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22 junho, 2026

GRAÇA, A. Santos -
A CRENÇA DO PÒVEIRO NAS "ALMAS PENADAS".
Separata da "Homenagem a Martins Sarmento". Póvoa de Varzim - Portugal, [s.n.], 1934. In-4.º (23x16 cm) de [8] p. ; B.
1.ª edição independente.
Curiosíssimo ensaio sobre as superstições das gentes poveiras.
Opúsculo com interesse regional, histórico e etnográfico.
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao "Exmo. Professor Virgilio Correia" (1844-1944), professor universitário, historiador da arte, arqueólogo e jornalista português natural do Peso da Régua.
"Nos povos da beira-mar, a superstição da aparição dos «espíritos» revela, com as suas angústias e temores, um fundo moral impressionante. Superstição arreigada em todos os povos, principalmente nos da Ibéria, não sei se a do Pòveiro se irmana com a mesma concepção doutros povos. Desta dúvida me veio o desejo de arquivar os seus aspectos locais.
Admite o Pòveiro três espécies de almas: as dos justos, que, mal se despegam do corpo, vão gozar a Bem-aventurança; as boas, mas que certas faltas em vida obrigam a penas até á remissão; e as más, que não têm lugar nem no céu nem no inferno, andando errantes entre «ares e nuvens» para todo o sempre.
São as duas últimas espécies - as «Almas Penadas»."
(Excerto do Ensaio)
António dos Santos Graça (Póvoa de Varzim, 1882-1956). "Foi um etnógrafo, jornalista e político português. Fundou o semanário "O Comércio da Póvoa de Varzim", em 1903, com Carlos de Almeida Braga, José Eduardo Pinheiro, Júlio Dias Vieira de Sousa, Leopoldino Gomes Loureiro, Bernardino Pinheiro e o Padre Afonso dos Santos Soares.
Destacou-se no estudo da cultura poveira, especialmente no que toca ao estudo das siglas poveiras, com obras como O Poveiro (1932), A Crença do Poveiro nas Almas Penadas (1933), Inscrições Tumulares por Siglas (1942) e A Epopeia dos Humildes (1952)."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta pequena falha de ppel no canto inferior direito.
Raro.
20€

26 maio, 2026

VANCE, Clay Burton -
ORÁCULO OU A LEITURA DA VOSSA VIDA.
Aprendei a conhecer-vos e a conhecer os outros. Leitura baseada na astrologia e na quiromancia, segundo o signo em que cada um nasceu. Porto, Livraria Civilização - Editora, 1973. In-8.º (18,5x13 cm) de 103, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso Horóscopo, obra de um conhecido charlatão americano.
Ilustrado no texto com desenhos de mãos reproduzindo as "linhas da vida".
"A Astrologia é a arte de prever o futuro segundo a posição que os astros ocupam no firmamento, quando nasce uma criança. Quer dizer que desde que uma criança vem ao mundo, os astros exercem sobre ela uma influência decisiva e imperiosa. É preciso, portanto, conhecer a posição exacta, no céu, desses astros ou constelações para obter um Horóscopo.
O que vem a ser Horóscopo? - O Horóscopo é a observação que um astrólogo faz do céu na hora do nascimento de uma criança, observação pela qual ele prediz os acontecimentos importantes da vida dessa criança.
Para saber tirar o horóscopo é preciso tomar nota do mês, e por conseguinte sob a constelação em que se nasceu, para conhecer o futuro, pois que cada mês obedece a uma constelação do signo do Zodíaco."
(Excerto de Como se pode adivinhar o futuro pela Astrologia)
Clay Burton Vance, pseudónimo de Elmer Sidney Prather (1872–?). "Foi um famoso vigarista internacional do início do século XX que operava um esquema massivo de venda de leituras astrológicas falsas. Embora se promovesse globalmente como um "grande mestre" e o "único astrólogo que previu a Grande Guerra Europeia", os seus mapas natais e previsões eram, na verdade, folhetos impressos em massa enviados a milhares de clientes.
Prather publicava anúncios em periódicos de vários países (incluindo Portugal e Brasil), oferecendo leituras preliminares "gratuitas" ou a baixo custo. Para receber o horóscopo, a vítima devia enviar o nome, a morada e a data de nascimento. O cliente recebia um texto genérico com elogios à sua personalidade e avisos vagos sobre o futuro, acompanhado de uma oferta para comprar uma "Leitura Completa da Vida" por um valor elevado. Embora operasse originalmente a partir de Nova Iorque, utilizava escritórios fantasma com moradas de prestígio na Europa, como a Suite 1606 na Place du Palais Royal, em Paris, França, para dar credibilidade ao negócio." (IA)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
15€

