprehender o mal: louvar o bem para o conservar, e reprehender o mal para preservar d'elle. Nem cuideis que isto pertence só aos homens, porque tambem nos peixes tem seu logar."
(excerto do Sermão)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com manchas e pequenas falas de papel, a mais visível, no cantos superior esq. da capa.
Raro.
Indisponível

19 fevereiro, 2015

MACEDO, Jozé Agostinho de - SERMÃO NA FESTIVIDADE DA INSTITUIÇÃO DA REAL ORDEM DE SANTA IZABEL, CELEBRADA NA IGREJA DE S. ROQUE, NO DIIA 24 DE SETEMBRO DE 1805, ESTANDO PRESENTE A PRINCEZA HOJE RAINHA NOSSA SENHORA, SUAS ALTEZAS, A CORTE, &c. &c. &c. PREGADO POR... PRESBYTERO SECULAR, E PREGADOR DE SUA MAGESTADE. LISBOA, NA TYPOGRAPHIA ROLLANDIANA, 1819. Com Licença da Meza do Desembargo do Paço. In-8.º (14,5 cm) de 37, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Apreciado sermão do padre José Agostinho de Macedo. Pregado em 1805, apenas viria a ser publicado em 1819, como faz questão de referir no final JAM, "achava-se licenciado para a impressaõ desde 7 de Agosto de 1807; mas diversas circunstancias impediraõ até agora a sua publicaçaõ pela imprensa".
"Muito Alta, e Muito Poderosa
Princeza, e Senhora Nossa:
Descobrir, e admirar a virtude sentada em o Throno Portuguez, ou reconhecer e adorar a imagem desta mesma virtude em cada huma de nossas Soberanas, desde os principios desta Monarchia, he ajuntar hum brado aos testemunhos irrefragaveis dos Annaes, e Fastos do Imperio Lusitano. Estendo, e alongo a vista pelos seus limites, e em toda a parte vejo monumentos levantados á Religiaõ por aquellas mesmas mãos, que sustentáraõ o Sceptro."
(Excerto do sermão)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas com defeitos.
Raro.
Indisponível

25 dezembro, 2014

VIEIRA, Pe. António - SERMÃO // QUE PREGOU // O P. ANTONIO VIEYRA // da Companhia de JESU, na Igreja das Chagas, em // a festa que se fez a S. ANTONIO, aos 14. // de Setembro deste anno de 1642. // Tendose publicado as Cortes para o dia seguinte. // [Imagem do Santo em madeira] // EM COIMBRA, Com todas as licenças necessarias. // Na Impressaõ da VIUVA de MANOEL de CARVALHO // Impressor da Universidade: Anno de 1672. In-8.º (20,5 cm) de [2], 20, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Edição original deste apreciado sermão do Padre António Vieira, proferido no rescaldo da Restauração da Independência (1640), em clima de grande euforia e fervor patriótico, não sendo despiciendo o seu sentido político, dado o contexto da época, e as relações com Castela.
Os Sermões do Padre António Vieira impressos em separado são muito apreciados e procurados. Adicionalmente valorizado porque dedicado a Santo António, o santo da devoção nacional, que ultrapassou fronteiras continentais.
"A Arca do testamento (q assi lhe chamou Gregorio IX.) ao Martello das heregias (que este nome lhe deu o Mundo) ao defender da fê ao lume da Igreja, à maravilha de Italia, a hõra de Hespanha, a gloria de Portugal, ao melhor filho de Lisboa, ao Cherubim mais eminente da Religiam Serafica, celebramos festa hoje. Necessario foy que o advertissemos, pois o dia o nam suppoem, antes parece que diz outra cousa. Celebramos festa hoje como dizia, ao nosso Portugues Santo Antonio; & se havemos de reparar em circunstancias de tempo, nam he a menor difficuldade da festa, o celebrante hoje. Hoje? em quatorze de Setembro Santo Antonio? Se jà celebramos vniversalmente suas sagradas memorias em treze de Junho, como torna agora em quatorze de Setembro? Entendo que nam vem Sancto Antonio hoje por hoje, senam por amenham. Estavam publicadas as Cortes do Reyno para quinze de Setembro; vem Sancto Antonio aos quatorze, porque vem às Cortes. Como ha dias em que o Ceo està pella Coroa de Portugal, manda tambem seu Procurador o Ceo às Cortes do Reyno."
(Excerto do Sermão)
Encadernação inteira de percalina, com título e data gravados a seco em pele aposta e cozida na pasta frontal. Conserva capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito raro.

