Mostrar mensagens com a etiqueta Setúbal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Setúbal. Mostrar todas as mensagens

04 julho, 2026

PIMENTEL, Alberto - MEMORIA SOBRE A HISTORIA E ADMINISTRAÇÃO DO MUNICIPIO DE SETUBAL. Por... Da Academia Real das Sciencias de Lisboa e do Instituto de Coimbra. (Publicada a expensas de Municipalidade de Setubal). Lisboa, Typ. de G. A. Gutierres da Silva, 1877. In-4.º (21x15,5 cm) de 400 p. ; [1] f. desdob. ; il. ; E.
1.ª edição.
Importante monografia do concelho de Setúbal pela pena de mestre Alberto Pimentel, obra organizada sob os auspícios da edilidade. "O livro serve como um guia histórico e geográfico fundamental para compreender o desenvolvimento da região de Setúbal. Aborda detalhadamente a Administração - evolução civil, eclesiástica e militar do concelho; Património - detalhes sobre a arquitectura local, arte e legislação antiga; Sociedade - biografias de figuras ilustres nascidas na cidade; Ambiente - registos sobre as comunicações da época, bem como a flora e a fauna regionais." (IA)
Ilustrado com quadros e tabelas no texto, e um desdobrável (21x28 cm) em separado: "Relação nominal dos professores publicos e particulares que leccionaram no concelho de Setubal no anno lectivo de 1876 a 1877, com designação do numero d'alumnos d'um e outro sexo, e edade maxima e minima".
"A camara municipal de Setubal adquiriu, a fim de tornar tão copiosa quanto possivel esta Memoria, varios documentos e noticias desde longos annos recolhidos, com louvavel patriotismo, por um escriptor tão modesto como conscencioso, o sr. Manuel Maria Portella. Os subsidios amontoados pelo sr. Portella vão espalhados por toda a obra, e por mim coordenados nos logares e disposição que me pareceram mais proprios. Aproveito esta occasião para agradecer a todos os empregados das repartições do concelho, especialmente aos da camara municipal, a boa vontade com que me prestaram todas as informações que precisei; agradeço outrosim a muitos dos cavalheiros de Setubal quanto fizeram em proveito d'este livro, obtendo noticias ou acompanhando-me em passeios de estudo durante os quarenta dias em que trabalhei n'esta Memoria, para a qual, porém, já desde 1875 me prevenia.
Setubal, agosto de 1877.
Alberto Pimentel."
(Preâmbulo)
Alberto Pimentel (Porto, 1849 - Queluz, 1925). "Nasceu no Porto a 14 de abril de 1849. Com uma obra extensa e variada, escreveu poesia, romance, teatro, biografia, obras políticas, entre outros géneros. Camilo Castelo Branco - que conheceu pessoalmente, prefaciou dois dos seus livros e é matéria de algumas das suas obras - é o seu ídolo e o seu Mestre. Morreu em Queluz no dia 19 de julho de 1925."
(Fonte: Wook)
Encadernação meia de pele com cantos e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas apresentam uma ou outra falha no revestimento. Capas envelhecidas, restauradas, com manchas e pequenos defeitos.
Raro.
75€

07 junho, 2026

BOCAGE -
OLINDA E ALZIRA
. Lisboa, Livraria Editora Guimarães & C.ª, 1915. In-8.º (18,5x12 cm) de 40 p. ; B.
Edição centenária das célebres Cartas de Olinda a Alzira.
'Romance-ensaio', invulgar e muito curioso, composto por sete epístolas.
Obra não relacionada na Biblioteca Nacional (BNP), revestida de capa belíssima, não assinada.
"O erotismo tem sido cultivado com alguma frequência na literatura portuguesa. [...]
As Cartas de Olinda a Alzira - que constituem um caso inédito na literatura portuguesa, pois são um relato das primícias sexuais de uma jovem, na primeira pessoa, como assinala Alfredo Margarido – por sua vez, são dadas à estampa nos finais do século passado com as precauções proverbiais: sem a menção da data, editor, local ou organizador.
Com o advento da República, a liberdade de expressão, grosso modo, foi uma realidade. Estavam reunidas as condições objectivas e subjectivas para a Guimarães Editores assumir a publicação de Olinda e Alzira, em 1915."
(Fonte: https://purl.pt/1276/1/erotismo.html)
"Diz-se que Cartas de Olinda e Alzira, romance epistolar em verso de Manuel Maria Barbosa du Bocage que circulou clandestinamente pelo país, é um dos primeiros manifestos feministas. Não seria de estranhar, já que este escritor pré-romântico, desaparecido há 200 anos, foi tido, no seu tempo, como personalidade escandalosa e pervertida e vítima de interdições, censura e abusos vários.
Cartas de Olinda e Alzira é a composição de que se parte para este espectáculo homónimo: proposta ética - e não de ocasião - mas, muito provavelmente, bizarra são cenas "pintadas” e, nelas, tudo o que parece, é. É mesmo! A tonalidade do espectáculo, como a do texto, é confessional e reproduz os movimentos do coração que sobem direitos "à nossa condição maravilhosamente corporal” (Montaigne). E, a título de justificação antecipada, citamos Bocage que dizia: "(...) instintos naturais se não são crime, como crime será narrar seus gozos?(...)"
(Fonte: https://www.tndm.pt/pt/eventos/detalhe.php?id=119)

"Que estranha agitação não sinto n'alma
Depois que te perdi, querida Alzira!
De meus olhos fugiu, sumiu-se o fogo,
Que a tua companhia incendiava!
Por uma vez se foi minha alegria,
Nem a mesma já sou, que outr'ora hei sido!
Minhas vistas ao céu lânguidas se erguem,
E a mim propria pergunto d'onde venha
Tão novo sentimento assoberbar-me?
Não se aquieta o coração no peito,
Não cabe n'elle, e viva chamma no intimo
Das entranhas ardente me devora
Sem que eu possa atinar a causa, a origem,
Aquelles passatempos, que na infancia
Tão do peito queria, em odio os tenho.
Das mesmas sup'rioras a presença,
Que d'antes para mim era indiff'rente,
Se me torna hoje dura, intoleravel!
Aonde, aonde irão estes impulsos
Precipitar a malfadada Olinda?
Será, querida Alzira, a tua ausencia,
Que me faz derramar tão agro pranto?
Debalde a largos passos solitaria
Vago sem norte; ignoro o que procuro;
Ah! minha cara! Os males que tolero
Expressal-os não posso, nem soffrel-os.
"

(Epistola I - Olinda a Alzira)

"Conheço de teus males a vehemencia,
Prezada Olinda! Eu propria os hei soffrido,
Quando da mesma edade que hoje contas
Próvida a natureza começava
A preencher em mim seus fins sagrados.
Marcha ella por graus em suas obras;
Precede ao fructo a flor já matizada,
Que fôra antes de flôr botão mimoso."

