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23 outubro, 2026

MONTEIRO, José de Sousa -
OS AMORES DE JULIA. Scenas da antiga Roma.
2.ª edição. Lisboa, Livraria Classica Editora de A. M. Teixeira & C.ta, 1909. In-8.º (19x12 cm) de 286, [2] p. ; E.
Romance histórico cuja acção decorre no tempo de Jesus Cristo. História escrita com estilo irrepreensível e rico vocabulário. De acordo com Maria o'Neill, amiga e discípula do autor, trata-se, incontestavelmente, da sua melhor obra: "Se, em vez de ter nascido em Portugal, tivesse visto a luz em França ou Inglaterra, esta obra ter-lhe-ia dado fama universal, porque excede em muito o Quo Vadis".
"Pode, talvez, ser ainda para todos fórma acceita e viva de arte o romance historico mediante tres precisas condições:
Acção breve, condensada e rapida;
Caracteres escrupulosamente estudados na historia ou nos costumes, e intensamente expressos;
Scenas, cujos minimos accessorios, de extricta exacção archeologica, quanto possivel, quanto possivel se enlacem, se entreteçam, se fundam, na narrativa, - em traço ou côr.
Desvelei-me, com longo amor, paciente e caricioso, por que os espiritos attentos, finda a lição das paginas que seguem, digam, em sua consciencia illuminada: Pode."
(Preâmbulo)
"Era o quarto dia das kalendas de março do anno decimo quarto depois de Christo. Nas casas petricias as clepsydras gotejavam a hora nona.
O azul engasta-se sem macula no horisonte amplissimo: apenas, muito longe, no occidente, alguns cumulos se amontoam, como ovelhas aconchegadas no redil. [...]
Uma prescripção de Augusto veda a vehiculos, estranhos ao culto, o transito de Roma antes da hora decima: aconselhou-a a tortuosa estreiteza das ruas da cidade. Alta noute, emquanto atroam becos e viellas rufiões armados, prostitutas ebrias, voltas sanguentas, obscenas serenatas, as vias principaes enxameiam de carreiros, pragejando ao estralejar dos lategos, plaustros, pesados de novidades hortenses, petorritas atapulhadas guincham, sacudindo, nas asperezas do piso, as rodas barulhentas coo os cymbalos de Pan.
Por isso ás portas de maior frequencia, - á Collina onde se fundem as Vias Salaria e Nomentana, á Esquillina crusada das Vias Tiburtina e Prenestina, á Capena, serventia natural da Via Latina e da Via Appia - reune-se da nona á decima hora um sem-numero de cisios, rhedas, carpentos colossaes, carrucas tauxiadas. [...]
No couce da fila, á orla humida do bosque, pára um cisio, de aluguer jungido a dois velhos mús. Logo atraz uma rheda com varios fardos entre taipaes de madeira tosca. As mulas pendem tristemente as cabeças; da aridez do chão não lhes sorri febra de erva. Arquejam e agitam, fustigando-se, as caudas poeirentas. Varejeiras esvoaçam assustadas ou sevam-se famintas nas mataduras do couro, despellado, do latego.
No cisio sentam-se a par um homem corpulento, e uma rapariga de delgada pequenez. Collocaram-se, a principio, á cabeça da extensa renque. Depois, sem causa conhecida, desceram a occupar o logar extremo. Seduzira-os talvez o bosque, sagrado á inspiradora de Numa, a cujas sombra refoge a passarada chilreando em festa."
(Excerto de I - Ad veteres arcus madidamque  Capenam)
José de Sousa Monteiro (1846-1909). "Nasceu na Praia (Cabo Verde) a 20 de agosto de 1846 e faleceu em Lisboa a 12 de outubro de 1909. Em Lisboa obteve o Curso Superior de Letras e o de Diplomacia. Foi diplomata, jornalista, escritor, deputado (1879-1882) e diretor-geral do Ministério das Finanças.
Pertenceu ao Instituto de Coimbra, foi comendador de Carlos III de Espanha e comendador de Leopoldo da Bélgica e recebeu ainda a Grã-Cruz da Ordem de Santiago.
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente da Classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 5 de junho de 1884 e efetivo a 25 de junho de 1891. Desempenhou nesta Academia os cargos de Vice-Secretário (1896), Secretário-Geral (?-1909) e Presidente da Classe de Letras (1909)."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/20134)
Encadernação recente meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
15€
Reservado

