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16 junho, 2026

PEREIRA, A. Gomes -
TRADIÇÕES POPULARES, LINGUAGEM E TOPONYMIA DE BARCELLOS.
Por... Professor do Liceu Central do Porto. Collecção Silva Vieira. Espozende, Livraria Espozendense : Editora, 1915. In-8.º (16x11 cm) de 408 p. ; E.
1.ª edição.
Junto com:
PEREIRA, A. Gomes - TOPONIMIA DOS CONCELHOS DE TERRAS DE BOURO, POVOA DE VARZIM E VILLA DO CONDE. Por... Collecção Silva Vieira. Espozende, Livraria Espozendense : Editora, 1914. In-8.º (16x11 cm) de 40 p. ; E.
1.ª edição.
Duas obras interessantes e muito curiosas do Reverendo António Gomes Pereira - ambas póstumas, encadernadas num único tomo. A primeira, sobre a sua terra natal - Barcelos - inclui as tradições em forma poética, superstições e lendas locais. A segunda é totalmente dedicada à toponímia das castiças Terras de Bouro, e das vizinhas marítimas Póvoa de Varzim e Vila do Conde.
"Nos primeiros tempos da fundação do convento de Villar, houve alli muitos frades santos, bem ao contrario do que succedeu nos ultimos.
Um delles andava um dia tão encantado em pensamentos do ceo, que se deixou guiar pelo canto delicioso de uma ave que o foi chamando para a cerca do convento onde a esteve ouvindo durante um bom pedaço.
Mas, oh espanto! oh maravilha! O bom do nosso frade, ao voltar ao convento, nada reconheceu do que estava á roda de si, nem a casa, nem os seus irmãos.
Pelas tradições correntes no convento, veio a verificar-se que este era um frade que dalli tinha tinha saido havia trezentos annos."
(Tradições Populares... de Barcellos - Lenda do passarinho)
"Amassar pão em quinta e sexta-feira santa e mesmo no sabbado antes de tocar á alleluia é amassar o sangue de Christo e podem apparecer laivos de sangue na massa. (Tradições Populares... de Barcellos - Superstições - 1)
Não se deve fiar na semana santa, porque foi então que os judeus fiaram as cordas para prender a J. Christo. (Tradições Populares... de Barcellos - Superstições - 2)
António Gomes Pereira (1859-1913). "Nasceu na Casa de Chapre, em Midões, Barcelos, em 30 de setembro de 1859 e faleceu na referida Casa, em 6 de abril de 1913, vítima de tuberculose.
Publicou vários trabalhos sobre etnografia, folclore e toponímia das regiões de Barcelos, Esposende, Guarda, Póvoa de Varzim, Vila do Conde e Terras de Bouro, a maior parte dos quais na revista “Lusitana”. Muitos deste trabalhos foram, depois, publicados em livro, entre os quais, “Tradições Populares, Linguagem e Toponímia de Barcelos” (1915). Publicou ainda uma Selecta de Literatura (1ª edição-1908 – 2ª edição-1912), que foi muito difundida na sua época.
Fez a instrução primária na Escola do Sobreiro da freguesia de Adães. Depois de ter feito os preparatórios liceais em Braga, matriculou-se, em 1 de Outubro de 1878, no Curso Teológico, no Seminário de S. Pedro. Concluídos os estudos teológicos em 1881 e, admitido às ordens sacras, é ordenado presbítero, em 23 de Setembro de 1882, pelo arcebispo D. João Crisóstomo de Amorim Pessoa. Celebrou a primeira Missa Nova, na Igreja Paroquial de Midões, em 22 de Outubro de 1882.
Em 1889, matriculou-se no Curso Superior de Letras da Universidade de Lisboa, depois de ter sido professor no Colégio da Formiga, em Ermesinde e coadjutor do pároco de Valongo. Aqui teve oportunidade de contactar com vários intelectuais, entre os quais o Dr. José Leite de Vasconcelos, adquirindo a paixão pela etnografia e folclore. Concluídos os estudos universitários, permaneceu ainda mais quatro anos na capital, tendo sido subdirector, perfeito e professor nas Oficinas de S. José.
Abalado na sua saúde pelo excesso de trabalho, deixou Lisboa, em Junho de 1896, e regressou à sua terra natal-Midões, onde durante dois anos foi pároco.
Depois de habilitado para o efeito, ingressa, em 1898, no ensino oficial, como professor de Latim e de Português, no Liceu de Vila Real e, a partir de 1902, no Liceu D. Manuel II (actual Rodrigues de Freitas), no Porto, onde se manteve até a meio do ano lectivo de 1909/1910. É nesta cidade que elabora a maior parte das suas obras e alcança notoriedade."
(Fonte: https://www.cm-barcelos.pt/2013/12/municipio-homenageou-o-etnografo-antonio-gomes-pereira/)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a seco e a negro e ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pequena mancha de humidade marginal acompanha folhas iniciais do 1.º volume.
Muito invulgar.
Indisponível

