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27 novembro, 2023

AMARAL, Ferreira do - A MENTIRA DA FLANDRES E... O MÊDO!
. Lisboa, Editores - J. Rodrigues & C.ª., 1922. In-8.º (19x14 cm) de XII, 507, [1] p. ; B. 
1.ª edição.
Obra polémica sobre a participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial. Trata-se da visão política e militar do conflito pela pena do Major Ferreira do Amaral, controverso oficial do C. E. P., em França.
Serviu em França nos postos de capitão, major graduado e major, desde Fervereiro de 1917 até Fevereiro de 1918. Comandou infantaria 15, os morteiros da 1.ª Divisão e o IX batalhão. Não quiz nunca vir de licença a Portugal. Marchou para França sem lhe competir por escala ou por escolha, mas simplesmente coagido por motivos de ordem pessoal e razões de ordem puramente militar. (Apontamento biográfico retirado da f. rosto)
Livro ilustrado com um retrato do autor em página inteira.
"O Exército Português entrou, é certo, na Grande Guerra e tomou parte em campos de batalha, na Europa e em África; mas desses esforços, desses sacrificios e de todo esse sofrimento moral, o que ficou para êle?
Nada, ou quasi nada!
No todo, o exército ficou peor do que estava, e do seu valor na guerra nada brilha, a não ser um ou outro nome, que é casualmente apontado, quando qualquer dos de citado nome passa na rua… […]
Para um exército, que se bateu em vários logares, desde novembro de 1914 até11 de novembro de 1918, tudo isso é muito pouco, é nada, é quasi ridiculo, é mesmo aviltante para o brio necessário a uma nação independente e a uma raça consagrada por dez séculos de História.
[A Grande Guerra] não foi, como muitos julgam, uma simples chuva de males e desgraças; foi uma avalanche, que na sua queda estampou por largo período sobre a farda dos oficiaes portugueses o carimbo terrivel da cobardia! […]
Na chamada questão da participação na guerra, não só os oficiaes do exército mas também os políticos ficaram afogados num mar de lama."
(Excerto da dedicatória do autor aos alunos da Escola de Guerra)
Índice:
Dedicatória. I – A loucura. II – A bravura! III – Fantasmas. IV – No patíbulo. V – O mêdo. VI – Epílogo.
João Maria Ferreira do Amaral (1876-1931). "Foi um oficial do Exército Português, comandante da Polícia Cívica de Lisboa, (a antecessora da Polícia de Segurança Pública), de 1923 até à sua morte. Participou, como voluntário, na expedição de pacificação sob o comando do General Pereira d’Eça no sul de Angola, em 1915. No ano seguinte, estando de licença em Portugal, foi nomeado Comandante do Batalhão de Infantaria 15, que seguiu para a frente, na Flandres, integrado no Corpo Expedicionário Português. Regressou de França de depois da Primeira Grande Guerra, e seguiu para Angola, numa missão civil. Retornou em 1922, tendo sido promovido a Coronel. A 23 de Novembro de 1923, foi nomeado comandante da Polícia Cívica de Lisboa e destacou-se na repressão da Legião Vermelha, a qual, dois anos mais tarde, a 15 de Maio, perpetrou um atentado em que é gravemente ferido. No leito do hospital, dirigiu a repressão que culminou com a prisão e o degredo para África de mais de cem suspeitos desse movimento. Foi agraciado com várias medalhas. Escreveu as seguintes obras acerca da I Guerra Mundial: A mentira da Flandres e… o mêdo! (1922) e A batalha do Lys ; a batalha d'Armentieres ou o 9 de Abril (1923)."
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos. Assinatura possessória na f. rosto.
Invulgar.
Com interesse histórico.
25€

18 outubro, 2023

PORTUGAL MILITAR. Da Regeneração à Paz de Versalhes. XII Colóquio de História Militar : Actas - COMISSÃO PORTUGUESA DE HISTÓRIA MILITAR. Lisboa, Comissão Portuguesa de História Militar, 2004. In-4.º (24 cm) de 557, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Capa: Gravura de Sousa Lopes - Marcha para a primeira linha (frente), Museu Militar, primeira sala da Grande Guerra.
Importante contributo para a bibliografia WW1.
I
lustrado nas páginas do texto com fotografias a p.b. e a cores, gráficos, tabelas e desenhos esquemáticos.
Tiragem: 300 exemplares.
"Em 1885 ocorreu o Congresso de Berlim, que fez desencadear a corrida a África e, ao definir novos critérios de posse, obrigou Portugal a um ingente esforço por ver denegados os seus direitos históricos. O Ultimato inglês relaciona-se com esta viragem e provocou efeitos contraditórios internos: a revolta de 31 de Janeiro no Porto, iniciando e incentivando movimentos políticos de tendências republicanas, contestando a figura e a acção do Rei D. Carlos, com o seu clímax no Regícidio; e a reacção patriótica de um grupo de notáveis militares, que pelo seu valor sacrificado e, dada a escassez de recursos do País, permitiram resultados notáveis em prol de Portugal nas Campanhas de Ocupação da Guiné, Angola, Moçambique, na Índia e em Timor.
Depois veio a implantação da República, devido a um golpe militar influenciado pela Maçonaria e pela Carbonária e dando origem a profundas reformas militares e à continuação das Campanhas de Ocupação. Outro acontecimento da maior relevância foi a Grande Guerra de 1914-18 na Flandres e no Ultramar e o aceso debate interno a que deu origem sobre a neutralidade ou a intervenção. O esforço militar desenvolvido e a apreciação dos respectivos méritos e deméritos nos aspectos políticos, organizacionais, operacionais e logísticos constituem mais um motivo de interesse, bem como as deliberações da Conferência de Versalhes que ainda hoje alimentam debates não consensuais sobre a participação portuguesa no conflito e seus resultados."
(Excerto da Nota prévia do Coronel Carlos Gomes Bessa)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar
.
Indisponível

