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29 abril, 2026

ALEGRIA, José Augusto -
A MÚSICA LITÚRGICA E AS INTERFERÊNCIAS POPULARES. (Aplicação ao caso português). [Por]... Diplomado pelo Instituto Pontifício de Música Sacra de Roma. Separata da Revista «Lvmen». Lisboa,  [s.n. - Composto e impresso na Tip. União Gráfica - Lisboa], [1958]. In-4.º (24,5x18,5 cm) de IV, 97, [3] p. ; B.
1.ª edição independente.
Trabalho de fôlego. Importante contributo para a história da música de Igreja e a "intromissão" da música de pendor popular neste género de manifestação religiosa.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Dr. Armando Gusmão.
"No século XI, o esforço da reconquista atingira resultados palpáveis na Península. O Conde D. Henrique de Borgonha, feito senhor do Condado Portugalense, abre o caminho do nosso território à influência francesa. Finalmente rasgava-se uma janela sobre o mundo; e o caminho dos Pirinéus seria a  estrada real por onde passariam os emissários de Roma que traziam às cristandades refeitas e a refazerem-se os sacramentários, antifonários, evangeliários e demais livros litúrgicos. Todo este material que agora chegava até nós pelas mãos prestimosas dos monges de Cluni era completa novidade comparado com o gasto repertório antigo. A escrita seria mais clara. Os códices neumáticos seriam diastemáticos com a notação aquitana. Era a novidade que surgia. E o antigo era relegado para a categoria das inutilidades e, o que é pior, para a destruição. Por isso nada chegou até nós desses tempos de instabilidade política e social, e a Lex Romana encontrava o terreno maravilhosamente preparado para se implantar e prosperar. Como centro irradiador dos costumes litúrgicos da capital do mundo cristão estava S. Tiago de Compostela. O caminho francês, antes mesmo de servir aos cruzados que se vinham alistar nas hostes cristãs para combater os mouros, era a estrada dos romeiros que em peregrinação vinham ao túmulo do Apóstolo."
(Excerto de A música cristã popular em Portugal através da Idade Média)
Índice:
Duas palavras úteis | I - O canto do povo na Liturgia Primitiva (Salmos e Hinos) | II - O canto do povo na vida religiosa medieval (As aclamações, as laudes e as Preces) | III - Os cânticos da Missa e o Povo | IV - A música cristã na Espanha dos primeiros séculos | V - A música cristã popular em Portugal através da Idade Média | VI - A atitude popular nas Igrejas e a legislação canónica portuguesa | VII - A música popular religiosa portuguesa perante o passado e o presente | VIII - O futuro da nossa música religiosa: O Canto gregoriano; A polifonia; A música popular em língua vulgar para a Liturgia.
José Augusto Alegria (19174-2004). "O Cónego José Augusto Alegria (n. Évora, 1917; m. 2004) foi um dos homens que mais escreveram sobre a nossa música sacra e litúrgica. Estudou os arquivos da Sé de Évora e, graças ao seu precioso trabalho, “tomou-se conhecimento dos principais compositores que, como mestres de capela, exerceram uma influência que ultrapassou os confins regionais”.
José Augusto Alegria sucedeu a Sampayo-Ribeiro na Polyphonia Schola Cantorum (1967-1974) e dirigiu o Coro do Seminário de Évora durante 4 décadas. Fez crítica nas páginas da Lumen, numa perspectiva litúrgica conservadora. Lutou contra o que considerava mau gosto e a falta de qualidade poético-musical de muitos cânticos religiosos. Defensor do gregoriano, polifonia clássica e latim, deu formação nas semanas gregorianas e fez numerosas conferências no âmbito da história da música."
(Fonte: https://www.meloteca.com/portfolio-item/jose-augusto-alegria/)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Com interesse histórico.
Raro.
45€

17 janeiro, 2026

AUGUSTO, Arcebispo d'Evora -
HONOR VICTORIBUS!
Allocução proferida no templo de Sancta Maria de Belem no dia 20 de Janeiro de 1896 por occasião do solemne Te-Deum em Acção de Graças pelas victorias das armas portuguezas e feliz feito da Expedição a Lourenço Marques. Lisboa, M. Gomes - Editor : Livreiro de Suas Magestades e Altezas, 1896. In-4.º (23x15 cm) de 20 p. ; B.
1.ª edição.
Celebração de D. Augusto Eduardo Nunes, Arcebispo de Évora, em homenagem à campanha vitoriosa de Mouzinho de Albuquerque por terras de Gaza (Moçambique), que levou à pacificação da região e detenção do régulo Gungunhana.
"[...] Ao chegar a Lisboa a faustissima nova do arrojado, inverosimil e quasi phantastico feito que poz a corôa á longa e penosa campanha da Africa Oriental, a nação toda, desde o Minho ao Guadiana, desde a metropole até á minuscula aldeia perdida em serrania alpestre ou invia charneca, - desde o augusto Monarcha, chefe do estado e generalissimo do exercito, até ao mais obscuro proletario, - a nação toda, como uma só familia, como um só homem, se ergueu, acclamando frenetica os invictos guerreiros que tão briosamente defenderam a integridade das possessões, que são um como prolongamento do solo patrio, e sobredouraram de novo brilho, de brilho inextinguivel o escudo nacional!~"
(Excerto da Allocução)
Augusto Eduardo Nunes (Portalegre, 1849-1920). "Foi um bispo católico português. Entrou no colégio de Campolide com o desejo de ser sacerdote. Mais tarde ingressou no Seminário Patriarcal de Santarém e aí fez a formação sacerdotal revelando-se um aluno brilhante. Distingue-se de tal forma que foi escolhido para se ir formar em Teologia, na Faculdade de Teologia da Universidade de Coimbra, onde mais tarde chegou a leccionar, escrevendo o primeiro compêndio de Teologia Dogmática, que não teve beneplácito régio pelo facto de ser fiel à doutrina da Santa Sé. Em 13 de Novembro de 1884 foi nomeado arcebispo coadjutor de Évora (como titular de Perge). Alguns anos mais tarde, em 1890, por morte de D. José Pereira Bilhano, ascendeu a Arcebispo Metropolitano de Évora, cargo que exerceu até à sua morte, Julho de 1920. A seguir à revolução republicana de 1910 juntou-se aos restantes Bispos de Portugal, no protesto que fizeram na sequência da promulgação da Lei da Separação do Estado das Igrejas, em 1911. Na sua arquidiocese suportou alguns momentos difíceis durante os primeiros anos após a implantação da República, chegando mesmo a ter que fixar residência em Elvas, por ter sido exilado da sede arquidiocesana. Após o seu regresso a Évora teve de iniciar a reconstrução da diocese, visto ter sido expropriado o Paço Arquiepiscopal (atual Museu Regional de Évora), praticamente encerrado o Seminário Maior e encontrando-se muitas das paróquias desprovidas de pároco. Colaborou na revista Lusitânia (1914)."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis com defeitos. Páginas oxidadas.
Raro.
15€

