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05 junho, 2026

AZEVEDO, Maximiliano de -
ZEFA.
Peça em um acto. Original de... Representada pela primeira vez no theatro de D. Maria II a 24 de dezembro de 1907. Lisboa, Imprensa Luso-Africana, 1909. In-8.º (20x12,5 cm) de 40 p. ; B.
1.ª edição.
Peça de teatro histórico cuja acção decorre no período da Guerra Civil Portuguesa, após o exílio de D. Miguel. Três fugitivos, partidários do rei absolutista, são traídos por Zefa, moça que procura vingar o pai, caído na guerra.
Obra invulgar, não mencionado na BNP.
"Um paul nos arredores de Castro Daire - chão rodeado de um muro de pedra secca, onde se põem a seccar os cereaes antes de irem a malhar nas eiras. - O muro, antecedido por uma berma, é no fundo e na esquerda, e tem nas duas faces uma abertura, sendo a do fundo mais larga, de modo que dê passagem a um carro; a altura orça pela da cintura de uma pessoa. - Á direita o palheiro com porta ao centro, colmado com palha de centeio. - Horisonte de ares avermelhado pelo crepusculo vespertino. - Duas ou tres pedras espalhadas pela scena podem servir de assento."
(Descrição da cena)
Maximiliano Eugénio de Azevedo (Funchal, 1850 - Lisboa, 1911). "Estudou no liceu da sua cidade natal e depois em Lisboa, na Escola Politécnica e na do Exército. Oficial de Artilharia, concluiu o curso em 1875. Foi tenente (1878), capitão (1884), major (1897), tenente-coronel (1903) e coronel (1911). Desde 1880 coadjuvou Latino Coelho na preparação da História Política e Militar de Portugal nos Fins do Século XVIII e Princípios do Século XIX e durante a sua carreira militar, foi várias vezes nomeado para missões culturais, como a organização da biblioteca e arquivo do Ministério de Guerra (1890) e para membro de uma comissão encarregada de elaborar a história da artilharia (1893). Fez várias viagens pelos países da Europa, em 1889, 1893 e 1900, apresentando longos e circunstanciados relatórios. Distinguiu-se como jornalista, sendo redactor do Jornal do Norte, de Lisboa, entre 1882 e 1884, e colaborou em várias revistas como a Ocidente, Revista das Sciencias Militares e Ilustração de Portugal e Brasil. Muito versado em teatro, escreveu e traduziu peças teatrais e no final da vida geriu o Teatro Normal, em Lisboa.
Jovem tenente já colocado nos Açores, em 1867, na Companhia de Artilharia N.º 1, ficando destacado na Horta, onde casou em 1879 com D. Valentina Morisson. Regressou à capital em 1881, onde fez o resto da carreira.
Da sua experiência insular, Madeira e Açores, tirou temática para o seu livro de contos Histórias das Ilhas, publicado em Lisboa, em 1899. J. G. Reis Leite (2002).
Obras Principais: (1889), Tiro das Bocas de Fogo. Lisboa, Tip. Adolfo, Modesto e Cª. (1892), Marchas e Estacionamentos. Lisboa, Tip. Adolfo, Modesto e Cª. (1899), Histórias das Ilhas (Reminiscências dos Açores e da Madeira). Lisboa, Parceria António Maria Pereira."
(Fonte: https://www.culturacores.azores.gov.pt/ea/pesquisa/default.aspx?id=5085)
Exemplar em brochura, bem conservado. Carimbo (2) de Mário Portocarrero Casimiro na f. rosto.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

03 novembro, 2025

O LIVRO AZUL OU CORRESPONDENCIA RELATIVA AOS NEGOCIOS DE PORTUGAL APRESENTADA EM AMBAS AS CAMARAS INGLEZAS. Traduzido do Inglez
. Lisboa, Tipographia de Borges, 1847. In-fólio (30x20 cm) de 368 ; XII p. índice ; E.
Junto com:
ADDITAMENTO AO LIVRO AZUL. [S.l.], [s.n.], [1847]. In-fólio (30x20 cm) de 79, [1] p.
E:
DEBATES DO PARLAMENTO BRITANNICO SOBRE OS NEGOCIOS DE PORTUGAL. Lisboa: Typographia de Pedro Antonio Borges, 1847. In-fólio (30x20 cm) de 99, [1] p.
3 volumes encadernados num único tomo.
1.ª edição.
Importante repositório documental com interesse para a história da Patuleia - "conjunto de lutas travadas em Portugal entre os Cartistas - que defendiam ideias de tendência conservadora, tendo como ponto de referência a Carta Constitucional de 1826, como Mouzinho da Silveira, Costa Cabral e os duques da Terceira, de Saldanha e de Palmela - e os Setembristas - liberais radicais também conhecidos por patuleias, representados por Passos Manuel, José da Silva Passos e o visconde de Sá da Bandeira". (Infopédia)
Obra ilustrada com o retrato do Visconde de Sá da Bandeira separado do texto, que falta na maioria dos exemplares.
"O Ministério Britânico apresentou à Câmara dos Comuns na sessão de 9 de Junho de 1847 os documentos acerca da "questão portuguesa"; que são um conjunto de informações, interceptadas pelos Serviços de Inteligência ingleses em Portugal, transcritos no presente volume denominado "Livro Azul". À 'questão portuguesa' chamamos em Portugal Insurreição ou Revolução da Patuleia, ou ainda Guerras das Patuleias. Os governos de Costa Cabral (1842-1846) reprimiram a Carta Constitucional de 1826 que conservava nas mãos da Rainha o poder moderador e o executivo. Só em 1847 a situação interna se normaliza após a intervenção da Espanha, da França e da Inglaterra que levou à celebração da Convenção de Gramido. Este Livro Azul é uma importante fonte, com 336 documentos para a história deste período, começando em 8 de Outubro de 1846; encontrando-se ainda vários anexos com os tratados entre Portugal e a Grã-Bertanha, começando pelo tratado assinado em Londres em 1373. Relativamente à Questão Portuguesa ou Patuleia: em Janeiro de 1847 teve origem em sucessivas suspensões das garantias constitucionais. O general Póvoas é nomeado comandante dos Patuleias, e comandante militar das duas Beiras, aliando-se a Sá da Bandeira. A esquadra Cartista, comandada por Soares Franco, bloqueia o Porto. Em Fevereiro há a remodelação governamental. Os comerciantes de Lisboa aplaudem a chegada do ministro Tojal à Fazenda. Os funcionários públicos não eram pagos desde Outubro. O exército da Patuleia comandado pelo Conde de Melo ataca Estremoz. Em Abril Sá da Bandeira desembarca no Algarve e inicia a sua marcha para Lisboa. Chega a Setúbal e junta-se às tropas do Conde de Melo e às guerrilhas do sul. Há tumultos em Lisboa, onde estacionam tropas inglesas e espanholas. Sá da Bandeira detém-se em Setúbal. Perde 500 homens no combate do Alto do Viso. Há uma nova remodelação governamental. Novos tumultos dos Patuleias em Lisboa. Em Maio, Sá da Bandeira, depois do combate do Alto do Viso, aceita o armistício. A esquadra britânica bloqueia o Douro impedindo a saída da esquadra do Conde das Antas em socorro do Exército do Sul. Em Junho o exército espanhol ocupa o Porto. Sá da Bandeira aceita submeter-se. Assina-se a Convenção de Gramido (em Gondomar) em 29 de Junho de 1847 com o objectivo de pôr fim à insurreição da Patuleia. A convenção foi assinada entre os comandantes das forças militares espanholas e britânicas, que tinham entrado em Portugal ao abrigo da quádrupla aliança, dezassete dias depois destes documentos serem apreciados pela Câmara dos Comuns inglesa."
(Inocêncio, Vol. II, pp. 220)
Encadernação meia de percalina com rótulo negro e dourados na lombada. Sem capas de brochura. Carminado à cabeça.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Lombada cansada. Retrato apresenta vestígios de humidade.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
75€

07 setembro, 2025

MONTEIRO, José António Pereira -
O EXÉRCITO LIBERTADOR : 1828-1834. Lisboa, Estado-Maior do Exército : Direcção do Serviço Histórico-Militar : Centro de Estudos de História Militar, 1989. In-8.º (20,5x14,5 cm) de [1], 36 f. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da Guerra Civil portuguesa, a formação e desempenho do «Exército Libertador» e a importância estratégica, política e militar, da Terceira no desenrolar dos acontecimentos.
Trabalho batido à máquina e policopiado, impresso na frente, sem menção na base de dados da BNP.
Ilustrado no texto com quadros e tabelas estatísticas, e um mapa da Ilha Terceira em página inteira.
"A formação de um "Exército Libertador" enquadra-se no processo de instauração do liberalismo em Portugal, que só veio a terminar ao fim de catorze anos de lutas por vezes renhidas e muito complexas, marcados por uma alternância de vitórias e derrotas.
A situação militar foi marcada, particularmente a partir de 1828, pela alternância e comandos e a divisão em dois Exércitos bem definidos que terminou apenas em 1834, com a Convenção de Évora-Monte.
Analisar o período em questão, à luz das exigências da moderna historiografia científica não é tarefa fácil, devendo-se essas dificuldades em grande parte ao estado da historiografia portuguesa a ele relativa. [...]
Datamos significativamente este nosso trabalho entre 1828 e 1834 porque, embora se comece a falar mais insistentemente de um Exército Libertador apenas a partir de 1830, entendemos que a sua origem poderá colocar-nos dois anos antes, com a revolta de 16 de Maio e o episódio da Belfastada. Foi a partir desta altura que Portugal ficou dividido em dois partidos bem definidos: Os miguelistas, adeptos do Antigo Regime político e económico, e os liberais, adeptos da Constituição de 1822 ou da Carta de 1826.
A esta divisão política correspondeu a divisão do Exército, concretizada pela revolta de 16 de Maio de 1826."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | A revolta de 16 de Maio de 1828 e a retirada para a Galiza | Tropas da Junto do Porto (tabela) | Tropas miguelistas (tabela) | A permanência em Inglaterra [dos refugiados] | A Ilha Terceira, novo ponto de concentração dos emigrados | A organização militar nos Açores de 1830 a 1831 | Organização das forças na Ilha Terceira (Março de 1830) | A organização da expedição militar a Portugal | Exército Libertador desembarcado em Portugal - Mapa da força presente em parada, no acto de embarque | O Exército Libertador durante o Cerco do Porto | Organização do Exército Libertador | A vinda de Solignac e a mudança do teatro da guerra do norte para o sul do país | De Almoster e Asseiceira à Convenção de Évora-Monte | Evolução numérica do Exército Libertador  (de 1832 a 1834) | Despesas totais da guerra | Corpos que compunham o Exército Libertador em 31 de Maio de 1834 | Notas | Bibliografia.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e militar.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

29 julho, 2025

DESAGGRAVO DEVIDO AO SS. SACRAMENTO DO ALTAR.
Lisboa. Na Typographia de Bulhões, Anno 1829. Com Licença da Meza do Dezembargo do Paço. In-8.º (12,5x7 cm) de 33, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso opúsculo publicado em época de pré-Guerra Civil, período em que as igrejas foram assaltadas e saqueadas, pretendendo-se o desagravo das faltas cometidas pela oração. Trata-se de um importante contributo histórico-religioso típico do período conturbado que se viveu entre nós no primeiro quartel do século XIX.
Obra invulgar e muito interessante.
"Durante as guerras civis fez-se huma associaçaõ de pessoas devotas, que de commum acordo aspiravaõ a prestar ao Santissimo Sacramento do Altar o Culto, e homenagens, que os Soldados lhe arrebatavaõ. Ellas eraõ acordes entre si sobre hum certo número de Missa, e Communhões, e de Orações, que deviaõ praticar para este fim. E porque naõ farieis vós huma associaçaõ semelhante, empregando-vos como aquelles, em reparar as irreverencias praticadas dentro de nossas Igrejas, e diante do Santissimo Sacramento do Altar? Ai de mim! Quantas Igrejas tem sido prostituidas! Quantos Altares destruidos! Quntos Tabernaculos despedaçados! Quantos Vasos Sagrados profanados! E quantas Sagradas Hostias indignamente tratadas! Quantos Sacerdotes vilipendiados! Quantos Mosteiros destruidos! Quantas Igrejas desertas! Quantos Religiosos e Religiosas em fim como homiziados pelas Cidades tem abandonado os seus Claustros, e cessado de cantar os Louvores de Deos. He necessario, na verdade, sermos bem pouco sensiveis á Gloria de Deos, ao amor de Jesus Christo, e á honta da sua Igreja para naõ resentir-nos destas desordens, e para naõ magoar-nos das que se tem praticado ultimamente nesta Capital."
(Excerto do Preâmbulo)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Conserva as capas de protecção originais. Assinatura de posse coeva na f. rosto.
Raro.
Indisponível

09 agosto, 2024

TORRESÃO, Guiomar -
A FAMILIA ALBERGARIA (entre 1824-1834) : romance historico original.
Por... Bibliotheca Universal Dedicada ao Visconde Castilho : N.º 13. Lisboa, Lucas & Filho - Editores, 1874. In-8.º (18x12,5 cm) de 290, [6] p. ; B.
1.ª edição.
Edição original deste romance histórico cuja acção decorre em pleno período da guerra civil portuguesa.
Terceira obra da autora, porventura a mais conhecida e apreciada.
"Caminhando pela estrada que vae direita do Lumiar a Loures, e cortando á esquerda, pouco mais ou menos a distancia de dois kilometros do Lumiar, encontraria o leitor, no anno de 1826, epoca com que abre o livro que lhe apresento, uma propriedade vasta, construida solidamente e afidalgada não só pelo brazão, que dominava a porta principal, como pela côr denegrida da cimalha e dos umbraes, que accusava remota antiguidade. Nas lojas, espaçosas e bem ventiladas, brilhavam ao sol os arreios de prata que os moços de estrebaria poliam, assobiando, fumando e rindo. Ao fundo, viam-se duas traquitanas e uma sege, marcadas com brazão de tres escudos em campo azul. Á direita da cocheira demoravam as cosinhas, onde funccionavam, activos e silenciosos, evidentemente conscios da sua importancia, dois cosinheiros e um ajudante; á esquerda ficavam os quartos de dormir dos criados. As janellas rasgadas e espaçosas do andar nobre abriam para o poente e descobriam um pittoresco e variado horizonte. Leiras caprichando na côr dos verdes, sempre diversa e cambiante, conforme os cobrissem mais ou menos ou raios do sol; bosques de oliveiras; moinhos, noras, azenhas, a casaria branca e alegre dos pegureiros, tudo accidentava o terreno, que subia, descia, colleava até se perder de vista, na planicie, onde pastavam os rebanhos."
(Excerto de I - Criados e Amos)
"Descendente d'essa velha nobreza que tem ramificações em todas as arvores e rebentos em todos os seculos, illustrada pelos feitos valorosos dos seus maiores e pelas allianças contraídas, não raro, com principes de sangue, fanatica pelo throno e devotada ao altar, que de ambos lograra honrarias e proventos, fôra a familia Albergaria Montenegro de Serpa legando de um a outro descendente, que mais ou menos soubera respeital-os, o credo das suas inquebrantaveis crenças, o dogma, legendariamente envolto em oiro e purpura, das suas aureas tradições."
(Excerto de II - Nobres)
Guiomar Delfina de Noronha Torresão (1844-1898). "Foi umas das primeiras mulheres portuguesas a fazer da escrita o seu ofício. Órfã de pai desde a infância, começou cedo a contribuir para o sustento da família dando aulas particulares de instrução primária e de francês. Iniciou a sua carreira literária em 1867, com a comédia (imitação) O Século XVIII e o Século XIX, que foi representada no Teatro D. Maria II, e, dois anos depois, com o romance Uma Alma de Mulher, prefaciado por Júlio de César Machado. Colaborou assiduamente na imprensa periódica, advogando a emancipação intelectual da mulher. Em 1871, fundou — e dirigiu até morrer — aquela que seria uma das suas publicações de maior sucesso: o Almanaque das Senhoras.
Prolixa como poucos, para além de dramas, comédias e romances, Guiomar Torresão publicou também contos, poesia, crónicas, críticas literárias e teatrais, e traduções de diversos textos de autores estrangeiros. Graças a esse trabalho, assim como à sua inteligência e força de vontade, conquistou o respeito de escritores como Camilo Castelo Branco, Alexandre Herculano e Fialho de Almeida. Foi a única mulher a integrar o grupo de 242 sócios fundadores da Associação dos Jornalistas e Escritores Portugueses, instituída a 10 de Junho de 1880. Apesar disso, teve de lutar constantemente contra o preconceito de uma sociedade conservadora que censurava e cobria de escárnio qualquer mulher que tentasse escapar à esfera doméstica."
(Fonte: https://projectoadamastor.org/vozesfemininas-guiomar-torresao-1844-1898/)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis, com defeitos e pequenas falhas de papel. F. rosto apresenta carimbo de posse e dedicatória (rasurada) dos editores.
Raro.
Indisponível

31 julho, 2024

MASCARENHAS, Miguel J. T. - A MARIA DA FONTE : episodio da guerra civil. Por... Um Conto Portuguez. Porto, Typographia Lusitana, 1873. In-8.º (20,5 cm) de 302, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Romance histórico cuja acção decorre em plena guerra civil portuguesa.
Inclui no final do livro, com folha de rosto própria, mas sem alteração da sequência das páginas, uma pequena peça de teatro - Surpreza. Entre-acto original. O romance fecha com uma gravura do autor separada do texto, e com o seu agradecimento ao artista sr. José Arnaldo Nogueira Molarinho, natural de Guimarães, pela oferta da gravura em chapa, que serviu para a impressão do seu retrato.
Nada foi possível apurar acerca de Miguel Mascarenhas, que só terá publicado o presente livro (que levou quatro anos a concluir), a não ser a sua ligação a Guimarães, uma vez que assina a dedicatória e o prólogo do romance com essa indicação.
"Ao cahir da tarde de um dia que fôra borrascôso, no mez de Maria de 1846, avistavam-se, em preparados assentos de terreiro povoado de arvores floridas junto do atrio de nobre e vetusto domicilio, no valle de Sousa, das cercanias de Penafiel, tres formosas donzellas em colloquio intimo. O donaire de uma d'ellas e, a par do seu garbo senhoril, a riqueza e o bem posto de seus atavios, estremando-a das companheiras, annunciavam a elevada posição social a que pertencia. A natureza é que fôra egualmente prodiga para todas as tres no tocante a dotes physicos. Possuiam essas feições caracteristicas das nossas mimosas portuguezas - e não é cego patriotismo esta acerssão - que reunem o que ha de seductor em todos os typos do mundo. 
Chamava-se a fidalga D. Maria da Gloria da Mesquita Bandeira e Abendanho: por menos euphonico que pareça este ultimo appelido - seja aqui dito ligeiramente - é muito nobre e muito peninsular.
D. Maria achava-se no gôso de todas as caricias da familia, porque vira fallecer, um após outro, cinco irmãos varões, ficando a ser, por tal falta, o unico enlevo de seus nobres e abastados progenitores; como tambem usofruia o respeito admirativo de todos os mancebos de muitas leguas em redor da sua habitação, por ser esbelta."
(Excerto do Cap. I, Tres donzellas)
Bonita encadernação em meia de pele com cantos e lombada com nervuras e ferros gravados a ouro sobre rótulos vermelhos. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
45€
Reservado

17 fevereiro, 2024

MONTEIRO, J. Gonçalves -
MALTESES & LADRÕES.
(Breve esboço monográfico). Porto, «Notícias da Beira Douro», 1990. In-8.º (20,5x14,5 cm) de 173, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante conjunto de narrativas/apontamentos biográficos de criminosos, uns mais conhecidos que outros, recordados pela crueldade e o rasto de sangue e morte que deixaram no período da Guerra Civil, e nos tempos que se seguiram.
Ilustrado com 20 desenhos/fotografias em página inteira.
"Como a confusão social e política da época a que se reportam os acontecimentos era enorme, há que distinguir entre maltas (ou malteses) e guerrilhas (ou guerrilheiros). Havia guerrilheiros, normalmente desertores, que aproveitando a confusão generalizada se ematilhavam, indo engrossar as maltas que se dedicavam também ao roubo e ao assalto violento. Mas de um modo geral, as guerrilhas nada tinham a ver com as maltas de salteadores, porque as suas forças ou homens armados, a princípio, não se dedicavam aos latrocínios e assaltos. O povo era quem, muitas vezes, confundia uns com os outros, atribuindo a certos grupos ou chefes proezas que eram cometidas a outros."
(Excerto da Advertência)
Índice: Advertência | Explicação à margem do texto | Breve introdução histórica | Mousinho da Silveira redige as reformas | Período de relativa acalmia política | Milícias, guerrilhas e maltas: - O Cavalaria; - Sás da Ucanha; - O Espadagão; - O Lombela; - O Traquina; - Os Marçais; - Leais de Longa; - O Pancão; - João Polónio; - Pires da Rua, «O Russo»; - Zé do Telhado; - João Brandão; - Quadrilhas menores. | Conclusão | Notas | Bibliografia.
Exemplar em brochura, bem conservado. Assinatura de posse na primeira página (em branco).
Invulgar.
20€

06 novembro, 2023

OS SUPPLICIADOS NA PRAÇA NOVA NOS DIAS 7 DE MAIO E 9 DE OUTUBRO DE 1829.
Porto : 17 de Julho de 1878. [Porto], [s.n.], 1878. In-8.º (20 cm) de 16 p. (inc. capas) ; B.
1.ª edição.
Homenagem aos "Mártires da Liberdade" - os 12 liberais executados na Praça Nova (actual Praça da Liberdade), Porto, em 1829.
"Há 190 anos a cidade do Porto foi palco de uma barbárie, seguramente das mais marcantes da sua história: o enforcamento de 12 liberais pelo regime Miguelista na então Praça Nova, hoje Praça da Liberdade, no seguimento da rebelião liberal ocorrida em maio de 1828 nas cidades do Porto e de Aveiro. A 7 de maio de 1829 foram executados 10 homens e, a 9 de outubro, os restantes dois. A Misericórdia do Porto deu um exemplo de independência face ao poder político e de sentido de humanismo cristão, quando tratou de os acompanhar desde a Cadeia da Relação até ao local da forca, e de recolher e enterrar os seus corpos."
(Fonte: https://www.mmipo.pt/pt-pt/noticias/a-descoberta-do-porto-liberal-os-martires-da-liberdade)
"Todas as grandes ideias téem seus martyres; teve martyres a grande doutrina de Christo, cuja moral só poderia reconstituir uma sociedade viciada; teve martyres o grande emprehendimento dos povos em prol da civilisação de hordas indigenas; e téem finalmente martyres as grande innovações.
O Porto possuiu d'esses martyres, o Porto colloca os seus nomes ao lado dos brazões da cidade da Virgem, o Porto condecorado com esses vultos gloriosos toma para si o nome de - berço da liberdade.
Sim, foi elle que primeiro levantou grito contra a oppressão e foi elle que mais denodadamente appareceu em campo para anniquilar aquillo que d'ahi a pouco, quando a Europa inteira fosse livre, para elle constituiria um verdadeiro opprobrio.
O sangue que os venturosos martyres da liberdade derramaram sobre o cadafalso será um signal de profundo respeito para esta cidade, repetimos, - o berço da nossa liberdade, o defensor convicto dos grandes principios. [...]
Quem ha ahi que não conheça o triste drama de sangue em que figuraram os benemeritos cidadãos a quem esses despojos pertencem?
Quem haverá que não estremeça, recompondo na imaginação as atrocidades espectaculosas de 7 de maio e 9 de outubro de 1829, desdobradas no seio d'esta cidade, á custa da morte vilipendiosa de 12 cidadãos apenas réus da sua dedicação pela liberdade?"
(Excerto do Preâmbulo)
Índice:
[Preâmbulo] | Programma da Transladação das ossadas dos Martyres da Patria, do pateo da Igreja da Misericordia, para o cemiterio privativo da Santa Casa, no Prado do Repouso, no dia 17 de junho de 1878 | Auto de desenterramento feito a 7 de maio de 1836 | Auto de prestito e desenterramento | 7 de maio.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Frágil, com pequenos defeitos.
Raro.
Com interesse histórico.
30€

19 janeiro, 2023

ALVES, Jorge Fernandes & VILELA, José Luís - JOSÉ VITORINO DAMÁSIO E A TELEGRAFIA ELÉCTRICA EM PORTUGAL.
Texto:...
[Lisboa], Portugal Telecom, 1995. In-fólio (30,5 cm) de 91, [5] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Homenagem a José Vitorino Damásio (1806-1875), "personagem e um actor ímpar no processo desenvolvimentista" do século XIX, cuja divisa era: "trabalhar muito e falar pouco".
Livro primoroso, integralmente impresso sobre papel couché, profusamente ilustrado ao longo do texto com estampas a p.b. e a cores. Inclui retrato do biografado em página inteira.
"José Vitorino Damásio foi o segundo director-geral da telegrafia eléctrica, muito tendo contribuído, nessa qualidade, para o nascimento em Portugal do sector que hoje se apresenta como vital para o desenvolvimento económico e social dos países - o das Telecomunicações.
Na verdade é de 1864 a 1867, enquanto desempenhava aquelas funções que a rede telegráfica passa a cobrir a quase totalidade do território nacional e se procede à unificação tarifária, medidas que constituem a base do serviço público telegráfico, embrião das telecomunicações portuguesas. [...]
Figura ímpar de liberal convicto, lutou por estes ideais e pela sua implantação em Portugal, tendo tomado parte como oficial em várias operações militares com risco da própria vida."
(Excerto do Prefácio - Luís Todo Bom)
José Vitorino Damásio CvTE (Vila da Feira, 2 de Novembro de 1806 - Lisboa, 19 de Outubro de 1875). "Foi engenheiro, professor da Academia Politécnica do Porto, director do Instituto Industrial de Lisboa e fundador da Associação Industrial Portuense, hoje Associação Empresarial de Portugal, em Portugal.
Nasceu em 2 de Novembro de 1806, na vila de Santa Maria da Feira. Depois de fazer os estudos primários e secundários, inscreveu-se na Universidade do Porto no ano lectivo de 1826 para 1827, em matemática e filosofia.
Quando estava no segundo ano da universidade, em 1828, alistou-se no Batalhão dos Voluntários Académicos, que combateu pela causa liberal durante a Guerra Civil Portuguesa. No entanto, as forças liberais foram derrotadas na Belfastada, levando ao exílio de D. Pedro para o Arquipélago dos Açores, enquanto que José Vitorino Damásio fugiu primeiro para a Galiza e Plymouth, acabando por ir também para os Açores, [Terceira]. Participou nas operações de ocupação das ilhas do Pico, São Jorge e São Miguel.
Em 1832, participou no Desembarque do Mindelo como 2.º tenente de Artilharia, durante o Cerco do Porto. Quando terminou a guerra, José Damásio voltou para a universidade para concluir o curso..."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação em tela revestida de tecido com ferros gravados a seco e a ouro nas pastas e na lombada, coberta por sobrecapa de cartão a duas cores.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€

22 dezembro, 2022

NORONHA, Eduardo de - O REMEXIDO.
Volume I [Volume II]
. Porto, Companhia Portugueza Editora, [1922]. 2 vols in-8.º (18 cm) de 201, [3] p. ; [1] f. il. (I) e 192 p. ; [2] f. il. ; [1] fac-sim. desdob. ; E. num único tomo
1.ª edição.
Biografia romanceada do Remexido (1796-1838), guerrilheiro algarvio leal a D. Miguel que manteve acesa a resistência absolutista no sul do país, mesmo após a Convenção de Évora-Monte, assinada a 26 de maio de 1834, acto que formalizou o termo da guerra civil (1832-1834).
Obra em dois volumes (completa) ilustrada em separado: No 1.º volume: uma estampa de D. Maria II. No 2.º volume: três estampas e um documento fac-símile, respectivamente, Marquez de Sá da Bandeira - Uma das suas ultimas photographias (repetida); O Remexido no momento da prisão - Copia de uma gravura da epocha; Fac-símile desdobrável: Proclamação dirigida aos portugueses pelo próprio Remexido no seu quartel “em as Serras” do Algarve, a 3-5-1837, em que se intitulava Governador do Algarve, Comandante em Chefe Interino do Exército do Sul e Brigadeiro dos seus Reais Exércitos.
"- Com que então alcunharam-te de Remexido por tanto teres trabalhado para demover a minha tyrannia, para alcançar o meu consentimento - dizia n'um tom entre ironico e maguado o prior de Alcantarilha para o sobrinho no dia do casamento d'este.
A responsabilidade da antonomazia pertence a Maria, a minha querida Maria - explicou com uma expressão de ineffavel felicidade Sousa Reis, abraçando n'um duplo amplexo a mulher e o tio.
- O peor - continuou o sacerdote - é que os amigos acharam graça á alcunha  já ninguem te chama Sousa Reis, é só Remexido para aqui, Remexido para alli.
Assim succedeu na realidade O sobrenome de tal modo se espalhou e popularizou que adquiriu vinculos de appelido. Mais tarde, quando uma abundante prole abençoou o enlace, os filhos accrescentaram á designação patronimica aquella que um dia tão tragica notoriedade havia de adquirir. [...]
Uma semana após o casamento, o prior de Alcantarilha chamou o sobrinho ao seu escriptorio, e disse-lhe: - Como te prometti, e ficou assente com o virtuoso prelado, bispo d'esta diocese, tratarás dos dizímos de S. Marcos e de parte dos e S. Bartholomeu pertencentes á mitra e ao cabido.
- Já sei, meu querido tio, vou eu pessoalmente proceder á cobrança junto com os creados.
- Esse negocio e outros  devem produzir o suficiente para viveres remediado..."
(Excerto do Cap. IX - O desembarque de D. João VI)
Encadernações recentes inteiras de percalina com ferros gravados a ouro nas lomabadas. Conservam as capas de brochura.
Exemplares em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
35€

28 novembro, 2022

NORONHA, Eduardo de - A MARQUEZA DE CHAVES
. Porto, Livraria Civilização, 1922. In-8.º (18 cm) de 570 p. ; [2] p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Biografia de D. Francisca Xavier Teles da Silva de Noronha Camões e Albuquerque (1795-1845), uma "mulher de armas". Acompanhou o marido, Manuel da Silveira Pinto da Fonseca Teixeira, o 1.º Marquês de Chaves, em 1808, na revolta contra os franceses de Junot e durante a Guerra Peninsular. Apoiante de D. Miguel, sublevou as tropas em Trás-os-Montes e acompanhou os revoltosos que não aceitaram o regime saído da Revolução Liberal, nalgumas ocasiões substituindo no comando o marido, exilado em Espanha.
Livro ilustrado com um retrato da 1.ª Marquesa de Chaves em separado.
"Junot, logo que se instala em Lisboa, cura imediata e paralelamente dos serviços militares e de organisar a policia. Escolhe para seu chefe Pierre Lagarde,que desempenhára egual cargo em Veneza, muito a contento do general Buonaparte. Investido de poderes discricionarios, depressa excede em tirania o autoritarismo de Pina Manique, sem possuir a largueza de vistas destes."
(Excerto do Cap. II - Conspirações)
Encadernação inteira de pele, com nervuras e ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Lombada algo desgastada.
Invulgar.
Com interesse histórico.
20€

27 outubro, 2021

HISTORIA COMPLETA DA VIDA E CRIMES DE JOÃO BRANDÃO E SUA QUADRILHA.
4.ª edição do Bazar Feniano de Antonio da Silva Santos & C.ª.
Porto, Antonio da Silva Santos, [19--]. In-8.º (21,5 cm) de 15, [1] p. ; il. ; B.
Curioso apontamento biográfico de João Brandão - versão folheto de cordel - publicado na primeira/segunda década do século XX.
Opúsculo ilustrado no texto com uma gravura representando a morte do padre Portugal.
"Filho de Manoel Brandão, nasceu em 1872 na Vila de Midões, Beirã, o celebre facinora João Brandão. Seus pais pessoas muito de bem, reputados e com bons havêres, tinham mais filhos, entre os quais, dois de nome Roque e Antonio, que com seu irmão João frequentavam a mesma escola, sendo porém este o que mais aproveitava pela sua fácil compreensão e muita inteligência. De genio irrequieto e turbulento, de perversos instintos, João, só se comprazia de fazer mal aos seus condiscipulos e irmãos, aos quais espancava amiudadas vezes, pelo simples prazer de bater e tal era a sua perversão que havendo um dia ferido com um prego, gravemente, a seu irmão Roque, por este ter evitado uma queda por ele preparada a Antonio, e sendo admoestado por seu pai, ameaçou-o, dizendo-lhe que o puzésse fóra de casa, mas que lhe désse uma espingarda, pois que na estrada tambem se colhia pão."
(Excerto do preâmbulo)
Matérias: [Preâmbulo]. | Portaria de S. M. a rainha senhora D. Maria II. | Outra portaria. | Formação da quadrilha. | 1.ª atrocidade. | 1.º crime. | 2.ª atrocidade. | 2.º crime. | Projectos de vingança. Vingança consumada. Morte do ferreiro de Varzea. | 4.º crime. Morte do padre Portugal. | Fuga de João Brandão. | Novos crimes. | Aparecimento de João Brandão e sua prisão. | Os quesitos. | Decisão do juri e sentença. | Sentença.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Frágil, com defeitos e pequenas falhas de papel.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indiponível

09 julho, 2021

MACHADO, António do Canto & CARDOSO, António Monteiro - A GUERRILHA DO REMEXIDO
. Mira-Sintra - Mem-Martins, Publicações Europa-América, [1981]. In-8.º (21 cm) de 217, [3] p. ; il. ; B. Col. Estudos e Documentos, 175
1.ª edição.
Importante trabalho hustórico e biográfico sobre o Remexido, conhecido guerrilheiro algarvio que prolongou por alguns anos a guerra civil portuguesa com as autoridades liberais, ainda que circunscrita a algumas zonas do Sul do país.
"A figura de José Joaquim de Sousa Reis, conhecido pela alcunha de Remexido, suscitou grande repercussão, merecendo abundantes referências jornalísticas, literárias e históricas, que primam na quase totalidade pelo seu pendor apaixonado.
Encarado por uns como herói romântico, que tudo sacrificou ao serviço da causa de D. Miguel, foi por outros considerado como chefe cruel de bandos de salteadores, que desde 1833 ensanguentaram o Algarve com as suas atrocidades."
(Excerto da Introdução)
Livro ilustrado em página inteira com: 2 mapas do Sul do País: Povoações assaltadas pela guerrilha do Remexido de 23 de Agosto de 1836 a 31 de Julho de 1838; Povoações assaltadas de Agosto de 1838 a 1840. 2 gráficos de barras: Guerrilheiros fuzilados nos termos da Carta de Lei de 19 de Dez. de 1834; [Relação de 48 guerrilheiros condenados em conselho de guerra - Distribuição de idades]. 2 documentos fac-símile de âmbito militar: Relação nominal das praças do corpo de ordenanças; Relação nominal das praças do corpo de Regimento de Infantaria 14.
O Apêndice documental contém extenso e significativo acervo documental, como as ordens do dia do Remexido e a correspondência que trocou com diversas personalidades da facção absolutista, bem como inúmeras mensagens e memorandos de algumas das mais conhecidas figuras da guerra civil; inclui reproduzida a Proclamação de D. Miguel aos Portugueses, etc.
"Constituída inicialmente por um punhado de miguelistas perseguidos, a guerrilha do Remexido acabou por se converter numa força armada reconhecida, dirigida e financiada pelo partido absolutista, cujo estado-maior, fixado no estrangeiro, após a capitulação de Évora Monte, mantinha ligação com os adeptos no interior do País. Como principal sustentáculo armado daquele partido, a guerrilha norteava-se pelos princípios programáticos definidos por D. Miguel.
Pouco depois da sua chegada a Génova, o rei proscrito, em 18 de Dezembro de 1834, dirigiu uma proclamação aos Portugueses, em que atribuiu a sua derrota aos manejos da «seita maçónica», que domina dos países da Quádrupla Aliança, e reafirmava os seus direitos ao trono português."
(Excerto do Cap. VI - Objectivos de luta)
Índice:
Introdução.| Capítulo I - A luta civil no Algarve (1826-1834): 1. O levantamento absolutista de 1826; 2. A revolta liberal de 1828: A atitude da burguesia e a reacção popular; 3. As operações militares de 1833-1834: «A guerra dos camponeses contra as cidades». Capítulo II - Origens da reactivação das guerrilhas miguelistas. Capítulo III - A guerrilha miguelista do Sul do País (1836-1840): 1. A reactivação da luta sob o comando do Remexido; 2. A ofensiva de 1838; 3. Colapso e bandoleirização da guerrilha. Capítulo IV - Composição social da guerrilha. Capítulo V - Organização da guerrilha. Capítulo VI - Objectivos de luta. | Apêndice documental. | Bibliografia.
José Joaquim de Sousa Reis (1796-1838). "Remexido ou Remechido (como se escrevia no século XIX), nome por que ficou conhecido José Joaquim de Sousa Reis (Lagoa, Estômbar, 19 de Outubro de 1796 - Faro, 2 de Agosto de 1838) foi um funcionário público e proprietário agrícola que se tornou num célebre guerrilheiro algarvio, que combateu pelo lado da monarquia absolutista, contra os liberais, durante a Guerra Civil Portuguesa. Foi fuzilado pelas forças liberais em 1838."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
35€

14 julho, 2020

REFLEXÕES SOBRE O PARTIDO APOSTOLICO EM PORTUGAL. Escriptas em Lisboa no anno de 1828, por * * * [S.l.], [s.n.], [1828?]. In-8.º (21,5 cm) de 44 p. ; B.
1.ª edição.
Obra anónima, espécie de cartilha liberal, publicada num período conturbado e de grande efervescência nacional.
O autor acusa o partido miguelista e algumas das suas figuras mais conhecidas de invectivarem e ameaçarem D. Pedro, desconsiderando-o por ser "estrangeiro". Trata-se de um conjunto de reflexões sobre a problemática da sucessão ao trono português, por morte de D. João VI, sendo o autor claramente contra a causa de D. Miguel e a favor da legitimação de seu irmão ao trono, enumerando as razões pelas quais assim deverá ser.
"A natural ignorancia do genero humano e a adquirida perversidade de grande parte delle, envenena de tal sorte os bens do estado social, que o homem justo, o homem illustrado vacilla, e muitas vezes preferiria o estado natural; ali, sem ideas de virtude ou crime, serião os homens, moralmente falando, ou todos bons ou todos máos, e só a força fizica graduaria o seu melhor ou peor modo de passar a vida: não acontece assim no estado social, aonde o homem se acha ligado pela complicadissima cadea do moral; criarão-se ideas de virtude e crime, estabelecerão-se direitos e obrigações; e posto que a applicação destas ideas tenha diversificado em tempo ou em lugares, todavia do espirito de todas as instituições sociaes se formou um sistema de moral universal, pelo qual temos, que a virtude é aquella acção da qual resulta bem á especie humana, e que o homem, não fazendo ao seu semelhante o mal que não quer para si, é homem virtuoso; e necessariamente criminoso, o que obbra em sentido contrario: Destes principios nasce a Justiça, cuja manutenção é a primeira obrigação de um governo; só o governo que tiver por baze a justiça será virtuoso, e dará com a protecção dos direitos do homem, o nome de patria á terra onde nascemos; só este governo terá direito para fazer observar os deveres convencionados dos cidadãos, e estes serão tanto mais virtuosos, quanto mais prestarem á republica, com o exemplo de seus costumes, com a pena, a charrua, o leme, o tear ou a espada. [...]
Os patriotas e os cidadãos pacificos exultaram á vista da Carta Constitucional da Monarquia Portugueza, poisque, decretada e dada legitimamente, e concebida de modo que favorecia todos os partidos, parecia deverião fraternalmente unir-se em roda do throno, e mutuamente concorrer para salvar a Patria, aproveitando esta rara dadiva real; porem que politica, que prudencia, que leis, que mocarcha póde conter as demagogicas pertenções do partido apostolico?
O Sñr. D. Pedro IV., jurado e obedecido unanimemente, como natural e legitimo Rei de Portugal, apenas decreta uma Carta Constitucional para regimen dos Portuguezes, logo é tratado pelo partido apostolico como estrangeiro e intruso!
Os mesmos patricidas, que levantaram a guerra civil em 1823, os que attentaram contra a vida do Sr. D. João VI. em 1824, são os mesmos que de novo conspirão contra a paz publica; é o Marques de Chaves que solta o brado terrivel - "Viva D. Miguel I., morra D. Pedro IV!""
(Excerto de Os Apostolicos em Portugal)
Matérias:
Os Apostolicos em Portugal [Preâmbulo]. | I - S. M. El Rei o Senhor D. Pedro IV, não é estrangeiro, e no acto da sua elevação ao Throno Portuguez não só satisfez, mas ampliou todos os juramentos ou protestos, que em tal caso se pretendam. II - Não existiram Cortes de Lamego, nem as chamadas Leis Fundamantaes, pelo menos é duvidosa a sua existencia. III - Quando se admitta a real existencia das ditas Leis Fundamentaes, feitas nas Cortes de Lamego, e que o Sr. D. Pedro é estrangeiro, prova-se pela natureza das Cortes em Portugal, o poder soberano dos Monarcas Portuguezes, que o Sr. D. Pedro entrou legitimamente na posse da Coroa de Portugal e Algarves, pelo falecimento do Sr. D. João VI. IV - Ao Smo. Sr. Infante D. Miguel não pertence a Coroa de Portugal e Algarves; a sua conducta é a melhor prova. V - Não é uma voz unanime que pede para Rei de Portugal o Smo. Sr. Infante D. Miguel.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Lombada reforçada. Capas frágeis com defeitos e falhas de papel.
Raro.
Com interesse histórico.
30€

05 abril, 2020

RIBEIRO, António dos Reis - O PADRE CASIMIRO E CAMILO. Lisboa, Editorial Enciclopédia, Lda, [1947]. In-8.º (19 cm) de 220, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Capa de Emmerico Nunes.
Interessante subsídio camiliano. 
Casimiro José Vieira (Vieira do Minho, 1817 - ?, 1895). "Sacerdote católico português, foi um dos principais chefes da guerrilha miguelista durante a guerra civil de 1846-1847. Era um forte defensor do culto das Cinco Chagas de Cristo e um legitimista convicto, que proclamava El-Rei D. Miguel do alto do Bom Jesus do Monte." (Fonte: wikipédia)
"O Padre Casimiro José Vieira, comandante das forças populares do Minho e Trás-os-Montes e defensor das Cinco Chagas, o último apendículo decerto, para que não parecesse mal, o carregar sobre a sua sotaina de Padre com o arcabuz de guerrilheiro, era natural de Vieira, no Minho.
Terra montanhosa, de clima áspero, confinando com a região barrozã de Trás-os-Montes, os seus homens são geralmente altos, espadaúdos, fortes, próprios para lutar com as hostilidades da temperatura e a braveza da terra.

O Padre Casimiro era, fisicamente, como qualquer vieirense serrano, alentado, robusto, o vigor e a saúde estampados no rosto moreno, de traços regulares e agradáveis. O seu corpo desempenado, de montanhês forte, parecia mais talhado para os trabalhos árduos do campo, do que para o mister sacerdotal, brando e remançoso.
Em 1846, quando deflagrou a revolução, depois chamada da Maria da Fonte, tinha o Padre Casimiro vinte e poucos anos e era, segundo o testemunho de Pinho Leal, que com ele tratou nessa época, um moço garboso e simpático. Acrescenta Pinho Leal, na sua maneira de dizer, tão pitoresca, que o padre era grande pândego e se tivesse alguma cultura, não havia de ser parvo de todo.
Pinho Leal é mais generoso ainda assim do que Camilo, ao apreciar os dotes intelectuais do guerrilheiro tonsurado. [...]
Mas que razões tinha Camilo, para desembestar contra o Padre Casimiro, depenado herói, a quem amargurou a velhice do sexagenário?"
(Excerto de O Padre Casimiro e Camilo)
Índice:
O Padre Casimiro e Camilo. | O Defensor das Cinco Chagas. | Camilo, Visconde de Correia Botelho. | Os Brasileiros de Camilo. | A minha Terra.
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação.
Pouco comum.
Indisponível

04 abril, 2020

CARVALHO, Joaquim Martins de - OS ASSASSINOS DA BEIRA. Novos apontamentos para a historia contemporanea. Por... Redactor do Conimbricense. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1890. In-4.º (23,5 cm) de VII, [1], 359, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história do período pós-guerra civil, época em que a banditagem protegida por interesse locais e políticos assolou, sobretudo, o centro do país, pondo as Beiras a ferro e fogo, roubando e matando, impondo o medo e colocando em alvoroço as populações desprotegidas.
"A historia das atrocidades praticadas na Beira em seguida ás guerras civis é uma lição que deve aproveitar a todos. São ellas consequencia funesta de causas ainda mais funestas. A desordem arrasta consigo um cortejo de desgraças que se multiplicam e estendem por largo espaço de tempo. Abrem-se e rasgam-se feridas; e ainda que se curem, conservam demorados vestigios, vestigios que muitas vezes gretam e gottejam sangue. Ensarilharam-se as armas em 1834; mas á sombra da paz a violencia desenvolveu-se em assassinatos e roubos, resultado da fraqueza das leis. Estas, como se sabe, só podem dominar com a tranquilidade publica, unida estreitamente com o completo restabelecimento da ordem.
Uma lusta sangrenta de odios politicos degenerou na vindicta particular e no desenfreamento do crime. Eis o que mostra este livro.
Sustentámos sempre como liberaes o pendão da causa democratica, symbolizada então em D. Pedro IV; mas se estygmatisámos e condemnámos os desacertos e malfeitorias do partido miguelista, desenrolamos com a mesma imparcialidade a pagina negra que enlutou as duas Beiras nos primeiros annos do regimen liberal. D. Miguel entendeu que poderia sustentar-se com a repressão por meio dos supplicios; o liberalismo julgou util viciar o systema eleitoral com a corrupção e cumplicidade dos bandidos. Ambos erraram e ambos amargaram os seus erros."
(Excerto do preâmbulo)
Índice:
Preambulo. I - Immoralidade governativa. II - O governador civil de Coimbra, Maldonado. III - Morte do Ferreiro de Varzea de Candosa. IV - Politica corruptora nas eleições. V - Attitude do Conimbricence perante os assassinos. VI - O administrador de Taboa, Costa Amaral. VII - Ameaças de João Brandão e resolução do governador civil. VIII - Eleição de um deputado pelo circulo da Louzã. - Fulminante resposta do Conimbricence ao sicario João Brandão. IX - Os dois cavalheiros de industria, Lima Valentão e Sebastião de Brito. X - Os assassinos e a relação do Porto. XI - O grande sicario Antonio Rodrigues, o Boa Tarde. XII - Ainda os assassinos e a relação do Porto. - Evasão de um facinora. XIII - Tolerancia para com os sicarios. - Terror nos jurados, inspirado pelos assassinos. XIV - O juiz de direito de Arganil, Joaquim José da Mota. - Apresentação de João Brandão na cadeia de Arganil. XV - Transferencia de João Brandão para Coimbra e regresso para Arganil. - Audiencia de julgamento e adiamento d'ella. - Absolvição escandalosissima dos scelerados. XVI - Continuam os assassinatos na Beira. - Morte de Manuel Antonio Marçal e João Maximino Dias. XVII - Ligações politicas da auctoridade progressista com os assassinos. - Eguaes ligações da opposição regeneradora. XVIII - João Brandão em Coimbra. XIX - O Marçal de Fozcoa. XX - O assassinato de Estanislau, de Varzea de Meruge. XXI - Antonio da Costa, o Caca. XXII - Horrorosas mortes do vigario do Ervedal, das suas criadas e da mãe d'elle. XXIII - Morte do abbade de Guardão. XXIV - Morte do juiz de direito de Midões. - Uma fera no povoado. XXV - O major Christiano, grande envenenador. XXVI - A sociedade secreta dos Invisiveis. XXVII - A quadrilha de ladrões de Montemór-o-Velho. XXVIII - Assassinatos em Montemór-oVelho. XXIX - A quadrilha de ladrões de Verride. XXX - Horrorosas carnificinas em Coimbra. XXXI - Grandes roubos. XXXII - A morte do Pirão. XXXIII - A republica do Carmo em Coimbra,. XXXIV - A ultima execução em Coimbra. XXXV - A horrorosa morte do Campeão. XXXVI - O roubo no Chão do Bispo. - Francisco Marques, o Coimbra. XXXVII - A odiosissima morte do Lazaro. XXXVIII - Os sicarios de Lavos. XXXIX - O Obeservador e o Conimbricence. XL - Os moedeiros falsos em Coimbra. XLI - Outra execução de pena ultima. XLII - Horrorosa morte e roubo do padre Januario Mendes, prior de Sameice, concelho de Ceia. - Outras mortes e roubos. XLIII - O Soares do Carregal. XLIV - Ainda o Soares do Carregal. XLV - Morte e roubo do padre Portugal. XLVI - João Nunes Ferreiro, de Varzea de Candosa. XLVII - Additamentos.
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
65€

01 janeiro, 2020

CASTELLO BRANCO, Dr. Francisco R. d'Oliveira - OS CRIMES DO PADRE MATHEUS. Pelo... Lisboa, Typ, - Largo dos Inglezinhos, 27, 1.º, 1879. In-8.º (16 cm) de 135, [1] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Biografia romanceada de Matias António - o padre Mateus. Curiosíssima história (aparentemente verídica) sobre um falso padre, cuja acção decorre entre Lisboa e a Golegã, locais onde Matias exerceu o "sacerdócio", em pleno período de lutas liberais. Não existem referências biobibliográficas sobre o autor.
Livro ilustrado com a estampa d'«o suposto padre Matheus».
"É noite, noite d'inverno, triste e sombria como a alma dos pobres. A chuva escorre lenta e silenciosa pelas fontes dos edificios como lagrimas do tempo chorando as miserias da humanidade. Aqui e alli resaltam das paredes os reflexos da luz amarelenta dos velhos lampiões que o vendaval sacode nas suas hastes de ferro obrigando-os a derramar sobre os raros transeuntes as nauseabundas gotas de liquido mal cheiroso, que lhes alimente a debil e vacilante luz.
Estamos no mez de Dezembro do anno do nascimento de nosso Senhor Jesu Christo 1840. A velha cidade de Ulisses, fatigada ainda da grande lucta intestina que estabeleceu difinitivamente o governo liberal do paiz, e ainda das sucessivas convulções com que tinha espedaçado os derradeiros élos do grilhão enorme, que lhe rodeara os pulsos, não iniciara ainda a longa serie de reformas e melhoramentos, que a tornam hoje quasi desconhecida para os que habitam no primeiro periodo do nosso seculo."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos. A gravura encontra-se solta.
Raro.
A BNP dá notícia de dois exemplares, indicando no entanto possuírem apenas 80 páginas (incompletos?).
100€