01 junho, 2026

MANUAL DA PEREGRINAÇÃO OPERÁRIA A FÁTIMA :
3 e 4 de Outubro 1943
. [Lisboa], Edições ACP, 1943. In-8.º (15 cm) de 96 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Manual da histórica peregrinação do operariado português a Fátima, a primeira, sendo responsável máximo e presidente da Comissão Executiva da Peregrinação Abel Varzim, conhecido sacerdote, activista católico no período do Estado Novo, regime com quem, por vezes, entrou em conflito.
Inclui no interior a letra de marchas, cânticos e hinos relacionados com o evento, entre outros, a Marcha dos Desempregados.
Livro ilustrado com 5 belíssimas estampas em página inteira.
Junta-se um exemplar de O Semeador, Ano IV - N.º 4 : Domingo, 23 de Janeiro de 1949.

"A Nossa Peregrinação vai ser:
Um acto de Reparação nacional por tôda a classe operária, que tanto tem ofendido a Deus.
Uma afirmação colectiva da nossa dignidade humana e cristã.
Uma demonstração de brio e de camaradagem, dando um exemplo de aprumo e boa educação.

Para isto:
a) preparemo-nos espiritualmente com dignidade;
b) procuremos evitar palavriado inconveniente;
c) em tôdas as circunstâncias, mostremos que somos cristãos, tratando-nos uns aos outros como verdadeiros irmãos e camaradas;
d) nos percursos a pé, marcharemos ordenadamente, não como soldados, mas sem nos separarmos uns dos outros, sem procurarmos ser engraçados. A nossa romagem é santa!
e) evitemos cestos e malas de mão que dão uma ideia triste da nossa jornada; levemos antes sacos alpinos ou sacolas;
f) sigamos em tudo as instruções que nos forem dadas.

Não nos esqueçamos
de lenços de bolso;
de uma toalha para nos limparmos;
de um pouco de sabão ou sabonete;
de um pente;
de um copo, mesmo de papel;
de calçarmos sapatos cómodos, que não magoem os pés;
de um agasalho por causa do frio da noite.

As nossa intenções:
Peregrinos! Não vamos a uma romaria, nem a um passeio! Vamos fazer uma Peregrinação de sacrifício e de penitência, pedindo à Virgem Santíssima que nos alcance, para tôda a classe operária,
Paz, Pão e Trabalho
E uma vida mais digna, mais cristã e mais pura.
No caminha para Fátima
Alegria, dignidade, espírito de sacrifício e de oração.

Na terra bendita de Fátima
Fé;
Disciplina;
Confiança;
Obediência pronta.

Os actos de Peregrinação decorrerão com o brilho que a tua disciplina lhes quiser dar."