17 março, 2022

MARTINS, A. Santos - DE COIMBRA A CHERINGOMA
. [Coimbra], [Edição do Autor com o patrocínio de Feira Permanente do Livro], 2006. In-8.º (21,5 cm) de 109, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Memórias do tempo passado em Moçambique - onde o autor foi colocado no início da Guerra Colonial - com partida de Coimbra. Interessante conjunto de episódios, pincelados com notas históricas sobre a gesta portuguesa em África.
"Depois de passarmos ao largo do 'rio do Infante', da celebrada navegação de Bartolomeu Dias - aquela que, pela primeira vez, em 1487/88, ligou o Atlântico e o índico - a nossa viagem prosseguiu pela Costa do Natal - outro nome que ficou desde Vasco da Gama e da Viagem de Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia (1497/98). Em meados de Dezembro, o transporte de tropas escalava finalmente o porto da cidade de Lourenço Marques, que em poucas décadas fora transformado num dos mais importantes do Continente Negro (como outros portos de Moçambique).
Não longe do cais de acostagem, num bar de uma das 'ruas da perdição' - e não a Rua Araújo dos 'dancings', mas a Rua... Salazar -, umas morenas ofereceram-nos, a mim e ao 'China' (que também é de Coimbra), alguns copos de cerveja que mandaram 'meter na conta' de uns embarcadiços nórdicos muito loiros e já àquela hora da tarde muito bêbados."
(Excerto de As generosas mulatas das 'ruas da perdição')
Armando dos Santos Martins (n. 1944). Natural de Coimbra. "Depois dos seus estudos como Aluno Salesiano, Armando dos Santos Martins ingressou na Força Aérea Portuguesa e partiu para Moçambique em Dezembro de 1963, integrado, como voluntário, nas forças expedicionárias que foram combater a subversão armada naquela antiga Província portuguesa do Índico. Já como profissional da Imprensa («Notícias») e Rádio (foi director do ER de Tete do RCM)), em Moçambique, actuou várias vezes como Correspondente de Guerra (tem muitas reportagens publicadas no «Notícias»), cobrindo acções militares com tropas especiais nos distritos flagelados pelo conflito armado (Cabo Delgado, Niassa e Tete). Regressou a Portugal em 1976 e, nesse ano, trabalhou como redactor no 'Diário de Coimbra'.
A Capital do Mondego está sempre presente nos seus livros, mesmo nos que tratam das Descobertas e Expansão.
É autor de numerosos trabalhos e já no século XXI editou, entre outros, os livros «História da Casa do Minho» (dois volumes); «Sofala - O Primeiro Templo da Igreja Católica na África Oriental»; «De Coimbra a Cheringoma»; «Beira Púngoè - Salazar enfrentou aqui os Ingleses à mão armada»; «Cabora Bassa - A Última Epopeia».
Fundou em Moçambique o primeiro Jornal que houve ao longo do rio Zambeze («Leão do Zambeze»), editado na cidade de Tete."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
20€

11 janeiro, 2022

ROÇADAS, José Augusto Alves - RELATORIO DA VISITA OFFICIAL AO DISTRICTO DO CONGO. Feita pelo Governador geral... Governo Geral da Provincia de Angola : Repartição do Gabinete. Loanda, Imprensa Nacional, 1910. In-4.º (24 cm) de 15, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Relatório do General Alves Roçadas, à época tenente-coronel, Governador-Geral de Angola, cargo de que se demitiria passado pouco tempo, após a implantação da República, em 5 de Outubro de 1910.
Precede o Relatório uma lista de propostas de melhoramentos de infraestruturas:
1.ª Construcção de ponte de Landana.
2.ª Limpeza dos rios Chiloango, Luali e Luango-Luce.
3.ª Organização do serviço de inspecção das mattas do Estado.
4.ª Construcção de armazens alfandegarios nas alfandegas de Landana, Cabinda, Noqui, Santo Antonio do Zaire e Ambrizette.
"Por varias vezes tenho procurado demonstrar, a proposito do plano de administração d'esta provincia, que muito convem em tal plano a adopção de medidas de caracter geral tendentes a beneficiar este ou aquelle serviço, esta ou aquella região. Mas para que d'esse plano resulte proveito immediato, seguro e pretico, o que convem ainda é concentrar successivamente a nossa acção mais activa em regiões determinadas; os districtos estão naturalmente indicados.
Assim, por exemplo, e como é natural, começa-se pelo Congo, prosseguindo-se mais tarde pelos districtos de Loanda, Lunda, etc.
Foi, obedecendo a esta orientação que dediquei a minha primeira visita ao districto do Congo, e d'ella faço uma exposição, ligeira como convem, mas tocando nas questões mais importantes e que demandam attenção e solução immediata."
(Excerto do Relatório)
Matérias:
I. Itinerario. II. Necessidades encontradas - Providencias a tomar - Sua justificação - Cabinda (Providencias a tomar). - Congo-lala. - Noqui (Providencias a tomar). - Quissanga. - Santo Antonio do Zaire (Providencias a tomar). - Lunuango. REGIÃO DE CACONGO: - Landana (Limpeza dos rios : Consequencias desastrosas, se não atacarmos desde já estes dois problemas - ponte e limpeza dos rios). - Residencia de Cacongo - Lundana. Notas de exportação [quadro].
José Augusto Alves Roçadas (1865-1926). "Oficial do exército, foi governador de Macau, governador-geral de Angola e o último comandante do Corpo Expedicionário Português. Em Setembro de 1918 foi enviado para França, com o posto de general graduado, tomando interinamente o comando da 2.ª divisão do C.E.P. em Dezembro, já depois do Armistício. Em 16 de Abril de 1919 foi nomeado comandante do Corpo português, sendo responsável pelo seu regresso a Portugal. Em Setembro de 1918 foi nomeado governador dos territórios da Companhia de Moçambique, tendo regressado em 1923 a Portugal. Confirmado no posto de general em Novembro de 1924, depois de ter prestado provas, foi nomeado comandante da 1.ª Divisão militar. Desde o seu regresso, fez parte do grupo que em torno de Sinel de Cordes, preparou a conspiração que levou ao golpe de 28 de Maio de 1926, sendo o chefe indicado para tomar o poder, o que não se realizou devido a ter adoecido antes do golpe, acabando por morrer pouco tempo depois."
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, ligeiramente oxidadas. Assinatura de posse na f. rosto.
Raro.
Indisponível

