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24 agosto, 2026

BASTOS, J. T. da Silva -
DITOSA PATRIA, MINHA AMADA. (Nova edição actualizada com os acontecimentos da Revolução até á proclamação da Republica). Educação Civica. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira : Livraria Editora, 1911. In-8.º (21x14,5 cm) de XVI, 274 p. ; il. ; B.
Ditosa Pátria, minha amada é um livro de índole patriótica e educação cívica da autoria de José Timóteo da Silva Bastos, dirigido ao público juvenil. Trata-se da reedição deste livro que saiu originalmente em 1909, sendo esta a versão actualizada já com os momentosos acontecimentos da revolução de 5 de Outubro de 1910 até à proclamação do regime republicano. O autor inspirou-se no conhecido trecho do Canto III de Os Lusíadas de Luís de Camões - "Esta é a ditosa pátria minha amada" - para intitular a obra.
Livro ilustrado no texto com bonitos desenhos e retratos de insignes figuras da história nacional, sendo alguns em página inteira.
"Cinco meses esteve o dr. Bondade ausente da sua escola, retido em Lisboa pelos acontecimentos de 4 e 5 de outubro de 1910. Só queria voltar á sua aldeia, depois de vêr em bom caminho os negocios do novo regime politico, proclamado após uma revolução, decidida em pouco mais de 30 horas.
(Excerto de Proclamação da Republica Portugueza)
José Timóteo da Silva Bastos (1852-1939). "Foi um destacado publicista, historiador, ensaísta e tradutor português. É amplamente reconhecido no meio académico pelo seu valioso contributo para o estudo da liberdade de expressão e da história institucional em Portugal. (IA)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis, com pequenas falhas marginais.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€
Reservado

21 agosto, 2026

BRANCO, Alfredo de Freitas -
O DESTINO.
Romance historico. Lisboa, Livrarias Aillaud & Bertrand, 1915. In-8.º (18,5x12 cm) de 63, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante romance histórico, com referências à Madeira, terra natal do autor.
Obra invulgar e muito curiosa, não mencionada na BNP.
"Nos confins da Europa, ao sul, isolada no meio do Atlantico a Madeira apparece aos olhos do viajante fatigado do horizonte immenso e monotono entre a agua e o espaço, como uma ilha encantada, surgindo das ondas com as suas negras montanhas cobertas de frondosos arvoredos, de exuberante vegetação, e indo os seus altos picos esconderem-se nas nuvens. [...]
Despido de monumentos, pobre de palacios e grandes edificios, com a sua vida muito calma, muito insipida, na sua simplicidade e no seu socego, o Funchal é encantador refugio para os espiritos doentes, atordoados e cançados do bulicio dos grandes centros.
Raros divertimentos ha além dos cinematographos. [...]
E na tão decantada «Perola do Oceano», esquecido, abandonado pelos governos, luctando para viver do seu proprio esforço, vive um Povo bom e laborioso... [...]
Mas o espirito de independencia nunca alvoraçou a alma dos Madeirenses que parecem felizes nas suas montanhas, no seu isolamento, no seu labutar esteril, com a sua vida monotona e calma, servindo de instrumento para o estrangeiro agglomerar riquezas, para os governos extorquirem impostos, contemplando os «touristes» que chegam de manhã trazendo a alegria e o bulicio e que ao entardecer, depois das excursões voltam para bordo, seguem pelo mar além emquanto a cidade recae no seu repouso triste, no seu silencio...
N'uma dessas apraziveis vivendas que se estendem isoladas, rodeadas de flôres e de arvoredo, para os lados dos Ilhéus, habita uma familia estrangeira. O Pae, um rapaz no vigor da vida, a Mãe joven ainda mas doente, pallida, uma tosse carvernosa destruindo-lhe, abalando-lhe o peito, e um filhinho de poucos annos, creança anemica e franzina confiada aos cuidados duma «institutrice». [...]
Aquella manhã de Maio despontou triste e chuvosa. Terminado o almoço em que escasseou a conversação entre os dois esposos, como sempre succede quando dois entes que se uniram sem paixão se encontram ligados para toda a vida, sem se sentirem familiares nem felizes na solidão. Rodrigo de Sequeira, sentado á secretária, olhava distrahido, através da vidraça, as enormes vagas do mar que vinham despedaçar-se com estrondo, levantando nuvens de espuma, sobre o caes e sobre os rochedos. Após uns instantes de contemplação, sacudindo a cabeça como para afastar pensamentos sombrios, escreveu por largo espaço, interropendo-se, monologando, e por fim leu:
«Meu varo Eduardo
Ha dois mezes que me encontro n'este isolamento sob a bandeira da «joven Republica Portugueza» tão indifferentemente recebida e em tão pouco tempo já odiada!"
(Excerto do Romance)
Alfredo de Freitas Branco (1890-1962). "Conhecido pelo título de Visconde do Porto da Cruz. Jornalista, publicista e escritor, foi também um homem de causas públicas, tendo abraçado várias ideologias políticas e doutrinárias, em diferentes fases da sua existência. [...]
Personalidade incontornável da cultura contemporânea insular, no seu tempo e espaço. [É possível identificar] representações culturais e identitárias da Madeira na sua escrita, evidenciando o discurso relativo à ilha, através de uma abordagem da obra de ficção, com particular incidência em O Destino (1915) e A viagem aventurosa de Suvenine Boliface a Zelstrufs (1934). Escritas em diferentes etapas do percurso literário do autor, a sua produção literária revela um cunho autobiográfico, e evoca questões históricas, políticas, sociais, culturais e identitárias. Deste modo, contribuiu para o conhecimento da identidade madeirense da primeira metade do século XX, fomentando uma reflexão acerca da atualidade de algumas situações retratadas."
(Fonte: https://digituma.uma.pt/entities/publication/38b7e6b8-b31a-4cf7-9b64-7c7ede621a9a)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa manchada à cabeça por acção da luz.
Muito invulgar.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
20€
Reservado