02 março, 2026

LOUREIRO, Augusto -
A BRUXA. Scenas Açorianas.
Com um prefacio de Armando da Silva. Lisboa, Antiga Casa Bertrand - José Bastos, 1901. In-8.º (19,5x13,5 cm) de [2], 208, [4] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Romance curiosíssimo, cuja acção decorre na Candelária, pitoresca povoação localizada no interior da ilha de S. Miguel, Açores. Inicialmente, em 1876, foi incluído num livro de contos com o título O Cego. Mais tarde, em 1882, substancialmente aumentado, foi publicado em folhetins no Diário de Notícias. Finalmente, em 1901, foi dada aos prelos esta versão, corrigida e aumentada, que não deixa de ser uma primeira edição, tantas são as alterações, na forma e no conteúdo, entre cada uma das versões.
Obra ilustrada com o retrato do autor em folha separada do texto.
"A Bruxa é o romance da vida das nossas aldeias açorianas, que o auctor estudou conscienciosamente: Os seus typos, a sua linguagem, os seus costumes são lidimos açorianos. Porventura algum dos seus personagens - permitta-me o meu caro Loureiro a indiscripção, - viveu em carne e osso antes de ser transportado para o livro. O regedor foi professor de latim do auctor, o cura seu companheiro de caçadas; a doida e o cego existiram tambem.
Além d'isso, o theatro onde o drama se desenvolve é bem nosso conhecido. É uma pequena povoação interior da ilha de S. Miguel, a Candellaria, com pouco mais de um milhar de habitantes. Os montes que se elevam do lado direito, com a sua encosta coberta de Calluna e Sphagnos, vão terminar nas cumieiras das Sete Cidades, essa pérola de purissimo Oriente encravada n'um annel de elevadas paredes volcanicas, cuja rudesa amacia a vegetação luxuriante dos Chryptomerias.
Fóra dos typos, fóra da paizagem, temos ainda na Bruxa uma descripção de varios dos nossos costumes. A ethnologia michaclense está egualmente estudada com amoroso cuidado. As festas do Espirito Santo, transformação de velhos cultos polytheiistas, com o symbolo phallico da pomba, desapparecidos de todo no continente desde o fim do segundo quartel do seculo passado, mas mantendo-se ainda vivas, nas ilhas, no Brazil e na India portugueza os usos nupciaes locaes, restos mais caracteristicos da phase social primitiva, que como todos os usos que se referem á familia, se conservam pela lei da persistencia, resistindo tenazmente contra todos os obstaculos assimilações, lá estão fielmente descriptos, pela habil mão do escriptor que é Augusto Loureiro, no seu romance açoriano.
Tudo isso: typos, paizagens, costumes, entrelaça-se n'uma historia idyllica de amor. Não ha, não póde haver romance sem amor, porque o amor é que dirige o mundo e é o mobil da maior parte das acções humanas.
Effectivamente a Bruxa é um lindo romance, de um entrecho docemente commovedor, de linguagem agradavel, e cuja leitura se pode recommendar com affoutesa."
(Fonte: https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/Ocidente/1902/N832/N832_master/N832.pdf) 
"Na aldeia havia um ancião, cuja idade, nem elle proprio sabia contar. Inquerido a este respeito, respondia:
- O que sei dizer é que quando entraram aqui os da Terceira, eu não fui obrigado a pegar em armas e a marchar para a acção da Ladeira da Velha, porque havia muito que eu passára da idade.
De tão severa moral e firmeza de caracter, como de bondoso coração, este homem era por todos estimado: iam consultal-o, não sómente em assumptos agricolas, mas em negocios e pendencias domesticas. Tratavamn'o sempre por tio Lourenço, nome pelo qual era geralmente conhecido.
O tio Lourenço estava invalido para todo o trabalho: alquebrara-lhe as forças, tolhera-lhe os membros, o maior inimigo dos velhos - o rheumatismo gottoso, molestia que muito tempo o havia prendido em casa, quasi sempre estatelado sobre o leito. Em quanto forças teve para lutar com tão implacavel inimigo, mesmo já adoentado, labutava sempre. Enviuvára cedo; e do matrimonio houvera uma unica filha a quem dedicava todos os affectos do seu coração."
(Excerto do Cap. II)
Augusto César de Sampaio Loureiro (1839?-1906). "N. Ponta Delgada, 2.1.1839 ? m. ibid., 4.9.1906]. Poeta e contista. Como poeta, deixou algumas líricas que o têm colocado entre os seus pares açorianos da última geração romântica. Como contista, foi o primeiro, nos Açores, a retratar ambientes e personagens predominantemente rústicos (cf. Silveira, 1977: 139). Tem prosa e poesia dispersas por jornais dos Açores e de Lisboa, onde viveu algum tempo.
Em Ponta Delgada e em Lisboa, dirigiu, redigiu ou foi proprietário dos jornais Gazetilha semanal (1864-?), Jornal de notícias (1871-1875), Revista universal: jornal dedicado aos interesses das ilhas adjacentes e provincias ultramarinas (1877), O figaro: diario portuguez e brazileiro (1881-1884), Os Açores (1904), e O Heraldo.
Era funcionário da Alfândega.
Obras. (1866), Chegada do Exmo. actor Francisco Alves da Silva Taborda. Ponta Delgada, s.e. [poesia]. (1866), Adeus a Taborda. Ponta Delgada, s.e. [poesia]. (1868), Justiça de Deus. Ponta Delgada, Typ. do Ecco Social [drama]. (1868), Hymno da banda marcial denominada Lealdade de Vila Franca do Campo [ms.], Ponta Delgada, s.e.. (1869), À Beira-Mar: contos, phantasias e digressões. Lisboa, Luso Britannica [contos]. (1872), Almanaque para todos para 1973. Ponta Delgada, Imprensa Commercial. (1873), Almanaque para todos para 1974. Ponta Delgada, Imprensa Commercial. (1874), Almanaque para todos para 1975. Ponta Delgada, Imprensa Commercial. (1875), Á Mme. Marie Pavoni Moretti dans as fête: au theatro michaelense. S.l., s.e.. (1876), Serões de Inverno. Ponta Delgada, Ed. do Autor [contos]. (1895), Hymno dedicado ao exmo. snr. João Lourenço da Silva [ms.]. Rabo de Peixe, s.e.. (1897), Biografia do Dr. Caetano de Andrade, A Actualidade, Ponta Delgada, n.º 66, 4 de Abril. (1897), Conselheiro Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro: memória da sua visita à ilha de S. Miguel em Julho de 1901, Ibidem, 20 de Julho [Ponta Delgada, Typ. A Vapor de Ferreira]. (1897), Perfil de Francisco Peixoto da Silveira, Ibid., 24 de Outubro. (1898), Perfil de Maurício Bensaúde (Moisés Bensaúde), Ibid., 6 de Março. (1901), A Bruxa, scenas açorianas. Lisboa, José Bastos. (1901), Conselheiro Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro: memória da sua visita à ilha de S. Miguel em Julho de 1901. Ponta Delgada, Typo-Lyt. A vapor de Ferreira & Cª. Typ. A Vapor de Ferreira.
Traduziu: (1872), Pagem ou flor de Maio de Ponson du Terrail. Ponta Delgada, Imp. Commercial e (1890), Bianca Cappello de Thomaz Anquetill. Lisboa, Typ. Portugueza."
(Fonte: https://www.culturacores.azores.gov.pt/ea/pesquisa/Default.aspx?id=8251)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos. Assinatura de posse data na capa frontal.
Raro.
Indisponível

22 fevereiro, 2026

MATTOSO, José -
O REINO DOS MORTOS NA IDADE MÉDIA PENINSULAR.
Sob a direcção de... Lisboa, Edições João Sá da Costa, 1996. In-4.º (24x16,5 cm) de 239, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessantíssimo conjunto de estudos históricos sobre a morte e a forma como esta era encarada na Península Ibérica pelo homem medievo.
Obra dirigida pelo Prof. José Mattoso, que aliás assina a maioria dos trabalhos, ilustrada no texto com quadros, tabelas e fotografias, sendo alguns em página inteira.
"O conjunto de artigos que aqui se publica constitui o primeiro resultado palpável de um projecto de investigação iniciado em 1989 e que nessa altura surgia sob o título de «Representações mentais do invisível em Portugal medieval». [...] De facto, pareceu-me desde logo que a representação mental do mundo dos mortos constituía, porventura, o principal lugar do imaginário do invisível: aquele núcleo a partir do qual se organiza o pensamento simbólico e discursivo acerca das forças e entidades invisíveis a que se atribuía uma acção real ou imaginária sobre a vida dos homens. Assim acontece, principalmente, para a cultura e religião populares, onde a acção dos deuses ou de Deus tem um lugar secundário, e em que, pelo contrário, se verifica uma evidente contiguidade entre a acção dos mortos, a influência das forças anímicas da natureza, e a intervenção dos anjos e santos (potências benéficas) e dos demónios (potências maléficas)."
(Excerto da Introdução)
Índice:
José Mattoso: Introdução | Cláudio Torres e Santiago Macias: Rituais funerários paleocristãos e islâmicos nas necrópoles de Mértola | Maria do Rosário Bastos: Testemunhos hispânicos sobre o mundo dos mortos nos séculos IV a VIII | José Mattoso: Os rituais da morte na litúrgia hispânica (séculos VI a XI) | José Mattoso: O culto dos mortos no fim do século XI | José Mattoso: O culto dos mortos em Cister no templo de São Bernardo | Maria do Rosário Bastos: Prescrições sinodais sobre o culto dos mortos nos séculos XIII a XIV | Isabel Castro Pina: Ritos e imaginário da morte em testamentos dos séculos XIV e XV | Hermínia Vasconcelos Vilar: Rituais da morte em testamentos dos séculos XIV a XV (Coimbra e Santarém) | Adelaide Pereira Millán da Costa: O espaço dos vivos e o espaço dos mortos nas cidades da Baixa Idade Média | José Mattoso: A morte dos reis na crónica pré-afonsina | José Mattoso: O pranto fúnebre na poesia trovadoresca galego-portuguesa | José Mattoso: O imaginário do além-túmulo nos exempla peninsulares da Idade Média | José Mattoso: A utilização dos Diálogos de Gregório Magno pelo Libro de los exemplos.
José Mattoso (1933-2023). "Foi uma das mais prestigiadas figuras da historiografia portuguesa e internacional. Professor catedrático jubilado da Universidade Nova de Lisboa, foi distinguido com alguns dos mais importantes prémios na área da investigação, como o Prémio Alfredo Pimenta de História Medieval (1985), o Prémio Pessoa pelo conjunto da sua obra (1987) e o Prémio da Latinidade (2007). Dos seus livros, destacam-se a aclamada biografia D. Afonso Henriques, a colectânea de ensaios sobre história medieval Naquele Tempo e a direcção de História da Vida Privada em Portugal."
(Fonte: https://www.almedina.net/autor/jos-mattoso-1563855594)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

