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11 julho, 2026

DIAS, Carlos Malheiro -
OS TELLES D'ALBERGARIA : romance
. Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 1901. In-8.º (18x11,5 cm) de [8], 463, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Os Telles d'Albergaria é um romance marcante, e um dos mais estimados títulos da bibliografia do autor, publicado originalmente em 1901, no início da sua carreira literária.
A história decorre na zona da aldeia de Albergaria, e acompanha a vida e os conflitos dos membros da família Teles, nas suas dinâmicas e dilemas individuais face às pressões sociais e geracionais. "Foca o cenário político da segunda metade do século XIX, iniciando-se com as lutas liberais e culminando com a tentativa frustrada de implantação da república em Portugal, a 31 de janeiro de 1891. Em ambos encontra-se refletida, nos termos da escola realista e naturalista, a filiação monárquica do autor e a sua rejeição do regime constitucionalista então vigente."
Obra interessante e muito curiosa, sem registo na BNP; esta menciona apenas a 2.ª edição (1910).
"Por um claro domingo de Julho, á hora da missa, uma taquitana velha desembocava a trote no largo da Feira, em Guimarães, indo estacar á frente do palacios dos condes de Villa Torre - casarão envelhecido pelas chuvas e soes de quasi dous seculos, que emparedava com a frontaria de solar e convento todo um lado da praça, hasteando sobre um portal enorme, de couçoeiras denegridas, as armas nobres dos senhorios, entre janellinhas gradeadas de cadeia.
Longamente, os cavallos estafados saccudiram as colleiras de guizos, enxotando as moscas; e da boleia descem um velho creado, entre mordomo e feitor, que foi abrir a portinhola perra do landeau, desbarretado em frente do menino.
- Cá estamos em casa das tias de V. Ex.ª.
Então, saltou o estribo largo, ergueu-se um rapazinho franzino e pallido, como um uniforme de collegio, saccudindo uma vergasta de amieiro.
A sineta do portal badalou por muito tempo, echoando nas abobadas de pedra; e foi preciso esperar ainda um pedaço, á torreira do sol, antes que viessem abrir o vasto portão de masseira, chapeado de ferro, á lei da boa desconfiança minhota."
(Excerto do Cap. I)
Carlos Malheiro Dias (Porto, 1875 - Lisboa, 1941). "Jornalista, político e historiador. Natural do Porto, onde nasceu em 1875. Cursou Direito em Coimbra e frequentou Letras, em Lisboa. Foi deputado por Viana do Castelo e Vila Real.
Após a proclamação da República, exilou-se voluntariamente no Brasil, onde decorreu parte da sua actividade, tornando-se, em dado momento, o herdeiro espiritual de Eça de Queiroz a quem sucedeu na Academia Brasileira de Letras, e paladino devotado das ideias tradicionalistas.
Grande escritor, foi o romancista incomparável da Paixão de Maria do Céu, dos Teles de Albergaria e da coletânea de crónicas jornalísticas "A Verdade Nua". Doutrinador nacionalista da Exortação à Mocidade, dirigiu a obra monumental "História da Colonização Portuguesa do Brasil (1921)". Fez parte dos fundadores da Academia Portuguesa de História. Em 1935 foi nomeado embaixador em Madrid, de que não chegou a tomar posse, por motivo de doença."
(Fonte: https://archeevo.amap.pt/descriptions/90283)
Encadernação do editor em percalina com ferros gravados a seco e  ouro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Indisponível