03 janeiro, 2026

PIMENTEL, Alberto -
VIDA MUNDANA DE UM FRADE VIRTUOSO (perfil historico do seculo XVII)
. Lisboa, Livraria de Antonio Maria Pereira, 1889. In-8.º (20x14 cm) de 161, [3] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Narrativa biográfica de Frei António das Chagas (1631-1682), também conhecido por Padre António da Fonseca, cuja vida aventurosa, salpicada de poesia e expedições amorosas, tiveram o seu epílogo em Setúbal, perto do Convento de Jesus, por um atentado a tiro, talvez por um rival aos favores de uma freira - a bela Ignez, decidindo a partir desse episódio, abandonar a carreira das armas, e outras "carreiras", e dedicar-se em exclusivo à vida monástica, onde conquistou a simpatia geral e fez escol como pregador.
"Aquelle que teve no seculo o nome de Antonio da Fonseca Soares, e na religião o de frei Antonio das Chagas, nasceu na villa da Vidigueira a 25 de junho de 1631. [...]
No Algave, Antonio da Fonseca, ainda na puericia, aprendeu a ler e escrever. Mas, attingindo idade propria para proseguir no estudo das humanidades, foi enviado a Evora, onde com somenos applicação cursou as aulas de latim e philosophia.
A sua predilecção era para a carreira das armas. Os compendios escolares enfastiavam-n'o tanto, quanto a vida do exercito lhe sorria tentadora.
Aos dezoito annos recebeu a noticia da morte do pai, e teve que recolher com a mãe e os irmãos á Vidigueira. Se hoje visitarmos esta villa do Alemtejo, pittoresca posto que solitaria, poderemos ainda fazer ideia do que seria a mocidade de Antonio da Fonseca Soares apertada n'esse estreito circulo de aventuras galantes. Deviam dar brado n'uma pequena villa de provincia os dezoito annos de tão irrequieto moço cujo animo pendia para a desenvoltura da vida militar. Demais a mais corriam nas veias das mulheres da Vidigueira globulos ricos de de sangue minhoto, pois que mestre Thomé, thesoureiro da sé de Braga, a quem a villa fôra dada para que promovesse a sua colonisação, povoara-a com gente que trouxera de Braga e de outras comarcas limitrophes. Quero dizer que as moças da Vidigueira seriam acirrantes de polpudas carnes e bellas côres, - magnifico aperitivo para uns dezoito annos aventurosos."
(Excerto de I - O capitão «Bonina»)
Índice:
I - O capitão «Bonina». II - O frade. III - O escriptor.
Encadernação meia de pele com ferros gravados a outo na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação. Com pequeno pico junto da lombada.
Muito invulgar.
Indisponível

28 julho, 2025

CIDADE, Hernani -
ZARA (Tempos de D. Dinis).
Um acto em verso, representado pela primeira vez em Leiria, em récita a favor do cofre da Liga dos Amigos do Castelo, a 10 de dezembro de 1915. Leiria, Tip. Leiriense, 1916. In-4.º (23,5x14,5 cm. Com [2], 22, [4] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Peça de teatro histórica cuja acção decorre na zona de Leiria. Trata-se, julgamos, do primeiro trabalho do autor, publicado pouco antes de seguir para a Flandres, França, onde combateu integrado nas forças do CEP.
Inclui no final, em página inteira, partitura da música expressamente composta para a peça por José Zúquete.
Exemplar impresso em papel encorpado, muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.

"Tempos de D. Dinis.
Episódio da paisagem dos arredores de Leiria. Ao fundo, o Castelo, elegante e novo, recortando a distância, na penumbra que desce, o perfil épico e trovadoresco. Á E. uma casa de campo, alpender e escada exterior.
O velho mouro lê o Alcorão, enquanto a filha, dentro de casa, canta:

Fermosas flores do verde pinho,
que novas dais do meu amigo?
Ai, Deus, u é?
Minha alma alegra o seu carinho,
morre de frio sem seu abrigo,
Ai, Deus, u é?"

(Excerto da Peça)

Hernâni António Cidade (Redondo, 1887 - Évora, 1975). "Professor no Liceu Passos Manuel em regime provisório, em 1914 é já efetivo do Liceu de Leiria. Em prol da Liga dos Amigos do Castelo escreve os versos da peça em um ato Zara (Tempos de D. Dinis) (1916), representada em 1915, o que serve para ilustrar o “idealismo construtivo” que sempre pôs nos assuntos coletivos. Na Primeira Guerra, incorporado no Corpo Expedicionário Português, comanda com bravura e humanidade um pelotão na Flandres. Debaixo de fogo, vai à zona alemã resgatar feridos portugueses e recolhe na “terra de ninguém” ferido alemão moribundo. Condecorado com a Cruz de Guerra, feito prisioneiro na Batalha de La Lys, em 1918, aproveita para desenvolver o conhecimento da língua alemã e vai divulgando a literatura portuguesa entre estrangeiros e compatriotas. Em 1956 haveria de ser agraciado pela França com a Legião de Honra.
Regressado, em 1919 entra para o corpo docente da recém-fundada Faculdade de Letras do Porto, contratado para o grupo de Filologia Românica. Terá a seu cargo cadeiras de literatura — portuguesa, francesa, italiana — e de «linguística» — Filologia românica, Gramática comparada das línguas românicas, Filologia portuguesa. Chega a catedrático, mas a Faculdade de Letras do Porto é extinta em 1928. Até ao encerramento efetivo da mítica faculdade, ensina também no Liceu Rodrigues de Freitas. Nesta década portuense publica bastante na Águia e estreita laços com colegas com quem mais tarde haveria de colaborar na História de Portugal dita de Barcelos ou na menos ambiciosa História de Portugal da Lello, de cujo quarto volume se encarregou. E decerto se refletiu na maneira de conceber o ensino a proximidade entre professores e alunos marca da faculdade ideada por Leonardo Coimbra.
Em 1930 integrará o grupo de professores da Faculdade de Letras de Lisboa, apresentando-se a concurso para a cátedra com a dissertação a A obra poética do Dr. José Anastácio da Cunha — com um estudo sôbre o anglo-germanismo nos proto-românticos portugueses (1930) e a lição, «à escolha», Fernão Lopes é ou não o autor da “Crónica do Condestabre”? (1931). Colabora com a Seara Nova, por 1934, e com Joaquim de Carvalho e Mário de Azevedo Gomes dirige o Diário Liberal (1934-1935). Conotado com a oposição ao Estado Novo, mesmo se não o caracterizavam as atitudes mais sonoras e se, à época, já se ia afastando da luta contra a implantação do regime, em 1935 o seu nome constaria da conhecida lista de professores a serem exonerados, valendo-lhe o ora colega germanista ora ministro germanófilo Gustavo Cordeiro Ramos, que fora seu contemporâneo em Évora. Estudantes e alguns colegas desagravam-no na Homenagem aos Professores Mário de Azevedo Gomes, Hernâni Cidade, Joaquim de Carvalho (1935), onde os alunos de Letras o epitetam como “o mais amado e o mais respeitado dos mestres”."
(Fonte: https://dichp.bnportugal.gov.pt/historiadores/historiadores_hernani_cidade2.htm)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Raro.
25€

22 junho, 2024

MARTINEZ, Prof. Doutor Pedro Soares -
A LAVOURA ALENTEJANA, A POLÍTICA AGRÁRIA E AS TÉCNICAS DE PLANEAMENTO.
Conferência feita na inauguração dos «Dias de Estudo sobre Desenvolvimento Regional». Évora, [s.n..], Maio 1966. In-4.º (25x17,5 cm) de 26, [2] p. ; B.
1.ª edição independente.
Conferência do autor subordinada ao tema da crise agrícola que assolava o país, e em particular no Alentejo.
Separata de «Estudos Eborenses», N.º 5 - Évora 1967.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Eng. Luís de Quevedo Coutinho.
"Parece-me que, efectivamente, se está vivendo uma crise profunda nestas terras do Alentejo; e que da sua solução dependerá a sobrevivência ou a ruína completa da lavoura do Sul. Aos que pecam por pessimismo quereria dizer que esta crise da lavoura alentejana não é a primeira da nossa história e que as anteriores acabaram por ser vencidas; que num mundo dominado por movimentos ondulatórios, tanto físicos como psicológicos, não há tendências irreversíveis e inelutáveis. Aos optimistas em excesso importará observar que talvez se trate da crise mais grave até agora conhecida. A uns e a outros cumpre lembrar que as batalhas costumam perder-se pela convicção prévia da derrota ou pela convicção prévia de uma fácil vitória.
A crise não se acha localizada, embora no Alentejo apresente características particulares, não tanto pela natureza das culturas como, sobretudo, pelo relevo relativo da agricultura na economia da região. Por todo o Continente português se sentem os feitos de uma bem marcada crise agrícola. Mais uma, de tantas que a nossa lavoura conheceu desde a Antiguidade."
(Excerto da Conferência)
Pedro Mário Soares Martínez (Lisboa, 1925 - Lisboa, 2021). "Foi um professor universitário, político e advogado português. Foi também membro do Quadro Diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros (1948-1956); consultor e administrador de empresas, operadoras no sector bancário e segurador. Na Faculdade de Direito de Lisboa exerceu funções como secretário (1958-1967) e diretor (1971-1974). Apoiante do Estado Novo, representativo na academia dos chamados «ultras» antes de 1974 e da direita «irredentista» depois da mudança do regime, na descrição de José Adelino Maltez, Soares Martinez foi procurador à Câmara Corporativa (1960-1968) e Ministro da Saúde e Assistência (1962-1963), sob a chefia de António Salazar."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
15€

20 dezembro, 2023

CAEIRO, Agostinho Felicio Pereira -
ALGUMAS PALAVRAS SOBRE A TATUÁGEM E SEU VALOR MEDICO-LEGAL.
Dissertação inaugural de... Junho de 1908. Escola Medico-Cirurgica de Lisboa. Lisboa, Typogr. Mendonça, 1908. In-8.º (21 cm) de 77, [5] p. ; [3] f. il. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo apresentado à Escola Médico Cirúrgica de Lisboa subordinado ao tema das tatuagens e o seu valor na identificação de prostitutas, vadios e criminosos, sendo particularmente importante para o reconhecimento dos reincidentes.
Obra de reconhecido merecimento, desenvolvida numa época em que a Medicinal Legal dava os primeiros passos em Portugal, sendo este o primeiro trabalho que sobre o assunto se publicou entre nós.
Ilustrado com 18 desenhos de tatuagens, fruto de observações do autor, reproduzidas em 3 estampas separadas do texto.
"Tatuádos, em medicina-legal, se dizem os individuos que possuem determinadas cicatrizes córadas, de longa duração, ainda que não absolutamente indeléveis, provenientes da introducção e fixação no tegumento cutaneo de substancias mineráes ou vegetáes de natureza diversa. A estas cicatrizes daremos, para melhor comprehensão, o nome de tatuagens, embóra esta designação se tenha applicado mais vulgarmente ao processo pratico de as obter... [...]
As tatuagens da maneira como ficam definidas, constituem um precioso e excelente meio para a verificação medico-legal da identidade dos individuos e como tal devem sêr minuciosamente procuradas e analysadas no vivo, no cadaver, ou ainda em casos de exhumação juridica.
Se, já pela sua simples presença n'um individuo ellas adquirem uma grande importancia para a sua identificação, devidamente observadas e escrupulosamente estudadas dos seus carácteres, nos fornecerão não só esclarecimentos precisos sobre o nome, edade, séxo, nacionalidade e profissão d'esse individuo, mas ainda muitas vezes nos revelarão fáctos directamente relacionados com os habitos, condição sociál e acontecimentos notaveis da sua vida."
(Excerto de II - Valor Medico-legal da tatuagem)
Índice:
[Dedicatórias.] | Prologo. | Capitulo I - Generalidades: - Historia e origens. - Etiologia: Atavismo; Ideographia; Vaidade; Imitação; Agglomeração; Ornamentação; Sentimentos e paixões. - Condições sociaes. Capitulo II - Valor Medico-legal da tatuagem: - Edáde. - Séxo. - Profissão. - Séde. - Carácteres exteriores das tatuagens: Dáta; Natureza emblemática do desenho; Religiosas. - Amorósas e eróticas. - Phantasistas. - Inscripções: Dátas; Numeros; Inscripções. Capitulo III - Pratica da tatuágem. Capitulo IV - Mudanças nas tatuagens e destatuagem. | Observações pessoaes [em detidos] - XVIII (13 homens / 5 mulheres). | Observações tiradas dos Boletins das autopsias (existentes na morgue) e fornecidos pelo Ex.mo Sr. Conselheiro Silva Amado [VI] (6 homens). | Explicação das estampas.
Agostinho Felício Pereira Caeiro (Évora, 1882-1946). "Médico, Capitão do Exército. [Participou na Grande Guerra em Moçambique (1917-1918), integrando os quadros da Cruz Vermelha Portuguesa, como Chefe dos Serviços de Saúde em Nacature]. Diretor do Semanário da União Republicana “O Alentejo” (1914) e Sócio nº 1. Foi ainda o primeiro Presidente e Fundador da Agência da Liga dos Combatentes em Évora, Diretor do Hospital Militar de Évora, Diretor do Hospital Civil de Évora, Governador Civil Substituto, Presidente dos Bombeiros Voluntários de Évora, Comandante do Exército em 1919. Percurso Político: Membro do PRP (1908-1910), do PRE entre (1911-14), do PUR (1915-16) e do PRN
em 1926. Presidente da Câmara Municipal de Évora - Mandato: 6 de Dezembro de 1910 a 1 de Dezembro de 1911."
(Fonte: Galeria dos Presidentes - Câmara Municipal de Évora)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Rasgão na capa, sem perda de suporte.
Muito raro.
Sem registo na BNP (Biblioteca Nacional).
Indisponível

18 março, 2023

RAMOS, Mario Paredes - ANTÓNIO FRANCISCO BARATA : notícia bio-bibliográfica com alguns inéditos. [S.l.], [s.n. - Edição do Autor - imp. Tip. de Ventura Cardoso, Cucujães - O. de Azeméis], 1945. In-8.º (22 cm) de 55, [3] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Apontamento biográfico de António Francisco Barata (Góis, 1836 - Évora, 1910), conhecido dramaturgo e romancista autodidacta. Inclui reprodução da sua correspondência, relacionada sobretudo com a sua produção bibliográfica.
Livro ilustrado com um retrato do biografado em extra-texto.
Publicação restrita a 250 exemplares, numerados e rubricados pelo autor.
Duplamente valorizado pela sua dedicatória autógrafa na f. ante-rosto ao insígne historiador ilhavense Dr. António da Rocha Madahil.
António Francisco Barata (Góis, 1836 - Évora, 1910). "Erudito, publicista, escritor, historiador e grande observador dos costumes nacionais. Órfão e sem recursos, iniciou-se na vida profissional como aprendiz de barbeiro em Coimbra. Espírito curioso e amante da leitura, o contacto com os lentes da Universidade, que frequentavam a barbearia onde trabalhava, determinaram a sua formação de autodidacta. Aos 24 anos publicou a primeira obra, sob o título, Lucubrações de Um Artista (1860), que reunia algumas composições poéticas. No ano seguinte (1861) dava à estampa a Breve memória histórica acerca da velha Coimbra, arrasada por Ataces e Remismurado, e da fundação ou edificação da actual Coimbra; em 1862 um drama em quatro actos, A Conquista de Coimbra; e em 1863, as Novas Lucubrações de Um artista. Trabalhador infindável e polemista vigoroso, é extensíssima a sua obra dividida em vários géneros literários, tendo firmado alguns dos seus escritos com os pseudónimos de D. Bruno da Silva e Bonifaciano Tranca Ratos, este adoptado em polémicas e em assuntos que se prestavam à ironia. Colaborou com os vários periódicos existentes em Évora, Elvas, Estremoz, Barcelos e Coimbra. A sua bibliografia é bastante vasta, pois era profundo conhecedor dos costumes e história da região de Évora, dedicando à cidade a sua vida e erudição, através de ensaios de história e arqueologia. Escreveu romances históricos como O Manuelinho de Évora (1873), fez recolha de composições para o Cancioneiro Quinhentista (1902), que se pretendia a continuação do de Garcia de Resende. Colaborou também no Dicionário Heráldico e no Dicionário Espanhol-Português e Português-Espanhol de Figanière (1879). Espírito empreendedor, foi fundador da «Typographia Minerva», inicialmente situada na Praça de Giraldo, nº 40 e 41. Nos primeiros anos do século XX, já velho e doente, ainda produziu algumas obras: Évora e seus arredores (1904), Évora Antiga (1909), e Homenagem de Évora a Alexandre Herculano (1910). Nos últimos anos da sua vida, procurou deixar uma bibliografia de toda a sua produção, Escritos e Publicações de António Francisco Barata - 1866-1908. Personalidade controversa para muitos seus contemporâneos, a verdade é que foi um homem singular."
(Fonte: http://bdalentejo.net/conteudo_a.php?id=103)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