02 julho, 2026

CABRAL, Juvenal A. Lopes da C. -
O CRIME DO LARGO DO HOSPITAL DA CIDADE DA PRAIA. Por... (Professor Primário na Guiné). Literatura Africana - Cabo Verde. [S.l.], Edição do Autor [Composto e impresso na Tipografia Civilização, de Pereira & Souza - Pôrto], 1930. In-8.º (19x12 cm) de 32 p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Edição original da primeira obra do autor, pai de Amílcar Cabral (1924-1973), activista político pela libertação das colónias portuguesas da Guiné e Cabo Verde, fundador do PAIGC (1956).
Trata-se de um texto invulgar e muito curioso, espécie de novela-reportagem (a fazer lembrar os textos de Reinaldo Ferreira - o Repórter X!), sobre o assassinato ocorrido na cidade da Praia de uma moça - Alice, - "que embora filha natural, pertencia a uma raça de portugueses notáveis". No final, em Morte de Alice, o autor homenageia a infeliz rapariga com um conjunto de quadras.
Obra rara, por certo com tiragem restrita, dedicada "À mocidade caboverdeana - em particular - e em geral a todos os africanos das colónias, que saibam honrar a Pátria Portuguesa, estudando e propagando a suavíssima língua de Camões."
Ilustrada com o retrato de Juvenal Cabral em folha separada do texto.
"[...] Um crime pode inspirar um artista. Mas numa consciência sã e normal causa sempre a repulsa e a dor.
Lopes Cabral é bem o educador que se não compraz no estreito âmbito das quatro paredes da sua escola. Êste livrinho é a prova de que êle sabe actuar omnimodamente, cumprindo o dever  de corrigir a aconselhar a Sociedade para o Bem - condenando actos repugnantes e anti-sociais."
(Excerto do Prefácio de J, Mota)
"Extraordinàriamente sugerido pelo gesto criminoso de um homem que, matando a sua amante a tiros de revólver, não teve uma lágrima de arrependimento ou um simples queixume, sequer um gemido(!) que denunciasse o remorso pela prática de tão ignóbil acção, - o modesto trabalho que apresento perpectuando um acontecimento, muito vulgar nos grandes centros, porém raríssimo em terras africanas, principalmente naquela em que êste teve lugar, onde o sossêgo é permanente, em conseqüência, não tanto da fé religiosa como da índole natural do povo - é como um brado de cave ne cadas à mocidade da Praia, teatro do emocionante e deplorado drama."
(Excerto de Palavras necessárias)
"Amanhecer límpido e sereno o dia sete de fevereiro de 1930.
A atmosfera, que de ordinário se apresentava carregada e húmida - como que em contínua destilação de cristais - permitiu, por excepcional condescendência, que o Sol beijasse nêsse dia o coração da linda cidade da Praia que, inundada de luz vivificante, exulta de alegria pelos cumprimentos matutinos que o astro-rei, tão cortezmente lhe enviava, do alto da sua inacessível tribuna. [...]
Quem haveria de supôr que antes da tarde dêsse memorável dia, a cidade seria testemunha de um cruel assassínio?
Alice de **, natural da Praia, contava apenas vinte e dois anos de idade - feitos precisamente no dia em que a bala do carrasco lhe ceifou a existência!
Extremamente formosa, pertencia ao grémio dessas belezas peregrinas capazes de transtornar o mais indiferente celibatário.
