Mostrar mensagens com a etiqueta Psicologia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Psicologia. Mostrar todas as mensagens

28 dezembro, 2025

M
ONIZ, Dr. Egas - A NEUROLOGIA NA GUERRA. Pelo... Professor de Neurologia na Faculdade de Medicina de Lisboa. Ilustrada com 91 gravuras no texto. Lisboa, Livraria Ferreira, 1917. In-4.º (23,5x15,5cm) de 334, [2] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Estudo pioneiro sobre o «stress pós-traumático» - sintomatologia presente em parte importante dos soldados que lutaram na Grande Guerra, o primeiro que sobre este assunto se publicou entre nós
, nunca reeditado.
Ilustrado no texto com inúmeras figuras.
"Quis a Faculdade de Medicina de Lisboa nomear-me seu delegado, a fim de estudar em França os últimos progressos da Neurologia a que a guerra veio trazer tão numerosos subsídios. Dessa missão me desempenhei o melhor que pude, e como me impus a obrigação de apresentar um relatório do que vi e estudei, resolvo fazê-lo um pouco mais extenso e documentado, dar-lhe mesmo uma forma didática e entregá-lo à publicidade, convencido de que com êle algum serviço posso prestar, pois contém doutrina que a todos os médicos portugueses interessa conhecer neste momento, atentas as nossas condições especiais perante o conflito europeu.
As novas aquisições da Neurologia não foram muito numerosas. Muitos dos assuntos se conheciam já, mas uns incompletamente, outros com deficientes aplicações clínicas e quási todos estavam mais ou menos esquecidos na prática corrente, por carência de material. Veio a guerra e êste aumentou tão prodigiosamente, que as séries intermináveis de perturbações, não examinadas normalmente, fez concentrar a atenção dos neurologistas sôbre assuntos que até aí lhes tinham sido quási indiferentes. E assim, se de facto as descobertas neurológicas - e algumas tem havido -  não têm sido extraordinárias, as aquisições que a clínica neurológica acaba de fazer são verdadeiramente notáveis.
Não só novas entidades nosológicas começam a definir-se, mas completam-se capítulos ainda não concluídos e confirmam-se factos sôbre que experiências numerosas e concludentes não tinham ainda pronunciado o último veredicto. O grande conflito fez avançar de muito anos a Neurologia e sobretudo demonstrou que esta especialidade é de tal forma indispensável na guerra que a França não julga ainda suficientes os seus 27 centros neurológicos, sendo 7 da frente e 20 da retaguarda. [...]
O livro que hoje publicamos representa um trabalho de momento que, em alguns casos, não pôde sequer socorrer-se de tudo o que acontece em França, pois há estatísticas que, por motivos militares, não foram ainda publicadas. Só terminada a guerra e conhecidos dos dois lados dos combatentes e em todas as frentes a estatística mórbida e os trabalhos realizados, se poderá fazer obra de conjunto bem documentada e de que as conclusões podem ser definitivas. O nosso propósito é muito modesto: levar aos médicos portugueses o conhecimento do que até hoje nos ensinou a guerra no campo neurológico e aconselhar a prática que reputamos mais vantajosa.
Nos dois últimos capítulos tratamos dos simuladores e dos direitos dos feridos de guerra. Êste último assunto apaixonou a França e, nomeadamente, os médicos e juristas, a propósito dum tratamento executado em Tours pelo neurologista Clovis Vincent e a que os soldados deram o nome de torpedeamento. A questão depois generalizou-se. Pretendeu-se saber se um ferido de guerra tinha ou não o direito de recusar não só os tratamentos eléctricos dolorosos, mas também os tratamentos cirúrgicos, fôsse qual fôsse a sua gravidade. Examiná-la hemos sob estes dois curiosos aspectos."
(Excerto do Prólogo)
"Dois assumtos importantes prendem neste momento a atenção dos neurologistas. Um, é a neurologia de guerra própriamente dita, visto a neurologia, e subsidiáriamente a psiquiatria, terem tomado no grande conflito um lugar importantíssimo entre as demais especialidades médico-cirúrgicas. Outro, ainda mais importante do que o primeiro, é a nova patologia neurológica nascida do exame de milhares de casos de perturbações e feridas nervosas que em tempo normal só raras vezes se observavam e algumas mesmo nunca se viam. E quantas correntes e orientações diversas surgiram após o estudo dêsse grande, dêsse imenso material clínico! E quantas decisões, scientificamente comprovadas, há ainda a tomar!"
(Excerto do Preâmbulo)
Indice:
- Lesões do crânio e cérebro. - Lesões do ráquis e da medula. - Lesões dos nervos periféricos. - Lesões dos nervos do membro superior. - Lesões dos nervos do membro inferior. - Os comocionados. - As perturbações chamadas de ordem reflexa. - Simuladores e exageradores. - Os direitos dos feridos de guerra. - Conclusão.
António Caetano de Abreu Freire Egas Moniz (1874-1955). “Nasceu em Avanca, concelho de Estarreja, em 29 de Novembro de 1874. Formou-se em Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra em 1899, e defendeu a tese de licenciatura em 1900. Em 1901 prestou provas de doutoramento e em 1902 entrou para o quadro docente como professor substituto. Inicialmente trabalhou nas disciplinas de Anatomia, Histologia e, mais tarde, de Patologia Geral. Em 1910 tornou-se professor catedrático. Em 1911 transferiu-se para a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, onde ficou responsável pela cadeira de Clínica Neurológica. Abriu consultório em Lisboa e começou a fazer deslocações regulares a outros países, principalmente a França. Desde os seus tempos de estudante que tinha uma actividade política intensa. Era defensor activo da liberdade de expressão e pensamento e em 1908 foi preso por estar envolvido na tentativa de golpe de estado de 28 de Janeiro contra a ditadura de João Franco (1855-1929). Foi deputado em várias legislaturas, de 1903 a 1917. Em 1910 fez a sua iniciação na maçonaria, na Loja Simpatia e União, de Lisboa. Em 1917 fundou o Partido Centrista, que pretendia unir antigos monárquicos de corrente progressista e republicanos que se afastavam do Partido Evolucionista. Defendia uma aliança entre o capital e o trabalho e preconizava a aplicação de medidas de protecção das classes trabalhadoras. Defensor das liberdades públicas e dos direitos individuais, liderou a corrente parlamentarista do Partido Nacional Republicano resultante da aliança entre os Partido Centrista e os sidonistas, apoiantes do golpe que instaurou em 1917 a ditadura de Sidónio Pais (1872-1918). Em 1917 foi nomeado Ministro de Portugal em Madrid e em 1918 foi Ministro dos Negócios Estrangeiros do governo de Sidónio Pais. No desempenho deste último cargo presidiu a delegação portuguesa na Conferência de Paz de Versalhes em 1918. Em 1919, após o assassinato de Sidónio Pais, foi substituído neste cargo por Afonso Costa (1871-1937) e decidiu abandonar a política activa. Passou então a dedicar-se à sua carreira científica, após ter publicado a obra Um Ano de Política, onde expõe os seus sentimentos e opiniões sobre o seu percurso político. Foi nomeado director do Hospital Escolar de Lisboa em 1922 e tornou-se sócio efectivo da Academias das Ciências de Lisboa em 1923, instituição de que veio a ser presidente pela primeira vez em 1928, vindo a ocupar posteriormente esse cargo por diversas vezes. Foi director da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa entre 1929 e 1931. Em 1939, quando tinha 65 anos, sofreu um atentado no seu consultório, por parte de um seu doente, que o alvejou com oito tiros, dos quais cinco o atingiram. Sobreviveu e jubilou-se em 1944. Em 1945 foi-lhe entregue o prémio de Oslo e em 1949 foi-lhe atribuído o prémio Nobel de Medicina e Fisiologia. Faleceu em Lisboa em 13 de Dezembro de 1955."
(Fonte: cvc.instituto-camoes.pt)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas com defeitos e falhas de papel. Lombada "partida". Interior correcto.
Raro.
45€

25 junho, 2025

ANTUNES, João -
PSICOLOGIA EXPERIMENTAL.
(Notas de propedeutica filosófica). 2.ª edição. Colecção Psicologia Experimental - I. Lisboa, Livraria Clássica Editora de A. M. Teixeira & C.ª (Filhos ), 1926. In-8.º (19x12 cm) de 116 p. ; B.
Interessante ensaio filosófico.
"As sciências de observação adquiriram, ao findar do século transacto, uma feição nitidamente positivista. A criteriologia de Augusto Comte foi erguida a uma categoria dogmática. E neste espírito de análise e de síntese, quer descendo aos infinitamente pequenos pela citologia, quer estudando os astros firmamentares pela análise espectral, não se prescindiu da afirmação concreta dos laboratórios.
O critério scientífico actual é exclusivamente experimental. O idealismo de Kant suscitou por contragolpe o positivismo comtista. [...]
O espírito scientífico evolucionou, pois, sob estas novas fórmulas, alicerçando os dados scientíficos nas resultantes matemáticas da fenomenologia experimental. [...]
E não obstante o problema misterioso da morte e o facto inexplicável da vida psicológica tem subsistido, latente ou patente, através de tôdas as raças e de tôdas as civilizações.
Foi êsse, precisamente, o problema, de novo, hodiernamente lançado para a banca anatómica da análise filosófica.
Considerado à feição de Louis Figuier, de Hyppolute Rivail, pela forma tradicionalista, ou pelo critério enciclopedista a vida psicológica, resultante uma individuação autónoma ou duma síntese neurológica, a morte terminus dum modo de ser funcional ou fase de transição e a vida futura ilusão ou facto, tudo isto obsidia actualmente o espírito experimental da filosofia como problemas ponderosos e basilares."
(Excerto do Preâmbulo)
João Antunes (1885-1956). Advogado e Professor, nasceu em Lisboa em 10 de Fevereiro de 1885. “Escreveu com rara inteligência, um conjunto apreciável de artigos (em revistas) e livros, sobre "conhecimentos que pela sua natureza se não devem vulgarizar". Trata-se, evidentemente, de temas ligados ao ocultismo (na sua versão primitiva, via Papus), cabalismo, esoterismo, teosofia, martinismo, teurgia, templarismo, maçonaria, carbonarismo, etc. Mas foi, particularmente, um grande mentor do pensamento teosófico, quando este estava ainda (por cá) no seu começo, tendo sido um dos fundadores (e primeiro presidente: até 1924?) da Sociedade de Teosofia de Portugal [STP], nascida em 1921."
(Fonte: http://almocrevedaspetas.blogspot.pt)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
15€

02 fevereiro, 2025

RODRIGUES, Hélder -
CIGANOS.
Percursos de Integração e de Reivindicação da Identidade. O exemplo paradigmático dos Ciganos de Carrazeda de Ansiães. Guimarães, Editora Cidade Berço, 2006. In-8.º (22,5x16 cm) de 171, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo histórico, social e etnográfico sobre os Ciganos, e em particular a comunidade cigana de Carrazeda de Ansiães, distrito de Bragança.
Livro ilustrado com fotografias a cores da comunidade, quadros, tabelas e gráficos, a p.b. e a cores, no texto e em página inteira.
Tiragem limitada a 750 exemplares.
"Muito se tem estudado e escrito, genericamente, sobre a etnia cigana. No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer para que se conheça melhor este grupo minoritário, tão estigmatizado pela sociedade dita não cigana.
Hoje, os ciganos já não deambulam tanto como antigamente, pelas estradas e caminhos, em grandes grupos, a pé ou em filas de carroças. Por incrível que pareça, o desenvolvimento também os tocou e então resolveram fixar-se mais nas localidades, geralmente nos arredores de um vila ou cidade, onde montam o seu acampamento formado por tendas de lona, carroças e carros velhos. Depois, periodicamente, quase sempre em períodos de maior necessidade ou por altura das festas e romarias, é que se deslocam pelas aldeias do concelho, a pedir e a conviver com os locais.
É o que acontece com os ciganos de Carrazeda de Ansiães. Já há longos anos que adoptaram esta terra como sendo a sua "pátria". E como, até à data, não existe qualquer publicação e, por outro lado, eles nos merecem uma atenção especial por nos parecerem pessoas simples e de fácil comunicação, propusemo-nos estudá-los e representá-los neste trabalho, estruturando-o, no entanto, a partir da ciganologia já conhecida, nomeadamente, em relação às suas origens; sua entrada em Portugal e enfim, a partir de estudos no âmbito da história, da língua, da psicologia e de outras ciências.
Depois desenvolvemos privilegiadamente, por ser o objecto principal do trabalho,  o grande capítulo dedicado aos ciganos de Carrazeda, partindo de uma questão teórica que nos parece fundamental: a marginalidade como reivindicação da identidade."
(Excerto do Resumo)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

