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20 novembro, 2023

GUIMARÃES, Delfim de Brito M. - LISBOA NEGRA : poemeto. [Lisboa], Monteiro & C.ª - Editores : Agencia Universal de Publicações, 1893. In-4.º (24 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa obra poética, das primeiras publicadas pelo autor. Trata-se de uma crítica corrosiva à capital, na opinião do autor uma cidade abjecta e licenciosa.

"Mas inda mais vereis, - miserias desconformes.
Lisboa é um vulcão que tem lavas enormes.
- Lavas de podridão, de lodo, d'immundicie...
Não chegando metade a vir á superficie!

Acompanhae-me, vá! Subamos ao Chiado,
E, ali, hei-de mostrar ao vosso olhar magoado
Um quadro bem pungente, um quadro bem real.

Eis-nos chegados já.

Vê-de aquelle portal:
Uma velha megera, um demonio asqueroso,
Está fazendo a venda a um burguez ditoso
Com o qual regateia o preço estipulado
Da honra da creança, a que tem a seu lado,
E que por esta fórma arrasta ao precipicio
Da perdição fatal, da ignominia, do vicio,
D'onde jamais sahiu quem lá um dia entrou!

E foi a propria mãe que a venda effectuou!...
A troco d'uns mil réis essa mulher pandilha
Não hesitou em vender a honra d'uma filha!

Ó negra capital! a tudo prostitues
Que ao santo amor de mãe, té a esse, pollues
Fazendo rebaixar ao ponto derradeiro
Das filhas rebater em troca de dinheiro
D'um nobre titular perdulario, e devasso,
D'um banqueiro feliz ou d'um burguez ricasso!"

(Excerto do poema) 

Delfim de Brito Monteiro Guimarães (1872-1933). “Escritor e Poeta prestigiado, com extensa obra publicada. Fundador da Livraria Editora Guimarães. Enveredou pela carreira comercial, desempenhando funções de contabilista e de administrador de diversas empresas, mas ficou conhecido pela sua produção literária, nomeadamente poesia, ensaio, conto, teatro e história. Administrou e reorganizou a revista "Mala da Europa", fundada em 1894. Terá nascido aqui a sua futura atividade como consagrado editor. Emprestou a sua colaboração a diversas publicações periódicas, a saber: Branco e Negro (1896-1898), Ave Azul (1899-1900), A Sátira (1911) e Atlântida (1915-1920). Delfim Guimarães foi um intelectual e trabalhador de mérito, como poeta e prosador, como dramaturgo e jornalista, como crítico literário e tradutor, como ensaísta e publicista, como contabilista e gestor, como livreiro e editor. Fundou uma Livraria-Editora, através da criação da sociedade "Guimarães, Libânio & C.ª", com Libânio da Silva. Dissolvida a sociedade, fundou a sua "Livraria Editora Guimarães". A «Guimarães Editores» (rua de S. Roque, 68-70, Lisboa) que ainda hoje existe.”
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação. Apresenta oxidação acentuada, fruto da qualidade do papel utilizado na impressão.
Raro.
20€

16 novembro, 2023

GUIMARÃES, Delfim – AOS SOLDADOS SEM NOME
. Lisboa, Livraria Editora Guimarães & C.ª, 1921. In-8.º (16,5 cm) de 12 p. ; B.
1.ª edição.
Opúsculo publicado em 1921, no seguimento da decisão do governo português em homenagear o Soldado Desconhecido.
"Em Portugal, a 18 de Março de 1921 o Governo autorizou a transladação de dois Soldados Desconhecidos, um da França (Flandres) e outro da África (Moçambique), para o Panteão da Batalha. Foi, ainda, decidido que a cerimónia seria efectuada no dia 9 de Abril de 1921 e para tal decretou esse dia como feriado nacional. (Diário da Câmara dos Deputados, 41ª Sessão,18 de Março de 1921, p. 21)"
(Fonte: www.momentosdehistoria.com)

"Portugal vai honrar dous modestos soldados,
Prestando, no tributo aos peitos denodados
Que souberam morrer,
Um justo galardão aos que na paz ou na guerra
Dão o melhor do sangue em prol da linda terra
Que um dia os viu nascer!...
[…]
Que importa que ninguem vos desvendar consiga
Os nomes familiais?! A Patria, santa amiga,
Conhece-os muito bem…
Ela sabe quem sois, quem foste, honrada gente!
Viu-vos morrer com gloria, a alma e o sangue ardente
Dando por vossa Mãe.

Ela sabe quem sois; seguiu-vos carinhosa;
Convosco padeceu, chorou, e, lacrimosa,
Vos abriu o coval…
Pode pois escrever, sobre a vossa jazida,
A singela inscrição, legenda enternecida:
Filhos de Portugal!
"

(Excerto do texto)

Delfim de Brito Monteiro Guimarães (1872-1933). "Republicano convicto. Escritor e Poeta prestigiado, com extensa obra publicada. Fundador da Livraria Editora Guimarães."
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.

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09 abril, 2018

GUIMARÃES, Delfim de - PRÓ-MONUMENTO. Aos Mortos da Grande Guerra de Infantaria 20. Gaia, [Edição do Autor] - Tipografia Castro Silva, 1936. In-8.º (20cm) de 37, [11] p. ; B.
1.ª edição.
Capa do pintor António Piedade.
Obra poética sobre a Grande Guerra. Impressa em papel de superior qualidade.
Muito valorizada pela dedicatória autógrafa do autor.
"Fala o coração de Manuel de Guimarães pelo meu coração:
«A todos os que combateram - mortos ou vivos - e sofreram o horrível inferno das trincheiras e, ainda, aos que no cativeiro morreram ou passaram as horas mais cruciantes para a sua alma de portugueses».
Manuel de Guimarães"

"Naquele raid, a ferro e fogo, a luta
Semelha o crepitar de mil geenas!
Por sôbre o 20 cai a força-bruta
Inundando de espuma e sangue as cênas!

O 20 não recua! Audaz, disputa
A trincha, palmo a palmo! Um brado, apenas,
Um grito de comando, em ânsia escuta,
E a luta de leões é contra hienas!

Há mortos! E o sangue espdaneja
 Nas pontas das baionetas! A peleja
É incitada, agora, por feridos:

- Soldados, para a frente, não temais!
E num arranco heróico os alemãis
São pelos portuguezes repelidos!"

(12 de Março de 1918)

Poesias: - 9 de Abril de 1918. - Mortos da Grande Guerra. - A Ronda dos Espectros. - Mortos da Grande Guerra! - Mortos da Grande Guerra. - 12 de Março de 1918. - A Cruz dos Serranos.
A Grande Guerra : 1914-1918: - Verdun. - Aos homens de Portugal. - Às Mãis Portuguezas. - Para os serranos das trincheiras. - Quem parte leva saüdades. - Bemdita dor. - A paixão dum cego. - O Soldado Desconhecido.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Peça de colecção.
A BNP dispõe de apenas um exemplar.
Indisponível