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17 fevereiro, 2025

BASTOS, José Joaquim Rodrigues de -
OS DOIS ARTISTAS OU ALBANO E VIRGINIA.
Pelo Conselheiro... Segunda edição. Porto: Na Typographia de Sebastião José Pereira, 1853. In-8.º (201x13 cm) de 242, [2] p. ; E.
Romance moralista ao gosto da época, exemplo típico da escola romântica.
"Em todas as idades o homem precisa de ser verdadeiro; mas esta precisão é ainda maior, se é possivel, quando elle está proximo a comparecer no Tribunal Divino. Assim, eu devo esperar que se me dê credito, ao protestar  que nada do que digo é allusivo a pessoa alguma.
Puz-me a caminho, e não vi nem me importaram pessoas; e para que me haviam ellas de importar? O escriptor moral deve esquecêl-as ao pegar da penna, para melhor avaliar as cousas: deve fechar os olhos a tudo, menos á razão, á justiça e á verdade.
O amor póde cegal-o, o odio extravial-o. As paixões são escolhos, de que o prudente navegador se afasta, para não correr o risco de naufragar."
(Excerto do Prefacio)
"O esculptor tinha um filho, Albano, que já em tenra idade dava grandes esperanças; e, querendo formar-lhe o coração antes do espirito, levava-o todos os dias aos templos, e lhe dava algum dinheiro com que elle podesse fazer suas esmolas, não se enfadando de lhe repetir, que nem ha verdadeira devoção sem caridade, sem verdadeira caridade sem devoção. [...]
Lembrando-se de que os antigos imprimiam na sua mocidade as regras de viver e a sciencia dos costumes, por meio de breves e vivas sentenças, que se retinham sem fadiga, e se repetiam com prazer, entregou-lhe uma judiciosa collecção de maximas, determinando-lhe que decorasse todos os dias uma porção d'ellas, de que lhe tomaria conta, e ficou admirado, quando, passadas vinte e quatro horas, vio que as tinha decorado todas."
(Excerto do Cap. II)
José Joaquim Rodrigues de Bastos (Conselheiro) (17477-1862). "Nasceu a 8 de Novembro de 1777 em Moutedo, Valongo do Vouga, e veio a falecer no Porto a 4 de Outubro de 1862. Matriculou-se em Direito na Universidade de Coimbra e formou-se em 1804, passando a exercer a advocacia no Porto. A partir de 1812 envereda pela magistratura ao ser nomeado Juiz de Fora em Eixo e vilas de Paus, Óis da Ribeira e Vilarinho do Bairro. Em 21 de Novembro de 1823 é nomeado Corregedor e Provedor da Comarca do Porto e, no ano seguinte, a 9 de Abril de 1824, é ordenado Cavaleiro da Ordem de Cristo. De 22 de Junho de 1825 a 16 de Agosto de 1826, exerce as funções de Desembargador da Relação e Casa do Porto, posto o que foi Intendente Geral da Policia da Corte e do Reino, em 1827, e tomou o título de Conselheiro. A 25 de Outubro de 1826 a Infanta regente, D. Isabel Maria, nomeia-o Fidalgo da Casa Real. Politicamente, milita nas fileiras do Partido Liberal Conservador, sendo eleito deputado pela Província do Minho em Dezembro de 1820, e tendo participado nas primeiras Assembleias Gerais Legislativas portuguesas. Em 1833 abandonou em definitivo a vida política e passou a dedicar-se, exclusivamente, à literatura e a estudos religiosos. Obras publicadas: “Colecção de Pensamentos, Máximas e Provérbios” (1847); “Meditações ou Discursos Religiosos” (1842); “A Virgem da Polónia” (1849); ”Os dois artistas ou Albano e Virginia” (1853); ”O Médico do deserto” (1857); “Biografia da Sereníssima Senhora Infanta D. Isabel Maria”.
(Fonte: https://agueda.bibliopolis.info/Catalogo/Autores-Locais/ModuleID/1497/ItemID/1068/mctl/EventDetails)
Encadernação meia de tecido com cantos em pele e rótulo com dourados na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Carimbo e rubrica de posse na f. rosto.
Raro.
Indisponível