16 fevereiro, 2026

CUNHA, António Cardoso -
S. CIPRIANO, PADROEIRO DE BRUXOS E FEITICEIROS
. [Por]... Bispo de Vila Real. Porto, [s.n. - Composto e impresso nas Ofic. Gráf. da Livraria Cruz - Braga], 1983. In-8.º (23,5x16 cm) de, [3], 28, [1] p. (252-279 pp.) ; B.
1.ª edição independente.
Separata da Revista «Humanística e Teologia» : Tomo IV - Setembro-Dezembro de 1983 - Fasc 3.
Interessante trabalho sobre superstição e crendice, e a influência que S. Cipriano teve nos rituais e práticas de bruxaria e feitiçaria.
"Os esforços feitos pelos Padres e homens da Igreja para extirpar na nova sociedade cristã hábitos supersticiosos longamente enraizados não foram totalmente coroados de êxito.
Para muitos cristãos era (e ainda hoje é) possível conciliar a prática da vida cristã com a credulidade supersticiosa. As proibições mais ou menos severas das autoridades civis e religiosas foram inúteis.
Na cristandade medieval, os profundos sentimentos religiosos que floriram nas artes, nas Sumas Teológicas, nas Cruzadas e em tantas outras manifestações de piedade individual e colectiva não puderam exterminar a cizânia da crendice que, por toda a parte, contaminava o povo cristão. A ignorância das massas populares, favorecida pela falta de cultura da grande maioria dos sacerdotes que tinham a missão de as orientar e esclarecer, tornava o terreno propício ao ressurgir de antigas superstições. [...]
Os germanos introduziram na cristandade medieval as ordálias ou juízos de Deus que já existiam em alguns povos da antiguidade pagã. Esse bárbaro costume, que floresceu na Alemanha e na França, era aceite como prova irrefutável nos tribunais.
Os suspeitos de crimes gravíssimos eram submetidos pelas autoridades a deter minadas provas (ou eles espontaneamente pediam) com o fim e se averiguar a sua inocência ou culpabilidade .
As modalidades mais frequentes eram o duelo, deitar sortes (sorteio), a prova de fogo, do ferro em brasa (ferro caldo) e a prova da água quente e fria.
Havia a ingénua convicção de que Deus intervinha milagrosamente na defesa dos inocentes e no castigo dos culpados."
(Excerto de A mentalidade Supersticiosa na Idade Média e no Renascimento)
Índice:
Actas dos Santos Mártires Cipriano e Justina: I - Conversão; II - Confissão; III - Martírio. | Lenda ou História? Confusão de Cipriano de Antioquia com Cipriano de Cartago | A Magia Profundamente Enraizada na Sociedade Pagã não Desapareceu Subitamente com a Vinda do Cristianismo | A mentalidade Supersticiosa na Idade Média e no Renascimento | As Actas de Cipriano e Justina Fazem Parte duma Literatura Característica dos Primeiros Séculos da Era Cristã | A Lenda de Cipriano Renasce e Renova-se Através dos Séculos | O Livro de S. Cipriano | Conclusão.
António Cardoso Cunha (Penso, Sernancelhe, 1915 - Chaves, 2004). "Foi um bispo português. Depois da instrução primária, bem como secundária e terminado o Curso de Teologia foi nomeado professor do seminário de Resende, por não ter idade canónica para ser ordenado sacerdote. A 16 de Abril de 1938 foi ordenado sacerdote por D. Agostinho de Jesus e Sousa, tendo sido nomeado pároco de Vila da Moimenta da Beira. Regressando ao Seminário de Resende como professor e Perfeito, foi depois estudar para Roma História Eclesiástica, na Universidade Gregoriana. Após ter voltado a Portugal, foi nomeado Vice-Reitor do Seminário de Resende e, anos mais tarde, Vice-Reitor do Seminário de Lamego.
A 9 de Março de 1956 foi eleito Bispo Auxiliar de D. José do Patrocínio Dias, Bispo de Beja, com o título de Baris. A sua sagração episcopal celebrou-se na Catedral de Beja em 10 de Junho de 1956. Como auxiliar mostrou um grande acompanhamento do Seminário Diocesano (inaugurado em 1940), e uma grande proximidade com os sacerdotes, devendo-se a ele a formação qualificada de muitos deles. Foi também um dos padres conciliares portugueses no Concílio Vaticano II. Em 7 de Outubro de 1965 foi nomeado Administrador Apostólico de Beja, tomando posse por procuração. Ao morrer D. José do Patrocínio Dias em 24 de Outubro desse mesmo ano, foi nomeado para Bispo de Beja, a 18 de Dezembro, e D. António Cardoso Cunha foi nomeado Bispo Coadjutor da Vila Real.
A 16 de Maio de 1966, D. António Cunha é nomeado Bispo Coadjutor da Vila Real, com direito de sucessão a D. António Valente da Fonseca, tomando posse deste cargo a 3 de Julho de 1965. Com a resignação de D. António Valente da Fonseca a 10 de Janeiro de 1967, foi nomeado Bispo de Vila Real, resignando a 19 de Janeiro de 1991." Faleceu no Lar de Velhinhos das Irmãs dos Anciãos Desamparados, de Chaves, onde residia desde 1991, ano da sua resignação.
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
20€

25 outubro, 2025

GOMES, Manuel João -
15 HISTÓRIAS SUPERSTICIOSAS E 100 LUGARES-COMUNS SOBRENATURAIS.
Antologia organizada e apresentada por... Lisboa, Arcádia, 1976. In-8.º (20,5x13,5 cm) de 215, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra curiosa, publicada na apreciada Colecção Meia-Noite da editora Arcádia. O diabo e a morte na tradição chinesa, árabe, espanhola, portuguesa, bretã, irlandesa, russa, americana, belga germânica e sueca.
Ilustrada em página inteira com 5 desenhos "diabólicos".
"As histórias sobrenaturais da nossa tradição cultural ocidental-cristã, poderão ser estudadas enquanto «ficção» ou enquanto «verdadeira história».
Digamos de outra maneira: as ficções sobrenaturais da nossa tradição cultural têm o seu fundo de verdade... [...]
É importante estudar a primitiva função dos  mitos primitivos: é uma maneira de estudarmos a função do mito nas nossas sociedades, a função da «ficção» dentro da nossa cultura.
Este volume de narrativas sobrenaturais seleccionadas pretende fazer isso mesmo no campo específico do tema «Diabo» e certos aspectos do tema «morte».
(Excerto da Introdução - Átrio - Diabolicamente falando)
Índice:
Átrio - Diabolicamente falando: 1) Do Diabo; 2) Literatura e Diabo; 3) Feiticeiras(os) e Fadas; 4) Diabo e Tirania; 5) Das Almas Penadas; 6) Uma última nota. | I - Do Oriente: O Macaco Branco (China); O Pródigo e o Alquimista (China); A História de Zobeide (Arábia) II - II Do Diabo Cornudo: O Cavaleiro que Fez Pacto com o Diabo (Portugal); O Diabo Escudeiro (Portugal); Senhor Brown, o Moço (E. U. A.); Aventura Incompreensível... (França); O Sabbat de Moflaines (Sabóia); O Diabo Vestido de Padre (Bretanha). III - Dos Tiranos Vestidos à Diabo: O Violino do Sabbat (Bélgica); A Cruz do Diabo (Espanha); O Tirano Comorre (Bretanha); A Casa do Juiz (Irlanda). IV - Das Almas Penadas: A Visão de Carlos XI (Suécia); A Dama de Espadas (Rússia); A Dança dos Mortos (Alemanha). | Apêndice - 100 lugares-comuns sobrenaturais.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
20€