(Excerto de Epistola II - Alzira a Olinda)

"Quanto gratas me são as tuas lettras,
Querida Alzira! Ao coração me falas!
As tuas expressões meigas occultam
Em si virtede tal, que apenas lidas
D'ellas a alma se apossa sequiosa:
Tu és, prezada amiga, unico archivo
Aonde os meus segredos, mais occultos
Eu vou depositar: em ti encontro
O refrigerio a males, que tolero,
Sem poder conhecer a origem. [...]
Revela á tua amiga este mysterio
D'onde sinto prender o meu repouso.
Eu não exp'rimentava, o que exp'rimento:
Os meus sentidos todos alterados,
Uma viva emoção põe em desordem.
Cala-me activo fogo nas entranhas;
O coração no peito turbulento
Pula, bate com ancia estranhamente:
O sangue, pelas veias abrazado,
Parece que me queima as carnes todas:
A taes agitações languidez terna
Succede, que a meus olhos pranto arranca,
E o coração desassombrar parece
Do pezo da voraz melancholia.
Té mesmo a natureza tem mudado
A configuração, que eu d'antes tinha:
Vão-se augmentando os peitos, e tomando
Uma redonda fórma, como aquelles
Que servem de nutrir-nos lá na infancia.
D'outros signaes o corpo se matiza
Antes desconhecidos: alvos membros,
Lizos té'qui, mácula um brando pello,
Como o buço ao mancebo, é ave a pennugem.
Sobresalta-me d'homens a presença,
Elles, a quem té agora indifferente
Tenho com affouteza sempre olhado!
Ao vel-os o rubor me sobe ao rosto,
A voz me treme, e articular não posso
Sons, que emperrada a lingua não exprime.
Sinto desejos, que expressar me custa;
Amor... E como a idéa tal me arrojo?
Será talvez amor isto que eu sinto?"

(Excerto de Epistola III - Olinda a Alzira)

Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
50€

15 maio, 2026

ADÃO, Cabral -
AS FLORES DO ARROZAL. [Por].... Médico. Setúbal, Tip. Simões, 1955. In-4.° (23x16 cm) de 13, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Curioso "relatório" publicado em separata de «O Distrito de Setúbal», n.° 166, 8/IX/954, revista pelo autor.
Visita empreendida pelo autor aos arrozais do Posto Experimental do Vale do Sado, Setúbal, a convite do director do estabelecimento, Eng. Manuel Beija. Do passeio resultou este "relatório" onde o autor descreve o trabalho árduo das mondinas (ou mondadeiras) - as "flores do arrozal" - e o seu traje. Refere ainda os Cursos de Cultivo de Arroz, e as competições de destreza e rapidez na monda do cereal promovidas pelo Posto Experimental, que premeia as moças que mais se distinguem na função com valores pecuniários.
Opúsculo raro e muito interessante, com interesse histórico e etnográfico, ilustrado no texto com fotografias a p.b.
"São as as mondinas. No esmalte verde das folhas quadriculadas, engastam-se os coloridos vivos dos seus trajos como as policromias dum mosaico mourisco. São papoilas, são malvas, são hortênsias que se vão mexendo lentamente, sempre vergadas para o chão, na faina úitil de livrar a cultura, das ervas parasitas que a podem debilitar.
O trabalho das mondinas, visto de dentro, será muito natural, uma tarefa vulgar, como qualquer outro trabalho de campo. Mas visto de fora, visto com olhos de interessada análise, que espinhoso e duro é o trabalho das flores do arrozal!
Começo por dizer que me admiro como a bichagem dos charcos não lhes crava as pernas de mordeduras. Atascadas até ao joelho, com umas calças de ganga muito cingidas, mais ao serviço do pudor que da higiene, numa lama pegajosa onde saltitam rās aos milhares, onde rastejam minhocas, pequenos sáurios, pequenos ofídeos, larvas, sapos, formigões, é caso de valentia ali demorarem horas e horas, na posicão mais incómoda que o trabalho de pé conhece."
(Excerto do Relatório)
Luís Cabral Adão (Vila Flor, Bragança, 1910 - Almada, 1992). Poeta. Concluiu o curso de Medicina (1933) e especializou-se em Estomatologia (1938), lustro em que foi médico municipal de Vila Flor. Exerceu, depois, a sua especialidade em vários institutos, dispensários e sanatórios das áreas de Lisboa e Setúbal, aqui se radicando. Tem larga bibliografia no Jornal do Médico, no Jornal de Estomatologia e na Revista Portuguesa de Estomatologia. Fundador da tertúlia poética Arcádia da Fonte do Anjo (1953), a sua colaboração é, todavia, ainda mais vasta e variada em dezenas de publicações regionais de norte a sul do país, como a Gazeta do Sul, onde usou o pseudónimo Albino Eteu."
(Fonte: https://www.escritas.org/pt/luis-cabral-adao)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
25€