01 novembro, 2016

MALHEIRO-DIAS, Carlos - FILHO DAS HERVAS : romance. Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 1900. In-8.º (18,5cm) de 430, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Rara edição original de uma das obras mais apreciadas do autor, cujo tema é o drama da ilegitimidade filial. A densidade do romance e a sua matriz profundamente realista, valeu a Malheiro Dias o epíteto de digno sucessor de Eça de Queiroz, falecido entretanto.
Trata-se do seu 3.º romance e o 1.º publicado entre nós. Para trás ficara Cenarios : fantasias sobre a historia antiga (1894) e A Mulata, controversa novela de costumes sobre a sociedade carioca, publicada no Rio de Janeiro em 1896, e cuja polémica resultaria no "exílio" do autor em Portugal.
Sobre esta obra, com a devida vénia à DGLB, transcrevemos uma notícia do seu sítio: "Filho das Ervas, publicado em 1900, é ainda fortemente influenciado pela corrente naturalista. Tratando de gente comum, a obra apresenta um enredo simples, onde as personagens se movimentam no âmbito de uma certa previsibilidade. Incapazes de se libertarem do meio onde nasceram e foram educadas, elas vivem num círculo fechado, círculo que é ainda reforçado pelo peso da hereditariedade de que não podem fugir. Moralista, como era próprio da estética naturalista, Malheiro Dias deixa entrever nas conclusões do romance um futuro mais airoso para o protagonista, que decide assumir as suas responsabilidades. Sem dúvida alguma datado (no sentido mais limitador da palavra), este é ainda um romance de juventude, mas onde se podem já vislumbrar os traços que transformarão o seu autor no criador maduro, e por vezes genial, de Os Teles de Albergaria e Paixão de Maria do Céu.
Carlos Malheiro Dias [1875-1941] nasceu no Porto em 1875 e, filho de mãe brasileira, viveu largos períodos no Brasil, antes e depois da proclamação da República, de que foi esclarecido adversário. Em Lisboa, onde morreria em 1941, frequentou o curso de Direito e concluiu o Curso Superior de Letras. Romancista, dramaturgo, memorialista, ensaísta e jornalista, é um dos mais importantes prosadores do século XX." (fonte: http://www.dglb.pt/sites/DGLB/Portugues/livro/coleccaoObrasClassicas/Paginas/FilhodasErvas053.aspx)
"Estava uma noite fria de inverno; e sob o ceu toldado de nuvens, sem estrellas, Coimbra cintillava no escuro, coroada de luzes. D'entre a espessura vinha o rumôr monotono do rio. Rente a uma das portas havua um vulto de mulher e um vulto de homem, á espera.
Comprado o bilhete para Lisboa e despachada a bagagem, Manoel veio ter com o amigo á porta da estação.
- Está tudo prompto?
- Tudo. Falta um quarto de hora. Podemos conversar ainda um instante.
O amigo puxou a gola de pelle de lontra do capote e tirou uma fumaça do cigarro, calado. A brasa illuminou por momentos, indecisamente, a cara da mulher: uma tricana morena, de olhos pretos, embrulhada n'um chale; e a do rapaz: um homenzarrão chamuscado pelo sol, com um bigode preto de mosqueteiro."
(excerto do Cap. I)
Encadernação em tela com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

02 julho, 2014

DIAS, Carlos Malheiro - EM REDOR DE UM GRANDE DRAMA. Subsidios para uma Historia da Sociedade Portuguêsa (1908-1911). Por... Da Academia de Sciencias de Lisboa e da Academia Brasileira de Lettras. Lisboa, Livrarias Aillaud & Bertrand : Rio de Janeiro, Livraria Francisco Alves, [1912]. In-8º (19cm) de XXXIX, [1], 374, [2] p. ; E.
1.ª edição.
"O regimen, até hoje, não poude curar as tres grandes enfermidades nacionaes: as suas tres grandes crises ou lesões organicas - a do dinheiro, a da fé e a da disciplina. Somos uma sociedade depauperada, desiludida e indisciplinada, sem a vocação do trabalho, da austeridade e da ordem. Esta sociedade, tal como se acha contituida, explica a falencia do liberalismo e a desorientação da democracia. Nasceu pobre. Endividou-se. Nasceu fraca. Viciou-se. Nasceu turbulenta. Anarchisou-se."
(excerto da introdução, A imparcialidade é a mais dififcil das coragens)
Carlos Malheiro Dias (1875-1941). “Historiador, jornalista, diplomata, ficcionista, contista e cronista, Carlos Malheiros foi considerado um dos mais talentosos escritores portugueses. Mais conhecido como o autor do romance A mulata (1896), que gerou grande polémica no meio intelectual luso-brasileiro, Malheiros Dias é dono de uma vasta e profícua produção literária hoje pouco conhecida e reconhecida que, em diversos sentidos, revela um forte engajamento político e social em relação ao momento em que viveu. O seu olhar atento, pragmático e crítico percorreu o final da Monarquia, a Primeira República e o início do Estado Novo.”
Encadernação inteira de tela com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação. Assinaturas de posse na f. rosto e anterrosto.
Invulgar.
Com interesse para a História da República.
10€

08 janeiro, 2013

DIAS, C. Malheiro - ENTRE PRECIPICIOS... Lisboa, Empresa Lusitana Editora, [1913]. In-8º (19cm) de 335, [1] p. ; B.
Análise da situação política do país após a revolução de 5 de Outubro de 1910 pela pena de Carlos Malheiro Dias, monárquico convicto. Obra constituída na sua quase totalidade pelos artigos de opinião que o autor escreveu como correspondente do «Jornal do Brasil» do Rio de Janeiro.
Carlos Malheiro Dias (1875-1941). “Historiador, jornalista, diplomata, ficcionista, contista e cronista, Carlos Malheiros foi considerado um dos mais talentosos escritores portugueses. Mais conhecido como o autor do romance A mulata (1896), que gerou grande polémica no meio intelectual luso-brasileiro, Malheiros Dias é dono de uma vasta e profícua produção literária hoje pouco conhecida e reconhecida que, em diversos sentidos, revela um forte engajamento político e social em relação ao momento em que viveu. O seu olhar atento, pragmático e crítico percorreu o final da Monarquia, a Primeira República e o início do Estado Novo.”
Exemplar em bom estado de conservação. Capa oxidade com pequenas falhas.
Invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

11 novembro, 2012

DIAS, Carlos Malheiro – ORAÇÕES E CONFERÊNCIAS. Na capa: Retrato do autor, reprodução do quadro a óleo de Henrique Medina. Lisboa, Livraria Bertrand, [s.d.]. In-8º (19cm) de 174, [2] p. ; B.
Conjunto de alocuções e discursos produzidos pelo autor ao longo da sua vida literária.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

