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16 agosto, 2024

SOMBRIO, Carlos - AGUARELAS DA BEIRA. Cronicas da Serra da Estrela. [Prefácio de Mário Vieira Machado]. Ceia, Tipografia "Montes Herminios", 1933. In-4.º (24 cm) de 141, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante conjunto de crónicas que traduzem uma temporada na Serra da Estrela, e as caminhadas e passeios que Sombrio por lá deu.
Livro bonito, de grande esmero e apuro gráfico, ilustrado com 12 belíssimas estampas em sanguínea, reproduzindo clichés do autor (ass. "A. Esteves") - 1 na capa e 11 no interior (coladas em página inteira).
"Ergui-me hoje no desejo de subir a encosta e ir até ao Monte Farjão e dali, olhando o imenso vale onde algumas povoações se acolhem, se aconchegam no mimo e no afago das últimas verduras, procurar ao longe a nuvem movediça do fumo do combóio que atravessa a Beira a caminho de terras fronteiriças.
É já cá em cima, perto da carvalha velha que encontro um rebanho tilintando e um velho pastor, de manta listada às costas e de chapéu de largas abas.
- «Bom dia!» - E vou a seguir o meu caminho.
- «Bom dia!» Mas logo num olhar de estranheza e numa interrogação: «Onde vai meu senhor, com tanto frio, sem que para aí ande viv'alma?»
Acarinho a sua curiosidade com um pretexto.
Ofereço cigarros. E como dois velhos conhecidos ou como dois bons amigos, emquanto a cinza tomba, ouço atentamente a narração das luzes da vida... Parece que atravez da bôca sequiosa do pobre velho, é a Serra que fala, ou que ouço quanto de divino, de ancestral existe no doloroso calvário que é a existência dos guardadores de ovelhas nestas apartadas paragens."
(Excerto de As luzes da vida : O sol de inverno)
"Descia numa manhã límpida como um cântico triunfal, a encosta da Serra, quando chamaram, lá no alto, a minha atenção para um ajuntamento triste de casas aninhadas na bacia das vertentes, e inquiriram de mim se conhecia a povoação mais alta do país.
Respondi negativamente, ao mesmo tempo que inquiri:
- «A povoação mais alta do país?...»
A minha interrogação pareceu despertar o bairrismo herminista dos moços beirões que me acompanhavam, obrigando-os a intervir num atropêlo:
- «Sim, o Sabugueiro, a terra mais alta do país.»"
(Excerto de Sabugueiro)
Índice: Duas linhas... [Prefácio] - | Para a Serra! | Vila Nova de Tazem. | Aldeias. | A Cerca dos Marqueses de Gouveia. | Antonio Lopes "O Reformado". | Arcozêlo. | Folgosinho. | Vinhó. | As luzes da vida : O sol de inverno. | A Cascata da Fervença. | Romarias da Beira. | Joaquim Sarío. | A Senhora do Destêrro : As Lagoas. | A Voz da Païsagem e a Voz do Poente. | Sabugueiro. | Baptismo de neve. | Ceia.
Carlos Sombrio, pseudónimo literário de António Augusto Esteves (Figueira da Foz, 1894-1949). Divulgador e "amigo" da Serra da Estrela. "Proprietário de um estabelecimento de ourivesaria e relojoaria na Praça Nova (Praça 8 de Maio), iniciou a sua atividade literária no jornal “A Voz da Justiça”. Desde 1920 e quase até ao fim da vida, foi um colaborador ativo da imprensa portuguesa, dispersa por quase uma centena de periódicos de todo o país, e manteve páginas literárias nos jornais “Gazeta de Coimbra” e “Notícias de Gouveia”.
Praticou remo, como timoneiro, na Associação Naval 1.º de Maio, da qual foi, em 1920, nomeado sócio honorário e de cuja biblioteca foi patrono. Proferiu inúmeras conferências e organizou saraus artísticos memoráveis, alguns dos quais transmitidos pela antiga Emissora Nacional. A sua vastíssima produção literária abarcou diferentes géneros: contos, crítica e divulgação dos mais diversos autores, poesia, teatro (principalmente operetas e outras peças musicadas), inúmeros prefácios, textos acerca de desportos náuticos, biografias, estudos de história local, propaganda turística, entre outros."

(Fonte: http://diversosdicaseditos.blogspot.pt/2014/07/recordando-carlos-sombrio-no-120.html)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Manuseado. Capas frágeis, com defeitos e pequenas falhas de papel (alvo de restauro no canto superior direito). Páginas apresentam picos de acidez. Com duas gravuras em falta (das 14 que compõem o livro).
Invulgar.
25€

08 maio, 2018

SOMBRIO, Carlos - HERMINISMO. (Conferência). Separata do jornal «A Voz da Serra». Seia, Edições «Montes Hermínios», 1949 [na capa, 1950]. In-8.º (21,5 cm) de 40 p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Conferência pronunciada a 3 de Maio de 1942, no Colégio Dr. Simões Pereira, em Seia. Para efeitos de impressão em separata, o texto foi revisto pelo autor, que no entanto viria a falecer pouco tempo depois. A sua publicação visou perpetuar a  alocução, mas também homenagear Carlos Sombrio como grande amigo e divulgador da Serra da Estrela.
Obra rara, por certo com tiragem reduzida, ilustrado com dois retratos do autor, e bonitas vinhetas tipográficas.
"«Herminismo» é, incontestàvelmente, um poema rescendente de harmonia e ritmo, de luz e de cor, de humanismo e de requintado impressivismo, sensorial de realismo e de verdade...
Assim, a conferência proferida por Carlos Sombrio, - talento cintilante, alma ardente e sedenta de vôos de beleza que à Nossa Terra tem devotado carinhos de enamorado - não podia deixar de ser, como foi, uma fonte cachoante de emoções, um caudal de sensações espirituais, qual delas a mais vivida e qual delas a mais penetrante.
Não nos surpreendeu, mas avassalou-nos, subjugou-nos, arrebatou-nos o seu fervor de crente em oração perante o grandioso altar da Montanha.
Carlos Sombrio, não impressiona tão sòmente pela riqueza superabundante do seu estilo ou pela elegância da sua palavra. Prende e empolga antes pela sua sensibilidade vibrante, pelo saudismo que palpita nas suas evocações, pelo arroubamento quáse místico que se irradia, que se reanima e se comunica através do inflamado calor que toma a sua voz.
Sente connosco. Sentimos com êle."
(Excerto de Uma conferência - Um escritor - Uma obra..., por António Aragão)
"Na ânsia insatisfeita de desvendar mistérios, o homem é um eterno e impenitente sonhador. Anseia e deseja, inquieta-se e tortura-se. Foi inicialmente essa inquietação e essa tortura que em tempo distante, aqui me trouxeram, pela primeira vez, à Serra.

Trazia no coração o alvoroço de todas as esperançosas quimeras, e na alma a sêde ardente de desvendar lindezas que antevira em ilusórios sonhos. Deixara o mar, onde em menino e môço aprendera, na tristeza das suas queixas, na dolência das suas amorosas baladas, a amar a contemplação e a entender a emotividade das coisas.
O combóio trouxera-me de longe encantado e prêso à atraente altivez da Serra e poisara-me num dos degraus da Montanha. Anoitecia no Mundo, - e dentro de mim.
A Serra, na sua sedução feiticeira, fàcilmente aprisionaram o espírito do desconhecido que se abeirava do seu abrigo, - que se fazia inquilino da sua graça perturbante, da sua atraente beleza."
(Excerto de Louvor)
Matérias:
- A única razão.. - Uma conferência - Um escritor - Uma obra... - Conferência: # Louvor; # Do herminismo - sentimento eterno; # A Beira, as suas belezas, as suas gentes, na voz dos prosadores e na lira dos poetas; # O espírito serrano numa tríplice personificação de exemplo: a altivez, a heroicidade e a abnegação; # In perpetuum.
Carlos Sombrio, pseudónimo literário de António Augusto Esteves (Figueira da Foz, 1894-1949). "Proprietário de um estabelecimento de ourivesaria e relojoaria na Praça Nova (Praça 8 de Maio), iniciou a sua atividade literária no jornal “A Voz da Justiça”. Desde 1920 e quase até ao fim da vida, foi um colaborador ativo da imprensa portuguesa, dispersa por quase uma centena de periódicos de todo o país, e manteve páginas literárias nos jornais “Gazeta de Coimbra” e “Notícias de Gouveia”.
Praticou remo, como timoneiro, na Associação Naval 1º de Maio, da qual foi, em 1920, nomeado sócio honorário e de cuja biblioteca foi patrono. Proferiu inúmeras conferências e organizou saraus artísticos memoráveis, alguns dos quais transmitidos pela antiga Emissora Nacional. A sua vastíssima produção literária abarcou diferentes géneros: contos, crítica e divulgação dos mais diversos autores, poesia, teatro (principalmente operetas e outras peças musicadas), inúmeros prefácios, textos acerca de desportos náuticos, biografias, estudos de história local, propaganda turística, entre outros."

(Fonte: http://diversosdicaseditos.blogspot.pt/2014/07/recordando-carlos-sombrio-no-120.html)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas ligeiramente oxidadas.

Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível