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06 agosto, 2026

POLÍTICA IMPERIAL DE FOMENTO : Novas Directrises.
"Portugal Maior" - Cadernos Coloniais de Propaganda e Informação
. Luanda, Edição da "Casa da Metrópole", 1945. In-8.º (21,5x15 cm) de 21, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso opúsculo de propaganda patriótica impresso em Luanda, Angola, publicado no último ano de guerra mundial. Trata-se do n.º 1 de uma colecção que atingiu 10 números, editada entre 1945-47.
Capa assinada "MCastelo".
A "Casa da Metrópole" em Luanda foi uma instituição colonial portuguesa de propaganda, informação e dinamização cultural ativa no século XX (com forte presença na década de 1940). A sua actuação baseava-se em frentes estratégicas bem definidas: Funcionava alinhada com as diretrizes do Estado Novo para projetar a presença e a herança portuguesa no território angolano. Foi responsável pela publicação de diversas obras e cadernos de propaganda colonial. O exemplo mais notório é a coleção "Portugal Maior: cadernos coloniais de propaganda e informação", que incluía ensaios e registos fotográficos históricos. Fazia a ponte de comunicação cultural e identitária entre a "Metrópole" (Portugal Continental) e os colonos radicados na então colónia de Angola. (IA)
Opúsculo ilustrado com retrato do Prof. Marcelo Caetano, Ministro das Colónias, colado na folha que sucede ao rosto.
"A idéia imperialista assenta sôbre princípios básicos, entre os quais é de maior vulto o que traduz uma forte unidade espiritual que se repercute na comunicação da língua, de sentimentos e de afectos, de esperanças e de aspirações.
Recebendo do passado as lições da expansão e da expressão de Portugal no Mundo, conhecendo do presente as inconfundíveis realizações materiais e espirituais que dignificam e enaltecem a política do Govêrno, a gente lusíada torna, acima de tudo em realidade, a unidade imperial portuguesa, agora servida por uma doutrina que se expande progressivamente por tôdas as terras do Império, animadas pelas precisas oportunas e justas resoluções do ilustre titular da Pasta das Colónias, cuja figura revela uma inteireza de carácter que se oferece ao desenvolvimento ordenado das nossas terras ultramarinas na mais rasgada visão imperial e humana."
(Excerto da Abertura) 
"«Quem conheceu a África tropical há 50 anos e a conhece hoje; quem há meio século viveu nas colónias portuguesas e por elas hoje transita - há-de verificar que consoante é voz corrente dos velhos coloniais «a África mudou muito» e até porventura aventurará (embora com excessivo optimismo) o paradoxo de que «a África já não é África».
Tais conceitos exprimem a admiração pela mudança operada nas condições de vida do branco, parece que nas próprias condições e ambiente, em virtude da ocupação europeia, que ousadamente rasgou estradas pelo coração dos sertões, assentou vias férreas, lançou cabos telefónicos e ergueu cidades e vilas no litoral e no interior, desbravou o mato, afastou as feras e cultivou fazendas em sítios outrora inóspitos. O que se fêz, alenta esperanças sôbre o muito que se pode fazer."
(Excerto de Discurso do Prof. Marcelo Caetano aqui reproduzido)
Índice:
[Abertura ] | [Reprodução de discurso do Prof. Marcelo Caetano] | Política de Fomento | Inspecção Superior de Fomento Colonial | A urbanização nas colónias africanas | O Gabinete de Urbanização Colonial - Sua orgânica e funções | A missão dos técnicos em África e a juventude escolar | O novo espírito a instaurar no fomento das colónias | A valorização do trabalho indígena | O auxílio do Estado às actividades privadas | A utilidade social da coordenação económica | «Tenha confiança no futuro do nosso império Colonial» | Apêndice: A «Casa da Metrópole» em Luanda e a sua actuação: - Finalidade; - Meios de acção.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
20€

16 julho, 2026

VACCHI, Dante -
PENTEADOS DE ANGOLA
. [S.l.], Dante Vacchi, 1965. In-4.º (23x20,5 cm) de [76] p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Importante subsídio etnográfico sobre os ornamentos e arranjos capilares femininos em Angola.
Trata-se de um photobook etnográfico e antropológico da autoria de Cesare Dante Vacchi, jornalista e aventureiro, famoso pela paternidade (atribuída) da formação e preparação dos Comandos, tropa de elite portuguesa, pouco tempo após o início da Guerra Colonial. A obra regista os elaborados penteados tradicionais de várias tribos angolanas.
Obra trilingue (português/francês/inglês), executada com grande sentido estético e apuro gráfico, ilustrada a cores com fotografias de dezenas de modelos femininos pertencentes a diversas etnias da ex-colónia portuguesa, captadas em diversos estágios da sua vida.
"Nem uma voz humana, guincho, gritos, sussurros, rugidos cavos, melopeias e tam-tans. A alma da noite africana envolve-nos como longos braços frenéticos e um medo primordial surge nos nossos corações. O homem forte é ali redimencionado pela barreira impenetrável do arvoredo que o cerca e a escuridão da noite que repentinamente cai.
Treme, o homem, e teme.
Rasga a escuridão no meio de um Kimbo, uma fogueira, ou o rebrilhar aceso dos olhos de um felino.
No Kimbo a música e a dança, que aqui são verdadeiramente qualquer coisa de outro mundo, seguem leis imutáveis, atávicas; o mais pequeno gesto tem um significado bem definido, cuja origem se perde na noite dos tempos.
Um simbolismo verdadeiramente impenetrável acompanha todas as manifestações de vida negra. Exteriorizadas através de pulseiras, argolas, tatuagens, penteados, pela música e pela dança, pelas fogueiras, por melopeias e feitiços, estas manifestações compõem um quadro completo da vida quotidiana do povoado. [...]
E é a cerimónia da puberdade que dá início aos fantasmagóricos penteados, cerimónia que se reveste, quase sempre, de um carácter ritual pròpriamente dito.
Neste período, mal começam as festas, liberta-se a imaginação em complicados desenhos, arranjo de contas coloridas enfiadas nos cabelos, mantidos compactos e tintos com uma mistura de barro, resina e gordura vegetal ou animal. Então, os penteados mostram se a rapariga celebrou o rito da puberdade antes, durante ou depois da cerimónia ritual. Noutras mulheres, é indicativo apenas da tribo a que pertencem.
Hoje em dia é difícil distinguir, pelo penteado, a tribo à qual a negra pertence, pois as diferenças são tão pequenas que deixam perplexos mesmo os mais conhecedores. Outras vezes indica se é casada ou tem filhos, enquanto que o luto é representado por um penteado simples ao qual faltam os ornamentos vistosos do tempo das festas.
Os cabelos das mulheres são mantidos brilhantes e duros pelo contínuo uso da manteiga e óleos vegetais finíssimos, misturados com substâncias corantes: pó vermelho tirado da casca de certa árvore ou de uma pedra do rochoso planalto, ou de folhas pulverizadas que conservam a cor natural dos cabelos."
(Excerto do Preâmbulo)
Cesare Dante Vacchi (1925-?). Foi um jornalista e aventureiro italiano, considerado o "pai fantasma" e impulsionador da criação dos Comandos, a notável tropa de elite do Exército Português. Nascido em Itália, pouco se sabe da sua infância. Apresentou-se como voluntário no Exército italiano aos 15 anos de idade. No entanto, a sua verdadeira experiência como combatente e líder militar desenvolveu-se mais tarde, na década de 1940, quando comandou milícias em cenário de guerrilha na Itália ocupada. Foi toda essa bagagem adquirida em solo europeu, que o capacitou para preparar os soldados portugueses para esse tipo de confronto no palco africano mais de vinte anos depois.
Na década de 60, viajou como repórter fotográfico para Angola com a foto-jornalista Anne Gauzes, documentando a realidade da Guerra Colonial. Devido ao seu passado militar e tácticas de contra-guerrilha, foi convidado em 1962 a instruir as primeiras unidades de combate do CI 21 em Zemba, Angola, que viriam a dar origem aos Comandos. A sua personalidade e o seu desaparecimento repentino após o treino inicial conferiram-lhe um estatuto lendário e misterioso na história militar portuguesa. Deixou publicada obra multifacetada como autor e fotógrafo, destacando-se livros como Angola 1961-1963 (1964), Penteados de Angola (1965) e Porto (1965), sobre o Douro vinhateiro. Publicou ainda uma reportagem interessantíssima sobre a pesca longínqua portuguesa nos bancos da Terra Nova, redigida a partir do Gil Eannes, na revista Eva do Natal. (1967) (IA)
Encadernação editorial em tela branca com letras a seco e a negro na pasta anterior e na lombada. Vem revestida com sobrecapa policromada.
Exemplar em bom estado de conservação. Dedicatória de oferta (não do autor) no interior. Sobrecapa apresenta desgaste marginal, manchas e restauro.
Raro.
45€

