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08 outubro, 2026

REFUTAÇÃO Á RESPOSTA ANALYTICA AO OPUSCULO INTITULADO BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE O COMMERCIO, E NAVEGAÇÃO DE PORTUGAL PARA A ASIA.
Por hum portuguez não hypocrita. 26 de Janeiro de 1836. Lisboa: 1836. Typographia de Felippe Nery. In-8.º (20,5x13,5 cm) de 19, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Polémica a propósito do comércio com a China via Macau e os monopólios a estes associados, despoletados por um opúsculo publicado em Junho de 1835, que deu asas à polémica - Breves considerações sobre o comcercio e navegação de Portugal para a Asia - e que  foi objecto de crítica - Resposta analytica... A este, respondeu o autor do primeiro com o presente folheto.
Opúsculo com interesse histórico e político.
"Quando em 12 de Junho de 1835 publicámos o Opusculo intitulado = Breves considerações sobre o comcercio e navegação de Portugal para a Ásia = logo previmos que alguem apparecesse a contestar de má fé as nossas opiniões. Passarão-se quasi sete mezes, que os aspirantes ao monopolio guardarão estupido silencio, talvez receando-se (com muita prudencia!) desafiar huma polemica publicva, que lhes desconcertasse os seus planos, e os fizessem odiosos á parte sã, e illustrada dos negociantes Portuguezes, e do publico instruido."
(Excerto da Refutação...)
Exemplar brochado em razoável estade de conservação. Cpas frágeis, manchadas, com defeito e pequenas falhas de papel.
Muito invulgar.
10€

07 outubro, 2026

PIRES (Cor. grad.), Governador Mário Lemos -
RELATÓRIO DO GOVERNO DE TIMOR. (Período de 13 de Novembro de 1974 a 7 de Dezembro de 1975).
[Pelo]... Relatórios da Descolonização de Timor I. Lisboa, Presidência do Conselho de Ministros, 1981. In-4.º (23,5x16 cm) de 378, [6] p. ; B.
1.ª edição.
Relatório do processo de descolonização de Timor-Leste pelo general (à época, coronel) Lemos Pires, o seu último governador. O período abrangido medeia entre 13 de Novembro de 1974, data da sua chegada à ex-província e posse, até 7 de Dezembro de 1975, dia em que teve início da invasão de Timor pela Indonésia.
O presente é o volume I. Nesse ano foi publicado um segundo volume: Relatório da Comissão de Análise e Esclarecimento do Processo de Descolonização de Timor, elaborado pelo brigadeiro Francisco A. Riscado, o tenente-coronel Paula Vicente, o major João Goulão de Melo e o capitão-tenente Carlos S. C. Pecorelli, que, reportando ao mesmo assunto, trata o tema de forma diferente. Enquanto o primeiro é um documento na primeira pessoa, elaborado pelo último governador português no território, representando por isso o relato oficial da autoridade máxima que estava no terreno a tentar gerir a crise, o segundo, é um documento elaborado por uma comissão independente de inquérito; não é o testemunho de quem governou, mas sim uma espécie de auditoria externa.
"O desenrolar do processo de descolonização de Timor tem sido objecto de viva polémica - no que aliás não sai da regra verificada quanto às outras ex-colónias - convindo, por isso, sistematizar ideias e factos ocorridos e extrair algumas conclusões, com vista a fornecer a possibilidade de apreciação, tanto quanto possível objectiva, pelos órgãos de soberania que dirigiram superiormente o processo.
A falta de documentação - os arquivos do governo ficaram em Díli, pois razões de surpresa e segurança, necessárias para a saída do governo para Ataúro impediram que os mesmo fossem trazidos - dificulta, em muitos casos, a apresentação de documentos. Porém, dada a relativa proximidade no tempo dos acontecimentos, é viável a reconstrução do panorama vivido nas diferentes fases, além de que o facto de não ser necessário descer a pormenores demasiados atenua a falta apontada.
O presente relatório tem a finalidade de dar a conhecer os aspectos relevantes das actividades do governo de Timor nos campos político, económico, social e financeiro, fazendo somente algumas referências aos aspectos militares relevantes. A classificação de segurança é de Confidencial em virtude da natureza dos documentos em que o relatório se baseia, alguns dos quais se incluem.
Pela necessidade de enquadramento de muitos dos acontecimentos posteriores, o relatórios começa por apresentar uma síntese de caracterização das populações, economia e administração portuguesa em Timor. Relatar-se-ão de seguida os aspectos significativos da vida do tyerritório no período que decorreu desde Abril a Novembro de 1974, antecedentes da acção do governo que nessa data tomou posse."
(Preâmbulo)
Índice:
I - Considerações Gerais. II - Caracterização da situação em Novembro de 1974. III - De Novembro de 1974 a Maio de 1975. IV - Cimeira de Macau - Maio/Julho de 1975. V - Do golpe da UDT à saída do governo para Ataúro. VI - Da instalação do governo em Ataúro à invasão da Indonésia. VII- Conclusões finais.
Mário Lemos Pires CvA (Lamego, 1931 - Lisboa, 2009). "Foi um major-general do Exército português com os cursos de estado-maior dos exércitos de Portugal e dos Estados Unidos da América e de defesa do Colégio de Defesa da NATO e do Instituto da Defesa Nacional. Notabilizou-se por ter sido o último governador do Timor português, tendo governado aquela província ultramarina desde 8 de novembro de 1974 até 27 de novembro de 1975, embora a administração se tenha visto forçada a deslocar-se para a ilha de Ataúro nos últimos três meses em consequência do golpe liderado pela UDT de agosto de 1975. Após a partida de Mário Lemos Pires (então coronel) para Lisboa no dia 23 de setembro de 1975, o território de Timor-Leste foi invadido e ocupado pela Indonésia a 7 de dezembro de 1975, situação que se manteve até 15 de setembro de 1999, quando o Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu votar pela Força Internacional para o Timor-Leste, o Interfet, que pôs fim à ocupação selvática da Indonésia sobre Timor-Leste."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico.
20€

28 setembro, 2026

À NAÇÃO - ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA-COIMBRA. [Coimbra], Associação Académica de Coimbra, 1969. In-fólio (34x22,5 cm) de 10 p. (inc. capa) ; B.
1.ª edição.
Folheto histórico, policopiado. Trata-se do comunicado-protesto justificativo dos estudantes de Coimbra face aos acontecimentos que tiveram início a 17 de Abril de 1969, e que abalaram o Estado Novo. A 6 de maio o governo mandou encerrar a Universidade e cancelar a Queima das Fitas. O cerco incluía carros e GNR a cavalo. O presente opúsculo foi concebido e distribuído em 7 de Maio - no dia seguinte a estes eventos.
"A crise começou no dia 17 de Abril de 1969. Os estudantes pretendiam intervir durante a inauguração do edifício das matemáticas e o presidente da Direção Geral da Associação Académica, Alberto Martins, pediu a palavra, mas foi impedido de o fazer.
Os estudantes, que já estavam em protesto exigindo a reintegração de professores e a democratização do ensino superior, tomaram conta da sala onde decorria a inauguração. A crise agudiza-se nas horas e dias seguintes com a prisão de vários dirigentes académicos e a ocupação de Coimbra por forças militares e policiais.
O Ministro da Educação e o reitor acabariam por se demitir, mas vários estudantes da academia seriam forçados a integrar as forças armadas, seguindo para a guerra do ultramar."
(Fonte: https://ensina.rtp.pt/artigo/a-crise-academica-de-1969-17-de-abril/)
"Acontecimentos de magna importância para a vida nacional ocorrem em Coimbra desde 17 de Abril do ano corrente.
A Nação, porém, só passados treze dias obtém do Governo, por intermédio do Ministro da Educação Nacional, uma informação que até o cidadão mais desprevenido considerou tardia, suspeita e tendenciosa.
Tardia porque a Nação tem o direito de ser informado diariamente não apenas das transferências futebolísticas mas, principalmente, daqueles acontecimentos que ferindo os seus órgãos vitais mais afectam a sua fisiologia dinâmica. A informação do País não mais pode ficar dependente de simples critérios de oportunidade política; de um simples "achar vantajoso-ministerial" sob pena de grave ofensa do direito à informação, sob pena do descrédito da nossa imprensa, sob pena de se facilitar o boato de tão graves consequências."
(Excerto de I - Introdução)
Índice:
I - Introdução. II - Antecedentes. III - O dia 17 de Abril de 1969. IV - Conclusões de interesse nacional: 1.º - Reforma global do ensino; 2.º - Independência-autonomia; 3.º - Auto-gestão; 4.º - O reconhecimento da utilidade social do estudante; 5.º - Educação permanente; 6.º - Democratização do ensino.
Exemplar em brochura, bem conservado. Apresenta vinco ao centro.
Raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na BNP.
Indisponível

26 setembro, 2026

COSTA (Mesquitella), D. Bernardo da -
TOIROS DE MORTE.
Relatório apresentado por... e aprovado pela Comissão nomeada pala Portaria de 6 de Maio de 1933, nos termos do art. 1.º do decreto- lei n.22.482. Lisboa, [Tip. da Emprêsa Nacional de Publicidade - Lisboa], 1935. In-8.º (20x14,5 cm) de 123, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso trabalho elaborado pelo autor com o propósito e expectativa de obter autorização das autoridades para corridas com "touros de morte" em Portugal - tema momentoso na época - que se traduz na morte do touro na arena a culminar a faena.
"Encarregado de elaborar o parecer da Comissão que S. Ex.ª o Sr. Ministro do Interior houve por bem nomear para estudar a possibilidade da realização de corridas com toiros de morte, tenho a honra de vir desempenhar-me dessa missão, lastimando, ao apresentar êste trabalho, que a escolha tivesse recaído sobre a pessoa menos autorizada para o fazer. [...]
O assunto é tão vasto e tão contrariado tem sido, que a sua defesa não se torna fácil - não porque lhe escasseiem as provas mais seguras, mas porque contra cem anos de de certos preconceitos resultam muitas vezes inúteis todos os argumentos. [...]
A Comissão, emitindo o seu voto favorável, não fêz mais, pois, que interpretar o sentir do numerosíssimo público que pela tauromaquia se interesse e que é, por conseguinte, o único cuja opinião interessa.
Podia resumir assim o seu parecer: a necessidade, porém, de esclarecer certos pontos, incluindo alguns de ordem puramente técnica, obriga-me a demonstrar:
- na autorização dos «toiros de morte» reside o ressurgimento da tauromaquia portuguesa;
- dêsse ressurgimento só podem advir benefícios no campo económico;
- tanto sob o aspecto social como debaixo do ponto de vista educativo, se os «toiros de morte» não nos oferecem vantagens apreciáveis (o que é discutível) também não nos trazem inconvenientes nenhuns.
O estudo da questão sob êstes quatro aspectos principais - artístico, económico, social e educativo - é o objecto dos quatro capítulos em que se divide o presente Relatório."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | I - Aspecto Artístico: I) Origens do toureio; II) O toureio em Espanha; III) O toureio em Portugal. II - Aspecto Económico: I) Do espectáculo em si; II) Da criação do gado bravo; III) O toiro como animal de ceva; IV) O toiro como animal de trabalho; V) O toiro como animal de lide. III - Aspecto Social. IV - Aspecto Educativo. | Apêndice
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas manchadas.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
20€
Reservado

12 setembro, 2026

COELHO, Trindade –
MANUAL POLITICO DO CIDADÃO PORTUGUEZ. 2ª edição actualisada e muito augmentada. Prefacio de Alberto d’Oliveira, Ministro de Portugal na Suissa. Porto, Typographia a Vap. da Emprêsa Litteraria e Typographica, 1908. In-8.º (19x12 cm) de XVI, 720 p. ; E.
Obra de referência. Trata-se da segunda edição deste importante Manual, publicada 2 anos após a primeira, e preferível a esta porque consideravelmente "actualizada e aumentada".
Verdadeiro manual de cidadania, o livro defende que um povo instruído é a base de um país livre e justo. Trindade Coelho pretendia que qualquer cidadão comum - e não apenas as elites - conseguisse ler o manual e compreender exactamente quais eram os seus direitos face ao poder do Estado, servindo como uma ferramenta de emancipação social.
Exemplar muitíssimo valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a um seu "irmão" (maçon?), escrita pouco tempo antes de pôr termo à vida, tragédia ocorrida após a publicação do livro.
"Na sua marcha veloz, o tempo renova incessantemente as gerações. Dia a dia, homens que foram uteis no seu o paiz desapparecem no tumulo; e dia a dia tambem, cidadãos jovens attingem a edade de servir a patria como soldados, ou de intervir, como eleitores, na vida publica. Assim se renova constantemente uma nação, na sua marcha para o futuro; mas este só será prospero, se os elementos novos que a nação recebe contribuirem para a sua grandeza e para o seu prestigio.
Macebos! sois a esperança da patria, o reforço de que ella carece para que as baixas produzidas constantemente pela morte sejam preenchidas. Não tardará que a patria vos confir os seus destinos, - pesada responsabilidade a que não podereis fugir. Á custa de luctas tantas vezes sangrentas, fundaram vossos paes a liberdade; e mais preciosa herança não podiam elles legar-vos, pois de somenos valor seriam, sem ella, as demais riquezas. [...]
Mas indignos serieis vós da liberdade, se não possuisseis as virtudes que caracterisam o bom cidadão; se não amasseis a patria até derramardes pela sua independencia a ultima gotta de sangue; se para a vida publica não levasseis exactas e sãs ideias sobre a melhor forma de tornar prospero no interior o vosso paiz, e de o fazer respeitado no exterior."
(Excerto de Grandeza do papel que incumbe á mocidade)
José Francisco Trindade Coelho (Mogadouro, 1861 - Lisboa, 1908). "Formado em Direito na Universidade de Coimbra em 1885 (tempo esse cuja memória evoca no livro In Illo Tempore, 1902), e depois de breve período em que exerceu advocacia no Porto, decidiu-se pela magistratura, tendo sido nomeado procurador régio, sucessivamente para o Sabugal, Portalegre, Ovar e Lisboa. Revelando-se um magistrado íntegro e um homem de bem, conjugou o exercício da sua profissão com o cultivo das letras, que iniciou ainda estudante, tendo a sua passagem pelas diversas cidades em que viveu ficado assinalada pela fundação de uma série de jornais, desde A Porta Férrea e Panorama Contemporâneo, em Coimbra, à Revista Nova ou à Revista de Direito e Jurisprudência, em Lisboa.
Generoso, sonhador e entusiasta, com uma enorme capacidade de trabalho alternando com graves crises de esgotamento nervoso que o deixavam prostrado (foi na sequência de uma dessas crises que se suicidou), Trindade Coelho interessou-se pela pedagogia, pelo folclore e pelos estudos etnográficos, pela jurisprudência e pela política, para além da produção propriamente literária.”
(Fonte: http://livro.dglab.gov.pt/sites/DGLB/Portugues/autores/Paginas/PesquisaAutores1.aspx?AutorId=6362)
Encadernação em percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Encadernado sem as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Indisponível

31 agosto, 2026

ACÔRDO A QUE CHEGARAM OS GOVERNOS DE PORTUGAL E DA AUSTRÁLIA PARA ESTABELECIMENTO DE UMA CARREIRA AÉREA ENTRE DILI E DARWIN.
Por troca de notas de 11 de Dezembro de 1940 - MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS : Direcção Geral dos Negócios Políticos e da Administração Interna. Lisboa, Imprensa Nacional, 1941. In-4.º (23x15 cm) de 10, [2] p. ; B.
e
ACÔRDO ENTRE OS GOVERNOS PORTUGUÊS E JAPONÊS PARA ESTABELECIMENTO DE UMA CARREIRA AÉREA ENTRE DILI E PALAU. Assinado em Lisboa em 13 de Outubro de 1941 - MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS : Direcção Geral dos Negócios Políticos e da Administração Interna. Lisboa, Imprensa Nacional, 1941. In-4.º (23x15 cm) de 10, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Acordos históricos subscritos entre Portugal - por Oliveira Salazar - e a Austrália e o Japão para a abertura de rotas aéreas entre o território timorense e esses dois países. Apesar da política de não-alinhamento portuguesa, de que são exemplo estes tratados firmados em plena 2.ª Guerra Mundial, em Dezembro de 1941 a Austrália enviou a Força Pardal (Sparrow Force) para ocupar Timor - violando a neutralidade portuguesa - para criar uma barreira defensiva contra o Japão que, pouco tempo antes, atacara Pearl Harbor. Finalmente, a 20 de Fevereiro de 1942, o Japão invadiria Timor, repelindo para as montanhas a força expedicionária australiana.
Ambas as edições são bilingue: Português/Inglês na primeira, e Português/Francês na segunda.
Exemplares em brochura, bem conservados.
Raro conjunto.
Com interesse histórico.
20€

27 agosto, 2026

FELGAS, Hélio Esteves -
A REVOLTA MILITAR NO CONGO.
[Por]... Major de Infantaria. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Tipografia da L. C. G. G. - Lisboa], 1960. In-4.º (23,5x15,5 cm) de 107, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Estudo coevo, muito completo, acerca da emancipação do Congo Belga, e tudo o que se seguiu, questão melindrosa que muito interessava a Portugal, potência colonizadora vizinha (com extensa linha de fronteira no norte/nordeste de Angola), pelo perigo de contágio independentista que representava, e que muito preocupava o regime. A proclamação da independência do Congo Belga (actual República Democrática do Congo) ocorreu a 30 de Junho de 1960, marcando o fim de 80 anos de domínio colonial da Bélgica. A Guerra Colonial eclodiria 9 meses mais tarde, precisamente no norte de Angola.
Esta é a obra de um oficial experiente do Exército Português, conhecedor do contexto, que olha para o assunto com as mesmas dúvidas e receios do Estado face aos ventos de mudança em África.
Ilustrada no texto com mapas e fotografias a p.b.
"Cinco dias apenas após a Proclamação da Independência, a República do Congo viu-se sùbitamente sacudida por uma inesperada revolta geral da «Force Publique» manifestada em uma tremenda explosão de xenofobia.
Sem meios para se fazerem obedecer , sem prestígio, sem coesão, sem qualquer maturidade política ou administrativa, os governantes congoleses desorientaram-se e assistiram impotentes ao resvalar do País para a anarquia e para o caos. Resvalamento esse que era há muito aguardado por quem, como nós, estudou e evolução dos acontecimentos que precederam a concessão da Independência pelos belgas, e conhecia o atraso geral das populações indígenas completamente inaptas para se governarem por si próprias.
Ao mundo atónito a nova República do Congo mostrou com exuberância o que sucede quando meia dúzia de políticos inexperientes, sobressaindo de uma massa ignara e primitiva e desejosos de satisfazer os seus interesses pessoais guindando-se aos altos postos da governação, exigem para o seu País uma independência que ele está longe de poder usufruir.
E mostrou também a tremenda responsabilidade das nações civilizadoras que não podem - sejam quais forem as pressões que sobre elas se exerçam - abandonar levianamente os seus territórios coloniais concedendo-lhes uma Independência para a qual elas sabem que eles não estão preparados."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | Início da revolta | Impotência e desorientação do governo congolês perante o alastramento da revolta | O êxodo dos europeus | A intervenção das forças belgas | A independência da Katanga | Os apelos à O. N. U. | A internacionalização da questão | A tentativa de intromissão da Rússia | O corte de relações com a Bélgica | O restabelecimento da ordem no Congo | Dificuldades políticas internas | A O. N. U. e a República do Congo | A entrada das forças da O. N. U. na Katanga.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e colonial.
30€

23 agosto, 2026

CAMPOS, Fausto Raúl de Almada Lencastre Cruz de -
INQUÉRITO ALIMENTAR ENTRE OS OPERÁRIOS DA FÁBRICA DE LOUÇA DE SACAVÉM.
Trabalho efectuado pelo Serviço Técnico de Higiene da Alimentação e Bromatologia, em colaboração com o Instituto Superior de Higiene Dr. Ricardo Jorge. Lisboa, [s.n. - Papelaria e Tipografia Leixões, de Fonseca & C.ª - Matosinhos], 1949 [Imp. 1950]. In-4.º (24,5x19 cm) de 62, [2] p. ; [5] f. ; [VII] Quadros ; [III] Gráficos ; [III] Tabelas ; B.
1.ª edição.
Estudo pioneiro, o primeiro do género realizado entre nós, versa sobre a qualidade da alimentação do operariado num complexo fabril. Para o efeito, foi escolhida a Fábrica de Loiça de Sacavém, icónica unidade industrial que laborou entre 1850 e 1994. Após o 25 de Abril de 1974 a empresa entrou numa espiral de degradação, com inúmeros problemas laborais e financeiros, que culminaria com o brutal assassinato do administrador - Diamantino Pereira - em Dezembro de 1982 - pelas Forças Populares 25 de Abril.
Relatório ilustrado com gráficos, quadros e tabelas estatísticas, no texto e em separado, sendo alguns em folhas desdobráveis.
"Temos a honra de entregar a V. Ex.ª o primeiro inquérito alimentar realizado pelo Serviço Técnico de Higiene da Alimentação e Bromatologia, em colaboração com o Instituto Superior de Higiene Dr. Ricardo Jorge.
O inquérito fez-se entre a população operária da fábrica de Sacavém, conforme propuzemos e foi aprovado por Sua Excelência o Subsecretário de Estado da Assistência Social.
A escolha de uma fábrica, nos subúrbios de Lisboa, oferecia a vantagem de manter em contacto permanente o pessoal e o Serviço, de modo a remover as dificuldades que sempre surgem em trabalhos desta espécie.
Assim foi possível treinar o pessoal, o que facilitará bastante a sua tarefa, nos inquéritos futuros."
(Excerto de I - Relatório - Inquérito)
"O nosso inquérito não visou a vida económica do operário nem os problemas que lhe andam adstritos.
Apesar disso, averiguou-se haver operários que têm de percorrer grandes distâncias para chegar à fábrica. Este esforço custa muitas calorias, que fazem falta ao trabalho e quiçá à nutrição de cada um dos indivíduos.
As habitações, embora em terra de algum importância, como Sacavém, na vizinhança de Lisboa, não têm água encanada nem rede de esgotos. Mas foram encontradas limpas, como é próprio das mulheres portuguesas."
(Excerto de I - Relatório - Nota complementar)
Índice:
I - Relatório. II - Preâmbulo. III - Inquérito Alimentar: A - Famílias seleccionadas. B - Condições de vida das famílias. C - Tabelas de composições de alimentos. D - Alimentos consumidos. E - Valor alimentar as rações: 1 - Princípios energéticos; 2 - Princípios minerais; 3 - Princípios vitamínicos. F - Alterações clínicas. G - Provas laboratoriais. H - Sugestões. IV - Inquérito da Cantina: 1 - Condições prévias; 2 - Alimentos consumidos; 3 - Valor alimentar das rações da cantina; 4 - Correcções trazidas às alimentação familiar; considerações clínicas sobre os indivíduos que aí tomam refeições e sua comparação com os restantes membros da família.- V - Considerações Finais.
Fausto Raúl de Almada Lencastre Cruz de Campos. Teve uma carreira médica multifacetada, marcada pela investigação pioneira em nutrição, pela alta administração da saúde pública e pela gestão de crises institucionais durante o Estado Novo e a transição para a democracia. Após terminar o curso de Medicina (1942), dedicou-se ao estudo das condições de vida e carências da população portuguesa. Autor de um estudo pioneiro sobre a nutrição dos operários da Fábrica de Louça de Sacavém, ligando a alimentação à saúde laboral - o Inquérito Alimentar entre os Operários da Fábrica de Louça de Sacavém (1949). Replicou esta metodologia científica no levantamento de hábitos alimentares em famílias do Minho e Ribatejo (1950) e em cantinas escolares (1957). Num dos períodos de maior tensão entre a classe médica e o regime, assumiu um papel puramente administrativo e de alta complexidade. Foi o médico designado pelo Ministério da Saúde, ao abrigo do Decreto-Lei 447/72, para tutelar a Ordem dos Médicos num momento de boicote dos clínicos e perseguição política aos contestatários por parte da PIDE/DGS. O cargo cessou com a Revolução de 25 de Abril de 1974. No pós-25 de Abril, integrou os quadros de reestruturação do sistema de saúde nacional. Presidiu à Comissão Instaladora e exerceu o cargo de Diretor-Geral do Serviço de Luta Antituberculosa (SLAT). Ascendeu a Inspector Superior da Direcção-Geral da Saúde. Ao cessar funções em Novembro de 1984 recebeu um louvor do Ministro da Saúde pelo seu zelo e dedicação ao serviço público. (IA)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e sociológico.
85€

17 agosto, 2026

MODÊLO DE ESTATUTOS PARA AS CASAS DO POVO -
Instituto Nacional do Trabalho e Previdência.
N.º 7 = 2.ª Ed. =  1934. [Lisboa], Edições do Sub-Secretariado de Estado das Corporações e Previdência Social, 1934. In-8.º (22x14 cm) de 19, [1] p. ; B.
Documento histórico. Trata-se do regime normativo que iria regular o funcionamento das Casas do Povo, instrumento de previdência e solidariedade social criado pelo regime do Estado Novo.
As Casas do Povo são instituições portuguesas criadas originalmente em 1933 com o objetivo de servir como centros sociais, de previdência e de representação profissional no meio rural. Ao longo de décadas, o seu papel transformou-se profundamente, evoluindo de organismos corporativos do Estado Novo para associações locais de solidariedade e cultura. Fundadas pelo Decreto-Lei n.º 23.051 de 23 de Setembro de 1933, faziam parte da organização corporativa do trabalho. Funcionavam sob a tutela do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência (INTP) e serviam para prestar assistência médica, pagar pensões de reforma e promover a instrução local no meio rural. (IA)
"Tudo pela Nação, nada contra a Nação."
"Artigo 1.º - Nos termos do Decreto-lei n.º 23.051, de 23 de Setembro de 1933, é constituída a «Casa do Povo de ............................», com sede em ............................ e que se regerá por estes Estatutos e pelo Decreto acima referido.
§ único - A Casa do Povo de ....................... terá uma bandeira com as côres do seu concelho, tendo ao centro o escudo nacional e, dispondo por baixo dêste, a sua designação.
Art. 2.º - Esta associação tem personalidade jurídica, podendo demandar e ser demandada e exercer todos os direitos relativos aos seus legítimos interêsses.
Art. 3.º - São fins da Casa do Povo:
1.º . Criar instituïções destinadas a assegurar aos sócios protecção e auxílios nos casos de doença, desemprêgo, inhabilidade e velhiçe.
2.º - Ministrar ensino aos adultos e às crianças, promover diversões e a prática de desportos e utilizar o cinema educativo.
3.º Cooperar nas obras de utilidade comum, comunicações, serviço de águas e higiene pública e outras equivalentes."
(Capítulo I - Constituïção e fins)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Apresenta sombreado por acção da luz.
Raro.
Com interesse histórico.
15€

11 agosto, 2026

NÃO FALAR NA POLÍCIA
: dever revolucionário
. [S.l.], Edições Avante, 1972. In-8.º (17x11 cm) de 32 p. ; B.
1.ª edição.
Folheto clandestino de propaganda comunista. Trata-se de um manual de "sobrevivência" para instruir os simpatizantes e activistas do PCP a resistir aos interrogatórios da PIDE/DGS sem comprometerem o partido e os camaradas.
Não falar na polícia : dever revolucionário é um opúsculo clandestino editado pelas Edições Avante! em 1972. O texto orientava os militantes do Partido Comunista Português (PCP) e os opositores ao Estado Novo sobre como resistir aos interrogatórios da PIDE/DGS. Publicado em plena fase final do regime, funcionava como um guia prático de contra-informação e segurança na clandestinidade. Estabelece a recusa absoluta em prestar declarações à polícia política como um princípio ético e político essencial. Orientações Principais: Silêncio total - Encarar o silêncio perante os agentes como a única defesa coletiva da organização; Resistência à tortura - Desmistificar a ideia de que a violência ou os métodos da PIDE eram invencíveis para justificar confissões; Proteção partidária - Evitar que a queda de um militante comprometesse a rede clandestina e a segurança dos camaradas. (IA)
Documento histórico, sem menção na BNP.
"A ditadura fascista, ontem com Salazar e hoje com Marcelo Caetano, procura sobreviver e retardar o seu inevitável derrubamento, insistindo em recorrer ao arbítrio e à violência. A ascensão do movimento popular de massas em Portugal e o alargamento da heróica luta dos povos das colónias portuguesas, bem como as vitórias dos mundo socialista e das forças anti-imperialistas acentuam as debilidades e contradições do regime fascista. Quanto maior é o seu enfraquecimento, maior é o seu desespero. Isso explica a intensificação da repressão e o crescente furor das torturas policiais aos comunistas e a outros patriotas presos.
É certo que não é de hoje a crueldade dos torturadores policiais durante os interrogatórios. Ela vem muito de trás, desde a instauração a ditadura em 1926. Desde então milhares de presos políticos foram torturados e dezenas de comunistas e outros antifascistas foram assassinados com torturas por se recusarem a trair os seus ideais.
Sucede, entretanto, que a experiência da polícia é maior. E, se considerarmos os últimos anos, é indubitável que tem vindo a aplicar torturas cada vez mais refinadas, generalizando-as a quase todos os presos e prolongando-as até ao limite da resistência física."
(As torturas policiais aumentam)
Índice:
1 - As torturas policiais aumentam: - As responsabilidades dos comunistas; - Pode ser que sejas preso.
2 - Defende-te e defende o Partido: - A prisão e o 1.º interrogatório; - Os interrogatórios; - A polícia procura conhecer-te e demolir a tua resistência; - Os agentes «bons» e os «maus»; - Mentiras, calúnias, tentativas de suborno; - O isolamento - a incomunicabilidade.
3 - As torturas; - A «estátua»; - A tortura do sono; - As alucinações; - As montagens da polícia; Outras formas de tortura; - Tem coragem e vencerás!
4 - O que a polícia pretenderá de ti: - As «histórias»; - Deves ou não declarar ser membro do Partido? - Não fazer confissões ou declarações; - A polícia «sabe tudo» - as armadilhas; - Os «apóstolos» da traição.
5 - O que decide de um bom comportamento: - Todos podem resistir à polícia; - O Partido e os pseudo-revolucionários; - Os bons e os maus portes na polícia; - Heróis do Partido e do Povo; - Preocupação essencial: defender o Partido.
Exemplar em brochura, com os cadernos por abrir (presos por agrafo), em bom estado de conservação.
Muito raro.
Peça de colecção.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
75€

07 agosto, 2026

REORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DA POLÍCIA FLORESTAL.
Aprovada pelo decreto n.º 12:625, de 3 de Novembro de 1926, para valer como lei, e decreto n.º 12:793, de 30 de Novembro de 1926, que alterou algumas das suas disposições - MINISTÉRIO DA AGRICULTURA : Direcção Geral dos Serviços Florestais e Aqüicolas. Lisboa, Imprensa Nacional, 1926. In-4.º (22x14 cm) de 34 p. ; B.
1.ª edição.
Importante alteração regulamentar produzida com o intuito de proteger os recursos florestais. Aprovada e promulgada pouco tempo após o golpe militar que pôs fim à 1.ª República.
O Decreto n.º 12:625, de 3 de novembro de 1926 (publicado no Diário do Govêrno n.º 251/1926), valendo como lei sob a égide do Ministério da Agricultura, reorganizou os serviços da polícia florestal em Portugal. Foi complementado logo a seguir pelo Decreto n.º 12:793, de 9 de dezembro de 1926, que alterou disposições do diploma inicial. Reestruturou o serviço de polícia florestal afeto à Direção-Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas. Definiu competências de fiscalização, o regime florestal, regulamentação de reservas de caça, uso e porte de arma para os agentes, além de taxas, coimas e contravenções. (IA)
"Considerando que convém que a propriedade produza econòmicamente em favor da grei a maior soma possível de produtos de utilidade pública;
Considerando que para tal conseguir indispensável é protegê-la contra prejuízos, danos, abusos, furtos e roubos;
Considerando que justo é também que o Estado aufira os recursos necessários para tornar eficaz essa protecção;
Considerando que basta muitas vezes a simples proïbição da pastagem clandestina, abusiva e daninha e o evitamento do arranque da copa e do incêndio propositado, malévolo ou por negligência, para obter a regeneração natural de soutos, montados e outros povoamentos florestais e que para isso indispensável é a proïbição do trânsito estranho e anónimo."
(Excerto do Decreto n.º 12:625)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas cansadas, com pequenos defeitos. Apresenta sublinhados e anotações a tinta nas margens e em rodapé.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

06 agosto, 2026

POLÍTICA IMPERIAL DE FOMENTO : Novas Directrises.
"Portugal Maior" - Cadernos Coloniais de Propaganda e Informação
. Luanda, Edição da "Casa da Metrópole", 1945. In-8.º (21,5x15 cm) de 21, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso opúsculo de propaganda patriótica impresso em Luanda, Angola, publicado no último ano de guerra mundial. Trata-se do n.º 1 de uma colecção que atingiu 10 números, editada entre 1945-47.
Capa assinada "MCastelo".
A "Casa da Metrópole" em Luanda foi uma instituição colonial portuguesa de propaganda, informação e dinamização cultural ativa no século XX (com forte presença na década de 1940). A sua actuação baseava-se em frentes estratégicas bem definidas: Funcionava alinhada com as diretrizes do Estado Novo para projetar a presença e a herança portuguesa no território angolano. Foi responsável pela publicação de diversas obras e cadernos de propaganda colonial. O exemplo mais notório é a coleção "Portugal Maior: cadernos coloniais de propaganda e informação", que incluía ensaios e registos fotográficos históricos. Fazia a ponte de comunicação cultural e identitária entre a "Metrópole" (Portugal Continental) e os colonos radicados na então colónia de Angola. (IA)
Opúsculo ilustrado com retrato do Prof. Marcelo Caetano, Ministro das Colónias, colado na folha que sucede ao rosto.
"A idéia imperialista assenta sôbre princípios básicos, entre os quais é de maior vulto o que traduz uma forte unidade espiritual que se repercute na comunicação da língua, de sentimentos e de afectos, de esperanças e de aspirações.
Recebendo do passado as lições da expansão e da expressão de Portugal no Mundo, conhecendo do presente as inconfundíveis realizações materiais e espirituais que dignificam e enaltecem a política do Govêrno, a gente lusíada torna, acima de tudo em realidade, a unidade imperial portuguesa, agora servida por uma doutrina que se expande progressivamente por tôdas as terras do Império, animadas pelas precisas oportunas e justas resoluções do ilustre titular da Pasta das Colónias, cuja figura revela uma inteireza de carácter que se oferece ao desenvolvimento ordenado das nossas terras ultramarinas na mais rasgada visão imperial e humana."
(Excerto da Abertura) 
"«Quem conheceu a África tropical há 50 anos e a conhece hoje; quem há meio século viveu nas colónias portuguesas e por elas hoje transita - há-de verificar que consoante é voz corrente dos velhos coloniais «a África mudou muito» e até porventura aventurará (embora com excessivo optimismo) o paradoxo de que «a África já não é África».
Tais conceitos exprimem a admiração pela mudança operada nas condições de vida do branco, parece que nas próprias condições e ambiente, em virtude da ocupação europeia, que ousadamente rasgou estradas pelo coração dos sertões, assentou vias férreas, lançou cabos telefónicos e ergueu cidades e vilas no litoral e no interior, desbravou o mato, afastou as feras e cultivou fazendas em sítios outrora inóspitos. O que se fêz, alenta esperanças sôbre o muito que se pode fazer."
(Excerto de Discurso do Prof. Marcelo Caetano aqui reproduzido)
Índice:
[Abertura ] | [Reprodução de discurso do Prof. Marcelo Caetano] | Política de Fomento | Inspecção Superior de Fomento Colonial | A urbanização nas colónias africanas | O Gabinete de Urbanização Colonial - Sua orgânica e funções | A missão dos técnicos em África e a juventude escolar | O novo espírito a instaurar no fomento das colónias | A valorização do trabalho indígena | O auxílio do Estado às actividades privadas | A utilidade social da coordenação económica | «Tenha confiança no futuro do nosso império Colonial» | Apêndice: A «Casa da Metrópole» em Luanda e a sua actuação: - Finalidade; - Meios de acção.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
20€

03 agosto, 2026

NETTO, Antonio Lino -
A QUESTÃO AGRARIA.
Por... Licenciado em direito, secretario geral do governo civil de Portalegre e socio effectivo do Instituto de Coimbra. Estudos de Renascença Nacional I. Porto, Typ. a Vapor da Emprêsa Litteraria e Typographica, 1908. In-8.º (18,5x12 cm) de 349, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Importante ensaio agrário, político, económico e sociológico, publicado pouco tempo após o regicídio, quando o país vivia tempos conturbados, de instabilidade e incerteza, marcado por uma profunda crise política, económica e social.
Trabalho académico, pioneiro. Nas palavras do autor, trata-se de um "assumpto profundamente patriotico e momentoso, bastante complexo, sem duvida; mas, por isso mesmo, susceptivel de revelar a capacidade trabalhadora e as poucas ou muitas luzes intellectuaes de quem tome a peito o seu estudo".
"Ha em Portugal, como em outros paizes, uma profunda questão social caracterisadamente agraria, isto é, uma questão que está implicando com a organisação juridica sobre a propriedade rustica, sobre a forma de distribuição dos diversos productos, e sobre a representação do valor d'estes em competencia com o dos productos de outra natureza."
(Excerto de Introducção - I. O que é a questão agraria)
"A theoria do valor, - annota sensatamente o sr. dr. Marnoco e Sousa -, embora preocupe os economistas ha mais de um seculo, não se póde considerar ainda constiuida; é bem o dragão que, no dizer figurativo do economista Costa- Rossetti, está guardando a entrada da sciencia economica. Ahi se encontra a principal razão da desordem que domina nos nossos tempos o mundo economico. É, pois, na theoria do valor que teem de concentrar-se os principaes cuidados e attenções dos economistas; de outra formas os estudos da sciencia economica redundarão em estirilidade e serão como pedras n'um edificio sem alicerces. Vamos tambem, para a logica das nossas considerações, referir-nos a essa theoria, e ver como ella, por mal formulada, tem affectado, provocando-a, a questão agraria."
(Excerto de I - A verdadeira theoria do valor)
António Correia Lino Leitão Neto (1873-1961). "Nasceu em Mação a 30 de janeiro de 1873 e faleceu em Lisboa a 16 de novembro de 1961. Formou-se em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde terminou, em 1899, a Licenciatura em Direito. Foi professor universitário, tendo ensinado no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, no Instituto Superior de Comércio de Lisboa (depois, Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, integrado na Universidade Técnica de Lisboa) e na Escola Politécnica (futuro Instituto Superior Técnico). Dirigiu o Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras e foi vice-reitor da Universidade Técnica de Lisboa. Exerceu advocacia e exerceu diversos cargos públicos e políticos, entre os quais o de Câmara Municipal de Lisboa e deputado.
Foi membro da Sociedade de Estudos Pedagógicos e da Sociedade de Geografia de Lisboa. Católico militante, esteve ligado ao Centro Católico Português, que presidiu.
Foi condecorado pela Santa Sé com a grã-cruz da Ordem de São Gregório Magno.
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente estrangeiro da classe de Letras a 10 de março de 1938."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/21232)
Encadernação simples meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Raro.
Indisponível

17 julho, 2026

BRAVO, Henrique -
DESFAZENDO ACCUSAÇÕES (Em legitima defeza) - BIOGRAFIA - AUTOPSIA D'UM PRYNETTI (CANDIDO DE VITERBO), TIPORIO DE ESTOFO AVARIADISSIMO
. Trancoso, Typ. da «Folha», 1918. In-8.º (22,5x15 cm) de 154, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Polémica trancosense em "duas partes", entre o autor - Henrique Bravo - e o recém-empossado Governador Civil da Guarda - o dr. Cândido Viterbo - figura antipática ao autor, com quem anteriormente já tivera desentendimentos.
Obra rara, publicada na sequência do golpe liderado por Sidónio Pais, relacionada com as nomeações políticas e ódios antigos locais.
"Duas palavras, simplesmente.
Nas paginas que vão seguir-se, dois assumptos differentes são tratados, numa linguagem clara, explicita e breve.
Um unico interesse me levou a coordenar, este opusculo: defender-me, com documentos comprovativos, e accusar, quem não tem direito á mais insignificante parcella de consideração e que, mentindo, quiz e quer enxovalhar-me sómente pelo prazer de diffamar, o que é qualidade inata das almas mesquinhas, vistas através de todos os prismas, por onde os encaremos.
Vão correr mundo, as minhas palavras, que offereço aos Homens honestos, para d'ellas tirarem imparcialmente, as conclusões a que possa chegar: Á Magistratura Portugueza, para que elle saiba e conheça o valor real d'um pseudo-magistrado e A meu filho, que ha mais d'um ano está na Flandres, na zona da guerra para que ninguem, em tempo algum, possa atirar-lhe, com razão e auctoridade, o meu nome, com intuitos reservados de o magoar, enxovalhar ou fazer còrar.
Leitor!
A sua attenção, pois, para o desenrolar d'esta fita, e quando passar á segunda parte, adopte, como medida prophilatica o Creosol, porque a autopsia d'um cadaver em putrefacção, é sempre nociva á saude publica e no caso presente, á moral, aos bons costumes e á sociedade.
Cautella, pois"
(Preâmbulo - Ao leitor)
"Quando a Trancoso, chegaram os primeiros rebates, ainda imprecisos, do movimento de cinco de dezembro, encontrava-me investido nas funcções de administrador d'este concelho, para satisfazer ao pedido que n'esse sentido me havia feito, o então governador civil do districto, e meu particular amigo sr. dr. Vasco Borges.
Devo dizer, que essa situação official, em nada abalou a minha independencia politica... [...]
A ninguem era licito duvidar da minha independencia politica, a não ser alguma creatura mal intencionada, e que sem provas concretas, malevolamente propalasse o contrario; embora os meus actos officiaes, absolutamente viessem provar e conffirmar a minha independencia politica.
Como a revolução triumfasse, e os meus serviços officiaes já não tivessem razão de existir, sollicitei telegraphicamente a minha exoneração de administrador d'este concelho, o que foi acceite, mandando-me entregar a administração ao senhor Presidente da Commissão Executiva da Camara Municipal, ao tempo representada pelo sr. Joaquim Antonio Ferreira, d'esta villa, o que fiz immediatamente. Decorridas vinte quatro horas, depois d'este meu gesto, fui informado, com grande surpreza minha, que operarios, artistas, comerciantes e populares, representando as forças vivas da villa, haviam imposto ao sr. Joaquim Ferreira, que accumulava as funcções de Presidente da Camara com as de administrador do concelho, o meu nome, para novamente assumir as funcções administrativas, de que voluntariamente me havia exonerado ha pouco mais de um dia."
(Excerto de Recapitulando factos)
Henrique Bravo. Conhecida figura local no início do século XX. Exerceu o cargo de administrador do concelho de Trancoso e foi uma figura de relevo na região. Destacou-se não só pela sua influência político-administrativa na transição da Monarquia para a República, mas também como jornalista e correspondente, sendo a principal "voz" local da imprensa. Era proprietário e diretor d'A Folha de Trancoso. Através deste jornal, publicava crónicas de costumes regionais, almanaques locais e fazia a cobertura das dinâmicas políticas e sociais da Beira Interior. O seu nome ficou também ligado à produção intelectual sobre infraestruturas, tendo sido autor de teses reconhecidas a nível nacional sobre a coordenação de transportes em Portugal, área na qual deixou contributos editados nas primeiras décadas do século XX. (IA)
Cândido Pedro Viterbo (1870-1946). Foi um advogado, magistrado do Ministério Público, compositor e guitarrista português, amplamente reconhecido pela sua actividade política e pelo seu envolvimento na tradição do Fado de Coimbra. Estudou e licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Exerceu o cargo de Governador Civil do Distrito da Guarda durante a República de Sidónio Pais, entre 13 de dezembro de 1917 e 13 de abril de 1918. Casou com a filha do Dr. Francisco da Silva Fonseca (médico, deputado e também antigo governador civil), fixando fortes laços familiares e patrimoniais com o concelho de Trancoso, onde existe hoje uma praceta com o seu nome. (IA)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Preso por agrafes, sem capas e lombada (de origem?), sendo o papel de fraca qualidade.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
25€
Reservado

09 julho, 2026

FIGUEIREDO, Candido de -
O GOVERNO CIVIL DE VILLA REAL : Apontamentos de uma Administração.
Por... exgovernadôr civil. Lisboa, Typographia da Companhia Nacional Editora, 1893. In-4.º (23,5x16,5 cm) de 31, [1] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
"Relatório" completíssimo, muito bem redigido, sobre a administração efémera do Governo Civil de Vila Real pelo autor, período marcado por inúmeros incidentes políticos, dos quais este se queixa em carta impressa no início do livro ao Conde de Cabral, que antes interviera junto do poder político para a sua nomeação para o cargo.
Obra não mencionada nas principais biografias do autor, ilustrada em página inteira com quadro-mapa elaborado pelo seu punho para facilitar a recolha de dados sobre a instrução no distrito.
Documento precioso, raro e muito interessante, com indubitável interesse para o conhecimento da região nos seus mais variados aspectos em finais do século XIX.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória manuscrita do autor ao Visconde de Baena.
"Desde que assumi a governação do districto, foram-me apresentadas repetidas queixas contra contra as irregularidades de várias câmaras municipais, no cumprimento dos seus encargos. Um dia, era o administradôr e outros empregados, que não recebia há mêses os seus vencimentos; outro dia, e mais frequentemente, eram as pobres mulheres, encarregadas da criação de expostos, e ás quais as câmaras não pagavam o respectivo subsidio, há quatro, cinco e sete annos; outro dia ainda, era um munícipe, apontando-me tal ou tal câmara, que se esquivava a impreteriveis melhoramentos locais, ao passo que contraia empréstimos de dezenas de contos, fazendo-os desapparecêr, sem que se soubesse como."
(Excerto de I - Fazenda municipal)
Índice:
Carta ao senhôr Conde de Cabral | I - Fazenda municipal. II - Beneficiência e saúde pública. III - Expostos. IV - Instrucção pública V - Processo eleitoral. VI - Segurança pública. VII - Emigração. - Jôgo. - Pêsos e medidas. - Contrabando. VIII - Conclusões.
António Cândido de Figueiredo (Tondela, 1846 - Lisboa, 1925). "Distinguiu-se como poeta, intelectual, lexicógrafo e interessado em sanscritologia.
Após cursar Teologia em 1863 no seminário de Viseu, matriculou-se em 1869 no curso de Direito na respetiva Faculdade da Universidade de Coimbra, formando-se a 8 de junho de 1874.
Em 1875, ajudou a fundar a Sociedade de Geografia de Lisboa, sendo seu sócio fundador com o número de registo 13.
À semelhança dos seus pares, teve uma atividade periódica intensa. Casado com uma feminista, Cândido de Figueiredo seria simpatizante da causa feminista, colaborando em revistas a que a esposa Mariana Angélica de Andrade (1840-1882) estava ligada, como Voz Feminina. Além de advogado, poeta, prosador, estudioso da língua portuguesa, Cândido de Figueiredo foi também tradutor, sobretudo das línguas francesa e italiana, contando-se, entre o seu repertório, desde obras de filologia à ficção do belga Maeterlinck (1862-1949)."
(Fonte: https://tecop.bnportugal.gov.pt/np4/np4/figueiredo.html)
Bonita encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Aquando do trabalho de encadernação foi acrescentado ao livro folhas em branco com o fim de "engrossar" o volume.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
A BNP dá notícia do livro com a indicação "Sem informação exemplar" e "Mau estado de conservação".
Indisponível

15 junho, 2026

PARREIRA, Anabela B. & CALDEIRA, Arlindo M. & MAURÍCIO, Carlos C. & CABRAL, João C. & PISCO, José - O I CONGRESSO DA UNIÃO NACIONAL -
Colóquio sobre o Fascismo em Portugal : Faculdade de Letras de Lisboa : Março de 1980. [Lisboa], A Regra do Jogo, 1982. In-8.º (21x13,5 cm) de 22, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de reflexões de personalidades do mundo académico sobre o 1.º Congresso da União Nacional.
O I Congresso da União Nacional realizado a 26 de maio de 1934, foi uma cimeira oficial do partido único que sustentava o Estado Novo. Serviu para legitimar a ditadura e consolidar a doutrina corporativista e nacionalista liderada por António de Oliveira Salazar.
O Colóquio sobre o Fascismo em Portugal (1980) foi um encontro científico pioneiro organizado por historiadores e académicos nos dias 12, 13 e 14 de março de 1980 na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. (IA)
Obra interessante e muito invulgar. A BNP não menciona este título na sua base de dados.
"A UN é criada em 30 de Julho de 1930 por iniciativa governamental, cabendo ao Ministério do Interior a instalação das primeiras comissões a nível distrital e concelhio. Será, porém, extremamente lenta a implantação e organização desta «força civil de apoio à Ditadura». [...]
A UN levara dois anos a pôr de pé a sua estrutura institucional mas não conseguira, apesar das intenções, explícitas ou não, tornar-se a única força nacionalista capaz de congregar o apoio ao regime, ao mesmo tempo que, intitulando-se «frente» visava impedir de facto o aparecimento de outras organizações. Uma outra vai efectivamente surgir, implantando-se no próprio terreno da UN, aproveitando a sua falta de dinamismo e uma indefinição de princípios e uma moderação de processos de actuação que, quer-nos parecer, constituem mais que incoerência ideológica (que não seria de espantar), estudada estratégia. A nova força, que tal não quererá entender, é, evidentemente, o «nacional-sindicalismo».
Decalcada dos partidos de Hitler e Mussolini (que venera) a organização de Rolão Preto fermentara quase simultaneamente à UN e podemos mesmo perguntar-nos se certos momentos da institucionalização do partido de Salazar, mais precipitados que a sua pachorrenta marcha habitual, não serão resposta aos assomos dos «camisas-azuis». Em Fevereiro de 1932 surgira o diário nacional-sindicalista Revolução que, não pondo em causa a predominância de Salazar, defende posições e desenvolve acções que não podiam coincidir com a prudente estratégia do professor de Coimbra.
A situação agravar-se-á durante 1933, ano em que os «camisas-azuis» parecem mais activos, cada vez mais críticos e quase hostis."
(Excerto de I - A União Nacional até 1934)
Índice:
I - A União Nacional até 1934. II - Convocação e Regulamento do Congresso. III - Os Congressistas. IV - O Congresso. | Conclusões.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Com interesse histórico.
15€

05 maio, 2026

PORTUGAL NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL (1914-1918).
Tomo I. As Negociações Diplomáticas até à Declaração de Guerra [Tomo II. As Negociações Diplomáticas e a Acção Militar na Europa e em África.]. Lisboa, Ministério dos Negócios Estrangeiros, 1997. 2 vols in-4.º (26x17 cm) de 449, [2] (I) e 383, [1] p. (II) ; B.
1.ª edição.
Obra em dois volumes (completa). Trata-se de um conjunto de documentos diplomáticos relevantes para o estudo das decisões políticas e militares tomadas antes e durante a participação portuguesa no conflito mundial, com influência nos diversos teatros de operações em que o país se viu envolvido militarmente - na Europa, em França, e nas colónias portuguesas africanas. Em 1920, fora já impressa uma parte bastante incompleta dos documentos que iam até à declaração de guerra, com a finalidade de ser apresentado nesse ano pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros ao Congresso da República.
Índice:
Tomo I - As negociações diplomáticas, os incidentes ocorridos nas colónias portuguesas e as pressões exercidas no sentido de levar Portugal a entrar na guerra.
Tomo II - As negociações preparatórias da entrada do Corpo Expedicionário Português na guerra da Europa e o desenrolar das operações militares em França e em África.
"Com a publicação destes dois volumes do Livro Branco sobre a primeira guerra mundial (1914-1918) realiza-se o propósito do Ministério dos Negócios Estrangeiros de trazer a lume o texto dos documentos respeitantes à acção diplomática desenvolvida por Portugal. [...]
No primeiro tomo desta obra, reproduz-se a documentação referente às diligências diplomáticas levas a efeito entre o nosso país e a Inglaterra no sentido de procurar definir, no quadro da Aliança Inglesa, a atitude a tomar pelo Governo português em vista da entrada da nossa aliada na guerra, e bem assim perscrutar a posição que aquela assumiria, no caso de virem a ser atacados os territórios portugueses em África.
Igualmente se alude, nesta primeira parte de tal colectânea, aos incidentes ocorridos nas nossas colónias do continente africano com as tropas da Alemanha e às decorrentes relações então estabelecidas entre os Governos dos dois países. A apropriação dos navios alemães surtos em portos portugueses e a reacção que tal medida provocou por parte do Governo de Berlim são também referidas nas comunicações na altura trocadas.
Assume ainda especial relevo a documentação alusiva ás pressões exercidas, quer interna quer internacionalmente, sobre o Governo no intuito de nos levar a participar nas hostilidades na Europa ao lado das potências aliadas A situação daí resultante veio a ser considerada insustentável,o que provocou a dissolução do Governo, aliás, explicitamente referida em carta dirigida pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros cessante ao Ministro de Portugal em Londres.
Com a declaração de guerra, em 9 de Março de 1916,  e as suas repercussões imediatas no domínio internacional conclui-se a parte mais assinalável do primeiro volume da obra."
(A. de Paula Coelho, Nota Prévia do Tomo I)
"Conclui-se, neste segundo tomo do Livro Branco, a reprodução dos documentos respeitantes à actividade diplomática desenvolvida e, sobretudo, à acção exercida pelo Corpo Expedicionário Português no teatro das operações na Europa.
Sobreleva, de entre o acervo encontrado, a correspondência relativa a diversos aspectos da guerra de que se destacam:
As diligências destinadas a determinar o transporte e a participação das forças militares portuguesas nas hostilidades em França, e a sua integração nas tropas aliadas que combatiam naquele país.
Os incidentes militares ocorridos em Angola e Moçambique entre tropas portuguesas e alemãs.
A questão da administração dos territórios africanos conquistados pelas forças portuguesas aos alemães.
A reacção provocada entre os Aliados por uma proposta de paz apresentada pela Alemanha e seus aliados, bem como uma nota, também a favor da paz, enviada pelo Presidente dos Estados Unidos da América aos Governos dos países na guerra.
Tentativas inglesas no sentido de conseguir que os navios apropriados aos alemães passassem a participar do esforço de guerra da Grã-Bretanha.
Incidente resultante de uma declaração do «Labour Party» acerca dos territórios portugueses em África e posição a este respeito assumida pelo Governo britânico.
Diligências inglesas no sentido de ser autorizado o recrutamento de indígenas em Moçambique destinados a operarem com as forças inglesas em África.
Arranjos propostos  para a inserção das forças das forças militares portuguesas nos exércitos que combatiam em França.
Colaboração militar entra as forças portuguesas na África oriental."
(Excerto da Nota Prévia do Tomo II)
Exemplares em brochura, por abrir, em bom estado de conservação.
Invulgar conjunto.
Com interesse histórico. 
50€