17 outubro, 2025

CARVALHO, Avelino Cardoso Ferreira de -
SOBRE O EXERCICIO ILLEGAL DE MEDICINA EM VILLA NOVA DE FAMALICÃO. (A proposito de um caso de obstetricia). Dissertação Inaugural. Porto, [s.n. - Impressa em machina "Marinoni" na Typographia Minerva de Gaspar Pinto de Sousa & Irmão - V. N. de Famalicão], 1906. In-8.º (22,5x16,5 cm) de 80, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Tese académica apresentada à Escola Médico-Cirúrgica do Porto.
A propósito de um caso de obstetrícia, o autor ataca a classe farmacêutica de Famalicão que acusa de charlatanice e prática ilegal da medicina, aproveitando o desconhecimento e crendice da população.
Trabalho insólito, raro e muito curioso.
"De todas as artes liberaes, a que mais tendencias manifesta para se tornar presa do charlatanismo, certamente é a medicina a que se mostra mais favorecida.
As tendencias verdadeiramente extraordinarias que na humanidade se manifestam para tudo o que é maravilhoso, phantastico e rodeado de mysterio, tornam-se inexplicaveis; a necessidade de phantasia é tendencia tão propria da natureza do homem, que se é forçado a convir que corresponde a uma das leis da nossa organisação, que é um dos attributos da nossa natureza e, por assim dizer, uma das condições da nossa existencia.
Os prejuizos que para a sciencia medica se manifestam numerosos e variados, exercem grande predominio entre todas as classes da sociedade, na média e burgueza, na rica e aristocratica, na popular e ignorante, se bem que se possa admittir que os camponezes, gente simples, cujo duro mister não deixa repoiso para trabalhos de intelligencia, sejam facilmente seduzidos por chimeras que, mesmo rodaeadas dum véu de religiosidade, não têm mais credito. [...]
Que differença existe entre o homem civilisado d'hoje, que consulta as mezas rolantes e comsigo traz amuletos e medalhas, para o preservar de doenças e de outro qualquer accidente, e os antigos que consultavam o vôo das aves e adoravam os fétiches?
As tendencias que manifestam ainda agora homens de espirito nivelado pela evolução dos mais solidos predominios da mentalidade moderna para as mesmas aberrações, que são de todas as épocas e de todas as latitudes, nada mais é que o resurgir da velha historia das obsessões, dos encantos, dos exorcismos e de toda a bagagem magica, que para sempre parecia sepultada nas ruinas da idade média.
É uma observação triste, um dos phenomenos dos mais inexplicaveis da historia da humanidade esta credulidade incuravel, esta facilidade de admittir, sem exame e sem contestação, tudo o que tenha alguma apparencia de sobrenatural, ao passo que a verdade não é acceita senão com a maior lentidão e a maior reserva."
(Excerto do Preâmbulo)
Exemplar em brochura, por abrir, bem conservado. Capas ligeiramente sujas.
Raro.
45€

04 outubro, 2025

CUNHA, D. António Cardoso -
ORIGEM E EVOLUÇÃO DE ALGUNS COSTUMES FUNERÁRIOS.
[Por]... Bispo de Vila Real. Porto, [s.n.], 1986. In-4.º (23x16 cm) de, [1], 25, [1] p. (226-249 pp.) ; B.
1.ª edição independente.
Separata da Revista «Humanística e Teologia».
Interessante estudo sobre a  morte e os rituais fúnebres.
"Na antiguidade, havia a convicção de que os defuntos levavam, no além, uma vida obscura, mas em tudo semelhante à que tinham experimentado durante a existência terrena.
Por isso, na sepultura eram colocados, ao lado do cadáver, os objectos que o defunto utilizara na vida quotidiana, sobretudo os de sua especial predilecção . Assim a um guerreiro não podiam faltar as armas; a uma mulher, os objectos de toilette; a uma criança, os brinquedos com que se entretinha.
Esta mentalidade e prática ainda se encontram hoje entre os povos de cultura primitiva."
(Excerto de I - Banquetes funerários - No paganismo)
Estes usos e costumes persistiram em Portugal e ainda hoje se encontram manifestações e vestígios em algumas terras.
As Constituições da Diocese do Porto, de 1585, no título 18 fl. 78, determinam: «E para tirar os ritos e costumes que mais são de gentios que de cristãos, ordenamos e mandamos que em nenhum tempo se coma nem beba sobre as sepulturas dos finados nem se consinta fazer sob pena de serem punidos segundo a tal superstição merecer».
(Excerto de I - Banquetes funerários - Em Portugal)
Índice:
I - Banquetes funerários: - No paganismo; - Na sociedade cristã; - Banquetes em honra dos mártires; - Em Portugal. II - A viagem depois da morte. III - Espectaculares manifestações de pesar.
António Cardoso Cunha (Penso, Sernancelhe, 1915 - Chaves, 2004). "Foi um bispo português. Depois da instrução primária, bem como secundária e terminado o Curso de Teologia foi nomeado professor do seminário de Resende, por não ter idade canónica para ser ordenado sacerdote. A 16 de Abril de 1938 foi ordenado sacerdote por D. Agostinho de Jesus e Sousa, tendo sido nomeado pároco de Vila da Moimenta da Beira. Regressando ao Seminário de Resende como professor e Perfeito, foi depois estudar para Roma História Eclesiástica, na Universidade Gregoriana. Após ter voltado a Portugal, foi nomeado Vice-Reitor do Seminário de Resende e, anos mais tarde, Vice-Reitor do Seminário de Lamego.
A 9 de Março de 1956 foi eleito Bispo Auxiliar de D. José do Patrocínio Dias, Bispo de Beja, com o título de Baris. A sua sagração episcopal celebrou-se na Catedral de Beja em 10 de Junho de 1956. Como auxiliar mostrou um grande acompanhamento do Seminário Diocesano (inaugurado em 1940), e uma grande proximidade com os sacerdotes, devendo-se a ele a formação qualificada de muitos deles. Foi também um dos padres conciliares portugueses no Concílio Vaticano II. Em 7 de Outubro de 1965 foi nomeado Administrador Apostólico de Beja, tomando posse por procuração. Ao morrer D. José do Patrocínio Dias em 24 de Outubro desse mesmo ano, foi nomeado para Bispo de Beja, a 18 de Dezembro, e D. António Cardoso Cunha foi nomeado Bispo Coadjutor da Vila Real.
A 16 de Maio de 1966, D. António Cunha é nomeado Bispo Coadjutor da Vila Real, com direito de sucessão a D. António Valente da Fonseca, tomando posse deste cargo a 3 de Julho de 1965. Com a resignação de D. António Valente da Fonseca a 10 de Janeiro de 1967, foi nomeado Bispo de Vila Real, resignando a 19 de Janeiro de 1991." Faleceu no Lar de Velhinhos das Irmãs dos Anciãos Desamparados, de Chaves, onde residia desde 1991, ano da sua resignação.
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