05 agosto, 2026

PIMENTA, Alfredo -
A REVOLUÇÃO MONARCHICA. Por...
Lisboa, Edição do Autor , 1919. In-8.º (18x12 cm) de 60, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Importante ensaio doutrinário publicado pouco tempo após a efémera tentativa de restauração monárquica, que ficaria para a história como a 'Monarquia do Norte'.
Publicado no rescaldo dos acontecimentos da Monarquia do Norte (a tentativa de restauração monárquica liderada por Paiva Couceiro em janeiro de 1919), o livro funciona como um estudo crítico e uma apologia ideológica. Nele, o autor analisa a instabilidade da Primeira República Portuguesa e defende a solução monárquica como a alternativa lógica contra a desordem política da época.
Alfredo Pimenta, que no início da sua vida pública teve simpatias anarquistas e republicanas, já se tinha convertido nesta altura a um monarquismo convicto e contra-revolucionário, posicionamento que reflete diretamente nas páginas desta obra de cariz doutrinário. (IA)
"A questão política continúa em equação, á espera de uma resolução positiva, normal e definida. O Equívoco nacional, aggravado com o advento do regime republicano, mantem-se. [...]
A situação republicana gerada pelos intuitos e pela vontade de Sidonio Pais, fracassou e morreo estrangulada ás mãos da demagogia organizada. A dissolvencia dos caracteres accentuou-se. A impotencia das intelligencias attingio a sua maxima evidencia. Não ha Governo. Não ha Lei.
E no entretanto, um momento houve em que seria fácil conduzir o Paiz àquella estabilidade, àquella comcórdia, àquella calma que são as condiçoens essenciais da sua vida normal.
Uma vez assassinado o Presidente Sidonio Pais, o caminho lógico, intelligente, seguro, era só um: o da restauração das instituiçoens tradicionais portuguezas, em moldes diversos dos que ellas tinham em 5 de outubro de 1910. [...]
No domingo, 19 de janeiro, á 1 hora da tarde, estávamos nós no Largo das Duas Egrejas com um dos mais combativos e decididos jornalistas da Monarchia, combinando a nossa acção parlamentar do dia seguinte, quando o governo de Tamagnini Barboza de apresentasse, como esperávamos, ás Câmaras, a relatar os acontecimentos sediciosos de Santarem. As nossas palavras e os nosso projectos não eram de quem presumia que meia hora depois, no Porto, se restaurasse a Monarchia."
(Excerto de 26, Fevereiro
Alfredo Pimenta (Guimarães, 1882 - Lisboa, 1950). "Escritor, conhecedor profundo da língua portuguesa, desenvolveu em estilo próprio, de grande clareza e rigor científico, uma vasta bibliografia que se espraia pela História, teorização politica, crítica filosófica, literária, géneros que muitas vezes tomaram a feição de polémica, em que era exímio, pela defesa intransigente dos seus pontos de vista e argúcia de argumentos. Cultivou também a poesia."
(Fonte: https://www.amap.pt/p/alfredo-pimenta)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo sujas, manchadas. Rubrica de posse na f. rosto.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€
Reservado

17 julho, 2026

BRAVO, Henrique -
DESFAZENDO ACCUSAÇÕES (Em legitima defeza) - BIOGRAFIA - AUTOPSIA D'UM PRYNETTI (CANDIDO DE VITERBO), TIPORIO DE ESTOFO AVARIADISSIMO
. Trancoso, Typ. da «Folha», 1918. In-8.º (22,5x15 cm) de 154, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Polémica trancosense em "duas partes", entre o autor - Henrique Bravo - e o recém-empossado Governador Civil da Guarda - o dr. Cândido Viterbo - figura antipática ao autor, com quem anteriormente já tivera desentendimentos.
Obra rara, publicada na sequência do golpe liderado por Sidónio Pais, relacionada com as nomeações políticas e ódios antigos locais.
"Duas palavras, simplesmente.
Nas paginas que vão seguir-se, dois assumptos differentes são tratados, numa linguagem clara, explicita e breve.
Um unico interesse me levou a coordenar, este opusculo: defender-me, com documentos comprovativos, e accusar, quem não tem direito á mais insignificante parcella de consideração e que, mentindo, quiz e quer enxovalhar-me sómente pelo prazer de diffamar, o que é qualidade inata das almas mesquinhas, vistas através de todos os prismas, por onde os encaremos.
Vão correr mundo, as minhas palavras, que offereço aos Homens honestos, para d'ellas tirarem imparcialmente, as conclusões a que possa chegar: Á Magistratura Portugueza, para que elle saiba e conheça o valor real d'um pseudo-magistrado e A meu filho, que ha mais d'um ano está na Flandres, na zona da guerra para que ninguem, em tempo algum, possa atirar-lhe, com razão e auctoridade, o meu nome, com intuitos reservados de o magoar, enxovalhar ou fazer còrar.
Leitor!
A sua attenção, pois, para o desenrolar d'esta fita, e quando passar á segunda parte, adopte, como medida prophilatica o Creosol, porque a autopsia d'um cadaver em putrefacção, é sempre nociva á saude publica e no caso presente, á moral, aos bons costumes e á sociedade.
Cautella, pois"
(Preâmbulo - Ao leitor)
"Quando a Trancoso, chegaram os primeiros rebates, ainda imprecisos, do movimento de cinco de dezembro, encontrava-me investido nas funcções de administrador d'este concelho, para satisfazer ao pedido que n'esse sentido me havia feito, o então governador civil do districto, e meu particular amigo sr. dr. Vasco Borges.
Devo dizer, que essa situação official, em nada abalou a minha independencia politica... [...]
A ninguem era licito duvidar da minha independencia politica, a não ser alguma creatura mal intencionada, e que sem provas concretas, malevolamente propalasse o contrario; embora os meus actos officiaes, absolutamente viessem provar e conffirmar a minha independencia politica.
Como a revolução triumfasse, e os meus serviços officiaes já não tivessem razão de existir, sollicitei telegraphicamente a minha exoneração de administrador d'este concelho, o que foi acceite, mandando-me entregar a administração ao senhor Presidente da Commissão Executiva da Camara Municipal, ao tempo representada pelo sr. Joaquim Antonio Ferreira, d'esta villa, o que fiz immediatamente. Decorridas vinte quatro horas, depois d'este meu gesto, fui informado, com grande surpreza minha, que operarios, artistas, comerciantes e populares, representando as forças vivas da villa, haviam imposto ao sr. Joaquim Ferreira, que accumulava as funcções de Presidente da Camara com as de administrador do concelho, o meu nome, para novamente assumir as funcções administrativas, de que voluntariamente me havia exonerado ha pouco mais de um dia."
(Excerto de Recapitulando factos)
Henrique Bravo. Conhecida figura local no início do século XX. Exerceu o cargo de administrador do concelho de Trancoso e foi uma figura de relevo na região. Destacou-se não só pela sua influência político-administrativa na transição da Monarquia para a República, mas também como jornalista e correspondente, sendo a principal "voz" local da imprensa. Era proprietário e diretor d'A Folha de Trancoso. Através deste jornal, publicava crónicas de costumes regionais, almanaques locais e fazia a cobertura das dinâmicas políticas e sociais da Beira Interior. O seu nome ficou também ligado à produção intelectual sobre infraestruturas, tendo sido autor de teses reconhecidas a nível nacional sobre a coordenação de transportes em Portugal, área na qual deixou contributos editados nas primeiras décadas do século XX. (IA)
Cândido Pedro Viterbo (1870-1946). Foi um advogado, magistrado do Ministério Público, compositor e guitarrista português, amplamente reconhecido pela sua actividade política e pelo seu envolvimento na tradição do Fado de Coimbra. Estudou e licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Exerceu o cargo de Governador Civil do Distrito da Guarda durante a República de Sidónio Pais, entre 13 de dezembro de 1917 e 13 de abril de 1918. Casou com a filha do Dr. Francisco da Silva Fonseca (médico, deputado e também antigo governador civil), fixando fortes laços familiares e patrimoniais com o concelho de Trancoso, onde existe hoje uma praceta com o seu nome. (IA)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Preso por agrafes, sem capas e lombada (de origem?), sendo o papel de fraca qualidade.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
25€
Reservado

28 junho, 2026

MONITA SECRETA - Instrucções secretas dos jesuitas. Segundo o exemplar authentico, existente no tribunal de Bruxellas, aprehendido aos jesuitas da casa de Ruremonde na occasião em que foram expulsos da Belgica. Publicação feita a expensas dum grupo de liberaes. Preço 50 réis. O producto d'este livro reverte a favor do Asylo de S. João fundado em Lisboa em 1862. Lisboa, Typ. - Rua da Escola Polytechnica, 89 e 91, 1901. In-8.º (19x13 cm) de 32 p. ; B.
Exemplar da Monita Secreta impresso no início do século XX, uma das edições deste best-seller anti-jesuítico, cujos editores afiançam provir do Tribunal de Bruxelas depois de apreendido à Companhia de Jesus no processo de expulsão destes da Bélgica.
Obra invulgar e muito curiosa.
"A 'Monita Secreta' é um texto falso, fabricado pela ativa campanha anti-jesuíta do século 18. Escrito em Latim, conheceu traduções em quase todas as línguas, que circularam de forma manuscrita. Pretendia parecer um manual elaborado pelo Superior dos Jesuítas para ensinar aos Padres como captar as heranças das viúvas, como atrair os jovens para a Companhia e outras malvadezes do género. É o que podemos chamar um “verdadeiro falso”, porque este exemplar foi dotado (para reforçar a ilusão) de uma encadernação de cinto ou “de batina”, muito frequente nos breviários e “livros de mão” de sacerdotes."
(Fonte: https://www.uc.pt/anossauc/centro-conhecimento/monita-secreta/)
"Veio Christo ao mundo e pretendeu regenerar a humanidade, prégando uma doutrina de brandura, de paz e de amor, que pudesse unir todas as creaturas no mesmo amplexo fraternal, incutindo-lhes uma crença divina, um sentimento de tolerancia e de liberdade que deviam constituir a felicidade suprema pelos laços da familia, na terra, e a esperança redemptora d'um ideal de justiça, no céo.
Por essa doutrina se sacrificou e morreu... [...]
Infelizmente, as doutrinas d'esse grande e divino espirito não poderam ainda arrancar de vez os defeitos damninhos que deformam as almas de tantos e tantos individuos que em todos os pontos da terra fazem sentir os males das primitivas condições, em que os homens, acorrentados ao obscurantismo, se debatiam na miseranda submissão da mais triste e desgraçada existencia.
Domina-os a sordida ambição dos gosos e das riquezas; offusca-os a paixão do predominio; cega-os a nefasta e secular pretensão de quererem avassalar o mundo e dispor dos seus destinos, sem hesitar nos meios a empregar, desde os mais violentos e inquisitoriaes até aos mais cavillosos e subrépticios.
Disfarçam-se, modificam-se, transformam-se, introduzindo-se assim nas camadas sociaes e confundindo-se com todas as classes; avança, recuam, occultam-se, comforme melhor convem aos seus tenebrosos planos, não perdendo a minima occasião de servirem a sua causa e de chegarem aos fins, sem que o mais leve escrupulo os detenha, sem que a menor inquietação lhes embargue o passo resoluto para vencer os obstaculos que se opponham aos seus designios.
Estes são os Jesuitas, a Seita Negra, a Companhia de Jesus.
Que desplante; que blasphemia; que hypocrisia! - Companhia de Jesus!"
(Excerto do preâmbulo - Jesuitas)
"1.º Para se tornarem agradaveis aos visinhos da povoação, muito importa explicar-lhes o objecto a Sociedade, tal como está prescripto nas regras, onde se diz que a Sociedade deve dedicar-se com tanto em penho á salvação do proximo, como á sua propria. Para este fim devem nos hospitaes desempenhar as funcções mais humildes, visitar os pobres, os afflictos e os presos. É preciso ouvir as confissões com benevolencia e ser muito indulgente com os peccadores, para que as pessoas mais importantes admirem os nossos e os estimem, tanto pela caridade extraordinaria que manifestam para com todos, como pela novidade da sua doçura.
2.º Que todos tenham presente que devem modesta e religiosamente pedir os meios de exercer os cargos da Sociedade e tratar de alcançar a benevolencia, principalmente dos ecclesiasticos e dos seculares que exercem authoridade, de que algum dia poderão necessitar. [...]
5.º Ao principio os nossos devem evitar o comprar propriedades; se porém o julgarem necessario, comprem-n'as em nome de amigos fieis, que prestem o nome apenas e que guardem segredo. Para que a nossa pobreza se veja melhor, convém que as terras que se possuam junto a qualquer collegio estejam em nome de outros afastados, o que impedirá que os principes e magistrados saibam a quanto montam as rendas da Sociedade.
6.º Que os nossos não percorram senão as cidades ricas com intenção d'ahi residir, em fórma de collegios; porque o fim da nossa Sociedade é  imitar Nosso Senhor Jesus Christo, o qual se demorava mais em Jerusalem e apenas passava pelos lugares menos importantes.
7.º Ás velhas viuvas ha que encarecer-lhes a nossa extrema pobreza, para lhe extorquir quanto dinheiro se possa."
(Excerto de I - De que modo deve proceder a Sociedade quando principia alguma fundação)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com cortes e pequenas falhas de papel marginais.
Raro.
30€