Têz de moreno carregado, olhos de um brilho revelando inteligência sem cultura, bôca pequenina protegendo uma enfiada de alvinitente marfim, cabelos pretos luzidios, dispensando a sciência do artista para uma ondulação permanente - Alice de ** ocupava, pela sua deslumbrante formosura, lugar de destaque entre as moças mais lindas da cidade da Praia."
(Excerto de Do amor ao crime)
Índice:
Dedicatórias | Prefácio | Palavras necessárias | Do amor ao crime | O assassino | Morte de Alice.
Juvenal António Lopes da Costa Cabral (Santa Catarina, Santiago, Cabo Verde, 1889 - Cidade da Praia, Ilha de Santiago, Cabo Verde, 1951). "Nasceu na ilha de Santiago em 1889, filho de António Lopes da Costa, um abastado proprietário rural, e de Rufina Lopes Cabral, filha de agricultores (pequenos proprietários). Com apenas oito anos, Juvenal foi enviado para Portugal, para estudar - um luxo só possível a uma reduzida elite das ilhas. Foi o primeiro aluno negro a entrar nos portões da escola primaria de Santiago de Cassurães, na Beira Alta. Seguiu-se o Seminário de Viseu, onde segundo ele mesmo, passou os melhores anos da sua vida. Mas face às dificuldades da família em manter os seus estudos, devido à estiagem, Juvenal retornou a Cabo Verde em 1906. De regresso a Cabo Verde, os pais destinaram-no ao sacerdócio católico. Não concluiu o curso no Seminário de São Nicolau, preferindo antes instalar-se na ilha de Santiago. Em abril de 1911, viajou para a Guiné-Bissau, à procura de emprego, de futuro, de melhor sorte. Ali viverá mais de trinta anos. Funcionário publico em Bolama, foi, depois, o primeiro professor de uma escola primária em Cacine, com uma escassa meia dúzia de alunos. Ele mesmo se definirá, um dia, como «um obscuro professor não diplomado».
Juvenal Cabral caracterizava-se a si próprio como “cabo-verdiano de nascimento e raça, português pela bandeira e educação, e, portanto, convictamente integrado nos alevantados ideais que deram a Portugal o prestigio universal que desfruta”. Era um homem com uma grande consciência e preocupação política e social sobre a situação de Cabo Verde, mas ao mesmo tempo era adepto da política colonial portuguesa e de Salazar (de quem fora colega, em Viseu). O espírito patriótico e a admiração que nutria pela colonização portuguesa, não impediram Juvenal Cabral, de várias vezes criticar a política colonial da metrópole em relação a Cabo Verde. Críticas essas que se deviam, sobretudo, à maneira como o governo português conduzia as políticas relativas às crises agrícolas e consequentes períodos de fome nas ilhas." 
(Fonte: https://repositorio.unesp.br/server/api/core/bitstreams/5aa63601-7780-48d2-b02b-87662f03fda6/content)
Publicou:
1930: O Crime do Largo do Hospital da Cidade da Praia (Crónicas jornalísticas e sociais); 1947: Memórias e Reflexões (Sua obra magna, lançada originalmente como Edição do Autor na Cidade da Praia); 1949: Bêjo Caro! (Poema-panfleto satírico); 1949: Confissão de Zé Badiu (Texto literário em crioulo, anotado pelo seu filho Amílcar Cabral); 2002: Reedição póstuma de Memórias e Reflexões pelo Instituto da Biblioteca Nacional de Cabo Verde. Os seus restantes poemas (como O Voo da Avezinha) e diversos ensaios foram dispersos e publicados ao longo das décadas - de 1910 a 1950 - em jornais e revistas da imprensa cabo-verdiana. (IA)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Indisponível