02 outubro, 2024

GOMES, Joaquim Ferreira -
A ESTRUTURA DA INTELIGÊNCIA E A CRIATIVIDADE : segundo J. P. Guilford.
Exposição para concurso para professor catedrático do 7.º grupo, 3.ª Secção (Ciências Pedagógicas) da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Coimbra, [s.n.], 1973. In-4.º (28,5x20 cm) de [1], 45 f. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante trabalho académico do Prof. Joaquim Ferreira Gomes, iminente professor catedrático da Universidade de Coimbra, sobre Inteligência e Criatividade.
Trabalho policopiado, sendo o texto impresso na frente das folhas, ilustrado com uma tabela e um desenho esquemático, ambos colados no texto.
"O problema das aptidões humanas e o problema da criatividade são temas centrais na Psicologia e na Pedagogia dos nossos dias. O presente estudo proõe-se expor e analisar algumas das investigações que, nesses domínios, foram realizadas pelo psicólogo americano J. P. Guilford.
Professor de Psicologia na Universidade da Califórnia do Sul, J. P. Guilford dirigiu, de 1949 a 1969, o "Aptitudes Research Project" (ARP), cujo objectivo fundamental era explorar algumas egiões menos conhecidas da inteligência, como "the areas of reasoning, problem solving, creative thinking, planning, and judgment or evaluation".
Ao longo dos 20 anos em que se desenrolou o "Aptitudes Research Project", Guilford elaborou, de colaboração com alguns membros da sua equipa, 41 relatórios técnicos. Além desses relatórios, e resumindo os resultados das investigações, publicou vários livros e artigos. É com bases nessas obras (citadas, adiante, na Bibliografia) que exporemos o modelo tridimensional e multifactorial da inteligência a que as investigações levaram Guilford. De entre essas investigações, interessar-nos-ão, de modo especial, os que dizem respeito à criatividade. [...]
A partir de 1950 e, sem dúvida, por influência das investigações de Guilford, são extremamente numerosos os estudos sobre criatividade."
(Excerto da Introdução)
Índice:
I - Introdução. II - O modelo da estrutura da Inteligência (SI). III - A Criatividade. IV - Os testes tradicionais de inteligência e a estrutura da inteligência. V - Como desenvolver a criatividade: programas, métodos educativos e exames. | Bibliografia.
Joaquim Ferreira Gomes (Olival, 18 de outubro de 1928 - Vila Nova de Gaia, 27 de janeiro de 2002). "Foi professor catedrático da Universidade de Coimbra e fundador da sua Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação. Considerado o «pai fundador» das Ciências da Educação em Portugal, dedicou-se à História da Educação e à formação de professores. Publicou uma vasta bibliografia no domínio da Filosofia, da História e da Pedagogia. Após completar o Curso Teológico no Seminário de Coimbra, em 1951, seguiu para Roma, tendo-se licenciado em Filosofia na Universidade Gregoriana, em 1953. Regressado a Portugal, ingressou na Universidade de Coimbra, tendo-se licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas na sua Faculdade de Letras, em 1960 e doutorado, em 1965, em Filosofia, na mesma Universidade. Fez as suas provas de agregação em 1970 e concurso para professor catedrático da Secção de Ciências Pedagógicas da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em março de 1974. Dedicou toda a sua vida à Universidade de Coimbra, enquanto docente e investigador e nos seus órgãos de gestão. Foi particularmente determinante na criação dos Cursos Superiores de Psicologia, em 1977, que vieram a dar lugar à criação, em 1980, das Faculdades de Psicologia e de Ciências da Educação."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta oxidação.
Raro.
25€

12 setembro, 2024

LÉPINE, Jean -
TROUBLES MENTAUX DE GUERRE. Par... Professeur de Clinique des Maladies Nerveuses et Mentales à l'Université de Lyon. Paris, Masson et Cie, Éditeurs : Libraires de l'Acádemie de Médecine, 1917. In-8.º (19x13 cm) de 203, [33] p. ; B.
1.ª edição.
Ensaio/guia médico publicado em 1917, durante a conflagração mundial. Trata-se de um importante subsídio para a história da Grande Guerra - no original, em francês - sobre as perturbações mentais e stress pós-traumático, sintomatologia evidenciada por grande número de soldados que participaram no conflito.
Obra rara, com interesse histórico.
“Sem lesões aparentes”. É assim que o Doutor Jean Lépine, Chefe do Centro de Psiquiatria da 14.ª Região Militar e do Asilo de Bron, descreve os soldados vítimas do que hoje se chama de stress pós-traumático… homens enlouquecidos pela guerra.
Em 1917, o Doutor Jean Lépine publicou Transtornos Mentais da Guerra, “uma espécie de guia para os médicos”, cujos estudos não eram especializados em neuropsiquiatria. Este iria ajudá-los desde a linha de fogo até ao interior do país. Jean Lépine não lista patologias, mas sim os fenómenos mentais observados em 6.000 casos desde 1914. Os capítulos descrevem grupos de pacientes que sofrem de “confusão mental alucinatória”, “narcolepsia”, “amnésia”, “perseguição” ou mesmo “estado depressivo”, etc., e fornece pistas para tratamentos químicos, dietéticos ou de balneoterapia…"
(Fonte: https://france3-regions.francetvinfo.fr/bourgogne-franche-comte/histoires-14-18-jean-lepine-psychiatre-blessures-apparentes-1449631.html)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Indisponível