02 julho, 2026

CABRAL, Juvenal A. Lopes da C. -
O CRIME DO LARGO DO HOSPITAL DA CIDADE DA PRAIA. Por... (Professor Primário na Guiné). Literatura Africana - Cabo Verde. [S.l.], Edição do Autor [Composto e impresso na Tipografia Civilização, de Pereira & Souza - Pôrto], 1930. In-8.º (19x12 cm) de 32 p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Edição original da primeira obra do autor, pai de Amílcar Cabral (1924-1973), activista político pela libertação das colónias portuguesas da Guiné e Cabo Verde, fundador do PAIGC (1956).
Trata-se de um texto invulgar e muito curioso, espécie de novela-reportagem (a fazer lembrar os textos de Reinaldo Ferreira - o Repórter X!), sobre o assassinato ocorrido na cidade da Praia de uma moça - Alice, - "que embora filha natural, pertencia a uma raça de portugueses notáveis". No final, em Morte de Alice, o autor homenageia a infeliz rapariga com um conjunto de quadras.
Obra rara, por certo com tiragem restrita, dedicada "À mocidade caboverdeana - em particular - e em geral a todos os africanos das colónias, que saibam honrar a Pátria Portuguesa, estudando e propagando a suavíssima língua de Camões."
Ilustrada com o retrato de Juvenal Cabral em folha separada do texto.
"[...] Um crime pode inspirar um artista. Mas numa consciência sã e normal causa sempre a repulsa e a dor.
Lopes Cabral é bem o educador que se não compraz no estreito âmbito das quatro paredes da sua escola. Êste livrinho é a prova de que êle sabe actuar omnimodamente, cumprindo o dever  de corrigir a aconselhar a Sociedade para o Bem - condenando actos repugnantes e anti-sociais."
(Excerto do Prefácio de J, Mota)
"Extraordinàriamente sugerido pelo gesto criminoso de um homem que, matando a sua amante a tiros de revólver, não teve uma lágrima de arrependimento ou um simples queixume, sequer um gemido(!) que denunciasse o remorso pela prática de tão ignóbil acção, - o modesto trabalho que apresento perpectuando um acontecimento, muito vulgar nos grandes centros, porém raríssimo em terras africanas, principalmente naquela em que êste teve lugar, onde o sossêgo é permanente, em conseqüência, não tanto da fé religiosa como da índole natural do povo - é como um brado de cave ne cadas à mocidade da Praia, teatro do emocionante e deplorado drama."
(Excerto de Palavras necessárias)
"Amanhecer límpido e sereno o dia sete de fevereiro de 1930.
A atmosfera, que de ordinário se apresentava carregada e húmida - como que em contínua destilação de cristais - permitiu, por excepcional condescendência, que o Sol beijasse nêsse dia o coração da linda cidade da Praia que, inundada de luz vivificante, exulta de alegria pelos cumprimentos matutinos que o astro-rei, tão cortezmente lhe enviava, do alto da sua inacessível tribuna. [...]
Quem haveria de supôr que antes da tarde dêsse memorável dia, a cidade seria testemunha de um cruel assassínio?
Alice de **, natural da Praia, contava apenas vinte e dois anos de idade - feitos precisamente no dia em que a bala do carrasco lhe ceifou a existência!
Extremamente formosa, pertencia ao grémio dessas belezas peregrinas capazes de transtornar o mais indiferente celibatário.
Têz de moreno carregado, olhos de um brilho revelando inteligência sem cultura, bôca pequenina protegendo uma enfiada de alvinitente marfim, cabelos pretos luzidios, dispensando a sciência do artista para uma ondulação permanente - Alice de ** ocupava, pela sua deslumbrante formosura, lugar de destaque entre as moças mais lindas da cidade da Praia."
(Excerto de Do amor ao crime)
Índice:
Dedicatórias | Prefácio | Palavras necessárias | Do amor ao crime | O assassino | Morte de Alice.
Juvenal António Lopes da Costa Cabral (Santa Catarina, Santiago, Cabo Verde, 1889 - Cidade da Praia, Ilha de Santiago, Cabo Verde, 1951). "Nasceu na ilha de Santiago em 1889, filho de António Lopes da Costa, um abastado proprietário rural, e de Rufina Lopes Cabral, filha de agricultores (pequenos proprietários). Com apenas oito anos, Juvenal foi enviado para Portugal, para estudar - um luxo só possível a uma reduzida elite das ilhas. Foi o primeiro aluno negro a entrar nos portões da escola primaria de Santiago de Cassurães, na Beira Alta. Seguiu-se o Seminário de Viseu, onde segundo ele mesmo, passou os melhores anos da sua vida. Mas face às dificuldades da família em manter os seus estudos, devido à estiagem, Juvenal retornou a Cabo Verde em 1906. De regresso a Cabo Verde, os pais destinaram-no ao sacerdócio católico. Não concluiu o curso no Seminário de São Nicolau, preferindo antes instalar-se na ilha de Santiago. Em abril de 1911, viajou para a Guiné-Bissau, à procura de emprego, de futuro, de melhor sorte. Ali viverá mais de trinta anos. Funcionário publico em Bolama, foi, depois, o primeiro professor de uma escola primária em Cacine, com uma escassa meia dúzia de alunos. Ele mesmo se definirá, um dia, como «um obscuro professor não diplomado».
Juvenal Cabral caracterizava-se a si próprio como “cabo-verdiano de nascimento e raça, português pela bandeira e educação, e, portanto, convictamente integrado nos alevantados ideais que deram a Portugal o prestigio universal que desfruta”. Era um homem com uma grande consciência e preocupação política e social sobre a situação de Cabo Verde, mas ao mesmo tempo era adepto da política colonial portuguesa e de Salazar (de quem fora colega, em Viseu). O espírito patriótico e a admiração que nutria pela colonização portuguesa, não impediram Juvenal Cabral, de várias vezes criticar a política colonial da metrópole em relação a Cabo Verde. Críticas essas que se deviam, sobretudo, à maneira como o governo português conduzia as políticas relativas às crises agrícolas e consequentes períodos de fome nas ilhas." 
(Fonte: https://repositorio.unesp.br/server/api/core/bitstreams/5aa63601-7780-48d2-b02b-87662f03fda6/content)
Publicou:
1930: O Crime do Largo do Hospital da Cidade da Praia (Crónicas jornalísticas e sociais); 1947: Memórias e Reflexões (Sua obra magna, lançada originalmente como Edição do Autor na Cidade da Praia); 1949: Bêjo Caro! (Poema-panfleto satírico); 1949: Confissão de Zé Badiu (Texto literário em crioulo, anotado pelo seu filho Amílcar Cabral); 2002: Reedição póstuma de Memórias e Reflexões pelo Instituto da Biblioteca Nacional de Cabo Verde. Os seus restantes poemas (como O Voo da Avezinha) e diversos ensaios foram dispersos e publicados ao longo das décadas - de 1910 a 1950 - em jornais e revistas da imprensa cabo-verdiana. (IA)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Indisponível

