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06 outubro, 2026

SALGADO, Heliodoro - O CULTO DA IMMACULADA.
Estudos criticos e historicos sobre a mariolatria. Porto, Livraria Chardron de Lello & Irmão, editora, 1905. In-8.º (20x13 cm) de LXIV, 380, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história do culto mariano sob o ponto de vista "republicano", o do autor, de oposição à autoridade religiosa.
A obra organiza-se em nove capítulos principais e apêndices que abordam temas como as origens da figura da Virgem antes do Cristianismo, a análise à face dos livros sagrados, a evolução histórica do culto, a dogmática da Imaculada Conceição e da virgindade, festas, milagres e o fenómeno de Lourdes, culminando nas manifestações reacionárias de 1904, além de apêndices dedicados a Pio IX e ao Syllabus. (IA)
"Na obra dum propagandista - e a esse modesto papel tem de se limitar quem, como o que isto escreve, não dispondo de uma profunda erudição, apenas póde cooperar  no progredir mental dos  seus concidadãos, estudando os fructos do labor alheio, resumindo-os e vularisando-os - na obra dum propagandista, dizia eu, não é de todo indifferente  attender-se a quaes foram os motivos, quaes as circumstancias que lhe determinaram a actividade cerebtral, no sentido do apostolado a que se dedicou.
Um pouco talvez fóra da razão, eu sou tido na conta de padrophobo. Isso resulta de, no nosso pequeno meio intellectual, após as violentas campanhas contra o clericalismo promovidas pelo grupo saudoso do antigo Diario da Tarde, não ter havido quem tão systematica e persistentemente tenha estada na brecha, a guerrear a Fé em nome da Razão, a Egreja em nome da Liberdade, o Christianismo em nome da Justiça.
Mas, afinal, como pude eu fazer-me livre-pensador? Como foi que, filho de paes catholicos, creado na fé catholica, educado num collegio, não dos que poderemos classificar clericaes, mas, emfim, religioso pelo menos, como foi que a duvida primeiro, a descrença em seguida, mesmo até certo ponto a impiedade leviana, puderam abalar-me o espirito, penetrar-me no coração, e accender-me na mente todos os impetos de revolta?
Como foi que isto occorreu?...
(Excerto de Conversa preambular - I)
"A Humanidade teve sempre, mais ou menos, p gosto pela metaphysica. Onde a sua falta de saber positivo obstou a que ella chegasse ao conhecimento da verdade, idealizou, fantasiou, e como a fantasia, qualquer que seja a sua potencia creadora, não póde deixar de trabalhar com elementos preexistentes, começando indirectamente por si a demonstração de que «do nada, nada se cria», succede muitas vezes que a Humanidade tem attribuido ao que se passa fóra de si o que em si lhe mostrou a observação realisar-se, e assim faz do Universo qualquer coisa de animado em que se reproduz, engrandecido ainda, todo o drama da nossa vida.
«Porque vivemos nós?...»
(Excerto de I - A Virgem antes do Cristianismo - 1.º)
Indice:
Conversa preambular | I - A Virgem antes do Cristianismo. II - Crença actual relativa á Virgem. III - A Virgem á face dos livros santos. IV - Evolução da superstição marinista até Pio IX. V - A Immaculada Conceição e a Virgindade de Maria. VI - As festas da Virgem. VII - Milagres da Virgem. VIII - Lourdes, - Culto das grutas e das fontes. IX - As manifestações reaccionarias de 1904. | Appendice: I - Pio IX;II - O «Syllabus».
Heliodoro Salgado (Santiago de Bougado, Trofa), 1861 - Lisboa, 1906). "Foi um intelectual, jornalista e publicista republicano e livre-pensador, que se notabilizou como militante anticlerical e propagandista dos ideais republicanos. Foi descrito como "protótipo do proletário intelectual" e considerado "um dos progenitores do anarquismo intervencionista". Foi iniciado na Maçonaria em 1890."
(Fonte: Wikipédia)
Belíssima encadernação meia de pele com rótulo e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Ostenta ex-libris de Luís Alberto Pinto.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
40€
Reservado

20 maio, 2023

ALONSO, Joaquim Maria - FÁTIMA : História e Mensagem.
II Edição (corrigida pelo autor). Tradução e edição do «Cavaleiro da Imaculada»
. Porto, «Cavaleiro da Imaculada», 1975. In-8.º (16,5 cm) de 74, [6] p. ; il. ; B.
Curiosa monografia sobre as Aparições de Fátima.
Livro ilustrado com fotografias ao longo do texto, sendo algumas delas em página inteira.
"A História de Fátima pode dividir-se em três capítulos, tão unidos como distintos entre si: as aparições do Anjo, do único Anjo, como preparação das aparições da Virgem; estas mesmas aparições desde Maio a Outubro de 1917; e algumas aparições complementares, em que a Virgem Maria vem cumprir solicitamente o que prometera no dia 13 de Julho de 1917.
Tudo isto forma uma unidade perfeita, em que não é possível separar umas coisas de outras: nos nos acontecimentos, nem na Mensagem."
(Preâmbulo - Breve História de Fátima)
Índice:
A ti, leitor irmão. | I Parte - Breve História de Fátima: I - As aparições do Anjo. II - As aparições da Virgem. | As aparições da Virgem de Fátima em Pontevedra e Tuy. II Parte - O conteúdo da Mensagem: I - Os elementos da Mensagem. II - A Alma da Mensagem. III Parte - A prática da Mensagem: I - As Orações de Fátima. II - A reparação em Fátima. III - A consagração ao Coração de Maria. | A consagração de Portugal ao Imaculado Coração de Maria. | Conclusão - Fátima é um carisma da Igreja.
Padre Joaquin Maria Alonso (1913-1981). "Claretiano espanhol de indiscutível erudição e apóstolo da devoção ao Imaculado Coração de Maria. Em 1966, o Bispo de Leiria, Mons. Venâncio, havia-lhe confiado oficialmente a tarefa de estabelecer uma história crítica completa das aparições e da mensagem de Fátima. Em 1974, ao fim de oito anos de trabalho, estavam prontos para publicação os primeiros volumes da sua monumental obra, Fátima : Textos e Estudos Críticos; apesar de iminente, repentinamente a sua edição foi adiada pelo novo Bispo de Leiria-Fátima, Mons. Alberto Cosme do Amaral."
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse para a bibliografia mariana.
15€

31 março, 2020

DEMOUTIEZ, O. M. I, P. & CUNHA, Maria Teresa Pereira da - AVE MARIA! NOSSA SENHORA DA FÁTIMA PEREGRINA DO MUNDO. II [Segunda Jornada]. Madeira - Açores - África Portuguesa. Pelo... e... [S.l.], [s.n. - Composto e impresso nas Oficinas da Gráfica - Leiria], [1950]. In-4.º (25 cm) de [2], 104, [4] p. ; [40] p. il. ; B.
1.ª edição.
Périplo da imagem de Nossa Senhora pelas ilhas atlânticas e pelas colónias africanas. Relato da viagem, muito ilustrado ao longo de 40 páginas intercaladas no texto, assinalando os momentos mais emblemáticos da peregrinação.
"O «Lima», embandeirado em arco, largou do Tejo, numa tarde clara e brilhante do mês de Abril de 1948. A primavera em flor sorria à Rainha que iniciava a sua viagem a terras de Além-Mar. O rio era um vasto espelho e o barco deslizava brandamente. No convés, rodeada de flores que corações devotos Lhe quiseram oferecer, a Senhora Peregrina parecia debruçar-se ternamente e sorrir a tantos, que no cais Lhe acenavam com lenços brancos, em saudosa despedida...
Nas margens do Tejo, os homens do trabalho interrompiam por instantes as suas ocupações e ficavam-se a olhar a Senhora branca e luminosa, que se ia de longada até Portugal de Além-Mar.
Torre de Belém... Oeiras... São Julião da Barra... Cascais...
A Imagem Peregrina recolhe ao jardim de inverno, transformado gentilmente em capela pela Direcção da Companhia Insulana.
O «Lima» balança um pouco. Estamos na barra.
E agora é o mar... O Oceano Atlântico tão conhecido dos nossos navegadores!..."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Madeira. | Cabo Verde. | Açores: Terceira; Graciosa; S. Miguel; S. Jorge; Pico; Faial; Corvo; Flores; Santa Maria. | S. Tomé. | Angola: Luanda; Nova Lisboa; Silva Porto. | Moçambique: Lourenço Marques; Beira; Nampula.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Assinatura de posse na 1.ª folha.
Invulgar.
Com interesse mariano.
25€

08 maio, 2017

REIS, Sebastião Martins dos - CANCIONEIRO DE FÁTIMA. [Lisboa], Editorial Centro de Estudos D. Manuel Mendes da Conceição dos Santos, [1957]. In-8.º (22cm) de 345, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Importante recolha de composições poéticas referentes a Fátima. No extenso prefácio, para além da apresentação da obra própriamente dita - a sua organização e o critério de selecção escolhido, - o autor tece algumas considerações sobre aspectos de índole política - nacional e internacional - relacionados com o fenómeno de Fátima.
"Atentando no papel transcendente que Fátima tem desempenhado e promete desempenhar na vida religiosa do mundo, será temerário afirmar que este século, no domínio espiritual mariano, é e será o século de Fátima?!...
Assim se compreende que, volvidos  apenas uns escassos quarenta anos sobre as Aparições, já seja possível, - caso único dentro de acontecimentos deste género, ... - apresentar um «Cancioneiro de Fátima», - resultado e prova da espantosa e vastíssima projecção mariana que, em 1917, começou a tomar corpo na Cova da Iria: a nascente que então surgiu na Serra de Aire, fez-se o mar fecudante de uma nova esperança, que ilumina a incerteza e a ansiedade do mundo em derrocada. [...]
Na organização deste «Cancioneiro de Fátima» procurou-se evitar o máximo de deficiências ocorrentes em publicações desta natureza: Procurou-se ser suficientemente completo e seguro nas fontes de informação, na identificação dos Autores, na procedência das suas composições, e na datação das obras. [...]
Se é certo que a quantidade importa, o que essencialmente importa é a qualidade. Ora, parece que o »Cancioneiro» nada omite de autênticamente representativo. Deve-se mesmo dizer que peca por uma abundância talvez excessiva. Temos assim, simultâneamente, antologia e documentário. [...]
O «Cancioneiro» representa o plebiscito da inspiração poética em louvor de Fátima, e seria injusto ou petulante recusar-lhe aquela sugestão de força e beleza, que não desdoira a Arte e cativa o espírito. Apesar de tudo o que se pode e possa dizer, é lícito afirmar que Fátima tem e fica a ter a sua História em verso."
(excerto do prefácio)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta um pequeno corte à cabeça.
Raro.
Indisponível

02 abril, 2017

N.ª S.ª DAS ALFÂNDEGAS. Primeira confraternização no Porto da Família Aduaneira nos dias 24 e 25 de Abril do ano 1971. [S.l.], [s.n.], 1971. In-4.º (23cm) de [48] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Bonita monografia - totalmente impressa sobre papel couché - profusamente ilustrada com fotografias e desenhos no texto.
"Perde-se na noite dos tempos o culto prestado à Virgem Maria com o título da Atalaia, na sua ermida do termo de Aldeia Galega do Ribatejo, actual vila do Montijo. A imagem que na mesma se encontra foi sempre considerada como milagrosa e prodigiosa em sua remota origem, desconhecendo-se, no entanto, a data do seu aparecimento. Entre os diferentes milagres que lhe são atribuídos, alguns dos quais refere Frei Agostinho de Santa Maria no seu Santuário Mariano, avulta o que se liga com a extinção da grande epidemia da peste no reinado de D. Manuel e que está intimamente ligado à história das Alfândegas."
(excerto do texto)
Exemplar brochado, com capa policromada, em bom estado de conservação.
NOSSA SENHORA DA ATALAIA : Padroeira das Alfândegas. Imagem que se venera na cidade do Porto : Dezembro : 1989. [S.l.], [s.n.], 1989. In-8.º (15x21cm) de [4] p. (inc. capas) ; B.
1.ª edição.
Bonito folheto desdobrável com o resumo histórico do culto a Nossa Senhora da Atalaia.
"Remonta a tempos imemoriais o culto a Nossa Senhora da Atalaia na sua ermida de Aldeia Galega do Ribatejo, actual Montijo.
De entre os diferentes milagres que lhe são atribuídos destaca-se aquele que tem inserção documental histórica mais recuada nos tempos e que foi motivo da sua elevação a Padroeira das Alfândegas.
Grassava em Lisboa, no ano de 1507 em pleno reinado de D. Manuel I uma temível peste epidémica mortífera agravada com a penúria de alimentos.
Numa peregrinação penitencial a Aldeia Galega do Ribatejo congregaram-se os quadros das Alfândegas de Lisboa e muito povo implorando a extinção da calamidade."
(excerto do texto)
Exemplar em brochura bem conservado.
Raro conjunto.
Ambos, sem registo na BNP.
25€

17 março, 2017

OLIVEIRA, P. Miguel de & NEVES, P. Moreira das - A PADROEIRA DE PORTUGAL : notas e documentos. Lisboa, Edições Letras e Artes, 1940. In-8.º (18,5 cm) de 54, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Monografia sobre Nossa Senhora de Fátima (ou N. Sra da Conceição), Padroeira de Portugal, publicada na sequência das comemorações do duplo centenário da Fundação e da Restauração de Portugal, celebrado em 1940.
Ilustrada com bonitas vinhetas.
"É vastíssima a bibliografia mariana portuguesa. Mas sente-se a falta dum volume cómodo e breve, em que o leitor não tenha de prevenir-se contra o elemento lendário, aliás tão curioso, nem se exponha a fatigar-se com intrincadas análises eruditas.
A Padroeira de Portugal apresenta-se com a simplicidade que, no pensamento dos autores, foi propósito.
Verdades que andavam misturadas com devotas ilusões, notas esparsas, documentos abandonados ou mal conhecidos, de tudo aqui ficará um pouco, mais em louvor da Virgem da Conceição do que em jeito de lição de história religiosa e nacional."
(Excerto da introdução)
"O dogma da Imaculada Conceição foi-se precisando na doutrina da Igreja por um esfôrço secular de tradição cristã. Nos primeiros séculos, os escritores eclesiásticos dão claro testemunho da elevada santidade da Virgem Maria e afirmam cada vez mais solenemente a sua absoluta pureza, mas não fazem referência expressa àquele mistério.
Só na Idade Média, com o aparecimento da festa da Conceição de N. Senhora, surgiram controvérsias teológicas sôbre as quais a Igreja evitava pronunciar-se, mas que contribuíram notàvelmentte para o esclarecimento da doutrina."
(excerto de História do dogma)
Índice:
- História do dogma. - Origens da festa. - Primícias do culto em Portugal. - A eleição da Padroeira. - Breve de Clemente X, confirmando a eleição. - Novos testemunhos da devoção portuguesa. - Lápides votivas. - Em louvor da Padroeira.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Dedicatória (não dos autores) na f. anterrosto.
Raro.
Indisponível