20 junho, 2024

BALZAC, H. de -
PHYSIOLOGIA DO MATRIMONIO OU MEDITAÇÕES DE PHILOSOPHIA ECLECTICA SOBRE A FELICIDADE E INFELICIDADE CONJUGAL.
Por... Traductor A. da Silva Dias. Volume I [Volume II]. Estudos Analyticos. Porto, Livraria Internacional de Ernesto Chardron : Braga, Livraria Internacional de Eugenio Chardron, 1875. 2 vols in-8.º (18x12 cm) de 264 p. (I) e [4], 289, [3] p. ; (II) ; E.
1.ª edição.
Interessantíssimo trabalho sobre o matrimónio (em 2 volumes - completo) da autoria de Balzac (1799-1850), reputado escritor francês, autor da conhecida série de estudos naturalistas A Comédia Humana. Obra de lançamento para uma carreira literária de sucesso, trata-se de um ensaio humorístico e satírico, originalmente publicado em 1829, com o título Physiologie du mariage, que deu brado e provocou escândalo na época.
"A mulher que, vendo o titulo d'este livro tentar abril-o, póde dispensar-se d'isso, porque já o leu, sem saber. Por mais malicioso que seja um homem, nunca dirá tão bem nem tão mal das mulheres, como ellas pensam de si mesmas. Se, apesar d'este aviso, qualquer senhora persistir em lêr a obra, everá a delicadeza impôr-lhe a lei de não maldizer o author, desde o momento em que elle, prescindindo das approvações que lisonjeiam mais os artistas deixou d'algum modo gravada sobre o frontispicio do seu livro a prudente inscripção posta sobre a porta d'alguns estabelecimentos: «É prohibida a entrada ás senhoras.»"
(Comentário preambular)
"«O matrimonio não deriva da natureza. A familia oriental differe inteiramente da familia occidental. O homem é o ministro da natureza, e a sociedade vem enxertar-se n'ella. As leis são feitas para os costumes e estes variam.»
O matrimónio póde pois soffrer o aprefeiçoamento gradual que parece dominar todas as cousas humanas.
Estas palavras pronunciadas por Napoleão perante o conselho d'estado quando se discutia o Codigo civil, impressionaram vivamente o author d'este livro; e, talvez, sem o saber, depositassem n'elle o germen da obra que hoje offerece ao publico. Com effeito, na época em que, muito mais novo, estudou o direito francez, causou-lhe impressões muito singulares a palavra ADULTERIO. Esta palavra immensa no codigo nunca apparecia á sua imaginação sem trazer comsigo um lugubre cortejo. As Lagrimas, a Vergonha, o Odio, os Crimes secretos, as Guerras sanguinolentas, as Familias sem chefe e a Desgraça personificavam-se diante d'elle e erguiam-se repentinamente quando lia aquella palavra sacramental Adulterio! Mais tarde abordando o author ás plagas mais cultivadas da sociedade, descobriu que a severidade das leis conjugaes era alli em geral assás temperada para o Adulterio. Observou que a somma dos matrimonios infelizes é muito superior á dos felizes. Em fim, pareceu-lhe ter sido o primeiro a notar, que, de todos os conhecimentos humanos, o que estava menos adiantado era o do matrimonio."
(Excerto da Introducção)
Encadernações coevas em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplares em bom estado geral de conservação. Cansados, com defeitos nas pastas. Páginas apresentam acidez.
Raro.
25€

24 setembro, 2023

HUGO, Victor -
A SOCIEDADE E O CRIME.
Traducção de Teixeira de Brito. Edição commemorativa do quinto anniversario do passamento do grande Poeta. Porto, Typ. de Arthur José de Sousa & Irmão, 1890. In-4.º (23x15 cm) de XX, 44 p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Interessante romance-ensaio pela pena de Victor Hugo, um dos grandes mestres da literatura mundial, conhecido pelas suas preocupações sociais e humanistas. Estudo raro e valioso, baseado em acontecimentos reais, foi publicado originalmente em França (1834), com o título Claude Gueux.
Versão portuguesa, cuidada, por certo com tiragem reduzida e impressa a expensas do tradutor, ilustrada com um retrato de Hugo em separado.
"Claude Gueux, cujo nome por si só evoca Os Miseráveise e anuncia com trinta anos de antecedência o imenso Jean Valjean, era um pobre diabo, sem dúvida um crápula. Em 1831 foi condenado a oito anos de prisão por roubo; assediado pelo chefe dos guardas, assassinou-o com um machado. Ele foi empurrado para o crime, jura. Seus companheiros de prisão apoiam-no. Mesmo assim, os juízes mandaram-no para o cadafalso. Desta notícia sórdida e deste julgamento, Hugo fará a acusação mais violenta e apaixonada contra a pena de morte primeiro, que este trabalhador, este miserável homem da terra não merecia, e contra a sociedade desumana da época. "As pessoas sofrem, as pessoas têm fome, as pessoas têm frio. A pobreza empurra-as para o crime e o vício. "Abram as escolas, fecharão as prisões. Hugo insulta, grita a sua indignação. E defende a nobreza do ser humano."
(Fonte: Wook)
"Ha sete ou oito annos que vivia em Paris um pobre operario chamado Claudio Gueux. Em sua companhia estava uma rapariga com quem vivia em concubinagem. Como fructo d'esta concubinagem havia uma creança de tenra edade.
É meu dever exprimir as cousas limpidamente, sem subterfugios, deixando ao leitor a tarefa de extrahir a moralidade á medida que a inflexibilidade dos factor for matizando o caminho percorrido. Assim farei.
O operario era honrado, habil, intteligente, pessimamente orientado pela educação mas optimamente protegido pela natureza: não sabia ler mas sabia pensar.
Em um determinado inverno, porém, escasseou-lhe o trabalho. O lume e o pão, materias primas da existencia, eram extranhas ao tugurio. Elle, a amasia e a creança sentiram a fome - a fome! - invadir-lhes desapiedadamente as entranhas. Ora a fome  é d'um rigor summo. N'esta desgraçada conjunctura Claudio foi impellido ao roubo. E roubou. Que roubou elle? Onde foi efectuado o roubo? Não sei. O que sei, porém, é que d'este «roubo», se roubo se póde chamar á satisfação das exigencias estomacais, resultou tres dias de alimento para a mulher e para a creança, e cinco annos de prisão para o pobre Claudio."
(Excerto do ensaio)
Victor Hugo (1802-885). "Foi um romancista, poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista pelos direitos humanos francês de grande visibilidade política no seu país. Autor dos romances, "Os Miseráveis", "O Homem que Ri", "O Corcunda de Notre-Dame", "Cantos do Crepúsculo", entre outras obras célebres. Grande representante do Romantismo, foi eleito para a Academia Francesa."
(Fonte: Wook)
Encadernação meia de pele com cantos e ferros gravados a ouro na lombada. Conservas as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação Mancha antiga de humidade no pé do retrato de Hugo (não visível na foto).
Raro.
25€

