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08 junho, 2026

MELLO, Dr. Antão de - 
A IMBECILIDADE E A DEGENERESCENCIA NAS FAMILIAS REAES. A Hereditariedade, as suas taras phisicas, os estygmas intellectuaes da degenerescencia, perturbações nutritivas, a educação, o problema sexual, a loucura mystica, etc. Lisboa, Livraria Central de Gomes de Carvalho, editor, 1908. In-8.º (19x11 cm) de 106, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso trabalho "científico" sem ordem cronológica aparente: na primeira parte da obra, o autor discorre sobre várias famílias reais europeias, dos Romanov a Roma e a Júlio César, sendo a segunda parte dedicada, quase que exclusivamente, à realeza portuguesa, onde, na sua análise impiedosa, praticamente ninguém fica a salvo.
"O resultado de uma investigação scientifica não será, com certeza, tomado á conta de pessimismo, ou de ataque directo a qualquer classe.
Por contrario que possa parecer ao bom sentido, terá sempre uma parte de verdade. Ter-se-ha obtido por a experiencia e a reflexão sobre as experiencias, e se os individuos que hão experimentado e reflexionado, são normaes, conterá alguma coisa que deva poder acceitar-se por outros individuos normaes."
(Excerto do Preâmbulo)
A côrte portugueza, na primeira dinastia não sahiu de um estado semi-barbaro, oscilando entre a violencia da vida guerreira e a carnalidade dos prazeres animaes. Alternando o terror do inferno com o embrutecimento da sensualidade, e acabando n'uma positiva orgia de impudicia, tão desbragada que offendeu a curta castidade dos tempos."
(Excerto do Estudo)
Antão de Melo. "Foi um médico e escritor português, célebre pela autoria do polémico ensaio A Imbecilidade e a Degenerescência nas Famílias Reais (1908). Publicado no ano do Regicídio, procurou aplicar teorias médicas e genéticas da época para defender que as dinastias europeias se tinham degradado. Ele atribuía a decadência das famílias reais à endogamia, a taras físicas e a problemas hereditários. Ideologicamente alinhado com o pensamento republicano da época, Antão de Mello via o sistema monárquico como um obstáculo ao progresso, argumentando que a própria dinastia de Bragança era uma causa da decadência nacional." (IA)
Exemplar brochado, parcialmente por abrir, em bom estado geral de conservação. Contracapa apresenta pequena falha de papel à cabeça. Com etiqueta de biblioteca na lombada.
Raro.
35€

30 junho, 2025

ÁVILA, Ermelindo -
TEMÁTICA BALEEIRA NA LITERATURA AÇORIANA.
Separata da Revista «Insvlana». Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada, 1991. In-8.º (21x15 cm) de 36, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante ensaio sobre a ligação da "indústria" baleeira, actividade com raízes profundas na cultura açoriana, à literatura, sob qualquer forma e género de escrita.
Tiragem limitada a 200 exemplares.
Livro ilustrado em página inteira com uma imagem de Nossa Senhora - Padroeira dos Baleeiros.
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Dr. Manuel Fidalgo.
"A bibliografia açoriana, se não é muito vasta (e até julgo que o é, se atentarmos nas imensas dificuldades que normalmente condicionam a publicação de trabalhos de qualquer dos nossos escritores); a bibliografia açoriania dizia, é rica e diversificada no tratamento da temática baleeira. Ela estende-se pela história, pela narrativa, pelo conto, pela crónica, pelo romance e pela poesia.
Todavia, quanto de esforço intelectual e material não representa um livro açoriano até que, modesto e tímido, possa aparecer nas estantes das livrarias comerciais!
Vitorino Nemésio foi poeta e escritor de renome internacional porque em Angra do Heroísmo, terra natal do consagrado Mestre, existiu um Manuel Joaquim de Andrade que lhe editou, em 1916, os primeiros versos - «Canto Matinal»."
(Excerto do Estudo)
Ermelindo Ávila (1915-2018). "Nasceu na Vila das Lajes do Pico, Ilha do Pico, Açores, a 18 de Setembro de 1915. É um dos mais proeminentes cidadãos lajenses. Desempenhou na sua centenária vida vários cargos públicos de relevo, tendo sido homenageado com a Comenda da Ordem de Mérito e várias outras distinções oficiais. É um nome incontornável da cultura açoriana, com quase três dezenas de livros publicados e um sem número de artigos dispersos nos mais importantes órgãos da imprensa local e regional, nas áreas da história, etnografia e cultura locais."
(Fonte: https://companhiadasilhas.pt/autor/ermelindo-avila/)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas ligeiramente oxidadas. Lombada apresenta selo de biblioteca.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

26 maio, 2024

CABRAL, José Curry da Camara -
DO VALOR DO METHODO NUMERICO NA MEDICINA EM GERAL E PARTICULARMENTE NA CIRURGIA.
Dissertação de Concurso. Por... Candidato a um dos logares vagos na Secção Cirurgica da Escola Medico-Cirurgica de Lisboa. Lisboa, Typographia Universal de Thomaz Quintino Antunes, Impressor da Casa Real, 1875. In-4.º (23x15 cm) de 163, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Tese académica do conhecido médico e professor José Curry Cabral, patrono do hospital de Lisboa que ainda hoje tem o seu  nome. Trata-se de um estudo crítico sobre a aplicação das teorias matemáticas e estatísticas à medicina, sobretudo à especialidade cirúrgica.
Raro e importante.
"Os que, mais fracos, têem de limitar-se a viver nas planicies, e só a custo podem trepar a um ou outro comoro, n'este immenso campo do saber, embora uma ou outra vez descubram um ponto de vista novo, tão accidentado é o terreno e tão movediça a atmosphera, embora antevejam que no seu novo horisonte estão os germens de uma grande verdade, não têem voz para a proclamarem, mas têem o dever, ao menos, a enunciarem, para que seja fecundada e desenvolvida, se os que lhe podem dar valor acharem que vale a pena fazel-o.
Eu sou dos que vivem na planicie e dos que se allumiam com a luz que vem do alto, tendo apenas o cuidado de procurar distinguir quaes os raios a que devo offerecer uma superficie absorvente e quaes os que devo receber sobre uma superficie reflectidora.
Esta minha dissertação é tão sómente o resultado d'essas dilligencias empregadas mais para satisfazer a razão, do que para afagar as crenças que se inspiram na simples tradição, ou nas revelações da auctoridade.
Quem abre os livros de medicina, quem lê os artigos de jornaes, quem sobretudo indaga os progressos da therapeutica, encontra-se sempre com os algarismos; - sobretudo em therapeutica, na parte de applicação da sciencia, é commum que o argumento principal a favor de tal ou tal medicamento provenha do algarismo das curas. Não raro se disputam primazias conforme o numero de casos favoraveis; dos numeros avultados, nasce a confiança em tal methodo de tratamento, como preferivel a tal outro.
Em presença da feição nova que tomou a sciencia na nossa epoca, creando processos, que nos parecem os mais capazes de conduzir á verdade, - se o numerismo se tivesse restringido mais nas suas applicações, se para todos apresentasse os symptomas da decadencia, se o vissemos ceder o logar á nova ordem de processos, não valeria muito a pena entreter longas locubrações com um methodo que a lei do progresso tinha feito pertencer á historia.
Mas não; as estatisticas pullulam de todos os lados; parece mesmo serem um elemento necessario para fundamentar as crenças."
(Excerto do preâmbulo - Antes de entrar em materia)
Índice:
[Dedicatória] | Antes de entrar em materia | Introducção | Parte Primeira - Fundamentos do Methodo Numerico: - A theoria das probabilidades; - A lei dos grandes numeros; - A theoria das medias; - Principios da estatistica; - Recapitulação. Parte Segunda - Applicação dos principios fundamentaes do methodo numerico aos factores medicos - Determinação dos limites d'essa applicação:  - Campo em que vae ser posta a discussão; - Erros originaes do numerismo; - Propagação da maior parte dos erros originaes do methodo. - Correcção de alguns d'elles; - A estatistica medica; - Natureza dos factos medicos; - O numero, o facto e a observação; - A certeza medica e o numerismo; - Limites de applicação do calculo aos factos medicos. Parte Terceira: - A estatistica em cirurgia; - Conclusão.
José Curry da Câmara Cabral (Lisboa, 1844-1920). "Mais conhecido por Curry Cabral, foi um médico, lente de medicina da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa e um dos mais afamados investigadores e professores portugueses na área das ciências médicas. Foi presidente da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa, sócio correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa e vogal do Conselho Superior de Instrução Pública. Foi homenageado na designação do Hospital Curry Cabral."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis com manchas e pequenas falhas de papel.
Muito raro.
Peça de colecção.
Indisponível

