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20 janeiro, 2026

BRITO, Rozalino Candido de Sampaio e - O MUNDO NÃO SE ENDIREITA MAS EU NÃO LARGAREI NUNCA O MUNDO. Segunda edicção precedida d'uns bons bocadinhos, e seguida d'outros ainda melhores. (Mimozissimo presente, que o comprador pode fazer a qualquer... asno, por exemplo). Porto, Typ. de Antonio José da Silva, 1873. In-8.º (18,5x13 cm) de [2], XXIV, 24 p. ; B.
Curiosíssimo opúsculo. Apesar de se tratar da segunda edição, esta poderia ser considerada uma 1.ª edição, tão grandes são as diferenças entre as duas  porque muito aumentada a presente, redigida com uma linguagem "terrível", conforme declara Rosalino: "talvez a mais terrivel que eu tenho escripto em toda a minha vida; mas é justa - é justissima". Assim, a primeira parte do livro (XXIV pp) é exclusivamente dedicada pelo autor à justificação da segunda edição, sendo a segunda parte preenchida com O mundo não se endireita.
Índice:
[Primeira parte]: Por conveniencia de futuro; Franqueza d'alma; Declarações muito necessarias; Uma attenção minha para com os criticos competentes; Prologo (tornado n'uma boa lição). [Segunda parte]: O mundo não se endireita mas eu não largarei o mundo. Vermes detestaveis ou viventes perigosos.
Rosalino Cândido de Sampaio e Brito (? - 1904). "Poeta e polemista, falecido a 7 de Maio de 1904 na cidade de Lisboa, onde passou os últimos anos da sua vida, anteriormente havia residido no Porto até cerca de 1868 e, em seguida, em Coimbra, cidade na qual terá permanecido nas duas décadas seguintes e à qual ficou intimamente associado em virtude da enorme popularidade que aí adquiriu pela sua actividade nas letras ou pelas suas “extravagâncias literárias”, como melhor esclarece Cardoso Marta numa das suas anotações à obra Cartas de Camilo Castelo Branco (1918).
Embora não estando matriculado em qualquer instituição de ensino em Coimbra, onde terá apenas frequentado uma aula regida por Manso Preto a quem, num episódio que ficou célebre em toda a academia, chegou a pedir dispensa em verso por não ter estudado a lição, aí conviveu com inúmeros académicos e ficou na memória de várias gerações, incluindo alguns autores como Trindade Coelho, Brito Camacho, Sá de Albergaria, Mário Monteiro e António Cabral, que o mencionam nas suas obras, qualificando-o como um filósofo, humanitarista, precursor do nefelibatismo ou como um louco.
Publicando grande parte da sua obra na cidade de Coimbra, incluindo o jornal filosófico Luz da Razão, do qual foi o único redactor e que se imprimiu no Porto entre 1867 e 1868 e, em seguida, em Coimbra, onde obteve grande popularidade, a sua vasta produção literária, exceptuando o romance A observação e o homem orgulhoso (1876), é composta sobretudo por inúmeros opúsculos que ele próprio vendia, marcados por um tom inflamado e uma predilecção pelo grotesco.
Cultivando essencialmente a escrita poética e a prosa ensaística, fórmulas que por vezes integrou na mesma obra, da sua produção enquanto poeta conhecem-se, entre outras, as publicações O jovem ancião (1875), Camões: homenagem aos antigos heróis portugueses e sobre todos ao seu divino cantor Luís de Camões (1880), O legendário misterioso (1881), Uns pontos nos is à minha moda constituídos sempre (18--), Uns santos do céu: em verso (e prosa) amaldiçoados por um diabo da terra (1883), Espontaneamente vestir a pele do lobo e arranjar lenha para as suas costas ou quid pro quo em sonetos (1887), Cupido e Baco na rua do Ouro em dia de S. Martinho (1887) e Um sonetão, sim, capitão (1890).
Além destas obras, foi ainda autor dos opúsculos de carácter polémico ou filosófico O que é uma tourada perante a civilização (1870), O número terrível da luz da razão (1874), A pobreza e a mendicidade humana: remédio para aquela e a extinção absoluta de esta (1877), Processo académico oferecido aos estudantes: consagrado ao riso e dedicado ao Conselho de Decanos de todas as faculdades no outro mundo (1878), Discurso: para ser recitado no sarau literário à memória de Camões pelos estudantes de 1881 (1881), A carta (as touradas) do Ex.mo Sr. Dr. Luís de Magalhães e a resposta de Rosalino Cândido de Sampaio e Brito (1888), Algumas sandices de Rosalino Cândido de Sampaio e Brito consagradas ao Sr. Emídio Navarro: não como ministro das obras públicas, mas sim como redactor-proprietário do jornal As Novidades (1888) e Um petisco! Um petisquinho! A novidade agora! Ou melhor Emídio Navarro com Rosalino Cândido de Sampaio e Brito não é tarea é um petisquinho, só um petisquinho! (1889)."
(Fonte: http://vcp.ul.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=34&Itemid=122)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos.

