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14 maio, 2022

LIMA, Jaime de Magalhães - OS POVOS DO BAIXO VOUGA.
[Prefácio de Fernando Magano]
. [S.l.], Edição das Câmaras Municipais de Ílhavo e Murtosa e da Comissão de Turismo da Torreira, 1968. In-8.º (18 cm) de 94, [2] p. ; [10] f. il ; B.
1.ª edição independente.
Capa de David Cristo.
Interessante estudo etnográfico, antes publicado em «Trabalhos da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia», Porto, 1926.
Livro muito valorizado pelas belíssimas estampas - impressas sobre papel couché - intercaladas no texto.
"Ao norte de Portugal, sobre o Atlântico, a linha de costa afrouxa e decai para o lado da terra, fechando pelo poente uma extensa meia-lua de planuras vastas, cortadas de canais e lagos, e na linha interior demarcada pelas primeiras elevações dos contrafortes das serras de Arouca, Talhadas, Caramulo e Buçaco.
Descendo do Caramulo para o litoral em um dia tempestuoso e negro, cerrado de nuvens rasteiras, impedindo a difusão vertical da luz, tive ensejo de ver na sua maior extensão aquelas terras, iluminadas de modo que todos os acidentes de relevo se confundiam e nivelavam, formando de lés-a-lés como um mar profundo e negro, do qual o Cabo Mondego, ao sul, e os montes da margem esquerda do Douro, ao norte, seriam os redentes da entrada de uma baía. [...] Ainda agora, sem maior esforço de imaginação se suspeitam e ressurgem os dias em que as águas do Cértima, do Águeda, do Vouga e do Caima viriam directamente àquela baía e de lá ao mar, pouco a pouco minguando para dar lugar à elevação gradual do chão arável, formado pelos assoreamentos fustigados pelo vento e pelas ondas do mar... [...]
Assim se teria traçado e efectuado o actual e complicadíssimo sistema de ilhas, canais, baixios, restingas e cales, enredado já pela vastidão de superfície em que estes movimentos se cruzavam... [...]
Foi com estes elementos que se formou a região do Baixo Vouga, tal qual hoje a vemos, toda cortada de lagos e canais em suas formas tentaculares, tão depressa deixando erguer a terra como logo lhe abrindo uma tortuosa estrada fluida. E digo região do Baixo Vouga do que outros usam chamar a ria de Aveiro. [...]
Que gente mora nestas terras? Donde veio e que caracteres as distinguem? Que condição etnográfica foi sua no passado, o que é no presente, e que probabilidades tem de ser no futuro?"
(Excerto do texto)
Índice:
Nota explicativa. | Prefácio. | A região do Baixo Vouga. | Origem dos povos do Baixo Vouga. | Tipos étnicos. | A gente de Ílhavo. | A gente da Murtosa. | Diferenças na voz. | Distinção de profissões.| As feiras. | A cultura. | Conclusões.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Indisponível

09 novembro, 2017

ARAUJO, Norberto de - MURTOSA. Trecho de luz apoteotica dando na soberba marinha da ria; oração da natureza complacente e prodiga acorrendo ao festejamento da obra administrativa dos homens com a sua graça toda poderosa e a sua original ternura. [S.l.], [s.n. - imp. Ottosgrafica, Lisboa], [1927]. In-8.º (18,5cm) de XV, [1] p. ; B.
Junto com:
GIL, Augusto - CINTURINHAS DA MURTOSA. [Poema]. Pagela (10x17,5cm)
(Do livro «Avena Rustica» no prelo)
"Não é uma aldeia que renasceu, como as que vieram dos romanos, e tiveram termas, e atrios, e ainda tem, sob os nossos pés, os mosaicos onde os cristãos desenhavam peixes. Não é uma vila que tenha historia, tombo, brazão e pergaminhos nos frontais dos solares de ricos senhores, perdidos, nos romances e nos manuscritos, e cujo castelo roqueiro se restaurasse. A Murtosa, como Perdelhas, como a Gafanha, como Pardilhó, não renasceu.
Criou-se! Havia a areia e havia o mar. O sol, e o fundo da ria. Desceram da montanha os homens robustos; enquadraram o seu sangue no sangue nomada e lendario dos fenicios, de fronte alta e costumes airosos, quasi elegancia de cisnes, que ficaram na prôa dos barcos esveltos no andar da laguna, e no talhe das mulheres, que são anforas postas a pisar ao compasso intimo do seu destino.
E deu isto. Esta terrinha, esta cidade - fez-se por si, como uma menina que não tivesse conhecido pai ou resto de solar e que uma fada tivesse fadado princesa. A Murtosa - é um simbolo da raça portuguesa, eu não sei porque misterio de cruza ou porque beijos da sorte, um simbolo de trabalho humilde, de amor á terra e ao mar, que deu expontaneamnete marinheiros e pescadores, lavradores e jardineiros, proas de barcos de fundo chato e navios de alto bordo, engalanados de velas, que vão dali perto para a conquista dos Bancos da Terra Nova."
(excerto de Murtosa, de Norberto de Araújo)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas manchadas. Capa com pequena falha de papel no canto inferior dto.
Raro.
Indisponível