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16 abril, 2024

HERCULANO, Alexandre - EURICO. Por... Precedido de uma apreciação litteraria por J. M. Velho da Silva. Rio de Janeiro, Imprensa Industrial, 1877. In-8.º (15,5x10,5 cm) de XV, [1], 287, [1] p. ; E.
1.ª edição brasileira.
Estamos em presença, cremos, da primeira edição brasileira de Eurico o Presbítero, lançada poucos meses após a morte do historiador. A "apreciação literária" de Velho da Silva data de 9 de Novembro de 1877, tendo Herculano falecido a 13 de Setembro do mesmo ano. Existe uma edição deste romance impressa no Brasil com o título completo - Eurico, o Presbytero - algo que não acontece na presente ("Eurico" apenas) - com data de 1907, e a seguinte inscrição na f. rosto: "1.ª edição brasileira (cuidadosamente revista)". Raro. Não existe menção ou referência bibliográfica a este livro, quer em Portugal quer no Brasil.
"Os applausos e as censuras os escriptores vivos, pódem vir de origem duvidosa. Os assombros por sublimidades apparentes, as lisonjas que a mediocridade sóe empregar para engrandecer-se á sombra da grandeza de um nome, ou as invejas maldizentes pelas primazias que se admiram e o desejo parvo dos que desejam levantar-se sobre ruinas magestosas, pódem erigir altares ás divindades rusticas dos gaulezes e apedrejar como os iconoclastas ao Jupiter de Phidias ou á Venus de Praxiteles.
A personalidade litteraria de Alexandre Herculano é hoje historica porque a posteridade apoderando-se de seu nome já o estampou no livro dos seculos."
(Excerto da Apreciação litteraria)
"No reconcavo da bahia que se encurva ao oeste do Calpe, Carteia, a filha dos phenicios, mira ao longe as correntes rapidas do estreito de devide a Europa da Africa. [...] Debaixo do governo de Witiza e de Ruderico a antiga Carteia é uma povoação decrepita e mesquinha, a roda da qual estão espalhados os fragmentos da passada opulencia, e que, talvez, na sua miseria, apenas nas recordações, que lhe suggerem esses farrapos de louçainhas juvenis, acha algum refregerio ás amarguras de malfadada velhice.
Não! - Resta-lhe ainda outro: a religião de Christo.
P presbyterio, sityuado no meio da povoação, era um edificio humilde, como todos que ainda subsistem alevantados pelos godos sobre o sólo de Hespanha. [...]
O presbytero Eurico era o pastor da pobre parochia de Carteia. Descendente de uma antiga familia barbara, gardingo na côrte de Witiza, tiuphado ou millenario do exercito wisigothico, vivêra os ligeiros dias da mocidade nos deleites de opulente Toletum. Rico, poderoso, gentil, o amor viera, apesar disso, partir a cadêa brilhante da sua felicidade. Namorado d'Hermengarda, filha de Favila duque de Cantabria, e irman do valoroso e depois tão celebre Pelagio, o seu amor fôra bem infeliz. O orgulhoso Favila não consentira que o menos nobre gardingo pusesse tão alto a mira dos seus desejos. Depois de mil provas de um affecto immenso, de uma paixão ardente, o moço guerreiro vira submergir todas as suas esperanças."
(Excerto de II - O Presbytero)
Alexandre Herculano de Carvalho Araújo (1810-1877). "Natural de Lisboa é, a par de Almeida Garrett, figura fundadora do Romantismo em Portugal. Historiador, ensaísta, ficcionista, jornalista, político, polemista e poeta na fase de juventude, estudou Humanidades, fez estudos práticos de Comércio, de Diplomática (Paleografia) e de línguas. Liberal, envolveu-se na revolta do Regimento de Cavalaria 4 (1831) contra o regime absolutista, o que o levou ao exílio em Inglaterra, depois em França. Em 1832 segue rumo aos Açores, para integrar o contingente de tropas leais a D. Pedro que vêm a desembarcar no Mindelo. Após a vitória foi nomeado bibliotecário na Biblioteca Pública do Porto (1833-36). Data desse período o texto relativo à situação da Literatura portuguesa em geral Qual o estado da nossa literatura? Qual o trilho que ela pode seguir? e Poesia - Imitação - Belo - Unidade publicados no «Repositório Literário» (1834-35). Já em Lisboa publica A Voz do Profeta (1836-37) com propósitos panfletários anti setembristas, funda e dirige «O Panorama», revista literária do primeiro romantismo português em cujas páginas dá à estampa O Bobo (1843 - em livro só em 1878) e O Pároco da Aldeia (1844) e dirige o «Diário do Governo». Nomeado bibliotecário-mor das bibliotecas da Ajuda e das Necessidades em 1839, desenvolveu intensa investigação documental que deu origem a História de Portugal (1846-53) e a História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal (1854-59). Foi deputado pelo Partido Cartista (1840-41) e, em 1856, integrou o grupo de fundadores do Partido Progressista Histórico. Entretanto havia-se batido contra a censura da imprensa (1850), escreveu e dirigiu jornais - «O País» (1851), «O Português» (1853). Entre 1860-1865 participou na redação do 1º Código Civil Português o que lhe valeu uma das grandes polémicas que manteve com o clero. Em 1867, casou-se e retirou-se para a sua quinta em Vale de Lobos (Santarém) dedicando-se à produção de azeite e trabalhando nos Portugaliae Monumenta Histórica."
(Fonte: https://acpc.bnportugal.gov.pt/colecoes_autores/n86_herculano_alexandre.html)
José Maria Velho da Silva (Rio de Janeiro, 1811-1901). "Foi um romancista, orador, poeta, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, mordomo da Casa Imperial, superintendente da Imperial Fazenda de Petrópolis e professor brasileiro. Segundo José Veríssimo, na sua História da literatura brasileira, pertenceu como poeta à primeira fase romântica brasileira, embora, como teórico fosse afeito ao estudo da retórica, vinculada à estética antecedente. É autor de um único romance, Gabriela (Rio, Imprensa Industrial, 1875), comparado às Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antonio de Almeida. A segunda edição é do ano seguinte. Sua extensa obra se divide ainda em livros didáticos, biografias, discursos e estudos variados. Foi nomeado conselheiro."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada, Sem capas de brochura. F. rosto alvo de restauro.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado, com pequenas falhas e defeitos.
Muito raro.
Com interesse histórico e bibliográfico.
Sem registo na BNP.
75€