03 março, 2021

BASTOS, José Joaquim Rodrigues de - O MEDICO DO DESERTO.
Pelo Conselheiro...
Porto: Na Typographia de Sebastião José Pereira, 1857. In-8.º (21 cm) de [6], 231, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante romance introspectivo, redigido na primeira pessoa, que narra a vida de um médico egípcio que, após formar-se em Paris, retorna a casa com a reputação abalada pelo boato de tentativa de envenenamento de sua mulher. Após a morte desta, que o acompanhou no regresso, o desgosto e o remorso impelem-no ao deserto, onde vagueia, até ser recolhido meio-morto por uma tribo de beduínos, iniciando aí a sua "segunda vida".
A BNP não possui no seu acervo esta edição (a original); apenas a 2.ª edição - publicada no mesmo ano que a primeira (1857) -, e a 3.ª edição (1864). História invulgar, bem construída e e muito curiosa.
"A historia deve ser verdadeira, ainda que seja inverosimil; o romance deve ser verosimil, ainda que não verdadeiro. Ambas estas coisas são difficeis, principalmente para um octogenario como eu, que não tem a força de olhos necessaria para vêr e explorar, nem a riqueza de imaginação precisa para inventar e descrever.
Qual é mais util? O historiador talvez dirá que a historia, o romancista que o romance; e eu sem me abalançar a decidir, direi apenas que exprimio um grande pensamento o philosopho que disse, que a historia é o romance do espirito humano, e que o romance é a historia do coração."
(Excerto do Prefacio)
"Meu pae era Francez. O encarregada da sua educação quiz que ella nem fosse meramente liberal, nem meramente mecanica, para que, se uma não fizesse a sua felicidade, podesse a outra fazêl-a.
Nós nascemos para trabalhar, dizia elle, como as aves para voar: mas quantos ha que querem trabalhar, e não acham em que? Quantos Advogados não teem clientes? Quantos Medicos não teem enfermos? Quantos, habilitados para os cargos publicos, são subplantados pela ignorancia e pela intriga? Um officio é, em taes circumstancias, um grande recurso. [...] Meu pae, assim educado, nem se deu á profissão das letras, nem á das artes; e, levado do enthusiasmo do tempo, se alistou voluntariamente na das armas, fez a guerra de Italia, e acompanhou Buonaparte em sua expedição ao Egypto.
Ahi foi ferido em diversos combates; e, arrependido de haver entrado n'uma carreira, que já lhe não parecia ser aquella para que se alistára. [...]
Feita a capitulação, e concluido o embarque do exercito, sentio-se repassado de uma grande saudade, vendo-se separado, e talvez para sempre, de seus antigos companheiros de gloria, nos trabalhos e nos perigos.
Dado este passo, era necessario dar outro, o de prover á sua subsistencia: o que se lhe não figurava difficil, nem o era com effeito.
Havia em Alexandria um estatuario insigne, cujos officiaes preparavam as obras, até o estado de receberem os ultimos traços, que elle para si reservava; e com os quaes parecia dar-lhes vida, e fazêl-as respirar. [...]
O estatuario tinha uma filha de uma belleza rara. Meu ape, tendo-a visto uma vez, atravez do veo que a cobria, concebeu logo por ella uma d'essas paixões, que captivam, que fazem enlouquecer, e que se não sabem explicar.
Sem esperança de a conseguir, e apenas de a tornar a vêr, foi offerecer-se ao estatuario, para trabalhar na sua officina."
(Excerto do Cap. I)
José Joaquim Rodrigues de Bastos (1777-1862). "Nasceu a 8 de Novembro de 1777 em Moutedo, Valongo do Vouga, e veio a falecer no Porto a 4 de Outubro de 1862.
Matriculou-se em Direito na Universidade de Coimbra e formou-se em 1804, passando a exercer a advocacia no Porto. A partir de 1812 envereda pela magistratura ao ser nomeado Juiz de Fora em Eixo e vilas de Paus, Óis da Ribeira e Vilarinho do Bairro. Em 21 de Novembro de 1823 é nomeado Corregedor e Provedor da Comarca do Porto e, no ano seguinte, a 9 de Abril de 1824, é ordenado Cavaleiro da Ordem de Cristo. De 22 de Junho de 1825 a 16 de Agosto de 1826, exerce as funções de Desembargador da Relação e Casa do Porto, posto o que foi Intendente Geral da Policia da Corte e do Reino, em 1827, e tomou o título de Conselheiro. A 25 de Outubro de 1826 a Infanta regente, D. Isabel Maria, nomeia-o Fidalgo da Casa Real.
Politicamente, milita nas fileiras do Partido Liberal Conservador, sendo eleito deputado pela Província do Minho em Dezembro de 1820, e tendo participado nas primeiras Assembleias Gerais Legislativas portuguesas. Em 1833 abandonou em definitivo a vida política e passou a dedicar-se, exclusivamente, à literatura e a estudos religiosos.
Obras publicadas: “Colecção de Pensamentos, Máximas e Provérbios” (1847); “Meditações ou Discursos Religiosos” (1842);  “A Virgem da Polónia” (1849); ”Os dois artistas ou Albano e Virginia” (1853); ”O Médico do deserto” (1857); “Biografia da Sereníssima Senhora Infanta D. Isabel Maria”."
(Fonte: http://agueda.bibliopolis.info/Catalogo/Autores-Locais/ModuleID/1497/ItemID/1068/mctl/EventDetails)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Sólido. Pastas cansadas, com acentuado desgaste nas margens e nos cantos. Sinais de humidade.
Raro.
35€

