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22 abril, 2025

RIBEIRO, Herlandér - RÚSSIA BOLCHEVISTA. Por...
Lisboa, Depositaria Livraria Moraes [selo], 1928. In-8.º (22x16 cm) de 134, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo sobre a Rússia de Lenin saída da Revolução de Outubro (1917), a Rússia socialista que defendia a ditadura do proletariado.
Herlander Ribeiro (Lisboa, 1886-1967). "Advogado, investigador de temas jurídico-sociais, jornalista e memorialista. Iniciou-se no jornalismo, em Lisboa, no jornal A Luta e logo em 1901 via editado o seu primeiro livro, um romance que antes fora publicado em folhetins. Em 1903, foi um dos fundadores da Associacão da Imprensa Portuguesa. É também nesse ano que parte para Coimbra a fim de cursar Direito, apresentando-se na Universidade já com um estudo jurídico-social publicado: A Vadiagem em Portugal. Terminou o curso de Direito em 1908. Em 1911 é o autor de um projecto de Reforma da Polícia de Investigação Criminal. De 1916 a 1926 exerceu em Lisboa o cargo de juiz substituto, devendo-se-lhe os projectos de um Código do Trabalho e de um Código Agrário que veio a publicar mais tarde. Viajante incansável, percorreu toda a Europa e o Norte de África e fez duas vezes a volta ao Mundo. Escreveu numerosas crónicas e alguns livros com os resultados das suas observações nessas viagens. A preocupação com as condições sociais dos menos afortunados, nomeadamente dos trabalhadores, levou-o a insistir em estudos sobre a Rússia e a China, países que visitou."
(Fonte: http://livro.dglab.gov.pt/sites/DGLB/Portugues/autores/Paginas/PesquisaAutores1.aspx?AutorId=9603)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Capas envelhecidas, algo sujas, com defeitos. Assinatura de posse na f. rosto. Com falhas de papel na lombada. Interior correcto.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
20€

05 dezembro, 2024

SOLZHENITSYN, A. - CARTA DE SOLZHENITSYN AOS GOVERNANTES SOVIÉTICOS.
Apelo-denúncia feito por um homem livre. Lisboa, Editorial Resistência, S. A. R. L., 1975. In-4.º (23x16 cm) de 38, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Carta aberta do conhecido dissidente soviético dirigida às autoridades do seu país, publicada pouco tempo após a sua expulsão.
"Tenho poucas esperanças de que os senhores se mostrem dispostos a examinar propostas não solicitadas oficialmente, embora venham de um concidadão de tipo raro. Não se encontra em posição subordinada a seu comando, não pode ser afastado de seu posto, nem demitido, nem promovido, nem premiado pelos senhores. Portanto, podem estar quase certos de que sua opinião é expressa com sinceridade, sem nenhum objectivo carreirista, o que dificilmente ouvirão, mesmo dos melhores peritos em sua burocracia.. Tenho poucas esperanças, mas tentarei dizer o que é mais importante em pouco espaço, ou seja, o que considero ser para o bem e a salvação de nosso povo, a que todos pertencemos - os senhores e eu.
Não se trata de um lapso. Desejo o bem de todos os povos e, quanto mais próximos de nós estiverem e quanto mais dependerem de nós, mais ardente é o meu desejo. Mas, acima de tudo, o que me preocupa é o destino dos povos russo e ucraniano, pois, como diz o provérbio: onde se nasceu é que se pode ser mais útil. E há uma razão mais profunda também: os incomparáveis sofrimentos e nosso povo."
(Excerto da Carta)
Alexander Issaiévich Soljenitsin (Kislovodsk, 1918 - Moscovo, 2008). "Foi um escritor, dramaturgo e historiador russo. Preso político do regime comunista soviético, as suas obras revelaram ao mundo as atrocidades cometidas nos gulags, campos de concentração de trabalhos forçados existentes na antiga União Soviética. Pela sua obra "Arquipélago de Gulag" Soljenitsine recebeu o Prémio Nobel de Literatura de 1970. Devido à censura e perseguição política sofrida na União Soviética pelo seu trabalho a respeito do esmagamento da liberdade individual pelo Estado omnipresente e totalitário, Soljenitsine foi expulso e privado da nacionalidade em 1974."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa manchada.
Invulgar.
Com interesse histórico.
10€

21 junho, 2024

SOUSA, Hortênsia Neves de -
A MINHA VIAGEM À UNIÃO SOVIÉTICA
. [S.l.], Didáctica Editora, 1973. In-8.º (20,5x15 cm) de 76, [4] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Relato da viagem que a autora - entusiasta do modo de vida e organização soviética - empreendeu à U.R.S.S. por motivos de estudo, pouco tempo após a concessão "marcelista" de viajar para aquele destino, e um ano antes da eclosão do 25 de Abril.
Livro ilustrado no texto com fotografias a p.b.
"Viajar foi sempre para mim muito agradável, mas, quando pensei que teria oportunidade de deslocar-me pelo imenso território da União Soviética, senti que iria realizar um desejo há muito sonhado. Isto justifica-se tanto pelo muito que havia lido sobre os costumes e progressos técnicos e científicos daqueles povos, como pelo facto de, até há pouco tempo, nos estar vedado o livre acesso àquelas repúblicas que ocupam um sexto do nosso planeta.
Após tantos anos de silêncio sobre esses povos de hábitos e características diferentes, chegou, por fim, o momento de ser permitido aos portugueses a possibilidade de não só estudar livremente o seu idioma como efectuar viagens de turismo ou científicas da mesma maneira como efectuam a quaisquer outras partes do mundo."
(Excerto de Preliminar)
Hortênsia Drago Neves de Sousa (1917-?)."Nasceu em Lisboa em 1917 e residiu em Almada. Em 1945, aderiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, tendo integrado a respetiva Comissão de Propaganda. Também no mesmo ano, fundou o Clube de Solidariedade Feminina. Linguista, estudou e divulgou a língua russa, tendo publicado vários trabalhos. Em 1974, fundou a Sociedade de Amizade Portugal-URSS. Em 12 de dezembro de 1976, foi eleita vereadora da Câmara Municipal de Almada. Neste mesmo ano, promoveu várias ações para organizar uma associação de apoio aos reformados em Almada que deu origem à ARPCA: Associação dos Reformados e Pensionistas do Concelho de Almada, da qual foi Presidente da direção em 1977."
(Fonte: https://apps.cm-almada.pt/arquivohistorico/details?id=99205)
Exemplar em brochura, bem conservado. Anotação e rubrica de posse na f. ante-rosto.
Invulgar.
15€

16 março, 2023

SOLJENITSINE, Alexandre - ARQUIPÉLAGO DE GULAG. Volume I [e II]. Tradução directa do russo de Francisco A. Ferreira... [I]. Tradução do francês de Leónidas Gontijo de Carvalho... [II]. Amadora, Livraria Bertrand, 1975-1977. 2 vols in-8.º (21,5 cm) de 509, [1] p. e 604, [8] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
"Arquipélago: conjunto de numerosas «ilhas» onde viviam, perfeitamente isolados do resto do mundo, os prisioneiros de um certo regime político. GULAG: palavra de origem russa que significa «Administração Geral dos Campos». Campos por onde passaram os sessenta e seis milhões - segundo o autor - de prisioneiros do regime. Arquipélago de GULAG: crónicas políticas escritas por um Prémio Nobel da Literatura e baseadas na sua própria experiência pessoal e no testemunho de outros duzentos e vinte e sete antigos detidos."
(Excerto do resumo da obra)
Livros ilustrados a p.b., no texto e em extratexto.
Alexander Soljenitsin (1908-2008). Escritor russo, mundialmente conhecido por, através da sua obra maior - Arquipélago de Gulag -, denunciar o regime soviético e a sua política de "educação" nos tristemente célebres campos de trabalhos forçados - os GULAG.
"Uma carta dirigida [por Soljenitsin] a um amigo, em que expressa as suas opiniões sobre Estaline, leva-o à prisão e é condenado a trabalhos forçados. [...] Em 1970 foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Literatura, mas receando que lhe interditassem o retorno ao país, não foi recebê-lo a Estocolmo. Pouco depois da publicação de "O Arquipélago de Gulag" em Paris, em 1974, é preso, julgado por traição e, finalmente, condenado ao exílio."
(Fonte: Wook)
Exemplares brochados em bom estado de conservação; o 1.º volume apresenta rubrica de posse na guarda anterior, e dedicatória no verso da mesma folha.
Invulgar.
45€

04 julho, 2021

NOÇÕES DO ESTADO E DO DIREITO SOVIÉTICOS
. Moscovo, Edições Progresso, 1980. In-8.º (20,5 cm) de 236, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Livro impresso na União Soviética (Moscovo) em pleno período de Guerra Fria. Publicado originalmente em 1975, vertido para português em 1980, trata-se de um testemunho jurídico de outra época - da União Soviética "pura e dura" -, cerca de década e meia antes da Perestroika dar início a uma fase de desanuviamento internacional que pôs termo a cerca de sete décadas de governo comunista.
É, pois, um contributo relevante para uma melhor compreensão e conhecimento da doutrina soviética, no que à noção de Estado, organização social e aplicação do Direito diz respeito.
"Estimado leitor!
Este livro descreve:
- o Estado Soviético - o seu surgimento, desenvolvimento e funções, o seu papel como principal instrumento de edificação do socialismo e do comunismo, as formas da estrutura estatal dos povos da União Soviética e da URSS como Estado multinacional;
- a democracia socialista, o papel dirigente do Partido Comunista no sistema político da sociedade soviética, os órgãos do poder e a administração estatal que actuam no centro e na periferia;
- o direito soviético e a legalidade socialista.
Explica:
- as mais importantes leis em vigor na URSS, em particular as leis referentes às relações de propriedade, as leis que regulam os direitos residenciais dos cidadãos, as leis sobre o trabalho, as reformas, o casamento e a família, as leis referentes ao combate à criminalidade e à ordem do julgamento de uma causa-crime em tribunal, as leis sobre a responsabilidade administrativa;
Mostra:
- como se garante a observância dos direitos e legítimos interesses dos cidadãos, como se processa na prática a protecção da vida, saúde, honra e dignidade do cidadão soviético, que papel desempenham nisso os órgão do poder e da administração estatal, os órgãos do controlo popular, a justiça, a procuradoria.
Os autores procuraram ajudar o leitor a obter uma ideia justa sobre o Estado e o direito soviéticos, assim como a legalidade socialista."
(Introdução)
Índice:
I - Estado Soviético de todo o Povo e a Democracia Socialista. II - União estatal voluntária dos povos iguais em direitos. III - Como se governa o Estado Soviético. IV - Justiça e Fiscalização Procuratória na URSS. V - O Direito Soviético e a legalidade Socialista. VI - Relações Patrimoniais, Direito de Propriedade, Obrigações. VII - Trabalho. Sistema estatal de segurança social. VIII - Fundamentos jurídicos da organização e da actividade dos Kolkhozes. IX - Matrimónio e Família. X - Legislação Penal na luta contra a criminalidade. XI - Investigação das causas penais e processos-crimes. XII -Responsabilidade Administrativa. XIII - Propostas, Requerimentos e Queixas.
Encadernação editorial inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Assinatura de posse na f. rosto.
Raro.
Sem registo na BNP, ou outras fontes bibliográficas.
Peça de colecção.
25€

28 maio, 2021

TELO, Alencastre - O MURO DA VERGONHA
. Lisboa, [Edição do Autor]. Distribuidores Gerais : Editorial Organizações, Lda., [1963]. In-8.º (20,5 cm) de 234, [2] p. ; il. : E.
1.ª edição.
Romance histórico cuja acção decorre no período que mediou entre a construção do Muro de Berlim e a época tumultuosa que se seguiu, determinando o protesto universal que viu com repulsa e indignação a atitude da liderança soviética. "Misto de ficção e realidade é bem a triste desventura de milhões de Alemães de Leste forçados a fugir para além da famigerada muralha de Berlim, vergonha de todo o mundo ocidental".
Obra duplamente invulgar: por ter tido pouca divulgação no circuito comercial livreiro, e pelo tema escolhido pelo autor (português) para tema do seu romance.
O Muro de Berlim (em alemão: Berliner Mauer) foi uma barreira física construída pela Alemanha Oriental durante a Guerra Fria, que circundava toda a Berlim Ocidental. Era parte da fronteira interna alemã. Este muro, além de dividir a cidade de Berlim ao meio, simbolizava a divisão do mundo em dois blocos ou partes: República Federal da Alemanha (RFA), que era constituído pelos países capitalistas encabeçados pelos Estados Unidos; e a República Democrática Alemã (RDA), constituído pelos países socialistas sob jugo do regime soviético. Construído na madrugada de 13 de agosto de 1961, dele faziam parte 66,5 km de gradeamento metálico, 302 torres de observação, 127 redes metálicas electrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para ferozes cães de guarda. Este muro era patrulhado por militares da Alemanha Oriental Socialista com ordens de atirar para matar (a célebre Schießbefehl ou "Ordem 101") os que tentassem escapar, o que provocou a separação de dezenas de milhares de famílias berlinenses."
(Fonte: wikipédia)
Livro ilustrado com dezenas de fotogravuras a p.b. - algumas chocantes - ao longo de 17 páginas que traduzem o desespero e a vontade de inúmeros alemães de leste em passarem para o lado ocidental.
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Desde 13 de Agosto de 1961 que os dirigentes da zona de ocupação soviética da Alemanha obliteraram completamente a parte oriental da cidade que dominam, separando-a de Berlim ocidental. A crise que arde surdamente desde há tempos em torno da antiga capital alemã acerca-se do seu ponto culminante."
(Excerto do preâmbulo - Ao leitor)
"Terminara a II Grande Guerra Mundial. Após 6 anos de batalhas e tragédias inenarráveis que enlutaram quase todos os lares, as tropas de Hitler acabaram por ser derrotadas pelos exércitos aliados. Feito o Armistício, as partilhas começaram. Berlim, a inconfundível  cidade alemã, foi partida qual bolo, em quatro partes e dividida pela França, Inglaterra, Estados Unidos e Rússia, as quais combinaram entre si a partilha daquele espólio que representa algo de sagrado para todos os alemães.
Escreveram-se tratados, e conferências sem fim foram levadas a efeito; mas uma das nações signatárias estava de má fé, e por isso, não hesitou em, pouco tempo depois, fazer um vergonhoso bloqueio à bela capital da Alemanha. [...]
A nossa história começa exactamente quando os russos principiaram a construção do muro que divide as zonas aliadas da soviética. Esse muro que continua a aumentar e a que os ocidentais, com muito acerto, designam por «Muro da Vergonha»."
(Excerto da Introdução)
Karl Gueche, ex-professor catedrático da Universidade de Berlim, era muito conhecido pela sua aversão ao Nazismo aquando do reinado de Hitler. Por isso e pelas suas qualidades pessoais, tanto na Faculdade como entre todos aqueles que, como ele, pressentiam a derrota do país, o ilustre homem disfrutava da maior estima e consideração. Não obstante, durante a guerra servira com patriotismo a sua pátria e, quando os russos ocuparam Berlim, foi nomeado, por estes, reitor do «Colégio da Juventude», no intuito bem evidente de levar a mocidade alemã, daquela zona, à sovietização e à doutrina marxista.
Nos primeiros anos tudo foi suportando em silêncio, mas a parede construída para separar as zonas foi o sinal de alerta que obrigou o professor a esclarecer a sua atitude.
Naquela manhã de 13 de Agosto de 1961, os seus dias ficaram contados."
(Excerto do Cap. I)
Encadernação em meia de pele com cantos e ferros gravados ouro na lombada. Conserva a capa de brcochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Aparado.
Muito invulgar.
Indisponível

19 janeiro, 2020

AMIS, Martin - KOBA O TERRÍVEL : o riso e os vinte milhões. Tradução de: Telma Costa. Lisboa, Teorema, 2002. In-4.º (23 cm) de 312, [4] p. ; [8] p. il. ; B.
1.ª edição.
Biografia de José Estaline, o homem forte da U. R. S. S. durante três décadas, primeiro como Secretário Geral do PC soviético, e mais tarde, como chefe de estado.
Ilustrada com fotografias a p.b., algumas delas verdadeiramente chocantes, distribuídas por 8 páginas separadas do texto.
"Koba foi uma das alcunhas de Iossif Vissarionovitch Djugashvili, filho único de uma família pobre, que, em nome do povo, chegaria ao poder de uma superpotência e o mundo conheceria como Estaline, o "homem de aço". A repressão, as prisões, as torturas, os assassinatos, os gulags, a solidão de um homem perturbado e perturbante, cuja acção devastadora talvez ainda não seja conhecida na totalidade. "Koba, o Terrível", não é um livro de um historiador, mas talvez por isso mesmo chega mais fundo a tentativa de percepção de um homem e de um tempo."
(Fonte: wook)
"Em Novembro de 1915 Lenine escreveu ao seu colega Viatcheslav Karpinski a pedir um grande favor: descobre-me (pergunta ao Stepko [N. D . Kiknadze] ou ao Mikha [M. G. Tskakaia]) o nome «Koba» (é o Iossif Dj...? esquecemo-nos). É muito importante!!! [...]
Em 1915 Lenine conhecia Estaline há dez anos. Em 1912 nomeara-o pessoalmente para o Comité Central. Nesse mesmo ano Estaline atravessou duas vezes a fronteira austríaca (clandestinamente) para visitar Lenine em Cracóvia. Lenine refere-se-lhe como «o meu magnífico georgiano». E no entanto não conseguia lembrar-se do seu nome. «É muito importante!!!», observa Lenine. E é mesmo. [...]
Quando foi anunciado o novo governo, em 1917, o nome de Estaline era o décimo quinto e último. (Recordar essa posição não era aconselhável em 1937-38). Estaline era a diligente mascote rafeira de Lenine, o seu cão piolhoso. Cinco anos depois Lenine sentiu que o cão começara a ferver de raiva. Dois anos antes, pelo que toca a Lenine, o cão nem sequer tinha nome.
Melhor será tratarmos aqui da desconcertante conversa telefónica entre Estaline e a mulher de Lenine, Krupskaia, a 22 de Dezembro de 1922, em que Estaline lhe chamou, entre outras coisas (assim corria no partido), «puta sifilítica».
O momento é importante. Nesta fase, as relações Lenine-Estaline estavam no seu nível mais baixo, após a altercação da Geórgia. Por outro lado, quatro dias antes o Comité Central confiara a Estaline a responsabilidade pela assistência médica a Lenine. Treze dias depois Lenine redigiria o seu «Testamento» («Estaline é muito mal criado» e por aí fora). Mas somente em Março, na véspera do seu derradeiro ataque, contaram a Lenine o telefonema [de Estaline com a mulher]."
(Excerto de A mancha cinzenta, os olhos amarelos ["retrato" de Estaline] - II Parte)
Índice:
I Parte - O Colapso do valor da vida humana. II Parte - Iossif, o Terrível: a via curta. III Parte - Quando nós, os mortos, acordarmos.
Martin Amis (n. 1949). "É um dos autores de língua inglesa mais importantes e controversos da atualidade. Nasceu no País de Gales e é filho do escritor Kingsley Amis. A matéria-prima dos seus romances radica no absurdo da condição pós-moderna e nos excessos do capitalismo tardio das sociedades ocidentais; e o seu inconfundível estilo é compulsivo, terrivelmente vivo. Saul Bellow, Vladimir Nabokov e James Joyce são as suas grandes referências literárias. Por seu turno, influenciou uma nova geração de romancistas, como Will Self ou Zadie Smith."
(Fonte: wook)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Esgotado.
15€