26 julho, 2023

PONTES, Juvenália -
ALEXANDRE HERCULANO E O CLERO : o ponto de vista de Herculano.
Dissertação de Licenciatura em Ciências Filosóficas, apresentada no ano de 1965, à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Coimbra, [Associação Académica de Coimbra : Secção de Textos], 1965. In-4.º (26,5x19,5 cm) de [2], 226, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Importante ensaio académico sobre a polémica que opôs Alexandre Herculano ao Clero português. Subsídio com interesse histórico e biográfico para o conhecimento das ideias do grande mestre-historiador. Raro. A Biblioteca Nacional não menciona.
"Herculano, como historiador, pôs a verdade acima das considerações humanas. Norteado por este princípio, reduziu a Batalha de Ourique, às dimensões que lhe pareceram verdadeiras, classificando-a no Livro II da sua História de Portugal, como um "verdadeiro fossado".
Analisando a crise política e religiosa em que então se debatia o povo mussulmano da África e da Península, conclui que não era possível a existência de cinco reis mouros na batalha.
Outro argumento que o leva à mesma conclusão é o silêncio dos escritores árabes contemporâneos àcerca da batalha, e as breves referências ou ausência delas em crónicas cristãs coevas ou pouco posteriores; só crónicas mais tardias e historiadores modernos irão considerar a Batalha de Ourique "a pedra angular da Monarchia Portuguesa", visto que, vitorioso de um exército de 400.00 homens, comandados por cinco reis, graças à ajuda do próprio Deus que lhe aparecera, garantindo-lhe a vitória, D. Afonso Henriques vê-se aclamado rei pelos seus companheiros no campo de batalha.
Ao narrar os sucessos históricos dessa época, Herculano omitiu o milagre de Ourique, aludindo apenas numa nota a esse tradição considerando-a uma fábula. Essa omissão e a brevidade dessa alusão, para mostrar aliás que o milagre se baseava num documento falso e mal forjado, irão levantar contra ele as iras do fanatismo.
Inicia-se assim uma contenda que vai dividir a opinião do País em duas facções opostas. Pregadores clamam do alto dos púlpitos contra o ímpio que, fundado em razões de história, vinha deitar por terra a crença no milagre, havia tantos anos arreigada no espírito nacional, e surgem numerosos opúsculos, uns a favor, outros contra a opinião de Herculano."
(Excerto de Introdução - História Formal da Polémica "Eu e o Clero")
Índice:
Prefácio | Introdução - História Formal da Polémica "Eu e o Clero": I - Crítica ao Clero. II - Ideias político-religiosas. III - Concepção laica e individualista do Estado: a) Laicismo; b) Individualismo. IV - Herculano e Lammenais. | Apêndice - Resenha dos artigos de Alexandre Herculano publicados da Rev. Panorama | Fontes e Obras de Consulta: I - Fontes: a) Obras de Alexandre Herculano; b) Escritos publicados pelos opositores de A. H. na polémica "Eu eo Clero"; c) Obras dos defensores do ponto de vista de A. H.; D) Obras de Lammenais. II - Obras de consulta | Índice Ideográfico | Índice de Abreviaturas.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na BNP.
35€

