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05 janeiro, 2026

NAVARRO, Emygdio - OS FUSILAMENTOS. O Direito - A Politica - A Ordem Social. Lisboa, Typographia do Jornal - O Paiz, 1874. In-8.º (20x13 cm) de 40 p. ; B.
1.ª edição.
Importante peça bibliográfica com interesse para a história da Pena de Morte em Portugal.
Trabalho publicado na sequência do assassinato do alferes Palma e Brito pelo soldado de infantaria n.º 2, António Coelho. A juventude do oficial e as circunstâncias que rodearam o acto, provocaram indignação e revolta um pouco por todo o país, com epicentro em Lisboa, onde se deu o crime. A pena a aplicar, originou uma enorme discussão pública com participação de personalidades dos mais diversos quadrantes da sociedade civil e militar.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"O auctor d'este pequeno opusculo é jornalista. Por mais de uma vez tem defendido na imprensa periodica as idéas, que ora entrega á publicidade, e foi a sua penna uma das primeiras, que se cruzaram com as espadas n'esse duello, que se fere sobre a sepultura do desditoso Palma e Brito. [...]
Quando entre nós surge uma questão grave, que vem cortar a monotonia e a tranquilidade da nossa existencia, é costume começar-se por pedir á opinião e á imprensa, que não agite e discuta essa questão como questão partidaria. Erro grave, ou confissão da nossa profunda decadencia. São essas as verdadeiras, as unicas questões partidarias, porque são ellas, que estabelecem divergencias consideraveis em pontos de doutrina, demarcando arraiaes, caracterisando distinctamente os partidos, os quaes devem separar-se pelas diferenças de ideias e principios, e não pelas rivalidades dos homens e as ambições dos corrilhos. Para o auctor d'este opusculo, o fusilamento do soldado Antonio Coelho é, primeiro que tudo, uma gravissima questão politica, e notavel raia divisoria entre os campos occupados pelos partidos militantes. Assim o trata."
(excerto do preâmbulo)
A questão divide-se naturalmente em tres partes distinctas: - qual deve ser o procedimento dos tribunaes, qual o do governo, e qual o do poder moderador, no castigo do crime e na solução dos problemas gravissimos de ordem politica e social, que com elle se prendem. Nunca é inconveniente a discussão nos paizes, que se regem por instituições livres; e, n'esta conjectura, é ella tanto mais necessaria, quanto mais imperativas se mostram mal disfarçadas manifestações de militarismo. Contra a força dos sabres convem oppor a força da razão e da opinião publica. Restabelecer-se-ha d'este modo o equilibrio, para que sejam decretadas com independencia e reflexão as resoluções, que houverem de adoptar-se. Nem a paixão é bôa conselheira, nem a pressão de uma classe qualquer póde ser garantia de justiça e acerto."
(Excerto da introdução - Os fusilamentos)
Emídio Júlio Navarro (Viseu, 1844 - Luso, 1905). Jornalista, político e diplomata português. "Foi aluno do Seminário de Bragança, onde completou o 2.º ano do Curso de TeoIogia. Em Coimbra, não se sentindo com vocação para a vida eclesiástica, matriculou-se na Faculdade de Direito, tendo concluído o curso em 1869. Deputado, ministro de Estado e ministro de Portugal em França, Emídio Navarro foi sobretudo um grande jornalista. Quando estudante em Coimbra, fundou o jornal A Académica, que teve como colaboradores João de Deus, Teófilo Braga e outros. No Conimbricense também escreveu assiduamente, onde começou a revelar-se dando extraordinárias provas de polemista, de incomparável observador e comentador da vida política do seu tempo. Regressado a Bragança, abriu banca de advogado e aí publicou alguns artigos sobre a Revolução Francesa e os seus homens mais eminentes e tentou fundar um jornal político. Em Lisboa, fundou O Progesso, foi director do Correio da Noite, órgão do partido progressista, onde ingressou. Nomeado secretário do Tribunal de Contas e eleito deputado em várias legislaturas, foi mais tarde para Paris como Ministro de Portugal. Luciano de Castro nomeou-o Ministro das Obras Públicas, tendo desenvolvido notável acção. Abriu grande parte das estradas de Portugal, alargou os serviços florestais, criou, protegeu, edificou e consolidou tudo quanto podia contribuir para o desenvolvimento do património nacional. Após o regresso de Paris, abandonou por completo a actividade política e dedicou-se ao seu jornalismo. Nesta última fase salienta-se a «questão dos tabacos» que ocasionou extraordinários episódios políticos. Parecia que a sua pena ressurgia, moça, dos tempos antigos. Minado pela doença, retirou-se com sua família para o Luso, onde viria a falecer."
(Fonte: www.prof2000.pt)
Exemplar brochado, aparado, em bom estado geral de conservação. Capa manchada. Sem contracapa.
Muito invulgar.
Indisponível