11 março, 2023

ANTUNES, João - O HIPNOTISMO E A SUGESTÃO.
"A hipnologia artificial". (Historia a critica, teorias e processos da Hipnologia Artificial). 3.ª edição. Lisboa, Livraria Classica Editora de A.M. Teixeira & C.ª (Filhos), 1924. In-8.º (19 cm) de 88 p. ; B. Colecção "Psicologia Experimental" - II
Importante ensaio sobre hipnologia de um autor consagrado na matéria - o Dr. João Antunes.
"Muitos dos modernos tratadistas da Hipnologia Artificial vincam as suas obras dum personalismo intransigente.
Debalde o fazem. As práticas hipnoticas ressentem-se indelevelmente, pelo menos da psicologia do operador e do paciente. Muito acidentalmente prescindimos desse impressionismo dando ao presente tratado o cunho de um estudo sintetico dos processos dos principais operadores.
Desta sorte «A Hipnologia Artificial» é uma sintese documental.
O experimentalismo hipno-magnetico transpoz, de algum modo, o ambito das sociedades sabias. É pois azado o ensejo de, mais uma vez, em fórma rigorosamente scientifica e clara, concretizar os ensinamentos de mestres de renome mundial.
Quando outro resultado prático não brotasse do conhecimento desta sciencia, sobrelevava a tudo, o facto de, conhecendo-se-lhe os perigos, facilmente se evitarem."
(Excerto do preâmbulo)
Indice:
Através da Historia. | O sono hipnotico  a sua produção. | O hipnotismo e a critica.
João Antunes (1885-1956). Advogado, professor, escritor e ocultista e espírita português, natural de Lisboa. “Escreveu com rara inteligência, um conjunto apreciável de artigos (em revistas) e livros, sobre "conhecimentos que pela sua natureza se não devem vulgarizar". Trata-se, evidentemente, de temas ligados ao ocultismo (na sua versão primitiva, via Papus), cabalismo, esoterismo, teosofia, martinismo, teurgia, templarismo, maçonaria, carbonarismo, etc. Mas foi, particularmente, um grande mentor do pensamento teosófico, quando este estava ainda (por cá) no seu começo, tendo sido um dos fundadores (e primeiro presidente: até 1924?) da Sociedade de Teosofia de Portugal [STP], nascida em 1921."
(Fonte: http://almocrevedaspetas.blogspot.pt)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com efeitos e pequenas falhas de papel.
Muito invulgar.
25€

30 dezembro, 2022

CORRÊA, Antonio Augusto Mendes - O GENIO E O TALENTO NA PATHOLOGIA
(esboço critico)
. Porto, Imprensa Portugueza, 1911. In-8.º (20 cm) de [6], 184 p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Importante ensaio dedicado à análise das capacidades artísticas evidenciadas por pacientes internados em instituições consagradas às doenças do foro psiquiátrico, e outras patologias que, não se enquadrando nessas, eram tratadas como tal.
Primeira obra do autor, tendo servido de dissertação final ao curso de Medicina na Escola Médico-Cirúrgica do Porto.
Livro ilustrado com 17 figuras, sendo a maior parte em página inteira, reproduzindo trabalhos de doentes, os mais variados: desenho; pintura; artefactos de madeira, partituras, etc., produzidos em Rilhafoles, mais tarde Hospital Miguel Bombarda (Lisboa), e no Hospital do Conde Ferreira (Porto).
"São velhos e banaes os conceitos de que «não ha grandes homens para os seus creados de quarto» e de que creaturas de mentalidade superior «não teem o juizo todo». A não ser que uma idolatria apaixonada, motivada as mais das vezes por uma conformidade de opiniões, venha suspender um tal criterio depreciativo, a cada passo de apontam, a meia voz e entre risinhos ironicos, excentricidades, manias bizarras, singularidades intimas, extravagancias ridiculas de creaturas notaveis, o que se leva tudo á conta de perturbações de saude mental. [...]
O medico moderno abandonou o papel restricto dos seus antecessores e, firmado na somma enorme de conhecimentos que a sciencia lhe fornece, entrou de alargar legitimamente o seu campo de acção. A medicina hoje tem, por exemplo, um importante aspecto social e ao medico exige-se em muitos casos que seja doublé de sociologo. Na hygiene, em medicina legar, etc., o medico não é o physico antigo, o remoto cirurgião, o humillimo curandeiro archaico, mas um verdadeiro sociologo, que põe em jogo factos sociaes e intervem poderosamente na vida colectiva das sociedades humanas.
Um campo novo se lhe abriu tambem na psychologia. O fôro da consciencia era antigamente quasi do exclusivo dominio do ministro da religião. A actividade do espirito não era devassada habitualmente pelo medico; nas proprias perturbações mentaes, nos casos de loucura, chamava-se o padre para com bençãos e exorcismos expulsar o espirito maligno do desventurado possesso, ou, com um pittoresco optimismo e uma crendice suprema, cuidava-se - noutras épocas - de adorar as victimas de taes perturbações como se uma inspiração divina sobre ellas tivesse baixado."
(Excerto de A medicina e a critica)
Matérias: A medicina e a critica. | Conceitos do genio e do talento. | A historia da questão da morbidez do genio e do talento. | As doutrinas de Moreau ( de Tours) e de Max Nordau. | A doutrina de Lombroso. | O genio e o talento nos alienados. | Conclusões.
António Augusto Esteves Mendes Correia (1888-1960). "Antropólogo português, nasceu a 4 de abril de 1888, no Porto, e morreu a 7 de janeiro de 1960, na cidade de Lisboa. Licenciou-se em Medicina em 1911 e foi nomeado assistente de Ciências Biológicas na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, onde começou a ensinar Antropologia. Dois anos mais tarde, em 1913, fez provas públicas nesta mesma faculdade, apresentando a dissertação: "Os Criminosos Portugueses (Estudos de Antropologia Criminal)".
Apesar de ser licenciado em Medicina, António Mendes Correia dedicou-se sobretudo ao ensino e à investigação científica. Foi professor de Geografia e Etnologia na Faculdade de Letras do Porto e Professor Catedrático da Faculdade de Ciências da mesma cidade. Para além da docência, Mendes Correia ocupou diversos cargos diretivos, tendo sido Diretor do Instituto de Investigação Científica de Antropologia da Faculdade de Ciências do Porto (1923), Diretor da Escola Superior Colonial, que mais tarde se veio a chamar Instituto Superior de Estudos Ultramarinos (1946), e Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa (1951), entre outros.
António Mendes Correia ajudou ainda a fundar diversos institutos, sociedades, museus e laboratórios científicos tais como o Museu Antropológico do Instituto de Antropologia da Universidade do Porto e a Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia. No âmbito da política, foi Presidente da Câmara Municipal do Porto de 1936 a 1942 e Deputado da Assembleia Nacional a partir de 1945.
António Mendes Correia foi um dos nomes mais importantes da Antropologia portuguesa do século XX. Para além de professor de Antropologia, Mendes Correia soube acompanhar as mais relevantes correntes do seu tempo e contribuir para a sedimentação desta ciência em Portugal.
Conhecedor de múltiplos saberes, Mendes Correia publicou inúmeros estudos no âmbito da Antropologia, Arqueologia, Criminologia e História. Da sua vastíssima obra destacam-se as seguintes publicações: 1911, O Génio e o Talento na Patologia; 1913, Criminosos Portugueses; 1915, Crianças Delinquentes; 1915, Antropologia; 1919, Raça e Nacionalidade; 1921, Homo; 1924, Os Povos Primitivos da História; 1925, A Antropologia nas suas relações com a Arte; 1931, A Nova Antropologia Criminal; 1932, Origens da Cidade do Porto; 1934, Da Biologia à História; 1940, Da Raça e do Espírito; 1946, Uma Jornada Científica na Guiné Portuguesa; 1954, Antropologia e História.
(Fonte: infopédia)
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