Raro.
Sem registo na BNP.
25€

22 dezembro, 2025

A CEIA DOS CARDEAIS - Acto único
. [S.l.], [s.n.], [19--]. In-4.º (28,5x22,5 cm) de 15 f. ; B.
1.ª edição.
Paródia "erótica" à Ceia dos Cardeais de Júlio Dantas. O diálogo dos religiosos e as descrições dos seus "feitos" carnais, inclui linguagem licenciosa. Trata-se do exemplar original desta peça, batido à máquina a duas cores. Título manuscrito na capa, sublinhado a traço ondulado. Desconhece-se o autor e data (primeira metade do século XX?), e se foi reproduzido em livro ou de outra forma.

"A acção passa-se em Roma

Personagens:

Cardeal Pipia......... Sugeito com voz de mulher
Cardeal Rufo..........Tipo com fumaças de valente
Cardeal Vigni......... Sugeito com modos aristocráticos

A cena representa uma sala bem mobilada com estilo e elegância. A um canto, uma estante de música e instrumentos. Ao abrir o pano, os Cardeais sentados à mesa, ceiam. Os fâmulos servem-nos de joelhos.

Rufo

Vem amanhã o embaixador francês?!...
É preciso acabar com isto de uma vez.
(Outro tom). A França é um país que em tudo se intromete.
E um sujeito qualquer lá da terra do [...],
Vem abusar de nós com lérias e com tretas.
Ora que se deixe disso e vá fazer [...]!

Vigni

E Roma o que é então?... É uma santa gente,
E onde uns figurões se [...] mùtuamente!
Têm os vícios fatais de Sadoma e Gamorra
E quer dar leis ao mundo! Olha que porra! 
Sabe dos Cardeais que postos em fileira,
Gosavam todos três levando na [...]?
Oh!... Houve um escândalo tal no Vaticano
Que ao ouvido chegou, do Papa soberano!
E o Papa respondeu: Êle é de censurar.
Mas o que está no meio... Ai!... Muito há-de gosar!
(Outro tom). Veja lá se em França existe êste deboche?
(Orgulhoso). A França é grande em tudo!...

Rufo - (Atalhando)

Até em fazer [...].

Pipia - (Conciliando)

Não se zanguem, Iminências, então?! A zanga tem os seus perigos
E eu não quero ver ralhos entre amigos.

Vigni - (A um fâmulo)

Porto Velho

Rufo

Madeira.
Em tudo a primeira.

Vigni

É Roma. Não negue a própria luz do dia.

Rufo

É filho de francês, por isso se agonia.

Pipia (Intervindo conciliador)

Então, deixem-se disso e vamos cear.
Não viemos aqui para para estarmos a altercar.
Na pândega, passar alegre, a vida tôda,
É a nossa divisa. O mundo que se [...]."

(Excerto da Peça)

Exemplar em brochura, preso por atilho, em bom estado geral de conservação. Capas ligeiramente oxidadas, apresentam pequenos cortes marginais.
Raro.
Peça de colecção.
Indisponível

07 abril, 2025

COSTA, José Daniel Rodrigues da -
O HOMEM DOS PEZADÊLOS OU TRESVALIOS DO SOMNO; que podem ser postos em ordem pelos acordados
. Lisboa: 1823. Na Impressão de Victorino Rodrigues da Silva. Calçada do Collegio N.º 6. In-8.º (20x14 cm) de 24 p. ; E.
1.ª edição.
Curioso folheto de cordel. Foi reimpresso no ano seguinte (1824), Na Impressão de João Nunes Esteves.
"Discreto e amavel Leitor, eu dormi, sonhei, e escrevi os sonhos que tive com os olhos fechados, que talvez aproveitem aos que tem os olhos abertos: Os sonhos desta qualidade não fazem cólica, porque não são daquelles do entrudo com recheio de descomposturas regateiraes, que atacão hoje em dia toda a qualidade de Pessoa.
Sei que não nos he permittido dar credito a sonhos; porque o que se passa a dormir, he o mesmo que nada; mas o certo he, que quando eu sonho cousas de gosto, mesmo dormindo me alegro; porque não conheço alli a sua falsidade; em fim receba estes sonhos cada hum como quizer."
(Excerto do Prologo)
José Daniel Rodrigues da Costa (1757-1832). Foi um poeta português, natural de Colmeias, Leiria. Pertenceu à Arcádia Lusitana. Como poeta árcade, utilizou o pseudónimo Josino Leiriense. Teve uma vida de notoriedade social e intelectual activa, testemunhada pelas várias obras literárias que publicou, quase sempre sob a forma de opúsculos que se vendiam como "livros de cordel". Foi popular a sua rivalidade com Bocage.
Encadernação em tela com ferros gravado a seco e a ouro na pasta anterior.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
25€

19 dezembro, 2024

ZINÃO, Francisco Pires -
POESIAS DE FRANCISCO PIRES ZINÃO,
Escolhidas entre as mais interessantes que elle tem feito, CONTENDO A VIDA E MORTE DO MESMO. Valença: 1857. Typographia do Jornal - A Razão. In-8.º (14x10 cm) de 74 p. ; B.
Conjunto de poesias de Pires Zinão impressas em Valença. Trata-se de uma das edições oitocentistas, a segunda julgamos - primeira póstuma, deste conhecido - patusco, brejeiro e desbragado - poeta vianense, incluindo a presente um apontamento biográfico em verso jocoso por ele mesmo.

"Quem tal souber e cuidar,
É para chorar e sentir,
E tambem caso de rir,
Sentindo o seu pesar:
Não posso acreditar,
Que o corpo de meu Jesus
O pozesse certo chapuz
No regaço d'uma mulher!...
Faz-se na Silva o que quer
No descimento da Cruz.

Tremo, estou admirado
Pelo que tenho ouvido,
Pilatos, ainda vivo,
Estar na Silva conservado!!
Este tyranno malvado
Contra si deitou o laço,
Atou a corda ao cachaço
Este perverso traidor,
Escrevendo contra o Senhor
Com todo o desembaraço.

Estar na Silva a Mãi de Deos
Com Pilatos, ambos vivos,
Sem ter estes carcomidos
A carne e ossos, como os meus!
Olhem que dous Pharizeus
Aquella terra produz!
De noite dança o lapuz,
De dia Mãi do Senhor!...
Foi este caso aterrador
Na Silva dado á luz."

(Excerto de Ao descimento da Cruz, que se fez na freguezia da Silva em 1850)

"Fui nascido em Carreço,
No districto de Vianna,
Fui traste de grande fama
Mas de bem pequeno preço:
Depois de velho conheço
O mal que hei commettido
Porém hoje arrependido
De todo o meu coração,
Peço-nos, Senhor, perdão
De tanto vos ter offendido."

(Excerto de Nas seguinte decimas conta o Auctor a sua vida, fazendo scientes os leitores de algumas maganeiras por elle praticadas, e de que se mostra arrependido)

Francisco Pires Zinão (1786-1856). "Poeta, natural de Viana do Castelo, nasceu a 20-11-1786, e faleceu a 30-10-1856. Pertenceu a um agregado familiar de doze irmãos, sendo ele o terceiro, o que era bastante elevado e difícil para aquela época. Do seu matrimónio nasceram, pelo menos, sete filhos: João (Paulinho?), em 1827, Margarida Rosa, em 1829, Timóteo, em 1833, Inácia Maria, em 1838, Joaquina, em 1841, e Francisca, em 1843. Maria, emigra para o Brasil, onde faz poesias, publicando-as.
Figura boémia e gracejadora de “Zinão”, que ficou na memória dos mais idosos, aparece-nos tão distante e embrumada pela passagem dos anos, que mais nos parece uma figura lendária que se recorda vagamente. Na província minhota, cujas belezas naturais são uma realidade, ainda hoje aparece numa velha prateleira, à mistura com alfarrábios ou numa frondosa biblioteca, o livrinho das poesias do “Zinão”. O poeta em causa, que era quase analfabeto, pedia a José Joaquim Areal, pessoa de sua íntima confiança, também da freguesia de Campos, para lhe manuscrever os versos de sua autoria, para efeito de publicação, que finalmente levou a cabo! Teixeira Pinto, diz ser um mariola da sua igualha, Bento Arezes, a quem ditava as suas poesias para este escrever. Durante muito tempo “Zinão” frequentou a casa da família Areal, dedicando uma quadra a Joana Rosa de Faria, esposa do citado José Areal: “Ó minha Joana Rosa / Tu não te deixes morrer / Porque quem morre logo esquece / Mas tu não me hás-de esquecer.”. As suas poesias eram reflexo da incoerência e desorientação de uma época nefasta e severa que ficou na história. Há nelas maledicência crítica a par de uma adorável pureza de boas e más intenções!
Destituídos de valor poético os versos de “Zinão”? Segundo o “Dicionário de Inocêncio”, sem dúvida, menos que medíocres, pois classificou-os de «desconchavos poéticos». De notar que o poeta-criador lia com dificuldade, soletrando, mas não sabia escrever. Diz-nos também Teixeira Pinto, numa das suas obras literárias, das Edições D.N. n.º 4, de 1958:
Reconheça-se, no entanto, que os seus versos, pecos como eram, bondavam para satisfazer as froixas exigências literárias de um povo que se quedara, obscuramente, à margem do abêcê. Integram-se nos domínios vastos dessa «literatura menor», arte menina que desambiciona e até dispensa os oiros e os fastígios da sua irmã maior, prosapiosa. Apraz-lhe, Deus sabe, a simples condição de gata borralheira…”. Um dos poemas mais apreciados através dos tempos, é aquele que teve como cenário, no ano de 1815, a prisão do forte de S. Julião da Barra, em Viana do Castelo, onde “Zinão” cumpriu uma pena de dois anos, por ter desertado da vida militar. Tudo o que antes se diz é mais que suficiente para que as edições das poesias populares do “Zinão”, fossem numerosas, a primeira das quais apareceu no ano de 1854, seguindo-se-lhe outras, para além de algumas que não consta o ano, nos anos de 1857, 1862, 1863, 1864, 1876, 1880 e 1907. Em 1928 a obra era reeditada, seguida de mais três edições, integradas nos folhetos-de-cordel, publicados por José de Almeida Jorge, da cidade do Porto."
(Fonte: https://ruascomhistoria.wordpress.com/2023/11/23/quem-foi-quem-na-toponimia-de-vila-nova-de-cerveira/)
Exemplar brochado protegido por capas improvisadas de cartão com o título e autor manuscritos na capa frontal.. Em bom estado geral de conservação. Corte das folhas irregular com pequenas falhas.
Raro.
Peça de colecção.
Indisponível

