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29 novembro, 2025

CASTRO, Americo de -
ULTIMOS ANOS DA MONARQUIA (memorias)
. Porto, Deposito: Livraria Fernandes de J. Pereira da Silva, 1918. In-8.º (19x12 cm) de 172, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Memórias do autor relativas aos anos que precederam a República, desde os tempos de estudante, até ao final da Monarquia e os anos que se seguiram.
Edição do autor, por certo com tiragem reduzida.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor na f. rosto.
"Os ultimos anos da monarquia foram de descredito para o país,  de veniaga e corrupção da parte chamada intelectual e de miseria para o povo.
Os partidos politicos iam buscar aos bancos das escolas os seus mais fortes sustentaculos.
Coimbra, de madre forte e alentada,arremessava para o mundo politico quasi todos os bachereis.
Uma carta de formatura garantia uma administração do concelho.
Quando um estudante recebia das aristocraticas mãos da sua noiva a adorada pasta bordada a matiz ou a ouro, já tinha na sua terreola aquela benesse que servia para os primeiros anos de aflição.
Não era raro ouvir nos geraes da Universidade empomadados quintanistas referirem-se á sua vida politica futura e á votação que tinham na sua terra.
Ali, de ordinario, o futuro bacharel ou pensava em politica baixa e reles ou nos casamentos ricos.
Uma carta de bacharel era uma carta de alforria. Foi na Universidade, dêsse alcouce de Minerva, onde as consciencias sofriam verdadeiros tratos de polé, que sairam todos os males que nos legou a monarquia e de que tem enfermado a propria Republica. Recebido o grau, a borla de lente tonava-se o apagador do senso comum.
Lá vinha por aí fora o bacharel apelintrado e faminto.
Rodeado de esfaimados como êle, subornava consciencias, dominando as gentes tristes das fabricas e dos campos.
Ele infligia o castigo aos seus inimigos e semeavam o dinheiro do Estado por aqueles que apenas sabiam que as eleições davam a maioria a êste ou áquele, ao progressista ou ao regenerador.
Ele era então o terror e o bom deus."
(Excerto de IV - Fim da Monarquia)
Indice:
Ao leitor | I - Vida Academica no Porto. II - Os estudantes republicanos de Coimbra. III - Organisação revolucionaria dos estudantes republicanos de Coimbra (a sua acção em 28 de Janeiro). IV - Fim da Monarquia. V - Sete anos depois. VI - Post scriptum.
Américo da Silva Castro (1889-?). Natural de Santo Tirso, formado em Direito pela Universidade de Coimbra em 1908, abriu banca de advogado no Porto. Fixou residência em Vila Nova de Famalicão desde Dezembro de 1943, exercendo o cargo de Conservador do Registo Civil, trabalhando em advocacia. No Porto, enquanto estudante liceal, fundou, com outros, a União Académica. Dele, já Bernardino Machado, num discurso no Porto, na inauguração do Montepio da Classe Comercial da mesma cidade, se refere nos seguintes termos: "esperançoso e simpático aluno da Faculdade de direito da nossa Universidade" (Bernardino Machado, Obras: Política - I, "A Reforma", p. 414). No Porto, foi vereador da Câmara Municipal, Conservador do Registo Civil no 2.º Bairro, Administrador do Concelho em Matosinhos, Presidente do Tribunal dos Árbitros Avindores, Presidente da Comissão Administrativa dos Bens da Igreja, Director do Instituto Industrial do Porto, Conservador do Registo Civil em Espinho, entre outros cargos. Foi deputado em 1921 pelo círculo de Santo Tirso e, em 1922, pelo Porto nas listas do Partido Democrático. Em 1907 escreveu no jornal "O Porvir" várias crónicas intituladas "Palavras Vermelhas".
Encadernação de amador com rótulo na lombada. Sem capas de brochura. Aparado à cabeça.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
45€
Reservado

17 outubro, 2025

CARVALHO, Avelino Cardoso Ferreira de -
SOBRE O EXERCICIO ILLEGAL DE MEDICINA EM VILLA NOVA DE FAMALICÃO. (A proposito de um caso de obstetricia). Dissertação Inaugural. Porto, [s.n. - Impressa em machina "Marinoni" na Typographia Minerva de Gaspar Pinto de Sousa & Irmão - V. N. de Famalicão], 1906. In-8.º (22,5x16,5 cm) de 80, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Tese académica apresentada à Escola Médico-Cirúrgica do Porto.
A propósito de um caso de obstetrícia, o autor ataca a classe farmacêutica de Famalicão que acusa de charlatanice e prática ilegal da medicina, aproveitando o desconhecimento e crendice da população.
Trabalho insólito, raro e muito curioso.
"De todas as artes liberaes, a que mais tendencias manifesta para se tornar presa do charlatanismo, certamente é a medicina a que se mostra mais favorecida.
As tendencias verdadeiramente extraordinarias que na humanidade se manifestam para tudo o que é maravilhoso, phantastico e rodeado de mysterio, tornam-se inexplicaveis; a necessidade de phantasia é tendencia tão propria da natureza do homem, que se é forçado a convir que corresponde a uma das leis da nossa organisação, que é um dos attributos da nossa natureza e, por assim dizer, uma das condições da nossa existencia.
Os prejuizos que para a sciencia medica se manifestam numerosos e variados, exercem grande predominio entre todas as classes da sociedade, na média e burgueza, na rica e aristocratica, na popular e ignorante, se bem que se possa admittir que os camponezes, gente simples, cujo duro mister não deixa repoiso para trabalhos de intelligencia, sejam facilmente seduzidos por chimeras que, mesmo rodaeadas dum véu de religiosidade, não têm mais credito. [...]
Que differença existe entre o homem civilisado d'hoje, que consulta as mezas rolantes e comsigo traz amuletos e medalhas, para o preservar de doenças e de outro qualquer accidente, e os antigos que consultavam o vôo das aves e adoravam os fétiches?
As tendencias que manifestam ainda agora homens de espirito nivelado pela evolução dos mais solidos predominios da mentalidade moderna para as mesmas aberrações, que são de todas as épocas e de todas as latitudes, nada mais é que o resurgir da velha historia das obsessões, dos encantos, dos exorcismos e de toda a bagagem magica, que para sempre parecia sepultada nas ruinas da idade média.
É uma observação triste, um dos phenomenos dos mais inexplicaveis da historia da humanidade esta credulidade incuravel, esta facilidade de admittir, sem exame e sem contestação, tudo o que tenha alguma apparencia de sobrenatural, ao passo que a verdade não é acceita senão com a maior lentidão e a maior reserva."
(Excerto do Preâmbulo)
Exemplar em brochura, por abrir, bem conservado. Capas ligeiramente sujas.
Raro.
45€

10 outubro, 2022

ALVES, Jorge Fernandes - FIAR E TECER. Uma perspectiva histórica da indústria têxtil a partir do Vale do Ave. [S.l.], Museu da Indústria Têxtil / Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, 1999. In-4.º (29,5 cm) de 48, [2] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Catálogo/estudo da exposição Fiar e Tecer, obra "que se assume como fundamental e imprescindível para o conhecimento da realidade histórica desta região - [Vale do Ave] - e  da sua actividade industrial nos últimos cem anos".
Inclui em Anexo quadros estatísticos com informação relevante sobre as unidades industriais da região - As Firmas-Sede-Fusos-Teares manuais-Teares mecânicos-N.º de empregados-N.º de operários.
Livro graficamente atraente, muito ilustrado no texto, impresso em papel de superior qualidade  - pela sua concepção, verdadeira peça de design.
"A produção de fio e tecidos de linho constitui uma etapa histórica fundamental na estruturação do sistema industrial têxtil do Médio Ave. A memória do linho perde-se no tempo, profundamente enraizada na cultura camponesa local, pois indícios deste tecido ou de utensílios destinados à sua produção podem remontar-se a jazidas neolíticas. Nas culturas castrejas, os testemunhos da tecelagem são já relativamente complexos (com teares verticais e peças auxiliares de cerâmica) e demonstram uma habilidosa coordenação funcional a revelarem a especialização de "lenzarios" (tecelões). [...]
No período medieval, o linho surge como um produto sobre o qual recai grande apetência fiscal, sendo a forma de pagar diversos tributos senhoriais, e é objecto de uma cada vez maior circulação comercial pelas feiras e mercados. [...]
Esta procura intensa, a vários níveis, de panos de linho, explica a gradual autonomia da tecelagem como actividade profissional, destacando-se da agricultura e assumindo-se como ofício, embora os lanifícios não tivessem grande tradição corporativa, para lá do controlo municipal e do controlo da emissão de cartas que parece ter recrudescido nos finais do século XVIII, mas sem grande sujeição e regulamentações e compromissos, o que seria ineficaz face à persistência da tecelagem caseira que durou até aos nossos dias."
(Excerto de A tradição - domesticidade e verlagsystem: O linho)
Índice:
Introdução. | A tradição - domesticidade e verlagsystem: O linho; A lã; Sedas e veludos. | A indústria algodoeira: As inovações inglesas; O surto industrial pombalino. | Do Porto ao Vale do Ave. | Os tempos finisseculares - o proteccionismo. | Crises e condicionamento industrial. | O algodão ultramarino, crescimento do pós-guerra e a abertura europeia. | Conclusões. | Notas. | Anexo.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e industrial.
30€

12 setembro, 2011

TUDO COMEÇOU NO LOURO : Inauguração da Fundação Cupertino de Miranda em 8 de Dezembro de 1972 : Discursos, Artigos e Aspectos. Vila Nova de Famalicão, Edição da Fundação Cupertino de Miranda, [1973]. In-8º grd. (24,5cm) de 119, [6] p.; [35] p. il. ; B.
Ilustrado com fotografias do evento em extratexto.
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa de Artur Cupertino de Miranda
"A Inauguração da Fundação Cupertino de Miranda e dos edifícios do Louro (Igreja, Centro Pastoral, Residência Paroquial, Casa da Junta de Freguesia, Casa do Povo e Mercado) integrados no mesmo programa festivo do passado dia 8 de Dezembro, se constituiu um acto de extraordinário relevo público e social - bastaria a garanti-lo a presença do Venerando Chefe de Estado - , atingiu também um inegável significado espiritual e cultural que não passou despercebido a quantos emitiram sua autorizada opinião sobre o sentido e dimensão do evento." (da nota de abertura)
Bom exemplar.
Invulgar.
45€