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31 julho, 2026

POSTURAS ESTABELECIDAS POR ACCORDÃOS PARA MANTER A LIMPEZA, POLICIA, E ORDEM GERAL
. Porto: Typ. de Gandra & Filhos. - 1839. In-8.º (20x15,5 cm) de 15, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Publicação histórica. Trata-se do primeiro código de posturas adoptado pelo Município do Porto vertido em livro.
Curioso regulamento. Inclui dezenas de posturas, que, lidas aos dias de hoje não podem deixar de suscitar sorrisos.
Opúsculo com interesse histórico e etnográfico, em especial para a cidade do Porto.
"Em 1839, as posturas municipais da cidade do Porto são, pela primeira vez, compiladas e impressas num único local, um pequeno livro de bolso, que permite a sua mais fácil divulgação e publicitação. A partir das transformações político-administrativas que saíram da revolução liberal vários são os municípios Portugueses que procedem à publicação de Códigos de Posturas, leis emitidas por cada cidade para regular aspectos vários do seu funcionamento, onde, para além de se regularem outros aspectos do funcionamento da cidade, designadamente hábitos de utilização do espaço e coisa pública, licenças de utilização e funcionamento de actividades, ordem pública ou coimas, também se começam a regulamentar aspectos da construção de edifícios e da utilização das vias públicas, mormente aqueles que interferem directamente com a salubridade e segurança das populações."
(Fonte: VALE, Clara Pimenta do, Códigos de Posturas da Cidade do Porto entre o Liberalismo e a República. Influências e reflexos na forma de construir corrente, UFES, 2013)
"A CAMARA MUNICIPAL Da Antiga, Muito Nobre, Sempre Leal, e Invicta Cidade do Porto faz publicas as seguintes Posturas estabelecidas por Accordãos para manter a limpeza, policia, e ordem geral, na certeza de que estão tomadas as necessarias providencias para que as Penas comminadas sejão competentemente impostas a todos os transgressores.
Açougues.
He prohibido não ter os Açougues limpos, sob pena de 2:000 rs. He tambem prohibido o não deixar a balança livre para ser o peso certo, sob igual pena de 2:000 rs.: he prohibido da mesma forma vender carne corrupta, sob pena de 1:440 rs.: he prohibido igualmente ter carne fóra das umbreiras das portas, sob pena de 1:920 rs."
(Açougues)
"He prohibido vender Bacalhau corrupto, sob pena de 2:400 rs. assim como seccá-lo nas ruas ou praças publicas, sob pena de 1:200 rs.
(Bacalhau)
"He prohibido andarem Cães pelas ruas, sem que seus Donos tirem licença da Camara, pela qual pagaráõ 480 rs.; mas com obrigação de os trazerem com assame e golleira, na qual se declare o Nome do Dono, e rua onde mora; sob pena de se podêrem mandar matar.
(Cães)
"He prohibido gallopar a toda a brida pelas ruas da Cidade, sob pena de 2:500 rs. além do prejuizo de terceiro. As pessoas a quem cumpre a execução das posturas, se não puderem apprehender o Cavalleiro que fôr á desfillada, examinarão onde elle móra, e darão parte ao Juiz Eleito respectivo para se fazer effectiva multa, da qual terão hum terço."
(Cavalleiros)
"He prohibido lançar á rua Immundicie de qualquer especie: pena 2:400 rs."
(Immundicie)
"He prohibido atirar pedras com funda, ou sem ella, sob pena de 2:000 rs além do prejuizo de terceiro.. Os garotos que o fizerem serão punidos correccionalmente."
(Pedradas, ou tiros á funda)
"He prohibida a divagação de Porcos pela Cidade: os que forem encontrados pelas ruas, de noite ou de dia, serão tomados por perdidos, conduzidos ao Curral do Concelho, dando-se logo parte ao Juiz Eleito para sua immediata arrematação.."
(Excerto de Porcos)
"He prohibido ás Regateiras vender fóra dos sitios destinados, sob pena de 1:000 rs., e não pagando em continente, lhes serão apprehendidos os Generos e conduzidos a qualquer Estabelecimento pio. Podem só vender pelas ruas, apregoando.
(Regateiras)
[...]
E para que chegue á noticia de todos, se mandou publicar o presente, que será affixado nos logares publicos do Concelho. Porto e Paços do Concelho, 25 de Maio de 1839. - Domingos José Alves de Sousa, Secretario, o fiz escrever.
Miguel Joaquim Gomes Cardoso,
Presidente. [etc.]
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Sem capas, toscamente aparado. Ausência da 1.ª folha (em branco?). Salvo melhor opinião, este livrinho foi publicado sem folha de rosto. As informações técnicas vêm impressas na última página de texto, em jeito de colofão. Deve ser encadernado.
Raro.
45€