25 novembro, 2024

O COISO : o semanário de maior penetração no país.
4 - 28 Março 75 - 5 escudos. Diretor: Ruy Lemos. Chefe de Redacção: Mário-Henrique Leiria. Lisboa, Editorial «República», 1975. In-fólio (42,5x30 cm) de 16 p. ; mto il. ; B
1.ª edição.
Jornal humorístico, exemplo da imprensa "ligeira" pós-25 de Abril, anunciando na capa, "em rigoroso exclusivo": «A vida amorosa do Dr. Salazar». Publicação efémera, como aliás a maioria dos jornais congéneres na época, saíram 13 números em 1975/76. Este número foi distribuído em pleno PREC.
Muito ilustrado no interior com fotografias, fotomontagens, desenhos e cartoons.
"A 7 de Março de 1975 saía o primeiro número de "O Coiso", o "semanário de maior penetração no país".
"O Coiso" nasceu dependente do diário "República", custava 5 escudos cada exemplar e, na sua "Declaração de Princípios", dizia "que as pessoas, já de si chatas, estão agora muito chatas, e levam-se cada vez mais a sério".
Estávamos em pleno "PREC", toda a gente era revolucionária e o riso poderia ser considerado uma cedência à reacção. Embora, finalmente, tivesse terminado a censura, graças ao "glorioso 25", havia coisas de que se não falava, por pudor revolucionário."
(Fonte: https://www.coiso.net/velhocoiso/causas.html)
Muito invulgar.
20€

12 outubro, 2024

QUINTELLA, Santos - OS ESTUDANTES DE COIMBRA E AS SUAS PARTIDAS.
Historia recreativa e anecdotica da Aacademia Universitaria desde tempos remotos até hoje. Por... (com muitas gravuras)
. Porto - (Portugal), Escriptorio de Publicações de J. Ferreira dos Santos, [191-]. In-8.º (18 cm) de 80 p. ; il. ; C.
1.ª edição.
Interessantíssimo repositório dos costumes académicos de antanho, sobretudo no que à farra e à diversão diz respeito.
Livrinho sem data, publicado algures na primeira/segunda década do século XX.
Ilustrado com bonitos desenhos e fotogravuras a p.b. ao longo do texto.
"Até 1854-55, antes de se inaugurar a malaposta, fazia-se a viagem para Coimbra de liteira ou a cavallo. Costumavam os estudantes formar caravanas contra o perigo de serem roubados pelo caminho. Os sitios escolhidos pelos ladrões para o assalto eram:
O afamado pinhal da Azambuja, Cruz de Meroiços - na estrada de Coimbra a Lisboa; na do Porto, a Ponte d'Aguas de Maias, o Carquejo, a Mealhada."
(De liteira ou a cavallo : Salteadores)
Índice: De liteira ou a cavallo. Os Divodignos. A Thomarada. A Rolinada. A Sociedade do Raio: Anthero, Vieira de Castro, João de Deus. O traje academico. A porta ferrea, o canellão, a cabra; o archeiro, o praxista, o bedel... Bichos, formigões, caloiros, novatos, veteranos. O cabula, o chronico, o dr. Espera, o urso. Gaticidas, noctivagos, trocistas, bisnaus. Tricanas, saccos de carvão. Musicos afinado e desafinados. Cabides, pés de banco, semi-putos, candieiros, troupistas. As tristes. A Sebenta. A arvore do ponto. O estudante á lebre. A moca, a palmatoria, a thesoura. Enfarruscadelas, bigodes pintados, freio na bocca, albarda ás costas. A gréve: tudo partido! As republicas. Queima das fitas, as latadas. Os kagas. Anecdotas e larachas. As partidas. Etc.
Encadernação simples, tosca,  com a contracapa colada na pasta posterior. Sem capa de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Corte superior irregular por deficiente abertura dos cadernos, mais evidente na f. rosto.
Raro.
Com interesse histórico e académico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
45€

27 abril, 2024

O ALMANAK ILLUSTRADO DE BRISTOL PARA O ANNO DE 1887.
Preparado para o Reino de Portugal. Garante-se a sua exacta correcção - Para distribuição gratuita. [S.l.], [s.n.], [1886?]. In-8.º (19x12 cm) de [48] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso almanaque de que não existem referências bibliográficas, com excepção da BNP, que dá notícia da obra, mas com a indicação "sem informação exemplar". Inclui, os Calculos astronomicos para o Reino de Portugal, Calendário do ano de 1887, por mês, contendo os dias (e phases da lua em Lisboa), e as datas notáveis, santos e eventos religiosos, preparados químicos e medicinais, histórias, conselhos, notícias e anedotas, e abundante publicidade da época.
Raro e muito interessante.
"Em certa cidade devia ser enforcado um individuo, mas tendo adoecido gravemente alguns dias antes da execução, foi preciso o emprego de todos os recursos da medicina. Curado e convalescido, attestou isto o medico á autoridade competente com as linhas seguintes: «O réo F. póde agora ser enforcado sem prejuizo da sua saude.»"
(O attestado - Anecdotas interessantes)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado, com pequenos defeitos.
Raro.
Indisponível