29 junho, 2022

BARATA, Antonio Francisco - UM DUELLO NAS SOMBRAS OU D. FRANCISCO MANOEL DE MELLO : romance historico (1630)
. Lisboa, Lucas & Filho - Editores, 1875. In-8.º (17,5 cm) de 284, [4] p. ; E. Bibliotheca Universal Dedicada ao Visconde de Castilho, N.º 19
1.ª edição.
Romance histórico cuja acção abrange a época de domínio filipino, a Restauração e o período que se seguiu à independência nacional. No final do livro, em Notas, o autor discorre sobre alguns factos e locais históricos que integram o romance, incluindo ainda um escorço biográfico de D. Francisco Manuel de Melo.
Obra oferecida A. F. Barata "ao erudito litterario e mui distincto lente de medicina em a Universidade de Coimbra o ex.mo sr. Augusto Filippe Simões".
Livro ilustrado com dois bonitos desenhos de Leotte na primeira página do romance.
"São suavissimas as tardes de abril em Coimbra. Meandra o rio suas aguas transparentes em perguiçoso curso por sobre as areias, descantam amores os rouxinoes nos grandes tufos de verdura das margens, rescendem deliciosos aromas os laranjaes propiquos. É formosissima Coimbra 'naquelle tempo. A vetusta cidade surge elegante em vistosa pinha d'aquelle mar de verdura que a circunda, como da vastidão das aguas surge no mar a fresca Madeira. [...]
Era então no mez de abril de 1630. Ao decair da tarde do dia 12 tres estudantes saiam de Coimbra pela ponte em passeio tranquillo e conversação amigavel. Cursavam dois d'elles as cadeiras de direito e o terceiro estudava humanidades ainda.
Iam passeiando ao longo da ponte reconstruida por el-rei D. Manuel, quando para a cidade entrava uma senhora já de meia edade, acompanhada por uma creada ainda nova, não formosura nem belleza mas sympathica como toda a mulher 'naquella edade, sem embargo da sua côr morena, se não mulata."
(Excerto do Cap. I - Na ponte de Coimbra)
D. Francisco Manuel de Melo (1608-1666). "Escritor multifacetado, nascido a 23 de novembro de 1608 e falecido a 24 de agosto de 1666, é considerado uma das personalidades portuguesas mais proeminentes do século XVII. De ascendência nobre, a sua formação realizou-se até aos 10 anos na corte, onde adquiriu as bases do respeitante à sua elevada posição social. Depois, os Jesuítas transmitiram-lhe não só uma alargada erudição classicista e um pouco de hebraico, como também o prepararam nos estudos matemáticos em que era particularmente bom. Antes de se tornar membro da Ordem de Cristo, serviu durante cinco anos as armadas espanholas. Alternou este serviço com o recrutamento militar e a frequência da corte madrilena, tornando-se conhecido de Quevedo e de outras figuras literárias. Mais tarde, comandou as tropas portuguesas na Guerra dos Trinta Anos e combateu contra os Holandeses (1639). No ano seguinte ajudou a reprimir a revolta da Catalunha. Após um curto período de prisão por razões políticas, tomou partido a favor de D. João IV e, em 1641, dirigiu-se para Londres. Nesta cidade foi incumbido, como general da armada, de trazer uma frota da Holanda para Portugal. Seguiram-se algumas tarefas de menor importância e, em 1644, foi novamente encarcerado. Foi durante o tempo de clausura que redigiu a maioria das suas obras e ao mesmo tempo lutou pela libertação. Em 1655 foi degredado para o Brasil. Na Baía, melhorou as suas finanças com o negócio do açúcar e continuou a escrever. Passados três anos regressou à pátria e em 1660 animava a Academia dos Generosos. Seguiu-se o início da carreira diplomática, que lhe permitiu viajar pela Europa. Pouco antes da sua morte, com 57 anos, foi ainda deputado da Junta dos Três Estados. A nível literário é uma figura considerável da cultura aristocrática peninsular do seu tempo."
(Fonte: infopédia)
António Francisco Barata (1836-1910). "Investigador, Historiador e Escritor, nasceu em Góis, no distrito de Coimbra, em 1836, e aí viveu até aos 12 anos, altura em que se mudou para Coimbra. Mais tarde, em 1869, foi para Lisboa, onde permaneceu pouco tempo, até se mudar para Évora nesse mesmo ano, onde residiu até falecer, aos 74 anos, em 1910.
Espírito curioso e bom leitor, teve uma formação autodidata. Veio para Évora trabalhar como observador do Observatório Meteorológico, a convite do Dr. Augusto Filipe Simões, ilustre figura da Ciência e das Letras. Desempenhou muitas outras funções e cargos, nomeadamente, o de jornalista, guarda do Gabinete de Física do Liceu de Évora, encarregado do Posto Médico, escrivão de Casamentos na Câmara Eclesiástica, auxiliar de catalogação da Livraria da Manizola, Industrial de Tipografia e Fundador da Tipografia Minerva, e Amanuense, Conservador e Diretor interino da Biblioteca Pública de Évora. Foi um dos principais organizadores do Arquivo Municipal, enquanto vereador da Câmara Municipal de Évora.
Com a ajuda de Gabriel Pereira, fundou a Biblioteca Municipal para Leitura Noturna (serviço público pós-laboral da Biblioteca Pública). Concretizou várias iniciativas entre as quais se destaca a organização do Museu Arqueológico.
Como escritor, conta com mais de duas centenas de títulos na sua bibliografia, dividida em vários géneros literários."
(Fonte: https://www2.cm-evora.pt/evoralocal/SabiaQue/Sabiaque29052018.htm)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e literário.
45€

07 novembro, 2021

MONIZ, Manuel de Carvalho - DA ARTE POPULAR ALENTEJANA.
IV. Os papéis recortados. [Por]... Da Associação dos Arqueólogos Portugueses
. Guimarães, [s.n. - Oficinas Gráficas da Companhia Editora do Minho - Barcelos], 1966. In-4.º (23 cm) de 15, [1] p. ; il. ; B. Separata da «Revista de Guimarães» - Vol. LXXVI, 1966
1.ª edição independente.
Interessante subsídio etnográfico sobre os papéis recortados, conhecida arte alentejana utilizada para enfeitar doçaria, sobretudo a conventual.
Livrinho ilustrado com 6 figuras exemplificativas distribuídas por 4 páginas.
"Não podemos escrever algo sobre o papéis recortados na arte popular alentejana ser recordar os executados nos conventos de freiras e, particularmente, os dos conventos eborenses.
Os papéis recostados alentejanos estão intimamente ligados à doçaria conventual eborense e esta notabilizou-se de tal maneira que ainda hoje, passados dezenas de anos após o encerramento das casas religiosas, Évora recorda o bolo de Santo Agostinho, do convento de Santa Mónica... [...]
Era hábito local em certos dias festivos, por cortesia, amizade e consideração, mandar presentes às pessoas mais categorizadas ou a quem se desejava agradecer algum serviço prestado. Então as caixas, travessas, bocetas ou tabuleiros enchiam-se de doces e enfeitavam-se com papéis recortados, cuja composição era fértil de imaginação, segundo a habilidade e espírito engenhoso da artista que os executava.
Isto porque, é bem certo, «o prazer de manjar não dispensa o requinte do adorno» e só o sossego do espírito e a paciência verdadeiramente beneditina das freiras eram capazes de executar no papel arrendado tão subtil beleza, como aqueles que encontramos nos tão célebres «papéis picados» dos conventos de Évora.
Destinavam-se, como já referimos, esses artísticos papéis a enfeitar as travessas, os cestinhos e os pratos de doces. Variavam muito quanto ao formato e às dimensões. Assim, eram rectangulares quando tapavam o típico «porquinho» ou a «bacorinha afilhada» com seus «farropos» mamando, ou a tão característica e saborosa «lampreia». Eram redondos se fechavam os cestinhos de renda, ovais ou em forma de peixe, chispe ou presunto.
Para a sua execução utilizam o papel fino, de seda, e como instrumento único a tesoura."
(Excerto do texto)
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Sem registo na Biblioteca Nacional (BNP).
15€

24 outubro, 2021

ATAVISMO DO TALENTO. Breves memorias de uma senhora lisbonense
. Evora, Minerva Commercial, de José Ferreira Baptista, 1909. In-8.º (21 cm) de [2], 47, [1] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Obra algo insólita, composta pelas memórias da autora, senhora bem nascida, - protegida pela capa do anonimato, - reunidas a estâncias de uma pessoa, que sabendo da desilusão desta com o Montepio Geral e dos seus estatutos restritivos da condição feminina, lhe pediu que escrevesse sobre o assunto.
Livro ilustrado com uma folha extratexto contendo o retrato de quatro personalidades, que, julgamos familiares da autora, com descrição na folha seguinte dos nomes, datas, ocupações, predicados pessoais e datas relevantes.
Valorizado pela dedicatória manuscrita na capa da autora a uma sua prima.
"De ha muito pensamos nós que uma disposição dos Estatutos do Monte Pio Geral mais serve para dar a morte do que a vida, a morte de alma, aos beneficiados.
A pensionada, descendente de socio fallecido, perde a pensão, logo que mude de estado, logo que se casar.
É clara a illação que brota do preceito. Se a mulher não tiver outros meios de subsistencia do que os que perde com o casamento, e o marido que procura, ou a procurar a ella os não tiver, o prejuizo será grande, a miseria quasi certa, com o seu cortejo de angustias e de lancinantes dores... Foge a felicidade á pensionada.
É, pois, consequencia de tal disposição, que a mulher tem de viver sósinha, sem familia eleita de seu coração, solteira por toda a vida.
No campo da moral pode essa mulher solteira ser o prototypo da decencia e da honestidade, ou ser mesmo um modêlo de licenciosidada mascarada, vivendo como lhe aprouver, sempre solteira e privada dos encantos da familia, dos prazeres conjugaes das delicias da prole nos filhos, que podéra gerar, educar, idolatradamente amar. [...]
Conhecemos a uma dama solteira, honesta e respeitada, já não môça, victima do Monte Pio Geral. Por vezes lhe ouviramos alludir delicada a não poder ser na vida mais mais do que escrava e nunca senhora. [...]
Atrevemo-nos a lhe pedir que escrevesse suas memorias. Veio recusa: acudimos com reparos, salientando o quanto é pobre entre nós a bibliographia feminina, para ser mais do que extensa a masculina. [...]
Por fim de breve contenda, de divergencias fommos atendidos.
É-nos agradavel o tornar publicas as singelas memorias dessa senhora, a quem occultamos o nome, por não offender sua modestia..."
(Excerto de O Monte Pio mata)
Matérias:
O Monte Pio mata [preâmbulo]. | Do anno de 1860 a 1879. | De 1872 a 1877. | De 1877 a 1882. | De 1882 a 1890. | De 1890 a 1894. | De 1894 a 1909. | Em abril de 1909. | O piano - Ainda memorias. | Prazeres no estudo. | Illusões e verdade. | Referências topographicas: Estremoz; Evora e seus campos; Serpa e seus arredores; Braga e seus arredores; Bussaco e suas bellezas.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas cansadas, frágeis, com defeitos.
Raro.
20€

15 julho, 2021

A ORDEM MILITAR DE S. BENTO DE AVIS. Notícia histórica.
VIII Centenário
. Lisboa, Imprensa Nacional de Lisboa, 1962. In-4.º (25,5 cm) de [2], 16, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Publicação comemorativa do oitavo centenário da Ordem de Militar de S. Bento de Avis, Ordem religiosa militar de cavaleiros portugueses que foi criada em Portugal, no século XII, para defender a cidade de Évora dos Mouros. Livro impresso em papel de superior qualidade.
Junta-se um número do Mensageiro de S. Bento - publicação bimensal beneditina (Jan.-Fev., 1932).
"O cavaleiros portugueses que haviam auxiliado D. Afonso Henriques na batalha de Ourique e na conquista de Santarém e Lisboa organizaram uma milícia  e manifestaram ao rei desejo de que lhe fosse dada a forma regular das Ordens religiosas.
D. Afonso Henriques, que fora já o fundador da efémera Ordem da Ala, acedeu a esse desejo e requereu ao cardeal de Ostia, legado a latere do papa Alexandre III em toda a Espanha, que a essa milícia fossem dados estatutos religiosos.
O legado do papa anuiu ao pedido do rei e incumbiu Fr. João Cirita, abade de S. João de Tarouca, de satisfazer, em seu nome, o desejo do rei português.
Para cumprir o seu mandato, o abade foi a Coimbra, onde, em concílio, a que assistiram o arcebispo de Braga, outros altos dignitários da Igreja e alguns cavaleiros, submeteu a aprovação o seu projecto de estatutos, que dava à Ordem nova a regra de S. Bento com a reforma de Cister. [...]
Entre os nobres cavaleiros presentes, encontrava-se D. Pedro Afonso, irmão bastardo de D. Afonso Henriques, e que foi 1.º mestre da Ordem.
Depois da conquista de Évora, em 1166, a Ordem, certamente no propósito de se colocar mais próximo dos que combatiam os Mouros, transferiu a sua sede de Coimbra para Évora, onde os freires erigiram a sua torre e construíram a sua igreja, a que deram o nome de S. Miguel de Freiria."
(Excerto da Notícia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
15€

25 novembro, 2020

CARDOSO, Nuno Catharino - LAPIDES E SEPULTURAS BRASONADAS.
Relação de 76 lápides brasonadas em Evora, no Espinheiro, em Torres Novas, Silves, Arraiolos, S. Domingos de Bemfica, Bragança, Funchal, Leiria e Lisboa, acompanhadas de ilucidativas gravuras
. Lisboa, Edição do Autor, 1937. In-4.º (24,5 cm) de 15, [1] p. (inc. capas) ; il. ; B. Col. Arte Portuguesa - XVII
1.ª edição.
Interessante subsídio para a história da arte tumular.
Ilustrado com desenhos de escudos heráldicos ao longo do texto.
Tiragem: 350 exemplares.
"Há muitas [lapides e sepulturas brasonadas] em Portugal, formando um importante e belo conjunto.
Apesar da acção do tempo e dos homens haverem já apagado, na sua faina destruidora, muitas delas, tornando-as ilegiveis, e indecifraveis os brasões que as ornamentavam, quem tiver percorrido o país e examinado muitas dessas lapides e sepulturas verá, apesar de tudo, como são ainda deveras interessantes.
Como se sabe, só em setembro de 1835 é que começaram a funcionar em Portugal os cemitérios, criados em 28 de março de 1805. Antes dessa medida ter sido posta em execução, os enterramentos faziam-se nos adros e no interior dos templos. É esta a razão porque em tantas igrejas, mosteiros e claustros ainda hoje se encontram sepulturas e, dentre elas, muitas brasonadas que se referem a pessoas nobres, a bispos, arcebispos e a outros vultos ilustres da Igreja Católica."
(Excerto do preâmbulo, Lapides e sepulturas brasonadas)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
20€

12 janeiro, 2019

BARATA, Antonio Francisco - O MANUELINHO DE EVORA : romance historico (1637). Por... Coimbra, Imprensa Litteraria, 1873. In-8.º (20cm) de [8], 300 p. ; B.
1.ª edição.
Romance histórico. Narrativa da resistência eborense à dominação castelhana que culminaria na Restauração, em 1640. Para a elaboração deste trabalho, o autor socorreu-se de documentos coevos pertencentes ao espólio da Biblioteca de Évora.
Livro valorizado pela dedicatória manuscrita do autor (não autografada) ao "estudioso e digno artista Pereira de Magalhães".
"Vagarosamente passava para Portugal o anno do Senhor de 1637. E vagarosamente passava porque a patria de D. João I desde 1581 era escrava de Castella, podendo e devendo ser a parte mais dilecta dos monarchas hespanhoes na Peninsula. O seu clima, o seu uberrimo solo, seus famosos portos, notoriamente o de Lisboa e o genio esforçado de seus naturaes, não menos que Andaluzia lhe davam jus, se não a reino independente com leis proprias e costumes seus, ao menos a ser a primeira provincia que desde os pyrineus ao Estreito devia merecer os cuidados dos governantes castelhanos. Grave erro foi a administração de Castella com respeito a Portugal, que os Governadores do reyno depois que expirára D. Henrique, criminosamente agrilhoaram ao carro triumphante do Demonio do meio dia. É-nos porém lisongeira a ferre a dominação de Castella. Os valentes de mil combates, os dominadores do mar, deviam inspirar serios cuidados ao leão Castelhano. A raça de Viriato era muito para temer."
(Excerto do Cap. I, O romeiro de Sant'Iago)
António Francisco Barata (Góis, 1836 - Évora, 1910). “Erudito, publicista, escritor, historiador e grande observador dos costumes nacionais. Órfão e sem recursos, iniciou-se na vida profissional como aprendiz de barbeiro em Coimbra. Espírito curioso e amante da leitura, o contacto com os lentes da Universidade, que frequentavam a barbearia onde trabalhava, determinaram a sua formação de autodidacta. Aos 24 anos publicou a primeira obra, sob o título, Lucubrações de Um Artista (1860), que reunia algumas composições poéticas. No ano seguinte (1861) dava à estampa a Breve memória histórica acerca da velha Coimbra, arrasada por Ataces e Remismurado, e da fundação ou edificação da actual Coimbra; em 1862 um drama em quatro actos, A Conquista de Coimbra; e em 1863, as Novas Lucubrações de Um artista. Trabalhador infindável e polemista vigoroso, é extensíssima a sua obra dividida em vários géneros literários, tendo firmado alguns dos seus escritos com os pseudónimos de D. Bruno da Silva e Bonifaciano Tranca Ratos, este adoptado em polémicas e em assuntos que se prestavam à ironia. Colaborou com os vários periódicos existentes em Évora, Elvas, Estremoz, Barcelos e Coimbra. A sua bibliografia é bastante vasta, pois era profundo conhecedor dos costumes e história da região de Évora, dedicando à cidade a sua vida e erudição, através de ensaios de história e arqueologia. Escreveu romances históricos como O Manuelinho de Évora (1873), fez recolha de composições para o Cancioneiro Quinhentista (1902), que se pretendia a continuação do de Garcia de Resende. Colaborou também no Dicionário Heráldico e no Dicionário Espanhol-Português e Português-Espanhol de Figanière (1879). Espírito empreendedor, foi fundador da «Typographia Minerva», inicialmente situada na Praça de Giraldo, nº 40 e 41. Nos primeiros anos do século XX, já velho e doente, ainda produziu algumas obras: Évora e seus arredores (1904), Évora Antiga (1909), e Homenagem de Évora a Alexandre Herculano (1910). Nos últimos anos da sua vida, procurou deixar uma bibliografia de toda a sua produção, Escritos e Publicações de António Francisco Barata - 1866-1908. Personalidade controversa para muitos seus contemporâneos, a verdade é que foi um homem singular.”
(Fonte: http://bdalentejo.net/conteudo_a.php?id=103)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas sujas com pequenos defeitos marginais.
Raro.
Indisponível

28 setembro, 2016

JOANNA, Maria - UM PASSEIO IDEAL : diario e impressões de viagem : 1911. Lisboa, Papelaria e Typographia Franco & C.ª, [1911]. In-8.º (21,5cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Descrição de uma viagem de automóvel, num magnifico Brazier, de Évora a Sevilha (e regresso), realizada entre os dias 26 de Abril e 2 de Maio de 1911.
"A 26 d'Abril um magnifico automovel Brazier atravessava impetuoso a cidade d'Evora levando na sua carreira vertiginosa 5 passageiros, que eram:
O proprietario do carro Snr. Antonio Paquete (o Padrinho), os Esposos Formosinho, eu (a Afilhada) e o chauffeur. Dirigiamo-nos a Badajoz e, para esse fim, percorremos as estradas Alemtejanas marginadas pelos seus campos fertilissimos, semeados de explendidas searas, que nos produziram optima impressão.
Atravessamos, entre outras terrinhas, Extremoz que achei alegre, Borba que é pittoresca e, por fim, Elvas que achei agradavel com o seu lindo jardim do Snr. da Piedade e a sua fortaleza. Depois d'alguns kilometros d'avanço chegámos á fronteira onde se cumpriram as formalidades do estylo; passada esta estavamos emfim em terras d'Hespanha que eu, anciosa, esperava visitar."
(excerto do Cap. I, D'Evora a Sevilha)
Índice:
I - D'Evora a Sevilha: - Em Badajoz. - Dia 27; Uma surpreza. - Em Sevilha. - Dia 28. - Dia 29. - Dia 30.
II - De Sevilha a Evora: - Dia 2; Badajoz. - Dia 2; Regresso a Evora, Por Olivença e Alconchel; Mourão; Reguengos; Em Evora.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Com uma dedicatória manuscrita (da autora?).
Raro e muito curioso.
Sem registo na BNP.
20€