05 maio, 2026

PORTUGAL NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL (1914-1918).
Tomo I. As Negociações Diplomáticas até à Declaração de Guerra [Tomo II. As Negociações Diplomáticas e a Acção Militar na Europa e em África.]. Lisboa, Ministério dos Negócios Estrangeiros, 1997. 2 vols in-4.º (26x17 cm) de 449, [2] (I) e 383, [1] p. (II) ; B.
1.ª edição.
Obra em dois volumes (completa). Trata-se de um conjunto de documentos diplomáticos relevantes para o estudo das decisões políticas e militares tomadas antes e durante a participação portuguesa no conflito mundial, com influência nos diversos teatros de operações em que o país se viu envolvido militarmente - na Europa, em França, e nas colónias portuguesas africanas. Em 1920, fora já impressa uma parte bastante incompleta dos documentos que iam até à declaração de guerra, com a finalidade de ser apresentado nesse ano pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros ao Congresso da República.
Índice:
Tomo I - As negociações diplomáticas, os incidentes ocorridos nas colónias portuguesas e as pressões exercidas no sentido de levar Portugal a entrar na guerra.
Tomo II - As negociações preparatórias da entrada do Corpo Expedicionário Português na guerra da Europa e o desenrolar das operações militares em França e em África.
"Com a publicação destes dois volumes do Livro Branco sobre a primeira guerra mundial (1914-1918) realiza-se o propósito do Ministério dos Negócios Estrangeiros de trazer a lume o texto dos documentos respeitantes à acção diplomática desenvolvida por Portugal. [...]
No primeiro tomo desta obra, reproduz-se a documentação referente às diligências diplomáticas levas a efeito entre o nosso país e a Inglaterra no sentido de procurar definir, no quadro da Aliança Inglesa, a atitude a tomar pelo Governo português em vista da entrada da nossa aliada na guerra, e bem assim perscrutar a posição que aquela assumiria, no caso de virem a ser atacados os territórios portugueses em África.
Igualmente se alude, nesta primeira parte de tal colectânea, aos incidentes ocorridos nas nossas colónias do continente africano com as tropas da Alemanha e às decorrentes relações então estabelecidas entre os Governos dos dois países. A apropriação dos navios alemães surtos em portos portugueses e a reacção que tal medida provocou por parte do Governo de Berlim são também referidas nas comunicações na altura trocadas.
Assume ainda especial relevo a documentação alusiva ás pressões exercidas, quer interna quer internacionalmente, sobre o Governo no intuito de nos levar a participar nas hostilidades na Europa ao lado das potências aliadas A situação daí resultante veio a ser considerada insustentável,o que provocou a dissolução do Governo, aliás, explicitamente referida em carta dirigida pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros cessante ao Ministro de Portugal em Londres.
Com a declaração de guerra, em 9 de Março de 1916,  e as suas repercussões imediatas no domínio internacional conclui-se a parte mais assinalável do primeiro volume da obra."
(A. de Paula Coelho, Nota Prévia do Tomo I)
"Conclui-se, neste segundo tomo do Livro Branco, a reprodução dos documentos respeitantes à actividade diplomática desenvolvida e, sobretudo, à acção exercida pelo Corpo Expedicionário Português no teatro das operações na Europa.
Sobreleva, de entre o acervo encontrado, a correspondência relativa a diversos aspectos da guerra de que se destacam:
As diligências destinadas a determinar o transporte e a participação das forças militares portuguesas nas hostilidades em França, e a sua integração nas tropas aliadas que combatiam naquele país.
Os incidentes militares ocorridos em Angola e Moçambique entre tropas portuguesas e alemãs.
A questão da administração dos territórios africanos conquistados pelas forças portuguesas aos alemães.
A reacção provocada entre os Aliados por uma proposta de paz apresentada pela Alemanha e seus aliados, bem como uma nota, também a favor da paz, enviada pelo Presidente dos Estados Unidos da América aos Governos dos países na guerra.
Tentativas inglesas no sentido de conseguir que os navios apropriados aos alemães passassem a participar do esforço de guerra da Grã-Bretanha.
Incidente resultante de uma declaração do «Labour Party» acerca dos territórios portugueses em África e posição a este respeito assumida pelo Governo britânico.
Diligências inglesas no sentido de ser autorizado o recrutamento de indígenas em Moçambique destinados a operarem com as forças inglesas em África.
Arranjos propostos  para a inserção das forças das forças militares portuguesas nos exércitos que combatiam em França.
Colaboração militar entra as forças portuguesas na África oriental."
(Excerto da Nota Prévia do Tomo II)
Exemplares em brochura, por abrir, em bom estado de conservação.
Invulgar conjunto.
Com interesse histórico. 
50€

