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26 outubro, 2020

PAÇO, Tenente Afonso do - GÍRIAS MILITARES PORTUGUESAS.
I - Gíria da «Malta». II - Gíria da «Caserna». III - Gíria do «Colégio Militar». [Pelo]... (Da Associação dos Arqueólogos Portugueses). Carta-prefácio de J. L. de Vasconcellos
. Porto, Edição de Maranus, 1926. In-8.º (19 cm) de 54, [2] pp. ; B.
1.ª edição.
Importante repositório da gíria militar, com especial incidência para o calão usado pelos soldados portugueses do C. E. P. destacados em França, durante a Grande Guerra.
"Pede-me a minha modesta opinião acêrca do seu livrinho. Dir-lhe hei que deve considerar bem empregado o tempo que dispendeu na colheita e coordenamento dos materiais.
A 1.ª parte, sobretudo, é cheia de novidade.
Ali se vê como o soldado português, nem diante da própria morte perde jamais a veia zombeteira, tão nacional: à valentia, que também tanto o caracteriza, agrega inexgotàvelmente riso e folgança. De que mais se necessita para que a um homem se chame herói? Todo êsse vocabulário é uma pilha de graça, mau grado algumas amargas expressões de natural carácter fúnebre.
Vê-se àlem disso com que facilidade o povo analisa todos os pormenores de uma cousa ou de um facto que o impressiona, e como põe em jôgo a imaginação, para as interpretar. Que lembrança a de dar o nome de caixeiro viajante a uma granada, por ir longe, a de carro do Chora a um obus, por oposto motivo, a de Avenidas novas às trincheuras de comunicação, a de Rídiculos à «ordem» do Quartel General, por causa do perriódico humorístico dêste nome?
Alguns dos exemplos que especifiquei mostram que, longe da pátria, o soldado não se esquece do lar. Outros exemplos são: bacoreira, nome imposto pelas tropas do Alentejo à metralhadora; ceifeira, no mesmo sentido, dado certamente também por elas."
(Excerto do Prefácio)
A trincha, como a Mouraria, a Alfama e os salões aristocráticos, tinha a sua gíria.
A malta falava calão como os fadistas e o mundo elegante de hoje.
A gíria do C. E. P. (Corpo Expedicionário Português) nunca atingiu o desenvolvimento da que falavam o exército francês, inglês, belga, italiano, alemão, etc., já porque éramos em número diminuto - um punhado de homens naquele mar de gente - já porque a nossa comparticipação na guerra foi menos duradoira e não houve tempo de difundir e arraigar aquela linguagem no espírito das nossas tropas nem fixá-la com raízes por tôda a nossa frente. Depois, o calão era quási exclusivo da malta - o menor número - que com êle fustigava os cónegos, cachapins, básicos, etc. Estas três espécies, em permanente contacto com as mademonzelas falavam mais a língua do pas compris.
Todos os povos cultos que entraram na Grande Guerra e mesmo alguns neutros, estudaram o seu calão de trincheira ou de caserna. Entre nós, ou porque a guerra não calasse fundo na alma popular, ou porque entre as classes cultas não despertasse o interêsse a que tinha jus, não mereceu o calão da trincheira algum carinho da parte dos nossos eruditos. [...]
Com o auxílio de camaradas amigos e lendo tôda a literatura da guerra consegui reünir cêrca de 300 termos de gíria, evitando assim que se percam na voragem do olvido"
(Excerto da I Parte - Gíria da «Malta»)
Manuel Afonso do Paço (Outeiro, Viana do Castelo, 1895-1968). "Foi tenente-coronel do Exército Português e um dos mais prestigiados arqueólogos portugueses. Nasceu em 30 de Novembro de 1895 na freguesia de Outeiro, Viana do Castelo. Tirou o curso do Liceu em Viana do Castelo e Braga de 1908 a 1915 matriculando-se de seguida no curso de Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Porém, em 15 de Maio de 1917 foi incorporado no exército como Aspirante a Oficial Miliciano. Tomou parte na Batalha do Lys, em 9 de Abril de 1918, pertencendo já ao 4.º Grupo de Metralhadoras Pesadas. Foi aprisionado pelo Alemães e libertado em 28 de Dezembro de 1918. Regressou a Portugal em 16 de Janeiro de 1919. De 1919 a 1921 serviu como oficial na Guarda Nacional Republicana tendo sido ajudante de campo do Coronel Francisco António Baptista e do General Ernesto Maria Vieira da Rocha. Foi, em 1925, professor provisório no Colégio Militar (Portugal) passando de seguida por desempenhar funções como Tesoureiro da Inspecção do Serviço Telegráfico Militar. Foi ainda Chefe da Contabilidade do Batalhão de Telegrafistas (Braga). Reformou-se da vida militar como o posto de tenente-coronel."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado conservação.
Raro.
Com interesse histórico e militar.
Indisponível

19 março, 2020

VASCONCELLOS, J. Leite de - TEATRO POPULAR PORTUGUÊS. Coligido por... Coordenação e notas de A. Machado Guerreiro. III (AÇORES). Acta Universitatis Conimbrigencis. [Coimbra], Por Ordem da Universidade, 1974. In-4.º (25,5 cm) de XXII, 693, [3] p. ; [10] f. il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história do teatro açoriano, talvez o mais interessante e completo estudo que sobre este assunto se publicou entre nós.
Com 10 estampas em separado, impressas sobre papel couché, reproduzindo capas e rosto de opúsculos, bem como fac-símile dos manuscritos de algumas das peças que integram o trabalho.
"Reúnem-se neste volume 16 textos que o Dr. Leite de Vasconcellos conservava num atado de «Teatro dos Açores». [...]
Dá-se ao volume o subtítulo de (Açores), embora sejam de São Miguel todas as peças de que se conhece ou presume a autoria. Mas, pela correspondência encontrada, sabe-se que Augusto Cymbron Borges de Sousa enviou ao Dr. Leite, em Março de 1936, duas peças impressas em Fall River, ao mesmo tempo que pedia para a América D. Inês de Castro, Santa Genoveva e Casamento Infeliz; como a livraria de Fall River publicou ainda Os Mártires da Germânia e a Imperatriz Porcina, conclui-se que são estas as peças que enviava. Em 1 de Maio do mesmo ano remeteu «pelo correio mais três produções açorianas, duas comédias desta ilha [São Miguel] e uma da Terceira, impressas na América»."
(Excerto da Nota introdutória)
Exemplar em brochura, por abrir, em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico e etnográfico.
40€

11 maio, 2017

VASCONCELLOS, D.ᵒʳ J. Leite de - FILOLOGIA BARRANQUENHA. Apontamentos para o seu estudo publicados pelo... Lisboa, Imprensa Nacional, 1955. In-4.º (23 cm) de XVII, [1], 217, [1] p. ; B. História - Ciência - Arte : Colecção de estudos publicados pela Imprensa Nacional de Lisboa, V
1.ª edição.
Edição original deste importante trabalho filológico sobre Barrancos, vila raiana portuguesa do concelho de Beja.
"Barrancos, no Alentejo Baixo, está pôsto em sítio montuoso, e de constituição xistenta, a 300 ou 400 metros de distância da raia, tomada em linha recta; e o seu território, ou concelho de Barrancos, penetra na Hespanha, como uma cunha, que fica pois delimitada por território hespanhol ao Norte, Nascente e Sul, e tem de superfície 189,5 quilómetros quadrados. Do que resultam, naquele ponto, especiais relações sociais entre as duas nações vizinhas, e acção recíproca, maior, já se vê, da de lá na de cá, do que ao invés, atenta a pequenez e insulamento do nosso rincão."
(excerto do Cap. I, Informação geográfico-histórica)
José Leite de Vasconcellos Pereira de Melo (1858-1941). "Foi a maior autoridade do seu tempo, a nível nacional e internacional, nos domínios da Etnologia e Filologia. Nasceu em Ucanha (ao tempo vila de Ucanha, concelho de Mondim) no actual concelho de Tarouca, a 7 de Julho de 1858. Embora descendente da Casa Nobre de Resende, dificuldades económicas impediram a continuação dos estudos, após o ensino primário. Frequenta, no entanto, a biblioteca de um seu tio, adquirindo conhecimentos que lhe servirão para o seu posterior trabalho de etnólogo. Consegue emprego como amanuense, no Porto, e completa o curso do liceu. Forma-se, depois, em Medicina, na Escola Médica da mesma cidade com a tese A Evolução da Linguagem (1886). Dedica-se aos estudos etnográficos e funda a Revista Lusitana (1887), a revista O Arqueólogo Português (1895) e o Museu Nacional de Etnografia e Etnologia, instalado em dependências do Mosteiro do Jerónimos (1893), catalogando pessoalmente os 20 mil objectos que constituíam o espólio do museu. Aos 40 anos, fixa-se em Paris onde prepara o doutoramento em Filologia Românica que tem por título Esquisse d'une Dialectologie Portugaise, aprovada «avec la mention très honorable». Em 1887, é Conservador da Biblioteca Nacional. A sua obra fundamental – Etnografia Lusitana – é a história do Povo Português. Só começou a ser escrita aos 70 anos, tendo, até então, compilado todos os elementos que lhe serviram de suporte. Tem mais de trezentos títulos, alguns deles inéditos. Faleceu, em Lisboa, a 17 de Janeiro de 1941."
(Fonte: www.quintadoterreiro.com/j-leite-de-vasconcelos)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
25€