23 agosto, 2014

[BASTOS, José Joaquim Rodrigues de] - COLLECÇÃO DE PENSAMENTOS E MAXIMAS. Lisboa, Na Imprensa Nacional, 1845. In-4º (24cm) de VIII, 335, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Raríssima edição original da Colecção de Pensamentos e Máximas, à época, a obra mais notável no seu género. Foi muito divulgada em Portugal e no Brasil, contando-se inúmeras edições ao longo do século XIX. Esta 1.ª edição tem a particularidade de ter sido publicada sem o nome do autor. A partir da segunda edição (1847), o título foi aumentado, alcançando o nome definitivo - Colecção de Pensamentos, Máximas e Provérbios.
"As maximas são como os numeros, que comprehendem grandes valores em poucos algarismos. Uma collecção dellas, ou de pensamentos que se lhes assemelhem, se corresponde ao fim moral e civilisador, a que devem dirigir-se collecções de tal natureza, é um deposito da sabedoria dos seculos; uma preciosissima mina, que cada um póde explorar, e que a todos póde enriquecer.
Aquelles, que não têem tempo para extensas leituras, acham ahi a unica leitura que lhes convem: e os que gostam de ler pouco, e reflectir muito, acham ahi os summarios dos mais apropriados capitulos que se podem, para os encher, propôr á sua reflexão.
A mocidade principalmente encontra um alimento sadio e solido que vai converter-se n'um excellente chylo; e o chylo n'um purissimo sangue, de que hade resultar a saude e o vigor de toda a sua vida. [...]
A maneira de ensinar por meio de sentenças curtas, destacadas, cheias de senso e de razão, é a mais antiga e a mais util, que se conhece. Era assim que os homens dos primeiros secilos se doutrinavam uns aos outros; e transmittiam á posteridade as regras de viver, e a sciencia dos costumes."
(excerto do prefácio)
José Joaquim Rodrigues de Bastos (1777-1862). Advogado e magistrado. Nasceu no lugar do Moutedo, Valongo do Vouga, Águeda, no dia 8 de Novembro de 1777 e faleceu a 4 de Outubro de 1862 na sua casa no Porto. Formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Foi uma notável figura política e literária. Adere à Revolta da Martinhada (11 de Novembro de 1820). Deputado em 1821-1822, sendo secretário das Cortes. Membro da junta incumbida de reformar a Constituição de 1822. Em 1827 foi nomeado Intendente Geral de Polícia pela Infanta D. Isabel Maria, aderindo assim à nova política. Teve funções de Juiz do Tombo da comarca de Barcelos. Serviu D. Miguel I em vários cargos, sendo afastado pela nova ordem governativa em 1833.
Encadernação recente inteira de skyvertex a imitar carneira, com ferros a ouro gravados na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação. Capa manchada, alvo de restauro nos cantos.
Raro.
50€