03 maio, 2026

FUNCHAL, Marquez do -
TITULOS NOBILIARCHICOS.
Memoria historico-juridica em resposta a diversas consultas apresentada em 29 de Março de 1916. Pelo... Separata dos Trabalhos da Academia de Sciências de Portugal : Primeira Série - Tomo V. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1916. In-4.º (25,5x16,5 cm) de 47, [1] p. ; B.
1.ª edição independente.
Trabalho histórico, jurídico e genealógico relevante para o estudo da nobreza portuguesa no início da República, ocasião em que os títulos nobiliárquicos foram abolidos, e posteriormente restaurados.
"Na primeira phase, que comprehende toda a epocha do feudalismo portuguez, a que pozeram termo as providencias emanadas das côrtes, que se reuniram em Atouguia, em 1372, os nobres donatarios constituiam duas cathegorias: a dos condes, ricos-homens e infanções, e a dos alcaides e cavalleiros, uns e outros possuidores de terras adquiridas por doação regia, que se denominavam, respectivamente, honras, cavallarias e coutos, transmitindo-se hereditariamente de paes a filhos; e alcaïdarias e prestamos, revertendo á Corôa, extincta a vida do donatario."
(Excerto de II - Ordem da Nobreza em Portugal - Synthese historica)
"Da successãos nos titulos, desigandos hoje, ainda, nobiliarchicos, passarei a occupar-me, visto ser este o objecto especial d'este estudo, e para que não haja illusões sobre o meio legal de se effectuar a respectiva transmissão hereditaria, procurarei analysar e destrinçar os diplomas vigentes e reguladores d'esta materia; pois que a desorientação que proveiu do panico estabelecido pelo decreto de 15 de Outubro de 1910, e, mais tarde, pelo artigo 3.º da Constituição Republicana, originou paradoxalmente o ridiculo espectaculo de nobres e plebeus se condecorarem, sui juris, com titulos mais ou menos authenticos, uns completamente extinctos, outros carecendo de sancção regia e das formalidades indispensaveis de chancellaria."
(Excerto de III - Direito de Successão nas Mercês Hereditarias)
Agostinho de Sousa Coutinho, 3.º Marquês do Funchal (1866-1923). "Agostinho de Sousa Coutinho nasceu em Lisboa, a 3 março 1866, sendo o 3.º filho do 3.º conde de Linhares e D. Ana Carlota Rolim de Moura Barreto, filha do duque de Loulé. Em 1893 foi nomeado delegado do procurador régio da comarca de Torres Vedras e transferido para Sintra, vindo a militar no Partido Progressista, nascido da fusão do Partido Histórico do seu avô duque de Loulé e do Partido Reformista, que passou a alternar no governo com o Partido Regenerador. Foi na alternância governativa entre estes partidos que surgiram as nomeações em 1899 e, depois, em 1904, do intitulado Marquês do Funchal para o governo civil do Funchal, título somente oficializado em 1908. Tendo os irmãos mais velhos optado pelo título de Conde de Linhares, com o falecimento da sua tia, que usava o título de 2.ª Marquesa do Funchal, como aia da rainha, passou a usar o título de 3.º Marquês do Funchal, dentro de um determinado quadro ideológico dos membros do Partido Progressista, herdeiro do velho Partido Histórico.
A nomeação de governador civil do Funchal do Marquês do Funchal teve a data de 23 de dezembro de 1899, tendo chegado a 13 de janeiro seguinte e tomado posse dois dias depois. A passagem do Marquês do Funchal pelo governo civil do Funchal pautou-se por uma gestão corrente e, com a posse do novo gabinete dos regeneradores, foi demitido a 25 de junho e retirou-se para Lisboa com a família. Voltava ao lugar por decreto de 22 de outubro de 1904, tendo chegado a 9 de dezembro e tomando posse no dia seguinte. A 19 de junho de 1905 era exonerado a seu pedido, mas ainda aceitando o governo civil de Coimbra, que ocupou entre 20 de janeiro e 25 de junho de 1910. O antigo governador Agostinho de Sousa Coutinho faleceu em Cascais, a 22 de dezembro de 1923."
(Fonte: https://www.arquipelagos.pt/imagem/marqueses-do-funchal-noticia-genealogica-de-d-tivisco-diario-de-noticias-funchal-13-de-janeiro-de-1900-ilha-da-madeira/)
Índice:
I - Reflexões Preliminares. II - Ordem da Nobreza em Portugal - Synthese historica. III - Direito de Successão nas Mercês Hereditarias.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de pappel marginais. Interior correcto.
Muito invulgar.
Indisponível

16 abril, 2026

SOUSA, Comandante Jaime de - AGONIA DE UM HERÓI. A derradeira viagem do "Adamastor". Lisboa, Editora Marítimo-Colonial, Lda., 1945. In-8.º (19x12,5 cm) de 448, [2] p. ; [20] p. il. ; B.
1.ª edição.

"O Adamastor foi um cruzador da Marinha Portuguesa, construído nos Estaleiros Navais de Livorno (Itália), em 1896, entregue à Marinha Portuguesa em 1897, e financiado pelas receitas provenientes de uma subscrição pública organizada como resposta portuguesa ao Ultimatum britânico de 1890. O seu primeiro comandante foi o Capitão de Mar-e-Guerra Ferreira do Amaral. 
O Adamastor desempenhou um papel importante no golpe revolucionário de 5 de Outubro de 1910, que levou à implantação da República, sendo responsável pelo bombardeamento do Palácio das Necessidades.  Durante o seu período de serviço o Adamastor percorreu em missões de soberania quase todos os territórios ultramarinos, de Angola a Timor. Também fez várias visitas oficiais a países estrangeiros, como o Brasil e o Japão. Na Primeira Guerra Mundial, o Adamastor tomou parte activa nas operações militares contra os alemães, no norte de Moçambique."
Livro ilustrado em separado com retratos do autor e do capitão Ferreira do Amaral, e fotogravuras do navio e de alguns dos locais aportados.
Jaime Júlio Velho Cabral Botelho de Sousa (1875-1945). “Foi um político e militar da Marinha Portuguesa, tendo chegado ao posto de capitão-de-fragata. Exerceu as funções deputado e de Ministro das Colónias de 20 a 29 de Novembro de 1820 no governo de Álvaro de Castro. Nasceu em Ponta Delgada. Depois de completar os estudos liceais, partiu para Lisboa, tendo ali concluído o curso da Escola Naval. Após a Primeira Guerra Mundial exerceu funções diplomáticas como Ministro Plenipotenciário e Enviado Extraordinário de Portugal à Comissão de Reparações de Guerra. Apesar de ter sido deputado durante o regime monárquico, após a implantação da República Portuguesa foi Ministro das Colónias (de 20 a 29 de Novembro de 1920) num dos efémeros governos presididos por Álvaro de Castro. Publicou um livro intitulado Agonia de um herói : a derradeira viagem do "Adamastor" (Lisboa : Marítimo-Colonial, 1945), descrevendo a última viagem do cruzador Adamastor."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas plastificadas.
Muito invulgar.
Com interesse histórico. 
30€