23 junho, 2026

FIGUEIREDO, Alfredo de -
FUTEBOL E SUAS LEIS.
Por... Do Colégio de árbitros do Pôrto. [S.l.], Composto e impresso na Tipografia A Desportiva, Lda. - Porto], [1939]. In-8.º (18,5x12 cm) de [6], 184, [6] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Publicação muito curiosa, dedicada ao desporto-rei e suas leis, sendo seu principal objectivo, de acordo com o autor, moralizar o futebol(!). Ontem como hoje...
Obra rara e muito interessante.
Ilustrada no texto e em página inteira com desenhos, croquis e publicidade da época.
"Pelo estranho poder de sugestão que exerce sôbre as massas, pela sua extraordinária acção dinamizadora, o Futebol estava destinado a conquistar rápidamente tôdas as simpatias e a criar uma enorme legião de apaixonados. Portugal não podia fugir à regra, e assim é que a breve trecho o futebol ganhou, em público, a primazia de todos os desportos, conquistando justamente os pergaminhos de desporto popular por excelência.
Êste facto, aparentemente lisongeiro, havia de trazer, como conseqüência inevitável, alguns inconvenientes dignos de ponderação.
O entusiasmo das massas, crescente e indisciplinado, trouxe consigo a improvisação de tudo, - de campos, de jogadores, de árbitros, de fiscais de linha, e até mesmo de público, por muito paradoxal que a nossa afirmação pareça. Queremos nós dizer que até o público devia ter sido preparado, tanto sob o ponto de vista técnico como sob o ponto de vista moral, por forma a tornar-se apto a bem compreender todos os seus deveres de cavalheirismo e de cidadania, não só em relação a árbitros e a jogadores, mas até mesmo em relação a si próprio. Público que não sabe respeitar, é incapaz de respeitar-se e é indigno de ser respeitado.
Mas não só o público deixou de ser convenientemente preparado a tempo; nem sempre os grupos foram constituídos pelos jogadores mais capazes, mediante selecção rigorosa, (seja sob o ponto de vista físico e técnico, seja ainda sob o ponto de vista moral), e ao mesmo pecadilho da improvisação nem sempre conseguiu esquivar-se a escôlha de árbitros e de directores de Clubes, de Associações e de Federações de Futebol.
Quere isto dizer que tudo se fez precipitadamente, com grande velocidade, - no que, aliás, Portugal, não constitue caso único - e fazer muito de-pressa e bem é milagre que não se encontra no domínio das possibilidades humanas.
Há que voltar ao princípio, por forma a reparar êrros acumulados e lacunas graves de que não poucas vezes temos sofrido irreparáveis conseqüências, e isto só pode conseguir-se através duma intensiva e porfiada propaganda, ou antes, duma aturada e regeneradora faina de divulgação.
Têm aparecido, nos últimos anos, numerosas publicações desportivas - algumas delas inegavelmente valiosas - e a muitas delas deve a educação física da mocidade serviçoes de inestimável preço. Contudo, a grande maioria destas publicações tem-se preocupado mais em visar objectivos críticos e noticiosos do que pròpriamente aqueles que julgamos primaciais: os da divulgação educativa."
(Excerto do Prefácio do Autor)
Alfredo de Figueiredo (?-?). Foi uma figura de relevo no futebol português, destacando-se como futebolista, árbitro e um dos primeiros pensadores do desporto em Portugal. Jogador do FC Porto (tal como seu irmão Camilo de Figueiredo), fez parte do plantel principal nos primeiros anos de existência do clube. Sagrou-se bicampeão regional no Campeonato do Porto (nas épocas de 1914/1915 e 1915/1916) e conquistou a Taça José Monteiro da Costa em 1914. Destacou-se ainda como árbitro, representando o pioneirismo na arbitragem portuguesa. Esteve presente no primeiro jogo oficial de âmbito nacional em Portugal (no dia 3 de junho de 1923), dirigindo o jogo entre o Sporting Clube de Braga e a Académica de Coimbra. Também apitou a célebre final do II Campeonato de Portugal. Escreveu o livro "O Futebol e as Suas Leis" (1939), uma das primeiras obras de reflexão teórica e regulamentar sobre o futebol no país. (IA)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
50€

17 maio, 2026

RIBEIRO
(Humbérï), Humberto - UM VADIO... : romance. Porto, Editor Carlos José Ribeiro, 1926. In-8.º (21,5X14,5 cm) de 140, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Romance de costumes baseado numa história real, de miséria humana, do conhecimento do autor.
"Ó vergastados da vida! é por vós que êste livro fala aos homens sem piedade, sem critério, aos malabaristas da lei e aos senhores do ouro." O Autor
Romance pungente, sobre os meandros da marginalidade e prostituição na Cidade Invicta há um século atrás.
A BNP não menciona o presente título. Também nada foi possível apurar acerca do autor ou da sua obra por ausência de fontes biobibliográficas.
"Não teve o meu amigo a pretensão de fazer uma obra de literatura petulante nem astuciosa para o coração de moças garridas - mas, sim, uma obra de emotiva realidade, descrição de um caso patológico moral, que serve para os estudiosos e para os homens que se alapardam nas altas Direcções Gerais da Sanidade, resolverem a melhor forma de fazer-se a ablação dêsses carcinomas morais."
(Excerto da carta de Vidal Oudinot)
"Preguntáste-me, há tempos, se eu sabia algo acêrca da vida daquele infeliz rapaz a quem conhecemos sob a alcunha de o Trovador, indivíduo que, certa noite, nos deliciou, juntamente com a sua companheira de infortúnio - aquela Luisita muito magra, de olhos negros e tristes - com a audição de alguns fados, cantados num tom de voz doce e maguada, repassada de sentimento.
Nada te disse na ocasião, porque nada podia dizer-te, porém, o teu interêsse, sem saber explicar-te o motivo, fez nascer em mim o irresistível desejo de os tornar a vêr.
Assim resolvido, calcurriei grande número de ruas do Pôrto, de preferência as mais sórdidas e entrei em muitas espeluncas, sem que me fosse possível descobri-los. [...]
Todo eu fui ouvidos. Vim a saber que o infeliz [Trovador] estava na cadeia."
(Excerto de Carta a Diniz, amigo do autor)
"Em meados de 1922, vinda de uma aleola do Douro, desembarcava na estação de Campanhã, uma interessante rapariguita, de catorze anos de idade, orfã de pai e mãe, que para o Pôrto vinha destinada a exercer o mistér de serviçal, para o que trazia uma recomendação a deter minado negociante de ferragens da rua do Almada, indivíduo que logo a alugou. Depois de haver prestado o máximo dos seus serviços durante três anos, foi despedida, em virtude do falecimento do chefe da casa.
Muito inexperiente, foi esbarrar-se numa das inúmeras Agências de Serviçais que enxameiam o Pôrto, estabelecimentos que a experiência grandemente nos tem demonstrado nada mais serem do que engenhosas ratoeiras armadas ás incautas que o azar da vida para ali arremessa, obrigando-as, muitas vezes, senão sempre, a darem o primeiro passo no limiar da porta que dá ingresso no templo da prostituição.
Foi, pois, numa destas execrandas casas que Luisita - assim lhe chamavam - caiu."
(Excerto de Um vadio...)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas apresentam pequenas falhas de papel nos cantos.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
35€

07 maio, 2026

AUGUSTO, Ignacio -
A INFELIZ.
Conto moral. Por... [Porto], Editor Ignacio Augusto [Imprensa Nacional], 1905. In-8.º (19x12 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Conto verídico com intuitos moralizadores. Narra a "perdição" de uma moça do campo, desde os tempos da fábrica onde se empregara (e fora seduzida) às ruas de Lisboa onde, de prostíbulo em prostíbulo, terminou os seus dias. No final, o autor apela à consciência colectica pela "extranha tolerancia em favor das vergonhosas casas de prostituição".
Opúsculo curioso e muito invulgar. A BNP não menciona. Nada foi possível apurar acerca do autor d'A infeliz, uma vez que não foi possível chegar a qualquer fonte bio-bibliográfica, mas pelo sentido da narrativa seria do Porto, como aliás a "biografada", mas esta dos arrabaldes da Cidade Invicta.
"Em 1886, epocha em que se passa esta narrativa, vivia n'uma das freguezias do visinho concelho do Porto, uma familia composta de pae, mãe e uma filha, uma innocente e loira creancinha que era o enlevo de seus paes.
Thereza, assim se chamava a joven que fórma o assumpto d'esta narração, passou os primeiros annos da sua vida na aldeia. Na plenitude das suas forças e da sua saude, Therezinha tomava parte alegremente em todos os innocentes jogos das creanças da sua idade.
Á medida que ia crescendo, notava-se que chegaria a ser uma rapariga formosissima; possuia umas bellas feições e uma esbelta figura, presentes do céu que desgraçadamente se trocam para muitas infelizes em rêdes de Satanaz. A sua educação domestica deixou alguma coisa a desejar, não obstante, a sua familia desfructava de uma certa consideração na aldeia.
Therezinha foi crescendo, crescendo, e, pelo espaço de muitos annos, cumpriu com exactidão todos os seus deveres.
Como seus paes não fossem ricos, com pesar seu, se viram obrigados pela idade avançada e pela falta de saude, a pedirem a uns antigos conhecimentos, para que a sua filha fosse admittida como operaria-aprendiza em uma fabrica de tecidos, onde pudesse ganhar o sufficiente para a ajuda do seu alimento e do seu vestuario. [...]
Na fabrica acima dita, quem exercia o logar de pagador era o filho d'um dos proprietarios da mesma, um valdevinos, em toda a extensão da palavra, e a quem o pae obrigou a trabalhar, para lhe tornar com a prisão d'um trabalho assiduo, a orgia menos extensa.
Mas, mesmo assim o seu germem vicioso e envenenador, ia-se alastrando lentamente em todas as victimas que por fatalidade de dirigiam um olhar, ou por algumas d'aquellas a quem a necessidade obrigava a dirigirem-se-lhe.
Carlos, pois assim se chamava o pagador, nas suas horas vagas passeava pela fabrica jogando ás escondidas de seu pae, chalaças ás operarias. As mais escrupulosas respondiam-lhe inconvenientemente, em quanto que as menos escrupulosas se riam das suas chalaças respondendo com ditos e gracejos de toda a ordem. No numero d'estas, contava-se Thereza."
(Excerto de A Infeliz)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Envelhecido e manuseado. Capas frágeis, manchadas, com defeitos.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
20€

09 abril, 2026

CUNHA, Annibal -
EM MINHA LEGITIMA DEFEZA.
Exposição apresentada ao Senado da Republica Portugueza por... Capitão-Pharmaceutico. Porto, Typographia Artes & Lettras, 1913. In-8.º (21x15 cm) de 27, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante contributo para a história da Revolta de 31 de Janeiro de 1891, ocorrida no Porto. Trata-se da narrativa do autor, participante directo do movimento conspirativo, tendo tomado parte nos encontros e negociações de bastidores entre militares e iminentes figuras da República, e do que se seguiu - a fuga, e o exílio após o fracasso golpista, - e por fim o regresso à Pátria, onde, após o 5 de Outubro de 1910, reclama da sua situação militar. Inclui diversa documentação relacionada com o 31 de Janeiro, incluindo missiva abonatória em seu nome expedida por João Chagas do Limoeiro, em artigo de 1897, publicado no jornal Marselhesa, que o próprio dirigia a partir da cadeia, e outros testemunhos abonatórios de conhecidas personalidades do regime recém-instituído.
Opúsculo valioso, raro, sem referências bibliográficas, incluindo a BNP que não menciona a obra. Por certo com tiragem reduzida. 
"Sendo estudante, assentei praça, como voluntario, no mez de Janeiro de 1888, no Regimento de Infanteria 18, requerendo licença para estudos, que me foi concedida. Em 1890, á data do Ultimatum do governo inglez, tinha eu o posto de cabo. Tomei parte activa nas manifestações academicas de caracter politico que então se produziram, chegando a dirigir os meus companheiros do Lyceu do Porto sob o meu commando.
Terminando o anno lectivo, recolhi ao corpo e empreguei todo o tempo disponivel na propaganda republicana a dentro dos quarteis, distribuindo, secretamente, periodicos republicanos pelas casernas, organisando grupos e dando reuniões de cabos depois do toque de recolher.
Uma noite, estando de inspecção o capitão Sarsfield, reuni os meus camaradas e propuz-lhes a conveniencia de sahirmos  armados para a rua, afim e se proclamar a Republica. No meu enthusiasmo de rapaz, julguei que o momento era opportuno, visto que á Guarda Municipal não tinha sido ainda distribuida a espingarda Kropatschek, o que nos dava uma grande superioridade, apezar de estarem muito reduzidos os quadros dos regimentos da guarnição do Porto, pelo facto de haverem  sahido grandes contingentes d'estes corpos para o cordão sanitario. Quando este plano estava prestes a ser executado, alguem lembrou a conveniencia de préviamente nos entendermos com os elementos civis, pois poderia a nossa precipitação prejudicar quaesquer trabalhos revolucionarios que estivessem organisados. Por proposta minha, ficou desde logo nomeada uma commissão de cabos, que no dia immediato procuraria João Chagas, director da Republica Portugueza, para lhe offerecer a nossa cooperação Assim se fez, indo nós á redacção do jornal avistarmo-nos com João Chagas, que ficou surpreehendido com o que ouvia e deliberou enviar-nos no dia seguinte um delegado seu, que se entenderia connosco no Jardim da Cordoaria.
De facto, lá appareceu, á hora marcada, o Dr. Eduardo de Souza, que, em face da nosse attitude, e reconhecendo a gravidade da situação, nos aconselhou a fallarmos novamente com João Chagas, ficando eu incumbido d'essa missão.
João Chagas aconselhou-nos que esperassemos alguns dias até ao regresso ao Porto de Bazilio Telles e Santos Cardoso, para depois se dar inicio aos trabalhos revolucionarios entre militares. Pôz-me depois em relações directas com Alves da Veiga, Bazilio Telles e Santos Cardoso, que morava então na rua do Almada, onde João Chagas, para este effeito, lhe foi apresentado por José Pereira de Sampaio, que os reconciliou."
(Excerto da Narrativa)
Aníbal Augusto Cardoso Fernandes Leite da Cunha (1868-1931). "Cientista, pedagogo e militar. Filho de António Cardoso Leite da Cunha, militar, e de D. Quitéria Augusta Fernandes Cunha, naturais do Porto e moradores na rua do Almada, nasceu na freguesia da Vitória, Porto, a 8 de setembro de 1868. Foi batizado no dia 24 de outubro seguinte, tendo como padrinhos José Fernandes, seu avô materno, e Ana Rita da Costa Pinto.
No Porto fez o curso dos liceus e cedo se notabilizou pela sua intervenção cívica. Militar desde 1888 (assentou praça como voluntário no Regimento de Infantaria 18), participou na Revolta de 31 de Janeiro de 1891, facto que o conduziria ao exílio. Em Espanha, onde se exilou, foi um dos subscritores do Manifesto dos Emigrados da Revolução Republicana Portuguesa de 31 de Janeiro de 1891, editado em Madrid a 12 de abril desse ano. No Brasil, onde também esteve exilado, exerceu o magistério.
Regressou a Portugal após amnistia, a 6 de junho de 1893, e casou com Laura Vieira d’Andrade.
Em 1910 foi reintegrado no exército, mais tarde, em 1921, foi promovido a Major Farmacêutico e em 1930 colocado na situação de reserva.
Aníbal Cunha é considerado um dos principais obreiros da afirmação do ensino farmacêutico em Portugal, muito tendo contribuído para a converter a Escola de Farmácia na Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, em 1921.
Integrou associações científicas e foi condecorado com a medalha de prata de classe de comportamento exemplar, medalha de bronze comemorativa da Revolta do 31 de Janeiro e medalha de ouro de comportamento exemplar. Foi, ainda, distinguido, com o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada e o título de Comendador da Ordem Militar de Avis.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
85€
Reservado

08 abril, 2026

LEMOS, Antonio de -
CANTAROLAS
. Porto, Livraria e Imprensa Civilisação, 1924. In-8.º (16,5x12 cm) de [50] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de cantigas em verso de cunho popular.
Livrinho ilustrado com bonita gravurinha nas capas e na última folha, em página inteira.

"Se te vejo no jardim
Mourejar com alegria,
Tenho-te inveja, confesso,
Maria, minha Maria.

E penso, cá para mim,
Que quem contigo casar
Ha-de ser feliz á certa,
Maria, meu bem amar.

Mas os teus olhos, cachopa,
São para o socego um p'rigo,
Por isso... por causa d'elles,
Não hei-de casar contigo.

E, como tambem não quero,
Que alguem mais te possa amar,
Fica certa, e muito certa,
Nem te hei-de deixar casar."

(Cantarola I)

António Baptista Alves de Lemos (1864-1931). Nado e criado no Porto. Pouco de sabe a seu respeito. Apesar de ter publicado cerca de duas dezenas de obras, especialmente pequenas peças de teatro, a sua principal ocupação seria o exercício de farmácia, sendo proprietário de um dos estabelecimentos mais antigos do Porto - a Farmácia Lemos & Filhos, localizada na Praça de Carlos Alberto.
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Capas frágeis, manchadas. Capa anterior apresenta falha de papel nos cantos.
Invulgar.
10€
 

12 fevereiro, 2026

EXPOSIÇÃO COMEMORATIVA DO 66.º ANIVERSÁRIO DA IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA -
5 DE OUTUBRO DE 1910 : 5 DE OUTUBRO DE 1976 -
Palácio Foz : 5 a 31 de Outubro de 1976. [S.l.], Secretaria de Estado da Comunicação Social : Direcção-Geral da Divulgação, 1976. In-8.º (20,5x14,5 cm) de [40] p. ; [4] p. il. ; B.
Catálogo da exposição comemorativa do 66.º aniversário da República.
Ilustrado na capa com bonita efígie da República em relevo, e no interior, em separado, com 4 desenhos a cores impressos sobre papel couché de figuras gradas da República: Manuel de Arriaga; Teófilo Braga; Bernardino Machado; António José de Almeida.
Junta-se folha volante com o título Conferências sobre a I República, integradas nesta mesma exposição, a realizar na biblioteca do Palácio Foz.
"«A democracia portuguesa conta com uma data gloriosa, que é o começo de uma nova era: o 10 de Junho de 1880», escrevia Teófilo Braga, o ideólogo republicano que lançou a ideia do tricentenário do grande épico luso.
Embora os ideais republicanos tivessem feito a sua aparição entre nós em meados do século XIX, é verdadeiramente com a celebração do tricentenário camoniano de 1880 que se assinala o ponto de arranque da trajectória que irá culminar no 5 de Outubro de 1910. Como disse Basílio Teles: «Antes dessa data não há história do partido republicano, mas apenas história da ideia, da aspiração republicana...» (Do Ultimatum ao 31 de Janeiro).
O verdadeiro fundador-doutrinário do partido republicano foi Henriques Nogueira (1825-1858). Vinte anos depois da sua morte era eleito para o Parlamento o primeiro deputado republicano, Rodrigues de Freitas."
(Do tricentenário camoniano ao regicídio)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa levemente oxidada.
Invulgar.
Com interesse histórico e bibliográfico.
10€
Reservado

29 novembro, 2025

CASTRO, Americo de -
ULTIMOS ANOS DA MONARQUIA (memorias)
. Porto, Deposito: Livraria Fernandes de J. Pereira da Silva, 1918. In-8.º (19x12 cm) de 172, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Memórias do autor relativas aos anos que precederam a República, desde os tempos de estudante, até ao final da Monarquia e os anos que se seguiram.
Edição do autor, por certo com tiragem reduzida.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor na f. rosto.
"Os ultimos anos da monarquia foram de descredito para o país,  de veniaga e corrupção da parte chamada intelectual e de miseria para o povo.
Os partidos politicos iam buscar aos bancos das escolas os seus mais fortes sustentaculos.
Coimbra, de madre forte e alentada,arremessava para o mundo politico quasi todos os bachereis.
Uma carta de formatura garantia uma administração do concelho.
Quando um estudante recebia das aristocraticas mãos da sua noiva a adorada pasta bordada a matiz ou a ouro, já tinha na sua terreola aquela benesse que servia para os primeiros anos de aflição.
Não era raro ouvir nos geraes da Universidade empomadados quintanistas referirem-se á sua vida politica futura e á votação que tinham na sua terra.
Ali, de ordinario, o futuro bacharel ou pensava em politica baixa e reles ou nos casamentos ricos.
Uma carta de bacharel era uma carta de alforria. Foi na Universidade, dêsse alcouce de Minerva, onde as consciencias sofriam verdadeiros tratos de polé, que sairam todos os males que nos legou a monarquia e de que tem enfermado a propria Republica. Recebido o grau, a borla de lente tonava-se o apagador do senso comum.
Lá vinha por aí fora o bacharel apelintrado e faminto.
Rodeado de esfaimados como êle, subornava consciencias, dominando as gentes tristes das fabricas e dos campos.
Ele infligia o castigo aos seus inimigos e semeavam o dinheiro do Estado por aqueles que apenas sabiam que as eleições davam a maioria a êste ou áquele, ao progressista ou ao regenerador.
Ele era então o terror e o bom deus."
(Excerto de IV - Fim da Monarquia)
Indice:
Ao leitor | I - Vida Academica no Porto. II - Os estudantes republicanos de Coimbra. III - Organisação revolucionaria dos estudantes republicanos de Coimbra (a sua acção em 28 de Janeiro). IV - Fim da Monarquia. V - Sete anos depois. VI - Post scriptum.
Américo da Silva Castro (1889-?). Natural de Santo Tirso, formado em Direito pela Universidade de Coimbra em 1908, abriu banca de advogado no Porto. Fixou residência em Vila Nova de Famalicão desde Dezembro de 1943, exercendo o cargo de Conservador do Registo Civil, trabalhando em advocacia. No Porto, enquanto estudante liceal, fundou, com outros, a União Académica. Dele, já Bernardino Machado, num discurso no Porto, na inauguração do Montepio da Classe Comercial da mesma cidade, se refere nos seguintes termos: "esperançoso e simpático aluno da Faculdade de direito da nossa Universidade" (Bernardino Machado, Obras: Política - I, "A Reforma", p. 414). No Porto, foi vereador da Câmara Municipal, Conservador do Registo Civil no 2.º Bairro, Administrador do Concelho em Matosinhos, Presidente do Tribunal dos Árbitros Avindores, Presidente da Comissão Administrativa dos Bens da Igreja, Director do Instituto Industrial do Porto, Conservador do Registo Civil em Espinho, entre outros cargos. Foi deputado em 1921 pelo círculo de Santo Tirso e, em 1922, pelo Porto nas listas do Partido Democrático. Em 1907 escreveu no jornal "O Porvir" várias crónicas intituladas "Palavras Vermelhas".
Encadernação de amador com rótulo na lombada. Sem capas de brochura. Aparado à cabeça.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
45€
Reservado

18 novembro, 2025

ANTAS, Azeredo e MONTERROSO, Manuel -
A SALUBRIDADE HABITACIONAL NO PÔRTO (1929-1933).
Por... Delegados de saúde. Ministério do Interior : Direcção Geral de Saúde. Inspecção de Saúde do Pôrto. Lisboa, Imprensa Nacional, 1934. In-8.º (22x14 cm) de 51, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante trabalho - produzido nos alvores do Estado Novo - composto pelos relatórios que sobre o assunto escreveram dois especialistas em saúde e higiene urbana na cidade do Porto.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa de Azeredo Antas ao conhecido médico, publicista e dirigente político Brito Camacho.
"Pertinazmente, mas com apropriada ductilidade, tem de ser conduzida a acção sanitária na cidade do Pôrto, dadas as condições especificamente ligadas à topografia e vida social dêsse aglomerado.
A Inspecção de Saúde do Pôrto fixou proficientemente umas normas de procedimento, fugindo a quaisquer luzimentos mas insistindo em realizações práticas que hoje já começam a ser verificadas.
Os médicos sanitários dessa Inspecção, escolhidos para a fiscalização e estudo da salubridade  habitacional, têm revelado um critério perfeito nos conhecimentos doutrinários e sagazmente modelado por experiência longa."
(Excerto do Prefácio)
Índice:
Relatórios apresentados à Inspecção de Saúde do Pôrto:
I - A salubridade habitacional no Pôrto, por Azeredo Antas e Manuel Monterroso..
II - A salubridade das novas habitações, por Azeredo Antas.
III - A salubridade urbana em geral (correcção dos defeitos sanitários), por Manuel Monterroso.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Apresenta pequena falha de papel na capa, à cabeça.
Muito invulgar.
15€

07 setembro, 2025

MONTEIRO, José António Pereira -
O EXÉRCITO LIBERTADOR : 1828-1834. Lisboa, Estado-Maior do Exército : Direcção do Serviço Histórico-Militar : Centro de Estudos de História Militar, 1989. In-8.º (20,5x14,5 cm) de [1], 36 f. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da Guerra Civil portuguesa, a formação e desempenho do «Exército Libertador» e a importância estratégica, política e militar, da Terceira no desenrolar dos acontecimentos.
Trabalho batido à máquina e policopiado, impresso na frente, sem menção na base de dados da BNP.
Ilustrado no texto com quadros e tabelas estatísticas, e um mapa da Ilha Terceira em página inteira.
"A formação de um "Exército Libertador" enquadra-se no processo de instauração do liberalismo em Portugal, que só veio a terminar ao fim de catorze anos de lutas por vezes renhidas e muito complexas, marcados por uma alternância de vitórias e derrotas.
A situação militar foi marcada, particularmente a partir de 1828, pela alternância e comandos e a divisão em dois Exércitos bem definidos que terminou apenas em 1834, com a Convenção de Évora-Monte.
Analisar o período em questão, à luz das exigências da moderna historiografia científica não é tarefa fácil, devendo-se essas dificuldades em grande parte ao estado da historiografia portuguesa a ele relativa. [...]
Datamos significativamente este nosso trabalho entre 1828 e 1834 porque, embora se comece a falar mais insistentemente de um Exército Libertador apenas a partir de 1830, entendemos que a sua origem poderá colocar-nos dois anos antes, com a revolta de 16 de Maio e o episódio da Belfastada. Foi a partir desta altura que Portugal ficou dividido em dois partidos bem definidos: Os miguelistas, adeptos do Antigo Regime político e económico, e os liberais, adeptos da Constituição de 1822 ou da Carta de 1826.
A esta divisão política correspondeu a divisão do Exército, concretizada pela revolta de 16 de Maio de 1826."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | A revolta de 16 de Maio de 1828 e a retirada para a Galiza | Tropas da Junto do Porto (tabela) | Tropas miguelistas (tabela) | A permanência em Inglaterra [dos refugiados] | A Ilha Terceira, novo ponto de concentração dos emigrados | A organização militar nos Açores de 1830 a 1831 | Organização das forças na Ilha Terceira (Março de 1830) | A organização da expedição militar a Portugal | Exército Libertador desembarcado em Portugal - Mapa da força presente em parada, no acto de embarque | O Exército Libertador durante o Cerco do Porto | Organização do Exército Libertador | A vinda de Solignac e a mudança do teatro da guerra do norte para o sul do país | De Almoster e Asseiceira à Convenção de Évora-Monte | Evolução numérica do Exército Libertador  (de 1832 a 1834) | Despesas totais da guerra | Corpos que compunham o Exército Libertador em 31 de Maio de 1834 | Notas | Bibliografia.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e militar.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

20 fevereiro, 2025

AURORA, Conde d' -
ITINERÁRIO ROMÂNTICO DO PORTO.
Desenhos de José Luís e fotos do autor extratexto
. Porto, Editorial Domingos Barreira, [1962]. In-8.º (20x13 cm) de 165, [3] p. ; [28] p. il. ; B. 
1.ª edição.
Roteiro do Porto antigo, histórico e monumental. No prefácio o autor dá conta do seu desencanto pelo desaparecimento de edifícios relevantes para a cidade e a dispersão dos seus ricos recheios.
Ilustrado com inúmeras fotografias e desenhos dispersos por 28 páginas intercaladas no texto.
Índice:
Prefação. Itinerários: I - Marcha de aproximação. II - Praça Nova. III - Rua do Loureiro - Rua Chã - Sé. IV - Rua de S.to António - S.to Ildefonso - Freixo. V - Rua das Flores. VI - Bolsa - S. Francisco - Feitoria. VII - Da Universidade ao Campo Alegre. VIII - Praça de Carlos Alberto a S.to Ovídio. IX - Clérigos - Cordoaria - Vitória. X - Infante - Foz - Matosinhos.
José António Maria Francisco Xavier de Sá Pereira Coutinho, 2.º Conde de Aurora (Ponte de Lima, 29 de Abril de 1896 - Ponte de Lima, 3 de Maio de 1969). Escritor português. "Em 1919, por ocasião da Monarquia do Norte, partiu para o exílio tendo vivido em Espanha, no Brasil e Argentina. Em 1921, fundou o periódico “Pregão Real”. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e foi juiz do Tribunal do Trabalho. A sua obra reparte-se por vários géneros literários, caracterizando-se pela defesa dos valores culturais tradicionais dentro dos moldes estéticos do realismo, na senda de Eça de Queirós. Marcadamente nacionalista e claramente crítico em relação à Primeira República, o Conde d’Aurora dedicou ao Minho – aqui entendido como a região de Entre-o-Douro-e-Minho – grande parte da sua obra literária."
(Fonte: http://bloguedominho.blogs.sapo.pt/119202.html)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Assinatura de posse na f. rosto.

Muito invulgar.
20€

02 janeiro, 2025

GANDRA, João Nogueira - RESENHA DIPLOMATICA DO PORTO,
contendo os Nomes de todos os Grandes do Reino, Titulares, Conselheiros, Fidalgos, Commendadores e Cavalleiros; Corporações Ecclesiaticas, e Scientificas; Tribunal da Relação; corpos Municipaes, e Cidadãos do Municipio; Consules; Empregados Publicos; Commissões Commerciaes, Honorificas, & & &. Residentes nesta Cidade ao tempo da vizita de S. M. F. a Rainha Senhora D. Maria II, que Deus guarde. Recopilada por..., que a dedica Á Exm.ª Camara Municipal. Porto: Typ. de J. N. Gandra & Filhos. 1852. In-8.º (15,5x10,5 cm) de V, [1], 50 p. ; B.
1.ª edição.
A pretexto da visita de D. Maria II ao Porto, o autor listou os nomes das personalidades das mais variadas áreas que "contavam" para a Cidade.
Obra rara e muito curiosa.
Inclui Copia do extracto do Ceremonial, segundo o Regimento do Senhor Rei D. Manoel, de 30 Agosto de 1502.
Com interesse para o conhecimento das formalidades - adereços e disposições - que sempre precediam e acompanhavam as visitas régias.
"Sendo as Ceremonias da Entrada dos Senhores Reis deste Reino sugeitas ao que se dispõe no Regimento do Snr. D. Manoel, de 30 d'Agosto de 1502, que é fonte d'onde dimanou o que teve lugar na entrada do Snr. D. João VI em Lisboa no anno de 1821, assim como da Senhora D. Maria II em 1833; e supposto que na Visita da mesma Augusta Senhora a esta Cidade do Porto em companhia de seu sempre chorado Pai, se aproximasse o ceremonial do que aquelle Regimento prescreve; - não ficando trabalho regular a seguir no futuro, - resolvemos publicar um extracto do Ceremonial que apontamos.
Como nelle se mencionão expressamente classes distinctas, - Fidalgos, Cavalleiros, Escudeiros, Mercadores, Povo &e, aproveitamos alguns trabalhos, que de tempos a esta parte confeccionamos com a tenção de dar um Almanak Diplomatico desta segunda Capital do Reino, no principio do anno seguinte.
A occasião não se póde deparar mais propria para tal publicação, como no tempo presente, em que Sua Magestade a Rainha, na companhia de seu Augusto Esposo, do Principe Herdeiro, e do Segundo Genito o Duque do Porto, vem honrar esta antiga, mui nobre, sempre leal, e invicta Cidade, com uma Visita.
Damos pois esta Resenha, que comprehende do Grande do Reino, aqui residentes, Titulares, Fidalgos, Corporações, e Pessoas conspicuas da Cidade; devendo declarar, que pela designação de Povo entendemos os Cidadãos, que ficão conservando tal nome, em rasão de haverem servido Cargos Municipaes."
(Excerto da nota de abertura)
"No lugar do desembarque ha de construir-se uma ponte de largura conveniente, com degráus e varandas ornadas.
No cabo da dita ponte será S. Mag. recebido debaixo do Pallio.
O Pallio, que será de seda preciosa tecida com flores de ouro e prata, será conduzido pelos tres Vereadores actuaes, tres do anno passado, um do precedente, e pelo Corregedor do Crime da Corte e Casa.
A Cidade sahirá a receber S. Magestade. Adiante hirá o Senado da Camara, precedendo-lhe o Procurador abrindo caminho, e o Vereador das Obras com as Chaves de ceremonia alçadas na mão direita, de modo que todos as vejão."
(Excerto do Ceremonial, segundo o Regimento do Senhor Rei D. Manoel...)
João Nogueira Gandra (Porto, 1788-1858). "Commendador da Ordem de Christo. Cavalleiro da de N. S. da Conceição, condecorado com a medalha n.° 2 da Campanha peninsular; ultimamente segundo Bibliothecario da Bibliotheca Publica do Porto. - N. na mesma cidade a 17 de Julho de 1788, e in. a 5 de Dezembro de 1858. - Consta que na sua mocidade pretendera seguir profissão da Medicina, porém contrariedades sobrevindas o impediram de concluir os estudos respectivos diz a seu respeito o jornal Braz Tizana n.° 284 de 13 de Dezembro de 1858.
De muitas poesias, discursos e outras obras, que compoz (segundo consta), e que seu filho determina publicar em collecção, apenas vi impressas em sua vida as seguintes, ignorando se mais algumas existem: O Segredo; canção improvisada no Porto em 5 de Dezembro de 1827, anniversario natalício do ex. mo sr. Marquez de Villa-flor. - Sem logar nem anno. 4.° de 6 pag.; Improviso recitado perante Suas Magestades Fidelíssimas e Imperiaes no theatro do Porto, quando esta cidade recebeu a honra de sua visita. - Sem logar nem anno. Meia folha de impressão; Ode heróica a Lord Wellington, por occasião da victoria de 30 de Julho de 1813. Lisboa, Imp. Regia 1813. 4.° de 10 pag.; Oração na inauguração do retrato de Sua Majestade Imperial sr. D. Pedro, duque de Bragança, na Real Bibliotheca Publica da cidade do Porto. Porto, Typ. de Gandra & Filhos 1841. 4.° de 28 pag., com uma estampa.
Foi em 1821 e 1822 redactor principal do periódico Borboleta Constitucional, publicado no Porto; e depois de 1833 collaborador da Chronica Constitucional, do Artilheiro, e de alguns outros jomaes."
(Inocêncio, T. III, 426 pp.)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa de protecção, lisa, simples, manchada, com título abreviado manuscrito, seguido da inscrição também manuscrita: "Lêtra de António Mascarenhas de Mancelos Valdez". Sem contracapa. Cantos vincados. Pelo interesse e raridade deve ser encadernado.
Muito raro.
100€

22 outubro, 2024

CASTELLO-BRANCO, Camillo -
AVENTURAS DE BAZILIO FERNANDES ENXERTADO
. Lisboa, Livraria de Antonio Maria Pereira, 1863. In-8.º (17,5x11,5 cm) de 235, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Rara edição original de uma das obras mais estimadas e engraçadas do mestre-prosador de S. Miguel de Seide. Trata-se estas "Aventuras..." de um romance de crítica social que espelha e satiriza os costumes da burguesia endinheirada do Porto na época.
"Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado, publicado originalmente em 1863, centra-se nas peripécias de Basílio Fernandes, filho de um comerciante rico do Porto. A história é narrada por um amigo próximo de Basílio, que supostamente o defende e protege, mas a perspetiva do narrador sobre o protagonista nem sempre é clara, e o tom é muitas vezes irónico e jocoso, não deixando de expor situações pouco abonatórias em relação ao “herói” Basílio Fernandes, como o próprio narrador o qualifica. É esta dicotomia, enriquecida pelo estilo camiliano, que tornam as Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado , uma das mais importantes obras satíricas de Camilo Castelo Branco."
(Fonte: https://www.almedina.net/as-aventuras-de-bas-lio-fernandes-enxertado-1563993915.html)
"Bazilio Fernandes é um sujeito de trinta e sete annos, com senso-commum, engraçado a contar historias de sua vida, activo negociante de vinhos no Porto, amigo do seu amigo, e bastante dinheiroso - o que é melhor que tudo já dito e por dizer.
Seu pai chamou-lhe José Fernandes, por alcunha o Enxertado. Pegou-lhe a alcunha, por que, sendo elle natural de um aldeia d'aquelle nome em Tras-os-Montes, quando já era caixeiro, muitas vezes dizia aos seus companheiros de passeata, aos domingos: Ó Porto é boa terra; mas lá como o Enxertado ainda não puz os olhos n'outra!». A caixeirada, menos sensivel á saudade das suas aldeias, ria do moço, e, por mófa, lhe chamava o Enxertado, alcunha que elle ajuntou ao seu nome com honras de appellido.
Casou José Fernandes com Bonifacia Teixeira, filha do patrão, que negoceava em azeite, depois que enriquecera na sua mercearia  do largo de S. Bento.
Bazilio foi o primogenito e unico. Nascêra muito gordo e extraordinariamente volumoso. Tinha a cabeça igual ao do restante corpo, e uns pés dignos pedestaes do capitel da irregular columna. Em quanto ao tamanho descommunal da cabeça, foi isto motivo para muitas alegrias em casa: no parecer d'aquella mãe ditosa, a grandeza da cabeça era signal de juizo, e o tamanho das orelhas correlativas signal de bom coração. O pai, como não tinha idéas suas ácerca de orelhas, abundava nas de sua mulher, posto que de via certa soubesse que um máu visinho da porta dissera que o seu Bazilio era aleijado, e sahiria com orelhas de burro, se se demorasse mais tres mezes no ventre materno.
A casa do mercieiro ia um frade carmelitano de optimos costumes, ainda parente transversal da senhora Bonifacia. Era opinião de frei Silvestre do Monte do Carmo que a volumosa cabeça do menino significava talento. Este prognostico abalava mediocremente os animos dos pais, que não sabiam o que era, nem o para que servia n'este mundo o talento."
(Excerto de I - Nasce o heroe. A cabeça e as espertezas do mesmo)
Indice:
I - Nasce o heroe. A cabeça e as espertezas do mesmo. II - As delicias portuenses do peixe-frito, antes da civilisação. Custodia banhada pela luz do seculo. Bonifacia sustenta as saudaveis doutrinas da estupidez. III - O heroe em mangas de camisa. IV - Afoga-se Bazilio, e desafoga-se milagrosamente. V - Basilio poeta. Conquista um tacho. O que lhe aconteceu na capoeira. VI - A paixão fatal do heroe. Memorias dos nossos dias. VII - O coração inimigo das pernas. VIII - Com commendas e bolos se enganam os tolos. IX - Bazilio entre as senhoras Raposeiras, e o mais que se disser.. X - Em que entra o author. XI - Vantagens do roubo contra os inconvenientes da predestinação, segundo Balzac. XII - Dois exemplos de amor paternal. XIII - Chora o heroe. XIV - Ama Bazilio uma prima-donna di-cartello do real thetro de S. João. XV - Que entrudo elle teve!... XVI - Castigos de leviandade. Capitulo de muita moral. XVII - A minha correspondencia com Bazilio Fernandes Enxertado. XVIII - O maior murro que ainda levaram queixos de homem. XIX - Lagrimas. Capitulo fastidioso. XX - A santa poesia da caridade. XXI - Como elles se amavam, sem affrontarem a moral publica. XXII - Que fim! XXIII - Conclusão.
Encadernação coeva meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado. Lombada apresenta falha de papel na extremidade superior.
Raro.
Indisponível

03 setembro, 2024

CASTRO, Augusto de & LUCIO, João - ATÉ QUE ENFIM!... Peça em 1 prologo e 8 quadros, escripta expressamente para ser representada na recita de despedida do Curso do 5.º anno theologico-juridico de 1901-1902. Coimbra, Typographia França Amado, Abril de 1902. In-8.º (21,5x14,5 cm) de 198, [6] p. ; E.
1.ª edição.
Rara edição original da peça de fim de curso dos autores - Augusto de Castro, advogado e dramaturgo, e João Lúcio, advogado e poeta algarvio - obra não muito referenciada na sua bibliografia.
Exemplar muitíssimo valorizado pela dedicatória de Augusto de Castro, datada de 1902, a Aníbal Beleza (1876-1949), conhecido político e causídico travanquense, com autógrafo dos dois amigos.
"Esta peça foi escripta para viver apenas o espaço d'uma noite. Como arte, tem talvez todos os defeitos que fazem uma obra inferior: falta-lhe a unidade, a sobriedade, a forma. Mas os seus auctores vêm publical-a... Porque?
Em primeiro logar, pela recordação, pela suavissima saudade que estas paginas representam. N'ellas fica toda essa errante phantazia, toda essa vida dispersiva de troça e insubmissão que, durante cinco annos inolvidaveis, fez a mais viva parte da estreita camaradagem dos auctores. Vida passada a rir, entre a blague e o sonho, essa alegre e imprevidente musa da Troça a conduziu!...
Em segundo logar, têm ainda os auctores a vaidade de suppor que não será de todo inutil a publicação d'esta peça. Se muito lhe falta, como arte, algumas qualidades tem todavia, como obra de espirito que pretende ser: a expontaniedade, a mocidade, a irreverencia. E n'um paiz de submissos, de conselheiros e de tristes, talvez estas paginas de despreoccupação e de riso possam merecer a benevolencia d'um publico habituado a desalentos desde a cozinha até á litteratura."
(Excerto do preambulo)

Scenario: A Porta Ferrea, com a esquina á D. onde se pregam os cartazes.
O affixador de cartazes entra, trazendo uma escala e um cartaz da peça e, emquanto colloca a escada, vae dizendo no tom vago de quem falla para si proprio:

"A récita dos rapazes
Tem-me dado uma massado!...
Comecei a pôr cartazes
Ao romper da madrugada.

Hoje é dia de alegria
P'ra quem seja quintanista...
Estão por cá as familias:
Têm as noivas á vista...

Representam, gosam, riem,
Ou então vão namorar...
E dizem-se entristecidos
Por Coimbra irem deixar.

N'um tom levemente ironico:
Saudades e desgostos...
- Isto nunca foi verdade!...
Com convicção:
Uma terra como esta
Provoca lá saudade!...

De manhã teem as aulas,
De noite são as licções:
O pouco tempo que resta
É para as dissertações.

Vêm p'ra cá tão alegres,
Rindo, cheios de vigor;
Mas as capas e sebentas
Tiram-lhes risos e côr!

Depois, ao voltar a casa,
Vão fracos e incapazes
Com intenção:
O estudo e as serventes
Estragam muito os rapazes."

(Excerto do Prologo)

Augusto de Castro Sampaio Corte-Real GCC • GCSE • GCIH • GOB (Porto, 1883 - Lisboa, 1971). "Mais conhecido por Augusto de Castro, foi um advogado, jornalista, diplomata e político com uma carreira que se iniciou nos anos finais da Monarquia Constitucional Portuguesa e se estendeu até ao Estado Novo. Escritor, jornalista e diplomata, foi um dos mais destacados publicistas do Estado Novo, ganhando notoriedade como comissário da Exposição do Mundo Português, em 1940."
(Fonte: Wikipédia)
João Lúcio Pousão Pereira (Olhão, 1880-1918). "Foi um poeta português, sobrinho do pintor Henrique Pousão. Vulgarmente relegado para a categoria de poeta local (considerado o expoente maior da poesia olhanense) ou de poeta regional (nomeadamente devido à sua obra O Meu Algarve), João Lúcio esteve, porém, à altura dos grandes nomes da Renascença Portuguesa, embora o seu voluntário afastamento dos grandes centros culturais do país tenha contribuído para tais definições limitadoras. Figura prolífica, começou com apenas 12 anos a publicar os seus primeiros versos (no extinto periódico O Olhanense). Enquanto estudante no Liceu de Faro, fundou e dirigiu um jornal literário intitulado O Echo da Academia. Acabados os estudos em Faro, decidiu ir para Coimbra estudar Direito, em 1897, onde conhecerá e se tornará amigo de figuras brilhantes como Teixeira de Pascoaes, Augusto de Castro, Alfredo Pimenta, Afonso Lopes Vieira, Fausto Guedes Teixeira e Augusto Gil. Destacando-se no meio de tal plêiade, João Lúcio colabora com poesias suas em diversos jornais e revistas literárias nacionais (fundando inclusive, em 1899, um quinzenário intitulado O Reyno do Algarve), até conseguir finalmente, em 1901, publicar o seu primeiro livro, Descendo, aclamado com louvor pela crítica da época."
(Fonte: Wikipédia)
Preciosa encadernação meia de pele com cantos, e dourados gravados nas pastas e na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Capas algo manchadas.
Muito raro.
Peça de colecção.
85€

05 agosto, 2024

SÁ, Adriano de -
O NOVO SYSTEMA DE EXGOTTOS DO PORTO.
Por... Capitão de engenharia. 3.ª edição. [S.l.], Typographia do «Porto Medico», 1907. In-4.º (24,5x16 cm) de 24 p. ; il. ; B.
Importante contributo para a história da implementação da rede de esgotos da cidade do Porto, um dos estudos técnicos publicados e discutidos na época.
Ilustrado com desenhos esquemáticos no texto e uma estampa em página inteira.
"Todos nós ahi temos visto, pela cidade, operarios abrindo trincheiras, minando o sub-solo granitico do Porto, assentando aqui tubos de grès, além amassando beton, que mais longe é vasado em moldes de forma estranha, por entre taboados, rough-looking, que parecem desconjunctados.
- É o Saneamento; dizem todos, visto que, no Porto, se assentou em denominar assim, tout court, a execução do projecto de exgottos, que é afinal, apenas uma parte, bem que das mais importantes, do saneamento da cidade.[...]
Todos dizem que as obras que ahi se estão realisando com tanta actividade são as do saneamento, mas a grande maioria nada conhece do systema de exgottos adoptado e do seu funccionamento, ou conhece d'elles tanto pela rama, que melhor fôra que se persuadisse de que os desconhecia por inteiro. [...]
Não darei novidade a muita gente dizendo que podem reduzir-se a dois os typos de exgottos urbanos.
Um requer duas canalisações: uma sómente para dejectos, aguas caseiras e ainda aguas industriaes, em determinadas circumstancias; outra para as aguas pluviaes: é o systema separado, o separate system dos inglezes, o Trennsystem allemão.
O outro admitte em uma mesma canalisação todos os residuos acima mencionados e mais a agua das regas das ruas, as vertentes das fontes, etc., e as aguas pluviaes..."
(Excerto da exposição)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, ligeiramente oxidadas.
Raro.
15€