04 dezembro, 2016

SHERWOOD, M. - AS MENTIRAS IMPERIALISTAS : uma cruzada contra a Russia. Versão portuguesa de Sousa Martins e Artur Roriz. Porto, Edições Era Nova, 1930. In-8.º (19cm) de 68, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Foto da capa: Rapariga russa da seita dos Skoptsy, vitima da operação barbara da ablação dos seios.
Publicação apologista do regime soviético estalinista. Estes opúsculos são muito invulgares, dado terem sido rapidamente apreendidos e destruídos pela censura do Estado Novo.
Dedicatória autógrafa de Artur Roriz à redacção da "República".
"Por se tratar duma questão de grande oportunidade, actualmente ventilada em toda a imprensa mundial, iniciamos esta serie de edições com a versão portuguesa do opusculo de M. Sherwood «Mentiras imperialistas» (no original: - A Verdade sobre as «perseguições» religiosas na U. R. S. S.), em que o problema é posto com toda a clareza e a maior imparcialidade, destruindo fulminantemente as informações erroneas e tendenciosas que a tal respeito andam correndo mundo."
(excerto da introdução)
Matérias:
- A cruzada contra a U. R. S. S. - O que dizem os dignitarios eclesiasticos na U. R. S. S. sobre a situação da Igreja. - Os casos em que o Estado sovietico pune os ministros do culto. - Os agentes do estado-maior general polaco. - Que dizem os representantes do culto da sua actividade politica? - Porque combate a Igreja a edificação do socialismo. - O fanatismo religioso : Manejos que são tambem reprimidos pelo poder sovietico. - As leis sovieticas sobre liberdade de consciencia. - É preciso protestar contra as calunias odiosas dos que pretendem provocar nova guerra. - Anexo: Decreto do poder sovietico relativo á separação da Igreja e do Estado, e á separação da Escola e da Igreja. - Nota Final.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos; contracapa apresenta rasgo, sem perda de papel.
Raro.
A BNP tem apenas um exemplar recenseado na sua base de dados.
10€

12 abril, 2015

SUDOPLATOV, Pavel & SUDOPLATOV, Anatoli. Com Jerrold L e Leona P. Schecter - OPERAÇÕES ESPECIAIS : memórias de uma testemunha indesejada. Prefácio de Robert Conquest. Mem Martins, Publicações Europa-América, 1994. In-8º (21cm) de 540, [8] p. ; il. ; B.
1.ª edição portuguesa.
Ilustrada com fac-símiles de documentos secretos - relatórios e correspondência diversa.
Documento histórico sobre a U. R. S. S. estalinista. Interessante conjunto de entrevistas feitas a Pavel Sudoplatov durante um ano, pessoalmente e por interposta pessoa, que resultaram em 20 horas de gravações. Sudoplatov era um agente do Serviço de Informações soviético. Foi o responsável pelo assassinato de Trotsky, e teve a seu cargo durante a 2.ª Guerra Mundial toda a Informação e Contra-Informação na Alemanha e nos territórios ocupados, tendo continuado a dirigir as redes clandestinas no estrangeiro após a guerra, com o propósito de sabotar instalações americanas e da NATO. Após a morte de Estaline, foi apanhado na luta pelo poder entre Khruschov e Beria, de quem era subordinado; foi preso e acusado de conspiração e traição. A sua reclusão na "célebre" Lubyanka durou 15 anos.
"Esta é a mais sensacional, a mais devastadora e, em muitos aspectos, a mais informativa autobiografia que alguma vez emergiu do meio estalinista.
É talvez o contributo individual mais importante para a nossa informação desde o Discurso Secreto de Khrushchov.
Não é absolutamente verdadeiro que o nome de Pavel Sudoplatov fosse pouco conhecido, pelo menos pelos historiadores. O seu papel como organizador do assassinato de Trotsky já fora estabelecido, de um modo geral, há alguns anos. Porém, o conhecimento que se tinha desta operação era imperfeito e o resto da sua diversificada carreira era obscuro."
(excerto do prefácio)
"A carreira de Pavel Anatolievitch Sudoplatov no Serviço de Informações coincidiu, quase exactamente, com os trinta anos de reinado de Estaline na União Soviética. Sudoplatov trabalhou longos anos na Administração para as Operações Especiais, uma unidade de élite do Serviço de Informações soviético, tornando-se o seu director durante a guerra. Definiu o significado da palavra «especial» com sangue, veneno e terrorismo. [...]
A autobiografia de Pavel Anatolievitch Sudoplatov, contando setenta anos de manipulação e assassínio, não é um acto de contrição ou uma confissão. Ele viu-se como «um soldado em guerra» num combate justificável contra os fascistas ucranianos, Trotsky e os trotskistas, inimigos do povo, invasores germânicos, NATO e imperialistas americanos."
(excerto da introdução)
ÍNDICE:
Prefácio de Robert Conquest.
Introdução por Jerrold L. e Leona Schecter.
Evolução do Serviço de Segurança Soviético.
PRÓLOGO: Revelando um Segredo.
I - As Origens. II - Espanha: Cadinho para a Revolução e Saneamentos. III - Os Anos dos Saneamentos. IV - O Assassinato de Trotsky. V - Estaline e Hitler: Prelúdio de Guerra. VI - A Grande Guerra Patriótica: Jogos de Simulação e Guerra de Guerrilhas. VII - Espiões Atómicos. VIII - A Guerra Fria. IX - Raoul Wallenberg, LAB X e Outras Missões Especiais. X - Os Judeus: A Califórnia na Crimeia. XI - Os últimos Anos de Estaline, 1946-1953. XII - A Queda de Beria e a Minha Prisão. XIII - O Julgamento.
Apêndices:
I - Os Visitantes de Estaline em 21 e 22 de Junho de 1941. II - Documentos relativos a Espionagem Atómica., 1941-1946. III - Aspectos Técnicos do Projecto da Bomba Atómica Americana. IV - O Teste da Primeira Bomba Atómica Americana. V - Bases para o Massacre da Floresta de Katin. VI - Documentos de Reabilitação de Pavel Sudoplatov.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

08 agosto, 2012

TOLSTOI, Alexei - PEDRO O GRANDE. Versão portuguesa de Cabral do Nascimento. [Lisboa], Portugália Editora, 1965. In-8.º (21,5 cm) de 698, [6] p. ; B. Col. Os Romances Universais, XXXIII
1.ª edição.
"Pedro o Grande, reconstituição verdadeiramente épica, romance «poderoso - escreveu Marcelle Ehrhard -, estudante de vida e de cor que apresenta toda a sociedade russa nos inícios do século XVIII, boiardos, mujiques, velhos crentes, fanáticos e Alemães da Sloboda e, dominando-os a todos, a personalidades sobre-humana, a personalidade revolucionária do grande czar, antecessor dos transformadores actuais da sociedade»."
(Excerto da apresentação)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Assinatura de posse na f. rosto.
Invulgar.
Indisponível