30 agosto, 2012

MALHEIRO DIAS, Carlos - EXORTAÇÃO À MOCIDADE. NOVA EDIÇÃO precedida de uma resposta à Carta-Prefácio do Sr. António Sérgio no seu livro «O DESEJADO». Lisboa, Portugal-Brasil : Sociedade Editora Arthur Brandão & C.ª, 1925. In-8.º de CVIII, 64, [2] p. ; B.
Reedição da  Exortação onde num longo prefácio, Carlos Malheiro Dias “rebate as afirmações do seu adversário [António Sérgio], que qualificou depreciativamente como racionalista, impedido pelos seus esquemas lógicos de reconhecer o exemplo nobre de D. Sebastião, “uma reencarnação do Portugal do séc. XVI”. Segundo Malheiro Dias, Sérgio possuía uma dupla personalidade: “Esta dupla personalidade com que se apresenta o sr. António Sérgio, de pedagogo e panfletário, de exaltador da serena Razão e de galhofeiro, insultador de heróis, ameaça incapacitá-lo para a missão pontifical que a sua megalomania literária pretende exercer” (Dias, 1925: XIX), criticando-o por reservar-se “o privilégio de  lavrar sentenças iníquas e de julgar um cavaleiro místico do século XVI – que por sua estrutura moral pertencia ao século XIV, - com a mentalidade da época do Registo Civil e do Grémio 5 de Outubro” (Dias, 1925: XXVII), numa clara referência às leis anti-clericais instituídas pela I República Portuguesa, implantada em 1910.”
(Fonte: Maria Mota, UNL)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Assinatura de posse na f. rosto.
Invulgar.
10€

18 junho, 2012

DIAS, Carlos Malheiro – CAMÕES E A RAÇA. Oração pronunciada no Palacio Teçayndaba, em S. Paulo, na noite de 4 de Junho de 1934. Inauguração da Semana Camoniana instituída pelas Escolas Portuguesas fundadas pelo Centro Republicano de S. Paulo. São Paulo, [s.n. – imp. na Emp. Gráf. “Revista dos Tribunais”, 1934. In-8º (22cm) de 54, [2] p. ; B.
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor “a Sua Eminência o Senhor Cardial Patriarca D. Manuel Gonçalves Cerejeira. Veneração, admiração e gratidão de um português” (data e assinatura).
Exemplar brochado (plastificado) em bom estado de conservação.
Rubrica de posse na f. rosto.  
Invulgar.  
Indisponível

28 abril, 2012

DIAS, Carlos Malheiro – O ESTADO ACTUAL DA CAUSA MONARCHICA. Lisboa, C. Malheiro Dias, 1912. In-8º grd. (25cm) de [2], 321, [3] p. ; E.
“Os dezoito artigos que constituem o desenvolvimento desta thése estão sendo publicados no jornal brasileiro «O Correio Paulistano», órgão do partido republicano de S. Paulo. A vulgarização, em Portugal, desta obra de analyse, obedece simultaneamente ao intuito de satisfazer o movimento de curiosidade que em volta d’ella se produziu, e ao de responder ás insinuações com que procura fazel-a passar, perante o fanatismo demagógico, por uma especulação politica. Um regimen que se arreceiasse da penna de um escriptor, isolada entre as lutas da politica, e lhe concedesse as honras inauditas de um instrumento de perturbação nacional, seria um regimen fragilimo. A Republica ainda é suficientemente forte para não se atemorizar – assim o suppomos, - com o debil rangido da penna obscura que estas paginas escreve…” (excerto da nota de abertura) 
Matérias: Carta Prefacio á Colonia Portuguesa do Brasil; PRIMEIRA PARTE, A Aventura Politico-Guerreira da Galliza: I - O exilado de St. Jean de Luz; II - A entrevista da rua Mazarin; III - O Terraço do Casino de Bellevue; IV - A narrativa do Paladino; V – A Esphinge volta a falar; VI – A Segunda incursão Monarchica; Documentos para a Historia da Conspiração da Galliza. SEGUNDA PARTE. A Causa Monarchica encarada sob o ponto de vista interno: I -Os politicos; II – A Imprensa; III – A Sociedade Portugueza; IV – A Consolidação da Republica; V – A Colligação Monarchica; VI – Enigma que se esclarece. TERCEIRA PARTE. A Causa Monarchica encarada sob o ponto de vista externo: I – A Hespanha monarchica defende-se; II – A Inglaterra aliada contemporisa; III – A Allemanha cúpida impacienta-se; IV – A Ovelha e os Lobos; V – O Conflicto entre as idéas monarchica e republicana na peninsula; V- A Revolução ou a Guerra. 
Livro encadernado em meia de pele com cantos; conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação, apresenta no entanto, alguns defeitos na lombada e nas pastas; mancha de humidade na parte superior do livro transversal a toda a obra, com particular incidência nas primeiras páginas, sem contudo afectar o texto.
Invulgar, com muito interesse histórico. 
Indisponível