27 julho, 2023

MOTA, Salvador Magalhães -
SITUAÇÃO DE CABO VERDE NOS INÍCIOS DA 1.ª REPÚBLICA.
[Por]... Professor do Departamento de Ciências Históricas e da Educação da Universidade Portucalense. Separata do n.º 4 especial da Revista Africana. Porto, Universidade Portucalense : Arquivo Histórico Nacional de Cabo Verde, 1996. In-4.º (24x17 cm) de [4], 22, [2] p. ; (137-158 pp.) ; B.
1.ª edição independente.
Interessante ensaio/comunicação sobre o contexto económico e social do arquipélago de Cabo Verde nos primeiros anos da Primeira República. Pouco vulgar, com interesse histórico. A BNP não menciona.
"As fontes consultadas para a presente comunicação baseiam-se essencialmente em 22 relatórios emanados pelas principais entidades administrativas e judiciais de Cabo Verde para o Governador Abel Fontoura da Costa (1915 a 1917). Reportam ao ano de 1916 e vêm na sequência de uma circular solicitando tal envio datada de 8 de Janeiro de 1917. Pela leitura do seu conteúdo verificamos que as informações extravasam largamente a referida data. Ao que sabemos parecia ser uma prática normal o envio de tais documentos, com o objectivo de o responsável máximo da ex-província portuguesa ter um conhecimento real de todos os problemas e dificuldades por que passava o arquipélago. [...]
Impressionou fortemente o autor deste trabalho a postura crítica e a liberdade com que foram produzidos bem como a simplicidade com que se expunham as múltiplas carências com que Cabo Verde se debatia, algumas das quais se foram arrastando ao longo dos anos."
(Excerto de 1 - Introdução)
Índice:
1 - Introdução. 2 - Administração. 3 - Economia e Obras Públicas: 3.1. Agricultura e pescas; 3.2. O Comércio; 3.3. A Indústria. 4 - Sociedade: ensino e assistência médica.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
15€

04 julho, 2022

CARDOSO, Pedro - FOLCLORE CABOVERDEANO.
[Prefácio de J. B. Amâncio Gracias]
. Pôrto, Edição Maranus, 1933. In-8.º (17 cm) de 120 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Trabalho pioneiro sobre o folclore cabo-verdiano. Importante ensaio com interesse histórico e etnográfico sobre a cultura popular da antiga ex-colónia portuguesa.
Livro ilustrado com diversas fotogravuras dispersas pelo texto, e em página inteira, com um mapa de Cabo Verde, e noutra, a reprodução de um autógrafo de Gago Coutinho com a sua explicação para a localização estratégica do arquipélago para a aviação.
"Li dum fôlego o seu magnífico manuscrito sôbre o Folclore Caboverdeano e devolvo-o com agradecimentos. É um valioso subsídio para uma obra mais vasta e completa sôbre a etnografia do Arquipélago, da qual o assunto, sôbre que V. produziu tam belas páginas, constitui um capítulo importante.
Cabo-Verde presta-se a grandes estudos. A sua história, pròpriamente dita, está mais ou menos feita, mas, quanto à sua etnografia, nos seus diversos aspectos e modalidades, pouco ou nada vejo escrito.
E, no entretanto, a história hoje adquire mais valor, fixa-se melhor, quando as ciências antropológicas a iluminam com os lampejos das suas investigações acêrca da raça, dos usos e costumes, lendas, mitos, superstições, cantares e folclore dos países a que respeita.
Muitos factos históricos, que às vezes nos parecem inexplicáveis, têm a sua origem nos caracteres étnicos, nos fenómenos sociais do respectivo povo.
Que eu saiba, o trabalho, o trabalho de V. é o primeiro no género em relação à etnografia desta Colónia, e por isso mesmo merece V. os mais entusiásticos aplausos por se ter dedicado a semelhantes estudos."
(Excerto do Prefácio)
"Folclore é vocábulo aportuguesado do inglês «Folk» (povo), «Lore» (saber), não sabemos se inventado mas proposto, em 1846, por W. J. Thoms, para representar o conjunto dos factos correlativos, conhecidos sob várias denominações, tais como lendas, ritos, jogos e danças, romances e cantigas, etc.
Englobando e versando semelhantes temas, constitui-se, sem dúvida, parte integrante da ciência etnográfica, se a sistematização dos conhecimentos por esta ministrados nos autoriza tal classificação.
O estudo do nosso «Folclore» implica conhecimento perfeito do dialecto e, conseqüentemente, convivência de espaço e íntima como o povo, assistindo às suas festas, jogos e trabalhos, e ouvindo os seus cantares e adágios, suas lendas e superstições."
(Excerto da I Parte - Folclore caboverdeano)
Índice:
Prefácio. | 1460. | I Parte: Folclore caboverdeano; Cabo-Verde e Brasil; Noções elementares de gramática. II Parte (Cancioneiro): A Morna; Morna; Crioulo do Fogo; Crioulo de Santiago: - Palavras prévias; - Batuque; - Cimbó; - Batuque; - Finaçon; - Declaração de amor; - Glossário. | Apêndice: Mornas - Canções crioulas. | In-memoriam: António Cortez: - Sol de Bedjiça; - Morna. Eugénio Tavares: - Já m'crê-bo! - Amo-te!
Pedro Monteiro Cardoso (190-1942). "Escritor cabo-verdiano nascido em 1890, na Ilha do Fogo, e falecido em 1942, na cidade da Praia. Professor do ensino primário, salientou-se no jornalismo ao defender os interesses sociais, políticos e económicos de Cabo Verde. Publicou Folclore Cabo-Verdiano (1933), Pelos Direitos do Crioulo (1933) e Profissão de Fé (1934), uma série de sonetos e redondilhas. Dirigiu o jornal Manduco e colaborou na Voz de Cabo Verde."
(Fonte: Infopédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Peça de colecção.
Indisponível

31 março, 2020

DEMOUTIEZ, O. M. I, P. & CUNHA, Maria Teresa Pereira da - AVE MARIA! NOSSA SENHORA DA FÁTIMA PEREGRINA DO MUNDO. II [Segunda Jornada]. Madeira - Açores - África Portuguesa. Pelo... e... [S.l.], [s.n. - Composto e impresso nas Oficinas da Gráfica - Leiria], [1950]. In-4.º (25 cm) de [2], 104, [4] p. ; [40] p. il. ; B.
1.ª edição.
Périplo da imagem de Nossa Senhora pelas ilhas atlânticas e pelas colónias africanas. Relato da viagem, muito ilustrado ao longo de 40 páginas intercaladas no texto, assinalando os momentos mais emblemáticos da peregrinação.
"O «Lima», embandeirado em arco, largou do Tejo, numa tarde clara e brilhante do mês de Abril de 1948. A primavera em flor sorria à Rainha que iniciava a sua viagem a terras de Além-Mar. O rio era um vasto espelho e o barco deslizava brandamente. No convés, rodeada de flores que corações devotos Lhe quiseram oferecer, a Senhora Peregrina parecia debruçar-se ternamente e sorrir a tantos, que no cais Lhe acenavam com lenços brancos, em saudosa despedida...
Nas margens do Tejo, os homens do trabalho interrompiam por instantes as suas ocupações e ficavam-se a olhar a Senhora branca e luminosa, que se ia de longada até Portugal de Além-Mar.
Torre de Belém... Oeiras... São Julião da Barra... Cascais...
A Imagem Peregrina recolhe ao jardim de inverno, transformado gentilmente em capela pela Direcção da Companhia Insulana.
O «Lima» balança um pouco. Estamos na barra.
E agora é o mar... O Oceano Atlântico tão conhecido dos nossos navegadores!..."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Madeira. | Cabo Verde. | Açores: Terceira; Graciosa; S. Miguel; S. Jorge; Pico; Faial; Corvo; Flores; Santa Maria. | S. Tomé. | Angola: Luanda; Nova Lisboa; Silva Porto. | Moçambique: Lourenço Marques; Beira; Nampula.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Assinatura de posse na 1.ª folha.
Invulgar.
Com interesse mariano.
25€

