Mostrar mensagens com a etiqueta *BOMBARDA (Miguel). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta *BOMBARDA (Miguel). Mostrar todas as mensagens

07 março, 2026

BOMBARDA, Miguel - A ENFERMAGEM RELIGIOSA.
Por...
Lisboa, Publicação da Junta Liberal, 1910. In-8.º (22,5x15 cm) de 37, [3] p. ; B.

1.ª edição.
Conjunto de artigos críticos do exercício da enfermagem por religiosas publicados pelo autor na revista A Medicina Contemporanea, acrescentado com dois textos inéditos.
No início do século XX em Portugal os cuidados de enfermagem eram maioritariamente dispensados por religiosas. Contra a enfermagem exercida por estas mulheres opunham-se muitos médicos. De entre eles salientava-se o republicano Miguel Bombarda.
"A questão da enfermagem religiosa entrou em pleno dia de discussão. Até agora, desde alguns annos, as congregações teem andado n'este pequeno trabalho, manso, silencioso, mas tenaz, de se insinuarem na vida da sociedade portugueza. Hoje porém já se descobrem de todo e não receiam a grande publicidade na sua capital arremetida de se substituirem por completo á enfermagem secular dos nossos estabelecimentos publicos.
O artigo, em que o assumpto nos occupou ultimamente, é o reflexo da situação. Veio elle na defeza da mulher portugueza, dos seus egregios dotes de intelligencia e amor, apoucados por um jornal que esqueceu a justiça n'um arranco de proselytismo. [...]
É preciso primeiro que tudo assentar muito decisivamente que a dedicação e a coragem não são privativas do zelo religioso."
(Excerto do Cap. II - Enfermeiras religiosas)
Índice
:
I. Pias injustiças. II. Enfermeiras religiosas. III. Um testemunho de longe. IV. A s enfermeiras "não mercenarias". V. Resumo.
Miguel Augusto Bombarda (1851-1910). “Nasceu em 1851 no Rio de Janeiro. Foi médico do Hospital de S. José, em 1892, director do Hospital de Rilhafoles e professor, desde 1880, da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa. Como médico dedicou-se principalmente às doenças do sistema nervoso, especializando-se em Psiquiatria. Participa também no lançamento das campanhas de prolifaxia contra a tuberculose. Só em 1908 entrou na política activa, como deputado, afecto ao então presidente do Conselho, Ferreira do Amaral. Mas as suas fortes convicções liberais e anti-clericais aproximam-no rapidamente da Junta Liberal, de que se torna um dos mais destacados dirigentes, e do Partido Republicano, a que adere formalmente pouco antes da implantação da República, sendo eleito deputado nas suas listas. Miguel Bombarda foi um dos principais dirigentes da revolução republicana, com o especial encargo de proceder à distribuição de armas por grupos civis, estando prevista a sua participação no assalto ao quartel de Artilharia 1, em Campolide. No dia 3 de Outubro, Miguel Bombarda foi alvejado a tiros de revólver por um oficial do exército, antigo aluno dos colégios da Companhia de Jesus, que o procurou em Rilhafoles. Transportado para o Hospital de S. José, foi operado, 'depois de ter mandado queimar à vista uma carta que trazia na carteira' e falado com Brito Camacho, mas não resistiu à operação, entrou em coma e faleceu cerca das 6 da tarde. A morte de Miguel Bombarda provocou especial indignação junto do povo de Lisboa, para quem se tratava de um 'atentado reaccionário'. A República organizou as suas exéquias, homenageando-o como um dos seus principais inspiradores.”
(fonte: www.fmsoares.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas ligeiramente oxidadas.
Raro.
Indisponível

22 setembro, 2024

BATALHA, Ladislau -
O NEGATIVISMO. Viagem aventurosa nas regiões do Ideal.
Com uma apreciação sintética pelo professor Miguel Bombarda. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira : Livraria Editora, 1908. In-8.º (20,5x13 cm) de [8], 462, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Curioso ensaio do autor sobre ele próprio e a sua visão do mundo, plena de dúvidas e contradições.
"Sr. Ladislau Batalha.
Se o seu livro se chamasse As mentiras do Universo, não lhe iria descabido o titulo. Nunca vi que se escalpellassem com tanta crueza os convencionalismos em que as sociedades vivem, os erros até onde as sciencias se arrastam, as illusões em que tudo se deixa embalar n'este planeta, desde as falsidades a que os sentidos nos levam até aos mais altos vôos da concepção do homem. Mas tambem é um campo de batalha aberto esse seu livro em que combatendo-se pelo determinismo, o proprio determinismo se ataca; em que, degladiando-se contra a erudição, tão larga erudição se patenteia; e em que, sobretudo, na obra scientifica do homem, se faz a parte - ai de nós, a larga parte! - da phantasia e do sentimento.
É uma colossal obra de pessimismo essa que se condensa em 400 paginas de leitura tão empolgante como extranhamente original. São 400 paginas de condemnações, sinceras e desapiedadas como as d'um justiceiro, mas tambem quantas vezes injustas como as d'um arrebatamento de paixão."
(Excerto da Apreciação)
"A esperiencia primitiva e rudimentar dos homens fê-los crear deuses que a mesma esperiencia posterior e mais completa fez negar.
Mais modernamente foi para uns o homem feito á similhança de Deus; para outros foi o homem que serviu de modelo á divindade.
E todas estas contradições e oposições se justificam com argumentos e pontos de vista que chamamos lógicos e positivos.
Ora uma já relativamente longa vida vivida aos empuxões disto a que se convencionou chamar fatalidade, por melhor vocábulo não haver com que se disfarce a ignorancia do destino as coisas, proporcionou-me ensejo de estreitar relações com o mundo, familiarisando-me com elle em todos os seus mais aspectos fisicos e moraes.
Embora eu não tenha a intenção propositada de tratar mais de mim do que do resto, cumpre reconhecer que não seria facil a quem me lesse, esplicar o como e o porquê das desusadas doutrinas que vou desenvolver, se não esposesse como preliminar uma especie de genealogia das minhas concepções.
Com efeito foram imprevistas circumnstancias determinadas por fatores varios que não vem para aqui esplicar, as que me ingeriram na medicina, na jurisprudencia, na navegação, nas peregrinações, nas artes e nos oficios, em toda a escala, emfim, das eventualidades humanas que principiam na luxuria dos palacios e terminam na embriaguez das tabernas.
O longo percurso social que vae desde o vagabundo até ao potentado, caminhei-o eu numa febre de aventureiro, num desânimo de desgraçado, num entusiasmo de bohemio profissional."
(Excerto do Cap. I)
Ladislau Estêvão da Silva Batalha (1856-1939). "Ladislau Batalha poderia ter sido uma personagem de um livro de aventuras. Novo, embarcou como tripulante na marinha mercante, tendo percorrido os mares do norte. Nesta condição, conheceu especialmente os Estados Unidos da América, o Japão, a China e o Ceilão. Trabalhou também como taxidermista em África e como gravador de vidro em São Tomé e Príncipe. A sua experiência dos mares e o trato com inúmeros povos deu-lhe vastos conhecimentos, tanto de línguas como de costumes e culturas, de tal modo que, voltando a Portugal, se tornou professor do ensino secundário sem qualquer curso superior. As suas aventuras no alto mar e em terras longínquas permitiram-lhe também escrever obras como Línguas de África (1889), Costumes angoleses (1890) e O Japão por dentro (1904), entre outros. Enquanto militante activo do partido socialista de então, escreveu obras de cariz político como A burla capitalista (1897) e Pátria e conversão (1898), tendo igualmente proferido várias conferências. Colaborou como redactor com vários jornais portugueses (Diário de Notícias, A Vanguarda, etc.) e estrangeiros (p.e., El Socialista). Em 1919, acolheu em sua casa o poeta Gomes Leal, que, semilouco, passeava pelas ruas de Lisboa em quase mendigagem. Foi aliás em sua casa que Gomes Leal acabou por morrer em 1921. Sobre esta experiência, Ladislau Batalha escreveu o livro de memórias Gomes Leal na intimidade (1933), e encontrava-se a escrever Gente da nossa terra, outro livro de memórias sobre os seus conhecimentos no meio literário, quando morreu em 1939. A sua obra ficcional cinge-se a três romances (Misérias de Lisboa, 1892-1893, Mistérios da loucura, 1890-1891, e Florêncio, 193-) e duas peças de teatro (A miséria e Consequências de um sim)."
(Fonte: http://fcsh.unl.pt/chc/romanotorres/?page_id=59)
Encadernação editorial em percalina com ferros gravados a seco e a branco nas patas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
35€

27 novembro, 2022

BOMBARDA, Prof. Miguel - A VACCINA DA RAIVA.
Relatorio apresentado ao Conselho da Escola Medico-Cirurgica de Lisboa. Pelo... Lente de phisiologia da mesma escola
. Lisboa, Typographia da Viuva Sousa Neves, 1887. In-4.º (23,5 cm) de 57, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante trabalho sobre a raiva, doença infecciosa - verdadeira calamidade na época -, publicado pouco depois dos sucessos experimentais de Pasteur, e na sequência do relatório apresentado ao governo pelo médico português Eduardo de Abreu (1886), que com este havia privado e trabalhado um ano antes em Paris.
Livro ilustrado no texto com quadros estatísticos.
"Na questão da vaccina da raiva ha duas series de trabalhos experimentaes inteiramente differentes - aquelles que se referem ao problema de tornar refractario um animal antes da introducção no seu organismo do virus rabico feita de modo que infallivelmente damnaria o animal se elle não tivesse sido tornado refractario e aquelles que dizem respeito a analogo problema intentado depois d'aquella introducção.
O primeiro problema póde-se dizer que está resolvido. Pasteur descobriu um methodo pelo qual a transmissão da raiva aos animaes se póde fazer de um modo seguro; é o methodo nas inoculações directas á superficie do cerebro, posta a descoberto pela trepanação, das substancias contendo o virus rabico, methodo que em certeza de resultado deixa longe de si todos os outros, como, por exemplo, as inoculções sub-cutaneas, feitas artificialmente ou pela mordedura do animal damnado."
(Excerto do Relatório)
Miguel Augusto Bombarda (1851-1910). "Nasceu em 1851 no Rio de Janeiro. Foi médico do Hospital de S. José, em 1892, director do Hospital de Rilhafoles e professor, desde 1880, da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa. Como médico dedicou-se principalmente às doenças do sistema nervoso, especializando-se em Psiquiatria. Participa também no lançamento das campanhas de prolifaxia contra a tuberculose. Só em 1908 entrou na política activa, como deputado, afecto ao então presidente do Conselho, Ferreira do Amaral. Mas as suas fortes convicções liberais e anti-clericais aproximam-no rapidamente da Junta Liberal, de que se torna um dos mais destacados dirigentes, e do Partido Republicano, a que adere formalmente pouco antes da implantação da República, sendo eleito deputado nas suas listas. Miguel Bombarda foi um dos principais dirigentes da revolução republicana, com o especial encargo de proceder à distribuição de armas por grupos civis, estando prevista a sua participação no assalto ao quartel de Artilharia 1, em Campolide. No dia 3 de Outubro, Miguel Bombarda foi alvejado a tiros de revólver por um oficial do exército, antigo aluno dos colégios da Companhia de Jesus, que o procurou em Rilhafoles. Transportado para o Hospital de S. José, foi operado, 'depois de ter mandado queimar à vista uma carta que trazia na carteira' e falado com Brito Camacho, mas não resistiu à operação, entrou em coma e faleceu cerca das 6 da tarde. A morte de Miguel Bombarda provocou especial indignação junto do povo de Lisboa, para quem se tratava de um 'atentado reaccionário'. A República organizou as suas exéquias, homenageando-o como um dos seus principais inspiradores."
(Fonte: www.fmsoares.pt)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos e um ou outro orifício de traça.
Raro.
Com interesse histórico.
45€