04 agosto, 2022

HERCULANO, A. - DA PROPRIEDADE LITTERARIA E DA RECENTE CONVENÇÃO COM FRANÇA.
Carta ao senhor Visconde d'Almeida Garrett. Por... Lisboa, Imprensa Nacional, 1851. In-8.º (23 cm) de 34, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Importante opúsculo para a história do Direito de Autor em Portugal.
Carta aberta de Herculano que trouxe para a ribalta a "doutrina da propriedade literária, representativa da possibilidade dos autores serem os detentores exclusivos do direito de publicarem ou autorizarem a reprodução de suas obras. A partir do Decreto de 8 de julho de 1851, proposto por Almeida Garrett e considerado o marco jurídico inicial do direito de autor em Portugal, ganhou notoriedade a contraposição de ideias entre Garrett, defensor da propriedade literária como o meio mais adequado para tutelar os interesses do autor e da sociedade, e Herculano, que concebia impossível obras literárias consubstanciarem-se em objeto de propriedade."
(Fonte: https://www.redalyc.org/journal/6080/608065719004/html/)
Rara edição original do folheto que deu origem à polémica protagonizada por duas das mais ilustres figuras das letras nacionais - Alexandre Herculano e Almeida Garrett -, cuja posição antagónica sobre o assunto chegou a pôr em causa a sua relação de amizade.
"Senhor Visconde, - Ha dias que no Diario do Governo se publicaram varios documentos assignados por V. Ex.ª, entre os quaes um, cujo verdadeiro nome e indole ignoro pela minha pouca noticia dos ritos diplomaticos e formulas officiaes. Neste documento, no meio de graves ponderações dirigidas á Soberana por V. Ex.ª ácerca da convenção recentemente celebrada com a republica franceza, vem citado o meu nome em abono, se não daquella triste convenção, ao menos do decreto que creou e legitimou em Portugal a propriedade litteraria. A honra que V. Ex.ª me faz citando o meu nome, e citando-o conjunctamente com o do illustre Silvestre Pinheiro, exigiria da minha parte o mais vivo reconhecimento, se eu podera acceita-la. Infelizmente prohibe-m'o a consciencia. Enganaria os meus concidadãos; enganaria V. Ex.ª, se com o silencio désse a minha fraca sancção á doutrina da propriedade litteraria, a qual considero mais que disputavel, ou á convenção com França, que, além de consagrar opiniões que reputo profundamente inexeactas, é prejudicialissima por diversos modos aos interesses da nossa terra."
(Excerto do texto)
Exemplar em brochura, preso por atilho, sem capas, - tal qual foi posto em circulação. Encontra-se em bom estado, com excepção da f. rosto, onde, embora com pouco significado, é visível orifício de traça que atinge o título principal da obra - "Propriedade Litteraria".
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

23 abril, 2021

HERCULANO, A. - CARTA AOS ELEITORES DO CIRCULO ELEITORAL DE CINTRA.
Por... (Estrahida do Jornal do Commercio)
. Lisboa, Typographia do Jornal do Commercio, 1858. In-8.º (22,5 cm) de 12 p.
1.ª edição.
Interessantíssima peça herculiana. Trata-se da amável recusa de Alexandre Herculano ao convite que lhe foi endereçado para representar o concelho de Sintra no Parlamento. Esta espécie de carta aberta, primeiro publicada no Jornal do Comércio, e depois em separata pelo mesmo periódico, é uma verdadeira "aula" de civismo político, perspectiva visionária do municipalismo, cuja actualidade é evidente. Além disso, Herculano aproveita o seu conhecimento do país, para aflorar questões importantes que se prendem com o abandono administrativo, moral e social da província face ao centralismo de Lisboa.
"Senhores eleitores do circulo eleitoral de Cintra. - Acabaes de me dar uma demonstração de confiança escolhendo me para vosso procurado no parlamento: sinto que me não seja permittido acceital-a.
Se tal escolha não foi uma d'aquellas inspirações que vem ao mesmo tempo ao espirito do grande número, o que é altamente improvavel, porque o meu nome deve ser desconhecido para muitos de vós; se alguem, se pessoas preponderantes n'esse circulo pelo conceito que vos merecem, vos apresentaram a minha candidatura, andaram menos prudentemente fazendo o sem me consultarem e promovendo uma eleição inutil. [...]
Não haverá no meio de vós um proprietario, um lavrador, um advogado, um commerciante, qualquer individuo, que ligado convosco  por interesses e padecimentos communs, tenha pensado na solução das questóes sociaes, administrativas e economicas que vos importam; um homem de cuja probidade e bom juizo o trato de muitos annos vos tenha certificado? Ha sem duvida. Porque, pois,  não haveis de ecolhel-o para vosso mandatario?
Os que não vêem como eu n'esta idéa da representação exclusivamente local o primeiro élo de uma cadeia de transformações, que serão ao mesmo tempo administrativas e politicas, podem sem desdoiro não só acceitar, mas até solicitar os vossos votos."
(Excerto da Carta)
Exemplar destituído de capas - tal como foi impresso - por aparar, com largas margens. Bem conservado.
Raro.
Peça de colecção.
45€

03 junho, 2019

HERCULANO, Alexandre - O BEGUINO. Lisboa, Min. Peninsular -- João Alberto dos Santos, 1900. In-4.º (23cm) de 15, [1] p. ; E. Bibliotheca do Jornal Saloio
1.ª edição independente.
Raríssima peça herculaniana. Episódio histórico protagonizado pelo beguino - Fr. Roy -, espião de El-Rei D. Fernando, que vai avisar seu amo da conspiração urdida por Diogo Lopes Pacheco, com conhecimento do infante D. Dinis, irmão do monarca, para o assassinato de sua amante, Leonor Teles. O presente trecho, é retirado da novela histórica Arrhas por foro d'Hespanha (1371-2), originalmente publicada em livro no Tomo I de Lendas e Narrativas (1851). Segundo Herculano, na advertência desse volume, os breves romances e narrativas [aí] contidos foram impressos, em epochas mais ou menos remotas, nas duas publicações periodicas o Panorama e a Illustração", entre 1839 e 1844.
"Quem hoje passa pela cadeia da cidade de Lisboa, edificio immundo, miseravel, insalubre, que por si só bastaria a servir de castigo a grandes crimes, ainda se vê na extremidade d’elles umas ruinas, uns entulhos amontoados, que separa da rua uma parede de pouca altura, onde se abre uma janella gothica. Esta parede e esta janella são tudo o que resta dos antigos paços d'apar S. Martinho, igreja que também já desappareceu, sem deixar sequer por memoria um panno de muro, uma fresta, de outro tempo. O Limoeiro é um dos monumentos de Lisboa sobre que revoam mais tradições desde remotas eras.
Nenhuns paços dos nossos reis da primeira e segunda dynastia foram mais vezes habitados por elles. Conhecidos successivamente pelos nomes de paços d'elrei, paços dos infantes, paços da moeda, paços do limoeiro, a sua historia vae sumir-se nas trevas dos tempos. São da era mourisca? Fundaram-nos os primeiros reis portugueses? Ignoramo-lo. E que muito, se a origem de Sancta Maria Maior, da veneranda cathedral de Lisboa, é um mysterio! Se, transfigurada pelos terremotos, pelos incendios e pelos conegos, nem no seu archivo queimado, nem nas suas rugas caiadas e douradas póde achar a certidão do seu nascimento e dos anos da sua vida! Como as da igreja, as ruinas da monarchia dormem em silencio á roda de nós, e, envolto nos seus eternos farrapos, o povo vive eterno em cima ou ao lado d'ellas, e nem sequer indaga porque jazem ahi!
N'uma memoravel noite, essa janella dos paços d'el-rei era a unica aberta em todo o vasto edificio, mas calada e escura como todas as outras. Só, de quando em quando, quem para lá olhasse attento do meio do terreiro enxergaria o que quer que fosse, alvacento, que ora se chegava á janella, ora se retrahia.
Mas o silencio que reinava n'aquelles sitios não era interrompido pelo menor ruido. De repente, um vulto chegou debaixo da janella e bateu devagarinho as palmas: a figura alvacenta chegou á janella, debruçou-se, disse algumas palavras em voz baixa, retirou-se, tornou a voltar e pendurou uma escada de corda que segurou por dentro. O vulto que chegara subiu rapidamente, e ambos desappareceram atravéz dos corredores e aposentos do paço."
(Excerto do texto)
Encadernação em meia de pele com cantos. Sem capas de brochura (poderá ter sido editado assim mesmo).
Raro.
Indisponível

21 março, 2019

HERCULANO, A. - DA ESCHOLA POLYTECHNICA E DO COLLEGIO DOS NOBRES. Por... (Deputado pelo Porto). Lisboa: Na Typographia da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Uteis. 1841. In-fólio (31,5cm) de 19, [1] p.
1.ª edição.
Opúsculo publicado a propósito do Projecto de Lei apresentado por José Manuel Botelho, Deputado por Lamego, que contemplava a extinção da Escola Politécnica e o restabelecimento do Colégio dos Nobres, intenção que contrariava, e muito, a ideia que Alexandre Herculano tinha da utilidade de um e outro estabelecimento de ensino, e que o levou a refutar com fina ironia, ponto por ponto, os fundamentos do projecto, defendendo a manutenção da Escola Politécnica.
Trata-se de uma das mais antigas e interessantes obras do insígne historiador, com relevância para a história da instrução em Portugal, e que não mais viria a ser reeditada.
"Em tres pontos se divide a questão alevantada pelo projecto de lei do Senhor Deputado por Lamego ácerca do restabelecimento do Collegio dos Nobres, e destruição da Eschola Polytechnica: - questão sobre a origem da dotação em bens da fazenda, que passou daquelle para este instituto; - questão da importancia litteraria relativa entre ambos; - questão d'economia, quanto á despeza que faziam os estabelecimentos supprimidos pela creação da Eschola, comparada com a que esta faz actualmente á nação.
Principal e importantissima chama o Auctor da Analyse á primeira: aqui dá elle no vinte, com uma singelesa e verdade evangelicas: nisto se resume toda a grita e matinada erguida contra a Eschola Polytechnica. Reconheço que é duro ver resolver em fumo á roda de nós commodos, regalos, prós e precalços: d'ahi nascem em grande parte os pleitos civis. Quem gosava os proventos da propriedade mal possuida, não deixa de lamentar-se, estorcer-se, e raivar, quando chega o dia da justiça. Na mesma Camara onde appareceu o engraçadissimo projecto de foraes, em que se dizia que a extincção delles era um roubo, devia ser appresentado outro em que se dissesse que a extincção do Collegio dos Nobres era um sacrilegio. Com o restabelecimento das ordenanças, o cyclo dos poemas heroi-comicos dos donatarios da corôa ficava completo: berço de purpura e ouro para a infancia; bailes, esgrima e equitação para a juventude; bastão de alcaide ou capitão-mór para a idade grave, eis uma vida de invejar, e ao mesmo tempo de honra e gloria para a Patria. [...]
Mas, deixando estas reflexões tristes, que não produzem senão calumnias covardes e insultos insolentes para o triste que ousa faze-las na sinceridade do seu coração, venhamos ao primeiro ponto da questão, principal e importantissimo segundo o Auctor da Analyse."
(Excerto do Cap. I)
"A questão da Eschola Polytechnica e do Collegio dos Nobres resume e representa a questão immensa do systema d'instrucção nacional que hade ser, e da instrucção excepcional que foi e é; questão entre a educação e melhoramento dos agricultores, dos artifices, dos fabricantes, e a propagação dos causidiacos, dos casuistas, dos pedantes; questão entre o trabalho e o ocio; questão entre a granja e o côro da sé; entre a palheta do estampador e a metaphora do sermão; entre a machina do vapor, e o provará do rabula. Por isso, ella é uma grave e importante questão."
(Excerto do Cap. II)
Exemplar desencadernado, conforme saiu dos prelos, por aparar, em bom estado de conservação. Com dois pequenos orifícios na f. rosto. Vinco horizontal, sensivelmente a meio do livro, como se em tempos houvesse sido dobrado ao meio.
Raro.
Indisponível