14 junho, 2017

LOPES, Manuel - OS MEIOS PEQUENOS E A CULTURA (Palavras lidas no Salão do Sporting Club da Horta em 28-III-950). Horta, Edição do Autor, 1951. In-8.º (20,5 cm) de 53, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de reflexões do autor sobre os custos culturais da insularidade.
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"... Quando mencionamos meios pequenos e meios grandes, ocorrem-nos,  antes de mais nada, suas relações espaciais. É uma noção puramente visual, simples, primária, isto é, quantitativa e geométrica: comprimento, largura e altura. Posso dizer que a sensação que acompanha tal evolução é, naturalmente, física e estática. Mas o sentido em que tais termos são empregados não é só objectivo, não se prende só com ao volume, à extensão; trata-se de espaços habitados por homens, onde os homens, em comum, se esforçam por realizar a vida o melhor que podem, onde o destino de cada homem corre diante de seus passos como a bola de futebol diante dos pés do jogador. E quem diz destino diz: uma porção de objectivos individuais, solicitações e necessidades guiadoras, num mundo de choques, vário e complexo, com problemas de adaptação, lutas, triunfos e derrotas."
(Excerto de Meios pequenos, meios acanhados)
Matérias:
- Meios pequenos, meios acanhados. - Mocidade desbaratada. - Prejuízos dos meios pequenos. - A mocidade estudiosa e os meios pequenos. - Livros, bibliotecas, bibliotecários. - Sugestões, não soluções. - (Trabalhar... trabalhar...). - Libertação pela cultura.
Manuel Lopes (1907-2005). "Poeta, ensaísta, jornalista e pintor cabo-verdiano, Manuel Lopes nasceu a 23 de dezembro de 1907, na ilha de S. Nicolau, Cabo Verde, e faleceu a 25 de janeiro de 2005, em Lisboa. Estudou em Coimbra e em S. Vicente, para onde regressou em 1923. Os seus primeiros trabalhos literários foram publicados em 1927, no Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro , tendo ganho o respetivo concurso de prosa anual. Entre 1931 e 1933, colaborou nos jornais locais Notícias de Cabo Verde e Ressurgimento . Em 1932, integrou o grupo de intelectuais que viria a fundar a revista Claridade quatro anos depois. Por razões de ordem profissional, foi viver para a ilha açoriana do Faial, em 1944, publicando aí o seu primeiro livro de poemas. Durante os onze anos que lá residiu, fez duas exposições de pintura com trabalhos seus e ajudou a constituir o Núcleo de Cultura da Horta. Fixou-se em Portugal em 1955, onde deu a conhecer ao público as suas principais obras de ficção: Chuva Braba (que venceu o Prémio «Fernão Mendes Pinto», 1956), O Galo cantou na Baía (Prémio «Fernão Mendes Pinto», 1959) e Os Flagelos do Vento Leste (Prémio «Meio Milénio do Achamento das Ilhas de Cabo Verde», 1960). Chuva Braba constitui, sem dúvida, o romance mais marcante da sua obra, pelo estilo direto e coloquial, e também pelas personagens simples e reveladoras da pureza cabo-verdiana. A obra foi traduzida para diversas línguas. Manuel Lopes é também autor de ensaios, entre os quais se destacam Os Meios Pequenos e a Cultura (1951) e As Personagens de Ficção e Seus Modelos (Separata de «Comunidades Portuguesas», 1973). Por outro lado, através de obras como Poemas de Quem Ficou (1949) e Crioulo e Outros Poemas (1964), Manuel Lopes dá a conhecer a sua vertente poética."
(Fonte: Manuel Lopes in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2017. [consult. 2017-06-12 21:02:05]. Disponível na Internet: )
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse cultural e regional.
Indisponível

21 março, 2015

PÀDÁS DE SCRITURA SÀGRADA NA CRIÔLO DE DJÀ-BRABA : trechos bíblicos no criolo da Ilha Brava. Edimburgo, Sociedade Bíblica Nacional da Escócia, [s.d.]. In-8.º (18,5cm) de 11, [1] p. ; B.
1.ª edição.
"Como todo o caboverdeano que lê aprendeu em regra na escola portuguesa, a ortografia aqui usada é a desta língua. Exceptuam-se os sons de u breve e i breve, que são grafados com w, o primeiro e y, o segundo."
(nota para o leitor português)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Etiqueta de biblioteca na capa.
Carimbo de biblioteca na f. rosto.
Invulgar e muito curioso.
Indisponível