23 março, 2024

DIAS, Manuel - MILAGRES E CRENDICES POPULARES : visões - aparições - revelações. Porto, Brasília Editora, 1985. In-8.º (20 cm) de 192, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Capa de Armando Alves. Fotografias de Américo Diegues, Armando Moreira (Marco), Henrique Moreira e Pereira de Sousa, da equipa de Reportagem Fotográfica do "Jornal de Notícias".
Curioso estudo-reportagem do autor sobre as crenças religiosas em Portugal, e a forma como este fenómeno popular é aproveitado por "actores" menos escrupulosos. "Ilustrada com muitas fotografias [em página inteira], esta obra é, em si mesmo, o testemunho verdadeiro de uma realidade dos nossos dias, do nosso tempo."
"País proclamado "essencialmente católico", Portugal tem sido cenário, ao longo dos séculos, das mais primárias manifestações de religiosidade popular. Desde corpos incorruptos de pessoas que se diz terem morrido "em cheiro de santidade", a homens e mulheres, com algumas crianças à mistura, que apregoam visões celestiais  e "revelam" dons sobrenaturais mercê das aparições que seus olhos (e os de mais ninguém...) contemplam, é um desfile imenso de "escolhidos" a que se assiste, de Norte a Sul, com amplas faixas de um povo entregando-se por inteiro, ou ingenuamente confiando-se aos exploradores da crendice.
Ante os rumores que em determinado local alguém viu uma "senhora muito linda", regra geral, "a sair de uma nuvem"; de que em certa localidade uma jovem, normalmente doente e presa ao leito, é acometida de êxtases e dialoga com Nossa Senhora; de que naquele cemitério foi posta a descoberto um cadáver em "perfeito estado de conservação, apesar de já estar enterrado há dezenas de anos - ante tais rumores acaba por consolidar-se a história imediatamente posta a correr pelos arautos dos milagres, de que o sobrenatural montou "ali" arraiais e está ao alcance de todos...
Como testemunhos mudos, mas convincentes, das maravilhas operadas pelas novas santas (ou santos), são exibidas dádivas dos crentes e, até, "miraculados". Algum dinheiro sobre bandejas (as grossas maquias vão sendo postas a bom recato...) e, para impressionar ou arrebanhar os candidatos a devotos, bonecos ou cabeças, troncos e membros, em cera, fazem parte do mostruário organizado em função das contribuições dos "pagadores de promessas". [...]
Não foi por acaso que Portugal se transformou num viveiro de "santas" reconhecidas por "legiões de fiéis". De modo mais sensível nas zonas do Centro e Norte, surgem, periodicamente, "casos" que dão que falar e que, ao mobilizarem as atenções da opinião pública, provocam o nascimento de novos "santuários".
(Excerto da introdução, Porta aberta à crendice)
Índice:
[Introdução]. Porta aberta à crendice. | Corpos incorruptos. | O "Santo" de Beire. | A "Princezinha da Calçada". | "Santa" Maria Adelaide. | Cristina de Bragança. | "Santa de Anreade". | Dois pastorinhos "videntes" em Vila Nova à Coelheira. | O "Salve Rainha" sonhou e a capelinha nasceu. | Guilhermina - a leiteira "vidente". | "Santos Mártires". | "Industriais de Milagres". |  "Estigmatizada" de Lamego: no reino do masoquismo. | "Estigmatizada" de Vilar Chão - até onde vai o engenho e a arte... | "Santa da Ladeira do Pinheiro" - um mundo alucinante... | "Santinha de Tropeço" - uma história exemplar... | Na peugada de Balazar. | Testemunho de uma parapsicóloga. | O tribunal foi apenas um acidente de percurso. | Cansou-se de ser "Santa" e fez a si própria um "milagre".
Manuel Dias. É natural do Porto. Em 1953, começou a colaborar no vespertino «Diário do Norte», em cujo quadro redactorial depois ingressou. Transferiu-se de seguida para «O Comércio do Porto», de onde saiu em 1974 a fim de passar para o «Jornal de Notícias». Também é colaborador do «Diário Popular». Como jornalista, deslocou-se a vários países da Europa e da África, assim como ao Brasil.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Indisponível