15 abril, 2026

COELHO, Trindade -
TRINDADE COELHO : cartas, com um prefacio e notas de Paulo Osorio
. Porto, Editadas por Paulo Osorio, 1908. In-8.º (19x12 cm) de 48 p. ; B.
1.ª edição
Publicação da correspondência de Trindade Coelho para Paulo Osório, forma de este, prefaciador e editor, homenagear o autor de Os Meus Amores e In Illo Tempore, recém-falecido. Importante subsídio - "precioso documento psycologico" - para melhor compreensão do homem e da sua obra, editado  pouco tempo após o regicídio.
"Em 1897, esse pobre Trindade Coelho, cuja face pallida eu vi ha pouco na serenidade muda do seu esquife de suicida, pontificava num pequeno grupo de praticantes em letras, ao qual eu, então em começo, pertencia. Seduzira a essa meia duzia de estreiantes, de aptidões mais ou menos definidas , a arte tão nova, tão difficil quanto apparentemente singela, enternecida, dôce, luminosa, que enche as paginas translucidas dos seus contos. Os Meus Amôres eram os amôres de nós todos, eram a nossa biblia; e, porque o Trindade, que sempre foi doido por creanças, nos aturava magnanimo, pelas paginas risonhas das nossa revistas, pelas dedicatorias dos nossos contos ou dos nossos livros, o seu nome andava sempre, illuminado e florido, como o de um padroeiro. [...]
Pobre Trindade! A dictadura, que tanto parecia opprimir o teu espirito e revoltar o teu raciocinio, foi derribada, espesinhada, apunhalada, vencida. E quando a causa que fôra a tua se erguia thriumphante, e a voz do paiz esturgia nas abobadas de S. Bento como tu perceituavas, e o imperio da lei augusta e poderosa se promettia, como era de tua ambição instante e apaixonada, e quando as cadeias da opressão se quebravam a tiros de carabina e o sol da felicidade parecia subir, embora laivado de sangue, a illuminar de novo a terra portuguêsa, tu, o combatente, o martyr, o propheta, o apostolo, só encontráste no teu destino uma solução - morrer! E d'essa dictadura e do homem que a representava tu tinhas, pouco antes do suicidio, esta impressão amarga e dolorosa que te trouxera ao espirito atormentado toda a contemplação amargurada da tua vida desfeita:
- Tenho na minha alma uma grande gratidão pelo João Franco. E gostava que elle o soubesse. Porque, quando alguem um dia lhe propôs que me demittisse, dizem-me que elle respondeu: não demitto esse homem porque tem uma mulher e um filho. E esses, agora, não se lembram sequer de que essa  mulher e esse filho existem!"
(Excerto do Prefacio)
Paulo Mendes Osório (1882-1965). "Activo partidário de João Franco, dedicou-se sobretudo ao jornalismo. Em 1911, na sequência da queda da Monarquia, fixou-se em Paris, onde se tornou colaborador de O Século e correspondente do Diário de Notícias, tendo dirigido a secção parisiense deste último. Da sua obra, podem salientar-se dois volumes de crónicas, Lisboa (1908) e No Fado (1911), para além do conto História dum Morto (1914), e Le Portugal et la Guerre (1918), livro editado em França com tradução de Philéas Lebesque. Dedica também vários estudos a Camilo Castelo Branco, de que se destaca uma biografia do escritor, Camilo. A Sua Vida, o Seu Génio, de 1908."
(Fonte: https://modernismo.pt/index.php/p/706-paulo-mendes-osorio)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos. Rubrica de posse na f. rosto.
Raro.
20€
Reservado

09 abril, 2026

CUNHA, Annibal -
EM MINHA LEGITIMA DEFEZA.
Exposição apresentada ao Senado da Republica Portugueza por... Capitão-Pharmaceutico. Porto, Typographia Artes & Lettras, 1913. In-8.º (21x15 cm) de 27, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante contributo para a história da Revolta de 31 de Janeiro de 1891, ocorrida no Porto. Trata-se da narrativa do autor, participante directo do movimento conspirativo, tendo tomado parte nos encontros e negociações de bastidores entre militares e iminentes figuras da República, e do que se seguiu - a fuga, e o exílio após o fracasso golpista, - e por fim o regresso à Pátria, onde, após o 5 de Outubro de 1910, reclama da sua situação militar. Inclui diversa documentação relacionada com o 31 de Janeiro, incluindo missiva abonatória em seu nome expedida por João Chagas do Limoeiro, em artigo de 1897, publicado no jornal Marselhesa, que o próprio dirigia a partir da cadeia, e outros testemunhos abonatórios de conhecidas personalidades do regime recém-instituído.
Opúsculo valioso, raro, sem referências bibliográficas, incluindo a BNP que não menciona a obra. Por certo com tiragem reduzida
"Sendo estudante, assentei praça, como voluntario, no mez de Janeiro de 1888, no Regimento de Infanteria 18, requerendo licença para estudos, que me foi concedida. Em 1890, á data do Ultimatum do governo inglez, tinha eu o posto de cabo. Tomei parte activa nas manifestações academicas de caracter politico que então se produziram, chegando a dirigir os meus companheiros do Lyceu do Porto sob o meu commando.
Terminando o anno lectivo, recolhi ao corpo e empreguei todo o tempo disponivel na propaganda republicana a dentro dos quarteis, distribuindo, secretamente, periodicos republicanos pelas casernas, organisando grupos e dando reuniões de cabos depois do toque de recolher.
Uma noite, estando de inspecção o capitão Sarsfield, reuni os meus camaradas e propuz-lhes a conveniencia de sahirmos  armados para a rua, afim e se proclamar a Republica. No meu enthusiasmo de rapaz, julguei que o momento era opportuno, visto que á Guarda Municipal não tinha sido ainda distribuida a espingarda Kropatschek, o que nos dava uma grande superioridade, apezar de estarem muito reduzidos os quadros dos regimentos da guarnição do Porto, pelo facto de haverem  sahido grandes contingentes d'estes corpos para o cordão sanitario. Quando este plano estava prestes a ser executado, alguem lembrou a conveniencia de préviamente nos entendermos com os elementos civis, pois poderia a nossa precipitação prejudicar quaesquer trabalhos revolucionarios que estivessem organisados. Por proposta minha, ficou desde logo nomeada uma commissão de cabos, que no dia immediato procuraria João Chagas, director da Republica Portugueza, para lhe offerecer a nossa cooperação Assim se fez, indo nós á redacção do jornal avistarmo-nos com João Chagas, que ficou surpreehendido com o que ouvia e deliberou enviar-nos no dia seguinte um delegado seu, que se entenderia connosco no Jardim da Cordoaria.
De facto, lá appareceu, á hora marcada, o Dr. Eduardo de Souza, que, em face da nosse attitude, e reconhecendo a gravidade da situação, nos aconselhou a fallarmos novamente com João Chagas, ficando eu incumbido d'essa missão.
João Chagas aconselhou-nos que esperassemos alguns dias até ao regresso ao Porto de Bazilio Telles e Santos Cardoso, para depois se dar inicio aos trabalhos revolucionarios entre militares. Pôz-me depois em relações directas com Alves da Veiga, Bazilio Telles e Santos Cardoso, que morava então na rua do Almada, onde João Chagas, para este effeito, lhe foi apresentado por José Pereira de Sampaio, que os reconciliou."
(Excerto da Narrativa)
Aníbal Augusto Cardoso Fernandes Leite da Cunha (1868-1931). "Cientista, pedagogo e militar. Filho de António Cardoso Leite da Cunha, militar, e de D. Quitéria Augusta Fernandes Cunha, naturais do Porto e moradores na rua do Almada, nasceu na freguesia da Vitória, Porto, a 8 de setembro de 1868. Foi batizado no dia 24 de outubro seguinte, tendo como padrinhos José Fernandes, seu avô materno, e Ana Rita da Costa Pinto.
No Porto fez o curso dos liceus e cedo se notabilizou pela sua intervenção cívica. Militar desde 1888 (assentou praça como voluntário no Regimento de Infantaria 18), participou na Revolta de 31 de Janeiro de 1891, facto que o conduziria ao exílio. Em Espanha, onde se exilou, foi um dos subscritores do Manifesto dos Emigrados da Revolução Republicana Portuguesa de 31 de Janeiro de 1891, editado em Madrid a 12 de abril desse ano. No Brasil, onde também esteve exilado, exerceu o magistério.
Regressou a Portugal após amnistia, a 6 de junho de 1893, e casou com Laura Vieira d’Andrade.
Em 1910 foi reintegrado no exército, mais tarde, em 1921, foi promovido a Major Farmacêutico e em 1930 colocado na situação de reserva.
Aníbal Cunha é considerado um dos principais obreiros da afirmação do ensino farmacêutico em Portugal, muito tendo contribuído para a converter a Escola de Farmácia na Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, em 1921.
Integrou associações científicas e foi condecorado com a medalha de prata de classe de comportamento exemplar, medalha de bronze comemorativa da Revolta do 31 de Janeiro e medalha de ouro de comportamento exemplar. Foi, ainda, distinguido, com o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada e o título de Comendador da Ordem Militar de Avis.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
85€
Reservado