05 outubro, 2022

CID, Sobral - O CASO DE FRANZ PIECHOWSKI, PERSEGUIDO, PERSEGUIDOR E MAGNICIDA.
Por...
Lisboa, Imprensa Nacional, 1930. In-4.º (25,5x20,5 cm) de 80, [2] p. ; [2] f. il. ; B.
1.ª edição independente.
Relatório clínico do marinheiro Franz Piechowski, psicopata de origem alemã, cujo delírio atingiu o seu auge em Lisboa, em Junho de 1930, com um crime que chocou o país - o assassinato a sangue frio de um diplomata alemão.
Estudo com interesse para história da psicose em Portugal por um dos seus expoentes máximos da época - o Prof. Sobral Cid.
Este processo contempla o percurso de Franz Piechowski, desde a adolescência (com passagem pelo reformatório), aos anos de embarcadiço - durante e após a Primeira Guerra Mundial -, onde se manifestaram as primeiras crises psicóticas, até à sua prisão, em Lisboa.
"No dia 7 de Junho de 1930, no momento em que saía do cruzador alemão Koenisberg, já acostado ao cais de Lisboa, o Ministro de Alemanha, Barão Von Baligand, foi alvejado a tiro por um seu compatriota - Franz Piechowski -, falecendo horas depois."
(Fonte: facebook.com/lisboadeantigamente)
Livro ilustrado em duas folhas separadas do texto reproduzindo fotogravuras do criminoso - vestido e sem roupa - segundo fotografias do Serviço de Identificação e Registo Policial - Pôsto Antropométrico de Lisboa.
"Manifestamente inspirado pelo delírio, e só por êle, o atentado perpetrado na pessoa do Barão von Baligand por Franz Piechowski integra-se lògicamente na fase decorrente da evolução a sua psicose, como um dos possíveis desfechos - aquele que as circunstâncias tornaram viável - da idea mórbida que, desde a vinda para a Península, se apossara da sua consciência com a persistência e o potencial energético que caracteriza as ideas fixas dentro e fora do campo psiquiátrico. [...]
Em primeiro lugar, a título de precedentes imediatos: a escolha da ocasião, a preparação minuciosa do atentado e a visita prévia ao teatro das operações - sem falar no cenário grandioso: troca de cumprimentos oficiais, marinheiros em parada, salvas, etc. - que o lugar e a ocasião escolhida lhe proporcionaram.
No que toca à execução do acto, a sua atitude fria, impassível só é comparável à do caçador de espera que, à espreita da peça de caça que há-de passar, concentra toda a sua atenção no seu objectivo, de modo a realizar o máximo de calma e domínio e si próprio no momento crítico em que tem de intervir. Chegada a ocasião propícia: ataque brusco e de surprêsa, por forma a assegurar-se do êxito, caindo inopinadamente sôbre a sua vítima."
(Excerto de Características do atentado)
Matérias: [Apresentação]. | Parte I - História pregressa. I - Antecedentes pessoais. II - História do delírio: A) - Eclosão e rápida sistematização do delírio. Estada em Londres. Viagem de retôrno a New-York (Estados Unidos). Regresso a Hamburgo e Danzig; B) - Estada em Danzig. Primeiras reacções agressivas sôbre supostos perseguidores. Tentativa de homicídio. Internamento no Manicómio de Lauenburg.; C) - Evasão do Manicómio de Lauenburg. Migração através da Alemanha ocidental. Queixas e telegramas de protesto. Primeiras manifestações do perseguido-reivindicador; D) - Regresso à actividade profissional. Viagem ao Mar do Norte, Mediterrâneo e Mar Negro. Episódio de Nápoles. Ocorre-lhe a idea de se refugiar na Rússia. Evasão a nado de bordo do «Arscheneim», no canal de Kiel. Estada em Rotterdam e Antuérpia; E) - Embarque clandestino para o Rio de Janeiro. Múltiplas tentativas de envenenamento. A idea do atentado aparece na consciência sob a forma de alucinações. Novas cartas e telegramas de protesto. Regresso à Europa; F) - Aquisição em Antuérpia da pistola «Liberty» - Migração para a Península - Pre-figuração alucinatória do atentado, na cena delirante de Bordéus - O magnicídio convertido numa idea fixa. G) - Instalação e expansão do complexus magnicida; H) - Lisboa - Indeterminação na escolha da vítima. Chegada da esquadra alemã - O atentado; I) - Características do atentado. | Parte II - Status praesens. A) - Exame morfológico; B) - Exame médico e neurológico; C) - Exame psiquiátrico. Parte III - Discussão. A) - Caracteres gerais do delírio; B) - O acontecimento provocador - Transmutação catatímica - Génese do «complexus»; C) - Projecção afectiva do «complexus» - Delírio de auto-relacionação sensitiva; D) - Episódio alucinatório intercalar; E) - Alucinações psíquicas; F) - Reacções: a) Generalidades; b) Reacções asténicas; c) Reacções esténicas; d) Elaboração sub-consciente da idea do atentado e sua pre-figuração alucinatória; e) O magnicídio, expressão de uma idea fixa ou prevalecente; f) Características psicológicas do atentado. | Conclusões.
José de Matos Sobral Cid (Cambres, Lamego, 1877 - Lisboa, 1941). "Mais conhecido por Sobral Cid, foi um médico e professor de Psiquiatria da Universidade de Coimbra. Exerceu as funções de governador civil do Distrito de Coimbra (1903-1904) e foi Ministro da Instrução Pública em dois dos governos da Primeira República Portuguesa (1914). Como professor universitário, criou a escola portuguesa de psicologia clínica, fundamentada na semiologia psiquiátrica, na definição de conceitos psicológicos, assente numa prática de clínica humanizada que valoriza a relação entre médico e doente sem perder o sentido médico da psiquiatria e as suas bases biológicas."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
25€

26 março, 2022

CARDIA, Dr.ª Amélia - VISIONÁRIO : romance psicológico. Lisboa, Edição da Autora, 1932. In-8.º (19cm) de XII, 196 p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Interessante romance "psicológico", dedicado pela autora à memória de seu falecido filho.
Ilustrado extra texto com um retrato de Amélia Cardia.
Exemplar da tiragem de trinta exemplares, numerados, em papel especial. O presente leva o n.º 20.
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa da autora.