26 janeiro, 2024

SAPEGA, Ellen W. -
FICÇÕES MODERNISTAS:
Um estudo da obra em prosa de José de Almada Negreiros : 1915-1925. [Lisboa], Ministério da Educação: Instituto de Cultura e Língua Portuguesa : ICALP, 1992. In-4.º (24x16,5 cm) de 139, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Capa: Técnica mista sobre papel de Almada Negreiros, 1938. Dim 65x50 cm. Colecção Particular.
Interessante ensaio sobre a obra em prosa de matriz modernista de Almada Negreiros.
"No âmbito da cultura portuguesa, José de Almada de Negreiros foi,sem dúvida, uma das figuras mais dinâmicas e criativas do século XX. [...]
Hoje, com a prespectivca de mais de vinte anos sobre a morte de Almada Negreiros, podemos afirmar que os seus esforços não foram em vão, pois os seus quadros e murais são considerados entre os mais importantes produzidos neste século em Portugal e Almada, depois de Fernando Pessoa, é uma das mais conhecidas figuras culturais do modernismo português. [...]
Se prestarmos atenção, no entanto, à vida e obra de Almada Negreiros, torna-se evidente que o homem, tão conhecido hoje em dia como pintor e desenhador, fez a sua estreia na sua vida artística principalmente como escritor."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | I - Os limites da narrativa almadiana: da influência simbolista em Frisos à experiência futurista de Saltimbancos. II - Primeiras tentativas sensacionistas: o percurso de aptrendizagem seguido pelo narrador n'A Engomadeira. III - A transitividade do sujeito literário: K4 O Quadrado Azul como o culminar do projecto sensacionista. IV - A ingenuidade intendida como processo didáctico: o conto jornalístico dos anos 20. V - Nome de Guerra: experiência única e última no projecto da ficção Almadiana. VI - A «Ficção da Ingenuidade» depois de Nome de Guerra. | Bibliografia.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
20€

05 setembro, 2023

SANTOS, Guilherme G. de Oliveira - O PROCESSO DOS TÁVORAS (importância do processo revisório). Lisboa, Livraria Portugal, [1979]. In-4.º (24x17,5 cm) de 100, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história do Caso dos Távoras, processo pelo qual foram acusadas de conspirar contra a vida do rei algumas das famílias mais influentes da época pombalina.
"A 13 de Janeiro de 1759 foram executados os acusados de estarem implicados no atentado ao rei D. José I, ocorrido uns meses antes, a 3 de Setembro de 1758.
Após um processo sumário, a sentença final, proferida a 12 de Janeiro de 1759 no Palácio da Ajuda, considerou o veredicto que todos os réus eram, de facto, culpados."
(Fonte: https://antt.dglab.gov.pt/exposicoes-virtuais-2/o_suplicio_tavoras/)
Fez-se desta obra uma tiragem de trezentos exemplares, vinte e cinco dos quais numerados e rubricados pelo autor e fora do mercado.
O presente exemplar pertence à tiragem de 25, e leva o n.º 11.
Exemplar duplamente valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Vinte anos após ter dado a lume O Caso dos Távoras, livro com que noviciei na arte de escrever, volto ao assunto. [...]
Pretendi desenvolver dois ou três tópicos apenas aflorados até aqui, marginalizados, de interesse indiscutível não obstante; tentei, em suma, resolver parte da problemática suscitada pelo atrabiliário acórdão e fiquem embora em suspenso interrogações que historiógrafo que se cativar do tema elucidará um dia."
(Excerto do prefácio - A quem ler)
"Conservam todos na ideia os tiros com que, na infausta noite de 3 de Setembro de 1758, crivaram de chumbo a sege em que D. José, acompanhado de Pedro Teixeira, recolhia de uma entrevista galante com a Marquesa de Távora nova; e, bem assim, a sentença que arrastou ao patíbulo o duque de Aveiro, com alguns apaniguados, os Távoras e o conde de Atouguia e que determinou a expulsão dos Jesuítas e o encerro por quase vinte anos de muitas pessoas que povoaram as masmorras e que só viram a luz da liberdade após o falecimento do monarca.
Ora sempre me admirou uma espécie de respeito supersticioso que tem cercado a injusta sentença."
(Excerto do texto)
Guilherme G. de Oliveira Santos (1919-?). "Nasceu em Lisboa, em 1919, e formou-se em Direito na Universidade de Lisboa, em 1944. Exerceu os cargos de assistente social da Direção Geral dos Serviços Prisionais e delegado do Procurador da República. Uma vida dedicada à escrita onde se destaca: O Caso dos Távoras, Lisboa, 1959; Trovas de Crisfal, Lisboa, 1965; Camilo Castelo Branco e José Agostinho de Macedo, Lisboa, 1985; Testamento de um escritor, Lisboa, 1988 e Digressões Cervantinas, Lisboa, 2004, etc. É sócio da Associação dos Arqueólogos Portugueses e da Asociación de Cervantistas (Espanha) e foi condecorado pela Câmara Municipal de Ovar com a medalha de mérito."
(Fonte: Wook)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

24 julho, 2023

DEUSDADO, Ferreira – A ONDA DO CRIME. [Etiologia e Profilaxia]. Lisboa, Depositarios: João d’Araujo Moraes, L.da [Imp. Imprensa Lucas & C.a, Lisboa], 1931. In-8.º (19 cm) de 160, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Estudo sobre a criminalidade portuguesa.
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Os portugueses, geralmente, só se lembram de Santa Barbara quando troveja, e, então, quando a tempestade ruge, querem que se adoptem medidas rápidas que dominem os trovões, como se, num momento, fosse possível evitar o estrondo produzido pela inflamação da matéria eléctrica acumulada.
Sempre que os instintos ferozes recrudescem, e os jornais espicaçam a sensibilidade do público, com o relato de um ou outro crime sensacional, logo, em vários campanários, se toca a rebate contra o crime, á semelhança do que acontece em certas aldeias transmontanas, nas quaes se toca o sino para afugentar a trovoada. […]
Os crimes, últimamente praticados - mormente os crimes contra as pessoas - alarmaram a opinião pública e vieram demonstrar a necessidade da adopção de uma política criminal adaptada ás novas formas de delinquir. […]
Este livro, é uma pedra tosca, que oferecemos para os alicerces do edifício de uma nova política criminal. Que outros, mais competentes do que nós, se encarreguem de erguer o edifício."
(Excerto do Proémio)
Índice:
I. O período aureo das bombas. II. Exemplos que veem de cima. III. Acção moral no seio da família. IV. Acção moral na escola. V. A delinqüência infantil. VI. Influência do animatógrafo e do teatro na delinquência. VII. A impunidade. VIII. O urbanismo. IX. A Grande Guerra. X. A habitação. XI. O regime prisional. XII. A legislação penal. XIII. Ter ou não ter dinheiro eis a questão… A extinção de trinta e sete comarcas. XIV. Estatística criminal. XV. Política criminal do passado. XVI. Política criminal do presente.
Domingos Augusto de Miranda Ferreira Deusdado (1890-1962). "Advogado, escritor e regionalista. Órfão de pais, foi acolhido e educado como filho pelo tio, Manuel António Ferreira Deusdado, que exerceu grande influência na sua personalidade e no seu pensamento. Alferes miliciano durante a I Grande Guerra, licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa e inscreveu se como advogado (1919). Produziu, desde então, considerável número de opúsculos, em que expõe alguns dos processos judiciais em que tomou parte. Distinguido com várias condecorações, foi sócio do Instituto de Arqueologia."
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta duas manchas à cabeça.
Muito invulgar.
25€