(A Nossa Peregrinação)
Índice: A Nossa Peregrinação | Programa | Desfile | Via Sacra | Procissão das Velas | Adoração nocturna | Assembleia Geral e Côro falado | Missa dialogada: - Preparação: I Parte: As Almas purificam-se; II Parte: As Almas instruem-se. / O Sacrifício: I Parte: As Almas oferecem-se a Deus. II Parte: Eucaristia - As Almas unem-se ao sacrifício de Cristo. III Parte: Comunhão - As Almas participam sacramentalmente no sacrifício de Cristo. / Conclusão. / Procissão do Adeus. | A Minha Confissão | Oração operária a Nossa Senhora de Fátima.
Abel Varzim da Cunha e Silva (Cristelo, Barcelos, 1902-1964). "Foi um sacerdote católico português. Nasceu em Cristelo (Barcelos), diocese de Braga, no seio de uma família da classe média rural, sendo filho de Adelino da Costa e Silva, proprietário, natural da freguesia de Vilar de Figos, concelho de Barcelos, e de Adelaide Rosa Varzim da Cunha e Silva, professora do ensino oficial, natural da freguesia e concelho da Póvoa de Varzim. Ingressou na escola onde sua mãe era professora, tendo concluído a “instrução primária”, com o exame da quarta classe, em julho de 1912, aos dez anos. Querendo ser sacerdote, teve de ingressar no liceu da Póvoa de Varzim, por não haver seminário menor em Braga, pois este tinha sido ocupado militarmente em 1911. Em 1916, quando terminou o liceu, esse problema estava resolvido e Abel Varzim concluiu então os estudos preparatórios. Em 1921, entrou para o Seminário Conciliar daquela cidade, onde se formou em Teologia, tendo celebrado “Missa Nova”, a 3 de julho de 1925, na Póvoa de Varzim. Correspondendo a um pedido do Bispo de Beja, D. José do Patrocínio Dias, o prelado Bracarense, D. Manuel Vieira de Matos, cede o novo sacerdote à Diocese de Beja, tendo sido colocado no Seminário Menor de Serpa como professor e prefeito, desde a sua inauguração em 21 de novembro de 1925. Ali lecionou durante cinco anos e aplicou o seu dinamismo, tendo apoiado, inclusivamente, a iniciativa da Equipa Educativa do Seminário, na fundação do agrupamento de escuteiros n.º 38 (Beato Nuno Álvares Pereira) do C.N.S. [Corpo Nacional de Scouts - atual Corpo Nacional de Escutas], do qual foi nomeado Chefe. Após esta estadia em Serpa, seguiu para a Universidade de Lovaina, na Bélgica, o que lhe rasgou novas perspetivas e abriu mais largos horizontes. Quatro anos depois, em 23 de abril de 1934, doutorava-se em Ciências Políticas e Sociais. De regresso a Portugal, redigiu, com o Padre Manuel Rocha, os Estatutos da Acção Católica Portuguesa (ACP), pugnando para que esta fosse constituída por organismos especializados, de jovens e adultos, e de agricultores, operários, universitários, etc.. Este documento, mau grado a oposição do Estado Português, foi aprovado pela Santa Sé. Esteve também na fundação da Liga Operária Católica, o Organismo Especializado da ACP, criado oficialmente em 30 de junho de 1935, e que iniciou a sua atividade em 1936, da qual foi Assistente Geral até 1948. Foi o grande impulsionador do jornal “O Trabalhador”, ao qual se dedicou depois de alma e coração. Aquando do seu regresso a Portugal, profundamente interessado pelos problemas sociais, e consciente do atraso estrutural em que o país se encontrava, acolheu como boa a solução imposta por Salazar, de um Estado Unitário Corporativo, aceitando por isso o “Estatuto do Trabalho Nacional”. Cedo, contudo, verificou que estava equivocado, e que o regime do Estado Novo não respondia aos problemas que afligiam os trabalhadores, e o comum dos portugueses. Foi deputado à Assembleia Nacional, na legislatura de 1938/1942, ficando célebre um “Aviso-Prévio” que ali apresentou em 17 de fevereiro de 1939, sobre os Sindicatos Nacionais, em que criticava certos aspetos da organização sindical corporativa, onde mencionava a ação do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência, e nomeadamente a sua ineficácia em muitos aspetos. Esta passagem pela Assembleia Nacional ficou também marcada pela intervenção que proferiu, no dia 6 de fevereiro de 1941, “manifestando a sua discordância” com os termos do Decreto-Lei n.º 31.107, que regulamentava as condições económicas do casamento dos militares em serviço. Os ataques e ameaças que, então, enfrentou afastaram-no definitivamente das ideias do Estado Novo. Começou então a conhecer os caminhos amargos da perseguição política (e não só), ao mesmo tempo que realizava com forte empenho ações de formação para trabalhadores e estudantes universitários, naquilo a que hoje chamaríamos “formação para a cidadania”."
(Fonte: Wikipédia) 
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo manchadas.
Muito raro.
Com interesse histórico e religioso.
Peça de colecção.
Indisponível