07 abril, 2026

CLARO, Rogério - 
DR. FRANCISCO DE PAULA BORBA : 1.º cidadão honorário de Setúbal
. Setúbal, Edição: Do autor, 1986. In-8.º (21,5x15 cm) de 83, [1] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Obra biográfica de homenagem a Francisco de Paula Borba, ilustre angrense que elegeu Setúbal como terra de adopção.
Bonita edição, totalmente impressa sobre papel couché, ilustrada com inúmeras fotografias a p.b., sendo algumas delas em página inteira.
"- Ó Moniz, está lá fora um patrício teu que te quer falar.
Carlos Ramos Moniz, obtida a licença do mestre, descansou o instrumento no banco donde se levantara e assomou à porta da sala de ensaios da banda de Caçadores 1. Corria o ano de 1898.
Fora, um jovem alto, de porte distinto, apresentou-se. Era o Francisco, o irmão do padre Borba que andara com Moniz à escola, na ilha Terceira, nascidos todos na freguesia de Biscoitos da Praia da Vitória. Com 26 anos, médico recém-formado, o Dr. Francisco de Paula Borba acabara de chegar a Setúbal, para aqui estabelecer clínica, sem outra referência senão a do patrício, músico distinto no regimento local. Ficou 15 dias aboletado em cada da mãe dele, a senhora Carolina Serralha, na Rua Nova da Conceição. Depois, seguiu o rumo da sua vida."
(Excerto do Cap. I)
Francisco de Paula Borba (Angra do Heroísmo, 1873 - Setúbal, 1934). "Foi um médico, formado em cirurgia pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa em 1898, que exerceu medicina em Setúbal, sendo médico da Misericórdia e do Montepio daquela cidade. Distinguiu-se no campo da filantropia."
(Fonte: Wikipédia)
Rogério Noel Peres Claro (Setúbal, 1921 - 2015). "Foi um professor do ensino comercial e industrial, jornalista e divulgador da história da cidade de Setúbal. Tirou o curso dos liceus no Liceu Nacional de Setúbal (atual Escola Secundária de Bocage) e licenciou-se em Filologia Românica na Universidade de Lisboa. Iniciou a sua carreira docente como professor do ensino técnico profissional em 1943, tendo sido diretor da Escola Industrial e Comercial de Estremoz (atual Escola Secundária Rainha Santa Isabel) entre 1952 e 1961 e da Escola Industrial e Comercial de Setúbal (atual Escola Secundária Sebastião da Gama) entre 1961 e 1970."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Indisponível

08 fevereiro, 2026

VASCONCELLOS, João de Carvalho e -
DE SAPAL A ARROZAL. (Estudo da vegetação na zona do Sado).
Por... Engenheiro-Agrónomo, Professor do Instituto Superior de Agronomia. Lisboa, Ministério da Economia : Secretaria de Estado do Comércio : Comissão Reguladora do Comércio de Arroz, 1960. In-4.º (24x16 cm) de 30, [6] p. ; [2] quadros desd. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo sobre a transformação de sapais na região de Setúbal em áreas de cultivo de arroz. Trabalho com interesse para a história da cultura do cereal nesta zona do país conhecida precisamente por acolher esse tipo de prática agrícola.
Inclui dois quadros estatísticos desdobráveis (Quadros de presença) em folhas separadas do texto.
"Os terrenos de sapal são geralmente terrenos de aluvião, em muitos casos alagados, constituídos por materiais os mais diversos, como lodos, nateiros, areias e detritos de toda a ordem, que as águas foram carreando até aos troços inferiores dos rios e ribeiras e que são ou foram atingidos pelas marés. [...]
Em Portugal ainda não se efectuou uma avaliação precisa da superfície total dos sapais existentes. [...]
São sobretudo importantes os sapais no vale do Sado e no Algarve.
Só no Algarve, segundo Rodolfo (1953), a sua área total aproximada anda por 10 000 hectares.
A área de sapais no vale do Sado perece ser um pouco inferior.
Veloso (1954) calcula em 5 8000 hectares a área de sapais ainda não aproveitada no concelho de Setúbal e na zona dominada pelas Obras de Hidráulica Agrícola."
(Excerto de Sapais)
Índice:
Palavras prévias | Sapais | Método de trabalho | Quadros de presença | Comparação dos resultados | Relação das plantas citadas no presente estudo | Bibliografia | Agradecimentos | Summary.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
15€

04 fevereiro, 2026

GAMA, Sebastião da -
SEBASTIÃO DA GAMA: Meu caminho é por mim fora...
[S.l.], Associação Cultural Sebastião da Gama, 2007. In-8.º (21x15 cm) de [12] p. (inc. capas) ; B.
1.ª edição.
Selecção de poesias de Sebastião da Gama, sendo uma delas inédita, precedidas por apontamento biográfico do autor.
"Sebastião da Gama - "Meu caminho é por mim fora..." recolhe um pequeno conjunto de textos de Sebastião da Gama com vista à divulgação da sua obra e da sua mensagem, aqui se incluindo um soneto até hoje nunca publicado, escrito em 1941, cujo consentimento de publicação se agradece a Joana Luísa da Gama."
(Excerto do Preâmbulo)

"Meu caminho é por mim fora,
tá chegar ao fim de mim
a encontrar-me com Deus...

Mas lá no fim
eu vou sentir-me tão outro,
tão igual
ao Senhor Deus que ali mora,
que hei-de ficar convencido
de que afinal
só Tu, Senhor, lá estás
e que eu fiquei para trás,
de cansado ou de perdido
no meu caminho comprido."

(Excerto de Itinerário)

Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
10€

12 janeiro, 2026

ROCHA, Hugo - 
O SETUBALENSE AUGUSTO DA COSTA NO JORNAL E NO LIVRO. 
Conferência feita nos Paços do Concelho de Setúbal, em 11 de Dezembro de 1955
. Setúbal, Edição dos Serviços Culturais da Câmara Municipal de Setúbal, 1956. In-4.º (24x17 cm) de 48 p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Homenagem à memória do recém-falecido jornalista sadino Augusto da Costa (1899-1954), por ocasião do início das celebrações do centenário do jornal «O Setubalense».
Obra ilustrada em separado com fotografia do busto do homenageado, peça assinada pelo escultor Joaquim Valente.
"Quando a Câmara Municipal de Setúbal me convidou a fazer uma conferência sobre Augusto da Costa e a sua obra literária, como acto inicial das solenes comemorações do primeiro centenário da Imprensa setubalense, logo aceitei o convite por estes dois motivos: 1.º) porque se me proporcionava, assim, o ensejo de prestar homenagem à memória dum camarada que muito prezei e admirei; 2.º) porque se me oferecia o ensejo de rever Setúbal, a primeira cidade, depois de Lisboa, inscrita no meu itinerário nupcial, e indelével recordação. A homenagem a Augusto da Costa aí está, no despretensioso estudo que à sua figura e ao seu labor de homem de letras - e, também, de jornalista - consagrei. [...]
Setúbal, quanto à obra do Criador, isto é: à moldura e à ambiência, continua a ser a cidade que, há muitos anos, me cativou os olhos e a alma; no concernente ao artificial, isto é: à obra da criatura, afigurou-se-me, notando-lhe este e aquele sinais de progressos, cidade com as condições bastantes para se converter numa das mais notáveis, das mais consideráveis de Portugal."
(Excerto do Antelóquio)
"A jornada que, hoje, se inicia com esta sessão e que prossegue com a exposição a inaugurar amanhã precisa, talvez, de uma explicação prévia, embora breve. Trata-se de actos entre si ligados pela afinidade dos objectivos: homenagear a Imprensa setubalense, ao cabo de um século de existência e de luta, homenageando, do mesmo passo, um setubalense que, vindo da Imprensa, particularmente se distinguia nas letras nacionais, enriquecendo e honrando, deste modo, o património intelectual da sua terra.
No decurso deste ano, completaram-se cem anos sobre o aparecimento do primeiro jornal publicado em Setúbal. O acontecimento merecia ser assinalado, não só pela comemoração em si (um século é sempre um marco significativo no evoluir de tudo o que tem história), como, até, pelo facto de, neste capítulo, se ter Setúbal antecipado à maior parte das terras do País, ao criar a sua Imprensa própria."
(Excerto do Discurso proferido pelo Presidente da CMS, Dr. Jorge Botelho Moniz...)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
15€

03 janeiro, 2026

PIMENTEL, Alberto -
VIDA MUNDANA DE UM FRADE VIRTUOSO (perfil historico do seculo XVII)
. Lisboa, Livraria de Antonio Maria Pereira, 1889. In-8.º (20x14 cm) de 161, [3] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Narrativa biográfica de Frei António das Chagas (1631-1682), também conhecido por Padre António da Fonseca, cuja vida aventurosa, salpicada de poesia e expedições amorosas, tiveram o seu epílogo em Setúbal, perto do Convento de Jesus, por um atentado a tiro, talvez por um rival aos favores de uma freira - a bela Ignez, decidindo a partir desse episódio, abandonar a carreira das armas, e outras "carreiras", e dedicar-se em exclusivo à vida monástica, onde conquistou a simpatia geral e fez escol como pregador.
"Aquelle que teve no seculo o nome de Antonio da Fonseca Soares, e na religião o de frei Antonio das Chagas, nasceu na villa da Vidigueira a 25 de junho de 1631. [...]
No Algave, Antonio da Fonseca, ainda na puericia, aprendeu a ler e escrever. Mas, attingindo idade propria para proseguir no estudo das humanidades, foi enviado a Evora, onde com somenos applicação cursou as aulas de latim e philosophia.
A sua predilecção era para a carreira das armas. Os compendios escolares enfastiavam-n'o tanto, quanto a vida do exercito lhe sorria tentadora.
Aos dezoito annos recebeu a noticia da morte do pai, e teve que recolher com a mãe e os irmãos á Vidigueira. Se hoje visitarmos esta villa do Alemtejo, pittoresca posto que solitaria, poderemos ainda fazer ideia do que seria a mocidade de Antonio da Fonseca Soares apertada n'esse estreito circulo de aventuras galantes. Deviam dar brado n'uma pequena villa de provincia os dezoito annos de tão irrequieto moço cujo animo pendia para a desenvoltura da vida militar. Demais a mais corriam nas veias das mulheres da Vidigueira globulos ricos de de sangue minhoto, pois que mestre Thomé, thesoureiro da sé de Braga, a quem a villa fôra dada para que promovesse a sua colonisação, povoara-a com gente que trouxera de Braga e de outras comarcas limitrophes. Quero dizer que as moças da Vidigueira seriam acirrantes de polpudas carnes e bellas côres, - magnifico aperitivo para uns dezoito annos aventurosos."
(Excerto de I - O capitão «Bonina»)
Índice:
I - O capitão «Bonina». II - O frade. III - O escriptor.
Encadernação meia de pele com ferros gravados a outo na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação. Com pequeno pico junto da lombada.
Muito invulgar.
Indisponível

28 outubro, 2025

ÁVILA, Artur Lobo d' e MENDES, Fernando -
A VERDADEIRA PAIXÃO DE BOCAGE.
Romance historico sobre a vida do grande poeta. O Romance Popular. Lisboa, Secção Editorial de «O Seculo», 1926. In-8.º (200x14 cm) de [6], 236, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Romance histórico sobre a vida do grande vate setubalense. Obra folhetinesca, muito curiosa, impressa a duas colunas.
"Setubal, a famigerada «Cetobriga» dos antigos, fundada por Tubal - segundo as mais remotas lendas e velhas cronicas - cento e quarenta e cinco anos depois do diluvio, e que hoje vemos convertida numa das mais belas e adiantadas cidades de Portugal, era, ao começar o ultimo quartel do seculo XVIII, uma vila importante e laboriosa, já então com incontestaveis requisitos para a concessão daquele mais elevado fôro. [...]
No ano da era de Cristo de 1773, época em que se deram os factos que vamos narrar, Setubal era um dos mais frequentados portos portugueses. O Comercio do sal, do peixe, do vinho, bem como a exportação de frutas, em especial laranjas e limões, atraíam ao Sado numerosos navios nacionais e estrangeiros, tornando prospera a população setubalense, então computada em doze mil almas. [...]
Era no principio da segunda semana da Quaresma, e passava das quatro horas da tarde, quando um tipo classico de sacerdote, em trajo de passeio - chapéu de pêlo com aba larga, colarinho romano, ampla sobrecasaca, calção e botas de cano com sua borla caída na frente - vinha atravessando o largo da igreja então conventual e hoje paroquial de S. Sebastião.
Enfiando pela rua de S. Domingos, o correcto eclesiastico foi bater á porta duma casa onde hoje se vê uma lapide com a seguinte inscrição comemorativa:
«Nesta casa nasceu o insigne poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage, a 15 de Setembro de 1765. Alguns dos seus conterraneos mandaram fazer este memoria no ano de 1864».
A criada da casa, assomando á janela de grade antiga, formada por grossos varões de ferro, exclamou:
- Ah! É vossa reverendissima, sr. D. João de Medina?
- Os teus patrões já vieram?
- Estarão a chegar... Como vossa reverendissima sabe, veem «por agua» de Lisboa á Moita; daí, aos Olhos  de Agua, e depois por Palmela até cá."
(Excerto do Prologo - I. O ninho setubalense)
Encadernação meia de pele com rótulo carmim e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura anterior.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Apresenta restauro na f. rosto, ante-rosto e 1.ª p. texto (do prefácio).
Invulgar.
30€

07 julho, 2025

CONTENTE, Firmino Camolas -
8.ª COMPANHIA DE CAÇADORES ESPECIAIS NO NORTE DE ANGOLA DE 22 DE MARÇO DE 1961 A 24 DE DEZEMBRO DE 1962.
Apontamentos para a sua história. [Por]... Soldado 495/60 de 1.º Pelotão da 8.ª C.C.E [RI 11 Setúbal]. In-8.º (21x15 cm) de 71, [1] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
História do desempenho e acções militares da 8.ª C.C.E. do Regimento Infantaria 11 de Setúbal em Angola, no início do conflito ultramarino, sendo uma das primeiras unidades a chegar à ex-província como resposta do governo da metrópole à insurreição protagonizada pelos operacionais da UPA.
Livro ilustrado no texto com inúmeras fotografias do autor e seus camaradas de armas que ilustram a passagem do Regimento por Angola.
Tiragem limitada a 500 exemplares.
"Estas linhas despretenciosas são apontamentos que relembram acções militares vividas pela 8.ª C.C.E. do Regimento Infantaria 11 de Setúbal e que eu comandava. Estes apontamentos destinam-se a realçar e lembrar as qualidades de adaptação, de zelo e de sacrifícios de toda a natureza, desprezo pela vida, lealdade e muito patriotismo demonstrados sobejamente nas 127 acções militares que a 8.ª C.C.E. teve, desde que chegou a Angola em 22 de Março de 1961.
A todos os componentes dessa Companhia, aos bravos rapazes de Setúbal, são dedicadas estas breves recordações.
A esses bravos rapazes de Setúbal, ante a forma como cada um sabia como proceder, o que lhes fortalecia o moral que sempre mantinham, e a vontade férrea de levar a bom termo as missões que lhe eram confiadas, permitindo confirmar as suas grandes qualidades, dificilmente superáveis dado o seu espírito de sacrifício e iniciativa, bom humor, adaptação rápida a esta forma de combate que nos foi imposta, e sobretudo uma grande lealdade."
(Excerto do Prefácio de Mário Jaime Calderom Cerqueira Rocha, comandante da unidade)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Etiqueta (2) na lombada; carimbo de biblioteca nas duas primeiras páginas.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

13 maio, 2025

CETÓBRIGA -
Revista de Arte, Investigação, Turismo e Actualidades do Distrito de Setúbal.
Ano I - N.º 3 - Janeiro de 1970. Director e editor: Rogério Peres Claro. Redactor principal: Carlos Monteiro. Setúbal, Composição e impressão: Tipografia Rápida - Setúbal, 1970.  In-4.º (23x16 cm) de 40 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curiosa revista de divulgação de actividades das mais variadas áreas culturais do distrito de Setúbal.
Na capa, salineiros na labuta (Sado? Alcochete? Samouco?).
Nada foi possível apurar acerca deste revista, quantos números terão sido editados e durante quanto tempo. A BNP não menciona esta publicação, apenas uma separata da mesma. No interior, em Reabertura, somos informados que os números 1 e 2 da revista saíram, respectivamente, em Janeiro e Fevereiro de 1964. Este n.º 3 foi publicado após 5 anos de interregno.
Com este nome - «Cétobriga» - a BNP refere duas revistas dos anos 20 e 30, a primeira com o subtítulo Revista quinzenal ilustrada, sendo director literário Óscar Paxeco, e a segunda Revista de cultura social e de actualidades, sendo seu responsável Miguel Rodrigues Bastos.
Ilustrada no interior com quadros estatíticos, retratos e fotografias a p.b.
"Retoma-se a publicação da revista «Cetóbriga», com a consciência de que era à Junta Distrital que isso competia. Falharam, porém, todas as tentativas de a fazer tomar a iniciativa, sem qualquer encargo pela cedência de todos os direitos. Não são os homens que de novo lhe pegam os menos atarefados deste distrito, mas querem ser com a ousadia desta publicação - nova aventura sem qualquer capital como ponto de partida - credores ao menos do reconhecimento dos que mensalmente irão receber em suas casas, por curta quantia, a informação do que for acontecendo neste Distrito de Setúbal em que vivem, trabalham e morrem, apegados a alguma coisa mais do que a simples vida vegetativa."
(Excerto de Reabertura)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

03 abril, 2025

TEXTOS E DOCUMENTOS -
Jornadas Sociais e Corporativas do Distrito de Setúbal : 40.º Aniversário do Estatuto do Trabalho Nacional. Julho de 1973. [S.l.], [s.n.], 1973. In-8.º (21 cm) de 50, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de três alocuções proferidas em Setúbal (2) e Almada (1) subordinadas ao tema do trabalho e previdência social, poucos meses antes da eclosão do 25 de Abril.
"Ouve-se frequentemente afirmar que as convenções colectivas de trabalho são uma criação espontânea da vida social. Com esta afirmação pretende-se exprimir a ideia de que elas foram uma consequência natural das realidades que se geraram no sei do sistema de relações de produção típico do capitalismo liberal. Serve também a mesma afirmação para acentuar o facto de que as convenções colectivas não ficaram a dever a sua origem à acção do Estado."
(Excerto de Origem e evolução das relações colectivas de trabalho: Alguns aspectos)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Indisponível

26 março, 2025

PIMENTEL, Alberto -
AS NETAS DO PADRE ETERNO.
Romance original. Por... Lisboa, Livraria de Antonio Maria Pereira - Editor, 1895. In-8.º (18,5x12 cm) de [4], 175, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Romance baseado em acontecimentos verídicos, cuja acção decorre em pleno Sexénio (1868-1874), período da história espanhola que tem início com o levantamento revolucionário conhecido por La Gloriosa (1868), e que passou a Portugal por força das multidões de refugiados que atravessaram a fronteira como puderam para salvar a vida, desenrolando-se a presente história no território nacional, sobretudo na zona de Setúbal.
Invulgar e muito interessante.
"Desde a primavera até ao inverno de 1873, decorre, na historia da moderna Hespanha, um periodo de rubra agitação demagogica, em que tanto a abandonada corôa da velha Monarchia de S. Fernando como o recente barrete phrygio da Republica fluctuam n'um mar de sangue, golphado do proprio coração d'esse bello paiz meridional, e sinistramente illuminado pelos reflexos coruscantes dos incendios de Alcoy, que eram o facho tristemente glorioso da insurreição cantonal.
Nação essencialmente catholica, a Hespanha viu profanados os seus templos, principamente em Barcelona, onde as mulheres, n'uma infrene orgia de bacchantes, envergavam as vestes sacerdotaes, entoando cantaraes obscenos, e derramando por sobre os altares o vinho que transbordava das taças.
Nas ruas, as allucinações da musa popular, terrivelmente revolucionaria, alternavam-se com as detonações dos fuzilamentos, e aos dithyrambos entoados á beira dos altares correspondiam, fóra dos templos, trovas sacrilegas, dissolventes, anarchicas. [...]
É certo que na alma popular da Hespanha não estavam de todo pervertidos os sentimentos cavalheirescos da raça castelhana, mas a revolução ia alastrando dia a dia o seu dominio, - em Sevilha era incendiada a calle de las Sierpes, em Cadiz punha-se em almoeda a custodia do Corpus Christi, em Malaga dois bandos rivaes porfiavam em horrores de barbarie, em Granada os desenfreamentos do vandalismo desmoronavam as instituições e os templos, como acontecia em Barcelona, em cujos campos os bosques incendiados chammejavam como enorme fornalha... [...]
Um illustre escriptor hespanhol, o sr. Vicente Barrantes, emigrando n'essa epocha para Portugal, escreveu sob o titulo de Dias sin sol, um livro interessante, em que estão consignadas as dolorosas impressões que as desgraças da Hespanha punham no coração dos seus angustiados filhos. Uma pagina d'esse livro diz:
«Com mão debil e porventura timida empunhou o tribuno Emilio Castellar as redeas da dictadura, ao tempo que a fronteira portugueza, onde eu me achava, offerecia um lancinante espectaculo. Cerrada a do norte pelos carlistas, era aquella a unica porta para escapar d'este inferno de Hespanha, e cada trem do caminho de ferro iberico parecia barcada de Acheronte, como aquellas que rangendo os dentes e blasphemando até dos paes de seus paes viu passar o grande poeta da Edade-Média pelo lodoso lago que ao inferno conduz... De Madrid, de Alcoy, de Cartagena, de Valencia, de Cadiz, de Sevilha, de Jerez chegavam por centenas familias dispersas, como quem foge de uma peste; e isto um dia e outro dia, e mezes inteiros; e récuas e caravanas de inoffensivos lavradores, de pacificos artistas, de laboriosos industriaes desembocavam simultaneamente por todas as povoações da fronteira, desde Barrancos a Setubal, desde Elvas a Lisboa, desde Zamora e Ciudad-Rodrigo ao Porto; misero formigueiro de emigrantes de todas as classes e condições, com os olhos voltados para Hespanha, mas receiando a cada hora que o horror os convertesse em estatuas, como á mulher da Biblia.»
Setubal, pela amenidade do seu clima, e pela belleza dos seus campos, hospedou uma importante colonia hespanhola, atravez da qual eu passeei algumas vezes os meus ocios de touriste. Principalmente no verão, em julho, que foi a epocha mais calamitosa da revolução, a affluencia de emigrados era numerosissima ali. E o que é verdadeiramente notavel é que os havia de todas as côres politicas, porque o perigo era egual para todos. A revolução não curava de perscutar as opiniões de cada um. Perseguia, roubava, incendiava, fuzilava indistinctamente. Já não era pequena felicidade poder fugir á morte, salvar a vida. Dos emigrados, conheci alguns ricos, poucos, e esses eram os que tinham logrado liquidar a tempo os seus haveres, antes que a santa federal se encarregasse da liquidação. D'este numero era a familia Saavedra, de Sevilha, que tem de figurar n'esta historia. Tres pessoas apenas: pae, mãe e filha."
(Excerto do Cap.I)
Alberto Pimentel (1849-1925). "Nasceu no Porto a 14 de Abril de 1849. Com uma obra extensa e variada, escreveu poesia, romance, teatro, biografia, obras políticas, entre outros géneros. Camilo Castelo Branco – que conheceu pessoalmente, lhe prefaciou dois dos seus livros e é matéria de algumas das suas obras – é o seu ídolo e o seu Mestre. Morreu em Queluz no dia 19 de Julho de 1925."
(Fonte: Wook) 
Encadernação do editor em percalina com ferros gravados a seco e a ouro e negro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas apresentam desgaste marginal. Interior correcto.
Muito invulgar.
Indisponível

19 março, 2025

MONTEIRO, Carlos -
DE SETÚBAL ÀS TERRAS DE ANGOLA.
Patrocínio do Movimento Nacional Feminino. Reportagem de... Publicado no jornal "O Distrito de Setúbal". [S.l.], [s.n. - Composto e impresso na Tipografia Rápida de Setúbal, Lda. - Setúbal], 1973. In-8.º (21x14,5 cm) de 61, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Capa de: Gertrudes Páscoa Geraldes Monteiro.
Crónicas de viagem por Angola de um setubalense por adopção.
Ilustrado com fotografia a p.b. ao longo do livro, sendo algumas em página inteira.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Dr. J. Carlos Botelho.
"Sou um Homem das «terras do Demo», designação que Mestre Aquilino Ribeiro dá às terras beiroas que me serviram de berço.
Em Coimbra, na verdura dos meus anos, desfolhei as mais perfumadas pétalas da minha vida.
Durante duas décadas, a seguir identifiquei-me com a «Planície Heróica», o Alentejo, tão decantado por Manuel Ribeiro.
Mais tarde vim para a terra de Bocage, onde me vinculei.
Sonhei sempre. Encarei a Vida. Lutei com verticalidade. Tive sonhos desfeitos. Cânticos de vitória, não faltaram. De entre tudo, tentei o Ultramar. A frustração dessa hora, que se esfuma pela mocidade, marcou-me doridamente.
Aqui, em Setúbal, a par da minha actividade de fundo que é a Escola, o jornalismo seduziu-me. Alistei-me nele. No seu quadro. Para ficar. Para servir.
Um convite atencioso do Movimento Nacional Feminino para visitar o Estado Português de Angola, veio salvar das cinzas um sonho. Vibrei. Pois. Rejuvenesci."
(Excerto de Nota de abertura)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

20 novembro, 2024

CLARO, Rogério -
O DRAMA DE BOCAGE.
Conferência proferida no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Setúbal, em 15 de Setembro de 1948. Setúbal, [s.n. - Execução gráfica da Escola Tipográfica do Orfanato Municipal de Setúbal - 1949], 1949. In-4.º (25x19 cm) de 28, [4] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Homenagem do autor a Bocage, o "poeta do Sado".
Bonita edição, impressa em papel de superior qualidade, ilustrada extra-texto com o retrato do vate setubalense.
"Na forma do ano passado, comemoramos hoje, com funda alegria, o nascimento, em Setúbal, de um dos seus filhos mais ilustres que foi também um das figuras mais destacadas das páginas literárias da Nação Portuguesa.
Este festa tem, simultâneamente, dois objectivos: o primeiro, prestar homenagem a quem foi, pelo seu génio, um grande e alto valor nacional; o segundo, unir espiritualmente em alto pensamento todos os que aqui nasceram ou aqui criaram fundas razão de amor."
(Excerto da alocução do Dr. Miguel Rodrigues Bastos, Presidente da CMS)
"Ao ler atentamente toda a obra poética de Bocage, uma pergunta imediata se formulou no meu espírito: Até que ponto foi a vida do poeta um aturdimento à angústia que o sufocava?
Poderá parecer estranho falar-se de angústia num homem que viveu tantas aventuras libertinas e que tantas vezes tem sido apresentado como um chalaceador optimista e brincalhão.
Mas o facto não pode ser negado, tal a evidência com que se nos apresenta: Bocage viveu um intenso drama e, se na literatura ocupa um lugar de acentuado relevo pela forma como soube exprimir os sentimentos vários que o agitavam, no campo da especulação filosófica a sua figura aparece-nos cheia de elevação moral."
(Excerto da Conferência)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e biográfico.
Indisponível

02 julho, 2024

O MOVIMENTO OPERÁRIO EM PORTUGAL -
Comunicações ao seminário organizado pelo Gabinete de Investigações Sociais (Maio de 1981).
Publicadas com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura. Coordenação de Maria Filomena Mónica e Maria de Fátima Patriarca. Análise Social : segunda série - Volume XVII - números 67-68-639 - 1981 - 3.º-4.º-5.º. Lisboa, Gabinete de Investigações Sociais, 1981. In-4.º (23,5x16 cm) de [2] 608 p. (471-1078 p.) ; B.
1.ª edição.
Importante contributo para a história do movimento operário português.
"Promovido e organizado pelo Gabinete de Investigações Sociais (GIS), teve ligar, nos dias 4 a 7 de Maio de 1981, em instalações da Biblioteca Nacional especialmente cedidas para o efeito, um seminário sobre o Movimento Operário em Portugal. Neste seminário - que contou com a participação regular de perto de uma centena de pessoas, dentre investigadores de História e Ciências Sociais e outros estudiosos e técnicos interessados no tema - foram apresentadas e discutidas catorze comunicações, distribuídas por quatro grande rubricas: Lutas Operárias: 1849-1934 (cinco comunicações). A Classe Operária e a Política (três comunicações) e Os Operários na Indústria Moderna (duas comunicações). Neste número duplo de Análise Social procede-se à publicação na íntegra dos textos que foram presentes ao seminário. Acrescentam-se três outros trabalhos - um de História Oral e dois representantes a Bibliografia e Fontes Documentais -, que, não tido embora podido, em virtude da própria natureza, ser apresentados no seminário, constituem contributos importantes para o estudo da temática a que o seminário se subordinou."
(Excerto de Nota prévia)
Índice:
Nota prévia | Lutas Operárias (1843-1934): José Barreto - Uma greve fabril em 1849. Maria Filomena Mónica - Poder e saber: os Vidreiros da Marinha Grande. José Manuel Tengarrinha - As greves em Portugal: uma perspectica histórica do século XVIII a 1920. José Amado Mendes - Para a história do movimento operário em Coimbra. Vasco Pulido Valente - Os conserveiros de Setúbal (1887-1901). A classe operária e a política: Fernando Piteira Santos -  A fundação de «A Voz do Operário» - do «absentismo político» à participação no «congresso possibilista» de 1889. José Pacheco Pereira - Contribuição para a história do Partido Comunista Português na I República (1921-26). João Arsénio Nunes - Sobre alguns aspectos da evolução política do Partido Comunista Português após a reorganização de 1929 (1931-33). A imprensa operária: João Medina - Um semanário anarquista durante o primeiro Governo Afonso Costa: «Terra Livre». João Freire - «A Sementeira», do arsenalista Hilário Marques. Cecília Barreira - Sindicalismo e Integralismo: o jornal «A Revolução» (1922-23). Vítor de Sá - Problemas e perspectivas num inventário da imprensa operária portuguesa. Os operários da indústria moderna: Alice Ingerson - Consciência de classe em Vila Nova de Famalicão. Marinús Pires de Lima - A evolução do trabalho operário nas indústrias de construção e reparações navais - aspectos de uma investigação em curso e alguns resultados preliminares. Fontes de história oral: Luís Salgado de Matos - Lisboa, 1920: vida sindical e condição operária. Bibliografia e fontes documentais: José Pacheco Pereira - Bibliografia sobre o movimento operário português desde a origem até 25 de abril de 1974 (livros e artigos publicados de 1974 a 1980). Maria Filomena Mónica e Luís Salgado de Matos - Inventário da imprensa operária portuguesa (1834-1934).
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico.
20€

10 junho, 2024

SETUBAL.
La célèbre région des trois châteaux (S. Philippe - Palmela - Sesimbra). [S.l.], Comissão de Iniciativa de Setubal [Tip. Reis & Correia - Setubal], [193-]. In-8.º (17x11,5 cm) de 15, [1] p. ; B.
1.ª edição.
"... et, enfin, après mes longs voyages, j'ai houvé à Setubal, justemet ao hout de l'Europe, le Paradis Terrestre!"
Curioso roteiro turístico - totalmente redigido em francês - sobre a região de Setúbal e as suas "jóias". Inclui apontamento histórico sobre cada um dos locais/monumentos.
Opúsculo raro e muito interessante. Sem qualquer referência bibliográfica, deste, ou do mesmo redigido em português. A BNP não menciona.
"Setubal existait déjà du temps de la fondation de la nacionalité portugaise. C'était alors un bourg de pêcheurs, établi sur la rive droite du fleuve Sado.
A demi ruiné et abandonné, il fut reconstruit et repeuplé par le premier roi portugais D. Affonso Henriques (1139-1185). Dans ce but, celui-ci fit venir les gens de la ville voisine de Palmela, puis, en 1149, il lui donna charte, confirmée plus tard par d'autres souverains portugais."
(Excerto de Setubal)
Índice:
Setubal | Outão [Forte de Santiago do Outão] | S. Philippe [Forte de S. Filipe] | Palmela | Sesimbra | Arrabida [Serra da Arrábida].
Exemplar em brochura, bem conservado. Capa vincada.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

31 dezembro, 2023

CLARO, Rogério -
SETÚBAL DE HÁ 100 ANOS : 1886-1887
. Setúbal, [s.n. - Tipografia Rápida de Setúbal, Lda - Setúbal], 1991. In-8.º (20,5 cm) de 158, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de crónicas publicadas ao longo de dois anos no jornal "O Setubalense".
Tiragem limitada a 300 exemplares. O presente - da tiragem de 150 exemplares numerada e assinada pelo autor - leva o n.º 3. Foram impressos mais 150 para venda pública.
"O ano de 1989, continuado no de 90, há pouco findo, foi o da desejada inflação de obras publicadas sobre Setúbal. [...] Estamos, verdadeira e felizmente, numa época de viragem num dos aspectos específicos do vasto campo da Cultura - o da Literatura - com incidência no ramo da investigação histórica. De esperar é agora que na Ficção surjam também novos valores ou novo esforço, sem falarmos da Poesia, onde sempre se tem mantido uma chama, com alguns lampejos fortes, por vezes."
(Excerto de Apresentação)
Rogério Noel Peres Claro (Setúbal, 1921 - 2015). "Foi um professor do ensino comercial e industrial, jornalista e divulgador da história da cidade de Setúbal. Tirou o curso dos liceus no Liceu Nacional de Setúbal (atual Escola Secundária de Bocage) e licenciou-se em Filologia Românica na Universidade de Lisboa. Iniciou a sua carreira docente como professor do ensino técnico profissional em 1943, tendo sido diretor da Escola Industrial e Comercial de Estremoz (atual Escola Secundária Rainha Santa Isabel) entre 1952 e 1961 e da Escola Industrial e Comercial de Setúbal (atual Escola Secundária Sebastião da Gama) entre 1961 e 1970."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
25€

02 novembro, 2023

NOGUEIRA, R. de Sá -
SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DA LINGUAGEM DAS SALINAS.
Por... (Separata de "A Língua Portuguesa", Vol IV). Lisboa, [s.n.], 1935. In-4.º (23,5 cm) de 70, [2] p. (75-144 pp.) : [8] p. il. ; B.
1.ª edição independente.
Importante subsídio filológico e etnográfico sobre a "linguagem" dos salineiros. Trata-se do glossário de termos, parte de um plano mais vasto que o autor nunca viria a concretizar.
Livro ilustrado em 4 páginas com:
- Mapa de Portugal, em página inteira, com a indicação por meio de setas, das regiões onde há salinas.
- Plantas de localidades salineiras distribuídas por 3 páginas:
• Aveiro, Figueira da Foz e Buarcos;
• [Vila Franca de Xira] - marinhas localizadas a norte e sul de Ponta d'Erva, Póvoa de Santa Iria e Unhos;
• Setúbal, Álcacer do Sal e Montalvo.
Ilustrado ainda no final, em separado, com 12 fotogravuras de momentos da faina espalhadas por 8 páginas.
"«O Dicionário da Língua», completo e seguro, é das obras mais urgentes e meritórias que podem ocupar o espírito dos nossos investigadores da matéria filológica. Êsse dicionário, porém, completo e seguro, é inexqüível, enquanto não forem publicados trabalhos parciais, que sirvam de base ao lexicógrafo. [...]
É necessário, pois, que trabalhos subsidiários apareçam. Dêstes, os mais preciosos e urgentes são glossários parciais, como o do presente estudo, sobretudo se forem feitos com escrúpulo e minuciosidade.
Calcule-se o que será a tarefa do lexicógrafo no dia em que houver um glossário perfeito da linguagem das salinas, outro da linguagem da pesca, outro a das cortiças, outro da dos lacticínios, etc., etc.
Quanto não vale mais publicar um trabalho dêsses, completo e substancioso, do que artigos dispersos e superficiais sôbre muitos e variados assuntos.
Foi com esta convicção que me levou a empreender o estudo da linguagem das salinas."
(Excerto da Introdução)
Rodrigo de Sá Nogueira (1892-1979). "Licenciado pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi 1.º oficial da Academia das Ciências de Lisboa. Doutor de Capelo e Borla pela Universidade de Coimbra, foi autor de várias publicações sobre filologia: Contribuição para o estudo das onomatopeias (1948), Elementos para um tratado de fonética portuguesa (1989), Dicionário de Erros e Problemas de Linguagem (1995), Guia Alfabética de Pontuação: acompanhada com os termos gramaticais conexos com a pontuação (1989), Estudos sobre as onomatopeias (1950), Dicionário Ronga-Português (1960), entre outras obras."
(Fonte: Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/autores/rodrigo-de-sa-nogueira/169/pagina/1 [consultado em 18-08-2023])
Exemplar brochado em bom estado de geral conservação. Ligeiramente oxidado.
Raro.
45€