29 março, 2024

ONAISSAC, Padre -
CATECISMO NUNCISTA. Pelo... Lisboa, Editado por C. d'Araujo, [192-]. In-16.º (12 cm) de 8 p. ; B.
1.ª edição.
Curiosíssimo opúsculo de apreço, propaganda e dedicação à causa "nuncista", ou seja, à arte equestre de João Branco Núncio (1901-1976), famoso cavaleiro tauromáquico natural de Alcácer do Sal, praticante do "toureio de verdade" - por muitos considerado o melhor cavaleiro português de sempre.
Quanto ao "clérigo" autor deste bem disposto ideário, nada foi possível apurar por falta de referências bio-bibliográficas, para além do que é evidente - um conhecedor da Festa Brava e efusivo entusiasta do cavaleiro de Alcácer. Em todo o caso, o facto do editor ser identificado como "C. d'Araujo" e a contracapa promover artigos de ourivesaria da Casa Araújos (antiga J. C. d'Araujo & Filhos), remete-nos para José Carlos Araújo, conhecido aficionado e proprietário da antiga ourivesaria lisboeta, com sede na Rua do Ouro, como provável autor do "catecismo".
Opúsculo raro, com interesse para a bibliografia taurina. A BNP não menciona.
"P. Sois Nuncista?
R. Sim, pela serenidade, valôr, «aficion» e arte de toureio de N. Sr. Nuncio.
P. Que quer dizer Nuncista?
R. Homem que percebe de toureio equestre e não e deixa enganar por elegantes manequins vestidos á Luiz XV.
P. Quem é Nuncio?
R. O melhor cavaleiro tauromáquico que se tem conhecido.
P. Como é cavaleiro?
R. Porque tem valôr e arte ás carradas e é o unico que crava de alto a baixo.
P. De que nos salvou?
R. De perder a «aficion» ás corridas de touros porque se pratica toda a classe de calamidades taurinas.
P. É este o Cristo ou Fenomeno verdadeiro?
R. Sim o prometido pelos Profetas e que julgavamos não ver chegado."
(Excerto de Catecismo Nuncista)
Índice:
Catecismo Nuncista. | As obrigações do Nuncista. | Sobre os ferros. | Sobre o toureio de frente. | O Credo. | Os mandamentos de S. João Nuncio são cinco. | As obras de misericordia. | Um bocadinho de oiro.
Exemplar em brochura, preso por arame, bem conservado.
Muito raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Peça de colecção.
Indisponível

20 março, 2024

DUARTE, Mario - OVOS MOLLES E MEXILHÕES. Besbelhotice mensal d'Aveiro. Com quatro palavras de Fialho d'Almeida. N.º 1 - Março de 1893. Aveiro, Imprensa Aveirense, 1893. In-8.º (18x12,5 cm) de 32 p. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de curiosíssimas crónicas satíricas relacionadas com Aveiro e os aveirenses. De acordo com a BNP, terá saído um 2.º número desta interessante publicação (Abril de 1893).
Obra abrilhantada pela apresentação de Fialho de Almeida à laia de prefácio intitulada Quatro palavras.
"A maledicencia foi dada ao homem não só como estimulo mas tambem como como distracção; porque é commentando os ridiculos dos outros que o homem aprende a corrigir os seus, e é deformando a monotonia da vida pela troça que elle consegue fugir á tristeza da realidade agreste que o rodeia. N'esta conformidade, e sem por forma alguma pensarem em crear para a ironia formas imprevistas, vão os redactores d'este jornal tentar um esforçosinho de má lingua que os ajuda a romper a atomia sentimental das terras pequenas, a sorrir á mocidade o seu riso sceptico e vermelho, e a espicaçar o bicho proximo com a garrocha do escarneo, unica que hillaria a trincheira e resigna a saude pela explosão d'uma franca carcachada.
Quando se diz que os Mexilhões e Ovos molles são um jornal de maledicencia, bom será presupôr que os redactores não abdicam, pelo facto de caricaturistas, do seu papel de cavalheiros, nem tam pouco estão dispostos a tomar maledicencia no sentido peor de diffamação. Alli esta por exemplo aquelle proprietario obeso, com a barba e a bossalidade em passa-piolho sob o queixo, legitimo filho da rotina soez do burgo que o aviscondalhou nas ultimas eleições.
Alli está aquella langorosa menina, educada a pão com manteiga e a folhetins francezes, e affeita a decipar á familia a charada pornographica do Pimpão..."
(Excerto de Quatro palavras)
"A medida policial prohibindo a permanencia do sexo forte juncto ao chafariz dos Balcões, veio tirar ás sopeiras uma garantia, que embora não prevista na Carta, tinha já fóros tão tradiccionaes e tão antigos, que só uma injusta lei poderia revogar.
E quando ellas ainda no comprimento de um dever vêm procurar allivio ás suas magoas, tentando distrahir-se na conversa geral da fonte, ponto obrigado de bisbilhotice, encontram-se privadas d'um dos seus mais divertidos passatempos!!"
(Excerto de Outra vez a policia e as sopeiras)
Summario:
Simphonia da Primavera | A Policia e os cães | A serração da Velha | A eleição da Commissão districtal | Socorros a Naufragos | Exportação de laranjas | Tres livros novos: o Piano, Ensaios e Tristia | Outra vez a policia e as sopeiras | Algumas palavras a proposito de uma moldura | A Feira de Março.
Mário Ferreira Duarte (Anadia, Arcos, 1869 - Aveiro, 1939). "Nasceu em Anadia. Radicou-se em Aveiro onde exerceu as funções de funcionário público, como director de Finanças. Foi casado com a Baronesa da Recosta, D. Maria Teresa de Melo que, para a época, era uma notável desportista. Foi praticante de hipismo, automobilismo, ciclismo, ténis e golfe. Mário Duarte foi um apaixonado pelo desporto em geral praticando com grande mestria o futebol, o golfe, o ciclismo, a ginástica, o ténis, o remo, a vela, a natação, a esgrima, a luta greco-romana, a halterofilia e o tiro. Era o que se poderia considerar um verdadeiro “sportsman”. Em 1898, no Campo Pequeno até brilhou como toureiro. Tal polivalência desportiva conferiu-lhe reconhecimento público. Em 1905, num plebiscito organizado pelo jornal “ Os Sports” foi eleito o “desportista mais completo de Portugal”. Foi fundador da Associação de Futebol de Aveiro e presidente, por diversas vezes, do Congresso da Federação Portuguesa de Futebol. [Deu o seu nome ao antigo Estádio Municipal de Aveiro do Sport Clube Beira Mar de Aveiro]. Obra bibliográfica: Em 1893 editou a publicação Ovos-Moles e Mexilhões que se subintitulava Bisbilhotice Mensal de Aveiro. Um dia, um dos seus filhos, Francisco Duarte, dele escreveu que o pai “o tinha ensinado, assim como aos seus irmãos, a perder sem azedume ou a ganhar sem ofender o vencido”."
(Fonte: Silva, Carlos Alberto T. Soares da - A História da Natação Portuguesa. Os percursores da natação em Portugal : dos seus inícios até à implantação da República - 1910, FPN, 2017)
Encadernação inteira de pele com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capas de brochura frágeis, com manchas e pequenos defeitos.
Raro.
Peça de colecção.
35€

23 janeiro, 2024

A TESÃO DO REI TURCO.
Poema inédito, muito cândido e delicado para marcar presença na nossa reunião de 1977 - CURSO DA F.E.U.P. : De 1941. [S.l.], [s.n.], [1977]. In-8.º (16x10,5 cm) de [18] p. (inc. capas) ; B.
1.ª edição.
Paródia dos alunos da Faculdade de Engenharia da UP - assinado "O." - composto por um poema de teor hard erótico em 54 estrofes, seguido de posfácio, também em verso.
Exemplo do tipo de "literatura estudantil" produzida nos primeiros anos pós-25 de Abril de 74.
Exemplar batido à máquina e fotocopiado.

"Em tempos idos, já remotos
Lá nos orientes ignotos
Reinou um tal Kemal Omar
De quem as tradições e lendas
Que contam guerras e contendas
Nos dizem coisas de pasmar

Bem nascido e mui desejado
Dum califa desanimado
Por não ter um filho varão
Sua favorita mais quente
Por milagre ou outr' agente(?)
Deu-lhe um lindo rapagão"

(I/II)
 
"Não me conhecias a veia. Nem eu!
Foi tontice que me deu
Se gostaste não me envaideças
Não repito nem que me peças
Se não gostaste não me grites
O teu perdão e ficamos quites
Eu não quiz suplantar Camões
Não me venhas, pois, com sermões
Porque então dessa maneira
É tu que ofuscas Vieira."

(Excerto do posfácio)

Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro e muito curioso.
Sem registo na BNP.
35€

20 julho, 2023

BALDY, Dr. -
PERFIS MORAES.
Devaneios poeticos. Pelo... Lisboa, Typographia Universal de Thomaz Quintino Antunes, Impressor da Casa Real, 1880. In-8.º (17,5 cm) de [6], 324, [16] p. ; E.
1.ª edição.
Primeira obra poética de Luiz Baldy, dedicada à memória de seus pais e sua filha Hermínia.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao insigne médico e professor José Curry Cabral (1844-1920).

"Roberto era o filho que pensa em herdar
A larga fortuna, que o pae ajuntára;
E este um bom homem, que a sabe ganhar,
A cuja ambição ninguem mais se igualára.

A mãe, tal e qual... o mesmissimo estofo,
Chamava ás senhoras - tafues, lambisgoias.
E tinha um caracter tão vil e balofo,
Que só se empanava c'os bens e co'as as joias.
 
Se aos bailes concorre, se vae ao theatro,
A tola repete com vã presumpção:
Eu tenho riqueza bastante p'ra quatro...
P'ra ter meu marido - fidalgo varão.