18 março, 2026

UM CAPÍTULO DA ETNOGRAFIA BARCELENSE : As Olarias
. Barcelos, Companhia Editora do Minho, [1951?]. In-8.º (22,5x14 cm) de 37, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante contributo para a história da olaria produzida na região de Barcelos, famosa pela sua originalidade e cunho popular.
Embora não assinada, sabe-se que a autoria deste estudo - vertido em conferência - pertence a Joaquim Sellés Pais de Vila Boas.
Obra invulgar, com interesse histórico e etnográfico, por certo com tiragem reduzida.
Impressa em papel de superior qualidade, ilustrada no texto com bonitos desenhos, símbolos e marcas de fabricantes.
"Foi generosa a terra barcelense dando ao oleiro os meios de que carecia; o barro e a madeira.
Do barro se fazem as peças e as tintas mais antigas; da madeira se fabrica a roda e as ferramentas.
Argila vermelha dissolvida em água dá o vermelho típico do vidrado; barro branco dá o amarelo tão usado nas decorações.
A história da ferramenta quer seja de fazer ou de pintar acompanha a história onatómica da peça a fabricar, sem nunca chegar a atingir o seu grau de evolução ou beleza estética.
Filha do espírito criativo do oleiro, este fabrica-a a canivete ou navalha, na forma e geito do fim em vista... só para ele.
Produto regional?
Sem dúvida alguma, no seu tipológico desenvolvimento, sem paralelo nos outros centros que estudei - desde Canha a Vagos, de Malhada Sôrda a Vilar de Nantes em Chaves."
(Excerto de 1 - a geologia da região)
Índice:
a - apresentação. b - preparação do tema. c - olarias: 1 - a geologia da região; 2 - origem da história; o aparecimento no concelho; 3 - os materiais de fabrico, produtos do meio; 4 - a evolução das formas; 5 - primitivismo nos temas: o n.º 7, louça branca, estatuária, ferramentas, decoração; 6 - o meio e a sua influência na cor; 7 - decadência.
Joaquim Sellés Paes de Villas-Bôas (1913-1990). "Etnógrafo, arqueólogo, crítico de arte, cavaleiro e comentador hípico e oficial de cavalaria do Exército Português, nasceu em Madrid em 11 de Fevereiro de 1913. Era filho de Joaquim Gonçalves Paes de Villas-Boas, advogado e proprietário, presidente da Direção do Grémio da Lavoura de Barcelos, comandante do Batalhão n.º 12 da Legião Portuguesa, com sede em Barcelos, Provedor da Real Irmandade do Senhor Bom Jesus da Cruz, conselheiro Municipal e representante da Causa Monárquica e de D. Elisa Sellés y Rivas, filha de D. Eugénio de Sellés y Angel, 2º Marquês de Gerona e Visconde de Castro y Orosco, governador das províncias de Sevilha, León e Granada, autor dramático, membro da Real Academia de Espanha e presidente da Sociedade de Autores Espanhóis. Faleceu em Lisboa em 14 de Maio de 1990, com 77 anos."
(Fonte: https://archeevo.amap.pt/descriptions/40344) 
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
20€

09 março, 2026

BOAVENTURA, Manuel de -
AMORES MEDIEVAIS
(Conto de Natal). Barcelos, Edição da Papelaria - «Liz» - Livraria, 1960. Oblongo (11,5x16 cm) de 11, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Bonito conto histórico, "inspirado na leitura de vetustos alfarrábios".
Obra rara, por certo com tiragem reduzida. Edição cuidada, impressa em papel de superior qualidade. Junta-se folhinha volante a cores e encartável poético de homenagem ao autor.
"Quando os Senhores Condes-Duques estabeleceram, em definitivo, a sua faustosa Corte, no medieval palácio, que assenta os alicerces «sôbolas arribas do Cávado», em Barcelos, - um ingénuo pagem apaixonou-se, romanescamente, por D. Mécia, bela dama do honor da senhoril, - mas menos bela - Duquesa!
Porém, o que, tão intensamente ferira a sensibilidade amorosa do mancebo palação, também «empeceu» certo fidalgo da corte ducal, dotado de ruis e exaltados humores, acirrantes de desenfreado ciúme."
(Excerto do Conto)
Manuel Joaquim de Boaventura (1885-1973). "Nasceu a 15 de agosto de 1885, na freguesia de Vila Chã, Esposende, e faleceu em Esposende a 25 de abril de 1973, vítima de um acidente de viação. Em 1906 e por casamento com D. Ana da Conceição de Azevedo fixou residência no lugar de Susão, na freguesia de Palmeira de Faro, Esposende, onde escreveu toda a sua obra literária, composta por dezenas de títulos e uma notável colaboração jornalística nas principais revistas e jornais nacionais."
(Fonte: https://esposende-educa.pt/noticias/municipio-de-esposende-trata-espolio-do-escritor-manuel-de-boaventura/)
Exemplar em brochura, por abrir, bem conservado.
Raro.
Indisponível

12 maio, 2025

LOPES, Manuel J. Ferreira -
UM BARCELENSE NA ORIGEM DO MUSEU DA PÓVOA.
Quatro cartas do Conde de Villas Boas para António Santos Graça. Separata da «Barcellos-Revista». Barcelos, [s.n. - Composto e impresso nas Oficinas Gráficas da Companhia Editora do Minho - Barcelos], 1982. In-4.º (23,5x16,5 cm) de 11, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Correspondência do Conde de Villas Boas para Santos Graça, documentação epislolar com interesse para a história do Museu da Póvoa de Varzim, e a importante exposição aí realizada em 1936 - a 1.ª Exposição Regional de Pesca Marítima.
Ilustrado com reprodução de pequeno desenho de Villas Boas - marca de pescador - a colocar na Camisola Poveira encomendada ao amigo.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao General Salazar Braga (1925-2024).
"Do importante conjunto de documentação epistolar, integrada no espólio de Santos Graça, depositado pelos seus herdeiros no Museu Municipal de Etnografia e História da Póvoa de Varzim,  libertamos as páginas que dizem respeito e permitem evocar as relações de amizade e trabalho entre o etnógrafo poveiro e o barcelense ilustre que foi Fernando de Magalhães e Meneses, Senhor do Paço de Villas e da Torre de Airó, no termo de Barcelos.
Estes textos e o breve período de correspondência, trocada entre o Conde de Villas Boas e António dos Santos Graça (18936-1937), não nos autorizam, por certo, a aquilatar com segurança sobre a origem do relacionamento destes dois homens públicos, de ascendência familiar e social abissalmente diferenciada: madre de opostos caminhos que ambos trilharam com fidelidade e segurança.
Alguma coisa, no entanto, forte e perene, tinham em comum: a mesma paixão e provado devotamento pelo Mar. Deveria ter sido este a fonte de diálogo e aproximação entre o fidalgo e o filho de pescadores e banheiros da Póvoa de Varzim.
Os seus caminhos cruzaram-se, provavelmente, na própria actividade de índole marítima, exercida pelo Conde de Villas Boas, que foi Capitão do Porto de Vila do Conde, Chefe do Departamento Marítimo do Norte e Presidente da Casa dos Pescadores do Porto."
(Excerto de Preâmbulo)
Exemplar em brochura, bem conservado. Capa amarelecida por acção da luz
Invulgar.
10€

07 maio, 2023

GUIMARÃES, Domingos - O TRISTE FIM D'UM MONSTRO. Illustrações de Candido da Cunha. Novellas de Portugal I. Paris, Aillaud & Cia, [1900]. In-8.º (14,5x7,5 cm) de [6] f. il. ; 34, [4] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
História pungente de um pequeno aleijado - o "monstro" - que se arrasta por caminhos poeirentos para adorar - de perto e de longe - uma beleza citadina. O seu convívio de crianças faz-se nas férias, junto da casa de campo da família da rapariga. Os anos passam e o moço espera e desespera pelo período do estio para retomarem os seus "diálogos amenos", mas a sua condição desigual - em "corpo" e alma - não se compadece com a sua índole sonhadora, levando-o ao desespero.
Livro precioso, em formato diamante, impresso em papel muito encorpado e de excelente qualidade, ilustrado com 6 belíssimos desenhos à parte do conhecido mestre-pintor barcelense Cândido da Cunha (1866-1926). Essas mesmas ilustrações são depois replicadas no texto, mas com cores diferentes entre si.
"Entre rendas a sua cabecinha poisava como n'um tufado nunho; seus olhos tinham o brilho vivaz e espantado de uma intteligencia desabrochada cedo; o nariz era petulante como a graça gauleza.
Disse-lhe um poeta, em madrigal, que, se Deus a não tivesse feito, a teria inventado. Não comprehendeu; mas o seu subtil instincto de mulher bonita segredou-lhe que era uma lisonja, e a lisonja agradava-lhe tanto como o debicar cerejas frescas com os seus dentinhos afilados de leôa precoce.
A paz da sua vida era serena e sem uma ruga. Ás tardes, debruçada para a estrada, com os cotovelos fincados nas pedras, via passar os carros que vinham das serras, com os seus tunneis de lona, e ficava-se a olhal-os com uma interrogação nos labios e uma curiosidade insatisfeita; muitas vezes pegava de conversa com os aldeões que passavam; e as suas risadas, que tiniam no claro ar com uma alegria doida, faziam rir os outros, infantilmente, como se lhes passasse pelo corpo um fremito d'aquella exuberancia de contentamento.
Mas o que a levava alli era o aleijadinho que se arrastava no pó, com as suas pernas quebradas, e uma bella cabeça loira a fitar, carinhosa, a cabecinha d'alveloa  que se pendurava no muro."
(Excerto do história)
Domingos Guimarães (1869-1934). Foi literato e publicista, trabalhou na imprensa, principalmente, como crítico de teatro e de literatura. Natural de Guimarães, foi no Porto que iniciou a sua carreira. Frequentou as mais selectas tertúlias, cultivando amizade com os escritores e artistas mais notáveis da época. Em finais de Outubro de 1897 mudou-se para Paris, abandonado a direcção do Branco e Negro. Segundo José Sarmento, que lhe fez a despedida em nome do semanário, iria assumir a função de correspondente de alguns diários informativos (n.º 84, de 7 de Novembro de 1897). Faleceu em Guimarães no ano de 1934.
Belíssima encadernação inteira de pele - executada pelo mestre encadernador Raúl de Almeida - com finos ferros gravados a ouro nas pastas e na lombada. Conserva as capas de brochura.
A numeração do livro está incorrecta, sugerindo a falta de 4 páginas, que não se verifica. A BNP tem registado na sua base de dados um exemplar igual, mas com apenas três estampas.
Muito raro.
Peça de colecção.
75€

08 janeiro, 2023

CUNHA, Sebastião Pereira da - O SAIO DE MALHA : drama historico e original, em tres actos
. Vianna, Typographia Silva Braga, 1893. In-8.º (21 cm) de 85, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Peça histórica em verso cuja acção decorre em Portugal, no século  XIII. "O 1.º e 2.º actos passam-se na freguezia de Airó, junto a Barcellos, e o 3.º em Braga nos paços do arcebispo D. João Egas. Epocha; 1245 a 1248."
Exemplar com dedicatória autógrafa de António Pereira da Cunha, filho do autor.

Egreja rustica na freguezia de Airó. Em frente a serra do mesmo nome e ao lado a cabana palhiça de Martim Peres. Á porta da parochial, sentado em uma cadeira de pedra, João Annes, o abbade da freguezia, acaba de fazer a catechese e diz dirigindo-se ao grupo de vilões, que respeitosamente o tem escutado:

Terminou a oração. Agora, podeis ir
Filhos em Jesus Christo. Ide folgar e rir.
Raparigas, cuidado! A honra da donzella
É grão thesoiro, e, como a chamma de uma vella,
Qualquer sopro a desfaz. Folgae, mas sêde honestas.
Moços, amae a Deus, a patria, e as vossas béstas.
Combatei pela cruz, que a guerra é santa quando
Tem por fim destruir as hostes do nefando
Propheta Mahomet.

(Excerto da 1.º Acto - Scena I)

Sebastião Pereira da Cunha (1850-1896). "Nasceu em Viana do Castelo, a 9 de fevereiro de 1850 e faleceu a 20 de setembro de 1896, na mesma cidade. Senhor do Castelo de Portuzelo por sucessão, poeta e prosador como seu pai, [António Pereira da Cunha] - coronel de milícias de Viana, e combatente na Guerra Peninsular. Publicou a maior parte da sua obra em Viana do Castelo. Participou na revista literária Pero Galelo no ano de 1882, dirigiu e criou juntamente com João Caetano da Silva Campos e Rocha Páris, no jornal Bandeira Branca em 1893. Autor de uma obra literária diversificada, na qual se incluem O saio de malha (1893) e o ensaio, Os heróis de África (1895). Mas foi sobretudo como poeta ultra-romântico que se destacou, sendo as suas obras mais conhecidas, Martim de Freitas, datada de 1887, A cidade vermelha de 1894 e Serões de Portuzelo do ano de 1928 (“Vida Cultural em cidades de província,” n.d.)"
(Fonte: Martins, Sara Filipa Ramos Martins, O Castelo de Portuzelo: Análise interpretativa de uma construção romântica, Universidade do Minho-Escola de Arquitectura, 2019)

Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na ombada. Conserva a capa frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Capa frágil, algo oxidada.
Raro.
Indisponível

26 dezembro, 2021

VIDOEIRA, Pedro - A FIDALGA DO JUNCAL (romance contemporaneo)
. Lisboa, Livraria Editora Viuva Tavares Cardoso, 1904. In-8.º (18,5 cm) de 463, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante romance de costumes cuja acção decorre no norte do país, sobretudo na cidade de Barcelos e arredores.
"Americanos pesados e alguns trens, vindos da Praça Nova e da Batalha, acabavam de largar na estação de Campanhã os passageiros que do Porto se destinavam á linha do Minho pelo comboio das dez e meia.
Estava-se no inverno - em principios de janeiro - e o dia que rompêra carregado e feio, desentranhava-se numa chuva persistente que não promettia parar. ás dez horas da manhã era tamanha a cerração que muitas lojas, como se a noite se avizinhasse, tratavam de accender o gaz para as voltas indispensaveis da sua labutação quotidiana.
A poucos passos de distancia, não se distinguiam os raros vultos que as suas occupações obrigavam a sahir de casa com tal dia.
Do largo da estação corriam para dentroda sala e entrada, abrindo os seus guarda-chuvas, as pessoas conduzidas pelos trens e americanos.
A sineta era o segundo toque de prevenção. Faltavam sómente cinco minutos para a partida do comboio.
Todos se encaminhavam em direccção ao guichet da bilheteira, enfiando pela grade de resguardo que serve de regulador ás impaciencias dos apressados. [...]
Mais adeante na cantina - o botequim dos pobres, onde os consumidores são menos exigentes em satisfações de paladar - pediam-se copos de genebra e aguardente, que saboreavam com estalinhos na bocca os passageiros de terceira classe, faceis de distinguir pelas suas grossas japonas de saragoça, pelos seus grossos tamancos de pau e pelos seus grossos cajados de marmeleiro. [...]
Os passageiros iam occupando os seus logares, acompanhados dos moços que lhes depunham nas redes os embrulhos, as coberturas, os saccos e as maletas. Os mais previdentes procuravam dr as costas á machina para vitarem no trajecto as lufadas de fumo que invadem os assentos da frente. [...]
A locomotiva - esse hippogrypho do progresso, cujo ventre insaciavel devora colossaes rações de hulha e cuja sêde só se extingue com formidaveis trombas de agua - resfolgava ruidosamente, vomitando espessas columnas de vapor. [...]
Guiado pela experiente direcção do machinista, o monstro começou emfim a mover-se, e a extensa fila de wagons, vagarosamente primeiro, depois com mais presteza, largou pela via fóra, deixando atrás de si um denso pennacho de fumo, que se esvaía pouco a pouco em successivas espiraes. [...]
- Barcellos! Barcellos!
Então abriu-se a portinhola de uma carruagem de primeira e desceu para a plataforma um passageiro de vinte e oito annos, typo moreno, olhar vivo, estatura regular e barba negra pouco espessa. [...]
Percorrida a curta distancia da Avenida que põe Barcellos em contacto com a estação, o nosso passageiro dava entrada no Hotel Central, situado ao fundo do Campo da Feira, e pedia ahi um quarto dos melhores.
Na mesma  noite da chegada daquelle desconhecido, já se sabia - como sempre succede nas terras de provincia - que elle tinha sahido do Porto, que se chamava Luiz Trigoso, que era bacharel em direito e que vinha alli tentar carreira pela profissão de advogado."
(Excerto do Cap I, O filho do lavrador)
Pedro Alcântara Vidoeira (1834-1917). Poeta, escritor e tradutor português, natural de Lisboa. Emprestou a sua colaboração a jornais e revistas da época, onde se destaca a conhecida publicação Branco e Negro : semanario illustrado. A BNP dá conta de extensa lista de obras traduzidas por Vidoeira, sobretudo de Júlio Verne. Refere também duas obras poéticas - Lyrica popular (1895) e Nova lyrica popular (1913) - e dois romances: A fidalga do Juncal (1904) e Ambições de cortezã (1914).
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado. Miolo correcto. Sem f. anterrosto.
Raro.
Indisponível

18 junho, 2019

ANTIGUIDADES CURIOSAS. Colligidas por Antonio Luiz Monteiro e publicadas por seu filho Abilio Monteiro. Porto, Nova Typ. de Silva & Valbom, 1870. In-8.º (18,5 cm) de 287, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Curioso conjunto de transcrições (53) comentadas pelo autor - verdadeiras antiguidades curiosas - onde se contam documentos de vária ordem, tais como, alvarás, proclamações, decretos, cartas, tratados, forais, etc.
Alguns documentos reproduzidos: «Juramento d'el-rei D. Affonso Henriques, pelo qual confirma a apparição de Jesus Christo, acontecida ao mesmo soberano»; «Castigo imposto por D. João 1.º, á villa de Barcellos»; «Artigos 7.º e 8.º das côrtes de Lamego, que prohibem ás princezas herdeiras casar fóra do reino»; Leis promordiaes da nobreza Lusitana»; «Doação que Theodomiro, rei Suevo, fez ao Mosteiro de Cedofeita»; «Alvara que veda a entrada de certos clerigos em Villa do Conde»; «Convenção secreta entre o imperador dos francezes, e o rei d'Hespanha, pela qual se regula todo o relativo á occupação de Portugal [e á sorte futura de Portugal]»; «Baliagem de Leça»; «Foral do Porto».
Encadernação cartonada com ferros gravados a seco e a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura original.
Exemplar em bom estado de conservação. Capa algo manchada.
Invulgar.
Com interesse histórico.
30€
Reservado