30 março, 2026

CORRÊA, Carlos Alberto -
A ARTE NA GUERRA. (O official - O soldado).
[Por]... Capitão de Cavallaria. Lisboa, Imprensa Libano, vda Silva, 1912. In-4.º (23,5x16,5 cm) de 40 p. ; B.
1.ª edição.
Ensaio sobre liderança e estratégia militar no campo de batalha, publicado já sob os auspícios do novo regime saído do 5 de Outubro de 1910.
Obra rara, muito interessante, não mencionada na BNP, a não ser a existência de uma folha volante que certifica a publicação do livro.
"A palavra tactica vem da palavra grega [...] que significa: ordem, arranjo, disposição.
Effectivamente pode-se definir a tactica como a arte de dispôr e de fazer mover com ordem as tropas no campo de batalha.
Hoje o termo tactica tem uma significação mais extensa e assim é o conjuncto de processos empregados para marchar, proteger-se e combater.
Estes processos são differentes segundo as armas. Cada arma tem a sua tactica particular de marcha, de estacionamento e de combate. Quando actuam em conjuncto, applicam os processos da tactica das trez armas.
A arte da guerra comporta alguns principios imuteveis provenientes de causas moraes ou physicas. Mas a utilisação d'esta arte, a applicação d'estes principios estão submettidas a constantes variações, porque os meios empregados, o estado moral das tropas, o terreno, são coisas essencialmente variaveis. [...]
A primeira causa que pode actuar sobre a tactica é a natureza das armas.
Para ferir um adversario, pode-se empregar dois meios: lançar contra elle um corpo, conservando-se a distancia; ou correr para elle, e, de perto, feril-o com a arma. Assim ha duas naturezas d'armas: armas d'arremeço e armas de choque."
(Excerto do Ensaio)
Indice:
1.ª Parte - A arte na guerra: I - Tactica - Estrategia. II - Preparação - Execução: A) Necessidade do estudo e d'uma preparação constante para a guerra; B) Systema militar d'um estado.
2.ª Parte: O official - O soldado: I - O chefe: A) Qualidades do chefe; B) Da disciplina. II - O soldado.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na BNP.
25€
Reservado

22 março, 2026

MAIA, Berta - AS MINHAS ENTREVISTAS COM ABEL OLIMPIO "O DENTE DE OURO".
Paginas para a historia da morte vil de Carlos da Maia, republicano - combatente de 5 de Outubro -
. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Ottosgrafica - Lisboa], 1928. In-4.º (23x17,5 cm) de 64 p. ; B.

1.ª edição.
Berta Maia, viúva de José Carlos da Maia - uma das vítimas da madrugada de 19 de Outubro, que para a história ficaria conhecida pela "Noite Sangrenta" - empenhou-se viva e corajosamente na busca da verdade: quem e porquê tinham sido os mandantes dos crimes, tendo para o efeito entrevistado na prisão Abel Olímpio - «o Dente de Ouro» - cabo da marinha, líder da "camionete fantasma" - responsável identificado pelo morticínio.
Ilustrado com fac-símiles dos Autos referentes às declarações de vários dos envolvidos neste processo "Noite Sangrenta".
"No dia 19 de outubro de 1921, eclode uma revolta militar sob o comando do coronel Manuel Maria Coelho, antigo revolucionário do Movimento Republicano de 31 de Janeiro de 1891. O chefe do Governo, António Granjo, apresenta a demissão, mas o Presidente da República, António José de Almeida, não nomeia um novo executivo.
Neste ambiente de impasse, na noite de 19 para 20 de outubro, um grupo de civis e militares, liderado pelo cabo marinheiro Abel Olímpio, conhecido por O Dente de Ouro, conduz os acontecimentos da designada Noite Sangrenta.
Uma camioneta – a "camioneta-fantasma" – percorre Lisboa em busca de diversas figuras do regime republicano, que, forçadas a entrar no veículo, são posteriormente executadas. Na Noite Sangrenta são assassinados, entre outros, o Primeiro-Ministro, António Granjo, e dois protagonistas da Revolução de 5 de Outubro de 1910, Machado Santos e Carlos da Maia."
(Fonte: https://www.parlamento.pt/Parlamento/Paginas/noite-sangrenta.aspx)
"Tu, meu filhinho, ficaste órfão aos seis mezes, toda a tragedia se desenrolou á tua vista e tu sorrias, sorrias sempre! Deus Meu! Pensei que um dia a tua alma estimaria lêr estas páginas, escritas por tua Mãe, sem odios, sem gritos de vingança, e então uma lágrima rolaria pela tua face, serena, sem revoltas, amparado á cruz de Cristo, forte, altivo na tua dôr, orgulhoso de teu Pae!"
(Excerto de Porque escrevi este livro)
"Um mez e dias depois da morte do meu marido adorado, - estava eu prostrada no leito numa grande agonia, - trouxeram-me um cartão de visita: era da policia, do director Barbosa Viana, convidando-me a ir o Governo Civil. Levantei-me e fui. O Dr. Barbosa Viana escondeu-me numa sala e, sentada junto duma porta de vidro, foi-me possivel perceber o que se passava na sala contigua. Ouvia, não via, parecendo-me conhecer a voz de quem procurava defender-se. Eu tremia num desespero louco, ouvindo falar no que se passara em minha casa. Uma voz nega a celebre frase que lhe recordam:
- Então tu não disseste em cada de Carlos da Maia - «ele tambem não teve dó de mim, mandou-me para a Africa a ganhar 10 réis por dia e minha mãe morreu de dôr»? És capaz de manter essa negativa diante da viuva? Conhece-la?
- Sim, - respondeu.
A porta abre-se, e eu vejo o marinheiro cujo olhar terrivel e me gravara pra todo o sempre. Atiro para longe o chapeu e digo-lhe:
- Conheces-me? Olha bem para mim. Não me deste tiros, mas vê bem que eu sou um cadaver!
O Dr. Barbosa Viana agarra-me com força, pela frente, no momento em que tento avançar para o assassino, obriga-me a sentar num sofá, sofocada. Então, aquele homem frio, que dir-se-ia de gelo em minha casa, com uma lagrima nos olhos, fixando-me, diz:
- Esta senhora é a unica pessoa que me pode acusar..."
(Excerto de Depois da tragedia - No Governo Civil)
Índice:
Dedicatoria. | Porque escrevi este livro. | Depois da tragedia: No Governo Civil; Na Prisão da Junqueira. | Depois da condenação do Abel Olimpio: Na Penitenciaria de Coimbra - Primeira entrevista; Segunda entrevista; E o Abel falou - Terceira entrevista. | O Snr. Virgilio Pinhão em minha casa. | Os autos [Fac-símiles].
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis com defeitos.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
30€
Reservado

07 março, 2026

BOMBARDA, Miguel - A ENFERMAGEM RELIGIOSA.
Por...
Lisboa, Publicação da Junta Liberal, 1910. In-8.º (22,5x15 cm) de 37, [3] p. ; B.

1.ª edição.
Conjunto de artigos críticos do exercício da enfermagem por religiosas publicados pelo autor na revista A Medicina Contemporanea, acrescentado com dois textos inéditos.
No início do século XX em Portugal os cuidados de enfermagem eram maioritariamente dispensados por religiosas. Contra a enfermagem exercida por estas mulheres opunham-se muitos médicos. De entre eles salientava-se o republicano Miguel Bombarda.
"A questão da enfermagem religiosa entrou em pleno dia de discussão. Até agora, desde alguns annos, as congregações teem andado n'este pequeno trabalho, manso, silencioso, mas tenaz, de se insinuarem na vida da sociedade portugueza. Hoje porém já se descobrem de todo e não receiam a grande publicidade na sua capital arremetida de se substituirem por completo á enfermagem secular dos nossos estabelecimentos publicos.
O artigo, em que o assumpto nos occupou ultimamente, é o reflexo da situação. Veio elle na defeza da mulher portugueza, dos seus egregios dotes de intelligencia e amor, apoucados por um jornal que esqueceu a justiça n'um arranco de proselytismo. [...]
É preciso primeiro que tudo assentar muito decisivamente que a dedicação e a coragem não são privativas do zelo religioso."
(Excerto do Cap. II - Enfermeiras religiosas)
Índice
:
I. Pias injustiças. II. Enfermeiras religiosas. III. Um testemunho de longe. IV. A s enfermeiras "não mercenarias". V. Resumo.
Miguel Augusto Bombarda (1851-1910). “Nasceu em 1851 no Rio de Janeiro. Foi médico do Hospital de S. José, em 1892, director do Hospital de Rilhafoles e professor, desde 1880, da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa. Como médico dedicou-se principalmente às doenças do sistema nervoso, especializando-se em Psiquiatria. Participa também no lançamento das campanhas de prolifaxia contra a tuberculose. Só em 1908 entrou na política activa, como deputado, afecto ao então presidente do Conselho, Ferreira do Amaral. Mas as suas fortes convicções liberais e anti-clericais aproximam-no rapidamente da Junta Liberal, de que se torna um dos mais destacados dirigentes, e do Partido Republicano, a que adere formalmente pouco antes da implantação da República, sendo eleito deputado nas suas listas. Miguel Bombarda foi um dos principais dirigentes da revolução republicana, com o especial encargo de proceder à distribuição de armas por grupos civis, estando prevista a sua participação no assalto ao quartel de Artilharia 1, em Campolide. No dia 3 de Outubro, Miguel Bombarda foi alvejado a tiros de revólver por um oficial do exército, antigo aluno dos colégios da Companhia de Jesus, que o procurou em Rilhafoles. Transportado para o Hospital de S. José, foi operado, 'depois de ter mandado queimar à vista uma carta que trazia na carteira' e falado com Brito Camacho, mas não resistiu à operação, entrou em coma e faleceu cerca das 6 da tarde. A morte de Miguel Bombarda provocou especial indignação junto do povo de Lisboa, para quem se tratava de um 'atentado reaccionário'. A República organizou as suas exéquias, homenageando-o como um dos seus principais inspiradores.”
(fonte: www.fmsoares.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas ligeiramente oxidadas.
Raro.
Indisponível