02 outubro, 2025

ROQUE, Prof. Joaquim -
REZAS E BENZEDURAS.
(Etnografia Alentejana). Beja, Minerva Comercial : Carlos Marques & C.ª, L.da, 1946. In-8.º (22x17 cm) de [4], 117, [1] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Curioso estudo etnográfico sobre superstição e crendice na província do Alentejo.
Invulgar e muito interessante.
Livro ilustrado no texto com desenhos e fotografias a p.b., algumas em página inteira.
"Num trabalho por nós publicado em 1940 incluímos as rezas e as benzeduras no número de superstições e crendices populares ainda hoje muito usadas pelo nosso povo como remédio santo para curar entorses, desmanchos, queimaduras, insolação, erisipela, olhados e tantos outros males que afectam, por vêzes, não só a saúde do corpo, mas também a do espírito.
A pág. 64-65 do nosso referido trabalho apontámos, então, como exemplo, todo o «cerimonial» e a «oração» empregados para benzer de entorse ou desmancho:
Vamos desenvolver neste novo trabalho, tanto quanto possível, o que, então, dissemos sobre este interessantíssimo ramo da Etnografia Portuguesa.
Todas estas práticas são acompanhadas de cerimónias e orações (ensalmos) especiais, ditas em voz alta, pelo benzedor ou benzedeira e repetidos pelo paciente."
(Preâmbulo)
Índice:
Rezas e benzeduras populares | Como o povo reza... | Bruxas, Feiticeiras e lobis-homens... | Aparições: almas do outro mundo, fantasmas e luzinhas nocturnas | Medos: gravultos, sombras e avejões... Bibliografia | Índice.
Joaquim Baptista Roque (1913-1995). "Prof. Joaquim Roque como ficou conhecido, nasceu a 26 de Janeiro de 1913, em Peroguarda, concelho de Ferreira do Alentejo e faleceu a 2 de Dezembro de 1995, em Lisboa. Professor, escritor, jornalista, etnógrafo e folclorista português dedicou muito da sua vida aos estudos etnográficos do Alentejo tendo recolhido milhares de quadras populares da região transtagana. Foi professor primário em diversas localidades alentejanas, adjunto do diretor escolar de Beja e diretor escolar de Lisboa."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação em tela com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura anterior.
Exemplar em bom estado de conservação. Apresenta sublinhados a vermelho um pouco por todo o livro.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e popular.
75€

19 agosto, 2025

CAUFEYNON e JAF, Drs - AS MISSAS NEGRAS. Feitiços, diabruras, maleficios e sortilegios. Os amores e o culto de Satanaz. Lisboa, Typographia Lusitana Editora, 1909. In-8.º (20,5x13 cm) de 258, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Curioso estudo sobre feitiçaria e o culto a Satanás. Obra dividida em duas partes: as seitas e o culto demoníaco em si, através do cerimonial e das missas negras; a adoração a Satanás sob o ponto de vista dos costumes - eróticos e sensuais.
Obra invulgar e muitíssimo interessante. A BNP não menciona.
"As missas negras, seja qual fôr o cerimonial que n'ellas se observe, teem sempre por objectivo o culto do Demonio; aquelles que as celebram, sacerdotes ou não, são crentes do dogma christão, porque é evidente que o sacrilegio não poderia existir onde não houvesse a crença; a profanação intencional caracterisa o proprio acto. [...]
As missas negras caracterisam-se especialmente pela inversão absoluta do rito christão; são officios ao revez e nos quaes, com o espirito de se pôr bem em relevo a profanação aprazivel a Satanaz, se ministra a hostia consagrada maculando-a de differentes maneiras. [...]
Quando se estuda a origem das seitas dos primeiros seculos da era christã, fica-se profundamente impressionado pelas indubtaveis analogias que taes associações offerecem com os mysterios da antiguidade. Os prazeres sensuaes formam o seu principal attractivo; quanto ao dogma, consiste em considerar Baccho como o verdadeiro Senhor dos Deuses, desthronado pelo usurpador Jupiter. As seitas gnosticas e as que d'ella derivam, consideravam Saranaz como o verdeiro Deus, desthronado pelo Altissimo. Entre uns e outros todos os desregramentos se julgavam legitimos. Os vicios constituiam virtudes.
As missas negras derivam das primeiras seitas que ministravam a Eucharistia mesclada de substancias repugnantes e sangue, que veneravam Satanaz e se abstinham de tudo que o Evangelho preceitua, recorrendo a quanto n'elle se prohibe.
As missas negras revestem um caracter especial de maleficio; são geralmente celebradas como as missas lithurgicas, por intenção de determinadas pessôas; differem apenas n'isto: as primeiras visam os vivos, as segundas os mortos. Quando se deseja mal a alguem, faz-se consagrar no altar, pelo officiante, uma figurinha de cêra, na qual se cravam alfinetes de ferro; isto basta para causar, n'aquelle que se visa, enfermidades terriveis e muitas vezes a morte. A missa negra serve tambem de feitiço para o amor, quer dizer, obriga o homem ou a mulher ao sacrificio corporal em favor do feiticeiro; para varrer do caminho um rival ou uma rival, e, n'este caso, para lhes causar a morte ou, pelo menos, provocar-lhes qualquer doença incuravel, e ainda levál'os a praticar qualquer acto que resfrie o amor d'aquelle ou d'aquella que os ama.
Finalmente, as missas negras, verdadeiro culto satanico, constitue uma das superstições mais aferradas do nosso tempo, porque a verdade é que estão ainda em uso, fazem parte integrante da prostituição moderna."
(Excerto do Prefacio)
Indice:
Prefacio | Primeira Parte: O culto de Satanaz: I - Origens e progressos dos Mysterios. II - A Demonomania dos Antigos. III - As seitas heresiarchas e as suas cerimonias. IV - Festas licenciosa do seculo XII. V - Votos e maleficios consagrados. VI - Profanações dos seculos XIV e XVI. VII - As missas e cerimonias escandalosas do seculo XVI. VIII - Assembléas satanicas. - Missas negras dos feiticeiros. IX - Maleficios, sortilegios, sacrilegos e missas negras do seculo XVII. X - Os Convulsionarios e as suas doutrinas singulares. XI - O Templo da Maçonaria Egypcia. - Cagliostro. XII - Cerimonias sacrilegas da Revolução. XIII - Missas negras modernas. Segunda Parte: Os amores de Satanaz. Orgias do tempo antigo: I - Torpezas dos grandes senhores e do clero. II - Costumes dissolutos dos reis francos e dos bispos da Edade Media. III - Costumes publicos e privados a partir do seculo XI - Os possessos demoniacos. IV - As possessas de Loudun e Louviers. V - Os vicios dos seculos XVII e XVIII. VI - Os possessos de Morzina.
Jean Fauconney  (1870-1970). Escritor francês e médico militar, conhecido sobretudo pelas suas obras de índole erótica, algumas delas relacionadas com a sexualidade, saúde e e hábitos de higiene. Escreveu sob os pseudónimos Dr. Jaf (ou Jaff), Brennus e Dr. Caufeynon, sendo este último um anagrama do seu apelido. A obra As Missas Negras, no original Les Messes Noires, le culte de Satan-Dieu. (Paris: Pancier, 1905), que representa uma inusitada incursão do autor no tema da superstição e do sobrenatural, é praticamente desconhecida, sendo raríssimas as referências ao livro.
Encadernação meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Papel de fraca qualidade, folhas escurecidas. Sem f. ante-rosto.
Muito raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

13 julho, 2025

SEABRA, Serafim de -
PRESÁGIOS E ENGUIÇOS. Adaptação de... Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Soc. Nac. de Tipografia - Lisboa], 1941. In-8.º (19,5x14 cm) de 90, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Capa de Quim.
Obra muito curiosa. Trata-se de um trabalho de recolha de crenças populares, verdadeira bíblia dos presságios, agouros e mau-olhado.
Raro e muito interessante. A BNP não menciona.
"Ninguém se atreveria, na antiguidade, a empreender, fôsse o que fôsse, sem consultar os deuses.
Os nossos avós adoptaram o costume de ser conformarem com os preságios e não admitiam que se relegassem para o número das fábulas as advertências que assim lhes eram fornecidas. [...]
Nos nossos dias, ainda se acredita, não só nos campos, mas nas cidades, nos preságios que certos animais anunciam, e, entre êles, deve citar-se o facto de haver quem, embora esteja um tempo lindo, cheio de sol, não seja capaz de sair de casa sem levar guarda-chuva, só porque viu o gato a passar, repetidas vezes, uma pata pelas orelhas, o que é sinal de chuva...
No campo, alguns maridos põem em dúvida a virtude das espôsas, se, ao atravessarem uma mata, ouvem cantar um cuco, ou se, num carreiro, apercebem um caracol com os «corninhos à vista."
(Excerto de A crença dos preságios)
"Como devem explicar-se os preságios?
O primeiro germe que engendrou cada um dêles, o primeiro facto sôbre que repousam estas crenças populares, que muitos filósofos classificaram de superstições, é impossível de encontrar, através das idades.
A verdade é que muitos fenómenos que, actualmente, nos são explicados pela ciência, tinham, para os nossos antepassados, um carácter misterioso. Êles ignoravam-lhes a causa; e o povo, da mesma forma que as individualidades da mais elevada categoria, atribuíam-nos a advertências divinas.
O paganismo tem sobrevivido assim em muitos preságios, e a credulidade pública é ainda hoje a mesma que na antiga Roma ou em Atenas.
É por isso que ainda se acredita:
no bom e no mau olhado;
na influência nefasta de certos números.
Dêste, forçoso é colocar, em primeiro lugar, o 13."
(Excerto de A explicação dos preságios)
Índice:
Primeira Parte: I - A antiguidade das artes de advinhação. II - A crença dos preságios. Os preságios e a Igreja. III - A explicação dos preságios.
Segunda Parte: Os preságios fornecidos pelos animais: I - Os quadrúpedes e os réptis: O boi - O burro - O cão - O carneiro e a ovelha - O cavalo - O elefante - O gato - O lagarto - O sapo - A serpente - A tartaruga - A toupeira - A vaca. II - As aves: Os abutres - A águia - A andorinha - O avestruz - O canário - A cegonha - O cisne - A coruja - O côrvo - A cotovia - O cuco - O frango - A gaivota - A galinha - O galo - A gralha - O melro - O môcho - O papagaio - O pardal - A perdiz - O perú - A pomba - O rouxinol - A toutinegra. III - Os peixes: A azevia - O camarão - O caranguejo - A Lagosta - O linguado - O lúcio - A sarda - A sardinha. IV - Os insectos: As abelhas - As aranhas - As môscas - Os  mosquitos . As pulgas.
Terceira Parte: Os preságios fornecidos pelos elementos e os preságios celestes: I - A água - O fogo. II - Os preságios fortuitos. As palavras - Os tremores - Os espirros. III - Os preságios celestes. A chuva - As trovoadas - O vento - O raio - Os planetas - As nuvens - A lua - O sol - As estrêlas - Mercurio - Marte - Jupiter - Vénus - Saturno.
Quarta Parte: Os preságios fornecidos pelas coisas inanimadas. Os preságios fortuitos. I - As ávores - As flôres - Os frutos - Os ovos.
Quinta Parte: Diversos preságios de boa e má sorte: I - Preságios de boa sorte. II - Preságios de má sorte ou enguiços.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas com manchas e pequenos defeitos.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

11 maio, 2025

MAGIA, Condessa de -
A SORTE PELAS CARTAS. Porto, Editorial Crisos, [194?]. In-8.º (17,5x12 cm) de 110, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra curiosa sobre adivinhação - espécie de manual - verdadeiro manancial de recursos mágicos, espécie de manual, cujo objectivo é resumido na primeira página do livro:
"Leitura do destino, como consultar o oráculo para alcançar as respostas desejadas, porque sou amada, por quem sou amada, etc. Possui ainda este livro a faculdade de tirar a sorte pelas unhas, pelo dominó, pelos dados e ainda pela bola de cristal."
Livro interessante e muito invulgar, ilustrado com inúmeros desenhos exemplificativos de "deitar as cartas".
A BNP não menciona.
Índice:
Cartomância | Significação das Cartas | Método de deitar as cartas | Método italiano | O Passado, o Presente e o Futuro | Método da Estrela para tirar-se a sorte pelas cartas | Método inglês de consultar as cartas | Método de Cupido para os amantes | Maneira de tirar a sorte de acordo com os significados precedentes | Jogos curiosos com cartas | A Sorte pelo Dominó | A Sorte por meio de Dados | Como tirar a sorte de uma pessoa por suas unhas, etc. | Como descobrir as duas primeiras letras do nome de uma esposa ou marido - Como saber quando uma pessoa se casará - Como uma rapariga pode saber se irá casar-se em breve - Como uma rapariga pode fazer com que o seu namorado regresse - Sinais para escolher um bom marido ou uma boa esposa - Sinais de casamento próximo - Predicções referentes a nascimentos de crianças conforme os dias da semana - Como tirar a sorte com clara de ovo | Fisiognomia | Leitura do destino - A maneira correcta de consultar o oráculo e alcançar as respostas desejadas.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
20€