30 março, 2021

DAVID MAGNO. O «Muta-Ua 'Nguzu» da ocupação de Caculo Caenda (Capital dos Dembos). Herói de Les Lobes (Flandres) - Memória Biográfica. [S.l.], [s.n. - Comp., Imp. e Encadernação das Ofic. Gráf. de «O Comércio do Porto»], [1960]. In-4.º (23 cm) de 51, [1] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Memória biográfica do cap. David Magno ilustrada com episódios do seu brilhante percurso militar, quer em África, onde esteve destacado, quer na Flandres - integrado nas forças do C. E. P.
Tiragem: 700 exemplares.
Livro valorizado pela dedicatória autógrafa do filho do autor - Júlio Gonçalves Magno - ao Coronel França Dória.
Bonita edição, impressa sobre papel couché, ilustrada com fotogravuras ao longo do texto.
"Os Dembos eram territórios da maior responsabilidade nas Colónias. Como os do Cuamato, regiam-se por diploma especial. Paiva Couceiro, confiando ao valor de David Magno, já demonstrado no «raid» do Zenza (1908), o Comando Militar de Lombije (Dembos Orientais) em circunstâncias tão difíceis, não podia cometer-lhe a missão de tomar Caculo Caenda, aliás, com cujo potentado ninguém se atrevera ainda. Os concelhos dos peritos colinais, como as notícias respeitantes à animosidade e insubmissão do gentio, eram desoladoras. A banza de Caculo Caenda seria inexpugnável para uma força inferior à estimativa de 200 homens bem armados... O Comandante Militar de Lombije não deveria arriscar-se a tal, deixando semelhante proeza para a projectada coluna de Paiva Couceiro...
A glória que o destino negou a tantos, estava reservada para David Magno."
(Excerto de O «Mutu-ua 'Nguzu»...)
"A acção de Les Lobes constitui o maior combate formal e a mais longa e dramática resistência, comprovada pelos documentos e pela maior percentagem de baixas por metralhadoras. Cercados pelo fogo cruzado de mil rajadas e sob uma terrífica chuva de morteiros que os vão esfacelar ingloriamente, tentam a retirada sobre uma trave suspensa num dreno largo e profundo, por onde rastejam um a um. Aqui ficaram os últimos mortos e feridos pela infantaria alemã na Flandres. Miguel Marta, morto quando disparava, é o derradeiro. Tinham cinquenta e seis horas de fogo."
(Excerto de Les Lobes : última resistência da Batalha do Lys no sector português)
David José Gonçalves Magno (1877-1957). Oficial do exército, publicista e etnólogo português. "Nasceu em Lamego a 17 de Agosto de 1877 e morreu em Lisboa a 30 de Setembro de 1957. Seguiu a carreira militar, sendo promovido a alferes em 22 de Dezembro de 1906. Começou por se distinguir em Angola, ao conseguir avançar para o interior e impor a presença portuguesa na região dos Dembos Orientais. Combateu depois em França, durante a Primeira Guerra Mundial, onde por feitos em combate recebeu a cruz de guerra e a cruz de Cristo com palma. A sua acção no CEP não foi, contudo, consensual e isenta de polémica, pelo que pediu para ser julgado pelas acusações de que foi vítima, tendo sido absolvido e visto confirmados os seus serviços como relevantes. Mais tarde, na sequência da revolta de 3 de Fevereiro de 1927 foi deportado para o Sul de Angola, tendo antes passado pelos Açores e Guiné. Reabilitado foi promovido a major e em 14 de Março de 1932 optou por passar à situação de reserva.Paralelamente à sua carreira militar exerceu intensa actividade literária, sendo autor de diversas obras, algumas das quais escritas com base na sua experiência de guerra, para além de ter sido membro da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia, da Revista Militar e da Comissão de História Militar."
(Fonte: http://www.ihc.fcsh.unl.pt/pt/recursos/biografias/item/4418-magno-david-jos%C3%A9-gon%C3%A7alves-1877-1957)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

08 fevereiro, 2021

CERQUEIRA, Afonso de - A MARINHA MILITAR NA OCUPAÇÃO DE ÁFRICA. Por... Contra-Almirante Q. R. I Congresso de História da Expansão Portuguesa no Mundo : 4.ª Secção. Lisboa, [s.n. - Sociedade Nacional de Tipografia - Lisboa], 1938. In-4.º (24,5 cm) de 34, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da presença militar portuguesa em África. Resumo da acção da Armada portuguesa no Ultramar - Angola, Moçambique e Guiné - por ordem cronológica - inventariando os eventos exploratórios e episódios militares mais relevantes.
Matérias:
[Preâmbulo]. | I. Angola. II. Moçambique: Campanha contra o Gungunhana; Campanha dos Namarrais (1896-97); Campanha de Gaza (1897); Campanha da Maganja (1898); Campanha do Mataca (1899); Campanha do Barué (1902). III. Guiné. | [Outros episódios e Louvores].
Afonso Júlio de Cerqueira (Viseu, 1872 - Lisboa, 1957). "Após a frequência dos estudos preparatórios na Escola Politécnica de Lisboa, assentou praça como Aspirante de Marinha em 5 de Novembro de 1888, sendo promovido a Guarda-Marinha três anos e meio depois.
De 1893 (ano em que foi promovido a Segundo-Tenente) a 1894 serviu a bordo da corveta “Mindelo”, tendo participado na força naval enviada ao Brasil para proteger cidadãos e bens nacionais por ocasião da “Revolta dos Almirantes”.
Personalidade multifacetada, especializou-se em diversas áreas técnicas e operacionais, consoante as funções que ia sendo chamado a desempenhar. Tirou, assim, os cursos de Meteorologia; Metralhadoras Pesadas e Ligeiras; Gases de Combate; Artilharia; Torpedos, Minas e Electricidade; Radiotelegrafia, Sinais e Comunicações; e Aeronáutica (observador).
No período conturbado da 1ª República viu-se envolvido nas diversas lutas civis resultantes: em 1911 comandou as forças de Marinha que combateram a incursão monárquica no Norte do país, em 1917 bateu-se contra o movimento revolucionário de Sidónio Pais e em 1919 combateu as tropas monárquicas instaladas na Serra de Monsanto.
Seria, porém, no âmbito do envolvimento português na Grande Guerra que viria a ganhar nome, mais concretamente no teatro de operações do Sul de Angola. Para lá seguiu, em 1915, integrado no Batalhão de Marinha, que, juntamente com forças do Exército, sob o comando do General Pereira D’Eça, constituiu uma respostas às incursões alemãs nos nossos territórios africanos (ainda o estado de guerra entre Portugal e a Alemanha não fora formalmente declarado) e à sublevação dos nativos por elas conduzida.
No seu relatório, entre outras referências elogiosas ao Batalhão de Marinha, o General Pereira D’Eça, escrevia:
"Devo destacar neste brilhante feito de armas o capitão-tenente Cerqueira, que carregou à frente dos seus pelotões, sem que tivesse obrigação de o fazer, dando, mais uma vez, prova da sua têmpera inexcedivelmente militar, que o fez mostrar sempre aos seus subordinados ser o primeiro em todos os momentos críticos da guerra, quer derivados aos combates, quer das privações que à guerra são inerentes."
Mas o grande conflito mundial estava longe do seu termo, e eis o valoroso Comandante Cerqueira chamado a desempenhar nova missão, desta vez no Mar: entre 1916 e 1917, no comando do contra-torpedeiro “Guadiana”, escoltou, com sucesso, vários comboios que cruzavam as perigosas águas do Atlântico, infestadas de submarinos alemães.
Afonso Cerqueira passou à reserva a 1 de Fevereiro de 1934, como Capitão-de-Mar-e-Guerra, tendo, três meses mais tarde, sido promovido, por distinção, ao posto de Contra-Almirante.
Entre várias distinções, possuía o grau de Oficial da Ordem da Torre e Espada, os graus de Cavaleiro e de Comendador da Ordem Militar de Aviz, uma Cruz de Guerra de 1ª Classe, a Medalha da Vitória (dos Aliados na Grande Guerra), Medalha de Ouro de Comportamento Exemplar e 3 Medalhas de Ouro das Campanhas do Exército Português. Além dos navios atrás mencionados, comandara, ainda, as canhoneiras “Faro” e “Lagos”; o rebocador “Bérrio”; os vapores “Funchal” e “Cabo Verde”; o caça-
minas “Azevedo Gomes”; e o cruzador “S. Gabriel”.
Faleceu em Lisboa a 31 de Março de 1957."
(Fonte: https://www.facebook.com/marinhaescolanaval/posts/841532129215464/)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas não muito limpas.

Muito invulgar.
Indisponível

15 maio, 2020

VIDEIRA, A. - "TALVEZ..." Quatro dias à sêde no deserto do Kalahari. [Luanda], Aero Club de Angola, 1938. In-8.º (19 cm) de 189, [3] p. ; [6] f. il. ; [1] mapa desdob. ; B.
1.ª edição. 
Capa: A. Casinhas
Narrativa de uma aventura atribulada, em condições extremas de sobrevivência, após dois acidentes aéreos: um sofrido pelo autor e o seu companheiro de viagem, que seguiam a bordo do monomotor «Talvez...» no regresso a Luanda (vindos de Moçâmedes), e o outro, pelo avião que procedia ao resgate dos acidentados. Os três homens vaguearam durante 4 dias pelo Kalahari, um dos mais severos e áridos desertos do mundo. Apesar da situação precária, o autor relata a sua experiência com algum humor e ironia.
Livro ilustrado com fotogravuras em folhas separadas do texto. Contém mapa desdobrável do percurso do avião do autor - Lisboa-Moçâmedes-"acidente" (escala 1: 3.000.000).
"«Talvez...» lhe chamei eu. E parece que esta incerteza, esta desconfiança o magoa. O meu pobre avião (nosso, que meu e do meu amigo Amaral é) fala e entende. Conversa com êle o mecânico que o trata e alimenta. E, se lhe não faz uma festa, antes de o pôr em marcha, se lhe não segreda não sei que graça ou brèjeiriçe, amua e só pega depois de o ralar. De resto, é obediente e de tal passividade que doi fazê-lo aborrecer. [...]
Aos 48 anos, fatigado de trabalho e de desilusões, má vista, torrado pelo sol inclemente dos trópicos de duas longas e deprimentes décadas, rico, apenas, de encargos e dissabores, porquê esta serôdia, diria ridícula e gágá mania da aviação?
Sei lá!
Uns entram nisto por espírito de elegante aventura; outros, por natural tendência e habilidade; outros por conveniência ou profissão; outros pela volúpia do risco; outros, muitos, por simples desporto ou presunção de endinheirados.
Eu? - Sei, lá! Por desgosto, talvez; por enfado; por aborrecimento."
(Excerto do Cap. I, Ida)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Raro.
45€

18 fevereiro, 2020

MAIA, Carlos Roma Machado de Faria e – RECORDAÇÕES DE ÁFRICA. Verídicas narrativas de viagens, caçadas, combates e costume indígenas, marchas pelo interior e navegação dos rios. Por… [Prólogo do Almirante Ernesto de Vasconcelos]. Lisboa, Tipog. e Papel. Carmona, 1929. In-8.º (21,5 cm) de 396, [4] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Muito ilustrada com desenhos e fotogravuras no texto.
“Honrou-me o Sr. Coronel Carlos Roma Machado, prezado amigo, com a leitura, que me concedeu, do seu interessante trabalho Recordações de África, que escreveu depois de uma longa estadia nas nossas Colónias Africanas, onde desempenhou importantes missões de serviço público, sendo uma das últimas em colaboração com o autor destas linhas, na União Sul Africana. […]
O seu livro foi elaborado com toda a naturalidade, sem pretensões de fazer estilo. É uma narração fiel dos acontecimentos, dos quais muitos estão vividos na memória dos africanistas.
Dividiu o Sr. Roma Machado a sua obra em três partes, qual delas a mais interessante, tendo o grande valor de serem narrativas, como diz, de viagens, combates, costumes indígenas, marchas pelo interior e factos históricos.
Em alguns desses trabalhos tomou parte activa, noutros reproduziu feitos da história contemporânea colonial portuguesa, colhendo em flagrante episódios da vida dos nossos sertanejos e ouvindo muitas vezes os figurantes da vida aventurosa do mato, ou dos capitães-mores e oficiais do exército de África, em que nos relata fielmente casos de extraordinária valentia de verdadeiros e quase ignorados heróis.”
(Excerto do prólogo)
Índice: Parte I. Mentalidade e civilização dos portugueses em África. Descrição de alguns factos históricos antigos e modernos. Parte II. Um regresso a África. Cenas passadas na província de Moçambique. Parte III. Cenas passadas na província de Angola. Um regresso à metrópole.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo sujas.
Invulgar e muito apreciado.
Indisponível

04 abril, 2019

OLIVEIRA, Maurício de - LEOTTE DO REGO. No primeiro centenário do nascimento de um marinheiro ilustre : reportagem de uma vida. Lisboa, Editora Marítimo-Colonial, 1967. In-4.º (24,5cm) de 167, [5] p. ; XXXV p. il. ; [2] p. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Biografia do Contra-Almirante Leotte do Rego (1867-1923), distinto marinheiro e prestigiada figura da República.
Muito ilustrada no texto e em separado, a p.b. e a cores, com fac-símiles, desenhos e fotogravuras.
Livro duplamente valorizado pelas dedicatórias autógrafas do autor, e do filho mais velho do biografado, Luís Leotte do Rego.
"Foi um homem honrado que não fez fortuna, mas deixou a lição da sua vida a filhos, netos e bisnetos. Serviu com honradez a Monarquia e a República, não se aproveitando de nenhum dos regimes."
(Fonte: naval.blogs.sapo.pt)
"Completará este ano um século de existência - se fosse vivo - alguém que se revelou personalidade de singular evidência na vida pública e no meio naval deste país: Jayme Daniel Leotte do Rego, oficial ilustre da Armada, combatente das campanhas de Moçambique, governador ultramarino, parlamentar fogoso, chefe militar austero, comandante das forças navais na primeira Grande Guerra e, a par de tudo isso, homem honrado e cidadão possuidor de uma alma generosa e das mais belas virtudes cívicas."
(Excerto da introdução)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
35€

09 dezembro, 2018

RÉCIO, Manuel e FREITAS, Domingos S. de – FORTUNAS D’ÁFRICA. Lisboa, Casa Ventura Abrantes, 1933. In-8.º (19cm) de 250, [6] p. ; B.
1.ª edição.
Fortunas d’África é um grito de revolta.
Focando aspectos da vida africana, apenas desejamos vir mostrar, um pouco, a existência amargurada dos trabalhadores indígenas e brancos, e sobretudo a destes, que cheios de ilusões e na ambição justa de trabalharem para si e para os seus se dirigem a terras de África, convencidos que encontram lá, - por serem brancos – o bem-estar e as regalias, que lhes sirvam de incitamento para alcançarem a felicidade e a riqueza, a que se julgam com direito. […] Todos – os míseros que arrastam uma vida de martírio e de trabalho na selva, à luz escaldante do sol, nós que sentimos e escrevemos, romantizando, o seu sofrimento, e os maus patriotas, que visamos também – têm de ser julgados.
O Público – Grande Juiz – ditará o seu veredictum."
(Excerto da introdução)
Encadernação em tela com ferros gravados a seco e a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Pasta frontal manchada à cabeça.
Invulgar.
10€

18 novembro, 2018

TAVARES, Álvaro - DO INDIGENATO À CIDADANIA. O Diploma Legislativo N.º 1.364, de 7 de Outubro de 1946. [Separata do «Boletim Cultural da Guiné Portuguesa» N.º 8 - Outubro de 1947]. [S.l.], [s.n.], 1947. In-4.º (24 cm) de [16] p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Histórico diploma legislativo que põe cobro ao estatuto dos «assimilados» nos domínios ultramarinos portugueses.
Livro ilustrado com uma vinheta tipográfica e o desenho de um indígena no final do texto.
"A Constituição Política consagra o princípio da igualdade dos cidadãos perante a Lei, o que envolve nos precisos termos do parágrafo único do seu artigo 5.º a negação de qualquer privilégio, de nascimento, nobreza, título nobiliárquico, sexo ou condição social.
É certo que o considerar ou chamar assimilados àqueles indivíduos que do indigenato ascenderam à cidadania não importa o estabelecimento de uma distinção ou diferenciação entre cidadãos para o efeito de se lhes negar igualdade aos demais cidadãos perante a Lei.
Não obstante, implicava uma descriminação inconveniente como todas as descriminações.
Criara-se pelo Diploma chamado «dos assimilados» uma categoria de novos cidadãos a quem constantemente se fazia recordar a sua recente desintegração do indigenato, a sua recente emancipação de usos e costumes próprios próprios da sua raça.
Mais ainda, como pelo mesmo Diploma os filhos dos assimilados, assimilados eram, tal descriminação ir-se-ia sucedendo indefinidamente.
Ora nenhum objectivo útil se vislumbrava com tal descriminação e tudo depunha contra ela.
Foi a essa indesejável designação jurídica de assimilado que veio pôr temo o Diploma Legislativo n.º 1.364, de 7 de Outubro de 1946, já conhecido por «Diploma dos cidadãos».
E no relatório justifica-se ainda a orientação seguida na elaboração do diploma com estas judiciosas considerações:
«Sendo da essência orgânica da Nação Portuguesa civilizar as populações indígenas dos domínios ultramarinos, deve, por esta superior razão, encarar-se com verdadeiro júbilo o reconhecimento de todos os progressos - honestos, graduais e seguros - verificados nesse campo. Por cada novo cidadão responsável que se desprenda do indigenato, é mais um esforço civilizador, que se preenche».
«No entanto, para não sermos levados por fáceis triunfos - e não menos falsos benefícios de resultados espectaculares, mas de fundamentos precários e duração transitória; e para não aviltar, concedendo-o imerecidamente, um direito que deve ser apenas legítima aspiração de todo o homem que ascendeu, deve rodear-se o processo de todas as cautelas e instruir-se com todas as garantias».
Que não se cultivem ilusões, nem se limitem regalias. Fiel ao espírito das leis basilares, este diploma garante a concessão de direitos a todos aqueles que os merecem, dentro da razão, da verdade e da justiça - às quais há sempre que juntar a inegualável humanidade do domínio português.»"
(Excerto do texto)
[Descriminam-se de seguida os 5 artigos que compõem o Diploma n.º 1.364, devidamente justificados e explicados].
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

31 janeiro, 2018

FARIA, Eduardo de - EXPEDICIONÁRIOS. Com um prefácio do Ex.ᵐᵒ General Norton de Mattos. Lisboa, Edição do Autor [imp. na Tipografia da Liga dos Combatentes da Grande Guerra], 1931. In-8.º (21 cm) de 179, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Capa de H. Martins.
Episódios da Grande Guerra em África vivenciados pelo autor, expedicionário em Moçambique.
"Nas páginas lidas, vejo o relato dos sofrimentos que tiveram de suportar as nossas tropas na costa oriental de África, a quando da Grande Guerra. Em todas as guerras tem havido, e haverá sempre, fome, sêde, calôr ardente ou frios glaciais, as intermináveis e angustiosas marchas sôbre lamas viscosas, ou em areias movediças, os climas palustres, as epidemias de toda a espécie; e tudo isto em tão alto e cruciante grau que os ferimentos são o que menos custa, e a morte é, ás vezes, bem vinda. [...]
Fez reviver, em mim, o livro «Expedicionários» dolorosos transes.
Não estavamos em 1914 preparados, como povo, para nos defendermos das cobiças de estrangeiros; como exército, para combatermos, fôsse onde fôsse, fôrças de nações civilizadas; como Estado, para ràpidamente visionarmos a nossa missão e aproveitarmos a victória, não sòmente para a conservação do que possuiamos, mas também para reivindicar parte do que tinha sido nosso.
As energias nacionais superaram, em grande parte, a falta de preparação do povo e do Exército; - fizeram-se os milagres do costume, o muito com pouco da toda a nossa História."
(excerto do prefácio)
Índice:
Prefácio. Conversação prévia. I - O regresso. II - Quem parte leva saudades. III - Escola de Herois. IV - O busilis da questão. V - A autoridade moral. VI - Tragédias de hospital. VII - Prisioneiros de guerra. VIII - A loucura colectiva. IX - O cigarro do soldado. X - Notícias de longe. XI - O Armistício. XII - Tudo como dantes. XIII - Natal em campanha. XIV - O desmanchar da feira. XV - A moeda com que se paga aos vassalos. XVI - Um problema complicado. XVII - Uma pausa. XVIII - O respeito popular. XIX - O sr. Prudêncio. XX - Mortos eternos. XXI - Recordar... é morrer. XXII - Cegos da guerra. XXIII - Tenhâmos fé. XXIV - Um monumento aos vivos. XXV - O grande capitão. XVI - Espiões. XXVII - A grande parada. XXVIII - Nacionalisemos a África. XXIX - O nosso orgulho. XXX - Definição oportuna. XXXI - Uma reunião singular. XXXII - A hora própria. XXXIII - Fala do soldado desconhecido.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Assinatura de posse na capa e f. rosto. Dedicatória (não do autor) igualmente na f. rosto.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

15 dezembro, 2017

GUSMÃO, Lapas de - A GUERRA NO SERTÃO (Sul de Angola). 2.ª edição. [S.l.], Tipografia da Emprêsa Nacional de Publicidade, 1935. In-8.º (19cm) de 252, [4] p. ; B.
Episódios da Grande Guerra na frente africana. Impressões pessoais do autor, combatente em Angola. Obra publicada no mesmo ano que a 1.ª edição.
"Nas páginas que vão seguir-se, mais do que a minha impressão pessoal, eu pretendi antes dar uma pálida imagem das agruras e durezas das campanhas africanas, mormente, como é óbvio, daquela que conheci pelo meu esfôrço individual - a campanha do Sul de Angola, em 1915. [...]
É preciso ter por lá calcurriado centenas, senão milhares de quilómetros, de mochila às costas e espingarda ao ombro, como o autor, exausto de fome, de sêde, de fadigas e de canseiras de tôda a ordem, debilitado pelas febres e mordido pelo Sol, para poder avaliar quão grande é tal sacrifício."
(excerto da introdução)
Matérias:
I - A caminho. II - A escalada da Serra da Chéla. III - A contas com os alemães - O combate de Naulila. IV - Para o interior. V - Sob a tormenta - A visita do leão. VI - No acampamento adormecido. VII - No hospital. VIII - Ao abandono. IX - Marchar! Marchar! Marchar! X - A revelação de uma alma. XI - As agonias da sêde. XII - O delírio. XIII - Através do matagal. XIV - Nas margens do Cunene. XV -Visão da grande Angola.
Joaquim Lapas de Gusmão (1886-1962). “Jornalista, escritor, Combatente da Grande Guerra em África e França, condecorado com a Cruz de Guerra.
Colaborou nos jornais A Pátria, do Porto, e na Capital, Lucta, Intransigente, O Século e Diário de Notícias, de Lisboa. Publicou entre outros, os volumes Visão da Guerra, A Guerra no Sertão, em que descreve o que viu em França e África, o drama em 3 actos O Mutilado, a tragédia em um acto Uma noite e o ensaio filosófico Matéria e Vida."
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. 
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

12 outubro, 2017

SELVAGEM, Carlos – TROPA D’ÁFRICA (jornal de campanha dum voluntário do Niassa). 4.ª edição. Paris : Lisboa, Livrarias Aillaud e Bertrand, 1925. In-8.º (18,5 cm) de 367, [1] p. ; [12] f. il. ; il. ; E.
Memórias do autor, soldado em África durante a Grande Guerra.
Livro ilustrado com desenhos no texto e fotogravuras em separado.
"Aos sargentos e soldados do meu pelotão a cavalo;
Aos meus camaradas da Expedição ao Niassa;
Aos soldados portugueses da Grande Guerra;
Á memória de todos aqueles que, pela glória das quinas Portuguesas, teem mordido o pó em terras d’Além-mar."
(Homenagem do autor)
"Dia de embarque!...
Dia de lágrimas, dia de balbúrdia, de mil impressões tumultuosas e contrárias, com pragas furiosas sôbre os galegos, mil contas que surgem à última hora, uma compra que ia esquecendo, um abraço que esqueceu, e, por fim, um automóvel que nos despeja no cais, com o resto da bagagem, a cabeça esvaída, o boné para a nuca, arrazado de emoções."
(Excerto do texto)
Carlos Selvagem (1890-1973). Pseudónimo de Carlos Tavares de Andrade Afonso dos Santos. "Foi um militar, jornalista, escritor, autor dramático e historiador. Frequentou o Colégio Militar entre 1901 e 1907 onde lhe deram a alcunha (Selvagem) que mais tarde veio a incorporar no pseudónimo literário que adoptou. Formou-se em Cavalaria pela Escola do Exército e participou no Niassa e no norte de Moçambique na frente africana da Primeira Guerra Mundial."
Encadernação editorial inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro nas pastas e na lombada. Assinatura de posse na guarda e na f. rosto.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Invulgar e muito apreciado.
Com interesse histórico.
Indisponível

20 setembro, 2017

CATÁLOGO BIBLIOGRÁFICO DA AGÊNCIA GERAL DAS COLÓNIAS. Lisboa, Agência Geral das Colónias, MCMXLIII [1943]. In-8.º (22cm) de 302, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Catálogo da Agência Geral das Colónias, importante fonte bibliográfica da actividade editorial, cultural e propagandística do Estado Novo.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. 
Invulgar.
10€

18 setembro, 2017

GALVÃO, Henrique - RONDA DE ÁFRICA (Outras Terras, Outras Gentes: Viagens em Moçambique). Porto, Editorial "Jornal de Notícias", [194-]. 2 vols in-fólio com 609, [35] p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Colaboraram artisticamente José Américo Pires de Moura e Fortunato Anjos.
Edição de grande esmero e apuro gráfico, impressa em papel de qualidade superior, profusamente ilustrada com centenas de fotogravuras e desenhos no texto e em extratexto, a p.b. e a cores.
Obra de referência, e umas das mais estimadas da bibliografia ultramarina portuguesa, sendo um verdadeiro roteiro paisagístico e etnográfico moçambicano, onde cabem episódios de caça grossa e da convivência com os indígenas.
Encadernações do editor inteiras de pele com as pastas gravadas gravadas a seco e a cores, e a lombada com dourados. Conservam as guardas de brochura.
Excelentes exemplares.
Obra muito apreciada e procurada
180€

15 setembro, 2017

QUATRO ANOS DE PROPAGANDA DO CAFÉ PORTUGUÊS : QUATRE ANS DE PROPAGANDE DU CAFÉ PORTUGAIS : PORTUGUESE COFFEE-FOUR YEARS' PUBLICITY. Separata N.º 26. Revista do Café Português. Lisboa, Junta de Exportação do Café, 1961. In-4.º (25,5cm) de 98, [2] p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Bonita edição de propaganda ao café português produzido no Ultramar.
Colaboraram nas Campanhas de Propaganda da Junta os Artistas seguintes. Desenhadores e Pintores: Adolfo Rabanal, Baltazar, Domingos Saraiva, Garcês, Garcia, Jaime Correia, Jorge Oliveira, Júlio Gil, Luiz Filipe de Abreu, Luís Osório, Manuel Correia, Marcello, Mário Costa, Paulo Guilherme e Taborda.
"Qualquer produto, por melhor que seja, precisa de ser conhecido para se impor. E esse conhecimento é feito através da propaganda, actividade a que já se chamou a grande descoberta do nosso século. [...]
Nenhum dos meios mais modernos se poupou para estas campanhas, desde a publicidade gráfica à televisão, passando pelo teatro, pela rádio, pelo cinema e pela comparência em feiras nacionais e internacionais com representações adequadas [...]
A presente brochura pretende dar um resumo do muito que se fez na propaganda do café e não deixar que se percam algumas belas gravuras que foram utilizadas, «maquettes» de pavilhões, passagens de filmes de cinema, etc. Artistas plásticos dos mais categorizados do nosso meio, mas já com projecção internacional, deram-nos a sua colaboração preciosa, principalmente em matéria de propaganda gráfica."
(excerto da Introdução)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

14 setembro, 2017

DOCUMENTOS RELATIVOS AO APRESAMENTO, JULGAMENTO E ENTREGA DA BARCA FRANCEZA CHARLES ET GEORGES E EM GERAL AO ENGAJAMENTO DE NEGROS, DEBAIXO DA DENOMINAÇÃO DE TRABALHADORES LIVRES NAS POSSESSÕES DA COROA DE PORTUGAL NA COSTA ORIENTAL, E OCCIDENTAL DE AFRICA PARA AS COLONIAS FRANCEZAS APRESENTADOS ÁS CORTES NA SESSÃO LEGISLATIVA DE 1858. Lisboa, Imprensa Nacional, 1858. In-fólio (30,5cm) de [4], 249, 16, XVIII, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Charles et Georges é o nome de uma barca francesa, que ficou para a história por ter originado um grave incidente diplomático entre Portugal e França (1857-1858). O navio foi aprisionado pelas autoridades portuguesas por suspeita de tráfico de escravos.
1857, Dezembro
O cônsul britânico em Moçambique alertou as autoridades portuguesas para a existência de tráfico de escravos entre Moçambique e a ilha de Reunião, francesa. A barca francesa "Charles et Georges" foi capturada nas águas moçambicanas com 110 negros a bordo. O comandante foi preso e condenado a dois anos de trabalhos públicos, tendo recorrido para o tribunal da Relação de Lisboa.
1858, Agosto
A barca francesa "Charles et Georges", apresada nas águas de Moçambique, chega ao Tejo.
1858, Outubro
Ultimato francês exigindo a libertação da barca "Charles et Georges" e o pagamento pelo estado português de uma indemnização.
1859, Janeiro
Portugal pagou a indemnização exigida pela França pelo caso da barca "Charles et Georges", oito dias depois de ter sido apresentada a conta.
1859, Outubro
Nota do governo português pondo termo ao assunto respeitante à barca "Charles et Georges".
Exemplar brochado, impresso em papel encorpado, por abrir, em bom estado de conservação; apresenta pequena falha de papel no canto superior dto da capa e da f. de guarda.
Raro.
Obra com interesse histórico, encerra importante documentação para a história da escravatura.
Segundo Inocêncio (II,181) esta obra não foi posta à venda.
60€

22 julho, 2017

XAVIER, Caldas - O 20 DE MARÇO OU A REBELIÃO DE ANGOLA E A BOMBA. [Luanda], Composto e impresso na Tipografia Liberty, 1930. In-8.º (21,5 cm) de 207, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Dedicatória (impressa) "a Sua Excelencia o Ministro das Finanças, Dr. Antonio de Oliveira Salazar, cuja acção inteligente, como Ministro das Colonias, interino, se fez sentir nos acontecimentos de Angola, de 20 de Março".
Narrativa referente aos conflitos entre militares em Angola nos primeiros anos da Ditadura, mais tarde conhecida por Estado Novo, que culminaria no assassinato do Tenente Morais Sarmento, na madrugada de 20 de Março de 1930. O sucedido teve grande repercussão na vida política e militar da colónia, que se estendeu à metrópole.
"Nessa noite deitei-me mais tarde; eram perto das duas horas quando recolhi a casa. [...] E, ou porque estivesse muito calôr, ou ainda porque tencionasse levantar-me cedo, o que é certo é que deixei nessa noite as janelas abertas de par em par.
Cêrca das 3 horas acordei sobressaltado: ia jurar que ouvira tiros, que ouvira uma descarga de fuzilaria para os lados do Palácio do Governo.
Mas, poderia lá ser, em Loanda, numa cidade pacata, e aquela hora, semelhante coisa?!
Não, com certeza, que sonhara.
Quando, porém me dispunha a recomeçar o sono, ouvi distintamente tiroteio. Levantei-me de um pulo da cama, muito surpreendido, muito intrigado.
O que haveria?!
Estava quasi vestido quando novamente, soou uma nova descarga, ouvindo, por essa ocasião, gritos lancinantes de mulher; e, tão nitidamente, que supuz que, o que se estava passando, não era muito distante de minha casa..."
(excerto de Tragédia, A Rebelião)
Índice:
Prefácio. «Mea-culpa». Biografias dos 3 aulicos mais chegados do Alto Comissário: João Ferreira Martins; Henrique Augusto da Silva Viola; Alfredo de Morais Sarmento. Antecedentes: A acção política do Alto Comissário; O jornal «Portugal» e a sua orientação; Os inquéritos; Associação Comercial de Loanda; Os assaltos ás lojas maçonicas; Inauguração do Conselho do Governo e a sua segunda sessão; De quem será a triunfo? A Rebelião: Tragédia; Conselho do Governo convocado, pelo Vice-Presidente, Chefe de Rebelião. A Marcha dos Acontecimentos: Do dia 20 de Março a 14 de Abril. Resposta ao livro do Sr. Cunha Leal: Destruindo afirmações. Os ultimos acontecimentos e a bomba.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas manuseadas, com defeitos e pequenas falhas de papel.

Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

16 abril, 2017

CALVÃO, G. Alpoim & PEREIRA, Sérgio A. - CONTOS DE GUERRA. Lisboa, [s.n. - imp. A. Gutenberg, Chaves], 1994. In-8.º (21cm) de 159, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Relatos da Guerra Colonial pelo comandante Alpoim Calvão.
"Parece-me pois, oportuno relatar, ainda que de forma muito incompleta e pontual, o que foi a guerra para a grande maioria das unidades combatentes, a nível de Companhia do Exército ou de Paraquedistas e de Destacamento de Fuzileiros.
Por isso, o relato não trata das grandes linhas políticas e estratégicas, de complicados planos militares e de desenvolvimento económico, de vedetas parlamentares e combatentes antifascistas. Fala apenas de Marinheiros e de Soldados e dos sargentos e oficiais que directamente os comandaram. Creio que a esmagadora maioria do milhão de homens que passou pelas fileiras, no antigo Ultramar Português, se pode reconhecer nas palavras deste livro. [...]
Aos que, desertores na frente de combate ou refractários às incorporações - ínfima percentagem e lamentável excepção, graças a Deus! - durante anos, nas emissoras estrangeiras, insultaram e procuraram desmoralizar o Povo Português representado pelos seus Soldados, manifesto a expressão da minha pena, tanto mais profunda quanto mais alto tenham subido nas novas estruturas sociais e políticas surgidas a seguir ao 25 de Abril de 1974."
(excerto da introdução)
Guilherme Almor de Alpoim Calvão (1937-2014). "Foi um dos oficiais mais condecorados das Forças Armadas, nasceu a 6 de janeiro de 1937, em Chaves, viveu em Moçambique, frequentou a Escola Naval e esteve várias vezes na frente de combate na guerra colonial. De fuzileiro a capitão de mar-e-guerra, fez várias comissões no Ultramar, recebeu, por exemplo, duas Cruzes de Guerra. Depois da guerra, Alpoim Calvão iniciou outra cruzada, de oposição ao regime democrático pós-25 de Abril de 74. Alpoim Calvão recusou-se a participar no movimento militar que levou à revolução de 25 de Abril de 1974, apesar de ter sido convidado. Calvão foi, aliás, fundador do Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP), responsável por uma série de assaltos e atentados bombistas a sedes do PCP no Verão Quente de 1975. O comandante participou no falhado golpe de Estado de 11 de março de 1975, sobre o qual escreveu um livro, editado em 1995, «O 11 de Março - peças de um processo». Na sequência da participação neste golpe, Alpoim Calvão foi expulso das Forças Armadas, com outros 18 militares, entre os quais o general António de Spínola. Foram reintegrados três anos mais tarde. Continuou, contudo, com uma forte lealdade ao general Spínola e acompanhou-o no exílio. Passou por Espanha e Brasil até regressar a Portugal. [...] Mas, esse não foi o único momento polémico da carreira de Alpoim Calvão. Em 1970, comandou a «operação Mar Verde» que consistiu numa invasão da Guiné-Conacri, uma operação que, segundo descreveu o próprio em entrevista à Lusa, em 1998, teve duas vertentes: libertar os prisioneiros de guerra portugueses e «destruir os meios navais do PAIGC e da República da Guiné».
(in www.tvi24.iol.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível