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16 outubro, 2026

COELHO, J. M. Latino -
VASCO DA GAMA.
Primeira Parte [Segunda Parte]. Por... Galeria de Varões Illustres de Portugal, N.º 2. Lisboa, David Corazzi - Editor : Empreza - Horas Romanticas, 1882. 2 vols in-8.º (19,5x13 cm) de [12], 282, [4] p. ; [1] f. il. ; (I) e [4], 371, [5] p. ; [1] mapa desdob. ; (II) ; E.
1.ª edição.
Obra biográfica de fôlego - em 2 volumes - sobre o grande navegador português e seus feitos. Na primeira parte o autor escreve sobre o contexto pré-Descobrimentos e consagra o estudo aos navegadores que precederam Vasco da Gama. 
Ensaio muito completo, ilustrado com o retrato de Vasco da Gama no volume I e um  mapa desdobrável com o caminho marítimo para a Índia no volume II.
"Quando as sombras da edade média começavam de tingir-se com os primeiros arreboes do Renascimento, duas inspirações e dois anceios agitavam o espírito europeu, já porventura fatigado da sua via interior e domestica, já pesago da multiforme e dilatada civilisação, que ao pleno despertar da intelligencia haveria de converter a velha Europa em luzeiro de toda a humanidade e em soberana região do globo inteiro. [...]
A Europa sente no XV seculo  que mais altos destinos, que os da vida quieta e remansada, a estão appelidando para novas e grandissimas emprezas. Não lhe podem já bastar á nervosa actividade as guerras interiores e as contenções domesticas sem fructo e sem valor. Pressente que uma nova transformação, vagamente suspeitada, é já agora necessaria ao seu viver. É do Norte que desponta, com a imprensa, a primeira e grandiosa innovação, o instrumento precioso de cultura intellectual. Pois, ao contrario, será das terras europêas do Meio-Dia e Occidente que ha de brotar e florescer outra rama não menos inesperada da civilisação universal. Descobre Guttemberg o apparelho, em que se corporifica e perpetúa o pensamento. Mas é em Portugal que hão de nascer as mais assombrosas maravilhas, que o prelo e os typpos moveis hão de escrever e recontar."
(Volume I - Excerto de I. O seculo XV)
"Desde as primeiras navegações nas costas africanas nos primeiros annos do XV seculo, até á viagem memoravel de Bartholomeu Dias, tinham sido perseverantes e continuos os esforços da gente portugueza para traçar no Oceano o caminho ás remotas regiões do Oriente.
A Boa Esperança, figurada no cabo, que se havia alfim dobrado, não foi enganosa, nem mentida. O rei, a cuja ambição de descobrir a India e o seu famoso Preste, se devia como estimulo  ousada navegação, - o maior feito naval dos portuguezes até áquelle tempo, - desejava seguramente continuar a empreza começada, e para isso havia já mandado cortar e apparelhar as madeiras necessarias para os navios, que haviam de proseguir alem do Cabo o auspicioso descobrimento. [...]
A Bartholomeu Dias, que já tinha visto o pouco hospitaleiro recebimento, com que o velho Adamastor dava as boas vindas aos que ousavam affrontal-o, mandou el-rei que tivesse a seu cuidado o acabar a feitura dos navios, que haveriam de ir á nova expedição. O anno de 96 passou-se nos apercebimentos da frota, que ficou para sempre memoravel. E no anno seguinte de 1497, no mez de janeiro, estando el-rei D. Manuel em Extremoz, segundo a narrativa de Damião de Goes ou em Montemór o Novo, conforme a narração de Barros, mandou chamar a Vasco da Gama e lhe deu o governo da expedição depois de algumas palavras..."
(Volume II - Excerto de I. O novo caminho da India)
José Maria Latino Coelho (1825-1891). "Nasceu em Lisboa, a 29 de novembro de 1825, e faleceu em Sintra, a 29 de agosto de 1891. Frequentou o curso de Engenharia Militar da Escola do Exército, tendo sido promovido a alferes (1848), tenente (1851), coronel (1878), coronel (1878) e general de brigada do Estado Maior de engenharia (1888). Foi lente substituto de Mineralogia e Geologia na Escola Politécnica (1851); deputado (1854, 1857, 1860, 1862, entre outras) e candidato republicano (1889 e 1890); par do Reino e ministro da Marinha (julho de 1868 a agosto de 1869); integrou o diretório do Partido Republicano (1883; foi membro da comissão para a reforma da Academia das Belas Artes de Lisboa; escritor e jornalista, colaborou em diversos periódicos, tais como Revolução de Setembro (1849), A Revolução, A Emancipação, Revista Peninsular, Século e A Semana, por si fundado em 1851, e diretor do Diário de Lisboa (1859).
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio efetivo da Classe de Ciências Matemáticas, Físicas e Naturais a 18 de maio de 1855, tendo integrado a 3.ª Secção (Ciências Histórico-Naturais) e sido secretário entre 1856 e 1891, bem como secretário da classe, cujo cargo exercera durante o mesmo período."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/15)
Encadernações em tela com ferros gravados a seco e a ouro nas lombadas. Sem capas de brochura.
Exemplares em bom estado de conservação. Ocasionais manchas de oxidação no interior.
Muito invulgar.
45€

10 outubro, 2026

MONTEIRO, José de Sousa - SANTO ANTONIO DE LISBOA.
Estudo de Historia e Critica. Por... Socio effectivo da Academia Real das Sciencias. Lisboa, Imprensa Nacional, 1895. In-4.º (25x15 cm) de 125, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Obra biográfica comemorativa do sétimo centenário natalício de Santo António de Lisboa.
Ilustrada com o retrato do Santo com o Menino, reprodução do quadro de Murillo (parte central) existente no museu de Berlim. Gravura de M. Diogo Netto.
"Ha pouco dizia a Don Locatelli de Padua o Pontifice que gloriosamente preside na Igreja universal: «Importa amar muito a Santo Antonio e procurar que os outros o amem. Santo Antonio não é só de Padua, é do universo inteiro». Tem este livro, de mais ambições que paginas, o expressivo proposito de fixar com a exacção possivel algumas das feições do engenho e da alma do grande portuguez."
(Excerto da Introdução)
José de Sousa Monteiro (1846-1909). "Nasceu na Praia (Cabo Verde) a 20 de agosto de 1846 e faleceu em Lisboa a 12 de outubro de 1909. Em Lisboa obteve o Curso Superior de Letras e o de Diplomacia. Foi diplomata, jornalista, escritor, deputado (1879-1882) e diretor-geral do Ministério das Finanças.
Pertenceu ao Instituto de Coimbra, foi comendador de Carlos III de Espanha e comendador de Leopoldo da Bélgica e recebeu ainda a Grã-Cruz da Ordem de Santiago.
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente da Classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 5 de junho de 1884 e efetivo a 25 de junho de 1891. Desempenhou nesta Academia os cargos de Vice-Secretário (1896), Secretário-Geral (?-1909) e Presidente da Classe de Letras (1909)."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/20134)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.
15€

18 setembro, 2026

GAMA, Luís Filipe Marques da - O COMPOSITOR ANTÓNIO LEAL MOREIRA
. Braga, [s.n. - Composição e impressão das Ofic. Gráf. da Livraria Cruz - Braga], 1975. In-4.º (123,5x17,5 cm) de 15, [1] p. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo biográfico sobre o notável músico abrantino António Leal Moreira (1758-1819), contemporâneo de, entre outros, Marcos Portugal e Domingos Bontempo. Ensaio publicado em separata da revista «Armas e Troféus», N.º 3 - 1975, orgão do Instituto Português de Heráldica.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao "Sr. Tenente-Coronel José Augusto de Campos e Souza".
"António Leal Moreira foi um notável músico e compositor do último quartel do século XVIII e primeiros anos do século XIX. Contemporâneo de outros grandes músicos, como João de Sousa Carvalho, Marcos Portugal, João José Baldi e Domingos Bontempo, sofreu, tal como ele, uma nítida influência da música italiana, então tão em voga em Portugal. Daí que, moldado o seu espírito e formada a sua cultura dentro das preferências do tempo, o seu estilo musical obedecesse à boa «maneira» italiana, o que está bem patente em grande número das suas óperas. Compositor muito apreciado, não só nos principais teatros régios portugueses mas também em Inglaterra e na Itália, conquistou rapidamente, graças ao seu talento, a munificiência régia, pelo que foi nomeado mestre da Capela-Real e compositor da Real Camara."
(Excerto do Estudo)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
10€

17 setembro, 2026

SILVA, Luiz Augusto Rebello da -
FASTOS DA IGREJA : Historia da Vida dos Santos, Ornamentos do Christianismo.
Por... Com auctorisação e censura do Patriarchado. I [e II]. Vida de Jesus Christo. [Lisboa], Typ. do Panorama, 1854 e Lisboa, Em Casa de A. J. F. Lopes, 1855. 2 vols in-8.º (20x13 cm) de 244 p. ; [1] f. il. ; il. (I) e 312, [2] p. (II) ; E. num único tomo.
1.ª edição.
Fastos da Igreja: História da Vida dos Santos e Ornamentos do Cristianismo é uma obra do escritor e historiador português Luís Augusto Rebelo da Silva em dois volumes, publicada originalmente em Lisboa, em 1854-55. O plano inicial da obra não foi cumprido, tendo sido publicados apenas dois tomos que continham a introdução geral e a vida de Jesus Cristo.
O primeiro volume encontra-se ilustrado com bonitos desenhos, capitulares e vinhetas tipográficas no texto, e uma estampa aberta em metal da Adoração do Menino em separado.
"Sessenta e tres annos antes da era christã divulgou se na capital do imperio uma prophecia, assegurando estar para nascer o rei do povo romano. Esta persuasão dos sabios e do povo é attestada pelos escriptores do seculo de Augusto e da epocha immediata.
Nos largos dominios conquistados pelas armas da republica, e pacificados pelo herdeiro de Cesar, a esperança, de toda a parte procura o berço do Messias.
As nações separadas da communhão hebraica sempre conservam, mais ou menos confusa, a memoria da queda do primeiro homem, e acreditam no dogma da expiação. A vinda do Mediador, filho de uma Virgem, enviado para reconciliar os homens, é annunciada pelos Brahmines, pelos Magos, e pelos Bonzos. A idéa da redempção domina as civilisações antigas, e circula por quasi todas as seitas. Antes de Jesus baixar ao mundo já ella tinha atravessado o Jordão, o Euphrates, o Indus, e os oceanos, visitando nas azas invisiveis da Providencia as diversas raças e as regiões remotas"
(Excerto do Livro Primeiro, Capitulo Primeiro)
Luís Augusto Rebelo da Silva (1822-1871). "Nasceu em Lisboa a 2 de abril de 1822 e faleceu na mesma cidade a 19 de setembro de 1871. Foi um jornalista, historiador, romancista e político. Enquanto escritor e historiador, produziu uma quantidade significativa de textos, que publicou sobretudo na imprensa da época e depois reuniu em cerca de 40 volumes. Foi aluno da Faculdade de Filosofia da Universidade de Coimbra, embora não se tendo chegado a formar. Tendo-se dedicado, como autodidata, aos estudos das Humanidades, e particularmente da História, foi depois professor desta disciplina no Curso Superior de Letras, ao qual chegou a presidir. De 1843 a 1865 colaborou em vários periódicos: como O Cosmorama Literário, Revista Universal Lisbonense, Época, Panorama, Revista Peninsular, Anais das Ciências e Letras, Arquivo Pitoresco, Arquivo Universal, Revista Contemporânea; em 1845 passa a redator do Diário do Governo e é nomeado oficial ordinário do Conselho de Estado, tornando-se secretário interino do mesmo conselho em 1849. Teve carreira política como deputado, par do Reino e ministro."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/20343)
Encadernação coeva meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
45€

04 setembro, 2026

COSTA, Fernandes -
ELOGIO ACADEMICO DO DR. TEIXEIRA DE QUEIROZ, Socio effectivo da Academia das Sciencias de Lisboa.
Lido na sessão ordinaria de "Classe de Letras" da mesma Academia, em 24 de julho de 1919. Pelo Socio Effectivo... O auctor e o editores d'esta publicação destinam-a exclusivamente a offerecimentos. Nenhum exemplar é posto á venda. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira : Livraria Editora, 1919. In-8.º (19,5x12,5 cm) de [2], 79, [1] p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Homenagem a Teixeira de Queiroz, insigne escritor naturalista, contista e romancista, sobretudo conhecido pela sua obra de fôlego em vários volumes distribuídos por duas séries - a Comédia do Campo e a Comédia da Burgueza - onde se propõe retratar as vivências "do natural" no campo e na cidade.
Elogio proferido e publicado por ocasião da morte da morte do escritor ocorrida poucas semanas antes.
Peça indispensável da bibliografia do homenageado, ilustrada com o seu retrato em folha separada do texto.
"Em 23 de julhgo de 1919, quarta feira, soubemos, pelos jornaes da manhã, que n'esse dia se sepultava Teixeira de Queiroz, fallecido, na vespera, em Cintra. [...]
Tivemos a boa fortuna de acompanhar, passo a passo, desde o primeiro, toda a vida litteraria d'este modelar artista, d'este homem n o mais recto e inquebrantavel caracter, d'este escriptor de mais pura e elegante correcção. E n'ssa boa fortuna, e em tão especiaes condições, nos escudámos, para que nos seja revalada a amplitude que vâmos dar a este simples voto de condolencia..."
(Excerto da Nota explicativa)
Encadernação em tela com ferros gravados a ouro na lom,bada. Conserva a capa anterior.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
25€

19 julho, 2026

CAMARA, Manuel da -
ANTERO DE QUENTAL E A SUA MORTE
. Ponta Delgada, Edição do Diario dos Açores, 1930. In-8.º (22,5x17 cm) de 50, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo anteriano sobre o grande vate micaelense, na vida e na morte. O autor testemunhou as derradeiras aparições do poeta em casa do avô, médico, o último que Antero, em desespero, consultou, e que coincidiram com os seus últimos dias de vida. Manuel da Câmara reproduz os diálogos de Antero com um seu amigo, retido na cama em casa do médico, dando expressão sentida às as suas desesperações e amarguras, e finalmente, na véspera, à ideia madura do suicídio que viria a cometer horas depois.
"Antero de Quental e a sua Morte (1930) é uma obra ensaística de Manuel da Câmara, que analisa as circunstâncias e o pensamento filosófico que culminaram no trágico desfecho do poeta. O livro reflete sobre a depressão e a "filosofia da morte" do autor Antero de Quental. A 11 de setembro de 1891, após regressar à sua ilha natal e mergulhar num profundo estado de depressão (agravado por distúrbios de saúde mental), o poeta pôs termo à vida num banco de jardim junto ao Convento de Nossa Senhora da Esperança, em Ponta Delgada. A obra contextualiza esse acto voluntário não apenas como um drama pessoal, mas como o culminar da evolução intelectual e espiritual de Antero, figura cimeira da Geração de 70." (IA)
Obra rara e muito interessante, ilustrada no texto e em página inteira com fotogravuras reproduzindo retratos do Poeta e locais relacionados com o assunto.
"[...] Os amigos e quantos privaram com Antero nunca duvidaram do inalterável equilíbrio entre as suas ideias e os seus actos, e sempre lhe reconheceram os altos "sentimentos correspondentes á evolução do pensamento", numa lógica seqüência incompatível com a loucura, ainda que qualificada de genial. E, se a sua vida, enquanto a dispepsia o poupou, foi espelho do mens sana in corporo sano, como é possível classifica-lo nos quadros da neurologia e da psiquiatria?
Ora êste pobre opúsculo - onde, a par das velharias algumas coisas novas se dizem, umas e outras indispensáveis ao nosso propósito - pretende demonstrar:
1.º - Nenhuma enfermidade mental ou nevrasténica de nascença influiu na vida ou na morte do Poeta;
2.º O Poeta contraíu uma dispepsia com conseqüências nervosas, profundamente neurastenizante nos últimos dias que viveu, donde resultou o suïcídio.
Mas, para Antero se decidir ao suïcídio, duas grandes batalhas se travaram:
A do pessimismo - relativo á incurabilidade da doença, visionada a caminho da loucura - contra o experimentado estoicismo do gigante,, vencido pela primeira e última vez; a do gigante contra os seus sentimentos morais, irreconciliáveis com a ideia de se matar, batalha da qual, infelizmente, saiu vencedor.
Isto me proponho provar..."
(Excerto da Dedicatória)
"Certo dia, verão de 1891, atravessava eu a saleta da casa de meu Avô materno quando divisei na transparência da porta envidraçada, entrada principal do edifício, um vulto de gigante a estender a mão para a campainha que não chegou a soar, por eu ter acudido lesto a abrir.
O gigante entrou.
Nunca o tinha visto, em carne e osso, mas logo o reconheci, pois o seu retrato, inconfundível, andava em ilustrações e nos albuns da minha família.
Era Antero de Quental - alto como um choupo; fronte desafogada e espaçosa; a cabeleira, que já não era a juba da leonina da juventude a encurtecer-lhe a testa, ainda loura; a barba, loura também, virgem de navalha, apenas retocada pela tesoura; a expressão severa, adoçada pelo azul puríssimo dos olhos onde resplandecia uma ascese de santidade.
E, enquanto eu o encarava, numa admiração pasma, o gigante quebrou o silêncio com estas palavras sonoras:
- "Conheci-te pelo olhar, por outra coisa não". és filho de João Luís. Vai chamar teu avô, o doutor José Pereira Botelho."
(Excerto do Cap. I)
Manuel da Câmara Velho de Melo Cabral (Lagoa, São Miguel, 1869 - Ponta Delgada, 1939). "É principalmente conhecido com o nome abreviado de Manuel da Câmara, com que publicou muita da sua obra. Funcionário da Fazenda Pública e Secretário de Finanças na Horta. Foi jornalista, escritor e político sendo hoje conhecido como contista. Deu início à vida literária nos jornais da sua cidade natal, no fim do século e foi, em Lisboa, redator do Jornal de Lisboa, dirigido pelo micaelense Armando da Silva, frequentando na capital a boémia elegante. Acabou por regressar às ilhas e ingressar no funcionalismo público, na área das Finanças. Na Lagoa, onde foi administrador do concelho, fundou o Vigilante, em 1905 e em Ponta Delgada, O Distrito. Parte da sua vida foi passada na cidade da Horta, onde foi nomeado governador civil durante o consulado sidonista (1918-1919).
Na sua obra literária é-lhe reconhecida uma prosa elegante e esmerada que usou nos contos e narrativas de temática regional. J. G. Reis Leite (Mar.2001)"
(Fonte: https://arquivos.azores.gov.pt/descriptions/1813203)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenos cortes de papel marginais.
Raro.
30€

11 junho, 2026

EVANGELISTA, Júlio -
UM HERÓI VIANÊS. Prefácio de Marcelo Rebelo de Sousa. Viana do Castelo, Junta de Freguesia da Meadela, 2004. In-8.º (22x15,5 cm) de 75, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Homenagem a António Gonçalves Pires, combatente na Grande Guerra, primeiro em Angola, mais tarde integrando o contingente do C.E.P. em França.
Obra limitada a 500 exemplares.
Ilustrada no texto e em página inteira com retratos e fotografias a p-b.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"[...] Deu-se a batalha de La Lys. As forças alemãs haviam lançado, pela madrugada, uma ofensiva irresistível protegida por implacável barragem de artilharia. As tropas aliadas tiveram de bater em retirada, que nalguns casos se tornou em fuga desordenada e confusa. Foi assinalável a acção do tenente Gonçalves Pires, que mereceu o seguinte louvor: «... no combate de 9 de Abril de 1918, manifestou coragem e altas qualidades de comando incitando as praças do seu pelotão a manterem-se resolutas na frente do inimigo, fazendo com que todos o acompanhassem na perigosíssima marcha pela estrada Oxford até estabelecer contacto com as forças em retirada» (O.S.C. 4 nº 133 de 18 de Maio de 1918)."
(Excerto de I - Um herói vianês)
António Gonçalves Pires (1893-1971). "Natural da Meadela, soube valorizar a protecção de seus padrinhos (emigrantes no Brasil regressados à sua terra natal) no estudo e vida militar. Foi um aluno distinto no ensino liceal, e frequentava o curso de Engenharia, quando foi mobilizado para a Grande Guerra. Combateu no Sul de Angola, onde revelou um grande aprumo e espírito de entrega. Criado o corpo de milicianos para o C. E. P., foi chamado a Portugal, donde partiu para os campos da Flandres no posto de alferes. Combateu em La Lys, e mereceu as mais altas condecorações: promoção ao posto de tenente em campanha, Legião de Honra e, ao regressar a Portugal, o grau de Cavaleiro da Torre e Espada com palma. Foi o mais condecorado dos oficiais portugueses do seu tempo. Instado a ingressar no quadro permanente, decidiu, pelo contrário, passar à reserva no posto de coronel por solicitação familiar."
(Retirado da badana anterior)
Roteiro:
Prefácio | I - Um herói vianês. II - Herdeiro dos Martins Viana. III - Capítulo final duma vida heróica. IV - Abreviado e por extenso.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e biográfico.
30€
Reservado

03 junho, 2026

SANTOS, Leandro Miguel dos - OS SINALEIROS DO MAR DA ERICEIRA. [Prólogo de José Caré Júnior]. [S.l.], Edição do Forum Ericeirense, Agosto 1994. In-4.º (24 cm) de [52] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Obra de homenagem aos "sentinelas do mar" - os Sinaleiros da Ericeira -, homens que vigiavam o mar em dias alterosos, e que conduziam os pescadores para o porto em segurança. O presente estudo explica o trabalho dos Sinaleiros, e inclui breves biografias dos mais conhecidos "vigias" ericeirenses.
Livro muito ilustrado com fotogravuras da Ericeira e do seu porto, e o retrato dos biografados.
"Este livro que ora se publica, vem, em nossa opinião, preencher uma falta na bibliografia marítimo-piscatória da Ericeira, concretamente, ao tratar da figura e a acção dos nossos sinaleiros do mar.
O autor não poupou esforços e tempo, para obter dados e fotos de diversos sinaleiros (alguns do século XIX), que desenvolveram a sua meritória e humanitária actividade em prol das vidas e bens dos pescadores locais (e não só).
A formação espontânea e a aquisição de conhecimentos por parte do sinaleiro para o exercício da sua missão, eram adquiridas através da observação do mar embravecido, hora após hora, dia após dia, e durante uma vida inteira.
Era este tipo de formação que lhes possibilitavam trazer a bom porto barcos e homens, através das vagas alterosas."
(Excerto do Prólogo)
"Finalmente se presta a justa homenagem a todos esses homens que, duma maneira tão nobre e voluntariosa, contribuíram para que os seus conterrâneos saíssem e chegassem sãos e salvos a bom porto - Os Sinaleiros.
Muito pouco existe documentado que descreva este trabalho geralmente feito por pescadores mais idosos. Idade de muita experiência e de ggrande sentido de responsabilidade. Todos os que tivessem os seus familiares no mar, era nesses momentos que mais sentiam que a vida dos seus dependia dessa nobre figura que era o Sinaleiro.
"Marcar o Mar" requeria toda essa experiência e coragem que, durante muitos anos, eles próprios na sua faina, foram adquirindo. Quantas vezes sentiram o medo e a angústia, de olhos postos naquele que, do alto do Forte da Guarda Fiscal, os mandava avançar com toda a força ou esperar com toda a calma, até que viesse um "raso". Em inúmeras e inúmeras situações de mar bravo o destemido pescador da Ericeira lá foi saindo ou entrando no porto, ajudado pelo Sinaleiro numa luta tão desigual entre a natureza embravecida e a sua velha experiência. Só os Sinaleiros poderão descrever o que é que sentiam naqueles momentos, sozinhos e isolados de tudo e de todos, tendo a enorme responsabilidade de trazer todos os pescadores a bom porto. Procurámos em documentos antigos, mas nada encontrámos sobre os Sinaleiros, talvez por estes homens não serem remunerados, o que recebiam era algum peixe, dado por aqueles que acabavam de salvar."
(Excerto da Introdução do autor)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
20€

07 abril, 2026

CLARO, Rogério - 
DR. FRANCISCO DE PAULA BORBA : 1.º cidadão honorário de Setúbal
. Setúbal, Edição: Do autor, 1986. In-8.º (21,5x15 cm) de 83, [1] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Obra biográfica de homenagem a Francisco de Paula Borba, ilustre angrense que elegeu Setúbal como terra de adopção.
Bonita edição, totalmente impressa sobre papel couché, ilustrada com inúmeras fotografias a p.b., sendo algumas delas em página inteira.
"- Ó Moniz, está lá fora um patrício teu que te quer falar.
Carlos Ramos Moniz, obtida a licença do mestre, descansou o instrumento no banco donde se levantara e assomou à porta da sala de ensaios da banda de Caçadores 1. Corria o ano de 1898.
Fora, um jovem alto, de porte distinto, apresentou-se. Era o Francisco, o irmão do padre Borba que andara com Moniz à escola, na ilha Terceira, nascidos todos na freguesia de Biscoitos da Praia da Vitória. Com 26 anos, médico recém-formado, o Dr. Francisco de Paula Borba acabara de chegar a Setúbal, para aqui estabelecer clínica, sem outra referência senão a do patrício, músico distinto no regimento local. Ficou 15 dias aboletado em cada da mãe dele, a senhora Carolina Serralha, na Rua Nova da Conceição. Depois, seguiu o rumo da sua vida."
(Excerto do Cap. I)
Francisco de Paula Borba (Angra do Heroísmo, 1873 - Setúbal, 1934). "Foi um médico, formado em cirurgia pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa em 1898, que exerceu medicina em Setúbal, sendo médico da Misericórdia e do Montepio daquela cidade. Distinguiu-se no campo da filantropia."
(Fonte: Wikipédia)
Rogério Noel Peres Claro (Setúbal, 1921 - 2015). "Foi um professor do ensino comercial e industrial, jornalista e divulgador da história da cidade de Setúbal. Tirou o curso dos liceus no Liceu Nacional de Setúbal (atual Escola Secundária de Bocage) e licenciou-se em Filologia Românica na Universidade de Lisboa. Iniciou a sua carreira docente como professor do ensino técnico profissional em 1943, tendo sido diretor da Escola Industrial e Comercial de Estremoz (atual Escola Secundária Rainha Santa Isabel) entre 1952 e 1961 e da Escola Industrial e Comercial de Setúbal (atual Escola Secundária Sebastião da Gama) entre 1961 e 1970."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Indisponível

13 março, 2026

MOITA, Irisalva -
RAFAEL BORDALO PINHEIRO. Artista plástico de tipos e costumes. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso nas Oficinas Gráficas de Ramos, Afonso & Moita, Lda. - Lisboa], 1998. In-4.º (26x18,5 cm) de 7, [9] p. ; [1] f. il. cor ; [12] p. il. ; B.
1.ª edição independente.
Importante subsídio biográfico sobre Rafael Bordalo Pinheiro, conhecido desenhador, caricaturista, ceramista e jornalista. Trabalho publicado em separata do «Boletim Cultural» da Assembleia Distrital de Lisboa, Série IV - N.º 92 - 2.º tomo - 1990/98.
Estudo muitíssimo interessante, não mencionado na BNP.
Ilustrado em separado com uma estampa a cores, e 69 reproduções a p.b. de trabalhos do biografado distribuídos por 12 páginas igualmente fora do texto.
"Tendo crescido num ambiente especialmente devotado às artes plásticas, cedo desabrocharam as naturais aptidões artísticas de Rafael Bordalo Pinheiro. Júlio César Machado, seu amigo e, talvez, o seu melhor biógrafo, no Prefácio do Álbum de Caricaturas (1876), diz datar de 1857, quando, com a família residiu em Cacilhas, fugindo à febre-amarela, o seu primeiro desenho, cópia, afinal, duma litografia representando uma família de camponeses, à beira-mar, esperando um filho ausente, Este desenho, que provocou um certo alarido na família - o jovem Rafael mal ultrapassara a dezena de anos -, não terá, porventura, outro mérito senão indicar já, pela escolha do assunto - uma cena popular -, a predilecção do artista pelo tema, predilecção que se vai transformar numa das grandes forças da obra do grande caricaturista, e que já prenuncia a sua ligação com o povo e com a terra.
Ainda com traço escolar, chegou até nós um outro desenho aguarelado, representando uma mulher fiando, acompanhada de criança, datado de 1861 - tinha Bordalo, portanto, cerca de quinze anos - e assinado «Rafael Augusto Bordallo»."
(Excerto do Estudo)
Irisalva Moita (1924-2009). "Ilustre museóloga e olisipógrafa, foi durante mais de 20 anos directora dos Museus Municipais de Lisboa. Foi, por mérito próprio, umas das figuras mais relevantes da Olisipografia. Historiadora, arqueóloga e museóloga desenvolveu durante a segunda metade do séc. XX um vasto corpo de trabalho. Destacam-se as exposições, ainda hoje de referência, “O Culto de Sto. António, na região de Lisboa”, “Lisboa e o Marquês de Pombal” e “Lisboa Quinhentista. A imagem e a vida na cidade” e “Faianças de Rafael Bordalo Pinheiro”."
(Fonte: https://www.avidaportuguesa.com/pt/loja/irisalva-moita-um-percurso-fotobiografico-egeac)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
10€

24 fevereiro, 2026

BORGES, J. G. Calvão -
A FAMÍLIA DE CAMÕES (novos documentos)
. Cascais, [s.n.], 1986. In-4.º (24,5x18,5 cm) de 20 p. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo sobre a familia flaviense do grande vate português, continuação de um ensaio do autor sobre o mesmo tema publicado em 1974 com o título A família flaviense de Camões. Trabalho publicado em separata da revista «Miscelânia Histórica de Portugal», n.º 5, 1986.
Tiragem limitada a 150 exemplares rubricada pelo autor, sendo este o n.º 29.
"E tese das raízes flavienses de Luiz de Camões nem vindo a ser pacientemente elaborada, alicerçando-se num conjunto de documentos históricos cuja autenticidade e credibilidade não têm sofrido contestação.
Pondo de parte os documentos posteriores ao século XVI e que apenas à descendência da família interessam, temos como suportes essenciais da tese, pela ordem em que foram encontrados:
- uma habilitação para o Santo Ofício de um primo co-irmão do Poeta, no Arquivo Nacional da Torre do Tombo;
- um conjunto de matrículas de ordinandos de tios e primos do Poeta, no Arquivo da Universidade do Minho em Braga;
- uma pedra de armas no Convento de Cristo em Tomar;
- o Tombo das propriedades de Igreja de Vilar de Nantes, Chaves, no Arquivo de Universidade do Minho."
(Excerto de I - Introdução)
Índice:
I - Introdução. II - As Rações de Vilar de Nantes: A) Registos respeitantes a uma ração da Igreja de Chaves (não associada à Igreja de Vilar de Nantes); B) Registos respeitantes à ração da Igreja de Santa Maria de Chaves, em Vilar de Nantes que lhe estava anexa (não usufruída por membros da família Camões); C) Registos respeitantes à Capelania de Vilar de Nantes; D) Registos respeitantes à ração da Igreja de Santa Maria de Chaves, em Vilar de Nantes que lhe estava anexa (usufruída pela família Camões). III - Análise dos documentos: A) Intervenientes; B) Conteúdo do Registo. IV - Os dois novos Simão Vaz. | Notas | Documentos [Reprodução de 11 Documentos].
José Guilherme Calvão Borges (1931-2001). "Natural de Chaves. Foi um militar e heraldista português. Licenciou-se em Engenharia Aeronáutica pela Universidade de Michigan (EUA). Seguiu a carreira militar, atingindo os postos de Major-General e de Brigadeiro Aeronáutico. Escreveu sobre Genealogia dezoito extensos trabalhos, para além de mais uma dúzia sobre Heráldica."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse camoniano.
20€

20 fevereiro, 2026

PIMENTEL, Alberto -
O POETA CHIADO. (Novas investigações sobre a sua vida e escriptos). Lisboa, Empreza da Historia de Portugal, 1901. In-4.º (23,5x15,5 cm) de 59, [5] p. ; il. ; B.

1.ª edição.
Apontamento biográfico romanceado de António Ribeiro, figura popular mais conhecida pelo epíteto Chiado - o Poeta Chiado.
Ilustrado com bonitas vinhetas tipográficas a assinalar o início de cada capítulo.
"A popularidade de Antonio Ribeiro o Chiado proveiu não tanto da sua veia poetica, aliás muito apreciada pelos entendidos, como das sua repetidas tunantadas, de que o povo tinha directo conhecimento, porque as presenceava em plena rua.
Era entre o povo, entre as classes humildes de que elle provinha, por que lá diz Affonso Alvares no proposito de deprimil-o
Nasceste de regateira
e teu pai lançava solas;
era entre a arraya miuda que o Chiado localizava o theatro das sua façanhas picarescas, dos seus feitos esturdios, das sua «partidas» e «piadas», como hoje dizemos."
(Excerto do Cap. IV)
António Ribeiro 'Chiado' (1520?-1591). "Poeta jocoso que viveu no século XVI. Era conhecido pelo Chiado, por ter morado muitos anos em Lisboa, na rua assim chamada já naquele século, nome que se conservou até meados do século 19, em que foi mudado para o de rua Garrett. Nasceu num humilde arrabalde de Évora, e faleceu no ano de 1591. Quis professar na Ordem de S. Francisco, mas não se lhe dando por válida a profissão, passou o resto da vida como celibatário, vestido sempre com hábito clerical. Apesar de não ser muito douto, tinha verdadeiro talento e bastante conhecimento das boas letras. Improvisava versos com a maior facilidade, mais pelo impulso da natureza, que de arte, sendo os seus versos muito jocosos e joviais, provocando festivos aplausos a quem os escutava. Também imitava com muita propriedade e galanteria as vozes e os gestos de diversas pessoas conhecidas. Todos estes predicados lhe alcançaram a estima geral e a maior popularidade."
(Fonte: www.arqnet.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com defeitos marginais.
Muito invulgar.
25€

11 fevereiro, 2026

PIMENTEL, Alberto - O LOBO DA MADRAGÔA.
Romance original. Illustrado com 40 gravuras. Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1904. In-4.º (23x15 cm) de 341, [3] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Romance biográfico sobre o estoura-vergas e poeta vimaranense António Lobo de Carvalho (1730?-1787), cujo enredo está dividido em duas partes: Peccados da mocidade e Delictos da velhice, que coincide, respectivamente com a juventude do poeta, no berço minhoto, e os anos de maturidade, na capital.
Ilustrado no texto com 40 desenhos de belo efeito.
"Esboçava-se na tenue claridade do ceo o primeiro sorriso da aurora, e já a Therezinha de Villalva, madrugadora como a toutinegra, atravessava por Argemil para a beira do rio Ave.
Ella não tinha outro relogio que a despertasse, além do seu coração. Quem anda de amores não dorme, diz o povo. Aquella linda cachopa de Villalva dormia, cançada de mourejar um dia inteiro na faina dos campos, e talvez não sonhasse. Mas accordava mais cedo que toda a sua aldea; primeiro aínda que os passaros no arvoredo, exceptuando a toutinegra e o tentilhão. Era o coração que a despertava, muito de mansinho, para que ninguem mais ouvisse. [...]
A Therezinha de Villalva sahia de casa pé-ante-pé, lavava-se na corrente do Sanguinhêdo, riacho da sua aldea, como faziam mais tarde todas as outras raparigas. Via-se no espelho ainda baço da agua, que o sol illuminava frouxamente, e compunha o cabello, anediando-o com as mãos, que tambem tratava com excepcional cuidado entre camponezas. Depois partia alegre, cantando, mais feliz do que uma princeza, sem pensamentos maus que perturbassem a castidade da sua vida."
(Excerto de I - A explosão da pesqueira)
Alberto Pimentel (Porto, 1849 - Queluz, 1925). "Nasceu no Porto em 1849.
Frequentou a instrução pública no Porto; por motivos económicos não prosseguiu os estudos no ensino superior, mas veio a desenvolver um percurso profissional assinalável. No jornalismo, começou como tradutor e revisor num jornal portuense, assinando posteriormente algumas crónicas e folhetins. Na política, integrou o Partido Regenerador, através do qual foi eleito deputado e nomeado membro de várias comissões. Na área da história, redigiu biografias, ensaios e memórias, onde se salientam os primeiros estudos sobre Camilo Castelo Branco. Foi membro de diversas academias e sociedades de letras e ciências, com destaque para a Sociedade de Geografia de Lisboa. Faleceu em Queluz no ano de 1925.
Como escritor, deixou uma vasta e diversificada obra, que publicou ainda em vida: romances, poesias, traduções, contos e novelas, crónicas de viagem, peças de teatro, etc."
(Fonte: https://turismo.obidos.pt/2023/05/02/texto-de-alberto-pimentel/)
Encadernação editorial em percalina com desenho e letras a branco nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pasta anterior manchada. Discreta rubrica de posse na f. rosto. Alguns (poucos) sublinhados a esferográfica.
Muito invulgar.
25€

31 janeiro, 2026

ROSA, José António Pinheiro e -
UM ARTISTA ALGARVIO : O Padre Glória. [Por]... Professor do Ensino Liceal
. Lagos, [s.n. - Comp. e Imp. nas Oficinas da «Gráfica do Sul» - Vila Real de Santo António], 1956. In-8.º (22x16,5 cm) de 32 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Biografia do Padre Glória, religioso algarvio natural de Portimão, artista multifacetado nas horas vagas. Deixou obra espalhada por capelas e igrejas do sul do país, sobretudo pintura de tectos, retábulos, pias baptismais, etc.
Opúsculo ilustrado em página inteira com um auto-retrato do biografado e reprodução de desenhos e locais onde se encontram trabalhos da sua autoria.
Obra com interesse histórico, artístico, político e religioso, com relevância para a bibliografia algarvia.
"Durante os meus estudos  da Arte Sacra no Algarve, encontrei-me tantas vezes com a obra e a memória desta simpática figura de padre artista, António José Nunes da Glória, que me nasceu a curiosidade de colher a seu respeito o maior número possível de informações. À medida que elas apareciam, essa figura aureolava-se mais e mais de novos esplendores. O artista instintivo engrandecia-se a meus olhos com as qualidades humanas e as virtudes sacerdotais, que o exornaram. E foi com emoção sincera e autêntica veneração que escrevi esta biografia, onde procurei falar o menos possível, cedendo a palavra aos documentos, cuja eloquência dominará o leitor como me dominou a mim.
Julgo também escrever com esta publicação uma pequena página da história da perseguição religiosa no Algarve, que ainda está por fazer, e em face da qual não se pode reter um sentimento de respeito por aqueles que atravessaram com denodo."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | Um artista algarvio Pe. António José Nunes da Glória: A) O Homem: - Nascimento e família; - Estudos; - Actividade Sacerdotal; - Cartas. B) O Artista. C) A Obra: - Arquitectura; - Escultura; - Pintura.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.
15€