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03 novembro, 2025

O LIVRO AZUL OU CORRESPONDENCIA RELATIVA AOS NEGOCIOS DE PORTUGAL APRESENTADA EM AMBAS AS CAMARAS INGLEZAS. Traduzido do Inglez
. Lisboa, Tipographia de Borges, 1847. In-fólio (30x20 cm) de 368 ; XII p. índice ; E.
Junto com:
ADDITAMENTO AO LIVRO AZUL. [S.l.], [s.n.], [1847]. In-fólio (30x20 cm) de 79, [1] p.
E:
DEBATES DO PARLAMENTO BRITANNICO SOBRE OS NEGOCIOS DE PORTUGAL. Lisboa: Typographia de Pedro Antonio Borges, 1847. In-fólio (30x20 cm) de 99, [1] p.
3 volumes encadernados num único tomo.
1.ª edição.
Importante repositório documental com interesse para a história da Patuleia - "conjunto de lutas travadas em Portugal entre os Cartistas - que defendiam ideias de tendência conservadora, tendo como ponto de referência a Carta Constitucional de 1826, como Mouzinho da Silveira, Costa Cabral e os duques da Terceira, de Saldanha e de Palmela - e os Setembristas - liberais radicais também conhecidos por patuleias, representados por Passos Manuel, José da Silva Passos e o visconde de Sá da Bandeira". (Infopédia)
Obra ilustrada com o retrato do Visconde de Sá da Bandeira separado do texto, que falta na maioria dos exemplares.
"O Ministério Britânico apresentou à Câmara dos Comuns na sessão de 9 de Junho de 1847 os documentos acerca da "questão portuguesa"; que são um conjunto de informações, interceptadas pelos Serviços de Inteligência ingleses em Portugal, transcritos no presente volume denominado "Livro Azul". À 'questão portuguesa' chamamos em Portugal Insurreição ou Revolução da Patuleia, ou ainda Guerras das Patuleias. Os governos de Costa Cabral (1842-1846) reprimiram a Carta Constitucional de 1826 que conservava nas mãos da Rainha o poder moderador e o executivo. Só em 1847 a situação interna se normaliza após a intervenção da Espanha, da França e da Inglaterra que levou à celebração da Convenção de Gramido. Este Livro Azul é uma importante fonte, com 336 documentos para a história deste período, começando em 8 de Outubro de 1846; encontrando-se ainda vários anexos com os tratados entre Portugal e a Grã-Bertanha, começando pelo tratado assinado em Londres em 1373. Relativamente à Questão Portuguesa ou Patuleia: em Janeiro de 1847 teve origem em sucessivas suspensões das garantias constitucionais. O general Póvoas é nomeado comandante dos Patuleias, e comandante militar das duas Beiras, aliando-se a Sá da Bandeira. A esquadra Cartista, comandada por Soares Franco, bloqueia o Porto. Em Fevereiro há a remodelação governamental. Os comerciantes de Lisboa aplaudem a chegada do ministro Tojal à Fazenda. Os funcionários públicos não eram pagos desde Outubro. O exército da Patuleia comandado pelo Conde de Melo ataca Estremoz. Em Abril Sá da Bandeira desembarca no Algarve e inicia a sua marcha para Lisboa. Chega a Setúbal e junta-se às tropas do Conde de Melo e às guerrilhas do sul. Há tumultos em Lisboa, onde estacionam tropas inglesas e espanholas. Sá da Bandeira detém-se em Setúbal. Perde 500 homens no combate do Alto do Viso. Há uma nova remodelação governamental. Novos tumultos dos Patuleias em Lisboa. Em Maio, Sá da Bandeira, depois do combate do Alto do Viso, aceita o armistício. A esquadra britânica bloqueia o Douro impedindo a saída da esquadra do Conde das Antas em socorro do Exército do Sul. Em Junho o exército espanhol ocupa o Porto. Sá da Bandeira aceita submeter-se. Assina-se a Convenção de Gramido (em Gondomar) em 29 de Junho de 1847 com o objectivo de pôr fim à insurreição da Patuleia. A convenção foi assinada entre os comandantes das forças militares espanholas e britânicas, que tinham entrado em Portugal ao abrigo da quádrupla aliança, dezassete dias depois destes documentos serem apreciados pela Câmara dos Comuns inglesa."
(Inocêncio, Vol. II, pp. 220)
Encadernação meia de percalina com rótulo negro e dourados na lombada. Sem capas de brochura. Carminado à cabeça.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Lombada cansada. Retrato apresenta vestígios de humidade.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
75€

10 fevereiro, 2025

PORTUGUESE POLITICAL PRISONERS.
A British National Protest.
[Foreword: Adeline M. Bedford]. London, L. Upcott Gill & Son, Ltd., 1913. In-8.º (18,5x12,5 cm) de [6], 39, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Vigoroso protesto de personalidades inglesas, com destaque para Adeline, duquesa de Bedford e Sir Arthur Conan Doyle, pelo tratamento dado pelas autoridades portuguesas aos presos políticos saídos da revolução de 5 de Outubro de 1910, tendo mesmo suscitado uma exposição ao governo britânico, seguido de encontros e artigos publicados em jornais londrinos sobre o assunto, causando evidente incómodo ao governo republicano.
"The writer of the following pages has had exceptional opportunities of collecting information concerning both the sufferings of the political prisioners and the cynical and inhuman injustice which characterizes the proceedings of the present régime.
During my recent visit to Lisbon, I conversed with people in varying conditions of life, but though their circumstances differed, the report given on the matters treated in this pamphlet was identical. The value and Trustworthiness of the evidence here set forth cannot, in my opinion, be called in question."
(Foreword)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Contracapa apresenta falha de papel no canto superior esquerdo.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

09 janeiro, 2025

TRATADO DE COMÉRCIO E NAVEGAÇÃO ENTRE PORTUGAL E A GRÃ-BRETANHA -
Ministério dos Negócios Estrangeiros : Direcção-Geral dos Negócios Comerciais e Consulares
. Lisboa, Imprensa Nacional, 1960. In-4.º (23,5x15 cm) de 29, [3] p. ; B.
Reprodução bilingue (português/inglês) do importante tratado de comércio assinado entre os dois países, pouco tempo após a instauração da República, em 12 de Agosto de 1914, subscrito pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros português Alfredo Augusto Freire de Andrade e pelo Enviado Extraordinário e Ministro Plenipotenciário britânico Lancelot Douglas Carnegie.
"Haverá entre os territórios das duas Partes contratantes plena e completa liberdade de comércio e navegação.
Os súbditos ou cidadãos de cada uma das Partes contratantes terão permissão de ir livremente com os seus navios e cargas a todos os lugares, portos  rios nos territórios da outra a que os súbditos ou cidadãos nacionais tenham ou possam ter acesso. Não estarão sujeitos, com relação ao seu comércio ou indústria nos territórios da outra, quer a sua residência tenha um carácter permanente ou temporário, a quaisquer direitos, taxas, impostos ou licenças de qualquer espécie diferentes ou mais elevados do que os que são ou podem ser impostos aos súbditos ou cidadãos nacionais, e gozarão os mesmos direitos, privilégios, liberdades, imunidades e outros favores em matéria de comércio e indústria que sejam ou possam ser gozados pelos súbditos ou cidadãos nacionais."
(Artigo I)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico.
10€

28 maio, 2024

O ASSASSINATO DE CAPITÃO FRYATT
. Londres: Eyre and Spottiswoode, Ltd., 1916. In-8.º (18x12 cm) de 48 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Opúsculo da propaganda de guerra inglesa anti-germânica.
Processo do Capitão Charles Fryatt, comandante do «Brussels», navio da marinha mercante inglesa capturado pelas forças alemãs durante a Grande Guerra. Levado para a Bélgica e daí para a Alemanha, foi internado num campo de detenção e julgado em Conselho de Guerra por abalroamento de submarino alemão. Foi condenado à morte por fuzilamento.
Livro iIlustrado com estampas no texto, sendo algumas delas em página inteira. Inclui reprodução da carta de condolências que o rei Jorge V enviou à viúva do malogrado capitão.
"O Capitão Charles Algernon Fryatt era comandante do paquete Brussels, de Great Eastern Railway Company. Muitas das companhias ferroviarias inglezas possuem a sua linha de vapores, ligando os portos inglezes ao continente europeu; e apesar de serem algumas dessas linhas modificadas ou sustadas por efeito da guerra, a comunicação maritima com todos os paizes neutros continua ininterrupta, graças ao vigos e á eficiencia da marinha britanica.
Vencendo os perigos de minas e de submarinos, através da neblina e das tempestades no litoral hoje desprovido de faroes e de boias, os comandantes desses pequenos mas destemidos navios mercantes já bem conheciam os metodos e expedientes do submarino alemão. Tornaram-se peritos, a custo da intima experiencia que tiveram de tudo isso, sendo os primeiros a aprenderem a lição que a tragedia do Lusitania depois ensinou ao mundo inteiro.
Entre esses comandantes figurava o Capitão Fryatt, conhecido entre os seus como the pirate-dodger - "o evadido dos piratas"; e nas suas frequentes viagens de Harwich a Rotterdam, justificava elle plenamente esse sobrenome, até que por fim teve a desdita de cair nas mãos dos piratas."
(Excerto de A carreira do Capitão Fryatt)
Índice:
I. A Carreira do Capitão Fryatt. II. O Submarino U 33. III. A Presentação do Relogio. IV. A Captura do Brussels. V. As Primeiras Noticias na Inglaterra. VI. O Conselho de Guerra. VII. A Acusação. VIII. Era elle Franco-atirador? IX. A ultima, a mais longa das Viagens. X. O Epilogo.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis com defeitos.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

19 março, 2023

MARTINS, General Ferreira - O PODER MILITAR DA GRAN-BRETANHA E A ALIANÇA ANGLO-LUSA.
Conferência realizada na Sala dos Capelos da Universidade de Coimbra, em sessão solene do Instituto de Coimbra, de 29 de Abril de 1938. Coimbra, Separata do Instituto de Coimbra, vol. 94, 1938. In-4.º (24 cm) de [4], 78, [2] p. ; B.
1.ª edição independente.
Importante resenha histórica da aliança "mais antiga do mundo" - Portugal-Inglaterra - por ordem cronológica, de D. Fernando I (1373) até às negociações bilaterais entre os dois países, com o triângulo estratégico Lisboa-Cabo Verde-Açores na agenda, pouco tempo antes da deflagração da Segunda Guerra Mundial.
De salientar o espaço dado pelo autor na sua alocução à participação de Portugal na Grande Guerra e à cooperação luso-britânica no conflito, destacando-se os seguinte capítulos:
- A Grande Guerra. - Os primeiros cem mil. - Os exércitos de Sir Douglas Haig. - A marinha e a aviação britânicas. - Portugal na Grande Guerra. - Os portugueses na Flandres. - 1918: A Vitória. - A Paz de Versailles. - O período experimental. - As infracções ao Tratado de Paz.
"Em 7 de Agôsto de 1914, três dias depois de ter a Gran-Bretanha entrado decididamente na luta, Portugal fazia saber ao mundo, pela voz do Presidente do seu Govêrno, perante o Congresso da Rèpública, que estava disposto a cumprir «os deveres da aliança que livremente contraímos e a que em circunstância alguma faltaríamos». [...]
Foi preciso que, em Fevereiro de 1916, e ainda por solicitação expressa da nossa aliada, apreendessemos todos os navios inimigos que se encontravam ancorados em todos os portos portugueses, para que o adversário, tomando êsse acto como casus belli, declarasse a guerra a Portugal em 9 de Março seguinte, data a partir da qual cessava perante o mundo a pseudo-neutralidade portuguesa."
(Excerto de Portugal na Grande Guerra)
"Segui-se, em Janeiro de 1917, o envio das primeiras tropas portuguesas para França, a que outros contingentes se sucederam, para constituirem o Corpo Expedicionário Português (C. E. P.) que ia bater-se ao lado dos aliados, na frente ocidental da Europa. [...]
Desde então, passaram portugueses e britânicos a compartilhar, na Flandres, das mesmas tristezas e amarguras - como das mesmas alegrias - de que já vinham comparticipando na costa oriental de África, onde igualmente se batiam, contra o mesmo adversário terrível, tropas brancas e negras das duas nações aliadas."
(Excerto de Os portugueses na Flandres)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Muito invulgar.
Indisponível

22 março, 2022

RODRIGUES, M. M. Sarmento - A VIDA HERÓICA DE NELSON. [Por]... (Capitão-de-Mar-e-Guerra). Lisboa, [Ática], MCMLV [1955]. In-4.º (23 cm) de 34, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Conferência proferida na Associação Comercial do Porto em 16 de Maio de 1940, no começo da Segunda Guerra Mundial.
Ilustrada com um retrato de Nelson da autoria de Abbott, no National Maritime Museum, Greenwich.
Livro valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Nelson era um fogo que ainda hoje abrasa. Quem friamente fosse capaz de examinar a sua vida, a sua acção, decompô-la e dissecá-la, certamente haveria de lhe fazer graves reparos. Mas raros conseguiriam não se deixar empolgar por esta vida febril, turbilhonante, irresistível."
(Excerto da introdução)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Pouco comum.
15€

24 dezembro, 2021

VILLEMAIN, M. - HISTORIA DE CROMWELL.
Conforme com as memorias escriptas d'aquella época, e as collecções das notas parlamentares; escripta em francez por..., Par de França, Secretario Perpetuo da Academia Franceza, Professor de Litteratura na Faculdade de Letras em París. Traduzida por M. S. da C. Couraça
. Lisboa, Na Imprensa Nacional, 1842. In-8.º (19 cm) de [14] p. bco ; VII, [1], 479, [5], p. [16] p. bco ; [1] f. il. ;E.
1.ª edição.
Biografia política de Oliver Cromwell (1599-1658), militar inglês e líder político, mais tarde, Lord Protector da Inglaterra, Gales, Escócia e Irlanda, que se destacou na defesa do Puritanismo, e um dos mais obstinados adversários do rei Carlos I, que ajudou a depor, tornando-se o homem mais poderoso de Inglaterra com o advento da República, que proclamou, em 1649.
Livro ilustrado com o retrato de Cromwel em separado.
"Poucas historias particulares offerecem tão grandes scenas, e comprehendem tantos acontecimentos como a vida de Cromwell. [...]
Porém o que, sobre tudo, póde justificar a empreza de uma nova historia de Cromwell, é o grande numero de memorias originaes, pouco consultadas, das quaes é facil ajuntar muitas particularidades curiosas, sobre o caracter, e governo d'este homem extraordinario.. Algumas obras manuscriptas, conservadas por muito tempo em poder de diversas familias, não eram conhecidas pelos historiadores Inglezes, e só têem apparecido ha poucos annos. [...]
Não obstante a abundancia d'estes novos documentos, eu me reportei aos esclarecimentos conhecidos ha mais tempo, nos quaes, a investigação de um só objecto, devia fazer-me descobrir as circunstancias esquecidas por outros historiadores. [...]
Esta vasta collecção de documentos, muitos d'elles officiaes, reune immensas noções preciosas, desconhecidas, ou despresadas, as quaes serão relatadas nesta historia, pela primeira vez. Em taes documentos encontrarão olhos mais penetrantes, e exercitados, abundantes vantagens; e foi d'elles que eu tirei circunstanciadas noções, inteiramente novas, a respeito da administração de Cromwell, sua politica exterior, suas relações com Mazarin, e seu procedimento para com os differentes chefes de partido. As Sessões do Parlamento, os numerosos discursos de Cromwell, os processos d'aquella época, os escriptos das facções, os sermões dos prégadores, e as especulações dos publicistas, fornecen egualmente bastantes noticias, ou conjecturas novas; porque a historia de qualquer época póde ler-se, por assim dizer, nos arrasoados, ou nos pensamentos que então occupavam o espirito; e até as idéas são algumas vezes o mais importante de todos os factos."
(Excerto da introdução, Observações preliminares)
"Emprehendo escrever a historia d'um homem celebre por sua fortuna, e genio, cujo caracter é ainda para nós um tanto obscuro, e problematico. Na verdade é um grande espectaculo a ruina d'uma antiga monarchia, e as agitações licenciosas de um povo, que procura violentamente a liberdade, e que, cahindo por uma vicissitude quasi inevitavel, sob um poder mais absoluto, do que aquelle que havia derribado, se torna assim mais poderoso, e faz nascer a liberdade do meio dos seus furores, e escravidão: porém, o homem que está collocado á frente desta usurpação intermediaria, e a qual sustenta fortemente para seu proprio proveito, e utilidade da nação, que elle mesmo opprime, apresenta, per si só, um quadro não menos instructivo.
A historia de Cromwell comprehende poucos annos, e por isso seu caracter é mais difficil de bem se penetrar. Entrado no theatro politico em uma época já adiantada da sua vida, que foi pouco duradoura, apresenta talentos desenvolvidos, que parece só esperavam pela occasião de se mostrar. Póde acreditar-se, que elle mesmo os ignorava, e que foi preciso uma guerra civil para lh'os fazer conhecer."
(Excerto do Livro Primeiro - Argumento - Nascimento de Cromwell)
Abel-François Villemain (Paris, 1790 - Paris, 1870). "Foi um político e escritor francês, notável professor da Sorbonne, da Escola Normal Superior, e Ministro da Educação de 1839 a 1845."
(Fonte: wikipédia)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Sólido, com miolo limpo. Pastas desgastadas, com tira de fita na pasta posterior; lombada apresenta falha de pele na extremidade superior.
Raro.
Com interesse histórico.
20€

08 novembro, 2019

PEREIRA, A. E. Victoria - PORTUGUEZES E INGLEZES EM AFRICA : romance scientifico. Por... Tenente d'Infanteria. Viagens Portuguezas. Lisboa, João Romano Torres - Editor, 1892. In-8.º (22 cm) de248, [4] p. ; [1] mapa ; B.
1.ª edição.
Romance histórico sobre a colonização e exploração territorial africana, escrito na sequência do Ultimatum.
Ilustrado com um mapa desdobrável da África Oriental, onde se passa a acção do romance Portuguezes e inglezes em Africa.
"O relogio da casa de jantar e Sir Mac-Leod estava a terminar a nona martellada na sua sonora campainha, quando trez portas se abriram ao mesmo tempo, sahindo por ellas Drew e Edward Buckle, engenheiros de minas, e Sir Mac-Leod, todos inglezes de puro sangue.
A pontualidade britanica não podia ser d'esta vez posta em duvida, como o não é nunca, e a etiqueta de gentlemens, menos ainda.
Estavam estres trez personagens rigorosamente vestidos para jantar, como se se encontrassem n'algum dos explendidos palacios de Portland place, Regente Street, Burlington, Grosvenor squere, nos de Lord Buckingham, na sala dos festins de Jacques 1.º em White-Hall, ou no proprio castello de Windsor, sendo commensaes da mais alta aristocracia do dinheiro e do sangue."
(Excerto do Cap. I, Pretoria)
"Os successos que o intrepido explorador Arthur de Magalhães teve na Africa occidental, echoaram d'um extremo ao outro do mundo.
Portugal parecia ter voltado aos tempos felizes ee aureos das descobertas maritimas do seculo XV, e do opulento commercio oriental do reinado de D. Manuel e dos monarchas da primeira metade do seculo XVI.
A corrente da opinião publica estabelecia-se na direcção dos nossos vastos e abandonados dominios africanos.
Os jornaes e os escriptores de pezo dedicavam columnas e paginas a mostrar aos incredulos as riquezas minerias que aquelles novos Eldorados encerravam.
O indifferentismo indigena despertava por fim, e todos esperavam com anciedade a chegada do vapor Malange, que conduzia a sue bordo um dos mais intrepidos e destemidos exploradores, o major Sotto Maior, que acabava de percorrer o valle do Zambeze, e este rio até á sua confluencia com o Sanhate, subindo-o com grandes difficuldades, e só parando em Baniaes, onde passou para o Umniati, que explorou até ás suas nascentes nos Montes Cigarra e Machona, organisando a verdadeira hydrographia d'estas zonas, atracessando o Save no parallelo 19.º, visitando o celebre Mutassa, que lhe assegurou a sua fidelidade a Portugal, descançando no forte portuguez de Massi-Kesse, atravessando o Muse, affluente de Revue, descendo o Pungue desde a sua confluencia com o Mussania, e embarcando na Beira para Lisboa, aonde vinha expressamente para organisar uma expedição mineira nas terras de Manica e Machona, e fazer vantajosas propostas ao governo."
(Excerto do Cap. II, Organisação da expedição portugueza a Conji no Machona)
Indice dos capitulos:
Primeira Parte. Magelina, a filha de Conji: I - Em Pretoria; II - Organisação da expedição portugueza a Conji no Machona; III - A caminho d'africa; IV - A navegação dos rios Buzio e Revue. De Massi-Kesse ao Save; V - Magelina, a filha da rainha de Conji; VI - O Lo-Bengula, rei dos Matebeles; VII - Mensagem ao Lo-Bengula; VIII - Em Gubulavaio e de regresso a Conji; IX - Do Save pelo parellelo 19.º a Sabágué; X - A paixão de Magelina; XI - Conversão ao Christianismo da rainha de Conji e Machona.
Segunda Parte. Colonisação á ingleza: I - De Pretoria a Taiti; II - Colonisação á ingleza; III - Inglezes e Matebeles; III - A perfidia dos inglezes; V - Cercados! VI - Passagem aos vencidos! VII - Conclusão.
Documentos onde assenta a base historica d'este livro: Nota n.º 1 - Tratado com o imperador Monomotapá; Nota n.º 2 - Doação do Imperio de Quiteve (hoje Manica e Sofala) á corôa portugueza; Nota n.º 3 - Depoimento de Fr. Gaspar de Macedo, mostrando que ha longos annos estamos de posse das minas de Manica; Nota n.º 4 - Carta de Filippe ao vice-rei da India, escripta em 1631 sobre o Monomotapá; Nota n.º 5 - Noticias redigidas por Ignacio Caetano Xavier, em 1738, sobre o ouro das margens do Zambeze e do districto de Zumbo; Nota n.º 6 - Riquezas minerias dos terrenos, que os Inglezes nos deixaram, depois do tratado. Sena 1762. Nota n.º 7 - Os inquimbas; Nota n.º 8 - O tratado de 28 de maio de 1891; Nota n.º 9 - Noticia historica sobre Moçambique.
Exemplar brochado em mau estado de conservação. Capa frágil com defeitos e falhas de papel. Sem contracapa. Alguma folhas soltas no interior. Deve ser encadernado.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

03 novembro, 2019

ALMADA, José de - CONVENÇÕES ANGLO-ALEMÃS RELATIVAS ÀS COLÓNIAS PORTUGUESAS. Por... Consultor Colonial do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Lisboa, Edições do Estado Maior do Exército, 1946. In-4.º (24,5 cm) de 149, [7] p. ; [1] mapa ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da diplomacia entre as duas potências europeias - Inglaterra e Alemanha, e Portugal como "espectador interessado", no período de altos e baixos - avanços e recuos, que se seguiu à assinatura do Ultimato até à Primeira Guerra Mundial, tendo como ponto de discussão as colónias portuguesas em África, e a sua "redivisão" pelas potências assinaladas.
Ilustrado com um mapa desdobrável: Africa : Sohth of Equador, Showing existing Boundary Treaties (55,5x44cm).
"No início da segunda metade do séc. XIX, parecia que as relações luso-germânicas tinham à sua frente um futuro promissor. A evolução da política, contudo, veio perturbar este panorama: a fundação do II Reich e a evolução da questão colonial envenenaram gradualmente a convivência entre os dois Países, tendo sido, efetivamente, a segunda que cavou as mais fundas desinteligências entre Portugal e a Alemanha. [...]
Portugal atravessava grave crise financeira e necessitava de acelerar o desenvolvimento dos territórios africanos. Devido à escassez de fundos, a 16 de maio de 1896, encetou negociações com Londres para a obtenção de um empréstimo, fornecendo em troca a garantia sobre as alfândegas coloniais. A Alemanha interveio, pois pretendia o empréstimo em comum e não que as potências o fizessem em separado. Assim, propôs à Inglaterra, um empréstimo comum a Portugal, garantido pelos rendimentos das alfândegas coloniais, atribuídos a um e a outro país de acordo com uma divisão em “esferas de influência». No caso hipotético de Portugal não pagar ou se houvesse distúrbios graves que levassem à queda do Império, cada país assumiria as respectivas responsabilidades dentro da sua esfera de influência.

A Inglaterra não desejava a Alemanha como inimiga, pelo que iniciou conversações, em junho de 1898. Era importante garantir a neutralidade alemã, dado que esta só deixaria de apoiar os boer se a Inglaterra assinasse um acordo para a “redivisão” da África Austral em «esferas de influência». A 30 de agosto de 1898, procedeu-se à assinatura, entre ingleses e alemães, de três documentos: convenção sobre o possível pedido de empréstimo feito por Portugal; convenção secreta para a hipótese de Portugal não poder manter as suas colónias africanas ao Sul do Equador e a ilha de Timor; nota
secreta sobre concessões nas «esferas de influência». Os dois Países comprometiam-se a um empréstimo comum, dividindo os rendimentos das alfândegas de Angola, Moçambique e Timor. [...]

Em 1912, a Inglaterra questionou a aliança com Portugal, que se encontrava fragilizado pela conjuntura pós-revolucionária da Primeira República, iniciando uma revisão formal do acordo secreto de 1898, com a Alemanha, o que agravava a situação financeira de Portugal, provocando um empréstimo mútuo, com a garantia das alfândegas coloniais. Desta vez, as promessas e facilidades oferecidas pela Inglaterra procuravam desencorajar os alemães de prosseguirem o seu programa naval (para a partilha da Ásia), desenvolvido na última década do séc. XIX e que só “poderia ser um desafio direto a Inglaterra”.
Segundo a versão alemã, o preâmbulo da Convenção deveria prevenir e obviar as “complicações internacionais de uma possível crise financeira em Portugal, nomeadamente mantendo a sua integridade e independência e preservando os interesses das colónias alemãs e inglesas contíguas às portuguesas.” Os trabalhos para a revisão decorreram em 1913, nunca tendo sido publicado um texto final, entre outros motivos, porque a França teve conhecimento das negociações, sobre as quais começou a suscitar dúvidas.
Seguiu-se a Grande Guerra, o que impediu a conclusão do “famigerado” acordo."

(Fonte: https://www.revistamilitar.pt/artigo/921)
Índice:
Introdução. | I Parte: As Convenções de 1898. | II Parte: A Convenção de 1913.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
40€

10 março, 2019

NEWALL, F.S.A., R. S. - STONEHENGE : Wiltshire. By... Ministry of Works : Ancient Monuments and Historic Buildings. London, Her Majesty's Stationery Office, 1955. In-8.º (21cm) de 23, [1] p. ; [4] p. il. ; [1] mapa (62x49cm) ; B.
Curiosa monografia sobre Stonehenge, local misterioso, para muitos, mágico, desde sempre motivo de peregrinação de verdadeiras legiões de seguidores do seu "poderio ancestral", historiadores e curiosos.
Edição inglesa, ilustrada em separado com fotogravuras do monumento impressas sobre papel couché, e um mapa de grandes dimensões com o levantamento pormenorizado do conjunto megalítico.
"Quase nada do que se sabe é absolutamente certo e existem, ainda hoje, muitas teorias diferentes sobre diversos aspectos, incluindo a origem do seu nome. A opinião mais consensual é que a palavra Stonehenge vem do inglês arcaico “stan” (pedra) e “hencg” (eixo) ou “hen(c)en” (pendurar, pendurado, forca). Ou seja, entende-se que o seu nome terá vindo da ideia de pedras organizadas em volta de um eixo ou do facto de haver pedras suspensas umas nas outras.
Esta estrutura é formada por círculos concêntricos de pedras que chegam a ter 5 metros de altura e pesar quase 50 toneladas. A sua construção teve 3 períodos diferentes:
- O Período I (cerca de 3000 a.C.), quando o monumento Stonehenge não passava de uma simples vala circular com cerca de 100 metros de diâmetro, dispondo de uma única entrada. Internamente, erguia-se um banco de pedras e um santuário de madeira, tudo eventualmente rodeado por um círculo exterior de 56 postes de madeira.
- Durante o Período II (2150 a.C) deu-se a mudança do santuário de madeira, a construção de dois círculos de pedras azuis (coloridas com um matiz azulado), o alargamento da entrada, a construção de uma avenida de entrada marcada por valas paralelas alinhadas com o Sol nascente do primeiro dia do Verão (Solstício), e a erecção do círculo externo, com 35 enormes pedras. As grandes pedras azuis, que pesam quatro toneladas, foram transportadas das montanhas do País de Gales a cerca de 240 km a Norte!?
- No Período III (2075 a.C.) derrubaram-se as pedras azuis e foram levantadas outras gigantescas pedras (megalíticos). Estas, medindo em média 5,49 metros de altura e pesando cerca de 25 toneladas cada, foram transportadas do Norte por 19 km. Entre 1500 a.C. e 1100 a.C., cerca de 60 das pedras azuis foram restauradas e erguidas num círculo interno, com outras 19, colocadas em forma ferradura, também dentro do círculo.
Há muito de fascinante e misterioso em Stonehenge: a orientação das pedras em relação ao nascer e ao pôr do sol. Ainda hoje não se sabe se isso se deve ao facto dos construtores virem de uma cultura que prestava culto ao sol ou porque toda a estrutura seria um enorme calendário astronómico.A forma intrigante como algumas das pedras gigantescas e pesadíssimas foram transportadas de tão longe e como foram feitos os buracos no solo para as colocar, utilizando apenas ferramentas feitas com chifres e ossos. Estima-se que as três fases da construção requereram mais de trinta milhões de horas de trabalho.
As teorias actuais a respeito da finalidade de Stonehenge sugerem que este monumento foi utilizado para observações astronómicas e funções religiosas (incluindo eventuais sacrifícios humanos).
(Fonte: http://www.fotoviajar.com/inglaterra/stonehenge-monumento-megalitico-excursoes-londres)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

19 março, 2018

HAWKING, Stephen & STONE, Gene - O UNIVERSO DE STEPHEN HAWKING. Tradução de Isabel Araújo. [Lisboa], Difusão Cultural, 1994. In-4.º (24,5cm) de ix, [1], 190 p. ; mto il. ; E. Colecção Ciência Hoje
1.ª edição.
Impressa em papel de qualidade superior e muito ilustrada com fotogravuras a p.b. nas páginas do texto.
Apontamentos sobre a vida de Stephen Hawking, famoso físico britânico, e uma das mais fascinantes e extraordinárias personalidades do universo académico-científico.
"De um lado o Big Bang, os buracos negros, as anãs brancas, os quasares, a teoria da relatividade ou a mecânica quântica; do outro, os familiares, os amigos, os colegas, os alunos e alguns dos mais famosos físicos mundiais. Todos juntos, eles dão vida ao universo de Stephen Hawking.
A mãe, a irmã e o irmão falam do jovem que conheceram e do homem em que se tornou.
Os colegas de liceu e da faculdade recordam, com humor e amizade, os anos de estudo e, principalmente, de diversão.
Os professores de Oxford e Cambridge relembram aquele aluno brilhante que tolerava mal o ensino convencional.
Os colegas e físicos descrevem as ideias que moldaram o seu trabalho e o deles, e a importância dos conceitos que ele desenvolveu. Por fim, o próprio Stephen Hawking fala dos seus tempos de infância e juventude com o mesmo à-vontade com que apresenta as suas complexas teorias e as suas mais recentes propostas de interpretação do universo.
Captado numa dupla perspectiva, humana e científica, este livro é um retrato imensamente comovente e infindavelmente fascinantes de um dos maiores génios do século XX."
(apresentação)
Stephen William Hawking (Oxford, 1942 - Cambridge, 2018). “Foi um físico teórico e cosmólogo britânico e um dos mais consagrados cientistas da atualidade. Doutor em cosmologia, foi professor lucasiano de matemática na Universidade de Cambridge onde era professor lucasiano emérito, um posto que foi ocupado por Isaac Newton, Paul Dirac e Charles Babbage. Foi diretor de pesquisa do Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica (DAMTP) e fundador do Centro de Cosmologia Teórica (CTC) da Universidade de Cambridge.
Hawking era portador de esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma rara doença degenerativa que paralisa os músculos do corpo sem, no entanto, atingir as funções cerebrais, e para a qual não existe cura. A doença foi detectada quando tinha 21 anos. Em 1985 Hawking teve que submeter-se a uma traqueostomia após ter contraído pneumonia durante a visita que efectuou ao CERN, na Suíça, e desde então, utilizava um sintetizador de voz para comunicar. Gradualmente, foi perdendo o movimento dos braços e das pernas, assim como do resto da musculatura voluntária, incluindo a força para manter a cabeça erguida, de modo que sua mobilidade era praticamente nula. Em 2005 Hawking usava os músculos da bochecha para controlar o sintetizador, e em 2009 já não podia controlar a cadeira de rodas eléctrica. Desde então, grupos de cientistas estudam formas de evitar que Hawking sofra de síndrome do encarceramento, tentando traduzir os pensamentos ou expressões de Hawking em fala. A versão mais recente, desenvolvida pela Intel e cedida a Hawking em 2013, rastreava o movimento dos olhos do cientista para gerar palavras."
(fonte: Wikipédia)
Encadernação do editor com sobrecapa policromada.
Exemplar em bom estado de conservação. 
Invulgar.
Indisponível

06 outubro, 2017

MARTINS, General Ferreira – A COOPERAÇÃO ANGLO-PORTUGUESA NA GRANDE GUERRA DE 1914-1918. Pelo… do Quadro de Reserva, ex-Sub-Chefe do E. M. do Corpo Expedicionário Português a França, 1917-1918. Lisboa, Serviços de Informação e Imprensa da Embaixada Britânica, 1942. In-4.º (23cm) de 91, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Estudo sobre a cooperação anglo-portuguesa durante a Grande Guerra, nos vários cenários do conflito, em França e nas colónias africanas.
Ilustrado com fotografias a p.b. no texto.
“A partir de 2 de Fevereiro de 1917, foram chegando sucessivamente a Brest as tropas do C. E. P., transportadas em sete navios britânicos, e em dois portugueses, o Pedro Nunes e o Gil Eanes, aquele alcunhado de «Navio Fantasma» pela facilidade com que iludia a perseguição dos submarinos alemães atravessando audaciosamente zonas por eles infestadas.
Assim se organizaram até Outubro seguinte, 17 comboios, que foram escoltados por destroyers britânicos. […]
De Brest onde desembarcavam, seguiam as tropas portuguesas para a zona de concentração do C. E. P., que de Aire sur-La Liy se estendia para Oeste, numa extensa área cujo eixo era a estrada de Aire-Mametz-Thérouane.
As forças da 1.ª Divisão tiveram o seu Q. G. em Thérouane, no vale do Lys, as da 2.ª, desde 30 de Abril, em Fauquembergues, já no vale do Aa. […]
Em 4 de Abril de 1917 entrou nas trincheiras a primeira companhia portuguesa, e logo nesse dia foi morto o soldado Curado (do B. I. 28), o primeiro português caído em França.”
(excerto do Cap. III, O C. E. P. em França)
Matérias:
I. Portugal não-beligerante (1914-1916). II. Portugal beligerante (1916-1918). III. O C. E. P. em França (1917-1918). IV. A Guerra das Colónias (1914-1918). V. A Guerra no Mar (1914-1918). VI. Conclusão.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas levemente oxidadas. Assinatura de posse na f. rosto.
Invulgar.
Com interesse histórico.
10€

16 agosto, 2017

SCOTT, Sir Walter - KENILWORTH. Novella de..., traduzida Por A. J. Ramalho e Sousa. Tomo I [II; III; IV]. Lisboa, Typographia da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Uteis, 1841-1842. 4 vols In-8.º (15cm) de XIX, [3], 239, [3] p. (I), 316, [4] p. (II), 298, [4] p. (III) e 269, [13] (IV). ; E.
1.ª edição.
Romance histórico cuja acção se desenrola no século XVI, durante o reinado de Isabel I de Inglaterra, que descreve a trama que levou à morte Amy Robsart às mãos dos esbirros do marido, Robert Dudley - 1.º Conde de Leicester -, o favorito da rainha.
O primeiro volume apresenta um prefácio preliminar que ocupa as 13 primeiras páginas com dados históricos recolhidos pelo autor, importante manancial para a elaboração do romance.
"Roberto Dudley, conde de Leicester, homem de bello parecer, e de mui distincta presença, era grande valido da rainha Izabel: pensava-se, e geralmente se dizia que se fosse solteiro ou viuvo, a rainha o tomaria por marido. Com este intento, e para se livrar de todos os obstaculos, Dudley ordenou, ou talvez, com lisongeiras supplicas, resolveu sua mulher a que se retirasse para casa de Antonio Foster, que então vivia na sobredita mansão, [casa anexa a um convento anteriormente pertença dos monges de Abington]. Insinuou igualmente a sir Ricardo Varney, (primeiro motor d'este designio) que apenas elle Varney chegasse a esta aldeia, buscasse avenerar a condessa [sua mulher], e que se o veneno não produzisse effeito, cumpriria lançar mão de outro meio para acabar com ella. Este facto foi provado, segundo parece, pela exposição do doutor Walter Bayly - algum tempo membro do Collegio Novo - então residente em Oxford, e professor de medicina n'esta universidade; o qual, por não ter querido consentir no avenenamento da condessa, foi objecto das perseguições do conde de Leicester, que buscou indispô-lo na corte."
(excerto da introdução)
"Aos novelleiros coube o privilegio de encetar a sua historia por uma estalagem, paradeiro commum de todos os viandantes, em que o humor de cada qual sem ceremonia se dá largas. Onde melhor veniaga faz tal privilegio, é quando a scena acerta de se passar nas antigas eras da jovial Inglaterra, epoca em que os viandantes eram, de alguma sorte, não só os inquilinos, mas tambem os comensaes e companheiros temporarios do estalajadeiro; personagem de ordinario dotada de franqueza pouco vulgar, de acolhimento affavel e de genio prasenteiro. [...]
No decimo oitavo anno do reinado de Izabel d'Inglaterra, a aldêa de Cummor, arredada quatro milhas de Oxford, blazonava de possuir uma estalagem ao modo antigo, administrada ou antes governada por Gil Gosling, homem de aspecto galhofeiro, barriga um pouco arredondada, de cincoenta e tantos de idade... [...]
Foi na casa administrada por este modêlo dos estalajedeiros, que ao cerrar da noite se apeou um caminhante, entregou ao moço da cavalhariça o cavallo, que parecia ter feito grande jornada, e travou o colloquio seguinte com o moço do bello Urso Negro.
«Olá, John Tapster!»
«Prompto, Will Hostler,» respondeu o homem do espicho, mostrando-e em colete desabotoado, calções de brin e avental verde, com ametade do corpo fóra e outra ametade dentro de uma porta que parecia ir dar a uma adega exterior.
«Está aqui um cavalleiro, que perguntou se tens boa cerveja,» e continuou o moço da estrebaria.
Mal por mim se assim não fôra,» replicou o tapster; «porque d'aqui a Oxford são apenas quatro milhas." [...]
A chegada do passageiro fez com que os circunstantes o observassem com a especie de attenção costumada em taes occasiões: e o que de si deu a observação, ei-lo aqui: - o caminhante era um d'aquelles homens dotados de boa presença, e de feições em que nada se enxêrga desagradavel, mas que entretanto apresentam o que quer que seja que, ou pela expressão da fisionomia, ou pelo metal da voz, ou, em fim, pelos ademanes e garbo, faz que hajâmos nossa repugnancia em tratar com elles. Inculcava no aspecto audacia, mas não franqueza; e parecia desde logo demandar acatamento e respeito, como se temesse que a isso lhe faltassem, se immediatamente o não exigisse como obrigação. Estava coberto com um capote de jornada, debaixo do qual se via um bello gibão cheio de passamanes, e apertado com um cinto de pelle de bufalo, donde pendia uma espada e um par de pistolas."
(excerto do Cap. I)
Exemplares em bom estado de conservação. Encadernações coevas em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada, apresentando nos volumes I e II parte da charneira aberta, mantendo-se no entanto muito sólidas. Rubrica de posse antiga na f. rosto dos 4 vols.
Obra rara.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
30€

21 abril, 2017

GALLICO, Paul - THE SNOW GOOSE. By... Illustrations by Peter Scott. London, Michael Joseph, 1958. In-4.º (25cm) de 54, [2] p. ; [4] f. il. ; il. ; E.
Conhecida história infantil, múltiplas vezes reeditada, impressa em inglês - no original. Edição magnificamente ilustrada com bonitos desenhos no texto e belíssimas estampas em separado.
"The great Marsh lies on the Essex Coast between the village of Chelmbury and the ancient Saxon oysterfishing hamlet of Wickaeldroth. It is one of the last of the wild places of England, a low, far-reaching expanse og grass and reeds and half-submerged meadowlands ending in the great saltings and mud flats and tidal pools near the restless sea.
Tidal creeks and estuaries and crooked, meandering arms of many little rivers whose mouths lap at the edge of the ocean cut trough the sodden land that seems to rise and fall and breathe with the recurrense of the daily tides. It is desolate, uttery lonely, and made lonelier by the calls and cries of the wildfowl that make their homes in the marshlands and salting - the wildgeese and the gulls, the tteal and widgeon, the redshanks and curlews that pick their way trough the tidal pools. Of human habitants there are none, and none are seen, with the occasional exception of a wild-fowler or native oysterfishermen, who still ply a trade already ancient when the Normans came to Hastings."
(excerto do Cap. I)
Encadernação em tela com ferros gravados a prata na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Dedicatória manuscrita na f. anterrosto (não do autor).
Invulgar.
10€