05 julho, 2017

TAVARES, Antonio Lucio Maggessi - DEMONSTRAÇÃO HISTORICA E DOCUMENTADA DA APPARIÇÃO DE CHRISTO NOS CAMPOS DE OURIQUE. Contra a opinião do Snr. Alexandre Herculano. Por... Lisboa. Na Imprensa Lusitana: Rua do Passadiço N.º 31. 1846. In-8.º (19cm) de [2], IV, 40, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Curiosíssima peça oitocentista onde o autor procura demonstrar a veracidade histórica do "milagre de Ourique", constituindo este opúsculo uma das mais singulares e interessantes peças sobre a famosa polémica que opôs Herculano a algumas personalidades e sectores ultra-conservadores da sociedade portuguesa da época, sobretudo o clero, na sequência da publicação da sua História de Portugal.
"Foi noite de S. João a primeira, em que vi a historia de Portugal escripta pelo Snr. Alexandre Herculano, e logo fui direito ao facto do apparecimento de Jezus Christo a D. Affonso Henriques, ja marcado nélla, e em todos os lugares que lhe dizem respeito, por amigo meu, que adrede o tinha assim praticado, para me evitar o trabalho de folhear, e embeber-me em obra tão abundante em raciocinios, documentos, e citações... [...]
As minhas razões para demonstrar o que avanço consistirão, não só nos auctores que antes do seculo dezeseis escreverão, mas tambem em muitos outros, que já depois delles o fizerão: entendendo-se bem que o meu fim principal não he provar a authenticidade deste, ou daquelle pergaminho especialmente: mas sim, e unicamente sim, sustentar que a apparição de Christo a Affonso Henriques he julgada verdadeira, por assegurada em uma tradição constante, que não pode nem deve ser destruida só porque agora não apparece, ou não sabemos aonde existe o primeiro original, que contando-nos o facto o transmitio até nós."
(excerto da introdução)
António Lúcio Magessi Tavares (Estremoz, 1806 - Castelo de Vide, 1877). "Foi um oficial do Exército Português, defensor da causa miguelista durante a Guerra Civil Portuguesa, que se destacou como polemista e escritor. Foi filho do general miguelista António Tavares Maggessi. Nasceu em Estremoz, filho do oficial do Exército António Tavares Maggessi, então colocado na guarnição daquela vila. Cursou a Escola do Exército e iniciou uma carreira militar na arma de cavalaria que seguiu até atingir o posto de capitão. Feito fidalgo da casa real por alvará de 6 de julho de 1825, foi um dos apoiantes da legitimidade de D. Miguel I de Portugal, distinguindo-se, como o seu pai, como um dos oficiais que se opuseram à Carta Constitucional de 1826 e que participaram em diversas revoltas anti-cartistas naquele ano. Manteve-se fiel ao miguelismo durante a Guerra Civil Portuguesa, sendo um dos oficiais que apenas se renderam com a Convenção de Évora-Monte. Foi então expulso do Exército, iniciando uma carreira como polemista e escritor. Entre outras obras, é autor das seguintes monografias: Breves reflexões sobre algumas matérias contidas nos quatro primeiros volumes do Judeu Errante, Lisboa, 1845; Demonstração dos erros e contradições mais notáveis da obra de Eugenio Sue intitulada «O Judeu Errante», Lisboa, 1845; A voz do Profeta, respondida pela voz da Verdade, Lisboa, 1848; Demonstração histórica e documentada da aparição de Cristo nos campos de Ourique, contra a opinião do sr. A. Herculano, Lisboa, 1846; Carta em resposta a outra do sr. A. Herculano, que tem por titulo «Solemnia verba», Lisboa, 1850."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado (com capas de protecção lisas) em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

29 março, 2016

HERCULANO, A. - EURICO O PRESBYTERO. [O MONASTICON. Por... Tomo I.]. Lisboa, [s.n.], 1844. In-8.º (16cm) de [2], VIII, [2], 321, [23] p. ; E.
1.ª edição.
Eurico, o Presbytero é um romance histórico, durante muitos anos considerado o 1.º com estas características a ser publicado em Portugal. Trata-se de uma obra de referência da literatura portuguesa, e do período do romantismo em particular. Monasticon, foi o nome escolhido por Herculano para designar uma série de dois romances que abordam a problemática ético-religiosa do celibato, cuja acção decorre em épocas distintas, não tendo as narrativas ligação entre si. O primeiro, «Eurico, o Presbítero», no primeiro quartel do século VIII, aquando da invasão sarracena da Península que coincide com o final da monarquia goda. O segundo, «O Monge de Cister», no século XIV/XV, durante o reinado de D. João I, em pleno período de convulsões políticas.
                                            ................
"Para as almas, não sei se diga demasiadamente positivas, se demasiadamente grosseiras, o celibato do sacerdocio não passa de uma condição, de uma formula social applicada a acerta classe de individuos, cuja existencia ella modifica vantajosamente por um lado, e desfavoravelmente por outro. A philosophia do celibato para os espiritos vulgares acaba aqui. Aos olhos dos que presam considerar o homem em relação á sociedade, o celibato perpetuo do clero é condemnado por uns como contrario aos interesses das nações; como damnoso em moral e em politica, e defendido por outros como util e moral."
(excerto da introdução)
" A raça dos visigodos, conquistadora das Hespanhas, subjugára toda a Peninsula havia mais de um seculo. Nenhuma das tribus germanicas, que, dividindo entre si as provincias do imperio dos cesares, tinham tentado vestir sua barbara nudez com os trajos despedaçados mas esplendidos da civilisação romana, soubera como os godos ajunctar esses fragmentos de purpura e ouro, para se compôr a exemplo de povo civilisado."
(excerto do Cap. I, Os wisigodos)
"No reconcavo da bahia quw se encurva ao oeste do Calpe, Carteia, a filha dos phenicios, mira ao longe as correntes rapidas do estreito que divide a Europa da Africa. Opulenta outrora, os seus estaleiros tinham sido famosos antes da conquista romana; mas apenas restam vestigios d'elles: as suas muralhas haviam sido extensas e solidas; mas jazem desmoronadas: os seus edificios foram magnificientes; mas cairam em ruinas: a sua povoação era numerosa e activa;  mas rareou e tornou-se indolente. Passaram por lá as revoluções, as conquistas, todas as vicissitudes da Iberia durante doze seculos, e todas essas vicissitudes deixaram ahi uma pégada de decadencia. Os curtos annos d'esplendor da monarchia wisigotica tinham sido para ella como um dia formoso d'inverno, em que os raios de sol resvalam pela face da terra sem a aquecerem, para depois vir a noite, humida e fria como as que a precederam. Debaixo do governo e Witiza e de Ruderico a antiga Carteia é uma povoação decrepita e mesquinha., á roda da qual estão espalhados os fragmentos da passada opulencia, e que, talvez, na sua miseria, apenas nas recordações que lhe suggerem esses farrapos de louçainhas juvenis, acha algum refrigerio ás amarguras da malfadada velhice.
Não! - Resta-lhe ainda outro: - a religião do Christo.
O presbyterio situado no meio da povoação era um edificio humilde, como todos os que ainda subsistem alevantados pelo godos sobre o sólo da Hespanha. [...]
O presbytero Eurico era o pastor da pobre parochia de Carteia. Descendente de uma antiga familia barbara, gardingo na côrte de Witiza, tiuphado ou millenario do exercito wisigodo, vivêra os ligeiros dias da mocidade no meio dos deleites da opulenta e risonha Toletum."
(excerto do Cap. II, O Presbytero)
Bonita encadernação francesa em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada; carminado no corte superior das folhas. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Desgaste pelo manuseio junto à lombada.
Raro.
Peça de colecção.
Indisponível

25 janeiro, 2015

HERCULANO, A. - HISTORIA DA ORIGEM E ESTABELECIMENTO DA INQUISIÇÃO EM PORTUGAL. Por... Quarta Edição. Tomo I [II e III]. Lisboa, Viuva Bertrand & C.ª Successores Carvalho & C.ª, M DCCC LXXXV [1885]. 3 vols in-8.º (19cm) de XX, 306 p., 374 p. e 358 p. ; E. num único tomo
Obra de referência sobre a Inquisição portuguesa, e uma das mais importantes da bibliografia do insigne historiador.
"Se é delatado, ás vezes por testemunhas falsas, qualquer desses malaventurados, por cuja redenção Cristo morreu, os inquisidores arrastam-no a um calabouço, onde lhe não é licito ver ceu nem terra e, nem sequer, falar com os seus para que o socorram. Acusam-no testemunhas ocultas, e não lhe revelam nem o lugar nem o tempo em que praticou isso de que o acusam. O que pode é adivinhar e, se atina com o nome de alguma testemunha, tem a vantagem de não servir contra ele o depoimento dessa testemunha. Assim, mais útil seria ao desventurado ser feiticeiro do que cristão. Escolhem-lhe depois um advogado, que, freqüentemente, em vez de o defender, ajuda a levá-lo ao patibulo. Se confessa ser cristão verdadeiro e nega com constância os cargos que dele dão, condenam-no às chamas e os seus bens são confiscados. Se confessa tais ou tais atos, mas dizendo que os praticou sem má tenção, tratam-no do mesmo modo, sob pretexto de que nega as intenções. Se acerta a confessar ingenuamente aquilo de que é culpado, reduzem-no à última indigencia e encerram-no em cárcere perpétuo. Chamam a isto usar com o réu de misericórdia. O que chega a provar irrecusavelmente a sua inocencia é, em todo o caso, multado em certa soma, para que se não diga que o tiveram retido sem motivo. Já se não fala em que os presos são constrangidos com todo o genero de tormentos a confessar quaisquer delitos que se lhes atribuam. Morrem muitos nos carceres, e ainda os que saem soltos ficam desonrados, eles e os seus, com o ferrete de perpetua infâmia. Em suma, os abusos dos inquisidores sãos tais, que facilmente poderá entender quem quer que tenha a menor ideia da índole do cristianismo, que eles são ministros de Satanás e não de Cristo...”
(Excerto do texto)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação; páginas com picos de acidez ao longo da primeira parte do tomo I.
Invulgar e muito apreciada.
Indisponível

29 maio, 2012

CRUZ, Fr. Bernardo da - CHRONICA DE ELREI D. SEBASTIÃO, por... ; publicada por A. Herculano e o Dr. A. C. Payva. Lisboa, Na Impressão de Galhardo e Irmãos, 1837. In-8º (18cm) de XVI, 446, [42] p. ; E.
Contém no final do livro extensa lista dos "assignantes". 
1ª edição.
Primeira edição impressa deste importante documento coevo de memórias sobre os acontecimentos no reinado de D. Sebastião, sobretudo dos preparativos da campanha de África e da Batalha de Alcácer Quibir. O autor terá embarcado na frota que transportou El-Rei D. Sebastião e o exército para a "aventura" africana, merecendo o seu relato a maior credibilidade a Alexandre Herculano, que além de publicar a obra - em conjunto com o Barão do Castelo de Paiva - assinou o texto introdutório.
Encadernação da época em meia de pele com ferros a ouro na lombada. Sem guardas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas com defeitos; assinatura possessória na f. rosto.
Raro.
75€

16 novembro, 2011

ROTEIRO DA VIAGEM DE VASCO DA GAMA EM MCCCCXCVII. Segunda Edição : Correcta e augmentada de algumas observações principalmente philologicas : por A. Herculano e o Barão do Castello de Paiva. Lisboa, Imprensa Nacional, MDCCCLXI. In-8º grd. (23cm) de XLIII, 180, [1] p. ; [2] f. il. ; [1] fac-sím. desdob. ; [1] mapa desdob. ; E.
Contém em extratexto os retratos de Vasco da Gama e D. Manuel I acompanhados das respectivas assinaturas - ho conde almirante - Rey, o fac-símile do manuscrito com a assinatura de Fernão Lopes de Castanheda e uma carta náutica - "Carta demonstrativa da viagem que em descobrimento da India fez Vasco da Gama em 1497".
Valiosa 2ª edição, mais aumentada que a 1ª, e com a inestimável colaboração de Alexandre Herculano.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do Barão do Castelo de Paiva.
"António da Costa Paiva 1.º Barão de Castelo de Paiva, Bacharel formado em Filosofia pela Universidade de Coimbra; Doutor em Medicina pela Faculdade de Paris; Lente jubilado da Academia Politécnica do Porto; Vogal do Conselho geral de Instrução Publica, Membro do Conselho Dramático; Sócio efectivo da Academia Real das Ciências de Lisboa; Associado estrangeiro da Sociedade Zoológica de Londres, da Sociedade de Historia natural de Cassel (Alemanha), da Sociedade das Ciências Naturais de Estrasburgo, das Sociedades Botânicas de França e de Edimburgo, da Academia Imperial de Medicina do Rio de Janeiro, das Academias de Medicina e Cirurgia de Tolosa, Marselha e Montpellier, etc. Natural da cidade do Porto; e nasceu em 12 de Outubro de 1806." (Inocêncio Francisco da Silva)
Edição fac-símile do manuscrito atribuído a Álvaro Velho* e copiado pela pena de Fernão Lopes de Castanheda.
*"Álvaro Velho (século XV-XVI) terá nascido no Barreiro em data incerta e participou como marinheiro ou soldado na expedição de Vasco da Gama à Índia. Segundo Valentim Fernandes, terá passado oito anos na Guiné (1499-1507). O diáro de bordo de Álvaro Velho, Roteiro da Índia, chegou até nós incompleto, desconhecendo-se o manuscrito original." A cópia  pertencia à colecção do mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, e hoje encontra-se na Biblioteca Pública Municipal do Porto, para onde foi trazido com os demais manuscritos daquela antiga e preciosa colecção.
Encadernação em meia de pele com ferros a ouro na lombada; conserva as guardas originais.
Exemplar em bom estado de conservação; lombada cansada, apresenta falha de pele no topo; miolo firme; páginas por aparar, aqui e ali com manchas de acidez.
Muito invulgar, de grande interesse histórico.
75€

20 outubro, 2011

ALEXANDRE HERCULANO : 1877-1977. Exposição Evocativa do Centenário da Morte de Alexandre Herculano : organizada pela Secretaria de Estado da Cultura. [Prefácio de David Mourão-Ferreira ; nota biográfica de Vitorino Nemásio]. [Lisboa], Secretaria de Estado da Cultura, 1977. In-8º grd. (24cm) de 46, [1] p. ; [38] f. il.. ; B.
Bom exemplar; capa vincada no canto superior direito.
10€

19 outubro, 2011

HERCULANO, A. - EURICO O PRESBYTERO. [O MONASTICON. Por... Tomo I.]. Lisboa, [s.n.], 1844. In-8.º (16cm) de [2], VIII, [2], 321, [22] p. ; E.
1.ª edição.
HERCULANO, A. - O MONGE DE CISTER OU A EPOCHA DE D. JOÃO I. [O MONASTICON. Tomo II e Tomo III]. Lisboa, Na Imprensa Nacional, 1848. 2 vols in-8.º (16cm) de XIV, [2], 311, [1] p. e 380, [2] p. ; E.  
1.ª edição.
Série completa.
O Monasticon, é uma série de dois romances que decorrem em épocas distintas. O primeiro, «Eurico o Presbítero», na Península Ibérica, no primeiro quartel do século VIII, aquando da invasão sarracena e o final do período de dominação godo; o segundo, «O Monge de Cister», retrata a intriga no reinado de D. João I, em período de grandes convulsões políticas.
Em qualquer destas obras, Herculano aborda a problemática ético-religiosa do celibato, tema recorrente no seu tempo, em meados do século XIX.
"Alexandre Herculano foi o iniciador do romance histórico em Portugal. Seguiu o modelo de Walter Scott, romancista que fez reviver em dezenas de obras as velhas tradições do seu país e todo o pitoresco da vida medieval inglesa: ressuscitou gentis donzelas apaixonadas por cavaleiros, reconstruiu castelos imponentes, encheu de armas e sangueiras florestas misteriosas. Herculano soube relacionar a história com a imaginação sem que uma destruísse a outra. Os seus romances retratam épocas de particular interesse para a escola romântica, como o domínio árabe, a fundação da nacionalidade e a consolidação da sua independência no tempo de D. João I; são fidelíssimos em conservar a cor histórica e local dos acontecimentos narrados: exactidão de vestuário, de armas, de costumes, de interiores e exteriores, de leis, de arquitectura, etc."
(Fonte: alfarrabio.di.uminho.pt).
Encadernações coevas com lombada em pele (no caso do tomo II e III - O Monge de Cister -, com cantos).
Exemplares em bom estado geral de conservação; o tomo II e III, apresentam desgaste significativo nas pastas e lombadas; assinaturas de posse na folha de guarda e 1.ª página de texto dos tomo II e III.
Raro.
Obra de referência.
Indisponível

04 agosto, 2011

HERCULANO, Alexandre - EURICO : Roman-Poèmed. Traduit du Portugais (avec texte en regard) par David A. Cohen ; Précédé d'une Introduction par S. Exc. J. da Silva MENDES LEAL, Ministre Plénipotentiaire de Portugal. AVEC PORTRAIT DE L'AUTEUR. Paris, Librairie Française et Anglaise de J.-H. Truchy, 1883. In-8º (17,5cm) de [4], XV, 414, [2] p. ; E.
Com um retrato de Alexandre Herculano em extratexto.
1ª edição francesa (em versão bilingue - francês/português), do romance histórico "Eurico, o Presbítero", da série "O Monasticon".
Valorizado com a introdução (em francês) de Mendes Leal.
"Tornar conhecido em França um dos fundadores da nossa Escola Romantica e facilitar aos portuguezes o estudo do francez, eis o que me levou a emprehender este pequeno trabalho, [...] e de certo a aprezentação que S. Exc. [Mendes Leal] faz do nosso « bravo. » stoico Herculano vae dar a saber em França, onde as nossas cousas são tão ignoradas e confundidas, que também tivemos um romancista tão poderoso como Walter Scott e um historiador tão iminente como Thierry." (de "Duas Palavras" do tradutor)
Exemplar razoável. Encadernação inteira de carneira com ferros a ouro na lombada e nas pastas, ainda sólida, denota, no entanto, sinais de uso: as pastas estão em bom estado; a lombada apresenta falta importante de um pedaço de pele (cerca de 3cm), da última nervura ao topo; páginas limpas, aqui e ali com picos de acidez e sinais de humidade, sobretudo no início e final do livro; dedicatória e assinatura de posse coevas no anterrosto. De registar o dourado no corte das folhas e a preservação da guarda anterior original.
Raro, de grande interesse bibliográfico.
Peça de colecção.
80€

03 abril, 2011

HERCULANO, A. - O BOBO. Lisboa, Viuva Bertrand & C.ª-Successores Carvalho & C.ª, MDCCCLXXVIII (1878). In-8º VII, 338, [1] p. ; E.
1ª edição.
"O Bobo é um romance histórico de Alexandre Herculano, publicado inicialmente em "Panorama" em 1843 e editado postumamente em volume, apenas em 1878. O autor situa a narração no ano de 1128, dias antes da batalha de S. Mamede que opôs o exército de D. Afonso Henriques ao da sua mãe D. Teresa. Assim podemos assistir às tramas medievais e à estratégia usadas por ambos os exércitos, assim como sabemos o porquê do ódio que D. Afonso Henriques nutre pelo conde Peres de Trava, amante da mãe.
Nisto tudo, um homem tem um papel fundamental, alguém que todos menosprezam, alguém que aparentemente nada valia: D. Bibas, o Bobo da corte." (passeiweb)
Bonita encadernação em meia de pele com ferros a ouro; s/ guardas de brochura; assinatura de posse datada no rosto.
Raro.
Bom exemplar.
Indisponível