18 abril, 2023

XAVIER, Alberto -
POLITICA REPUBLICANA EM MATERIA ECCLESIASTICA.
(Estudo sociologico e juridico dos textos legislativos). Lisboa, Lamas & Franklin, 1912. In-8.º (20,5 cm) de 334, [2], XV, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Importante estudo publicado pouco tempo após a aprovação de legislação republicana que consagrou a separação da Igreja do Estado.
"Singulares circumstancias suggeriram em mim a idéa de escrever este livro.
A paz e a harmonia, a calma e a concordia, tantas vezes mantidas no seio da grande familia republicana portugueza, nas horas difficeis e graves da sua historia, toda feita de sacrificios abnegados e de dedicações heroicas, - soffriam fundos abalos alguns mezes após o 5 d'outubro, mórmente a propostito da eleição presidencial em agosto de 1911.
Uma surda e insensata campanha de descredito e de odios pessoaes se fomentava pelos bastidores da politica, progredia, tomava vulto e vinha afinal é supuração na Imprensa diaria, entrando no dominio publico. E n'essa corrente de despeitos mutuos inconfessaveis, de incompatibilidades pessoaes irreductiveis, não se receou ferir no combate violento e aggressivo, as proprias leis republicanas, algumas das quaes sem duvida importantes, mesmo fundamentaes como esteio e inicio d'uma nova era fecunda de emancipação e de justiça que havia inspirado toda a propaganda preparatoria da Revolução, justificando-a.
Um dos diplomas visados no ataque, foi o que separou as Igrejas do Estado. Vindo instaurar em Portugal um regimen de completa liberdade religiosa, inedito na historia da nossa nacionalidade, esse documento legislativo, tendo principalmente por fim garantir a legitimidade de todas as religiões, sem privilegios para qualquer d'ellas ou exclusão propositada para alguma, é ao mesmo tempo uma arma legal de defeza politica das instituições contra as ambições de poder da Igreja Catholica, pretendida aggremiação temporal.
O clericalismo é o nosso fundamental inimigo. Na fronteira é ainda o clericalismo que fomenta a guerra civil e a restauração.. No interior o clericalismo continua senhor do confessionario e o espirito clerical predomina no seio das familias."
(Excerto da Justificação)
Indice Geral:
Justificação | Uma vista de conjuncto | I - A Separação: Causas Juridicas - Causas occasionaes. Um confronto de textos. II - Politica anti-clerical. III - Principios: A liberdade religiosa. Liberdade de consciencia - Liberdade de cultos. IV - Principios: A liberdade de ensino. Ensino racionalista - Ensino confessional. V- Principios: Liberdades de reunião e de associação. Corolarios: O culto publico e as corporações cultuaes. | Acclarações necessarias.
António Maria Eurico Alberto Fiel Xavier (Goa, Nova Goa, 1881-? ). "Foi um político, advogado, jornalista português. Pertenceu à Maçonaria, tendo sido iniciado em data desconhecida de 1906 na Loja Pátria, afecta ao Grande Oriente Lusitano Unido, com o nome simbólico de Robespierre. Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra em 1908, participando na Greve Académica de 1907. Exerceu Advocacia em Lisboa e dedicou-se ao Jornalismo. Já depois da Revolução de 5 de Outubro de 1910, exerceu as funções de Administrador do 4.º Bairro de Lisboa, Secretário-Geral do Ministério das Finanças e Director-Geral da Fazenda Pública. Dirigiu o "Diário da Tarde" e colaborou em vários outros periódicos. Foi eleito Deputado nas eleições extraordinárias de 1913, em 1915, em 1919, 1921 e 1922 pelo Círculo Eleitoral de Estremoz, transitando das listas do Partido Democrático para as do Partido Reconstituinte na década de 1920. Em 1924 exerceu, por algum tempo, o cargo de Administrador Geral da Casa da Moeda. A transição da República para o Estado Novo, não diminuiu a sua intervenção junto do Poder, visto que se tornou um dos colaboradores de António de Oliveira Salazar, quando este geriu a pasta do Ministério das Finanças. Entre 1933 e 1947, foi Juiz Conselheiro do Tribunal de Contas, cargo do qual se reformou voluntariamente. Entre 1940 e 1947, foi Comissário-Adjunto do Governo na Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses. Ocupou, ainda, a Presidência do Conselho Fiscal da Caixa Geral de Depósitos, Crédito e Previdência, e das Lotarias da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Publicou diversos trabalhos de ensaio, Direito, Política, literatura, etc."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas enrugadas por acção da humidade. Sem f. ante-rosto.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

22 janeiro, 2023

VASCONCELLOS, J. A. C. de - A COLONISAÇÃO DO ALEMTEJO
. Exposição das verdadeiras causas da falta de população e do atrazo da agricultura n'esta provincia, e das medidas que melhor podem remediar o seu deploravel estado prezente. Por...
Elvas, Typographia Elvense de Samuel F. Baptista, 1884. In-4.º (23 cm) de 51, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio oitocentista sobre as causas do abandono da província do Alentejo, e as medidas propostas pelo autor para obviar à sua desertificação.
"Julgo, que na situação do paiz, cada dia mais embaraçosa pelo desiquilibrio commercial entre as suas importações e exportações, e pelas sempre crescentes necessidades de fisco, de que demasiado se ressente já a economia domestica com a desproporção entre o custo de vida e os interesse amesquinhados por taes causas, não nos pôde ser indifferente a grande massa dos varios productos que o quasi inculto Alemtejo é susceptivel de produzir.
Firme, pois, n'estas idéas, julgo do meu dever de publicamente as communicar, para, se nas altas regiões do poder não houver ouvidos que se dignem escutar uma reclamação, talvez considerada inoportuna ou importuna por estar fóra da orbitra da politica, seja o clamor da opinião publica que se faça attender; finalisando eu por recommendar muita attenção para o que digo da agricultura em geral, e em especial para as breves reflexões que faço sobre a viticultura; o que muito poderá interessar os lavradores e os negociantes que se preoccupam com o progresso nas molestias nas vinhas."
(Excerto da introdução - Advertencia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e agrícola.
35€

27 dezembro, 2022

MORENO, Capitão Mateus - ASPECTOS MILITARES DA DEFESA DE ANGOLA.
Separata da «Revista Militar»
. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Tipografia da Liga dos Combatentes da Grande Guerra - Lisboa], 1940. In-4.º (23 cm) de 13, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Interessantíssimo ensaio militar sobre a defesa de Angola, sendo as considerações do autor baseados no presente da colónia e na análise de dados estatísticos.
Opúsculo ilustrado com tabelas e um mapa de Angola: Esquema da actual distribuição das unidades e serviços militares da colónia.
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa, na capa, do autor ao "querido e velho amigo Dr. Francisco Carmo e Cunha".
"Como elementos de mobilização próprios, Angola deverá contar, para a sua defesa, com os europeus de metrópole que a habitam, com os europeus nascidos na colónia e com os respectivos indígenas e mestiços; não sendo, porém, todos estes elementos ainda bastantes para que se possa já pôr de lado o antigo recurso às expedições metropolitanas, sempre muito dispendiosas e sujeitas a outros inconvenientes em demasia conhecidos, e porque também não é, de facto, tão abundante já a população da colónia, que se nos apresente como de temer o problema da saturação demográfica, não falta quem, fundamentado em razões que muito interessam à resolução simultânea de dois problemas - o da colonização e o da defesa militar - alvitre a transfusão dos excedentes da população metropolitana para os locais de Angola considerados mais aptos à fixação do branco.
A pergunta: colonos ou soldados?, acorrem, então, os que assim opinam, com a firme resposta: - Colonos!, mas colonos que, no momento próprio, possam transformar-se em verdadeiros soldados, pegando em armas para a defesa do seu torrão, pois não se explica que um tão honroso encargo pudesse se confiado quási exclusivamente ao indígena, num sacrifício deveras pesado, sendo dêle dispensados aquêles a quem, mais do que ninguém, deve interessar a defesa da própria terra."
(Excerto de Como deve ser feita a defesa de Angola? Soldados ou colonos?)
Matérias:
[Preâmbulo]. I - Como deve ser feita a defesa de Angola? Soldados ou colonos? II - Angola é, dentre todos os países intertropicais, o que possue maior densidade de população branca. III - A organização defensiva de Angola. Números e possibilidades. IV - A lei-programa da reconstituïção económica e defesa nacional e a valorização do indígena.
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. No interior é visível mancha de humidade antiga, de alguma dimensão, transversal ao livro. Com sublinhados e notas manuscritas laterais.
Raro.
Com interesse histórico e colonial.
Sem registo na BNP.
20€

18 novembro, 2022

SANTOS, Ary dos – COMO NASCEM, COMO VIVEM E COMO MORREM OS CRIMINOSOS.
Prefácio do Dr. Augusto de Oliveira, Director Geral dos Serviços Prisionais
. Lisboa, Livraria Clássica Editora : A. M. Teixeira & C.ª (Filhos), 1938. In-8.º (22,5 cm) de 422, [2] p. ; [16] f. il. ; B.

1.ª edição.
Importante trabalho "sobre a mentalidade criminal, os costumes, modos e comportamentos da população reclusa e suas causas de morte. Comporta ampla recolha de dados em apoio das teses sustentadas. Descrição de vocabulários [calão], códigos, tatuagens, condições dos estabelecimentos prisionais, etc."
Ilustrado com 16 estampas em folhas separadas do texto.
"Há sectores, por sua natureza, distanciados da vida quotidiana comum, por isso fora do conhecimento e contacto com o público que mal adivinha, pelo ouvir falar, o ambiente dêsses meios, os traços das figuras que nêles se movem.
No excuso da sombra em que vivem ou trazem dentro de si os criminosos, se gera a infracção penal, cuja prática raras vezes demanda a luz da ribalta. [...]
O autor, advogado ilustre pelo exercício da profissão e pelos trabalhos publicados, conta-nos «como nascem, vivem e morrem os criminosos», penetrando aquêle mundo aparte, desvendando os seus mistérios e focando alguns aspectos que traz em grande perspectiva até aos olhos que os desconhecem. […]
É um trabalho de índole original, desconhecido entre nós."
(Excerto do prefácio)
Índice: - Quem eles são e a lei que os rege. - Como eles nascem. - Como eles se descobrem. - Por onde eles passam. - Como eles se julgam. - Como eles falam. - Como eles cantam. - Como eles se pintam [tatuam]. - Como eles nos roubam. - Como eles nos matam e como eles morrem. 
Alfredo Ary dos Santos (1903-1975). Advogado lisboeta. Politicamente, definia-se como de extrema direita. Publicou diversas obras de índole jurídica sobre temas sociais e outros, e o polémico D. Quixote Bolchevick sobre a Guerra Civil de Espanha.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas oxidadas. 
Muito invulgar.
35€

24 março, 2022

S. CARLOS, PORTUENSE - Fr. Ignacio de - DISCURSO MORAL, E POLITICO SOBRE OS CONTRABANDOS, OFFERECIDO ao Ill.mo, e Ex.mo senhor LUIS MAXIMO ALFREDO PINTO DE SOUZA COUTINHO, VISCONDE DE BALSEMAÕ, DO CONSELHO DE S. A. R., e da Sua Real Fazenda, Senhor Donatario dos Conselhos de Ferreiros, e Tendaes, Alcaide Mór de Castello Mendo, Commendador de S. Martinho de Lordello do Ouro na Ordem de Christo, Cavalleiro de Devoçaõ da Sagrada Religiaõ de S. Joaõ de Jerusalem &c. &c. Por... Franciscano, dos Observantes de Portugal. PORTO: Na Typog. que foi de Antonio Alvarez Ribeiro, 1814. Com licença da Mesa do Desembargo do Paço. In-8.° (15 cm) de [14], 220, [10] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história do protecionismo industrial e comercial implementado em Portugal no período que se seguiu às Invasões Francesas.
"Meditando por muitos annos sobre quanto lia, e via praticar-se ácerca de Contrabandos, me vi como obrigado a formar a este melindrozo respeito huma Memoria particular, para me servir, como tem servido, de regra no Tribunal onde se naõ mente. Nunca temi por isso as oppoziçoens, que se me enrostavaõ, fundadas em AA., que sempre caracterizavaõ de melhor nota: bem presuadido de fraqueza de meus principios, e constantes na certeza, e segurança dos meus, rezolvia, sem hezitar, contra todos os argumentos contrarios. Ainda hoje conservaria em silencio  este sistema, se ainda hoje me fossem, como foraõ até agora, indifferentes as ultimas palavras do Epigrafe, que tanto Os Encyclopedistas, como os seus fieis Copistas, inseríraõ em humas mesmas Obras com differentes titulos, sobre o assumpto. Contudo: aquelle Epigrafe, se á força de maior reflexaõ naõ excitou o meu pejo, por naõ entender já mais comigo, excitou a minha rezoluçaõ para manifestar aos Ministros do Santuario, e aos meus Nacionaes, os meus muito antigos sentimentos. Naõ os considero absolutamente izentos de censura; basta ser o primeiro, que fallo na materia, para logo a merecer: mas o momento, em que me convencerem, será tambem o momento da minha pública, e sincera retractaçaõ."
(Excerto da introdução - "Aos Portuguezes")
Sobre esta obra, publicou a «Gazeta de Lisboa» de sexta-feira, 21 de Maio de 1819, um pequeno artigo:
"Sahio á luz: Discurso Moral, e Politico sobre os Contrabandos, composto por Fr. Ignacio de S. Carlos, Portuense, Obra original nestes Reinos, e de todo o interesse não só para os Theologos, mas para os Jurisconsultos, pela allegação de todas as Leis Civis Patrias atégora promulgadas, e pela noticia dos mais celebres Publicistas, que tratão da materia. Hum volume em 8.º Vende-se na Loja de Carvalho defronte da rua de S. Francisco, e no Porto, em as lojas principaes de Livros."
Encadernação coeva inteira de pele com rótulo e dourados na lombada. Com defeitos.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Miolo irrepreensível.
Raro.
45

14 janeiro, 2022

LIND, Georg Rudolf - FERNANDO PESSOA PERANTE A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL.
Por...com Duas Poesias inglesas inéditas de Fernando Pessoa
. Lisboa, Separata da Revista 'Ocidente' - Volume LXXXII, 1972. In-4.º (24 cm) de [2], 20, [2] p. (11-30) ; B.
1.ª edição independente.
Importante ensaio de Georg Lind - uma das maiores autoridades do tema pessoano - sobre a posição lírica do vate português face à Grande Guerra.
Interessante peça WW1, por certo com tiragem reduzida.
"Fernando Pessoa - um poeta da guerra? Seria possível preencher todo um ensaio com um tema que tão pouco condiz com a nossa habitual imagem deste poeta? Não estava Portugal, e Pessoa com ele, bastante afastado das frentes de combate da primeira guerra mundial, mesmo depois de o país ter entrado, em Agosto de 1916, activamente neste conflito? Como é que o poeta, morando na pacífica Lisboa, se teria inspirado em motivos bélicos, não conhecendo mais sobre a guerra do que aquilo que os jornais relatavam?
E, no entanto, aí estão os factos: de 1915 até 1917 Pessoa escreveu oito poesias, cuja temática está relacionada com a Grande Guerra e que nos permitem a nós definir com toda a clareza desejável a sua posição perante a Primeira Guerra Mundial em especial e perante o fenómeno da guerra na generalidade. Creio que esta definição possui, nos tempos que correm, algum interesse, pois o testemunho moral dum grande autor convém ser ouvido, mesmo que não exerça qualquer influência imediata nos acontecimentos."
(Excerto do estudo)
Georg Rudolf Lind (Berlim, 1926 - 1990). Académico e historiador alemão. "Foi um dos primeiros tradutores de Fernando Pessoa para alemão, que lançou as bases para a divulgação da cultura e literatura portuguesas no mundo germânico."
(Fonte: http://www.fabula-urbis.pt/Recital_Adolf_Sawoff.html) 
Exemplar em brochura, bem conservado. Capa apresenta leve sombreado por acção da luz.
Raro.
Com interesse histórico e pessoano.
Indisponível

17 outubro, 2021

FIGUEIREDO, Romualdo - ALGUMA COISA SOBRE O THEATRO PORTUGUEZ
. Lisboa, Livraria Editora Viuva Tavares Cardoso, 1904. In-8.º (19 cm) de 35, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Ponto de situação sobre o panorama nacional das artes cénicas e o marasmo a que chegou, ambiente que o autor critica com alguma veemência. Obra interessante, muito citada na bibliografia de teatro.
"Eu creio de utilidade dizer-se alguma coisa sobre o aspecto geral do theatro contemporaneo, que na feição psichica da vida portugueza, apresenta facies de decadencia moral e intellectual, tendendo de prompto a esboroar-se. De facto, n'uma sociedade algo isenta de orientação intellectiva, percebe-se a impossibilidade d'uma comprehensão nitida do que seja o theatro como principio de educação social, e a facilidade de preferir-se, a uma litteratura que inicie a remodelação do thetaro degradante, outra que fumega podridão e vicio.
Assim n'esta symbiose de vileza moral, temos ainda a cachética critica, sabidamente criminosa, sem uma comprehensão humana, larga, simplesmente com o desejo legitimo de espojar-s no prostibulo onde esbarram preguiçosamente os nullos e os uteis. Temos de prova que o theatro, hoje, é uma especie de créche onde se acoitam impunemente innumeros pedantes de comprovadissima inferioridade mental, que nada percebendo do fim util a que elle se destina, amoldam-n'o a seu caracter, contagiam-n'o, desprestigiando aquelles que tentam dar-lhe rejunescimento por uma fórma natural, artistica, verdadeira, a dentro d'uma litteratura filha de sã mentalidade, cheia de vida germinadora, e verdade analytica, fecunda como a luz do sol, e que vá explodir nos cerebros mergulhados na mais cerrada escuridão."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado, bem conservado. Leve sombreado na capa.
Muito invulgar.
Indisponível

07 outubro, 2021

BINET-SANGLÉ, D.r - A LOUCURA DE JESUS. Hereditariedade, Constituição e Fisiologia.
Edição Popular. Tradução de Manoel Ribeiro
. Lisboa, Guimarães & C.ª - Editores, 1910. In-8.º (20,5 cm) de XVIII, 249, [3] p. ; [1] f. il. ; E.
A questão de saber se o Jesus histórico gozava de boa saúde mental foi alvo de estudos por vários psicólogos, filósofos, historiadores e escritores. O primeiro a questionar abertamente a sanidade de Jesus foi o francês Charles Binet-Sanglé (1868-1941), médico militar e psicólogo, autor de La folie de Jésus [A loucura de Jesus], tese polémica que atingiu particularmente os círculos cristãos e conservadores parisienses. (wikipédia)
Livro ilustrado em separado com um retrato de Jesus Cristo.
Manuel Ribeiro (1878-1941) - o tradutor - teve um percurso de vida que o levou do catolicismo relutante - época em que traduziu a presente obra - ao catolicismo pleno, não sem antes, pelo meio, ter tido um papel activo no movimento anarco-sindicalista nacional bem como na fundação do Partido Comunista Português, antes de se "encontrar" com a sua religiosidade, prática e mística.
Precede a obra própriamente dita duas tabelas: o "Vocabulario dos nomes de pessoas" e o "Vocabulario do nomes de logares".
"A maior parte dos homens d'acção têm repugnância em escrever.
Os exaltados e os energúmenos que tomam parte numa campanha religiosa, se pensam alguma vez em redigir as suas memórias, apenas o fazem depois da batalha ou quando a idade os obriga ao descanço. Os discípulos de Ieschou bar-Iossef [Jesus Cristo] sentiam tão pouca necessidade de escrevêr quanto mai próximo julgávam o fim do mundo.
Dest'arte, durante vinte, trinta anos talvez, os actos e as palavras do Nazareno apenas fôram conservadas nas memórias, mas nestas memórias, exercícios de iletrados, que nos transmitíram, intactos na sua prosódia, os védas, os poemas homéricos e os poemas árabes, nessas memórias semíticas, que recébem a impressão e a conservam como o cilindro do fonógrafo, nessas memórias de místicos impressionáveis, para quem as mais insignificantes palavras e gestos do rabi, tínham o valor das palavras e dos gestos dum deus."
(Excerto do Cap. II, Os documentos relativos a Ieschou - I - A paradosis)
Índice:
Prefácio. | Introdução. | Primeira Parte - Hereditariedade de Ieschou bar-Iossef. | Segunda Parte - Constituição e físiologia de Ieschou bar-Iossef.
Encadernação cartonada recoberta de pano estampado com motivos florais, com autor e título gravados a ouro em rótulo aposto na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Indisponível

24 maio, 2021

MARTINS, J. P. Oliveira - THEORIA DO SOCIALISMO : evolução politica e economica das sociedades na Europa.
Por...
Lisboa, 71 - Travessa da Victoria - 71 [Typ. Sousa & Filho - Lisboa], 1872. In-8.º (18 cm) de 408, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Importante ensaio filosófico sobre o Socialismo na sua versão original, sendo esta uma das mais importantes e apreciadas obras do autor.
"A theoria do Socialismo é a Evolução.
Evolução quer dizer o movimento natural e fatal executado segundo uma lei do universo. A noção do modo de ser do mundo era desconhecida ás civilisações antigas e á nossa antes do seculo XIX. É a grande, a solida, a definitiva conclusão moral da nossa era. É a lei pela qual o universo, deixando de ser uma creação caprichosa do espirito e que se rege caprichosamente por elle, sob a forma divina ou heroica, attinge a dignidade da autonomia. É a lei fundamental dentro de que se encontram de accordo e se comprehendem a Natureza e o Espirito.; que nos dá a historia natural do homem e do mundo; e que portanto nos descobre, por meio de uma equação gigante, o segredo do futuro.
A affirmação da Humanidade como objecto da sua propria existencia; a affirmação do Homem como norma absoluta; isto é o nosce te ipsum elevado ás proporções da suprema idéa metaphysica, tal é o ponto onde conduz fatalmente a Evolução. Civilisação quer dizer educação. Conclue pela sciencia, pelo conhecimento de nós mesmos, pela affirmação moral da nossa existencia real. Apropriar, reconhecendo-as como fructo de nós mesmos, as creações divinas, poeticas, heroicas da historia, conduz necessariamente á doutrina da immanencia, dentro do homem, de todos os sentimentos e idéas que são a norma da nossa existencia."
(Excerto do preâmbulo - Theses geraes)
Indice:
Theses geraes. | Livro Primeiro - O Direito Publico na Civlisação Moderna: These. I - Omnis potestaa a Deo; II - Obligatio ex consensu; III - Il mondo é fatto dagli uomini. Schema. | Livro Segundo - O Principio Federativo na Historia: These. I - As raças latinas; II - As raças germanicas; III - As federações actuaes. | Livro Terceiro - A Economia Social: These. I - O dominio transcendente e a servidão - § 1.º A propriedade e as classes ruraes; § 2.º A industria e as classes operarias; § 3.º  commercio e o banco. II - O dominio natural e o salariato - § 1.º O commercio e o banco; § 2.º A propriedade e as classes ruraes; § 3.º A industria a as classes operarias. III - A sciencia economica.
Joaquim Pedro de Oliveira Martins (1845-1894). "Historiador, economista, antropólogo, crítico social e político, a sua ação e os seus trabalhos suscitaram controvérsia e tiveram considerável influência, não apenas em historiadores, críticos e literatos do seu tempo e do século XX, mas na própria vida política portuguesa contemporânea. Desde 1867, Oliveira Martins experimentou diversos géneros de divulgação cultural: romance e drama históricos, ensaios de reflexão histórica e política e doutrinária. Mas essas tentativas, de valor desigual, não alcançaram grande sucesso. Em 1879, dá-se uma inflexão no seu percurso intelectual, com o início da publicação da Biblioteca das Ciências Sociais, de sua exclusiva autoria. Embora alheia a intenções doutrinárias e ao espírito de sistema dominante na época (positivismo, determinismos vários), não deixaria de, pontualmente, exprimir estas tendências. Pelo largo fôlego e diversidade de matérias que pretendia abarcar - história peninsular, história nacional e ultramarina, história de Roma, antropologia, mitos religiosos, demografia, temas de economia e finanças, etc. - a coleção constituiu um projeto sem precedentes no meio cultural português da Regeneração, com o objetivo de generalizar todo um conjunto de saberes entre um público alargado. O empreendimento editorial ficaria marcado pelo autodidatismo de Oliveira Martins, uma curiosidade científica sem limites e um bem evidente pendor interdisciplinar e globalizante. Esse autodidatismo é afinal indissociável do próprio percurso biográfico e profissional do historiador."
(Fonte: http://cvc.instituto-camoes.pt/seculo-xix/oliveira-martins.html#.XVLSqkfOWM8)

Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e filosófico.
Indisponível

09 março, 2021

SAGUER, Theophilo - FALEMOS DA GUERRA.
[Por]... Professor do Conservatorio. [Prefacio do Dr. Santos Gil, Prof. do Conservatorio e do Lyceu Passos Manoel]
. Lisboa, [s.n. - Composto e Impresso no Centro Tip. Colonial, Lisboa], Outubro de 1920. In-8.º (21,5 cm) de [2], 61, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Obra interessantíssima, talvez a mais invulgar da bibliografia do autor. Numa visão muito pessoal do conflito, o autor discorre sobre a Grande Guerra, as causas que concorreram para a sua eclosão e os responsáveis. Faz um balanço do pós-guerra e aponta a democracia - num apontamento visionário muito curioso - como o caminho a seguir para a salvação da humanidade.
Livro muito valorizado pela dedicatória manuscrita do autor, datada, ao Maestro Pedro Blamelo.
Matérias: I. - Lições da guerra - Ambições que falharam - Profecia cumprida - A Força e o Direito. | II. - Civilisação e guerra - O Ideal latino e o germânico - Valentia e baixeza - A Marselheza hino da liberdade. | III. - Um «livro branco» de monstruosas malicias - Fazer o mal e a caramunha - Mentiras refalsadas - A verdade nua e crua - Metternichs e a politica cavilosa. | IV. - A politica prussiana no século XIX, as anexações - O papel de Bismark - Guerras e alianças - Habilidades politicas - A guerra franco-prussiana (1870). | V. - Depois de seis mezes de silencio o auctor volta a ocupar-se das questões da guerra - Feita a Paz seguem-se as mesmas mentiras as mesmas ambições e o mesmo e egoismo. | VI. - Guilherme II e a atitude da Holanda - Já se esqueceram os milhões de mortos - Os estropeados, as miserias e o esgotamento da humanidade de que Guilherme II foi o maior culpado. | VII. - A crise moral - O crime dos neutros - O heroismo portuguez. | VIII. - Ainda a crise moral - O açambarcador - O novo rico - A falta de honra e a falta de vergonha - O bolchevista imitando o burguês. | IX. - A guerra e a patria - O que é a democracia - Como a democracia ha-de salvar a humanidade - A taboleta do bolchevismo servindo de isca aos germanofilos - Remedios do mal contemporaneo - Reflexões filosoficas.
Teófilo Saguer (1880-1954). "Filho de João Saguer Carbonell, natural de Peratallada, província de Girona (Catalunha) e de Francisca Antónia, filha ilegítima de João Alexandre Guerreiro Barradas, nasceu em Grândola em 1 de dezembro de 1880. Demonstrando, desde cedo, dotes musicais, assentou praça em Caçadores 5 e matriculou-se no Conservatório Nacional. Integrou a banda da Guarda Nacional, ingressou nas orquestras dos Teatros de São Carlos e da Trindade e, mais tarde, como trompista, nas orquestras sinfónicas de Lambertini, Blanch, Cardona e David de Sousa. Em 1912, casou com a violoncelista Adelaide Guerreiro Saguer e, nas palavras da filha Albertina Saguer, com ela viveu uma vida de perfeita comunhão de ideais, a par tocando, ensinando e escrevendo. 4 Em março de 1915 estreou-se como compositor no Teatro Politeama com o poema sinfónico Ode à Bélgica e, no mesmo ano, apresentou e dirigiu em São Carlos a Abertura Sinfónica. Quatro anos depois, tornou-se professor de Composição no Conservatório onde regeu as cadeiras de Ciências Musicais, Piano e Instrumentos de Sopro e Metal, atingindo o grau de professor de Alta-Composição. Dedicou-se ao estudo da musicologia e exerceu crítica musical publicando artigos em diversos jornais. Foi autor das seguintes obras: Monárquicos e Republicanos, Falemos da Guerra, A Entoação, A Anarquia dos Sons, Pedagogia Musical e A Radiotelefonia, para além de outras que deixou inéditas. Segundo sua filha, quando a doença o acometeu, veio despedir-se de Grândola, que entre todos os lugares da terra, ele, Teófilo, a conservou sempre no lugar que lhe cabia, e que para ele, seu filho distante e sempre presente, foi sempre o primeiro. Faleceu em Lisboa, em 1 de dezembro de 1954."
(Fonte: http://arquivo.cm-grandola.pt/_docs/Os%20Guerreiro%20Barradas%20e%20a%20M%C3%BAsica.pdf)

Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capa apresenta mancha de humidade antiga à cabeça.
Raro.
Indisponível

28 dezembro, 2020

BOTTO, Antonio - CIUME : canções. Lisboa : Rio de Janeiro, Edições Momento, [1934]. In-8.º (18 cm) de [112] p. ; B.
1.ª edição.
Apreciada obra poética de António Botto. Inclui Marginália com dois ensaios críticos:
Antonio Botto e o problema da sinceridade, por João Gaspar Simões;
Palavras, por José Régio.
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do poeta, datada de 1934, ao seu "ilustríssimo camarada Eugénio Navarro".

"Não mintas dessa maneira.

Vê-se -
Muito claramente,
Que é mentira quanto dizes,
E a mentira, muitas vezes,
- Quando não tem convicção
Em ves de afirmar, destroi
Toda a ilusão.

Mente com outro sorriso, -
Mas mente!,
Porque mentir
Infelizmente é preciso."

(Poema 8)

António Tomás Botto (1897-1959). "Nasceu em Concavada, Abrantes, no dia 17 de Agosto de 1897, e morreu atropelado no Rio de Janeiro a 16 de Março de 1959. Foi muito novo para Lisboa na companhia dos pais. Trabalhou numa livraria, indo depois para África como funcionário público. Em 1947 partiu para o Brasil. A sua obra poética, admirada por Fernando Pessoa e pelo grupo da Presença, é vasta. No entanto, a sua obra mais conhecida é Canções, publicada em 1921 e desde logo causa de escândalo nos meios intelectuais portugueses por ser uma obra explicitamente pederasta.
Obras: Poesia – Trovas (1917); Cantigas de Saudade (1918); Cantares (1919); Canções (diversas edições, acrescentadas e revistas pelo autor, publicadas entre 1921 e 1932); Canções do Sul; Motivos de Beleza (1923); Curiosidades Estéticas (1924); Pequenas Esculturas (1925); Olimpíadas (1927); Dandismo (1928); Ciúme (1934); Baionetas da Morte (1936); A Vida Que te Dei (1938); Sonetos (1938); O Livro do Povo (1944); Ódio e Amor (1947); Fátima - Poema do Mundo (1955); Ainda Não se Escreveu (1959). Ficção – António (1933); Isto Sucedeu Assim (1940); Os Contos de António Botto (literatura infantil, 1942); Ele Que Diga Se Eu Minto (1945). Teatro – Alfama (1933)."
(Fonte: http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/botto.htm)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Corte lateral das folhas do livro, incluindo as capas, apresenta sinais antigos de humidade.
Invulgar.
35€

03 julho, 2020

GOMES, Celestino - A EXPRESSÃO META-CROMÁTICA NA PINTURA DE EDUARDO MALTA. Lisboa, Editorial "Inquérito", 1937. In-8.º (21 cm) de [64] p. ; [13] f. il. ;  B.
1.ª edição.
Biografia artística de Eduardo Malta, emérito retratista português.
Ilustrada extratexto, sobre papel couché, com reproduções de belíssimos trabalhos do Mestre.
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"A técnica de Eduardo Malta não pertence a nenhuma escola, não usa de nenhuma das receitas académicas, e, a-pesar-dos seus prémios escolares, sente-se que não é feita dos conselhos didáticos mas completamente de estudo pessoal, self-made."
(Excerto do Cap. V, Da linguagem técnica)
Índice:
I. Da arte do retrato. II. Da realização da semelhança. III. Do sentido da elegância. IV. Da interpretação étnica. V. Da linguagem técnica. VI. Da expressão meta-cromática.
Reprodução de um auto-retrato e de outras obras de Eduardo Malta.
Eduardo Malta (1900-1967). Foi um pintor português de nomeada, sobretudo como retratista. Pela sua oposição à arte moderna, e pelos trabalhos que executava para as elites sociais, ficaria conhecido como "retratista do regime".
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Invulgar.
Indisponível