04 junho, 2026

CINTRA, Alfredo dos Santos -
ORGANIZAÇÃO DAS COMUNICAÇÕES AÉREAS.
A Ligação Aérea entre a Metrópole e as Colónias. Projecto apresentado por... (Major de Aeronáutica). Lisboa, Tip. Cristóvão Augusto Rodrigues, Limit., 1936. In-8.º (22x16 cm) de 7, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Ensaio pioneiro - em 7 "Bases" - do Major Alfredo Cintra sobre as ligações aéreas entre Portugal e as ex-colónias.
"A Inglaterra, a França, a Holanda, a Bélgica, a Espanha, a Itália, isto é, todos os países coloniais, num perfeito conhecimento das vantagens que certamente lhe advirão, têm dedicado a sua melhor atenção à ligação aérea entre a Metrópole e as suas Colónias, não se poupando para êsse efeito aos mais pesados sacrifícios.
As facilidades concedidas pelas comunicações rápidas fôram sempre e serão um dos factores primaciais para a vida económica de regiões longínquas; foi sem dúvida pensando nisso que os países coloniais fôram levados a encarar e resolver o problema das comunicações aéreas com as suas colónias.
Só Portugal, a terceira potência colonial, ainda não deu um passo nesse sentido, urge portanto que se ponha o problema e se resolva rápidamente para que num futuro muito próximo não possam vir a sentir-se as conseqüências desastrosas que a falta da sua solução nos poderá trazer."
(Excerto do Projecto)
Alfredo Desleque dos Santos Cintra (Sintra, 890-1976). Foi general, oficial da Aeronáutica Militar e pioneiro da aviação em Portugal. No dia 3 de Agosto de 1948 foi promovido a General de três estrelas, o primeiro da Aeronáutica Militar a atingir aquele posto. Foi o primeiro Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, quando a mesma foi criada com a fusão das componentes aéreas da marinha e do exército. Tendo começado a sua carreira militar como praça e passando posteriormente para a categoria de oficiais, prestou um importante contributo na história da aviação militar portuguesa, participando activamente na criação da Força Aérea Portuguesa, na participação de Portugal na NATO e, no final da sua carreia, foi ainda Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, entre 1952 e 1953."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Com sinais de humidade.
Raro.
Com interesse histórico.
20€

26 novembro, 2025

MARINHO, José L. Teixeira -
A PROVÍNCIA DA GUINÉ : Raças que a povoam.
[Por]... Capitão de Fragata. Separata do n.º 14 da Revista «A Terra». [S.l.], [s.n.], 1934. In-4.º (23,5x16 cm) de 4 p. ; B.
1.ª edição independente.
Curioso estudo acerca do multiculturalismo e das raças nativas, cerca de quinze, que habitam a antiga província ultramarina da Guiné.
"É  a nossa província da Guiné, embora pequena em superfície, pois que não vai àlém de 36000 quilómetros quadrados, uma das de mais esperançoso futuro, assegurado por circunstâncias felizes que nela concorrem, sendo as principais a densidade da sua população que orça por 1[/2] milhão de habitantes, a sua rêde de canaes que facilitam o transporte das múltiplas mercadorias em que abunda, a variedade das culturas que o solo e o clima permitem.
A nossa Guiné é povoada por uma grande variedade de gentes, com línguas, costumes e tipos bastantes diferenciados.
Diremos algumas palavras sôbre os principais grupos étnicos.
Os Felupes que habitam o canto noroeste da província, são de c<ôr +reta retinta, traços regulares, robustos. Usam um vestuário rudimentar; cultivam o arroz e o milho e são grandes bebedores de vinho de palma que extraem das palmeiras que abundam na região. São muito supersticiosos e bastante insubmissos."
(Excerto do Estudo)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
10€

07 julho, 2025

CONTENTE, Firmino Camolas -
8.ª COMPANHIA DE CAÇADORES ESPECIAIS NO NORTE DE ANGOLA DE 22 DE MARÇO DE 1961 A 24 DE DEZEMBRO DE 1962.
Apontamentos para a sua história. [Por]... Soldado 495/60 de 1.º Pelotão da 8.ª C.C.E [RI 11 Setúbal]. In-8.º (21x15 cm) de 71, [1] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
História do desempenho e acções militares da 8.ª C.C.E. do Regimento Infantaria 11 de Setúbal em Angola, no início do conflito ultramarino, sendo uma das primeiras unidades a chegar à ex-província como resposta do governo da metrópole à insurreição protagonizada pelos operacionais da UPA.
Livro ilustrado no texto com inúmeras fotografias do autor e seus camaradas de armas que ilustram a passagem do Regimento por Angola.
Tiragem limitada a 500 exemplares.
"Estas linhas despretenciosas são apontamentos que relembram acções militares vividas pela 8.ª C.C.E. do Regimento Infantaria 11 de Setúbal e que eu comandava. Estes apontamentos destinam-se a realçar e lembrar as qualidades de adaptação, de zelo e de sacrifícios de toda a natureza, desprezo pela vida, lealdade e muito patriotismo demonstrados sobejamente nas 127 acções militares que a 8.ª C.C.E. teve, desde que chegou a Angola em 22 de Março de 1961.
A todos os componentes dessa Companhia, aos bravos rapazes de Setúbal, são dedicadas estas breves recordações.
A esses bravos rapazes de Setúbal, ante a forma como cada um sabia como proceder, o que lhes fortalecia o moral que sempre mantinham, e a vontade férrea de levar a bom termo as missões que lhe eram confiadas, permitindo confirmar as suas grandes qualidades, dificilmente superáveis dado o seu espírito de sacrifício e iniciativa, bom humor, adaptação rápida a esta forma de combate que nos foi imposta, e sobretudo uma grande lealdade."
(Excerto do Prefácio de Mário Jaime Calderom Cerqueira Rocha, comandante da unidade)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Etiqueta (2) na lombada; carimbo de biblioteca nas duas primeiras páginas.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

22 maio, 2025

PINTASILGO, José Manuel - MANGA DE RONCO NO CHÃO.
[Prefácio de António de Spínola]. Lisboa, [s.n. - Impresso nas Oficinas Gráficas da Companhia Nacional Editora - Lisboa], 1972. In-8.º (21x15 cm) de 116, [4] p. ; [33] f. il. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de crónicas reunidas em volume, antes publicadas no jornal Época durante o ano de 1972, redigidas no cenário militar mais adverso experimentado pelas tropas portuguesas durante a Guerra Colonial, recolha muito valorizada pelo prefácio do General Spínola, governador e comandante-chefe das Forças Armadas da Guiné.
Livro ilustrado com inúmeras fotografias a p.b. - impressas sobre papel couché - distribuídas por 33 folhas intercaladas no texto.
"Enfrentamos uma conjuntura que dispensa, creio bem, qualquer explanação sobre o alto interesse de preservar a informação pública dos grupos de pressão que cada vez mais pretendem comandar as opiniões à luz dos seus interesses, nem sempre coincidentes com o superior interesse geral.
Na hora que passa, caracterizada pela luta de ideias, as campanhas de esclarecimento reclamam, deste modo, cada vez maior dimensão, pois ninguém poderá contestar que um perfeito conhecimento da realidade dos factos, servido por uma sólida formação cívica, é ainda o melhor escudo da sociedade contra as manipulações ideológicas a que pretendem sujeitá-la. [...]
«Manga de Ronco no Chão» é a colecção num só volume das crónicas que o jornalista José Manuel Pintasilgo, enviado especial do jornal Época à Guiné, aqui recolheu e aquele diário divulgou. A sua publicação, integrada no conceito de «moral informativa» que acima aflorámos, dignifica o autor e a Imprensa Portuguesa, pela isenção que caracteriza a notável reportagem jornalística coligida no presente livro, de inegável merecimento para a difusão da verdade. [...]
Não pode o leitor, todavia, interpretar esta obra como simples divulgação viva da realidade da Guiné do presente, que ressalta nas crónicas compiladas; é que, para além disso, ela é ainda um documento esclarecedor de conceitos que conduzem à solução inadiável de problemas que não devem ser iludidos mas antes apresentados abertamente à opinião pública."
(Excerto do Prefácio)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com indubitável interesse histórico.
Indisponível

19 março, 2025

MONTEIRO, Carlos -
DE SETÚBAL ÀS TERRAS DE ANGOLA.
Patrocínio do Movimento Nacional Feminino. Reportagem de... Publicado no jornal "O Distrito de Setúbal". [S.l.], [s.n. - Composto e impresso na Tipografia Rápida de Setúbal, Lda. - Setúbal], 1973. In-8.º (21x14,5 cm) de 61, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Capa de: Gertrudes Páscoa Geraldes Monteiro.
Crónicas de viagem por Angola de um setubalense por adopção.
Ilustrado com fotografia a p.b. ao longo do livro, sendo algumas em página inteira.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Dr. J. Carlos Botelho.
"Sou um Homem das «terras do Demo», designação que Mestre Aquilino Ribeiro dá às terras beiroas que me serviram de berço.
Em Coimbra, na verdura dos meus anos, desfolhei as mais perfumadas pétalas da minha vida.
Durante duas décadas, a seguir identifiquei-me com a «Planície Heróica», o Alentejo, tão decantado por Manuel Ribeiro.
Mais tarde vim para a terra de Bocage, onde me vinculei.
Sonhei sempre. Encarei a Vida. Lutei com verticalidade. Tive sonhos desfeitos. Cânticos de vitória, não faltaram. De entre tudo, tentei o Ultramar. A frustração dessa hora, que se esfuma pela mocidade, marcou-me doridamente.
Aqui, em Setúbal, a par da minha actividade de fundo que é a Escola, o jornalismo seduziu-me. Alistei-me nele. No seu quadro. Para ficar. Para servir.
Um convite atencioso do Movimento Nacional Feminino para visitar o Estado Português de Angola, veio salvar das cinzas um sonho. Vibrei. Pois. Rejuvenesci."
(Excerto de Nota de abertura)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

04 março, 2025

ANTUNES, Maj. A. Vaz -
TIRO DE PONTARIA INSTINTIVA. [2.ª edição]. [S.l.], [s.n. - Composição e impressão na Tip. da Escola Prática de Infantaria - Mafra], [1967]. In-8.º (19x13 cm) de [2], 89, [3] p. ; il. ; B.
Obra dedicada pelo autor aos combatentes na Guerra do Ultramar: "Ás tuas incomparáveis virtudes militares, Soldado de Portugal, que em África, anonimamente, escreves das páginas mais brilhantes da nossa História!"
Livro ilustrado com inúmeros desenhos exemplificativos no texto.
"Quando da frequência num curso no estrangeiro, apliquei-me, por imposição do horário, a fazer «tiro instintivo» com pistola e pistola metralhadora, durante 7 semanas a 2 horas por dia,
No final do curso não era um bom atirador, e, em rendimento, ficava muito atrás do meu instrutor. Este, além de excelente camarada era um magnífico executante dessa modalidade de tiro, mas pouco nos conseguia dizer à guisa de explicação - os «porquês» que nós tanto desejávamos saber sempre. «Era assim... era assim».
Mas se não fui um bom atirador, pelo menos duas certezas ganhei:
- Tal modalidade de tiro tem um interesse extraordinário na guerrilha
- O Processo de ensino era de tal modo dispendioso que, mesmo os exércitos mais apoiados económicamente consideravam que o «tiro instintivo» constituía uma especialidade a ensinar apenas a uns tantos, muito poucos, destinados a missões especiais. [...]
Como se consegue tudo isto, é o que eu tento explicar nas páginas seguintes.
Chamo-lhe «tiro de pontaria instintiva» para manter a designação, já generalizada, da modalidade de pontaria que se aplica no tiro que a seguir se trata."
(Excerto do Prólogo)
Índice:
Prólogo | I - Generalidades. II - Instrução preliminar. III - Tiro reduzido. IV - Tiro de adaptação. V - Tiro de combate. IV - Notas para o instrutor. VII - Método de instrução.
António Vaz Antunes (1923-1998). "Natural da freguesia da Mata, Concelho de Castelo Branco. Frequentou a Escola do Exército, onde se formou como oficial de Infantaria do Exército Português. No ano de 1959 realizou um estágio de oficiais do Exército Português, junto de tropas francesas na Argélia. Passou também por por Angola onde foi 2.º comandante do Batalhão de Caçadores 185/RMA (1961 e 1962);  e por Moçambique, onde foi 2º comandante do Batalhão de Caçadores 1918/RMM (1967) e comandante do Batalhão de Caçadores 17/RMM (1967 a 1968). No CTIG, foi comandante do Batalhão de Caçadores 4512/72/CTIG (1972 a 1975). Na Guiné, em 1974, era Adjunto do Comandante do CTIG e Comandante interino do COMBIS (Comando da Defesa Militar de Bissau), bem como Inspetor do CTIG. O coronel António Vaz Antunes tinha nesta altura, uma missão de muita responsabilidade na defesa militar de todos os quartéis no "perímetro militar de Bissau", mesmo assim na reunião relatada no "documento histórico", foi afastado destas funções pelo MFA da Guiné."
(Fonte: https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/search/label/Ant%C3%B3nio%20Vaz%20Antunes%20%28cor%20inf%29)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico e militar.
20€

23 janeiro, 2025

VIEGAS, Brigadeiro Carvalho -
HISTÓRIA MILITAR DA GUINÉ NA SUA HISTÓRIA GERAL.
(No V Centenário da Descoberta). [Por]... Antigo Governador da Guiné. Lisboa, Composto e impresso na Tipografia da L. C. G. G., 1946. In-4.º (23x16 cm) de 12 p. ; [2] f. il. ; B.
1.ª edição independente.
Separata da «Revista Militar» - Fascículo de Dezembro de 1946.
Interessante subsídio para a história da ex-província Ultramarina.
Ilustrado com duas estampas extra-texto: - Monumento ao «Esforço da Raça», em Bissau; - Comemora a pacificação da Ilha de Canhabaque (1935-1936) (últimas operações na Guiné).
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao General Vieira da Rocha (1872-1952).
"A maior parte dos portugueses não conhece, na sua verdadeira grandeza, a extensão dos sacrifícios feitos na ocupação efectiva dos nossos domínios do Ultramar. Quando muito, sòmente alguns dos factos heróicos de Mousinho, na África Oriental, outros em Angola e algum outro episódio em qualquer das outras colónias.
Quanto à Guiné Portuguesa, a sua História Militar ainda está por escrever. Se é certo que nos últimos anos o número de livros, que tratam dessa Colónia, tem aumentado, em verdade falta esse documento indispensável ao estudo da sua formação.
Até agora só alguns relatórios das campanhas da Guiné, subscritos por comandantes de colunas de operações, registaram numa linguagem concisa e objectiva as fases da luta pela posse da última terra africana, que se furtou com invulgar contumácia à aceitação da nossa soberania."
(Excerto do estudo)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas apresentam "esfoladelas".
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
15€

30 dezembro, 2024

SILVA-GONÇALVES, C. da -
REFLEXÕES POLÍTICAS.
Na posse da Comissão Ultramarina da Liga dos Antigos Graduados da M. P. em 19 de Maio de 1970. RESERVADO. Lisboa, Edições "Facho" - Liga dos Antigos Graduados da M. P., 1970. In-8.º (21x15 cm) de 61, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Considerações de índole reservada a propósito do rumo político do regime em relação às províncias ultramarinas, em guerra desde 1961, tendo em vista a Paz.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a Jorge Botelho Moniz (1898-1961), importante figura do regime do Estado Novo.
"Gostaria de aproveitar esta singela cerimónia para, com base no que vimos, ouvimos e aprendemos no trabalho da Comissão, durante quase dois anos, alinhar algumas reflexões de ordem política. Não como porta-voz de um partido político que não somos e nunca pretendemos ser, nem como representante de um grupo de pressão da extrema-direita que alguns mal intencionados, fantasiosa e fraudulentamente, pretendem ver em nós. Mas, em toda a sinceridade - e no conhecimento dos prejuízos que, na nossa terra, tais posições nos costumam acarretar - apenas, a título exclusivamente pessoal, como cidadãos conscientes, como estudiosos da cousa política, como homens impregnados de fervor patriótico, como pessoas que afeiçoaram a sua vida à luz de um ideal superior de Serviço Nacional, como portugueses respeitadores das instituições e seguidores de Marcello Caetano, como membros de uma Comunidade que ambicionamos Maior, Melhor, mais Justa e mais Unida."
(Excerto de III - Reflexões de ordem política... - Não somos um partido)
Índice:
I - Enquadramento. II - Comissão Ultramarina? III - Reflexões de ordem política. A conquista da Paz: a Rectaguarda. IV - Reflexões de ordem política. A conquista da Paz: a Frente. V - Reflexões de ordem política. O desenvolvimento. VI - Reflexões de ordem política. A integração nacional. VII - Reflexões de ordem política. A próxima revisão da Constituição. VIII - A concluir.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
15€