O mundo é assim... é um cubo de tolos,
Aonde revendo-se ao brilho do ouro,
Se perdem cabeças de escaços miolos,
Se aviltam vaidades de triste desdouro."

(Excerto de O perdulario)

Luiz José Baldy (1822-1885). Médico e poeta humorista. Muito considerado entre os seus pares, e estimado pelos pacientes, a quem nunca negava auxílio, - fosse quem fosse -, mesmo a desoras. Escrevia nas (poucas) horas livres. A BNP tem recenseado dois títulos seus: Perfis moraes (1880) e Um meeting na parvonia (1881). Um livro de sonetos estaria na forja quando a morte o surpreendeu (1885).
Encadernação em percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

10 junho, 2023

PINHEIRO, Raphael Bordallo - ALBUM DE CARICATURAS PHRASES E ANEXINS DA LINGUA PORTUGUEZA. Com um prefacio por Julio Cesar Machado. Lisboa, Livraria Editora de Mattos Moreira & C.ª, 1876. Oblongo (24x31 cm) de 30 p. ; [13] estampas ; B.
1.ª edição.
Obra de referência bordaliana, publicada em Lisboa numa época em que o autor se encontrava no Brasil, em trabalho (1875-1879). - "A 19 de Agosto de 1875 parte para o Brasil onde trabalha nos jornais O Mosquito, Psit!!! e O Besouro e desfruta dos prazeres do Rio de Janeiro com os seus companheiros da "República das Laranjeiras". Do lado de lá do oceano Atlântico continua a enviar a sua colaboração para jornais e revistas, exemplo disso é o Álbum de Phrases e Anexins da Língua Portuguesa (1876) e o Almanaque da Senhora Angot (1876-77). As saudades da Pátria e as constantes ameaças contra a sua vida fazem-no regressar a Portugal, onde chega em Maio de 1879, para começar logo a trabalhar n'O António Maria (1879). Seguiu-se o Álbum das Glórias (1880), No Lazareto de Lisboa (1881), Pontos nos iis (1885) e, finalmente, A Paródia (1900)." (in http://www.caestamosnos.org/efemerides/034.htm)
Livro belissimamente ilustrado com 13 estampas separadas do texto (completo), protegidas por lamina de papel vegetal (com excepção de uma).
"Dizia elle, que a sua patria era a rua de S. José, n.º 47 (hoje 33); estamos felizmente n'um paiz em que isto se póde escrever para o publico sem receio que o senhorio do predio augmente a renda aos actuaes inquilinos para fazer valer a prenda gloriosa de haver nascido alli o talentoso artista. O predio continuará a valer o mesmo; talvez até o senhorio embirre de haver estado a fazer uma casa para lhe nascerem artistas n'ella! Mais valera malvas ás portas!...
Em todo o caso, que o senhorio estime, que não estime, que o predio fique valendo o mesmo, que valha mais, que valha menos, o certo é que Raphael Bordallo Pinheiro alli é que nasceu.
Seu pae, á força de desgostos adquiridos na vida artistica, em que o seu nome conseguiu todavia sobresair como o de um homem de merecimento e de bom caracter, não queria por nenhum modo que elle se dedicasse á mesma carreira, para a qual aliás o moço sentia irresistivel vocação.
- Ha de ser outra cousa!
- Que outra cousa, meu pae? Eu não sirvo senão para artista!
- Mas ser artista, aqui, não serve para cousa nenhuma!
- E então?
- E então, é preciso estudares, a ver se te faço advogado como teu avô, como teu tio..."
(Excerto do Prefacio)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Manusedo. Sem capas, preso por atilhos. Última estampa (13.ª) apresenta pequena falha de papel marginal, no canto inferior direito, sem afectação da mancha tipográfica. Deve ser encadernado.
Raro.
Com interesse bordaliano.
50€

29 março, 2023

BONITO (Solus), José -
LITERATURA DE CORDEL (terapeutica racional).
Por... 3.ª espécime: Catadupa de redondilhas e redundancias. (Metros de Fanacaria... nervinos, sedativos, eupneicos e drasticos). 1.º Milhar. Lisboa, Editor e Depositario: E. Silva, Silvas, L.da, 1936. In-8.º (21,5 cm) de 132 p. ; [2] f. il. ; B.
1.ª edição.
Capa de Arnaldo Ressano Garcia (1880-1947).
Obra humorística em verso - excelente exemplo de literatura contemporânea de cordel. Raro e muito curioso.

"Já Bonito não sou!... Que triste sorte,
A vida, longa assim, nos assegura!
Ver declinar veloz a formosura,
Que desejava ter até à morte!...

Demo não há, nem Deus que reconforte,
Esta minha alma, cheia de amargura.
Pois nem habilidades de pintura,
Conseguem restaurar meu novo porte!

Dizei-me Vós, oh! Velhos, que lograis,
Vos iludir com belos artifícios,
Quais os estratagemas que empregais,

Em que encontrais tamanhos benefícios,
Que só a senectude revelais,
Por mais ocultos e reais indícios?!..."

(Já Bonito não sou... Aos que ainda o são.)

Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
15€

27 fevereiro, 2023


PERDIGOTO, Domingos Gonçales – QUEIXAS // DE // AMARO MENDES // GAVETA, // Estudante na Universidade de Coimbra, // CONTRA PULGAS, PERSEVEJOS, BESTAS // de jornada, Arrieiros, Estalajadeiros, Lograntes, // Amas, Moços, Lavandeiras, Ruas, Falta // de divertimentos, &c. // ESCRITAS // EM OITAVAS PORTUGUEZAS, // E DEDICADAS // AOS NOBILISSIMOS, E PRECLARISSIMOS // PAYS DOS SENHORES ESTUDANTES // CONIMBRICENCES. // Para que vindo no conhecimento dos muitos trabalhos // que seus estudiosos filhos padecem na jornada, e Univer- // sidade, se dignem de lhes accrescentar as mezadas, // POR // DOMINGOS GONÇALES PERDIGOTO, // Vizinho do mesmo Amaro Mendes Gaveta, e assintente // debaixo dos seus quartos. // LISBOA: MDCCLXV. // Na Offic. De IGNACIO NOGUEIRA XISTO. // Com todas as licenças necessarias. In-8.º (19 cm) de 12, [4] p. ; E.
Paródia setecentista aos caloiros da Universidade de Coimbra, que tal como o conhecido Palito Métrico, "se assemelha mais a um Manual de Acolhimento, que coloca o novato ou caloiro no conhecimento do que o espera e o aconselha sobre a melhor forma de ultrapassar as dificuldades e ratoeiras da vida académica e da cidade".
O texto das Queixas é antecedido por um soneto dedicado aos pais dos estudantes e outro aos leitores, e nas 3 páginas finais (inumeradas) pelos Sonetos do Author do Palito Metrico, que constam de 5 sonetos: Definição de hum Calouro; Propriedades de hum Calouro; Pensoens que cá em Coimbra paga hum Calouro, e hum Novato aos Veteranos; Carta de guia, que o Author dá por obra de misericordia a hum Novato; Conselho saudavel a hum Novato.

"Deitou-se Amaro Mendes com desejo
De descançar do muito que estudava;
Mas apertando a pulga, e persevejo,
O pobre de enfadado se arranhava:
Sentia cada baba, como hum quejo,
Até que, por fugir da casta brava,
Deo abaixo da cama hum salto forte,
E passeando, se queixa desta sorte:

Saõ tantos os trabalhos nestes annos,
Que o coitado estudante em Coimbra colla,
Que bem posso affirmar, que só maganos
Aturaõ similhante corriolla:
Se, para descançar dos seus insanos
Trabalhos, no lançol homem se enrolla,
Saltando-lhe no corpo esta canalha,
Cada picada he golpe de navalha."

(Excerto do poema)

Encadernação em meia de percalina com título gravado a ouro na pasta anterior.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

03 janeiro, 2023

A RIR : Album de anecdotas e bons ditos colleccionado por Agostinho Ferreira Chaves, Director-proprietario. Publicar-se-hão em cada mez duas cadernetas de 8 paginas. Faro, [s.l.], 1893-1894. In-8.º (21cm) de 384 p. (48 folhetos x 8 p.) ; il. ; E.
1.ª edição.
Curiosa revista quinzenal algarvia do género humorista; para além das anedotas e dichotes, oferece ainda aos leitores charadas, utilidades, romancetes e poesias. Publicada entre 15 de Junho de 1891 (n.º 1) e 1 de Setembro de 1895 (n.º 102).
O presente volume contém dois anos completos (1893-1894), do n.º 38 - 1 de Janeiro, 1893 ao n.º 85 - 15 de Dezembro, 1894.
Encadernação da época em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado. Páginas amarelecidas por acção do tempo. Mancha de humidade no canto inferior dto, transversal a toda a obra, sem no entanto prejudicar o texto. A 1.ª página do 1.º número foi recortada em cerca de 1/3.
Raro.
20€

28 agosto, 2022

ALMEIDA, Fialho d' & VASCONCELLOS, Henrique de & PENTEADO, Manuel - LIVRO PROHIBIDO. Profecias, farças e sandices. Lisboa, [s.n. - imp. Centro Typographico Colonial], 1904. In-4.º (24 cm) de 141, [3] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Paródia à sociedade portuguesa da época, ou "o castigo dos costumes pelo riso".
Ilustrações de Celso Hermínio e Francisco Teixeira.
"Vae o leitor assistir a um espectaculozinho em tres actos, complexo - tragedia, comedia de salão e uma revista politica e de costumes - onde tres escriptores trataram de lhes rezumir, em tres figurações diferentes, o quantum d'anotação filosofica, optimismo ou agrura dos seus espiritos fasciados.
Espectaculo que o leitor não terá de pagar por um quartinho, como no D. Maria e D. Amelia, obrigado de dois em dois minutos a erguer-se para deixar passar um senhor retardatario, e que a seu talante pode aplaudir ou patear, sem que maiormente isso lhe traga as hostilidades de ninguem."
(Excerto da introdução)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, sujas, com defeitos.
Muito invulgar.
20€