27 setembro, 2015

BARATA, Antonio Francisco - O MANUELINHO DE EVORA : romance historico (1637). Por... Coimbra, Imprensa Litteraria, 1873. In-8º (20,5cm) de [8], 300 p. ; E.
1.ª edição.
Romance histórico. Narrativa da resistência eborense à dominação castelhana que culminaria na Restauração, em 1640. Para a elaboração deste trabalho, o autor socorreu-se de documentos coevos pertencentes ao espólio da Biblioteca de Évora.
"Vagarosamente passava para Portugal o anno do Senhor de 1637. E vagarosamente passava porque a patria de D. João I desde 1581 era escrava de Castella, podendo e devendo ser a parte mais dilecta dos monarchas hespanhoes na Peninsula. O seu clima, o seu uberrimo solo, seus famosos portos, notoriamente o de Lisboa e o genio esforçado de seus naturaes, não menos que Andaluzia lhe davam jus, se não a reino independente com leis proprias e costumes seus, ao menos a ser a primeira provincia que desde os pyrineus ao Estreito devia merecer os cuidados dos governantes castelhanos. Grave erro foi a administração de Castella com respeito a Portugal, que os Governadores do reyno depois que expirára D. Henrique, criminosamente agrilhoaram ao carro triumphante do Demonio do meio dia. É-nos porém lisongeira a ferre a dominação de Castella. Os valentes de mil combates, os dominadores do mar, deviam inspirar serios cuidados ao leão Castelhano. A raça de Viriato era muito para temer."
(excerto do Cap. I, O romeiro de Sant'Iago)
António Francisco Barata (Góis, 1836 - Évora, 1910). “Erudito, publicista, escritor, historiador e grande observador dos costumes nacionais. Órfão e sem recursos, iniciou-se na vida profissional como aprendiz de barbeiro em Coimbra. Espírito curioso e amante da leitura, o contacto com os lentes da Universidade, que frequentavam a barbearia onde trabalhava, determinaram a sua formação de autodidacta. Aos 24 anos publicou a primeira obra, sob o título, Lucubrações de Um Artista (1860), que reunia algumas composições poéticas. No ano seguinte (1861) dava à estampa a Breve memória histórica acerca da velha Coimbra, arrasada por Ataces e Remismurado, e da fundação ou edificação da actual Coimbra; em 1862 um drama em quatro actos, A Conquista de Coimbra; e em 1863, as Novas Lucubrações de Um artista. Trabalhador infindável e polemista vigoroso, é extensíssima a sua obra dividida em vários géneros literários, tendo firmado alguns dos seus escritos com os pseudónimos de D. Bruno da Silva e Bonifaciano Tranca Ratos, este adoptado em polémicas e em assuntos que se prestavam à ironia. Colaborou com os vários periódicos existentes em Évora, Elvas, Estremoz, Barcelos e Coimbra. A sua bibliografia é bastante vasta, pois era profundo conhecedor dos costumes e história da região de Évora, dedicando à cidade a sua vida e erudição, através de ensaios de história e arqueologia. Escreveu romances históricos como O Manuelinho de Évora (1873), fez recolha de composições para o Cancioneiro Quinhentista (1902), que se pretendia a continuação do de Garcia de Resende. Colaborou também no Dicionário Heráldico e no Dicionário Espanhol-Português e Português-Espanhol de Figanière (1879). Espírito empreendedor, foi fundador da «Typographia Minerva», inicialmente situada na Praça de Giraldo, nº 40 e 41. Nos primeiros anos do século XX, já velho e doente, ainda produziu algumas obras: Évora e seus arredores (1904), Évora Antiga (1909), e Homenagem de Évora a Alexandre Herculano (1910). Nos últimos anos da sua vida, procurou deixar uma bibliografia de toda a sua produção, Escritos e Publicações de António Francisco Barata - 1866-1908. Personalidade controversa para muitos seus contemporâneos, a verdade é que foi um homem singular.”
(in http://bdalentejo.net/conteudo_a.php?id=103)
Belíssima encadernação da autoria de mestre Frederico d'Almeida em meia de pele. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

26 julho, 2015

EXPOSIÇÃO DE CRISTOS POPULARES - Comemorações do VII Centenário da Reconquista Cristã da Cidade de Évora. 15 de Maio - 15 de Junho de 1966. Évora - Palácio de D. Manuel. Évora, [s.n.], 1966. In-4º (23,5cm) de [20] p. ; [20] p. il. ; B.
1.ª edição.
Catálogo ilustrado com 20 estampas extratexto, representando outros tantos Cristos crucificados.
"Tempos houve, pelo menos cá no Alentejo, em que as noivas incluíam no mobiliário do seu lar em início o que chamavam a mesa do Senhor. Era uma pequena mesa simples, mais ou menos rústica, sobre a qual modestamente se entronizada um Cristo crucificado. Quem fazia estes Cristos? Um carpinteiro, um marceneiro, um curioso ou jeitoso qualquer da localidade, aliás já especializado em fazer Cristos. Os seus Cristos pareciam-se todos uns com os outros, marcados por certos pormenores ou a configuração geral.
Assim se multiplicaram os Cristos pelo Alentejo. Mas não só o Alentejo e sim Portugal inteiro se povoou de Cristos pela fé de outrora: Cristos em todos os estilos e de todas as matérias, desde os Cristos de marfim dos mais ricos oratórios de pau-santo aos Cristos de pinho ou castanho das mais humildes mesas do Senhor. Entre estes Cristos pobres - ousaremos dizer mais cristãos? - se encontram, sem dúvida, algumas das mais expressivas e originais peças da nossa escultura popular. Espalhados por todo o país, como já notamos, grande é a sua diversidade, e nem sempre será fácil reduzir o seu popularismo a caracteres perfeitamente definidos e rigorosos."
(excerto da introdução, Escultura popular de Cristo crucificado)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

19 outubro, 2012

TESOUROS DA BIBLIOTECA PÚBLICA DE ÉVORA. Bicentenário, 1805-2005. Coordenação: João Ruas. Textos: José António Calixto, Isabel Vilares Cepeda, Maria Valentina C. A. Sul Mendes, João Ruas, Inácio Guerreiro, David Cranmer, Lúcia Mariano Veloso. [Prefácio de Isabel Pires de Lima, Ministra da Cultura]. Lisboa, Inapa, 2005. In-fólio (32cm) de 135, [1] p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Obra belíssima, impressa em papel de superior qualidade e muito ilustrada com fotografias a cores de portadas de livros antigos, códices iluminados, plantas e mapas, etc.
“Não seria por certo previsível por Frei Manuel do Cenáculo, há dois séculos, que o exercício de dedicação e generosidade, ao criar a actual Biblioteca Pública de Évora, pudesse originar uma tal escala de grandeza que em muito ultrapassa o mero âmbito local, mesmo nacional, e que ombreia com as mais ricas bibliotecas europeias.” (excerto do prefácio)
Encadernação editorial em carmim com título a seco na pasta anterior e sobrecapa policromada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Esgotado.
Indisponível

21 janeiro, 2012

CASA DO SENHOR DUQUE DE CADAVAL. Évora, [s.n. - comp. imp. Tip. Diana, Évora], 1965. In-8.º (20,5cm) de [44] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
"No decurso da restauração da Igreja dos Loios, levada a efeito por iniciativa e a expensas dos Senhor Duque de Cavaval, foram descobertas algumas relíquias e objectos de arte que os especialistas desde logo consideraram de grande valor histórico, além de espécies únicas."
(excerto da introdução)
Sumário:
- Armas. - Espécies documentais. - Lâminas de bronze. - Escultura. - Pintura.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€