10 abril, 2022

BOMBARDA, Dr. Miguel - LICÇÕES DE PSYCHIATRIA : livro postumo, ornado de interessantes fotografias
. Lisboa, Editor e Proprietario : Empreza de Publicações Populares, 1916. In-8.º (22,5 cm) de 114, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Apontamentos coligidos pelo autor sobre epilepsia, loucura e demência em geral, valorizados pelo pormenor da descrição de inúmeros casos por si diagnosticados - pacientes internados, com rosto, identificados pelo nome de baptismo.
Livro profusamente ilustrado no texto com fotografias de casos estudados pelo eminente Professor.
"É notavel ver como dos erros da sciencia mais tarde surgem ilucidações que nos põem a caminho da verdade a mais positiva. N'este seculo a concepção das doenças, segundo Raspail, a concepção perfeitamente imaginaria de todos os estados patologicos serem devidos á invasão do organismo pelos vermes, foi predecessora da moderna patologia despida, porem, dos erros Raspailianos. A doutrina microbiana não teve outra origem; os trabalhos de Pasteur, tão exactos que se poderiam em boa rasão chamar mathematicos, não tiveram outra aurora. E de esteio tão falso, de theoria tão phantastica surge a moderna pathologia, tão brilhante pela analyse dos seus factos, como prodiga em conclusões de alto valôr.
Alguma cousa de semelhante se passou na doença que hoje passamos a estudar.
Durante seculos a epilepsia consistiu apenas no ictus, a fulguração, o ataque convulsivo. Um individuo começa por sentir uma dôr, dá um grito, immediatamente cahe pesadamente como um boi depois de picado pela choupa, fica hirto, inteiriçado, em seguida largos gestos, relaxamento dos sphinters, e por ultimo levanta-se, readquirindo mais ou menos lentamente a consciencia."
(Excerto de I - Epilepsia - O ictus não caracterisa a epilepsia)
"A doença que vamos estudar é uma transição entre as doenças da clinica commum e as da clinica psychiatrica.
Na primeira os quadros  morbidos são da mais completa fixdez na etiologia, na marcha e no tratamento: parecem formar uma sobreposição ao normal e a doença constitue como que um accidente da vida do individuo. As causas são bem determinadas, trata-se por exemplo d'uma doença infecciosa: pelo seu lado a terminação é perfeita.
Em pathologia mental ha uma fusão entre o quadro morbido e o individuo; não ha aquella nitidez, aquelle rigor.
Não ha causas determinadas, occasionaes, mas a etiologia da forma morbida acha-se confundida com a vida do doente mesmo ab-ovo: outras vezes até na ascendencia, o pae é um alcoolico, um epileptico, o que importa para o filho terreno e doença, arvore e fructo. Se o individuo nasce são e sem táras, uma doença infecciosa deixa o organismo epauperado, e produz phenomenos, cujo resultado é uma alienação. Verdade é que a doença não vae implantar-se, mas já está no individuo. Não ha, pois, uma cousa de sobreposto, como na clinica commum. Um acesso eplileptico não é accidente no epileptico.
A confusão mental primitiva estabelece a ligação das duas clinicas, porque sendo uma doença mental, tem etiologia nitida, - um traumatismo, um choque psychico, uma doença infecciosa, - e uma terminação definida, deixando o doente são.
É uma doença accidental, estranha á individialidade. É por todas estas razões que escolhi esta psychonevrose para com ella encetar o estudo da psychiatria especial."
(Excerto de II - Confusão mental primitiva)
"Iniciámos o curso de psychiatria com o estudo de confusão mental, affecção de marcha aguda com que estabelecemos o laço entre as doenças de clinica commum e as phrenopathias.
Effectivamente á demencia primitiva apenas falta a anatomia pathologica para ser perfeitamente analoga a qualquer doença aguda da da clinica ordinaria.
Hoje vamos começar o estudo da paralysia geral, ou demencia paralytica com symptomas constantes, e analoga ás doenças chronicas da clinica commum. [...]
É, pois, doença de recente descripção, sendo outr'ora rara, hoje vae-se tornando mais frequente, sendo até considerada por muitos psychiatras como doença da civilisação."
(Excerto de III - Paralysia geral)
Matérias:
I - Epilepsia. II - Confusão mental primitiva. III - Paralysia geral.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
45€

30 janeiro, 2022

FERNANDES, Barahona - EXUMAÇÃO DO CASO DA PINTORA JOSEFA GRENO.
No centenário de Miguel Bombarda
. [S.l.], Separata de «O Médico» : N.º 34, 1952. In-4.º (23,5 cm) de 12, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Opúsculo ilustrado no texto com um retrato de Miguel Bombarda.
"A personalidade famosa e marcante de Miguel Bombarda, a par da glória médica e popular, tem sido o sestro das grandes contraditas.
As suas dissertações , ousadas e incconoclastas, sobre os neurones, a consciência e o livre arbítrio levantaram contra si, em violentas polémicas, André Navarro e o Padre Santana.
As suas intervenções médico-forenses, defendendo corajosamente a irresponsabilidade penal dos doentes mentais, desencadearam grandes resistências nos tribunais e na opinião. Já então, como ainda hoje, a ignorância, os preconceitos, ou os interesses levantaram peias à aceitação da loucura e da consequente irresponsabilidade em indivíduos, que não exibissem perda flagrante da lucidez e da ordem e nexo das ideias.
O «velho caso», sensacional na época, do assassínio do marido pela pintora paranoica Josefa Greno, é agora sujeito  «nova autópsia», pelo pintor Varela Aldemira. [...] Obra de investigação histórica e de intenção psicológica, que pretende tornar compreensível e, de certa maneira, justificar o crime daquela talentosa e hoje olvidada artista, delicada pintora de flores, que acabou os seus dias em Rilhafoles.
Miguel Bombarda, sentindo-se acossado pela opinião pública, que exigia a condenação da criminosa, e punha em dúvida a ciência dos peritos, que a davam por louca e irresponsável, reagiu, enérgica e impetuosamente, com o entusiasmo, nem sempre prudente, que o assinalava."
(Excerto do Estudo)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Indisponível