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14 maio, 2026

NOGUEIRA, Braz -
ESTUDO SOBRE O SEGREDO MÉDICO. Trabalho feito no Instituto de Medicina Legal de Lisboa a apresentado como dissertação inaugural á Faculdade de Medicina de Lisboa. Lisboa, Tipografia Tejo : Barros & Mourão, 1916. In-4.º (23x17 cm) de 148 p. ; B.
1.ª edição.
Importante trabalho académico sobre o sigilo profissional em medicina. Trata-se de um ensaio pioneiro desenvolvido no Instituto de Medicina Legal de Lisboa, dedicado aos aspectos deontológicos e jurídicos do sigilo profissional, questão momentosa no seio da classe médica na época, alvo de preocupação dos profissionais do sector. Representa uma análise sobre a ética médica em Portugal, abordando o dever de confidencialidade dos médicos.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor datada de 15-5-916.
"Uma das mais interessantes e delicadas questões de deontologia é incontestavelmente a matéria do segredo profissional, que directa e imediatamente diz respeito aos médicos, aos advogados e aos eclesiásticos. Na verdade as outras profissões têm no caso um interesse mais secundário visto que o médico, o advogado e o padre estão em intimo contacto com os males que affligem a humanidade.. O primeiro provê de remédio as imperfeições e irregularidades do nosso organismo, o segundo é ouvido em todos os casos provenientes da violação do direito e o terceiro é o confidente espiritual das dôres.
E assim, por causa do livre e amplo exeercicio destas três profissões, é que principalmente se tem discutido se o principio do dever profissional se deve manter ou eliminar.
Os deveres impostos aos médicos pelo código do trabalho,as leis sobre a higiene, a assistencia e beneficiencia públicas,as mutualidades etc. transformaram o exercicio da nossa profissão. Tudo isto portanto trouxe aos médicos deveres novos. A nossa profissão está, a cada passo, sofrendo remodelações.
Uma outra causa e das mais preponderantes nessa modificação é a concorrencia. O médico de hoje é inteiramente diferente do médico de hontem... e depois actualmente a vida privada modificou-se; tudo se conta, toda a gente discute, tudo se publica.
Hoje ao lado do cliente que propala que os seus têm sido vitimas do médico, encontram-se sempre outras pessoas que excitam o sentimento de protesto sem procurar a razão, que auxiliam a mal-crença sem avaliar os prejuizos. O presumido erro clinico não é referido apenas no seio da familia ou entre os amigos; espalha-se na sociedade, chega a publicar-se na imprensa.
E quem tem a culpa de um facto destes?
Quem é, principalmente, o culpado do descrédito?
Diriamos como diz o professor Brouardel:
Le le dis sans réserve c'est le corps médical lui même.
E infelizmente assim é.
Quantos! quantos não têm ouvido em plena rua,  ás portas dos cafés, nas reúniões, em jantares e até nos hospitaes, os próprios médicos avaliando a moralidade, a habilidade dos colegas no meio de gargalhadas e de frases pouco lisonjeiras para a seriedade da profissão."
(Excerto da Introdução)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo manchadas, com pequenos pequenos defeitos.
Raro.
Com interesse histórico.
45€

30 setembro, 2022

CASTRO, Alberto Domingos Pinto de - PROBLEMAS DEONTOLÓGICOS DA MEDICINA ESPACIAL. Dissertação para o acto de licenciatura apresentada à Faculdade de Medicina da Universidade do Porto
. [S.l.], [s.n. - Composto e impresso na Tipografia Rocha - Vila Nova de Gaia], 1961. In-4.º (24,5x20 cm) de [12], 56, [17] p. ; C.
1.ª edição. 
"Trabalho realizado nos Serviços de Deontologia Médica sob orientação do Ex.mo Senhor Professor Doutor Luís de Pina".
Interessantíssimo ensaio sobre os aspectos deontológicos a considerar na nova área médica que desponta - a Medicina Espacial.
Estudo publicado em 1961, durante a Guerra Fria, numa época de armamento e competição feroz entre as duas super-potências - EUA e URSS - pela conquista do espaço.
Releve-se, a título de curiosidade, que a presente tese foi submetida a provas no ano em que Yuri Gagarin - o primeiro homem no espaço - efectuou o seu voo inaugural a bordo da nave Vostok, em 12 de Abril de 1961.
Obra rara e muito curiosa, pelo tema em questão e timing da sua apresentação, e pelo facto de tal assunto ter sido desenvolvido por um cidadão nacional, circunstância altamente improvável por não ser Portugal um país com tradições aeroespaciais, muito menos na época. Nada foi possível apurar acerca do livro ou do seu autor por falta de referências, incluindo a Biblioteca Nacional, a não ser a menção da apresentação da tese no Anuário da Universidade do Porto, XV, 1960-61.
Livro impresso em papel encorpado, concebido com esmero e apuro gráfico.
"- Na ânsia, sempre insatisfeita, de desvendar, perante os seus olhos mortais, toda a grandeza da obra da Criação, tem a humanidade dedicado à exploração do Universo, o melhor de séculos de esforço constante. [...]
O progresso científico, tornando cada vez mais próxima a hora em que seres humanos poderão poderão evadir-se da velha Terra, põe à humanidade uma terrível pergunta: qual o comportamento dos primeiros astronautas a como resistirão aos choques emocionais a que têm de ser submetidos? As experiências que, em todo o mundo, estão a ser praticadas e a sua possível contestação trouxeram-nos à lembrança o tema que nos propomos tratar. [...]
O homem na sua constante ânsia de saber, lança-se à conquista do espaço, convencido de que isso o ajudará a viver mais e melhor, fazendo, para isso, estudos profundos e experiências arrojadas sobre o corpo humano, para conhecer as condições de vida que lhe serão impostas, a sua capacidade de adaptação a novos meios, enfim, submete o seu semelhante a tudo o que o seu génio imagina para levar a bom termo o seu grande sonho.
Como diz Toscano Rico: - "Não pode duvidar-se hoje da necessidade imprescindível de uma experimentação racional, como factor decisivo do progresso dos conhecimentos médicos", e neste caso dos conhecimentos gerais do homem. Mas, continua o mesmo autor, " a ânsia da descoberta ou o interesse especulativo da investigação, podem às vezes arrastar a experimentação numa correria desenfreada e torna-se lícito perguntar se não existem limites deontológicos que devam condicioná-la".
Serão exactamente esses limites, aplicados ao caso particular da exploração do espaço, a essência do tema que escolhemos para a nossa dissertação de Licenciatura."
(Excerto da Introdução)
Sumário:
I - Introdução. II - Um velho sonho. III - O Homem e o Espaço. IV - Conclusão. | Bibliografia.
Encadernação cartonada com letras gravadas a negro na pasta anterior.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito raro.
Sem registo na BNP.
75€

14 junho, 2016

NOGUEIRA, Braz - O SEGRÊDO MÉDICO É COMPATIVEL COM O ESTADO ACTUAL DA SCIÊNCIA E DA VIDA SOCIAL?! Trabalho de deontologia profissional por... Dezembro de 1932. Lisboa, Composto e impresso : Tipografia-Papelaria Rejo, 1932 [capa, 1933]. In-8.º (22cm) de 75, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso trabalho de deontologia sobre ética e sigilo médico.
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Quando terminado o Curso Médico se abandona a Faculdade, levando na mão um Diplôma que confere o direito de exercer a Medicina e Cirurgia em todo o Territorio Portuguez, pensa-se em geral, que os maiores obstáculos que se vão encontrar na Prática Médica, são as dificuldades scientificas.
Perigosa ilusão esta!
Infelizmente o iniciado que sai das nossas Faculdades e dos nossos Hospitais, vem muito pouco preparado para vencer sem temôr, os inúmeros abismos que lhe vão surgir pela frente. [...]
A Deontologia sendo então espezinhada e esquecida, tende a reduzir a pó quási toda a Categoria Profissional e a tornar os deveres do médico perante a Sociedade, dependente das suas exigências e das circunstâncias do momento.
Este estado de Neurastenia Profissional, enfraquece cada vez com maior vigôr, o organismo inteiro da Colectividade.
Hoje, mais do que nunca, se verifica, que para vencer e dominar dentro da profissão médica, são necessárias qualidades de fino quilate, quer dentro da esféra fisica, quer intelectual, quer moral.
A Vocação, a Dignidade, a Honestidade, a Bondade, a Dedicação, a Prudência, a Condescendência, a Coragem e a Descrição, são dentre muitas dessas qualidades, as principais.
A Discrição é daquelas porém, que ocupa a cupula do majestoso edifício da Medicina Social.
A sua prática exige a observação rigorosa dos principios do Segrêdo Médico."
(excerto da introdução)
Matérias:
Introdução. I - O Segrêdo Médico é necessário como elemento de Ordem Pública. II - Onde começa e onde acaba o Segrêdo Médico? III - O Segrêdo Médico é influenciado pelo determinismo dos fenómenos sociais!? IV - Como se comporta o segrêdo profissional perante o estado actual do desenvolvimento das sciências biológicas? V - O individuo, a colectividade e a Nação, não permitem que o segrêdo profissional seja demolido na sua construção secular! VI - As exigências do fôro perturbam o segrêdo profissional? VII - O Segrêdo Médico honra e dignifica a classe, mas, para isso, exige a disciplina profissional. Conclusões. Bibliografia.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas algo manchadas.
Raro e muito curioso.
20€