29 dezembro, 2024

WARING, Ronald -
THE WAR IN ANGOLA. Lisbon : Agência Geral do Ultramar, [1962]. In-8.º (20x14,5 cm) de  69, [3] p. : il. ; B.
1.ª edição.
Relato dos acontecimentos em Angola reportando ao primeiro ano de Guerra Colonial, da surpresa e espanto geral pelos ataques no norte até à preparação, envio de tropas e sua disposição e controle no terreno. Waring não se limita à descrição das atrocidades cometidas pelos elementos da UPA e da resposta portuguesa; traça o panorama económico e social da Colónia na época, incluindo a escola, saúde, etc.
Obra com interesse histórico, não teve tradução para português. Ilustrada com inúmeras fotografias no texto, muitas delas impublicáveis porque chocantes.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"On 14th March, Angola was at peace with itself.
Europeans and Africans went about their business as usual and scoffed at those who said that trouble in the Congo would spread South. There was certainly no sign of unrest among the African population. In fact things were so quiet that there were only 2,000 white soldiers and 700 policemen (half of whom were Africans) in the whole Country, a country incidentally as large as Spain, Portugal, France and Germany put together.
Portugal's policy of slow integration seemed to be working well, and everyone was condident that they were building a Luso-African society similar to that achieved in Brasil.
They went to bed with easy minds March 14.
The long knives struck at dawn!
Along a 250 mile stretch in Northern Angola, hordes of terrorists swooped on Europeans and on all the Africans who refused to join with them. In a fantastic orgy of blood they butchered, burned and tortured to death more than 1,300 Europeans and ten times that number of Africans.
The terrorists had the adavantage of surprise and a well laid plain. Their targets were isolated farms where European settlers and their native workers, armed only with a few sporting rifles and shot guns, were no match for the bands of screaming terrorists brandishing two foot long machetes and muzzle-loading guns.
The wave of slaughter lasted for three weeks, during which time many thousands of African joined the terrorists, either in the hope of a rich harvest of plunder, of for fear of the consequences if they refuse. The remaining Europeans and those Africans who remained loyal, found themselves barricaded inside the small towns and villages in Northern Angola.
They had to face constant dawn attacks by terrorits bands whose war cries were «U. P. A.» (Union des Peuples d'Angola), «Lumumba», and «Mazza».
«Mazza» simply means «water», and the terrorists believed that their witch doctor's magic would turn the withe man's bullets to water.
In Portugal the first shock of the news was followed by a hasty mobilisation of troops. The Portuguese army, as a N. A. T. O. ally, was equipped for war in Europe, but not for a war in Africa 5,000 miles away."
(Excerto do Cap. I)
Ronald Waring. "Oficial do exército britânico, serviu no King's Royal Rifle Corps e durante a Segunda Guerra Mundial no Royal Hampshire Regiment; entre 1956 e 1974 leccionou no Instituto de Altos Estudos Militares (IAEM-Pedrouços), após o que regressou a Londres com o posto de coronel, agraciado com o título nobiliárquico de Duque de Valderano."
(Fonte: https://ultramar.terraweb.biz/06livros_RonaldWaring.htm)
Exemplar em brochura, bem conservado. Com alguns (poucos) subinhados.
Raro.
35€

24 dezembro, 2024

SANTOS, Corte-Real -
AGONIA E MORTE A 13,43 GRAUS DE LATITUDE SUL.
2.ª edição : 3.º, 4.º e 5.º milhares. Sá da Bandeira - Angola, [Edição do Autor]. Distribuidores: Publicações Imbondeiro, [1964?]. In-8.º (21,5x14,5 cm) de 86, [2] p. ; mto il. ; B.
Capa de Alfredo de Freitas.
Reportagem da tragédia que vitimou dois pilotos em Angola no início dos anos 60 do século passado. O misterioso desaparecimento da aeronave emocionou e prendeu a atenção da população de ex-colónia portuguesa durante longos e penosos meses.
Obra com larga divulgação em Angola na época, ainda assim não se encontra representada no acervo da BNP.
Ilustrada com fotografias a p.b. no texto de mapas, da aeronave acidentada e dos malogrados pilotos, algumas impublicáveis pela crueza das mesmas.
"Aparece este livro para corresponder ao desejo manifestado de muitas das pessoas que se apaixonaram, condoídas, pela aventura extraordinàriamente emocionante dos aviadores civis Carlos da Costa Fernandes e Acácio Lopes da Costa, os quais em 18 de Março de 1963, a bordo da avioneta «Piper Colt», do Aero Clube do Lobito, empreenderam uma viagem de que infelizmente não haveriam de voltar vivos.
O triste caso, sem par na história da aviação de Angola, consternou vivamente a população da Província e a partir de então se manteve em intrigante mistério, apesar de intensivas buscas por ar, mar e terra efectuadas por dezenas de pessoas durante largas e arreliantes semanas.
Quando parecia que a tragédia havia terminado com a convicção de que a avioneta «Piper Colt» se afundara no mar com os seus dois ocupantes, surgiu inesperadamente, em 29 de Junho, - 103 dias passados! - a notícia de que o aparelho fora encontrado a mais de 50 quilómetros ao sul de Benguela, num local deserto denominado Dulombuluco, Piqui, não muito longe da praia da Binga. A informação, chegada a Benguela na tarde desse dia, acrescentava que os dois aviadores estavam mortos e os seus corpos já em meia decomposição.
Este epílogo trágico do caso consternou profundamente a população angolana, que leu sofregamente os relatos dos jornais - logo esgotados - e ouviu, magnetizada, o noticiário das emissoras. Todos esses relatos se dispersaram naturalmente e muita gente ficou insuficientemente informada.
Este facto tornou patente a necessidade dum livro em que se registasse o acontecimento por ordem cronológica, se desvendassem antecedentes que pareceram esclarecedores e, sobretudo, se dessem a conhecer os famosos «diários» deixados pelos desventurados aviadores."
(Excerto da Introdução)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
20€

30 novembro, 2024

FERRAZ, Guilherme Ivens -
DO CHINDE A CHILOMO.
Por... Vice-Almirante R. Separata do Arquivo de Anatomia e Antropologia : Vol. XXVI, 1949. Lisboa, Arquivo de Anatomia e Antropologia, 1949. In-4.º (25,5x17,5 cm)  de 20 p. (529-548 p.) ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Narrativa da viagem empreendida pelo autor e seus companheiros em missão geográfica por Moçambique. Mas o assunto principal do livro é o "Crocodilo": depois de um trágico incidente com um destes animais, Ivens Ferraz dedica-lhe a quase totalidade dos seus apontamentos; no final dá conta de alguns episódios insólitos de caça passados na selva africana.
Memórias antes publicadas no Boletim da Pesca, Lisboa, n.º 21, Dez., 1948. A BNP não menciona o presente.
Livro ilustrado com fotogravuras, e desenhos da anatomia do réptil e do "incidente", sendo este em página inteira.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do Almirante, na capa, datada de 22/III/1949, a José de Campos e Sousa.
"No ano de 1899 foi o autor deste artigo nomeado delegado do Governo Português, para proceder à definição e estabelecimento de uma linha provisória de fronteira luso-britânica, nos territórios de Ruo, Milange, Chirua, Niassa e Angónia. Foram nossos companheiros de trabalho nesta missão, o tenente do Exército Colonial João de Freitas Branco e o 2.º tenente da Armada Conde da Ponte, ambos já falecidos.
Partimos do Chinde no dia 19 de Junho a bordo da lancha-canhoneira Cherim e subimos o rio do mesmo nome, o qual serpenteia entre alagadiças margens de mangal, ou vestidas de capim e raquítico arvoredo, até à sua confluência com o Zambeze, a cujo delta pertence.
Ia a lancha singrando cautelosamente, conforme a regra infalível em todos os rios, de fugir das pontas e encostar às curvas, e à noitinha fundeámos no Sombo, a meio do rio, para meter lenha na manhã imediata e largar depois com destino a Chilomo, onde tencionávamos contratar carregadores para a nossa expedição.
Jantámos no espardeque, tendo ocasião de admirar o desembaraço do pequeno moleque Vicente, que servia à mesa com todas as regras e etiquetas do mais requintado serviço europeu.
À alvorada encostámos à margem para facilitar a faina da lenha e, ao içar a bandeira às oito horas, recebemos a visita do Sr. Paiva de Andrade, arrendatário do prazo Luabo.
Não demorámos em ir a terra retribuir essa visita, na companhia do comandante da lancha, que era o 1.º tenente Magalhães Ramalho, também já falecido. Poucos passos tínhamos caminhado, quando Ramalho, dando pelo esquecimento do relógio, chamou para bordo: «Ó Vicente, Vicente! Traz o meu relógio!»
O criadito, vivo como azougue, vai à câmara, daí corre ao portaló e entra na prancha para saltar em terra e entregar o relógio ao patrão. Por fatalidade, desiquilibra-se e cai ao rio!
Uma gritaria alucinante levantada pela tripulação, ecoa nas margens, perdendo-se logo num lúgubre silêncio!
Virámo-nos surpreendidos e ainda tivemos tempo de ver, como num pesadelo, a cabeça de um enorme crocodilo, com o franzino corpo do Vicente atravessado na boca medonha!"
(Excerto de I - Prólogo)
Índice:
I - Prólogo. II . O Crocodilo Africano. III - Chilomo.
Guilherme Ivens Ferraz (1865-1956). "Vice Almirante da Real Marinha de Guerra Portuguesa.Entre os muitos e importantes cargos que ocupou, destacam-se o de  governador da Companhia de Pesca das Pérolas do Bazaruto em Moçambique em 1892; participou nas campanhas de África de 1891 a 1895; comandante da Esquadrilha de Lourenço Marques em Moçambique e ainda dos seguintes navios "Sabre", "Auxiliar", "Bérrio", "Tejo", "Bengo" ; secretário do Conselheiro Régio António Enes em Moçambique entre 1894 e 1895; capitão do Porto de Lourenço Marques de 1895 a 1899; presidente da Câmara Municipal de Lourenço Marques; nomeado oficial às ordens do Rei D. Carlos I; nomeado comissário do Governo Português na delimitação de fronteiras anglo-portuguesas na África Central."
(Fonte: in Memorias do Reino de Portugal, FB, 18 de janeiro de 2021)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Vinco ao centro, na vertical. Cadernos soltos.
Raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
35€

14 julho, 2024

MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA : Orientação - Primeiros Socorros - Escola de Aplicação Militar de Moçambique - REGIÃO MILITAR DE MOÇAMBIQUE. [S.l.], QG da Reg. Militar de Moçambique - imp. na Empresa Moderna, Lourenço Marques, [196-]. In-8.º (13,5x16cm) de [26] p. ; il. ; + Album [5], [17] f. il. ; B.
1.ª edição.
Manual de sobrevivência no mato, publicado em Lourenço Marques, durante a Guerra do Colonial.Inclui em complemento um álbum ilustrado em folhas desdobráveis, das plantas comestíveis, os frutos selvagens e as plantas venenosas, todas devidamente desenhadas e descritas para melhor identificação pelos soldados.
Raro e muito interessante.
"Soldado!
Se. no decorrer do cumprimento do teu dever, ficares isolado, desconhecendo o ambiente que te rodeia, não te deixes enfrentar pelo medo!
Olha que a precipitação desgasta e a impaciência prejudica as precauções que urge tomar.
Descansa e recomeça a raciocinar com calma!
Os perigos que deves evitar, só serão apercebidos se olhares as realidades com serenidade.
Lembra-te
Que a situação é passageira, e que o "mato" onde te encontras, pode dar-te tudo que necessitas para sobreviver.
Recorda os conselhos que este pequeno livro te fornece e assim conseguirás voltar para junto dos teus camaradas, com a satisfação de teres cumprido mais uma missão e salvo uma vida - a tua própria vida."
(Introdução)
Índice:
SOBREVIVÊNCIA - I. Obtenção do fogo: 1 - Com lente. 2 - Com silez e aço. 3 - Por fricção sobre madeira: a) Com arco e estaca. b) Com correia ou corda. c) Friccionando uma madeira macia... II. Construção de fogueiras. III. Tratamento dos alimentos pelo fogo. IV. Obtenção de alimentos: 1 - Pesca: À linha. b) Com arpão. c) Com camaroeiros. d) Outros processos. e) Obtenção de moluscos e crustáceos. 2 - Caça. 3 - Vegetais. V. Procura de água. VI. Tratamento de água: 1 - Filtragem. 2 - Fervura. 3 - Processos químicos. VII. Equipamento: 1 - Talheres, pratos e utensílios de cozinha. 2 - Anzois. 3 - Linhas. 4 - Arpões. 5 - Camaroeiros.
ORIENTAÇÃO - I. Pelos astros: 1 - Pelo Sol: a) Com o auxílio de um relógio. b) Utilizando uma vara. 2 - Pelo Cruzeiro do Sul. 3 Pela Lua. II. Pela bússula. III. Por indícios e informações.
PRIMEIROS SOCORROS - 1 - Cobras, escorpiões e insectos. 2 - Sol e calor. 3 - Golpe de calor (esgotamento pelo calor). 4 - Insolação (golpe de sol). 5 - Olhos. 6 - Paludismo (malária). 7 - Alimentos. 8 - Dentes. 9 - Bolhas. 10 - Ferimentos. 11 - Fracturas. 12 - Hemorragias. 13 - Calos. 14 - Recomendação.
ÁLBUM COMPLEMENTAR - Plantas comestíveis. - Frutos selvagens. - Plantas venenosas.
Encadernação em brochura com o brasão heráldico da Região Militar de Moçambique gravado a prata sobre fundo negro.
Exemplar em bom estado de conservação. Ligeiro enrugamento das folhas.
Raro.
Com interesse histórico e militar.
75€

