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20 julho, 2026

FREITAS, Eugénio de Andrea da Cunha e -
A COMENDA DE SANTA MARIA DE TERROSO
. Póvoa de Varzim, [s.n. - Tip. da Livraria Povoense - Póvoa de Varzim], 1965. In-4.º (23,5x16 cm) de 11, [1] p. ; E.
1.ª edição independente.
Trabalho interessante e muito curioso, com relevância para o concelho poveiro, publicado em separata do Boletim Cultural, Póvoa de Varzim - vol. IV, n.º 1.
Ilustrado com duas estampas em página inteira:
Igreja Matriz de Terroso - Imagem de N.ª S.ª da Purificação ou das Candeias (1.ª metade do século XVI);
Igreja Matriz de Terroso - Crucifixo do século XVII.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a Jorge de Moser (1906-1971).
A Comenda de Santa Maria de Terroso, localizada no concelho da Póvoa de Varzim Terroso, foi uma antiga unidade jurisdicional e eclesiástica vinculada à Ordem de Cristo. (IA)
"A Comenda de Santa Maria de Terroso, na Ordem de Cristo, era uma das chamadas Comendas novas, criadas por El-Rei D. Manuel, em virtude da Bula do Papa Leão X, de 15 de Junho de 1517, aplicando-lhe os rendimentos de 50 igrejas do padroado real.
Não pude averiguar quais foram os seus primeiros comendadores.
O mais antigo, de que tenho conhecimento, foi Francisco de Figueiredo, Cavaleiro do Hábito de Cristo, Adail em Mazagão, a quem foi passada carta da Comenda, em 18 de junho de 1568.
Também não sei até quando a logrou, nem qual foi o seu imediato sucessor.
Em 1607, desconhecia-se quem era o Comendador, constando apenas que fora avaliada, havia então muitos anos, em 80.000 rs.
Ainda nos primeiros dois decénios do século XVII, o comendador era Lucar Giraldes, dos Giraldes de Florença, gente nobre e de grande negócio no reino e na Índia."
(Excerto do Estudo)
Eugénio Eduardo de Andrea da Cunha e Freitas ComIH (Lisboa, 1912 - Vila do Conde, 2000). "Foi um advogado, historiador e genealogista português. Era licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Ocupou cargos públicos e institucionais importantes: pertenceu ao Ministério Público no Tribunal de Lisboa, foi nomeado Administrador do Concelho de Sesimbra em 1935, posteriormente nesse ano ocupou o lugar exercendo as funções de Secretário da Câmara dos Administradores de Falências na Comarca do Porto,[3] onde permaneceu até à sua reforma, em 1982, foi Vogal da Comissão de Etnografia e História da Junta de Província do Douro Litoral de 1947 a 1980, foi o primeiro Director do Boletim da Associação Cultural "Amigos do Porto" entre 1951 e 1959, Delegado da Junta Nacional da Educação no Concelho de Vila do Conde, Presidente da Assembleia Geral da Santa Casa da Misericórdia de Azurara, e Director da estimada revista "O Tripeiro" entre 1961 e 1973. Dedicou-se a estudos históricos. Pertenceu a inúmeras e diversas instituições culturais: a Associação dos Arqueólogos Portugueses, a Sociedade Histórica da Independência de Portugal, a Academia Portuguesa da História, onde foi Académico de Mérito a partir de 1992, a Associação Cultural dos Amigos do Porto, a The American International Academy, a Academia Nacional de Belas-Artes, a Associação Portuguesa de Genealogia, a Sociedade de Estudos Medievais, a Associação Portuguesa de Ex-Libris, entre outras."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação em tela verde com com rótulo e letras a ouro na pasta anterior. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
15€

22 junho, 2026

GRAÇA, A. Santos -
A CRENÇA DO PÒVEIRO NAS "ALMAS PENADAS".
Separata da "Homenagem a Martins Sarmento". Póvoa de Varzim - Portugal, [s.n.], 1934. In-4.º (23x16 cm) de [8] p. ; B.
1.ª edição independente.
Curiosíssimo ensaio sobre as superstições das gentes poveiras.
Opúsculo com interesse regional, histórico e etnográfico.
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao "Exmo. Professor Virgilio Correia" (1844-1944), professor universitário, historiador da arte, arqueólogo e jornalista português natural do Peso da Régua.
"Nos povos da beira-mar, a superstição da aparição dos «espíritos» revela, com as suas angústias e temores, um fundo moral impressionante. Superstição arreigada em todos os povos, principalmente nos da Ibéria, não sei se a do Pòveiro se irmana com a mesma concepção doutros povos. Desta dúvida me veio o desejo de arquivar os seus aspectos locais.
Admite o Pòveiro três espécies de almas: as dos justos, que, mal se despegam do corpo, vão gozar a Bem-aventurança; as boas, mas que certas faltas em vida obrigam a penas até á remissão; e as más, que não têm lugar nem no céu nem no inferno, andando errantes entre «ares e nuvens» para todo o sempre.
São as duas últimas espécies - as «Almas Penadas»."
(Excerto do Ensaio)
António dos Santos Graça (Póvoa de Varzim, 1882-1956). "Foi um etnógrafo, jornalista e político português. Fundou o semanário "O Comércio da Póvoa de Varzim", em 1903, com Carlos de Almeida Braga, José Eduardo Pinheiro, Júlio Dias Vieira de Sousa, Leopoldino Gomes Loureiro, Bernardino Pinheiro e o Padre Afonso dos Santos Soares.
Destacou-se no estudo da cultura poveira, especialmente no que toca ao estudo das siglas poveiras, com obras como O Poveiro (1932), A Crença do Poveiro nas Almas Penadas (1933), Inscrições Tumulares por Siglas (1942) e A Epopeia dos Humildes (1952)."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta pequena falha de ppel no canto inferior direito.
Raro.
20€

16 junho, 2026

PEREIRA, A. Gomes -
TRADIÇÕES POPULARES, LINGUAGEM E TOPONYMIA DE BARCELLOS.
Por... Professor do Liceu Central do Porto. Collecção Silva Vieira. Espozende, Livraria Espozendense : Editora, 1915. In-8.º (16x11 cm) de 408 p. ; E.
1.ª edição.
Junto com:
PEREIRA, A. Gomes - TOPONIMIA DOS CONCELHOS DE TERRAS DE BOURO, POVOA DE VARZIM E VILLA DO CONDE. Por... Collecção Silva Vieira. Espozende, Livraria Espozendense : Editora, 1914. In-8.º (16x11 cm) de 40 p. ; E.
1.ª edição.
Duas obras interessantes e muito curiosas do Reverendo António Gomes Pereira - ambas póstumas, encadernadas num único tomo. A primeira, sobre a sua terra natal - Barcelos - inclui as tradições em forma poética, superstições e lendas locais. A segunda é totalmente dedicada à toponímia das castiças Terras de Bouro, e das vizinhas marítimas Póvoa de Varzim e Vila do Conde.
"Nos primeiros tempos da fundação do convento de Villar, houve alli muitos frades santos, bem ao contrario do que succedeu nos ultimos.
Um delles andava um dia tão encantado em pensamentos do ceo, que se deixou guiar pelo canto delicioso de uma ave que o foi chamando para a cerca do convento onde a esteve ouvindo durante um bom pedaço.
Mas, oh espanto! oh maravilha! O bom do nosso frade, ao voltar ao convento, nada reconheceu do que estava á roda de si, nem a casa, nem os seus irmãos.
Pelas tradições correntes no convento, veio a verificar-se que este era um frade que dalli tinha tinha saido havia trezentos annos."
(Tradições Populares... de Barcellos - Lenda do passarinho)
"Amassar pão em quinta e sexta-feira santa e mesmo no sabbado antes de tocar á alleluia é amassar o sangue de Christo e podem apparecer laivos de sangue na massa. (Tradições Populares... de Barcellos - Superstições - 1)
Não se deve fiar na semana santa, porque foi então que os judeus fiaram as cordas para prender a J. Christo. (Tradições Populares... de Barcellos - Superstições - 2)
António Gomes Pereira (1859-1913). "Nasceu na Casa de Chapre, em Midões, Barcelos, em 30 de setembro de 1859 e faleceu na referida Casa, em 6 de abril de 1913, vítima de tuberculose.
Publicou vários trabalhos sobre etnografia, folclore e toponímia das regiões de Barcelos, Esposende, Guarda, Póvoa de Varzim, Vila do Conde e Terras de Bouro, a maior parte dos quais na revista “Lusitana”. Muitos deste trabalhos foram, depois, publicados em livro, entre os quais, “Tradições Populares, Linguagem e Toponímia de Barcelos” (1915). Publicou ainda uma Selecta de Literatura (1ª edição-1908 – 2ª edição-1912), que foi muito difundida na sua época.
Fez a instrução primária na Escola do Sobreiro da freguesia de Adães. Depois de ter feito os preparatórios liceais em Braga, matriculou-se, em 1 de Outubro de 1878, no Curso Teológico, no Seminário de S. Pedro. Concluídos os estudos teológicos em 1881 e, admitido às ordens sacras, é ordenado presbítero, em 23 de Setembro de 1882, pelo arcebispo D. João Crisóstomo de Amorim Pessoa. Celebrou a primeira Missa Nova, na Igreja Paroquial de Midões, em 22 de Outubro de 1882.
Em 1889, matriculou-se no Curso Superior de Letras da Universidade de Lisboa, depois de ter sido professor no Colégio da Formiga, em Ermesinde e coadjutor do pároco de Valongo. Aqui teve oportunidade de contactar com vários intelectuais, entre os quais o Dr. José Leite de Vasconcelos, adquirindo a paixão pela etnografia e folclore. Concluídos os estudos universitários, permaneceu ainda mais quatro anos na capital, tendo sido subdirector, perfeito e professor nas Oficinas de S. José.
Abalado na sua saúde pelo excesso de trabalho, deixou Lisboa, em Junho de 1896, e regressou à sua terra natal-Midões, onde durante dois anos foi pároco.
Depois de habilitado para o efeito, ingressa, em 1898, no ensino oficial, como professor de Latim e de Português, no Liceu de Vila Real e, a partir de 1902, no Liceu D. Manuel II (actual Rodrigues de Freitas), no Porto, onde se manteve até a meio do ano lectivo de 1909/1910. É nesta cidade que elabora a maior parte das suas obras e alcança notoriedade."
(Fonte: https://www.cm-barcelos.pt/2013/12/municipio-homenageou-o-etnografo-antonio-gomes-pereira/)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a seco e a negro e ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pequena mancha de humidade marginal acompanha folhas iniciais do 1.º volume.
Muito invulgar.
Indisponível

01 junho, 2026

MANUAL DA PEREGRINAÇÃO OPERÁRIA A FÁTIMA :
3 e 4 de Outubro 1943
. [Lisboa], Edições ACP, 1943. In-8.º (15 cm) de 96 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Manual da histórica peregrinação do operariado português a Fátima, a primeira, sendo responsável máximo e presidente da Comissão Executiva da Peregrinação Abel Varzim, conhecido sacerdote, activista católico no período do Estado Novo, regime com quem, por vezes, entrou em conflito.
Inclui no interior a letra de marchas, cânticos e hinos relacionados com o evento, entre outros, a Marcha dos Desempregados.
Livro ilustrado com 5 belíssimas estampas em página inteira.
Junta-se um exemplar de O Semeador, Ano IV - N.º 4 : Domingo, 23 de Janeiro de 1949.

"A Nossa Peregrinação vai ser:
Um acto de Reparação nacional por tôda a classe operária, que tanto tem ofendido a Deus.
Uma afirmação colectiva da nossa dignidade humana e cristã.
Uma demonstração de brio e de camaradagem, dando um exemplo de aprumo e boa educação.

Para isto:
a) preparemo-nos espiritualmente com dignidade;
b) procuremos evitar palavriado inconveniente;
c) em tôdas as circunstâncias, mostremos que somos cristãos, tratando-nos uns aos outros como verdadeiros irmãos e camaradas;
d) nos percursos a pé, marcharemos ordenadamente, não como soldados, mas sem nos separarmos uns dos outros, sem procurarmos ser engraçados. A nossa romagem é santa!
e) evitemos cestos e malas de mão que dão uma ideia triste da nossa jornada; levemos antes sacos alpinos ou sacolas;
f) sigamos em tudo as instruções que nos forem dadas.

Não nos esqueçamos
de lenços de bolso;
de uma toalha para nos limparmos;
de um pouco de sabão ou sabonete;
de um pente;
de um copo, mesmo de papel;
de calçarmos sapatos cómodos, que não magoem os pés;
de um agasalho por causa do frio da noite.

As nossa intenções:
Peregrinos! Não vamos a uma romaria, nem a um passeio! Vamos fazer uma Peregrinação de sacrifício e de penitência, pedindo à Virgem Santíssima que nos alcance, para tôda a classe operária,
Paz, Pão e Trabalho
E uma vida mais digna, mais cristã e mais pura.
No caminha para Fátima
Alegria, dignidade, espírito de sacrifício e de oração.

Na terra bendita de Fátima
Fé;
Disciplina;
Confiança;
Obediência pronta.

Os actos de Peregrinação decorrerão com o brilho que a tua disciplina lhes quiser dar."

(A Nossa Peregrinação)
Índice: A Nossa Peregrinação | Programa | Desfile | Via Sacra | Procissão das Velas | Adoração nocturna | Assembleia Geral e Côro falado | Missa dialogada: - Preparação: I Parte: As Almas purificam-se; II Parte: As Almas instruem-se. / O Sacrifício: I Parte: As Almas oferecem-se a Deus. II Parte: Eucaristia - As Almas unem-se ao sacrifício de Cristo. III Parte: Comunhão - As Almas participam sacramentalmente no sacrifício de Cristo. / Conclusão. / Procissão do Adeus. | A Minha Confissão | Oração operária a Nossa Senhora de Fátima.
Abel Varzim da Cunha e Silva (Cristelo, Barcelos, 1902-1964). "Foi um sacerdote católico português. Nasceu em Cristelo (Barcelos), diocese de Braga, no seio de uma família da classe média rural, sendo filho de Adelino da Costa e Silva, proprietário, natural da freguesia de Vilar de Figos, concelho de Barcelos, e de Adelaide Rosa Varzim da Cunha e Silva, professora do ensino oficial, natural da freguesia e concelho da Póvoa de Varzim. Ingressou na escola onde sua mãe era professora, tendo concluído a “instrução primária”, com o exame da quarta classe, em julho de 1912, aos dez anos. Querendo ser sacerdote, teve de ingressar no liceu da Póvoa de Varzim, por não haver seminário menor em Braga, pois este tinha sido ocupado militarmente em 1911. Em 1916, quando terminou o liceu, esse problema estava resolvido e Abel Varzim concluiu então os estudos preparatórios. Em 1921, entrou para o Seminário Conciliar daquela cidade, onde se formou em Teologia, tendo celebrado “Missa Nova”, a 3 de julho de 1925, na Póvoa de Varzim. Correspondendo a um pedido do Bispo de Beja, D. José do Patrocínio Dias, o prelado Bracarense, D. Manuel Vieira de Matos, cede o novo sacerdote à Diocese de Beja, tendo sido colocado no Seminário Menor de Serpa como professor e prefeito, desde a sua inauguração em 21 de novembro de 1925. Ali lecionou durante cinco anos e aplicou o seu dinamismo, tendo apoiado, inclusivamente, a iniciativa da Equipa Educativa do Seminário, na fundação do agrupamento de escuteiros n.º 38 (Beato Nuno Álvares Pereira) do C.N.S. [Corpo Nacional de Scouts - atual Corpo Nacional de Escutas], do qual foi nomeado Chefe. Após esta estadia em Serpa, seguiu para a Universidade de Lovaina, na Bélgica, o que lhe rasgou novas perspetivas e abriu mais largos horizontes. Quatro anos depois, em 23 de abril de 1934, doutorava-se em Ciências Políticas e Sociais. De regresso a Portugal, redigiu, com o Padre Manuel Rocha, os Estatutos da Acção Católica Portuguesa (ACP), pugnando para que esta fosse constituída por organismos especializados, de jovens e adultos, e de agricultores, operários, universitários, etc.. Este documento, mau grado a oposição do Estado Português, foi aprovado pela Santa Sé. Esteve também na fundação da Liga Operária Católica, o Organismo Especializado da ACP, criado oficialmente em 30 de junho de 1935, e que iniciou a sua atividade em 1936, da qual foi Assistente Geral até 1948. Foi o grande impulsionador do jornal “O Trabalhador”, ao qual se dedicou depois de alma e coração. Aquando do seu regresso a Portugal, profundamente interessado pelos problemas sociais, e consciente do atraso estrutural em que o país se encontrava, acolheu como boa a solução imposta por Salazar, de um Estado Unitário Corporativo, aceitando por isso o “Estatuto do Trabalho Nacional”. Cedo, contudo, verificou que estava equivocado, e que o regime do Estado Novo não respondia aos problemas que afligiam os trabalhadores, e o comum dos portugueses. Foi deputado à Assembleia Nacional, na legislatura de 1938/1942, ficando célebre um “Aviso-Prévio” que ali apresentou em 17 de fevereiro de 1939, sobre os Sindicatos Nacionais, em que criticava certos aspetos da organização sindical corporativa, onde mencionava a ação do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência, e nomeadamente a sua ineficácia em muitos aspetos. Esta passagem pela Assembleia Nacional ficou também marcada pela intervenção que proferiu, no dia 6 de fevereiro de 1941, “manifestando a sua discordância” com os termos do Decreto-Lei n.º 31.107, que regulamentava as condições económicas do casamento dos militares em serviço. Os ataques e ameaças que, então, enfrentou afastaram-no definitivamente das ideias do Estado Novo. Começou então a conhecer os caminhos amargos da perseguição política (e não só), ao mesmo tempo que realizava com forte empenho ações de formação para trabalhadores e estudantes universitários, naquilo a que hoje chamaríamos “formação para a cidadania”."
(Fonte: Wikipédia) 
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo manchadas.
Muito raro.
Com interesse histórico e religioso.
Peça de colecção.
Indisponível

12 abril, 2026

EÇA DE QUEIROZ -
Questão de naturalidade
. Porto, Imprensa Portugueza, 1906 [aliás 19--]. In-8.º (21x14,5 cm) de [4], 20, [8] p. ; il. ; B.
Edição fotocopiada - sem data - elaborada a partir da versão original desta obra publicada em 1906.
Trata-se do "ponto final" colocado pela Câmara Municipal da Póvoa de Varzim  a propósito da polémica com Vila do Conde acerca da naturalidade de Eça de Queiroz, que para o efeito apresenta provas irrefutáveis que atestam a naturalidade poveira do grande escritor português, documentos aqui reproduzidos em fac-símile.
Opúsculo ilustrado com reprodução da lápide afixada na casa de Eça, na Póvoa, e fac-símiles de duas cartas e sobrescrito do pai de Eça de Queiroz.
"Alguns dias antes de ser inaugurado e acceite, pela Camara Municipal da Povoa de Varzim, a lapide bronze destinada a memorar o nascimento de Eça de Queiroz n'um predio d'esta localidade viu-se, com alvoroço e surpreza, a villa visinha contestar o asserto da homenagem projectada. Em projecto, todavia, estava de ha muito, a consagração iniciada por alguns conterraneos residentes no Brazil: em projecto se exhibira ha mais de um anno, em jornaes, o monumento concebido e modelado pelos irmãos Teixeira Lopes; em projecto ainda ficára anteriormente uma iniciativa municipal que os periodicos locaes annunciaram e a benemerencia dos ausente prejudicou. E não obstante, só duas semanas antes da solemnidade é que surge uma reivindicação que nem factos precisos, nem a tradição oral e escripta fundamentavam."
(Excerto de Questão de naturalidade)
Exemplar em brochura, bem conservado. Capa apresenta vinco no canto superior direito.
Invulgar.
10€

28 fevereiro, 2026

FREITAS, Eugénio de Andrea da Cunha e - ALGUNS DOCUMENTOS PARA A HISTÓRIA DA PÓVOA DE VARZIM E SEU CONCELHO
. Póvoa de Varzim, [s.n.], 1975. In-4.º (23x16 cm) de 14, [12] p. ; B.
1.ª edição independente.
Achega para a história da Póvoa de Varzim, publicada em separata do Boletim Cultural da Póvoa de Varzim, Vol. XIV - N.º 2 - 1975.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"No seu notável trabalho sobre A Vila de Rates no século XVIII, escreve o Sr. Pe. Manuel Amorim:
«Parece que o concelho estava já formado no século XIII, com juiz ordinário e tabelião público, aonde acorriam os priores de S. Simão da Junqueira a autenticar seus documentos. Observa Mons. Ferreira que nos séculos XIII e XIV era muito limitada a alçada do Juiz de Rates, pois competia ao Juiz de Faria administrar a justiça, em concelho de homens bons, aos povos do couto».
Servindo-nos da série dos Tombos do Mosteiro de S. Simão da Junqueira, de que os cinco primeiros volumes se conservam na Torre do Tombo, e os restantes no Arquivo Distrital do Porto, vamos sumariar alguns documentos medievais referentes a S. Pedro de Rates."
(Excerto do Estudo)
Eugénio Eduardo de Andrea da Cunha e Freitas ComIH (Lisboa, 1912 - Vila do Conde, 2000). "Foi um advogado, historiador e genealogista português. Era licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Ocupou cargos públicos e institucionais importantes: pertenceu ao Ministério Público no Tribunal de Lisboa, foi nomeado Administrador do Concelho de Sesimbra em 1935, posteriormente nesse ano ocupou o lugar exercendo as funções de Secretário da Câmara dos Administradores de Falências na Comarca do Porto,[3] onde permaneceu até à sua reforma, em 1982, foi Vogal da Comissão de Etnografia e História da Junta de Província do Douro Litoral de 1947 a 1980, foi o primeiro Director do Boletim da Associação Cultural "Amigos do Porto" entre 1951 e 1959, Delegado da Junta Nacional da Educação no Concelho de Vila do Conde, Presidente da Assembleia Geral da Santa Casa da Misericórdia de Azurara, e Director da estimada revista "O Tripeiro" entre 1961 e 1973. Dedicou-se a estudos históricos. Pertenceu a inúmeras e diversas instituições culturais: a Associação dos Arqueólogos Portugueses, a Sociedade Histórica da Independência de Portugal, a Academia Portuguesa da História, onde foi Académico de Mérito a partir de 1992, a Associação Cultural dos Amigos do Porto, a The American International Academy, a Academia Nacional de Belas-Artes, a Associação Portuguesa de Genealogia, a Sociedade de Estudos Medievais, a Associação Portuguesa de Ex-Libris, entre outras."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
10€

01 dezembro, 2025

COSTA, Martins da -
AS PROCISSÕES NA PÓVOA DE VARZIM
. Póvoa de Varzim, [s.n. - Imprensa Portuguesa - Porto], 1979. In-4.º (23x16 cm) de 111, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Importante subsídio para a história das manifestações de cariz religioso na Póvoa de Varzim, estudo publicado em separata do Boletim Cultura Póvoa de Varzim - Vols XVII-XVIII (1978-1979).
Ilustrado com fotogravuras a p.b. distribuídas por 14 páginas.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Dr. Angelino Gomes de Oliveira.
"Os livros de Viriato Barbosa e o facto de minha Mãe ter deixado muitos elementos sobre procissões na Póvoa, em especial no que respeita a grupos alegóricos, entusiasmaram-me a escrever este trabalho, que agora se publica." [...]
"Procissão é um cortejo religioso em que o clero e os fiéis tomam parte debaixo de forma e geralmente ordenados em alas que percorrem um certo trajecto, cantando preces ou levando em exposição a hóstia consagrada, a imagem de um ou mais Santos, ou algum relíquia digna de veneração. [...]
Nas procissões na Póvoa tomam parte a cruz paroquial,  as irmandades e confrarias, às vezes pias uniões e ordens terceiras, clero, precedendo os de menor dignidade os outros, andores, grupos alegóricos, pálio (sob o qual é conduzida a relíquia do Santo Lenho ou a hóstia consagrada, nas procissões eucarísticas), música e acompanhamento de fiéis com as promessas. [...]
É interessante acentuar que, tendo os grupos alegóricos, os «Anjinhos» nas procissões um fim catequético, a sua composição, indumentária, insígnias e a forma como fazem o «passo» no cortejo religioso, foram sempre objecto de estudos rigorosos baseados em pinturas, painéis, bíblias ilustradas, santinhos, etc., e na leitura atenta dos Evangelhos e livros sobre a Vida dos Santos, sobressaindo o Reverendo Padre José Cascão de Araújo que os imaginava, em estudo com as «armadeiras», os descrevia, desenhava vestes e insígnias e pessoalmente ia controlar às procissões se tudo se realizava conforme imaginara."
(Excerto da Introdução)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
30€

29 setembro, 2025

POVOA DO VARZIM -
XVIIº Congrés Intyernationale de Navigation : Lisbonne 1949 / XVIIth International Navigation : Lisboa 1949. [S.l.], Direcção Geral dos Serviços Hidráulicos, 1949. In-4.º (25x19 cm) de 8 p. ; mt il. ; B.
1.ª edição.
Obra de propaganda sobre a Póvoa de Varzim e o seu porto de mar, bilingue (texto em francês/inglês), publicada por ocasião do XVII Congresso Internacional de Navegação, certame realizado em Lisboa.
Bonito opúsculo impresso sobre papel couché, ilustrado com desenhos, mapas e fotografias, sendo que uma delas - vista da vila e do porto a 180º - ocupa as páginas centrais.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
15€

25 agosto, 2025

LIBERATO, Barónio -
EÇA DE QUEIRÓS POVEIRO ILUSTRE.
(Questão da sua naturalidade). Póvoa de Varzim, Tipografia Camões Editora, 1952(?). In-8.º (21x15 cm) de [2], 15, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante subsídio para a questão relacionada com as raízes natalícias de Eça de Queiroz, o grande vulto da literatura portuguesa, desígnio disputado pela vizinha Vila do Conde.
Invulgar e muito curioso. Inclui o argumentário das duas povoações que fundamenta a reclamação da natalidade do insigne escritor.
Opúsculo ilustrado em página inteira com reprodução de 4 fotografias: O ala-arriba da Póvoa-de-Varzim; Monumento a Eça de Queirós na Póvoa-de-Varzim; Casa de Eça de Queirós, na Póvoa-de-Varzim; Placa comemorativa na casa de Eça de Queirós, na Póvoa-de-Varzim.
"Vistos os Autos, em que a milenária Póvoa-de-Varzim - «Praia Ideal de Maravilhas» - por parte de categorizados poveiros, reivindica, para si, a Glória do nascimento do egrégio Eça de Queirós, Notável Figura Nacional e de larga projecção no estrangeiro, - Glória que é contestada pela sua irmã e vizinha Vila-do-Conde - «Formosa Raínha do Ave» - por parte dalguns apaixonados bairristas..."
(Excerto do Estudo)
Exemplar em brochura, fotocopiado, bem conservado.
Invulgar.
10€

23 julho, 2025

MARTINS, Guilherme d'Oliveira -
LAPIDE OLIVEIRA MARTINS.
Sessão inaugural da Lapide commemorativa do fallecimento do Conselheiro Joaquim Pedro de Oliveira Martins na frente da casa n.º 30 da Calçada dos Caetanos, da cidade de Lisboa, mandada fazer e collocar, segundo os dizeres e indicações de sua dedicada viuva D. Victoria Barbosa de Oliveira Martins. Palavras Proferidas. Auto Respectivo. Publicação feita por... Novembro de 1919. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira, 1919. In-8.º (19x12 cm) de 54, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Preito de homenagem a Joaquim Pedro de Oliveira Martins por seus colegas, amigos e familiares, por ocasião do 25.º aniversário da sua morte. No final vem listada as pessoas que compareceram à cerimónia de descerramento da Lápide comemorativa.
Com dedicatória de oferta no interior de um familiar de J. P. Oliveira Martins.
"Oliveira Martins esteve quatro annos na mina de Santa Eufemia, quatorze na direcção do Caminho de Ferro da Povoa e dois na da Regie.
Como factos comprovantes da sua dedicação para com os operarios citar-vos-ei, tiradas entre muitas, as seguintes passagens:
Era por ocasião da festa de Santa Barbara, advogada dos mineiros. O dia foi passado festivamente. O abuso das bebidas determinou nos animos um estado de excitação de que naturalmente resultou uma grande desordem, um verdadeiro combate.
Avisado Oliveira Martins, promptamente se dirigiu para o local do conflicto, confiando completamente em que ninguem lhe faria mal. [...]
Usando do seu extraordinario prestigio, conseguiu estabelecer a ordem, e tudo serenado passou toda a noute a curar os feridos, alguns de gravidade, pondo em acção as suas aptidões cirurgicas e a sua manifesta caridade. [...]
D'estas passagens relativas à estada na mina de Santa Eufemia, venho referir-vos uma outra colhida d'entre muitas e referente ao periodo durante o qual dirigiu a linha de Caminho de Ferro da Povoa.
Desempenhava o logar de chefe do movimento um empregado tam zeloso como bom chefe de familia bem numerosa.
Aprouve a Deus dar-lhe uma doença de espinha que o inutisou. Reconhecida a incurabilidade da doença, propõe Oliveira Martins que lhe continuasse a ser abonado o vencimento, proposta esta que não foi bem aceite... [...]
Relativamente ao tempo de estada na Regie, falam largamente os manipuladores, e ainda na hora presente registo ter sido A Voz do Operario o unico jornal, que por ocasião de ser inaugurada a Lapide Oliveira Martins, se occupou em artigo especial d'este grande homem."
(Excerto de Ao Leitor, por Guilherme d'Oliveira Martins)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos. Sem f. rosto.
Raro.
15€

31 maio, 2025

BARBOSA, Jorge -
TOPONÍMIA DA PÓVOA DE VARZIM -
VI. Póvoa de Varzim, [s.n.], 1994. In-4.º (23x16 cm) de 52 p. (253-304 p.) ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Separata do Boletim Cultural Póvoa de Varzim : Vol. XXI - N.ºs /1/2 - 1994.
Ilustrada ao longo do texto com 27 croquis viários.
"Nos Boletins Culturais "Póvoa de Varzim", vol. XXVII (1990) e vol. XXVIII (1991), n.º 1, publiquei uma 1.ª actualização da Toponímia da Póvoa de Varzim, a partir de Outubro de 1982 e por aqui me ficaria, como escrevi no Preâmbulo de 1990, esperando que "outros carolas se encarregarão pelos tempos fora, de ir completando este trabalho e de elaborar um actualizado ementário toponímico da nossa terra". [...]
Porém, contra o que eu esperava, a Divina Providência ainda me permitiu dar mais uma achega (será a última) como adiantamento a este estudo da nossa toponímia, registando e desenvolvendo mais 27 topónimos locais, oficializados desde 13 de Maio de 1992 a 24 de Fevereiro de 1993. É natural que por aqui fique o meu modesto contributo na actualização deste estudo."
(Excerto do Prefácio)
Jorge da Silva Barbosa (1913-2006). "Nasceu na Póvoa de Varzim a 28 de Março de 1913. Frequentou os ensinos primário e secundário (1té ao 5.º ano) na sua terra natal, e continuou (6.º e 7.º anos) no Liceu de Rodrigues de Freitas na cidade do Porto. Tirou o Curso Preparatório de Medicina (F.Q.N.) na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (ano lectivo de 1931-1932) e frequentou a Faculdade de Medicina da mesma Universidade, na qual concluiu a licenciatura, com distinção, em 1937. Apaixonado pela vida e história da sua terra natal, desde o seu tempo de estudante, e na linha seguida por seu irmão Fernando Barbosa (mais novo quatro anos), dedicou-se, nos seus momentos de lazer, à investigação, estudo e publicação de trabalhos sobre a história local, biografias de personalidades diversas e crónicas sobre temas poveiros. O Dr. Jorge Barbosa faleceu no dia 25 de Abril de 2006."
(Fonte: https://www.cm-pvarzim.pt/comunicacao/noticias/mostra-documental-recorda-poveiros-ilustres/)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
15€

12 maio, 2025

LOPES, Manuel J. Ferreira -
UM BARCELENSE NA ORIGEM DO MUSEU DA PÓVOA.
Quatro cartas do Conde de Villas Boas para António Santos Graça. Separata da «Barcellos-Revista». Barcelos, [s.n. - Composto e impresso nas Oficinas Gráficas da Companhia Editora do Minho - Barcelos], 1982. In-4.º (23,5x16,5 cm) de 11, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Correspondência do Conde de Villas Boas para Santos Graça, documentação epislolar com interesse para a história do Museu da Póvoa de Varzim, e a importante exposição aí realizada em 1936 - a 1.ª Exposição Regional de Pesca Marítima.
Ilustrado com reprodução de pequeno desenho de Villas Boas - marca de pescador - a colocar na Camisola Poveira encomendada ao amigo.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao General Salazar Braga (1925-2024).
"Do importante conjunto de documentação epistolar, integrada no espólio de Santos Graça, depositado pelos seus herdeiros no Museu Municipal de Etnografia e História da Póvoa de Varzim,  libertamos as páginas que dizem respeito e permitem evocar as relações de amizade e trabalho entre o etnógrafo poveiro e o barcelense ilustre que foi Fernando de Magalhães e Meneses, Senhor do Paço de Villas e da Torre de Airó, no termo de Barcelos.
Estes textos e o breve período de correspondência, trocada entre o Conde de Villas Boas e António dos Santos Graça (18936-1937), não nos autorizam, por certo, a aquilatar com segurança sobre a origem do relacionamento destes dois homens públicos, de ascendência familiar e social abissalmente diferenciada: madre de opostos caminhos que ambos trilharam com fidelidade e segurança.
Alguma coisa, no entanto, forte e perene, tinham em comum: a mesma paixão e provado devotamento pelo Mar. Deveria ter sido este a fonte de diálogo e aproximação entre o fidalgo e o filho de pescadores e banheiros da Póvoa de Varzim.
Os seus caminhos cruzaram-se, provavelmente, na própria actividade de índole marítima, exercida pelo Conde de Villas Boas, que foi Capitão do Porto de Vila do Conde, Chefe do Departamento Marítimo do Norte e Presidente da Casa dos Pescadores do Porto."
(Excerto de Preâmbulo)
Exemplar em brochura, bem conservado. Capa amarelecida por acção da luz
Invulgar.
10€

14 abril, 2025

FREITAS, Eugénio de Andrea da Cunha e -
A CAPELA DE S. TIAGO MAIOR, DA PÓVOA DE VARZIM : alguns documentos para a sua história
. Póvoa de Varzim, [s.n. - Composto e impresso na Empresa Industrial Gráfica do Porto, Lda - Porto], 1970. In-4.º (24x16 cm) de 21, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo publicado em separata do Boletim Cultura Póvoa de Varzim, Vol. IX - N.º 1 - 1970.
Ilustrado com três estampas em página inteira.
"Todos os historiógrafos da Póvoa, de Veiga Leal e do Padre Gesteira a Viriato Barbosa, nos dizem que na boca da Rua da Junqueira existia outrora uma pequena capela, dedicada a S. Roque e a S. Tiago Maior, instituída por Diogo Pires de S. Pedro  e por sua mulher Maria Fernandes de Faria, em 1956 - data depois certificada para 1582.
Como seria esta capelinha, creio se não sabe. O Pe. Gesteira esclarece apenas que «pelos anos de 1741 se erigiu nesta capela uma Confraria do Apóstolo S. Tiago, cuja imagem se diz apareceu na praia desta vila no princípio do Cisma de Inglaterra, e pela sua escultura se vê ser imagem de tempo mui remoto»; e acrescenta, quanto ao interesse artístico desta e das demais capelas da Póvoa, não terem elas «primor algum de arte, a sua arquitectura é a mais simples e não tem ornato algum de valor»."
(Excerto o Estudo)
Eugénio Eduardo de Andrea da Cunha e Freitas ComIH (Lisboa, 1912 - Vila do Conde, 2000). "Foi um advogado, historiador e genealogista português. Era licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Ocupou cargos públicos e institucionais importantes: pertenceu ao Ministério Público no Tribunal de Lisboa, foi nomeado Administrador do Concelho de Sesimbra em 1935, posteriormente nesse ano ocupou o lugar exercendo as funções de Secretário da Câmara dos Administradores de Falências na Comarca do Porto,[3] onde permaneceu até à sua reforma, em 1982, foi Vogal da Comissão de Etnografia e História da Junta de Província do Douro Litoral de 1947 a 1980, foi o primeiro Director do Boletim da Associação Cultural "Amigos do Porto" entre 1951 e 1959, Delegado da Junta Nacional da Educação no Concelho de Vila do Conde, Presidente da Assembleia Geral da Santa Casa da Misericórdia de Azurara, e Director da estimada revista "O Tripeiro" entre 1961 e 1973. Dedicou-se a estudos históricos. Pertenceu a inúmeras e diversas instituições culturais: a Associação dos Arqueólogos Portugueses, a Sociedade Histórica da Independência de Portugal, a Academia Portuguesa da História, onde foi Académico de Mérito a partir de 1992, a Associação Cultural dos Amigos do Porto, a The American International Academy, a Academia Nacional de Belas-Artes, a Associação Portuguesa de Genealogia, a Sociedade de Estudos Medievais, a Associação Portuguesa de Ex-Libris, entre outras."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas algo sujas.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e local.
15€

31 março, 2025

SIGLAS POVEIRAS. Catálogo da Exposição Documental e Bibliográfica
. Póvoa de Varzim, Museu Municipal de Etnografia e História da Póvoa de Varzim, 1979. In-4.º (23x16 cm) de 88, [12] p. ; ul. ; B.
1.ª edição.
Catálogo da exposição temporária sobre "siglas poveiras", organizado por ocasião da transferência do acervo do Museu para a Associação Comercial, com o intuito de ser levado a cabo obras de restauro e conservação no espaço original, sendo aproveitada a circunstância para divulgar o rico espólio povoense.
Ilustrado com fotografias a p.b. alusivas à exposição, ocupando 7 páginas inteiras.
"Entre os assuntos propostos e discutidos para se iniciar este projecto de exposições, mereceu prioridade o das marcas ou siglas poveiras. Contemplava-se desta forma uma das manifestações mais curiosas da comunidade marítima do burgo e simultaneamente haveria ocasião para se prestar homenagem a António dos Santos Graça, seu primeiro autorizado estudioso, e à própria classe piscatória que durante séculos fez destes sinais seus «brasões de família».
Signo convencional gravado num objecto e destinado a transmitir uma indicação de posse, sem deixar por vezes de estar conotado com a simbologia mítica, a marca ou sigla, é para o pescador poveiro uma espécie de emblemática genealógica com regras precisas na observância do seu uso e transmissão. Na verdade, da casa ao túmulo; dos objectos domésticos às alfaias marítimas; nos arcazes das igrejas locais onde a prática religiosa o levava e nas portas dos templos das terras onde arribava ou ia em devota romagem venerar a imagem de sua devoção; nas embarcações, em que ganhava e arriscava a vida, e até na lousa que no cemitério assinalava a campa quando seus restos  mortais adregavam aí ser recolhidos - esse sinal de figuração geométrica, inspirado no meio circundante, foi utilizado pelos varões da grei como indicativo de propriedade ou presença."
(Excerto do preâmbulo de João Marques)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta pequena mancha.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
35€

25 fevereiro, 2025

COSTA, Maria da Glória Martins da -
PARA A HISTÓRIA DAS RENDAS DE BILROS NA PÓVOA DE VARZIM
. Póvoa de Varzim, [s.n.], 1992 In-4.º (23x16 cm) de 35, [1] p. (67-201 p.) ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante subsídio histórico e etnográfico sobre as rendas de bilros, património têxtil centenário, sendo este estudo dedicado em particular à produção povoense. Publicado em separata do Boletim Cultural Póvoa de Varzim : Vol. XXIX - N.ºs 1/2 - 1992. Trata-se do 1.º volume de cinco. Ilustrado com 5 fotografias e desenhos, sendo 4 deles em página inteira.
"A renda de bilros é produzida pelo cruzamento sucessivo ou entremeado de fios têxteis, executado sobre o pique e com a ajuda de alfinetes e dos bilros. O pique é um cartão, normalmente pintado da cor açafrão para facilitar a visão por parte da rendilheira, onde se decalcou um desenho, feito por especialistas.
Em Portugal a arte da renda de bilros tem especial expressão nas zonas piscatórias do litoral, com maior relevo para Caminha, Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Árvore, Azurara, Setúbal, Lagos, e Olhão, tendo existido ainda em Silves, Sines e Sesimbra, onde esta arte é antiquíssima. Também se encontra o fabrico de rendas de bilros em Nisa, no Alentejo e Farminhão, perto de Viseu."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa da autora.
"Porquês escrever sobre as rendas de bilros na Póvoa de Varzim
A minha primeira saída do lar, pelos seis anos, foi para aprender a fazer renda de bilros numa mestrinha, a D. Ana Passó, situada na Praça do Almada, onde hoje (n.º 25) habita o Sr. Prof. Rodrigo. Aí tive um primeiro contacto com um trabalho obrigatório e, ao mesmo tempo, com crianças também a ele obrigadas, umas da minha idade  e outras um pouco mais velhas. [...]
Mas não foram estes motivos de ordem sentimental e de amor pela arte e pelo belo que me levaram a escrever este trabalho. É que houve um homem bom, saído da classe piscatória que, no Brasil, para onde emigrou, ganhou muito dinheiro, mas nunca esqueceu nem a sua Família, nem a sua gente do mar; e que, regressando a esta terra, procurou melhorar a vida dura do pescador poveiro, abrindo-lhe caminho para a utilização das "artes novas"; mas os nossos bravos homens do mar entenderam que não deviam deixar as suas "lanchas" e "batéis" e recusaram-se a aceitar a oferta. Foi então que esse homem, embora sentido mas não vencido, resolveu criar, como veremos, uma Escola de Rendilheiras para as filhas daqueles que, mais tarde, acabariam por reconhecer a oportunidade da oferta. Desta Escola saíram artesãs que, durante anos, teceram verdadeiras obras de arte e, ainda as mestras que ensinaram este trabalho, por sua vez, a outras crianças e a jovens. Esse homem foi António Francisco dos Santos Graça, o "Graça Brasileiro".
E que dizer mas mulheres e jovens, sobretudo estas, que durante anos fizeram "cantar os bilros" por todas essas ruas da Póvoa? Executavam as encomendas e, de corrida, iam levá-las a Vila do Conde, onde as trocavam por uns míseros tostões com os quais melhorariam a vida dos seus lares. Aquele e estas não poderiam ficar esquecidos, assim como todas as mestras vindas de Vila do Conde para a Póvoa onde se enraizaram e ensinaram centenas de crianças."
(Excerto da Introdução - 1. Generalidades)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Indisponível

10 dezembro, 2024

GONÇALVES, Flávio -
DUAS NOTAS VILACONDENSES
. Porto, [s.n. - Tip. Minerva - Vila do Conde], 1980. In-4.º (24,5x17,5 cm) de 18, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo icónico-religioso com interesse para a história de Vila do Conde e Póvoa de Varzim, publicado em separata do Boletim Cultural, n.º 6, do Ginásio Clube Vilacondense.
Ilustrado com 4 estampas em página inteira:
- Vila do Conde. Capela de S. Roque. Peanha do púlpito dos princípios do século XVI...;
- Vila do Conde. Capela de S. Roque. Peanha do púlpito (outro aspecto);
- Póvoa de Varzim. Museu Municipal de Etnografia e História. Pintura de Santa Clara de Assis;
- Caen (França). Museu de Belas Artes. Pintura flamenga dos princípios do século XVI, representando O Calvário, que pertenceu ao mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde.
"A capela de S. Roque, em Vila do Conde, foi levantada logo após a mortífera peste que, em 1580, assolou o nosso país. No meio de tamanha desgraça e aflição, com fé se invocaria a protecção de S. Roque - ao tempo considerada de grande eficácia contra o terrível flagelo. Passada a epidemia, à custa do povo se construiu a capela, em cujo exterior, na fachada principal, se colocou uma lápide recordando a tragédia daquele ano (para os portugueses tão dramático ainda noutros aspectos) de 1580.
Assim, causa verdadeira surpresa, dentro da dita capela, a peanha de granito do seu púlpito, esculpida num estilo que, sem sombra de dúvida, se insere nas obras que pelos começos do século XVI os artistas galegos e biscainhos executaram em várias povoações do Entre-Douro-e-Minho."
(Excerto do estudo)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
15€

22 agosto, 2024

AMORIM, Francisco Gomes de - AS DUAS FIANDEIRAS : romance de costumes populares
. Lisboa, David Corazzi - Editor: Empreza Horas Romanticas, 1881. In-8.º (16,5 cm) de 390, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Romance de costumes rurais. Trata-se de uma das mais apreciadas e invulgares obras do autor que escolheu a sua terra natal - Avelomar (A-Ver-o-Mar) - para epicentro da acção.
O presente exemplar terá pertencido ao próprio Gomes de Amorim, dado ostentar aquele que julgamos ser o seu carimbo pessoal na folha de ante-rosto, bem como correcções do texto a tinta ao longo do livro.
"Ha na formosa provincia do Minho uma freguezia rural denominada S. Thiago de Amorim, que se compõe de numerosas aldeias. Entre todas estas, avulta Avelomar, como a maior e mais bella pela sua posição. Está situada em planicie ampla, cortada por muitos riosinhos, semeada de fontes e arvoredos, que dão aos seus campos, sempre verdes e floridos, os aspecto de jardim vistosissimo.
Nada ha mais pittoresco e alegre do que essa povoação. De todos os lados se avista a fita azulada das aguas do oceano, orlando a terra, desde o sudoeste até ao norte."
(Excerto do Cap. I, Avelomar)
"N'um domingo, do anno de 1845, seriam apenas oito horas da manhã, estava já a capella de Nossa Senhora das Neves atulhada de gente. Fazia calor, e as portas achavam-se todas abertas de par em par. Sem embargo de respeito religioso, com que todos os habitantes, á excepção das beatas, se conservam sempre nas egrejas do Minho, e em Avelomar principalmente, notava-se ali não sei que vaga animação, n'aquelle dia; e todos cochichavam, mais ou menos. Como era cedo, e o padre não tinha vindo ainda para a sachristia, o sussurro da conversa ia crescendo de instante a instante. Unicamente os homens velhos fallavam pouco: todo o mulherio parecia agitado; esquecia-se completamente dos rosarios, e ficava longo tempo com as boccas colladas nos ouvidos das vizinhas; as raparigas casadas de pouco, olhavam com inquietação para os maridos; as solteiras, que não podiam córar mais, por serem naturalmente da côr das romans, mordiam os beiços de despeito, notando a impaciencia com que os rapazes olhavam para as portas.
Evidentemente, Avelomar estava commovida. A entrada de toda a população para a capella, uma hora antes da missa, era acontecimento que nunca se tinha dado desde que o mundo é mundo. Homens e mulheres haviam voltado as costas ao altar, o que era desacato estupendo; mas ninguem deu por elle. [...]
O padre Manuel entrou na sachristia e começou a revestir-se. Com a sua vinda cessou o borborinho; mas ninguem se virou para o altar; todos os olhos continuaram tenazmente a interrogar as portas.
Repentinamente, uma corrente electrica percorreu a multidão.
Duas mulheres, envoltas em grandes capas escuras, entraram pela porta da travessa. Apezar de estar tudo cheio, os homens esmagaram-se uns contra os outros, e abriu-se largo espaço, onde cabiam á vontade as recem-chegadas. Estas ajoelharam-se, com as costas para a porta, de modo que podiam ver e ser vistas de todos os lados."
(Excerto do Cap. II, Anna e Rosa Estella)
Francisco Gomes de Amorim (Avelomar, Póvoa de Varzim, 13 de agosto de 1827- Lisboa, 4 de novembro de 1891). "Poeta, jornalista e dramaturgo português, emigrou com dez anos para o Brasil, tendo sido caixeiro, em Belém do Pará. Vítima dos maus tratos de patrões portugueses, Gomes de Amorim fugiu para o sertão amazónico, onde por acaso encontrou, na cabana de uma família indígena, o poema Camões, de Almeida Garrett, episódio que dá início à sua vida de poeta, conforme relata no prefácio autobiográfico de Cantos Matutinos (1858). De volta ao Portugal, em 1844, depois de dez anos de ausência, estreita a relação de amizade que une Gomes de Amorim a Almeida Garrett, que tendo publicado o Romanceiro e Cancioneiro Geral, em 1843, irá influenciar o amigo e discípulo na valorização da cultura popular. A essa primeira influência soma-se a das Conferências Democráticas do Casino Lisbonense, em 1871, que irão desembocar no movimento nacionalista de valorização do mundo rural, enquanto repositório das raízes da Nação. É nesse contexto impregnado de amor à Pátria e de preservação das tradições populares que desponta As Duas Fiandeiras, “romance de costumes populares”, publicado por Gomes de Amorim em 1881 (embora escrito em 1866), pela prestigiosa editora de David Corazzi de Lisboa, dentro do selo “Horas Românticas”. A dedicatória da obra, evocação da paisagem amazónica, e a geografia da narrativa, a Avelomar natal, configuram as duas pátrias às quais o autor dizia pertencer. Retratados com fidelidade e verosimilhança, os tipos humanos que povoam As Duas Fiandeiras vêm ao encontro da caracterização regionalista nos quadros do realismo-naturalismo, ao mesmo tempo em que respondem pela idealização de uma ruralidade mítico-simbólica, com a qual se inicia a narrativa: “Ainda lá não chegaram os esplendores e os vícios da civilização, que ilustra e corrompe tudo (...)”.
(Fonte: Biblioteca Digital)
Encadernação coeva em meia de pele com nervuras e ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado, com falhas de pele na lombada, sobretudo nas extremidades. Miolo sólido, com ocasionais manchas de acidez.
Raro.
Indisponível