23 julho, 2019

NAVARRO, Emygdio - QUATRO DIAS NA SERRA DA ESTRELLA. Notas de um passeio. [Carta-prefácio do Dr. Sousa Martins]. Porto, Livraria Civilisação de Eduardo da Costa Santos - Editor, 1884. In-4.º (23x16 cm) de VII, [1], 194, [2] p. ; [12] f. il. ; E.
1.ª edição.
Impressões do autor vertidas em livro após um passeio à Serra da Estrela, sendo esta uma das primeiras expedições documentadas em época de "descoberta" do potencial da natureza em altitude.
Obra de referência, apreciada, e muito valorizada pela carta-prefácio do Dr. Sousa Martins que ocupa aproximadamente 30 páginas.
Ilustrada com 12 clichés fotográficos, incluindo um retrato do autor e outro com os seus companheiros de passeio, em folhas separados do texto.
"Cá vamos de caminhada para as lagôas a oeste da torre. Saindo do observatorio, subimos pela lombada, em que elle está assente, mas deixando á direita o Corgo das Mós. Mal chegamos ao alto, defrontam-se-nos, a distancia não muito grande, as Penas ou Penhas Doiradas. É uma penedia notavel, e pela qual se pódem nortear com segurança os touristes, que percorram aquela parte da serra. Na carta da commissão geodesica vem marcado esse ponto, á altitude de 1:666 metros, mas com o nome Fraga das Penhas, que aliás ninguem ouvi lá dar-lhes. A razão de serem chamadas doiradas é porque o sol, ao pôr-se, as retinge de uns reflexos fulvos, que, ou pela exposição especial das penhas, ou por outra qualquer circumstancia, só n'aquella penedia se manifestam. As Penas Doiradas constam de quatro dentes, muito salientes e inteiramente semelhantes aos que assignalam a espinha da serra de Cintra no seu prolongamento até ao cabo da Roca, mas muito mais visinhos uns dos outros. Esta fórma de penedia destôa completamente do aspecto geral das outras penedias da serra, e por isso as Penas Doiradas, que pela sua altitude se divisam de todas as elevações, se distinguem tambem, como ponto de orientação, sem confusão possivel."
(Excerto do Cap. X)
Emídio Navarro (1844-1905). Natural de Viseu. "Jurista e político português, Emídio Júlio Navarro nasceu em 1844 e faleceu em 1905. Cursou Direito na Universidade de Coimbra. Dedicou-se à política (no Partido Progressista) e ao jornalismo, em Coimbra e na capital, chegando a fundar vários jornais, ao mesmo tempo que fazia profissão de advogado. Foi ministro das Obras Públicas entre 1886 e 1889, e depois secretário do Tribunal de Contas e embaixador em Paris."
(Fonte: https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$emidio-navarro)
Encadernação simples, inteira de percalina, com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação. Com uma discreta rubrica de posse na f. rosto.
Muito invulgar.
Indisponível