"«Ao escritor da hora presente», - deixei-o dito há muito - «incumbe orientar as vagas tumultuosas do pensamento incerto dos novos, empunhando o facho que deve iluminar a derrota a esses mareantes sem bússula.»
Penetrada desta convicção, jamais esqueço o cumprimento de tão sagrado dever em tudo quanto escrevo para ser interpretado: «Por aqui» - quer seja para entregar à publicidade, quer para ficar inédito entre a papelada dispersa, de poucos lida, que nenhum valor tem a não ser a coerência das afirmações que nela se encontram com a norma prescrita pela voz da Realidade Espiritual que vem ditar a cada um de nós a lei da nossa peculiar actuação no mundo, norteando-nos pelo ideal do bem comum, no grupo social de que fazemos parte.
É assim que nos integramos harmonicamente no complexo dinamismo do Universo.
Quando, pelo exercício das faculdades superiores do nosso espírito - núcleo de forças de um potencial espantoso - atingimos o conhecimento da nossa telepatisação com a ambiência etérica do meio em que banham todos os seres, de contínuo atravessado pelas suas ideias, as suas sensações, as suas volições, é que nos apercebemos da reciprocidade das acções telepáticas, moderadoras acidentalmente da corrente de perpétuo movimento em que se revela a Vida. [...]
Resultou destas considerações a contextura do presente romance «VISIONÁRIO» personalidade de alma cândida e generosa que na perfeita integração do seu dever moral e cívico de homem, desenvolveu, mercê de circunstâncias imperiosas, tendências congénitas intelectuais e sensitivas que o divinisariam se tivesse vindo ao mundo em tempo próprio."
(Excerto do prólogo - Á guisa de prólogo)
Amélia Cardia (Lisboa, 1855 - Lisboa, 1938). "Médica e escritora. Dedicou-se ao estudo dos clássicos e da filosofia, após o que se formou em Medicina com brilhantes classificações, tendo sido a primeira mulher licenciada em Medicina em Lisboa e a primeira mulher interna nos Hospitais Civis. Fundou uma casa de saúde na Estrela, que abandonou passados oito anos para se dedicar a estudos de filosofia e espiritismo. Pertenceu à Associação das Ciências Médicas e à Federação Espírita Portuguesa. Colaborou assiduamente em diversos jornais e revistas - Ilustração Portuguesa, O Século, Revista de Espiritismo, Diário de Notícias, etc. –, tendo dirigido O Mensageiro Espírita."
(Fonte: Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. II, Lisboa, 1990)
Exemplar em brochura, bem conservado. Capas levemente oxidadas.

Raro.
Indisponível

18 fevereiro, 2022

MARTINS, J. Mendes - SOCIOLOGIA CRIMINAL (estudos).
Com prefacio do Ex.mo Sr. Dr. Julio de Mattos
. Lisboa, Tavares Cardoso & Irmão - Editores, 1903. In-8.º (19 cm) de XXXII, 140, [20] p. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo criminal sob o ponto de vista sociológico, publicado nos alvores do século XX, muito valorizado pelo extenso prefácio do conhecido médico alienista Júlio de Matos.
"Parte integrante do um aggregado humano, o criminoso actua sobre elle pelos delictos; perturbada, a collectividade reage pelas penas. Mas o estudo d'estas acções e reacções, que em todos os tempos e em todos os logares preocuparam os espiritos, não foi sempre positivo, nem podia sêl-o, porque a Sociologia, de que esse estudo é apenas um ramo, só se constituiu como sciencia a partir do momento em que o genio maravilhoso de Augusto Comte fez penetrar, sob o nome de continuidade historica, o luminoso conceito de evolução no dominio dos factos collectivos."
(Excerto do Prefacio)
"O regime penitenciario, desconhecendo em absoluto a indole indefinidamente variavel e essencialmente concreta do crime, e obedecendo em eus principios ao apriorismo e deducções subjectivas do do ontologismo classico, está mui longe de poder reputar-se um meio racional de repressão e, conjunctamente, um meio de regeneração do delinquente.
E assim, submette a torturas moraes cruciantes o honesto e laborioso chefe de familia que, soffrendo a expiação d'uma falta passageira, v. g., d'um crime de roubo ou fruto, a cujo commettimento o impelliram a occasião e quasi sempre a necessidade, á semelhança do galeriano João Valjean, pensa, durante a solidão e isolamento na cellula, nas angustias e desamparo da familia e na ignomia propria, ferreteada por esse regime repressivo, e que, tornando-lhe a lucta pela vida mais penosa e difficil, quando não impossivel de supportar, depois de restituido á liberdade, lança-o pelo desespero e miseria na iteracção do crime.
Por outro lado, apresenta-se com todos os encantos e attractivos para o criminoso habitual que, de ordinario, sem casa nem lar, compara o bem-estar e os confortos da vida cellular, ás refregas e accidentes d'uma vida miseravel e precaria."
(Excerto de Repressão do Crime)
Indice:
Prefacio do sr. Julio de Mattos. | Introducção.| Movimento Scientifico Contemporaneo (Seus Antecedentes Historicos). | Processo Methodologico (Estatistica Criminal). | Responsabilidade Criminal (O delinquente). | Repressão do Crime (Regime Penitenciario). | Appenso ( Instituição do patronato).
Exemplar em brochura, por aparar, bem conservado. Apresenta sublinhados e notas a lápis na primeira parte do livro.
Raro.
Com interesse histórico e criminal.
30€

04 fevereiro, 2022

CABREIRA, Antonio - RISOS E LAGRIMAS.
(Estudos psychologicos)
. Lisboa, Livraria Editora Viuva Tavares Cardoso, 1904. In-8.º (19 cm) de 61, [3] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Curioso estudo "psicológico" sobre o conceito dicotómico riso-pranto.
Ilustrado com o retrato do autor em extra-texto.
"Risos e lagrimas são syntheses de amor e soffrimento, de alegrias e desastres, de felicidade e afflicção. De risos e lagrimas se extraem immortaes poemas lyicos e épicos; de risos e lagrimas se compõem as flores mais mimosas da sentimentalidade; de risos e lagrimas se tecem os factos culminantes da Historia.
Como a palavra, como a musica, como a pintura, os risos teem diversas modalidades: o amor pode ser criminoso, a felicidade egoista, a alegria feroz. Outrotanto succede ás lagrimas, onde ás vezes relampejam o odio, o desespero e ainda os maiores lances de ternura.
Ha risos que insultam, que nobilitam, que consolam, que torturam. Ha lagrimas que amaldiçoam, que retemperam, que humilham, que sacrificam."
(Excerto da Primeira Parte, Cap. I)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conervação.
Invulgar.
15€