30 outubro, 2024

MOREIRA, Henrique -
O GENIO DAS TREVAS
. Porto, Typographia de Manoel José Pereira, 1873. In-8.º (20x13,5 cm) de 231, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Obra muitíssimo curiosa sobre a superstição na província, terreno fértil para o autor discorrer sobre o medo e "respeito" enraizado nos hábitos das populações da época.
Romance de alguma maneira histórico, sobejando as evocações do passado, cuja acção decorre no final da década de 30 do século XIX. Entre amores, desamores, ciúme e inveja, dá-se um misterioso envenenamento, e um religioso - o padre Romeo -, vai sentar-se no banco dos réus. Tudo condimentos para um romance agradável, bem escrito, e de certo modo, surpreendente, dado o relativo anonimato do autor.
Raro e muito interessante.
Dedicado pelo autor "A seu sogro, o E.mo Snr. Barão da Ponte de Quarteira".
Nada foi possível apurar acerca de Henrique Moreira. No entanto, a BNP dá notícia do presente romance com a indicação "sem informação exemplar", e dum outro - Os combatentes : romance de costumes algarvios. Época 1828 a 1834 - publicado em 1884. Apesar de ambos os livros terem sido impressos no Porto, o prefácio d'O Genio das trevas é datado de "Faro, 1873" e oferecido ao Barão da Ponte de Quarteira, e no outro caso, o assunto do livro reporta aos "costumes algarvios", evidenciando forte ligação do autor ao Algarve.
"Generalisar a civilisação politica, moral e religiosa pelo povo, dar ao romance a feição regeneradora d'uma philosophia popular, facilitar a elaboração dos conhecimentos uteis, elucidar o culto, substituir o codigo pela luz da consciencia, abater o preconceito, sublimar o direito da unidade social, moralisar os costumes, organisar a bem da sociedade pela analyse das instituições, harmonisar o bem da familia pela santificação dos affectos, tal é o fim dos nossos trabalhos litterarios."
(Prefacio)
"Aproxima-se o equinoxio da primavera do anno de 1837.
Enleva-se a alma em aspirar a embalsamada athmosphera da mais ridente estação do anno, e emballa-nos a solidão dos campos em mellifluo gozo. O sentimento, cheio de suave melancolia, embriaga-se com a exhalação odorifera dos vegetaes. A harmonia do infinito ergue um canto á deusa Ceres."
(Excerto de A aldeia: I - Sensações campestres)
"Aproximava-se, como dissemos, a primavera de 1837.
Haviam decorrido quatro annos, que se ultimara o memoravel cerco do Porto, e a sua recordação ainda vivia muito impressa no animo dos filhos da cidade virgem.
Um d'esses espiritos privilegiados, que aos vinte e dois annos podia dizer-se philosopho e poeta, abandonava a cidade, que guarda como religioso monumento o coração de um grande rei das novas eras liberaes, e retirava-se, como o cantor das Orientaes, para a athmosphera embalsamada com a fragancia dos campos.
Era filho de um apostolo dedicado á doutrina de Lincoln. Detestava tanto Mably como o absolutismo realista. O pobre velho tinha sido victima da sua dedicação. [...] Conta-se, que, ao extinguir-se o sopro vital do bom velho liberal, se voltara para o seu companheiro d'armas e amigo intimo, o sargento Alves Macedo, fallecido em 1848, e que, com o peito atravessado por uma bala, só podera dizer-lhe: - «Diz a meu filho que morri pela liberdade.» E morreu pronunciando esta santa palavra regada com o sangue de inumeras victimas nas dissenções politicas da terra.
O filho d'este homem patriota e liberal, chamava-se Celestino de Campos. Tinha, como dissemos, abandonado a cidade do Porto para se entregar á solidão campestre, fixando a sua residencia n'uma pequena povoação situada a pouca distancia do seu berço natalicio."
(Excerto de II - Um clarão de aurora)
"Celestino começava a ter certo predominio sobre os que o conheciam.
Ia creando a reputação de bom homem
Dizia-se na phrase d'aquella boa gente: - é um rapaz de juizo.
Ter bom senso aos vinte e dois annos é uma virtude recommendavel.
O parocho da capella da aldeia proxima, homem cujas cans denunciavam perto de setenta primaveras, modelo de sacerdotes, e sinceramente religioso, dizia um dia, em que conversava com um grupo de homens e mulheres, apontando para Celestino:
- Vedes aquella creança? É mais velho do que eu!
Todos entenderam o sentido d'aquellas palavras.
Em 1837 não existia a lei do ensino primario obrigatorio, e ainda hoje não existe, embora seja uma necessidade, que a civilisação urgentemente reclama. [...] Nas aldeias, como é natural, fazia mais sentir-se esta ausencia de luz. Grassava ahi muito a febre da superstição. A ignorancia acclimava as sombras do sepulcro, e os sonhadores multiplicavam as faces do prisma ideal das suas tetricas visões. [...] Reinava, portanto, muita imaginação supersticiosa na aldeia, aonde Celestino fôra buscar lenimento aos seus soffrimentos moraes.
Acreditava-se, com a maior ingenuidade e com a mais lhana fé, na existencia de espectros assustadores. Era rara a pessoa, que não confessasse ter visto alguma vez um d'esses singulares duendes, que a crença nescia veste com as mais fantasticas côres. Esses idolatras do invisivel, poetas de fantasia lugubre, tinham o magico poder de observarem sem ver. Similhavam cegos a contemplarem a aurea luz do sol.
É assim que, nas sombrias paginas da historia religiosa, se ergue um culto ao milagre.
Entre as tradições que mais vogavam, não passaremos em silencio uma, para apreciarmos até onde chegaca a credulidade popular. [...]
Eis a tradição:
«Foi n'uma noite de Fevereiro. O ceo estava limpo, e a lua reflectia a sua melancolica luz sobre as verdes collinas. Deu meia noite o sino da capella. De repente algumas nuvens d'aspecto carregado assomaram ao horizonte. Um furioso vendaval fez tremular os combros das florestas, que se agitavam ao longe. As nuvens ascendiam rapidamente, e pouco depois toda a cupola celeste estava negra. Passados momentos rebentou um formidavel trovão, cujo eco pareceu repercutir-se morosamente nas abobadas celestes, e um relampago encheu de luz a athmosphera. Fremiu cada vez mais furioso o trovão, e immensas vagas de fogo inundaram o espaço. Então, viu-se cahir no cemiterio um raio, sobre o jazigo d'uma pobre velha, que havia sido sepultada, fazia exactamente um anno na noite d'este acontecimento.
«Do sepulcro soltou-se um rouco gemido, que abalou os ares d'um modo funebre. Era triste e sinistro como o piar de um mocho. Em seguida ergueu-se um eburneo espectro com os olhos animados e deslumbrante chama. Todos se encheram de novo e extranho terror em presença da pallida visão erguida tetricamente do terreo leito. Mas cresceu o pasmo, quando viram o espectro caminhar silencioso, e aproximar-se a passos vagarosos das habitações campestres, fazendo gemer a terra debaixo de seus pés.
«As donzellas esconderam-se turvadas de pavor, e os homens mais corajosos tremeram, sem poder encarar a sestra visão.
«O sino da capella dobrou a finados n'aquella hora lugubre. O espectro medonho começou a crescer descomedidamente, e converteu-se n'um formidavel gigante. Seguiu, depois, por uma estreita senda, aonde habitava a filha da pobre velha, que havia morrido no anno anterior. [...]
«Chegou, finalmente, á porta do humilde legurio, aonde morava a filha da pobre velha. Bateu lentamente. Ninguem respondeu. [..] Bateu segunda vez, não lentamente como da primeira, mas até com certa violencia. Do interior da casa respondia o mesmo silencio.
«Rugiu então um inescrutavel fragor. O phantasma desappareceu, e ouviram-se distinctamente estas palavras:
- «Se não queres, minha filha, que esta alma errante vá soffrer a agrura das penas infernaes; se desejas poupar-me os mais crueis supplicios, vai cumprir dentro em tres dias a promessa, que tu sabes haver eu feito em vida: ha um anno que adejo pelos ares, e o meu socego eterno depende de ti.
«O ceo tornou-se depois subitamente sereno, e restabeleceu-se o socego na aldeia. Mas dizem que n'essa noite ninguem conseguira dormir. A impressão tinha sido muito violenta para deixar de infundir um sincero terror por todo o povo da aldeia.
«Houvera, porém, uma pessoa mais violentamente impressionada. Fôra a filha da pobre velha. A promessa em que o espectro fallava, devia cumprir-se no curto prazo de tres dias, e a filha era muito pobre. Que podia fazer a infeliz donzella? De nada lhe valeram os seus esforços, nem os das pessoas devotas, que se compungiam da sua penosa situação. A promessa ficou por cumprir. A desgraçada pastora não conseguira dormir um só instante n'esses tres dias. Havia-se tornado pallida como um cadaver.
«Expirou o praso fatal. Quando o sino da capella dava a ultima badalada da meia noite, a donzella estrebuxava na angustia d'um derradeiro suspiro.
«Na manhã do dia seguinte foram encontral-a  morta. [...]
Tal era a tradição que vogava na aldeia, e de que Celestino teve logo conhecimento, como vamos ver."
(Excerto de III - A superstição)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel marginais. Interior correcto.
Raro.
Indisponível

01 agosto, 2024

O SANTISSIMO MILAGRE.
CANÇÃO Que contem abreviadamente a historia completa do SANTO MILAGRE DE SANTAREM. Desde o seu maravilhoso apparecimento, com os mais prodigios que foram acontecendo: como tambem as Cerimonias com que se fazem as suas Procissões. Porto, Typographia de D. Antonio Moldes, 1870. In-8.º (15,5x10,5 cm) de 65, [1] p. ; [3] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curiosa versão poética do Milagre de Santarém, famoso fenómeno medieval ocorrido no século XIII.
Obra em verso, dividida em quatro partes: O Milagre da Hostia Sagrada; O Milagre da Ambula; Os Arcebispos e as Procissões; A fuga e o homem das Botas. No final, em Observação, o autor justifica o livro, seguindo-se o relato de um outro milagre sucedido em França: Martin ou vaticinio singular sobre a França - Feito a Luiz XVIII no Anno de 1816, por um Lavrador.
Opúsculo raro e muito interessante. A BNP não menciona.
Ilustrado no texto com um bonito desenho no final da Canção, e em separado, com três estampas representando:
- a "pobre mulher" com as vestes em sangue;
- a Arca do Pão da Vida;
- a Custódia antiga e Âmbula com o Santíssimo Milagre.
"O milagre eucarístico de Santarém, também chamado de Santíssimo Milagre, trata-se de um milagre eucarístico dos mais célebres e reconhecidos no mundo, cientificamente analisado, e o qual ocorreu em Santarém, Portugal, no século XIII, sendo ainda hoje objeto de uma veneração nacional e internacional.
Corria o ano de 1226 (ou o de 1247, segundo alguns cronistas) quando, em Santarém, vivia uma pobre mulher, a quem o marido muito maltratava, andando desencaminhado com outra. Cansada de sofrer, foi pedir a uma bruxa que, com os seus feitiços, pusesse fim à sua triste sorte. Prometeu-lhe esta remédio eficaz, mas necessitaria de uma hóstia consagrada.
Depois de hesitar, a pobre mulher foi à Igreja de Santo Estêvão, confessou-se e, recebida a Sagrada Partícula, com suma cautela a tirou da boca, embrulhando-a no véu. Saiu rapidamente da igreja, encaminhando-se para a casa da feiticeira. Mas, então, sem que ela o notasse, do véu começou a escorrer sangue, o que, visto por várias pessoas, as levou a perguntar à infeliz que ferimentos tinha. Confusa em extremo, corre para casa, e encerra a Hóstia Miraculosa numa arca. Passou o dia, entretanto, e à tarde voltou o marido. Já em alta noite, acordam os dois, e vêem toda a casa resplandecente. Da arca saíam misteriosos raios de luz. Inteirado o homem do acto pecaminoso da mulher, de joelhos, passaram o resto da noite, em adoração.
Mal rompeu o dia, foi o pároco informado do prodígio sobrenatural. Espalhada a notícia, meia Santarém acorreu pressurosa a contemplar o Milagre. A Sagrada Partícula foi então levada, processionalmente, para a Igreja de Santo Estêvão, onde ficou conservada dentro de uma espécie de custódia feita de cera. Mas, passado alguns anos (em 1340), ao abrir-se o sacrário para expor à adoração dos fiéis, como era costume, encontrou-se a cera feita em pedaços e, com espanto, descobriu-se que a Sagrada Partícula se encontrava encerrada numa âmbula de cristal, miraculosamente aparecida. Esta pequena âmbula foi colocada num ostensório de prata dourada, onde ainda hoje se encontra."
(Fonte: Wikipédia)

"Almas fieis e devotas,
Ouvi co m toda a attenção,
Um dos milagres maiores,
Feitos ao Povo Christão:
Correndo o anno de mill
Duzentos sessenta e seis,
Reinando Affonso Terceiro,
De Portugal um dos Reis:
Surtiu haver neste Reino
Um Casal mui desunido:
Discordia havia perpétua
Entre a Mulher e o Marido,
Na Villa de Santarem,
Sobre o Téjo situada,
Em a Rua das Esteiras
Tinham a sua morada."

(Excerto de Parte Primeira - O Milagre da Hostia Sagrada)

Exemplar brochado em bom geral de conservação. Cansado. Sem capas. Pelo interesse e raridade justifica encadernação
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
45€

23 julho, 2024

MOREIRAS, Francislei T. -
O CANDOMBLÉ.
A Herança Africana no Brasil, um Breve Estudo Sobre a Religião e a Dança dos Orixas. Almada, ISEIT : Instituto Superior de Estudos Interculturais e Transdiciplinares - Unidade de Investigação em Antropologia, 2002. In-fólio (30x21 cm) de [3], 27 f. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso ensaio antropológico "sobre alguns aspectos da religião Afro-Brasileira conhecida como Candomblé, da autoria de Francislei T. Moreira, licenciado Cum Laude em Antropologia da Dança pela San Francisco State University, Califórnia, e Mestre em Antropologia da Dança pela New York University e pela Universidade Nova de Lisboa".
Trabalho académico raro e muito interessante. A BNP refere a obra com a indicação "sem informação exemplar".
Ilustrado no texto com desenho esquemático da "Estrutura do Terreiro", local onde se realizam as cerimónias de Candomblé.
"Quando fui morar nos Estados Unidos da América, o distanciamento cultural, e os cursos em Licenciatura e Mestrado em Antropologia Social e Cultural, o segundo, com a ênfase em dança, fizeram-me reflectir sobre vários aspectos da cultura brasileira, mas desta vez com a perspectiva de um investigador. Durante este tempo tive o privilégio de participar activamente nas cerimónias religiosas de origem africana na área metropolitana de Nova York, mais precisamente no condado de Brooklyn. Reforço o termo privilégio porque as religiões conhecidas como "Orixa Worship" (Culto ao Orixá) e "Santeria" ainda sofrem um certo preconceito devido aos factores de incorporação pelos espíritos e também por causa do ritual de sacrifício de animais. Este último aspecto, particularmente, é um facto de altas críticas e perseguição nos Estados Unidos devido aos movimentos de grupos de defesa dos animais. Mas, como Clifford Geertz diz, ao nosso ponto de vista, o que as pessoas fazem podem ser bastante estranhas. Fiquei exposto a situações de facto muito estranhas e curiosas, e por isso mesmo fascinante a nível de antropologia.
Como anotar tudo o que via, vivia e depois tentar descodificar para ser fiel à religião, em respeito à cena cultural? Havia também o factor de não poder revelar tudo o que era testemunha, já que há aspectos que devem ser mantidos em segredo por aqueles que passaram pela iniciação. Não foi o meu caso, o de passar por todo o processo de iniciação, mas houve uma confiança tácita por parte de Sacerdotes e Sacerdotisas tanto no Brasil como em Nova York, e, por uma questão ética, certas coisas não puderam ser incluídas neste texto.
A investigação sobre as danças dos orixás, os deuses e deusas do panteão Afro-brasileiro em Candomblé prossegue. Ainda há muito para conhecer sobre o que faz da dança um elemento de importância fundamental entre o mundo terreno e o sagrado."
(Excerto da Introdução)
"O tráfego de escravos para o Brasil começou no século dezasseis, e terminou com a abolição da escravatura em 1888. As culturas africanas principais, as quais forneceram escravos para o Brasil entre os séculos dezasseis e dezanove foram Bantu, Sudanesa, e a Islamica-Sudanesa. Pela perspectiva de Roger Bastide (1978), o tráfego escravo foi responsável pela quebra daquelas culturas e de suas religiões. Estas, asquais "estavam ligadas a certos tipos de organização familiar ou de clãs, assim como a ambientes biogeográficos específicos (florestas e savanas tropicais), também à estrutura de vila e comunidade", foram capazes de juntarem-se no Brasil. A maneira principal desta unidade religiosa foi o Candomblé.
As cerimónias de Candomblé são chamadas "giras" e acontecem em sítios chamados "terreiros". [...]
As cerimónias do Candomblé têm por objectivo estabelecer uma comunicação directa com os espíritos que governam as forças naturais como o vento, as tempestades ou fenómenos naturais como, por exemplo, o arco-íris. Estas forças naturais são chamadas "Orixás" e elas podem ser espíritos divinos que foram uma vez reis históricos e rainhas na África assim como figuras mitológicas."
(Excerto de O Candomblé: a herança africana ao Brasil)
Índice:
Apresentação | Introdução | O Candomblé: a herança africana ao Brasil | As Danças Rituais | Exu | Obatalá ou Oxalá (Oxalufã e Oxaguiã) | Iansã (Oyá) | Ogum | Oxum | Oxumaré | Yemanjá (Iemanjá) | Omolu (Obaluaiê) | Xangô | Oxossi | Obá | O Processo de Iniciação| O Calendário Cerimonial do Candomblé | Conclusão | Bibliografia.
Exemplar em brochura, presos por agrafes, em bom estado de conservação.
Raro.
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