Peça de colecção.
Indisponível

29 agosto, 2014

COELHO, Joam - SERMAM // DO // ROSARIO // DA // VIRGEM SENHORA NOSSA // OFFERECIDO // AO ILLVSTRISSIMO, E REVERENDISSIMO SENHOR // D. VERISSIMO DE LANCASTRO // Arcebispo, & Senhor de Braga, Primàz das Espanhas, // do Concelho de sua Alteza, & seu Sumi- / lher da Cortina, nomeado In- // quisidor geral destes // Reynos. // PREGOV-O // O LICENCIADO JOAM COELHO // natural da Villa de Barcellos, em o primeiro // Domingo de Outubro de 1673. // PRESENTE O MESMO SENHOR ARCEBISPO // Primàz. // EM COIMBRA: // Com todas as licenças necessarias, // Na Officina de IOSEPH FERREYRA: Anno 1677. In-8.º (19 cm) de 23, [1] p. ; B.
Na p. de tít, tarja constituídas por pequenas vinhetas; xilogravura no final com motivos florais.
1.ª edição.
Obra dividida em duas partes: A dedicatória a D. Veríssimo de Lancastro (*) e o sermão propriamente dito.
"Livro da geração de Christo chama S. Matheus a este Evangelho: & porque não livro das geraçoens de Christo? porque não compendio, & volume das genealogias do Senhor? se perguntarmos aos Theologos quem he Christo, hão de responder, que he um composto inefavel de duas naturezas completas, humana, & Divina em a mesma subsistencia do Verbo unidas: se pois Christo tem duas geraçoens, assi como duas naturezas; porque não eserceuco hũa, & outra geração o Evãngelista? porque não falou em a Divina assi como escreveo a humana? a Divina por mais soberana parece avia de ser o primeiro rasgo de tão sagrada pena,avia de ser o assumpto melhor do Evangelista: a empreza quanto maior, quanto mais ardua, tanto mais realça de quem a cõsegue o credito."
(Excerto do sermão)
(*) D. Verissimo de Lancastro, Cardeal da Santa Igreja Romana, Inquisidor Geral, quarto neto del Rey D. João, o II, foi provedor da Misericórdia em Évora, Thezoureiro-mór da Sé da cidade de Évora, e Inquizidor da dita cidade, Arcebispo e Senhor de Braga, Primàz das Espanhas, Conselheiro de Sua Alteza e seu Sumilier da Cortina. Ver Fr. Alvaro da Fonseca, Relação da nobre, e antigua família de Fonseca no Reino de Portugal… (Biblioteca Lusitana Histórica…, 1741-1759, p. 103) .
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Raro.
Indisponível

15 junho, 2013

MARIA, Padre Francisco de S. – SERMOENS // DO PADRE // FRANCISCO DE S. MARIA // CONIGO DA SAGRADA CONGREGAÇAM DE S. JOAM // Evangelista, Cronista gèral da mesma Congregaçaõ, Mestre // jubilado na sagrada Theologia, & Qualifica- // dor do Santo Officio. // I. PARTE. // DEDICADA // Ao muito Alto, & muito Poderoso Rey // DOM PEDRO II. // NOSSO SENHOR // LISBOA. // Com todas as licenças necessárias. //Na Officina de MANOEL LOPES FERREIRA // Anno M. DC. LXXXXIX. // E à sua custa impressa. In-8º (20cm) de [8], 382 p. ; E.
Ilustrado com vinhetas tipográficas e florões.
Este é o I de V tomos publicados entre 1869 (o presente) e 1738.
“SENHOR.
Ponho aos Reas pés de V. Magestade, este Primeira Parte dos meus Sermões, esperando, que serà recebida nos braços da clemencia igualmente benefica, & soberana, com que V. Magestade, como Planeta dominante, & Senhor, naõ dos anos, mas dos animos, que he mais, impera nos corações de seus Vassallos. A qual julgo, para com estes Sermões taõ propicia, & taõ certa, quanto sey que foy singular a attençaõ, & notorio o agrado, com que V. Magestade se dignou de ouvir os que prèguei em sua Real presença.
(excerto da dedicatória)
Sermões que constam deste tomo:
1. Da Conceiçaõ da Virgem Santissima. 2. De Santo Antonio de Padua. 3. Do deseggravo do Santissimo Scacramento. 4. Da Ascensaõ de Christo Senhor nosso. 5. De Santa Clara. 6. De Quarta feira de Cinza. 7. Das Saudades da Virgem Santissima. 8. Da terceira Dominga do Advento. 9. De Saõ Joaõ Evangelista. 10. Da terceira Quarta feira da Quaresma. 11. Do Santissimo Sacramento. 12. Da Lagrymas de Saõ Pedro. 13. De Nossa Senhora a Grande. 14. De Nossa Senhora do Valle. 15. De Santa Theresa de Iesu. 16. Primeira tarde da Quaresma. 17. Segunda tarde. 18. Terceira tarde. 19. Quarta tarde. 20. Quinta tarde.
P. Francisco de Sancta Maria, Conego secular da Congregação de S. João Evangelista, Doutor em Theologia pela Universidade de Coimbra, Reitor da Casa de Sancto Eloy, e Geral da mesma Congregação, Provedor do Hospital Real das Caldas da Rainha, etc. Diz se que rejeitára o bispado de Macau, para o qual elrei D. Pedro II quiz nomeal o em 1692. N. em Lisboa a 11 de Dezembro de 1653, e m. na mesma cidade a 13 de Novembro de 1713. Para a sua biographia vej. o Elogio que á sua memoria dedicou Manuel da Cunha de Andrade, impresso em 1739, e os Estudos biographicos de Canaes a pag. 234. Ha na Bibl. Nacional dous retratos seus. E. 1429) (C) O Céo aberto na terra. Historia das sagradas Congregações dos Conegos Seculares de S. Jorge em Alga de Veneza, e de S. João Evangelista em Portugal. Lisboa, por Manuel Lopes Ferreira 1697. fol. gr. de XXIV 1146 pag. Bella edição, ornada com um elegante frontispicio gravado a buril. Além da chronica da ordem contém especies diversas, e entre estas a serie chronologica dos reis de Portugal, com o resumo da vida e feitos de cada um d'elles. O preço d'este livro era ha tempos de 1:600 a 1:800 réis, e este ultimo paguei eu pelo exemplar que possuo. Actualmente consta me que algum se vendêra por 2:400 réis.” (Inocêncio II, 462).
Encadernação coeva inteira de pergaminho com título na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capa posterior apresenta defeitos. Mancha de humidade desvanecida no canto inferior dto, transversal a toda a obra.
Raro.
35€