30 janeiro, 2022

FERNANDES, Barahona - EXUMAÇÃO DO CASO DA PINTORA JOSEFA GRENO.
No centenário de Miguel Bombarda
. [S.l.], Separata de «O Médico» : N.º 34, 1952. In-4.º (23,5 cm) de 12, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Opúsculo ilustrado no texto com um retrato de Miguel Bombarda.
"A personalidade famosa e marcante de Miguel Bombarda, a par da glória médica e popular, tem sido o sestro das grandes contraditas.
As suas dissertações , ousadas e incconoclastas, sobre os neurones, a consciência e o livre arbítrio levantaram contra si, em violentas polémicas, André Navarro e o Padre Santana.
As suas intervenções médico-forenses, defendendo corajosamente a irresponsabilidade penal dos doentes mentais, desencadearam grandes resistências nos tribunais e na opinião. Já então, como ainda hoje, a ignorância, os preconceitos, ou os interesses levantaram peias à aceitação da loucura e da consequente irresponsabilidade em indivíduos, que não exibissem perda flagrante da lucidez e da ordem e nexo das ideias.
O «velho caso», sensacional na época, do assassínio do marido pela pintora paranoica Josefa Greno, é agora sujeito  «nova autópsia», pelo pintor Varela Aldemira. [...] Obra de investigação histórica e de intenção psicológica, que pretende tornar compreensível e, de certa maneira, justificar o crime daquela talentosa e hoje olvidada artista, delicada pintora de flores, que acabou os seus dias em Rilhafoles.
Miguel Bombarda, sentindo-se acossado pela opinião pública, que exigia a condenação da criminosa, e punha em dúvida a ciência dos peritos, que a davam por louca e irresponsável, reagiu, enérgica e impetuosamente, com o entusiasmo, nem sempre prudente, que o assinalava."
(Excerto do texto)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
10€
Reservado

07 dezembro, 2021

CORRÊA, Mendes - CREANÇAS DELINQUENTES. Subsidios para o estudo da criminalidade infantil em Portugal. Coimbra, F. França Amado, editor, 1915. In-8.º (19 cm) de [4], 131, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo sobre a criminalidade infantil, elaborado já sob os auspícios da República, com algum rigor e método. Contém dedicatória autógrafa do editor na f. anterrosto.
“Teem sido estabelecidos os principaes tipos de anormais que fornecem contingentes sensiveis para a delinquência infantil. Citarei: os anormais por deficit intelectual (idiotas, imbecis, fracos d’espirito e sobretudo os simples atrasados mentaes), os instaveis com ou sem debilidade mental, os astenicos (apaticos, abulicos, preguiçosos), os anormaes por deficit afectivo ou moral (indisciplinados, amoraes e viciosos), os anormais convulsivantes (perturbações graves da epilepsia, histeria e coreia) e os alienados propriamente ditos. Os anormais por deficit físico ou sensorial também contribuem frequentemente para a criminalidade infantil, mas em geral as suas anomalias colaboram apenas por incidente com mais importantes fatores do crime. Os chamados anormaes por defeito educativo (ignorantes, atrasados pedagogicos, muito viciosos e imoraes por habito adquirido ou influencia do meio, etc.), dão muito maior quota de delinquentes, mas na verdade trata-se de falsos anormaes, porque os seus cerebros não teem necessariamente uma estrutura anomala ou patologica. Educadas convenientemente, essas creanças em nada se distinguem das creanças normaes.”
Matérias:
I. - «A creança delinquente». II. - «Vadios». III. - «Prostitutas e libertinos». IV. - «Gatunos». V. - «Agressores, assassinos e outros». VI. - «A criminalidade de menores em Portugal». VII. - «A lucta contra a criminalidade infantil». VIII. - «O exame medico-antropológico da creança delinquente».
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta falha de papel no canto inferior dto; assinatura de posse no verso da f. anterrosto.
Raro.
Indisponível

07 outubro, 2021

BINET-SANGLÉ, D.r - A LOUCURA DE JESUS. Hereditariedade, Constituição e Fisiologia.
Edição Popular. Tradução de Manoel Ribeiro
. Lisboa, Guimarães & C.ª - Editores, 1910. In-8.º (20,5 cm) de XVIII, 249, [3] p. ; [1] f. il. ; E.
A questão de saber se o Jesus histórico gozava de boa saúde mental foi alvo de estudos por vários psicólogos, filósofos, historiadores e escritores. O primeiro a questionar abertamente a sanidade de Jesus foi o francês Charles Binet-Sanglé (1868-1941), médico militar e psicólogo, autor de La folie de Jésus [A loucura de Jesus], tese polémica que atingiu particularmente os círculos cristãos e conservadores parisienses. (wikipédia)
Livro ilustrado em separado com um retrato de Jesus Cristo.
Manuel Ribeiro (1878-1941) - o tradutor - teve um percurso de vida que o levou do catolicismo relutante - época em que traduziu a presente obra - ao catolicismo pleno, não sem antes, pelo meio, ter tido um papel activo no movimento anarco-sindicalista nacional bem como na fundação do Partido Comunista Português, antes de se "encontrar" com a sua religiosidade, prática e mística.
Precede a obra própriamente dita duas tabelas: o "Vocabulario dos nomes de pessoas" e o "Vocabulario do nomes de logares".
"A maior parte dos homens d'acção têm repugnância em escrever.
Os exaltados e os energúmenos que tomam parte numa campanha religiosa, se pensam alguma vez em redigir as suas memórias, apenas o fazem depois da batalha ou quando a idade os obriga ao descanço. Os discípulos de Ieschou bar-Iossef [Jesus Cristo] sentiam tão pouca necessidade de escrevêr quanto mai próximo julgávam o fim do mundo.
Dest'arte, durante vinte, trinta anos talvez, os actos e as palavras do Nazareno apenas fôram conservadas nas memórias, mas nestas memórias, exercícios de iletrados, que nos transmitíram, intactos na sua prosódia, os védas, os poemas homéricos e os poemas árabes, nessas memórias semíticas, que recébem a impressão e a conservam como o cilindro do fonógrafo, nessas memórias de místicos impressionáveis, para quem as mais insignificantes palavras e gestos do rabi, tínham o valor das palavras e dos gestos dum deus."
(Excerto do Cap. II, Os documentos relativos a Ieschou - I - A paradosis)
Índice:
Prefácio. | Introdução. | Primeira Parte - Hereditariedade de Ieschou bar-Iossef. | Segunda Parte - Constituição e físiologia de Ieschou bar-Iossef.
Encadernação cartonada recoberta de pano estampado com motivos florais, com autor e título gravados a ouro em rótulo aposto na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Indisponível