16 fevereiro, 2018

LOPES, M. M. Ramos - CANTARES DO POVO MINHOTO. Região de Barcelos. Barcelos, [s.n.], 1997. In-4.º (23 cm) de 36 p. (157-190, [2] pp) ; il. ; B. Separata de «Barcelos Revista» - 2.ª Série - N.º 8
1.ª edição independente.
Curioso trabalho de recolha de etnografia musical.
Ilustrado com duas fotogravuras relativas a imóveis da terra natal do autor:
- Casa onde nasceu e passa férias o autor, em Airó de Cima;
- Igreja de S. Jorge de Airó (em página inteira).
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa de Ramos Lopes.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse regional.
Sem indicação de registo na Biblioteca Nacional (BNP).
15€
Reservado

19 março, 2015

ABREU, Leonídio de - SILVA MINHOTA. Braga, [s.n. – Comp. e imp. nas Ofic. Gráf. «PAX», Braga], 1956. In-4.º (24cm) de 267, [5] p. ; mto il. ; B.
Colaboração artística de Abel Mendes e Ricardina de Abreu.
1.ª edição.
Muito ilustrada nas páginas do texto com bonitos desenhos e fotogravuras a p.b.
“As crónicas que formam este volume foram escritas em épocas diversas, mais por distracção do que propriamente pelo interesse que, um dia, viessem a despertar. […]
São crónicas ligeiras, feitas, como soe dizer-se, ao correr da pena, sem quaisquer pretensões literárias e muito menos ambições de glória, o que, aliás, não estava no temperamento do autor. […]
Trata-se, realmente, de assuntos respeitantes a todos os concelhos do Minho, tanto no aspecto histórico, como religioso ou militar, sem excluir, evidentemente, o lendário, por vezes de tão sugestivo colorido na vida dos povos.”
(excerto da introdução, Breve explicação)
Matérias:

– Uma parada memorável. – De Contrasta a Valença. – A ponte pênsil do Ave. – O encanamento do Rio Cávado. – O primeiro prior do convento de Ribas. – Os franceses em Esposende. – O castelo de Arnoia. – A torre da Lapela. – As Águas Santas de Currais. - «Si el Gran Leon de España». – S. Paio seria natural do concelho de Paredes de Coura? – Santa Senhorinha de Basto. – O Convento-hospício de Cabeceiras de Basto. – As primeiras fortificações de Ponte de Lima. – O mosteiro de S. João de Vieira. – A Falperra e os seus santuários. – Uma princesa castelhana donatária de Ponte de Lima. – Os mistérios do Forte da Insua. – A torre de Penegate. – A extinta Colegiada de Valença.
– As origens de Ponte da Barca. – Uma obra de Satánas. – O santuário de S. Bento da Porta Aberta. – A vila de Fafe. – Sá de Miranda. – O mosteiro da Fontarcada. – Vila Nova de Cerveira. – O castelo de Lanhoso. – A vila de Caminha. – Antes morrer sem culpa. – O convento de Landim. – A demolida capela de Santa Ana de Braga. – A vila de Melgaço. – A vila de Prado. – Tenões e as origens do Bom Jesus do Monte. – Freiras que mudam de residência. – Paredes de Coura. – O concelho de Vila Verde. – Lendas de Fafe. – Arcos de Valdevez. – O convento de Santa Maria de Fiães. – A lenda da Calcedónia.
– O castelo de S. Tiago da Barra. – A primeira Duquesa de Bragança. – O convento do Carmo de Guimarães. – O Liceu-Seminário de Guimarães. – Algumas curiosidades arcuenses. – Uma figura intelectual de Ponte da Barca. – Antiguidades cerveirenses. – Antiguidades bracarenses. – Viana do Castelo. – Barcelos.
– Um amigo da Casa Real. – A Sociedade de Martins Sarmento. – O primeiro Santo Português.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. O livro contém diversas passagens sublinhadas, bem como notas marginais, tudo a lápis. Carimbo de posse na f. rosto.
Muito invulgar.
Com interesse regional.

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