O'NEILL, Maria - O AMOR TUDO CONSEGUE. Por... (Na vida e além da morte). Editor: José Pereira de Lima. Lisboa, Composto e impresso na Ottosgrafica, 1929. In-8.º (19 cm) de 374, [2] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Curioso romance espírita. Ilustrado com pequenos desenhos ao longo do texto.
Valorizado pelo autógrafo da autora que certifica a tiragem.
"Êste romance pode não ter primores de estilo nem flores de retórica; mas na sua leal singeleza, encerra a história de dois espíritos que, de muito longe, vêem ligados por fortíssimos laços que hoje nada pode romper porque não hesitam na renúncia e se firmam na pureza, no desejo ardente de se aproximarem do Fim, e do amor nas Verdades que anseiam atingir.
É pela análise da vida que melhor se aprende a viver.
Quem a estudar e meditar encontrará nela uma grande e altíssima lição.
Nada pode ser ais proveitoso ao sêr que deseja atingir, do que ver como os outros atingiram.
Neste romance estão muitas verdades, mais verdades que ficções."
(Excerto de Aos leitores)
"Oriundo duma família humilde, onde nascera, para humilhar o seu orgulho de raça, Pedro Paulo Tavano de Sousa revelou desde a mais tenra idade decidida vocação para o estudo. O pai, dono duma pequena locanda, em Luzo, não queria o filho para sábio e ambicionava que, crescendo junto dêle, tomásse a prática do negócio para o substituir quando os anos o impossibilitassem de trabalhar. Mas o rapaz, precoce e sincero, disse-lhe redondamente que tinha mais altas aspirações e, indo de motu próprio ter com o senhor abade, pediu-lhe que lhe desse a instrução que a família lhe negava. [...]
Pedro Paulo era extremamente ambicioso dos bens terrenos. Bem que educado pelo abade não tinha crenças, mas aparentava-as para o não desgostar. Na ansiedade de saber moldava-se a todos os caprichos do mestre e preguntava tudo constantemente. O velho, encantado com o talento do seu pupilo, desvanecia-se e afirmava a todos que êle era um prodígio. O primeiro a acredità lo foi o próprio Pedro Paulo."
(Excerto do Cap. I, Êle (Descrito por Paula))
[Índice]:
1.ª Parte: O meu ideal na Terra (Incarnado). Aos leitores. | Prólogo. | I - Êle (Descrito por Paula). II -Ela! (Descrita por Paulo). III - Marília. IV - Cléo. V - O estudo do processo. VI - Assusta-a ser madrasta? VII - Uma sessão de espiritismo. VIII - A desilusão de Loreto. IX - Pressentimento. X - A ruína do sonho. XI - Carta a Bárbara. XII - Vinte anos depois. XIII - Quarenta anos depois.
2.ª Parte: A Ressurreição (Desincarnado). Prólogo. | I - Desincarnado. II - A volta da aldeia. III - Durante a sessão e depois dela. IV - Oito dias depois.
Maria da Conceição Infante de Lacerda Pereira de Eça Custance O'Neill (Lisboa, 19 de novembro de 1873 - Costa brasileira, 23 de março de 1932). "Nasceu em Lisboa, a 19 de Novembro de 1873, filha de Carlos Tomás Torlades O'Neill, descendente do clã Clanaboy da dinastia O'Neill da Irlanda do Norte,
e Maria Carlota Pereira de Eça Infante de Lacerda, filha do general
minhoto José António Pereira de Eça, sendo ambos oriundos de famílias
abastadas com longas carreiras militares e proprietárias de vários
terrenos e negócios, como a Casa Comercial Torlades, a Quinta dos Bonecos, a Quinta da Saboaria e a Quinta das Machadas em Setúbal. Era prima do escritor José Maria d'Eça de Queiroz. Foi casada com António de Bulhões, e era avó do poeta surrealista Alexandre O'Neill. Para além da actividade literária, colaborou com diversos periódicos e revistas da época, nomeadamente nas edições de Brasil-Portugal (1899-1914), Bem Público, Espiritismo, Actualidades, Alma Feminina (1917-1946), Serões (1910-1911), Illustração Portugueza (1903-), A Sátira (1911), Correio da Europa, Intransigente, Jornal da Mulher, O Soneto Neo-Latino, A Vida Elegante (1915), e Almanaque das Senhoras (1921-1924), da qual foi directora de redacção. Registou referências elogiosas em O Comércio do Porto (1929), na Gazeta de Coimbra (1929), O Primeiro de Janeiro (1929), entre outros. Tornou-se membro da Academia de Ciências de Lisboa, era vegetariana e iniciou-se na Teosofia, uma escola mística ou movimento iniciático que propunha que todas as religiões surgiam a partir de ensinamentos de tronco comum, enquanto buscavam conhecimento sobre os mistérios da existência humana, o começo da vida e da natureza, tendo-se interessado posteriormente pelo espiritismo, ao qual dedicou até ao fim dos seus dias uma grande parte da sua existência. Em 1930 viajou para o Brasil, onde realizou uma série de conferências sobre assuntos literários e espíritas. De regresso a Portugal, foi novamente convidada para regressar ao Brasil, em Fevereiro de 1932, para falar num novo ciclo de conferências sobre o espiritismo, contudo, o seu estado de saúde era bastante grave quando desembarcou em Salvador, na Bahia, tendo decidido retornar com urgência a Lisboa. Faleceu em alto mar a bordo do vapor alemão "General Osório", dois dias depois de ter iniciado a viagem de regresso, perto de Cabo Verde. O seu corpo foi sepultado no mar."
(Fonte: wikipédia)
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Com assinatura de posse e endereço de anterior proprietário na f. anterrosto.
Raro.
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10 novembro, 2019
25 fevereiro, 2018
CARDIA, Amélia - NA ATMOSFERA DA TERRA : romance neoespiritualista. Lisboa, Edições da Federação Espirita Portuguesa, 1930. In-8.º (17cm) de XV, [1], 293, [3] p. ; B.
1.ª edição.
"A concepção do romance que vai lêr-se é fundamentada numa série de comunicações autênticas, psicografadas por médium de inconcussa probidade, sob o ditado dum espírito identificado, a quem o remorso de erros cometidos na sua última encarnação transformou a presente existência astral num suplício cruciante, em verdadeiras gemonias de preceito.
É, pois, sôbre um fundo de irrecusável verdade que foi delineada a contextura da ficção, cujo protagonista, na sua personalidade carnal, ainda nos acotovelou na Terra, aos lutadores que ao findar do século XIX já sentíamos dilacerarem-se-nos os pés na arena sinuosa e aspérrima do perpétuo struggle for life.
Do mesmo modo são copiadas do natural, nas suas características essenciais, as personagens acessórias, alguma de particular relêvo, que se acharam relacionadas com a principal. [...]
Acalenta-me a esperança de que o volume que entrego à publicidade grangeará algumas simpatias, na persuasão de que entre os seus leitores alguns haverá que, por serem de natural indulgente, professarão o critério de Lemaître.
Realista, porque realista é a verdade, único alvo que valoriza o estudo da natureza humana, reflectindo-a, (e dêle não desviei os olhos) nem por isso a concepção deixa de ser romântica, em virtude de naturais tendências que me impelem sempre a elevar a genuína verdade, do nível do banal positivismo e das realidades tangíveis, ao do emocional transcendente, que dá figuração, côr e vida às cousas menos atraentes na aparência e nelas descobre o elemento divino que as vitaliza."
(Excerto da Advertência preliminar)
Amélia Cardia (Lisboa, 1855 - Lisboa, 1938). “Médica e escritora. Dedicou-se ao estudo dos clássicos e da filosofia, após o que se formou em Medicina com brilhantes classificações, tendo sido a primeira mulher licenciada em Medicina em Lisboa e a primeira mulher interna nos Hospitais Civis. Fundou uma casa de saúde na Estrela, que abandonou passados oito anos para se dedicar a estudos de filosofia e espiritismo. Pertenceu à Associação das Ciências Médicas e à Federação Espírita Portuguesa. Colaborou assiduamente em diversos jornais e revistas - Ilustração Portuguesa, O Século, Revista de Espiritismo, Diário de Notícias, etc. –, tendo dirigido O Mensageiro Espírita.”
(fonte: Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. II, Lisboa, 1990)
Exemplar brochado, em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível
1.ª edição.
"A concepção do romance que vai lêr-se é fundamentada numa série de comunicações autênticas, psicografadas por médium de inconcussa probidade, sob o ditado dum espírito identificado, a quem o remorso de erros cometidos na sua última encarnação transformou a presente existência astral num suplício cruciante, em verdadeiras gemonias de preceito.
É, pois, sôbre um fundo de irrecusável verdade que foi delineada a contextura da ficção, cujo protagonista, na sua personalidade carnal, ainda nos acotovelou na Terra, aos lutadores que ao findar do século XIX já sentíamos dilacerarem-se-nos os pés na arena sinuosa e aspérrima do perpétuo struggle for life.
Do mesmo modo são copiadas do natural, nas suas características essenciais, as personagens acessórias, alguma de particular relêvo, que se acharam relacionadas com a principal. [...]
Acalenta-me a esperança de que o volume que entrego à publicidade grangeará algumas simpatias, na persuasão de que entre os seus leitores alguns haverá que, por serem de natural indulgente, professarão o critério de Lemaître.
Realista, porque realista é a verdade, único alvo que valoriza o estudo da natureza humana, reflectindo-a, (e dêle não desviei os olhos) nem por isso a concepção deixa de ser romântica, em virtude de naturais tendências que me impelem sempre a elevar a genuína verdade, do nível do banal positivismo e das realidades tangíveis, ao do emocional transcendente, que dá figuração, côr e vida às cousas menos atraentes na aparência e nelas descobre o elemento divino que as vitaliza."
(Excerto da Advertência preliminar)
Amélia Cardia (Lisboa, 1855 - Lisboa, 1938). “Médica e escritora. Dedicou-se ao estudo dos clássicos e da filosofia, após o que se formou em Medicina com brilhantes classificações, tendo sido a primeira mulher licenciada em Medicina em Lisboa e a primeira mulher interna nos Hospitais Civis. Fundou uma casa de saúde na Estrela, que abandonou passados oito anos para se dedicar a estudos de filosofia e espiritismo. Pertenceu à Associação das Ciências Médicas e à Federação Espírita Portuguesa. Colaborou assiduamente em diversos jornais e revistas - Ilustração Portuguesa, O Século, Revista de Espiritismo, Diário de Notícias, etc. –, tendo dirigido O Mensageiro Espírita.”
(fonte: Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. II, Lisboa, 1990)
Exemplar brochado, em bom estado de conservação.
Invulgar.
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*CARDIA (Amélia),
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