06 julho, 2024

LOBATO, António - LIBERDADE OU EVASÃO : o mais longo cativeiro da guerra. Amadora, Erasmus, [1995]. In-4.º (24x16 cm) de 187, [3] ; [26] p. fac-sím. ; B.
1.ª edição.
História do cativeiro do autor - piloto da Força Aérea Portuguesa - detido numa prisão na Guiné Conacry, e da sua fuga (depois de três tentativas frustradas), durante a Operação Mar Verde, chefiada pelo Comandante Alpoim Calvão.
Livro ilustrado no texto com fotografias, mapas, croquis e plantas a p.b., e com fac-símiles (em Anexos) da cópia do relatório enviado secretamente para Portugal, em Abril de 1965, via Guiana Francesa, por intermédio de um mestiço de nacionalidade francesa condenado a prisão perpétua, Joseph Chambord Lambert.
Com uma carta do Marechal António de Spínola, então Governador da Guiné, um ano após a libertação.
"Em 1963, no céu português da Guiné, dois aviões da Força Aérea colidem na sequência de uma missão de ataque ao solo e após um deles ter sido atingido por projécteis inimigos.
Um dos aparelhos despenha-se em plena selva e o piloto morre; o outro, aterra de emergência numa bolanha (área mais ou menos pantanosa onde se cultiva arroz) e o piloto, depois de agredido à catanada pela população local, é capturado por guerrilheiros do PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde) e conduzido à vizinha República da Guiné Conakry (ex-Guiné Francesa). Aí, é-lhe facultado optar entre a deserção e a cadeia.
Optando pela fidelidade aos princípios do seu povo, é encarcerado na temível Maison de Force de Kindia, com o rótulo de criminoso de guerra.
Durante sete anos e meio é submetido a maus tratos, subnutrição, isolamento e contínuas ameaças de morte pelos agentes de um governo pró-soviético chefiado por um dos maiores tiranos da África Ocidental - o Presidente Ahmed Sékou Touré."
(Excerto do prólogo)
Índice:
Prólogo | I - De S. Jacinto a Bissalanca. II - A Missão e o acidente. III - Em terras de outras gentes. IV - Cela n.º 7 - sobreviver ou desistir. V - A Fuga. VI - De Bissalanca a Portugal. VII - Anexos.
António Lourenço de Sousa Lobato (n. 1938). "Nascido em 11Mar38 na aldeia minhota de Sante (freguesia de Paderne, no concelho de Melgaço): em 26Jul61, sendo 1º Sargento piloto-aviador da Força Aérea Portuguesa, chega à Guiné e fica colocado no AB2-Bissalanca; na manhã de 22Mai63, quando em missão operacional sobre a região litoral centro-oeste da Guiné, após forçada aterragem no mato, é capturado pelo PAIGC e mantido cativo na República da Guiné-Conackry, vindo a ser em 22Nov70 resgatado - com outros 25 portugueses - no decurso da Operação Mar Verde, após o que regressa a Portugal; actualmente Major da Força Aérea Portuguesa, na situação de reforma."
(Fonte: http://ultramar.terraweb.biz/06livros_AntonioLobato.htm)

Exemplar brochado em bom estado de conservação. Apresenta páginas sublinhadas a lápis ao longo do livro.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

05 julho, 2024

NORMAS GERAIS PARA A MANUTENÇÃO E UTILIZAÇÃO DE CÃES MILITARES -
Ministério do Exército : Direcção do Serviço de Saúde
. [Lisboa], SPEME, 1965. In-8.º (18x12,5 cm) de 23, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Manual militar para utilização do cão em condições extremas nas ex-Províncias Ultramarinas, durante a guerra colonial.
Informação dos Serviços do Exército, de acesso reservado.
Obra rara. A BNP não menciona.
"A importância e diversidade das missões que podem ser confiadas aos cães militares em serviço no Ultramar e o desconhecimento generalizado, por parte das tropas, das normas principais da sua utilização, justificam a necessidade da divulgação dum folheto.
Não é do âmbito deste folheto falar em pormenores do treino, que dizem respeito aos Centros Cinotécnicos, interessando principalmente focar os aspectos da manutenção e utilização."
(Introdução)
"Em todas as missões, quer defensivas ou de segurança, quer ofensivas, a presença dos cães representa um elemento de apoio moral para o pessoal.
É susceptível de reforçar o moral e contribuir consideràvelmente para o bom êxito de certas missões.
Na prática o cão age como um «radar vivo», especializado segundo a orientação do treino.
Ele manifesta por vezes reacções extremamente discretas mas que necessitam ser registadas e interpretadas. Em todas as missões trata-se sempre de um trabalho de detecção baseado nos seus sentidos extraordinàriamente desenvolvidos.
O seu emprego é limitado pelo meio geográfico (natureza do terreno, clima) e as condições tácticas. Daí a necessidade de fazer do seu utilizador um especialista que deve saber interpretar as suas indicações."
(Excerto de Utilização: - Princípios gerais)
Índice:
Normas gerais para a manutenção e utilização de cães militares: - Introdução. História. Pessoal: - Missão do condutor; - Missão do comandante de secção. Material. Higiene individual. Alimentação. Alojamentos: - Higiene do canis. Utilização: - Princípios gerais.
Conselhos práticos aos condutores de cães: Utilização própriamente dita. Missões de guarda: - Guarda fixa; - Guarda em sistema de «Trolley»; - Guarda em corredor de ronda; - Guarda em liberdade. Missões de patrulhamento. Missões em pistagem.
Factores que favorecem a conservação da «pista» e consequentemente podem facilitar o trabalho do cão.
Factores que prejudicam a conservação da pista e consequentemente dificultam o trabalho do cão.
Conselhos práticos aos condutores de cães de pista.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível