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08 agosto, 2025

LACERDA, Francisco de Sousa do Prado de -
PEREGRINAÇÃO PORTUGUEZA AO VATICANO.
Noticia historica e descriptiva de Lisboa a Roma e dos Sanctuarios de Nossa Senhora de Lourdes, Sancta Maria Magdalena na Provença e Nossa Senhora do Loreto, e das cidades de Madrid, Marselha, Roma, Napoles e ruinas de Pompeia. Por... Prior, Vigario da Vara e Juiz de Casamentos do Arciprestado da Chamusca. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1878. In-8.º (22x14 cm) de 248 p. ; E.
1.ª edição.
Interessante narrativa histórico-religiosa da peregrinação ocorrida em 1877 ao Vaticano a propósito das 50 anos da nomeação de Giovanni Ferrettio, mais tarde Papa Pio IX, como arcebispo de Spoleto (1827-1877). Descreve com minúcia os locais santos visitados, monumentos e cidades atravessadas ao longo da peregrinação. Contém informações "saborosas", como as notícias úteis aos peregrinos, e até a qualidade do serviço das carruagens de praça em Roma(!).
Obra invulgar e muitíssimo curiosa.
Inclui no final, em Notas, a Lista chronologica dos Papas (4 pp.), assim como a lista dos subscritores do livro.
"Em Pastoral de 13 de março de 1877 dava Sua Eminencia o Cardeal Patriarcha de Lisboa aos fieis do Patriarchado, conhecimento de que iria este anno de Portugal a Roma uma peregrinação, a exemplo de outras nações, com o louvavel fim de visitar de felicitar Sua Sanctidade pelo quinquagesimo anniversario da sua sagração de Arcebispo de Spoleto.
A Pastoral fazia publico que se achava installada em Lisboa ujma grande commissão, de que Sua Eminencia era o presidente, composta de distinctos cavalheiros e damas daquella cidade e de todos os parochos della.
A commissão propunha-se obter donativos para o Sancto Padre, evangelizar por todos os meios ao seu alcance o pensamento da peregrinação a Roma, e remover todas as difficuldades que se opozessem ao conseguimento de tal fim."
(Excerto do Cap. I)
Francisco Maria de Sousa do Prado de Lacerda (Chamusca, 1827-1892). "Foi o 29.º bispo da Diocese de Angra, tendo-a governado de 1889 a 1891.
D. Francisco Maria do Prado Lacerda foi pároco da sua vila natal, tendo a seu cargo a Igreja Matriz de São Brás. Na sequência de um pedido do 28.º bispo de Angra, D. João Maria Pereira de Amaral e Pimentel, que se sentia cansado e pedia um coadjutor, o governo português apresentou-o 1885, tendo a Santa Sé confirmado no ano seguinte a sua eleição como coadjutor com direito de sucessão, concedendo-lhe o título de bispo de Nilópolis.
Foi sagrado na Sé Catedral de Lisboa a 4 de Abril de 1886, partindo de imediato para a sede episcopal de Angra do Heroísmo, cidade em que deu solene entrada a 10 de Abril de 1886, sendo aí recebido no cais pelo prelado efectivo que lhe proporcionou honras na Sé.
Na sua ida para os Açores foi acompanhado pelo seu irmão, o padre António Maria do Prado Lacerda, que exercia as funções de seu secretário. Esta situação foi de pouca dura, já que pouco depois nomeou seu secretário o padre José dos Reis Fisher, pessoa que teria profunda influência futura na diocese."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Forro das pastas "enrugado" por acção da humidade.
Raro.
45€

30 janeiro, 2025

PRAÇA, Dr. José Joaquim Lopes - DAS LIBERDADES DA EGREJA PORTUGUEZA. O Catholicismo e as Nações Catholicas. Dissertação para o Concurso ao Magisterio na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Pelo candidato... Coimbra, Imprensa Litteraria, 1881. In-8.º (22,5 cm) de 126, [2] p. ; B.
1.ª edição.
"Catholicos e portuguezes, os nossos mais notaveis pensadores divergiam entre si, e não lhes repugnava ir d'encontro á doutrina que haviamos haurido no seio da Universidade, frequentando por alguns annos a Faculdade de Theologia, a de Philosophia, e muito especialmente a de Direito, a que de preferencia nos dedicamos, e da qual recebemos grandes, generosos e nunca esquecidos beneficios. [...]
Fizemos uma synthese das nossa idéas, e, se não nos illude a nossa boa fé, afigura-se-nos poder lançar alguns topicos para uma historia util, rigorosa e proficua da egreja portugueza, para a historia do direito patrio, e os fundamentos ao menos para que de futuro as nossas investigações sobre as relações entre Roma e Portugal, cheguem a um accôrdo em que progressivamente se manifestem com desassombro as aspirações legitimas dos dois poderes - espiritual e temporal."
(Excerto do preâmbulo)
José Joaquim Lopes Praça (Castedo, Alijó, 1844 - Montemor-o-Novo, 1920). "Forma-se em Direito em 1868. Começa como professor do ensino secundário em Montemor-o-Novo, Viseu e Lisboa. Professor da Faculdade de Direito de Coimbra a partir de 1881, apresentando a tese O Catolicismo e as Nações. Da Liberdade da Igreja Portuguesa. Começa marcado pelo romantismo de Herculano e, por influência de Vicente Ferrer de Neto Paiva, adere depois ao Krausismo. Em 1904, foi nomeado aio do príncipe real, D. Luís Filipe, e do então infante D. Manuel. Abandona completamente a vida pública depois do regicídio de 1908."
(Fonte: http://maltez.info/respublica/portugalpolitico/classepolitica/pracalopes.htm)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capa manchada com defeitos e pequenas falhas de papel.
Raro.
Com interesse histórico e religioso.
25€

29 outubro, 2023

BRAGA, João Joaquim d'Almeida -
O PODER TEMPORAL DO PAPA.
Cartas ao Excellentissimo Senhor D. Antonio Alves Martins, Bispo de Vizeu. Por... Braga, Typographia Lusitana, 1867-1870. 7 vols in-8.º (21x13,5 cm) de 14, [2] p. (I) ; 23, [1] p. (II) ; 21, [3] p. (III) ; 31, [1] p. (IV) ;  27, [1] p. (V); 24 p. (VI) ; 22, [2] p. (VII) ; E. num único Tomo
1.ª edição.
Conjunto de 7 cartas dirigidas pelo autor ao Bispo de Viseu, D. António Alves Martins (1808-1882), criticando este último por se opor à teoria do poder temporal do Papa. Tudo isto numa época de turbulência religiosa, em que a Igreja discutia, para além do poder temporal, a infalibilidade papal.
Completo, é tudo quanto foi publicado sobre este assunto.
"Com o respeito devido á dignidade do logar que V. exc.ª occupa na jerarchia ecclesiastica, porém ainda com respeito maior áquella Verdade que está cima de todas as dignidades e de todas as jerarchias, permitta-me V. Exc.ª que tome a liberdade de dirigir-lhe pela imprensa uma carta, com o intuito de significar-lhe a expressão d'uma grande surpreza e o sentimento d'uma profunda dôr.
Quando, Excellentissimo Senhor, nós, os Catholicos que não tinhamos tido a ventura d'assistir á festa do Centenario do martyrio dos Apostolos Pedro e Paulo e da canonisação dos Santos, nos consolamos lendo e relendo as descripções d'aquella magestosa solemnidade, e agradeciamos á Providencia, que em tempos tão adversos nos dava d'estes grandiosos espectaculos da vida e força da Sua Egreja, de repente chegavam-nos aos ouvidos os surdos rumores d'uma infausta nova.
Dizia-se que desejando os Prelados reunidos em Roma testimunhar ao Santo Padre o quanto estavam d'accordo sobre a necessidade da conservação do poder temporal da Egreja para o livre exercicio do seu poder espiritual, e redigindo para isso uma exposição, de mais de quatrocentos Bispos, um membro do episcopado, um apenas, um só, V. Exc.ª, se havia recusado a assignar aquelle documento.
Esta nova causou profunda magoa a todos os que prezam a honra do episcopado e o bom nome do povo portuguez.
Muitos, apezar da insistencia com que era repetida, não a acreditavam; e razões havia para isso.
Custava a crêr que depois de tanto tempo em que não appareciam em Roma os Bispos da Nação Fidelissima, a primeira vez que alguns alli de encontravam, um d'elles juntasse mais uma a tantas amarguras que alanceiam o coração do Pae commum dos fieis. Além d'isso, o nome de V. Exc.ª vinha incluido na lista dos signatarios da exposição, e tudo isto levava a crêr que eram falsos os boatos propalados. Hoje, porém, nem para a duvida resta logar.
A noticia, que, a ser falsa, um Bispo não deixaria passar impunemente, corre sem desmentido; e qualquer que fosse o modo porque o facto se désse, visto que as versões são diversas, não se póde duvidar que V. Exc.ª dissentio da opinião dos seus collegas na questão do poder temporal do Papa."
(Excerto da 1.ª Carta)
D. António Alves Martins (1808-1882). "Nasceu em 1808, em Granja de Alijó (Alijó), e faleceu em 1882. Entrou para a Ordem de S. Francisco aos dezasseis anos, indo pouco depois para a Universidade de Coimbra. Foi expulso desta Universidade em 1828, por razões políticas: era um liberal acérrimo e tinha sido acusado de participar na revolução constitucionalista que se dera nesse ano no Porto, a 16 de maio. Em 1832 foi capelão da Armada, em 1842 deputado, em 1852 professor universitário, em 1861 enfermeiro-mor do Hospital de S. José, em 1862 nomeado bispo de Viseu, dirigente do Partido Reformista entre 1868 e 1869 e entre 1870 e 1871 foi ministro do Reino. Dirigiu o jornal Nacional, entre 1848 e 1849, tendo-se dedicado também ao jornalismo. Camilo Castelo Branco apreciava em extremo a natureza polémica dos artigos de D. António. Escreveu, entre outros títulos, O Nove de outubro e Breves Considerações sobre a Última Guerra Civil, que foi publicado em 1849 aparecendo na autoria "por um liberal". No regime de D. Miguel foi condenado à morte, tendo no entanto conseguido escapar com outros três condenados quando no caminho para o local de execução, Viseu. Polémico e liberal, foi também jornalista."
(Fonte: infopédia)
João Joaquim de Almeida Braga (1836-1871). "Nasceu a 4 de Fevereiro de 1836 na cidade de Braga e aí faleceu a 11 de Fevereiro de 1871. Foi na sua terra natal que frequentou o liceu e adquiriu uma posição de destaque no plano cultural, tendo aí publicado a maior parte da sua obra literária, quer em volume, quer através da imprensa bracarense, na qual manteve uma participação constante, nomeadamente como colaborador do periódico político e literário O Moderado (1853-1856), do jornal religioso Atalaia Católica (1854-1864), da publicação literária e instrutiva O Murmúrio (1956), de que foi fundador, e ainda do Independente (1858-1861), jornal de cariz político, literário e religioso. Figura marcadamente ligada aos preceitos do catolicismo e a uma postura compassiva a partir da qual ficou conhecido como “santo” entre os seus conterrâneos, também na sua obra literária Almeida Braga cultivou sobretudo uma escrita de pendor religioso que, a par da sua qualidade humana, lhe granjeou o apreço dos seus pares, como reconhece Alberto de Pimentel na obra Seara em Flor (1905), na qual elogia ainda a actividade literária deste autor, com quem travou contacto no Café Viana, sobretudo por decorrer numa cidade de escassos incentivos e meios de contacto com a literatura estrangeira. Com uma produção escrita visando diferentes géneros, Almeida Braga foi autor dos volumes poéticos A Grinalda: cantos da juventude (1857), Melodias: cantos da adolescência (1859) e Madalena (1867), assim como de escrita para teatro com os dramas Desgraça e ventura (1858), O fruto da obediência (1860), Tristeza e alegria (1860), O primeiro acto (1861) e Carlos (1862). Almeida Braga cultivou ainda o ensaio de intento cristão, publicando nesse âmbito Torquato Tasso (1859), O cristianismo e o século (1864), Jesus Cristo em face do mundo (1865).
Em O poder temporal do Papa (1867-70), reúne sete cartas dirigidas ao bispo de Viseu, D. António Alves Martins. Foi ainda autor de duas obras hagiográficas, O anjo da mocidade (1868) e O anjo das donzelas (1884), retratando nestas as vidas de S. Luís Gonzaga e de Santa Germana Cousin, respectivamente."
(Fonte: http://vcp.ul.pt/index.php/memorias-literarias/autores.html?id=31#braga_01)
Encadernação inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva apenas uma capa de brochura no início do conjunto e outra a terminar. Aparado e pintado no corte superior.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capa de brochura apresenta mancha antiga de humidade.
Raro.
Com interesse histórico e religioso.
45€

28 julho, 2022

GOODOLPHIM, Costa - O CELIBATO CLERICAL. Por... Lisboa, Typographia Universal de Thomaz Quintino Antunes, Impressor da Casa Real, 1872. In-8.º (20 cm) de 16 p.
1.ª edição.
Ensaio polémico sobre o celibato eclesiástico, assunto caro ao autor, que se pronuncia frontal e desassombradamente contra.
"Entre as muitas questões que desde seculos tem envolvido a sociedade em grandes lutas, quasi sempre estereis para o bem, muitas vezes grandes porticos para innumeros escandalos, tem sido, é, e será a pugna do celibato clerical.
É a eterna peleja travada entre a rasão e a lei natural contra preconceitos estultos, ambições theocraticas.
Mas nem todo o poder da côrte de Roma, nem os inspirados decretos do Vaticano, terão força para anniquillar as leis immutaveis da creação. O que é obra dos homens cae, o que é obra de Deus, nem papas, nem concilios poderão alterar a sua essencia.
Quando uma nuvem occultar a face do sol fazei ó vigario de Christo, ó pontifice infallivel, uma decretal para que ella se affaste e deixe que elle venham espalhar o ouro dos seus raios na terra.
Arremeçae uma pedra ao ar, fazei um concilio e decretae para que ella não procure o centro de gravidade.
Odenae que para mais delicadamente servirem a Deus os sacerdotes não durmam, para que maior numero de preces subam ás alturas, que tudo isto será em vão, porque acima de vós estão as leis physicas, as leis a que fatalmente hão de obedecer todos os seres. A propagação das especies é uma lei universal, sem ella o mundo terminava; voltaria de novo o cahos.
As leis, que o homem tem feito para que as sociedades vivam dentro da esphera da moral, são o producto da civilisação, a filha da experiencia, da suavidade de costumes, do desenvolvimento das suas faculdades inttelectuaes."
(Excerto do texto)
Costa Goodolphim (1842-1910). Professor, jornalista e escritor. Interessou-se pelos temas do mutualismo e da religião, sobre os quais escreveu obras de relevo: A Associação : historia e desenvolvimento das Associações Portuguesas (1876); As Caixas Economicas (1880); A Previdência (1889); Da acção da mutualidade na economia social (1910); O celibato clerical (1872); Misericordias (1897). Publicou ainda poesia e um livro de viagens - Visita a Madrid (1871).
Exemplar desencadernado em bom estado de conservação. Carimbo oleográfico de José Ramos Moreira na f. rosto.
Raro.
20€

06 março, 2022

BENTO XIV - BREVE // DO SANTISSIMO PADRE // BENEDICTO XIV // EXPEDIDO A XXIII DE AGOSTO DE MDCCLVI // PARA A SUPRESSÃO, UNIÃO, E INCORPORAÇÃO DE TODOS // OS MOSTEIROS DE FREIRAS, // TANTO DA CORTE DE LISBOA, COMO DE TODO O REINO, // QUE OU POR ARRUINADOS, OU POR FALTOS DE RENDAS, // OU POR NIMIAMENTE INDIVIDADOS NÃO PODEM SUBSISTIR: // SE OBSERVE NO ESTABLECIMENTO DOS DOTES // AQUELLA FÓRMA DE CONSIGNAÇÃO DAS TENÇAS ANNUAS, // QUE SE OBSERVA NO MOSTEIRO DA CONCEIÇÃO DE NOSSA SENHORA DA LUZ. //
LISBOA // NA REGIA OFFICINA TYPOGRAFICA // ANNO MDCCLXXI
. In-4.º (29 cm) de 22 p.
1.ª edição.
Documento histórico. Edição original impressa desta importante bula, redigida em latim e português, a duas colunas.
Sobre este assunto, e com a devida vénia, reproduzimos excerto do trabalho de José Subtil - Os conventos de religiosas no Alentejo entre a Revolução e a Regeneração (1820-1858).
"Logo a seguir aos acontecimentos do terramoto de 1755, quando Sebastião José de Carvalho e Melo assumia o lugar principal no governo josefino como secretário de estado dos Negócios do Reino (6 de Maio de 1756) e D. José Manoel era II Patriarca de Lisboa, o Papa Bento XIV expedia uma bula (23 de Agosto de 1756), expressamente dedicada aos conventos de freiras, onde outorgava enormes poderes às autoridades ordinárias da Igreja em Portugal e ao monarca D. José para iniciarem uma grande reforma nestes conventos por se acharem reduzidos "a hum estado deplorável" por causa das dívidas que contraíram e absorviam todos os capitais que possuíam. Segundo o texto da bula, se fossem satisfeitas estas dívidas, as rendas de um ano pouco chegariam para pagar o sustento de três meses a todas as religiosas enclausuradas.
Para acudirem à insolvência, as superiores dos conventos deitaram mão de um expediente que se revelaria perverso, ou seja, passaram a aceitar noviças em excesso, muito para além do número estabelecido para cada instituto, com o intuito de receberem os seus dotes e com eles pagarem as dívidas mais urgentes. O problema ter-se-á agravado com o aumento das despesas para o sustento de tantas freiras e com as relaxações das comunidades, dentro e fora dos conventos.
As recomendações do Papa apontam vários caminhos, dos quais salientamos três. Em primeiro lugar, reduzir os conventos segundo as possibilidades das suas rendas, tanto mais que com o terramoto muitos ficaram danificados, necessitando de obras para as quais não havia dinheiro. Em segundo lugar, restaurar a "boa ordem" de forma que se "aumente a união Cristã", "a paz Religiosa" e a "Observância da Disciplina Regular". E, em terceiro lugar, pagar as dívidas e desagravar os rendimentos.
Para este efeito, Bento XIV dá plenos poderes ao Patriarca de Lisboa e aos seus sucessores, "precedendo o conselho, e assenço do mesmo Rei Dom José: Para unir, incorporar, supprimir os sobreditos Mosteiros" e fazer a gestão de todos os seus bens, tanto em Lisboa como nas restantes províncias, no que respeita à venda, transferência, alienação ou secularização. Do mesmo modo, proíbe as prioresas de admitirem noviças, além do número prescrito, bem como anula todos os privilégios das ordens que os "constitua isemptos de toda a Jurisdicção Ordinária, Episcopal, e Delegada".
No plano do Direito Canónico, confere faculdade para se aplicarem diversas penas até à excomunhão, desde que as autoridades eclesiásticas obtenham o consentimento e o beneplácito régio. Sobre as novas noviças obrigava os pais (ou parentes) a comprometerem-se com fundos para uma tença anual de 60.000 réis em Lisboa e termo, e nas províncias o correspondente ao estado das terras. À morte das freiras, estas tenças passariam, novamente, aos pais ou parentes e não reverteriam para os conventos. E obrigava que as donzelas, antes de tomarem o hábito, manifestassem com clareza e convicção os seus sentimentos, fora das obrigações dos pais ou parentes, criando um tempo de nojo para as decisões que seriam supervisionadas pelas autoridades ordinárias (arcebispos e bispos) e não conventuais. Este período de reflexão para averiguar da vontade livre das noviças e evitar que fossem "levadas às grades dos mosteiros" devia ocorrer em casas particulares, de senhoras de "probidade" e "piedade", e demorar o tempo que fosse necessário. Passavam, também, a ser proibidas regalias aristocráticas como o uso de criadas particulares, mesmo para as freiras que já tivessem obtido licença apostólica."
(Fonte on-line: https://books.openedition.org/cidehus/4925)
"Ao Nosso Amado Filho D. Manoel Presbytero Cardeal da Santa Igreja Romana, e por concessão, e dispensa Nossa Patriarca de Lisboa.
Benedicto Papa XIV.
Amado Filho Nosso, saude, e Benção Apostolica.
A Obrigação Pastoral, em que Nos constituo a copiosa Graça do Senhor, pede, e requer de Nós, que, segundo as forças, e as luzes, com que Elle nos assiste, ponhamos todo o cuidado em prosperar, e reduzir a melhor estado os Mosteiros do devoto Sexo Feminino. E como da parte de Nosso Clarissimo em Christo Filho Dom José Rei Fidelissimo de Portugal, e dos Algarves, Nos foi representado: Que a pezar dos fervorosos desejos, e opportunas diligencias, com que Elle se applica ao melhoramento espiritual, e temporal de todos os Lugares Pios, e com especialidade ao dos Mosteiros de Freiras; e experiencia lhe tem mostrado (não sem grande mágoa do seu Religiosissimo coração) que a maior parte dos Mosteiros de Freiras, assim da Corte de Lisboa, como de todo o Reino de Portugal, e dos Algarves, se acha reduzida a hum estado deploravel, é excepção dos que são habitados pelas Amadas Filhas da Ordem de S. Francisco, que se chamam Capuchas. De sorte, que a não se lhes acudir com a devida promptidão,  necessarias providencias, todos elles de dia em dia se irão precipitando na ultima ruina; porque muitos destes Mosteiros se acham ao presente tão gravados com dividas, que a importancia destas chega a absorver a dos capitaes, ou a maior parte delles: Donde se segue, que se forem pagas as dividas, apenas chegaráõ as rendas de hum anno para o sustento, e manutenção de tres mezes. O que obrigou algumas Superioras dos ditos Mosteiros a receberem para Freiras supranumerarias muitas Donzellas, com a esperança de poderem com estes dotes matar as suas dividas. E ainda que em parte se conseguio este fim, pagando-se effectivamente algumas; por outra parte veio este meio a ceder em maior gravame dos mesmos Mosteiros: Pois que não chegando as suas rendas annuaes a sustentar o numero de Religiosasd prefixo pelos Fundadores, mas podiam ellas sustentar tantas outras supranumerarias. Daqui se julga prudentemente que teve principio a relaxação, em que hoje se acham os ditos Mosteiros; e o frequentarem as communicações com pessoas seculares, que com escandalo de todos os bons, e com igual damno das almas, e a Disciplina Regular, se tem introduzido nas suas habitantes; porque estas não achando dentro na Clausura os meios, necessariamente os buscavam em pessoas de fóra, na communicação com os ditos seculares, e nas conversações, e familiaridades tidas nos locutorios. Inteirado destes, e de outros males, que cada dia vam recrescendo; e desejando dar-lhes opportuno emedio, conheceo o mesmo Rei Dom José por informações de differentes Pessoas de probidade, de prudencia, muito experimentadas, e cheias de Religião, e de zelo; que toda a causa de tantas desordens consistia na falta de meios para o seu sustento, em que todos aquelles Mosteiros se achavam; e que para esta se remover, não podia excogitar-se modo algum mais proporcionado, que o de se reduzirem os Mosteiros, e Freiras delles  menor numero, segundo a possibilidade das suas rendas; maiormente quando se advertia, que alguns delles depois do Terramoto, e incendio de Lisboa, ou tinham ficado por terra, ou se achavam tão damnificados, que todos necessitavam de reedificação. Por tanto, Nós, que com todos os Poderes, que o Senhor nos deo, temos procurado arrancar todos o abusos, e desordens, que podiam deturpar as Ordens Religiosas de hum, e outro sexo; e que com especialidade desejamos, que nos referidos Mosteiros se restitua, confirme, e augmente a união Christã, a paz Religiosa, e a exacta, e antiga Observancia da Disciplina Regular, em que foram creados."
(Excerto do Breve papal)
Exemplar desencadernado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
45€

19 fevereiro, 2022

Q
UIRINO, Giuseppe - O PAPA E A GUERRA : excellencia e utilidade da obra do Santo Padre durante o conflicto europeu. Factos e não palavras. Traducção do italiano pelo auctor com um preambulo em que se enumeram alguns relevantes serviços prestados pelo Santo Padre a favor de Portugal. Lisboa, Comp. e impr. na Typ. do Annuario Commercial, 1918. In-8.º (22 cm) de 65, [3] p. ; [1] f. il. ; B.
1
.ª edição.
Obra que pretende dar a conhecer os esforços diplomáticos, de assistência humanitária e âmbito religioso desenvolvidos pelo Papa Bento XV ao longo da Grande Guerra.
O preâmbulo do livro - Duas palavras... - é praticamente todo dedicado ao relacionamento da Santa Sé com Portugal; inclui depoimentos que testemunham a intervenção do Vaticano em diversos casos de prisioneiros de guerra portugueses.
Opúsculo ilustrado com um retrato do Papa em extra-texto.
"Os dez capitulos da presente obra provarão:
1.º Que o Summo Pontifice nada fez que fosse contrario ao triumpho do direito e da justiça;
2.º Que o Summo Pontifice condemnou, sempre que teve pleno conhecimento dos factos, tudo quanto se oppôs ao direito das gentes e ás leis da humanidade;
3.º Que foi Elle o primeiro a apresentar as bases solidas para uma paz justa e duradoura, sob o aspecto geral compativel com a sua posição de arbitro e de suprema potencia espiritual e paternal;
4.º Que, através todo o Conflicto, ninguem , absolutamente ninguem prodigalisou tantas consolações como Elle, mitigou tantos infortunios, balsamisou tantas feridas, minorou com tanto amor os horrores desta guerra, sem olhar a differenças de raças, de nacionalidades, de religiões.
Esta demonstração far-se-ha simplesmente com factos que desafiam todas as criticas, e terá por consequencia logica augmentar o prestigio da Santa Sé, á qual todos os estados que não sossobrarem e todas as pessoas imparciaes deverão respeito e gratidão."
(Excerto de Duas palavras sobre o presente opusculo, e sobre as iniciativas de S. Santidade ácerca da guerra)
"Logo que Portugal enfileirou ao lado dos alliados como potencia beligerante, levantou-se na imprensa catholica uma vigorosa campanha a favor da incorporação no exercito português dum Corpo de Capellães voluntarios que aos nossos soldados em campanha prestassem os necessarios socorros religiosos. O governo português viu-se forçado a satisfazer tão justa, nobre e patriotica reclamação, e, em 18 de Fevereiro de 1917, publicou um decreto pelo qual regulamentava os serviços de Assistencia religiosa junto do Corpo expedicionario português, em França.
Como o decreto recusasse aos nossos capellães, apenas graduados no posto de alferes, o soldo respectivo á sua patente e mesmo todo e qualquer subsidio pecuniario, o zelo dos catholicos supriu as deficiencias da lei, constituindo-se immediatamente em Lisboa, sob a presidencia d'honra do Ex.mo Sr. Cardeal Patriarca, uma Commissão Central de Assistencia Religiosa, com o fim de angariar os fundos necessarios para subsidiar os capellães, custear as despesas do culto e assistencia.
O primeiro cuidado desta Commissão foi o de saudar o Santo Padre e pedir-lhe a sua benção, a qual não se fez esperar juntamente com o mais paternal incitamento á obra emprehendida a bem da religião e da Patria."
(Excerto de "Duas palavras sobre o presente opusculo...", O Santo Padre e a Commissão Central de Assistencia Religiosa em Campanha)
Indice:
Duas palavras sobre o presente opusculo, e sobre as iniciativas de S. Santidade ácerca da guerra.
I - As iniciativas do Papa para a libertação, troca e hospitalização dos prisioneiros militares e civis. II - As iniciativas do Papa sobre a correspondencia Epistolar proveniente das terras invadidas. III - As iniciativas do Papa quanto ao descanço festivo dos prisioneiros, a favor de treguas, e quanto aos tumulos dos alliados nos Dardanellos. IV - Algumas das innumeraveis inciativas do Papa em favor de particulares. V - O Papa e os socorros materiaes ás populações mais necessitadas. VI - A obra do Papa quanto aos socorros religiosos e moraes. VII - Solicitude do Papa em favor das nações mais provadas. VIII - O Papa e a constituição dos Secretariados a favor dos prisioneiros em Roma, em Paderborn, em Friburgo, em Vienna. IX - A obra do Papa pelo Direito e pela Justiça. X - A obra do Papa para uma paz justa e duradoura.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeito e pequenas falhas de papel. Falta de suporte na lombada.
Raro.
Indisponível

22 junho, 2021

ERDMANN, Carl - O PAPADO E PORTUGAL NO PRIMEIRO SÉCULO DA HISTÓRIA PORTUGUESA
. Coimbra, Coimbra Editora, 1935 [aliás, Braga, Cabido Metropolitano e Primacial Bracarense; Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, 1996]. In-4.º (26 cm) de [6], 94, [2] p. ; B.
Edição fac-símile - por certo com tiragem reduzida - desta obra ímpar do Prof. Carl Erdmann, importante contributo para a história do relacionamento entre as mais altas autoridade eclesiásticas e o primeiro rei de Portugal, que veio trazer uma nova luz à questão da independência nacional.
"O alargamento da esfera de influência papal no oeste da península ibérica data do período entre o fim do século XI e o fim do século XII. Se anteriormente a Gregório VII não existiam relações entre Roma e o clero galaico-lusitano, depois de Alexandre III a sujeição de Portugal ao organismo da igreja católica romana é um facto. Em 1095 o condado de Portugal é separado da Galiza e entregue ao conde Henrique de Borgonha, conservando-se, no entanto, dentro do reino de Leão. Noventa anos mais tarde seu filho Afonso I deixa Portugal como reino independente, independência que se manteve até hoje através das vicissitude dos tempos. [...]
Sabe-se que o primeiro rei de português tornou o seu país tributário da Santa Sé. O motivo desta oblação conhece-se também: assegurar a independência portuguesa em face da vizinha Castela. Das relações entre Portugal e a cúria nesta época, êste foi o único facto que até agora atraiu a atenção, o que, naturalmente levou a concluir que a Santa Sé teve um interesse particular e conseqüentemente uma parte activa na formação da independência portuguesa. Um estudo mais profundo desmente, porém, esta opinião. Ao contrário, a cúria, tendo sempre em vista na península ibérica o objectivo supremo da concentração de tôdas as forças para a luta com os infiéis, opôs-se por isso mesmo, durante muito tempo, à criação dum Portugal independente. Isto foi, para Portugal, um facto de grande transcendência.. A autoridade dos papas, mesmo quando êles se abstinham de intervir directamente nos negócios dos estados seculares, era tão grande que o reconhecimento ou não-reconhecimento dos pequenos estados formados na Península era para estes duma importância capital. [...] É natural  que a separação política de Portugal e dos reinos vizinhos se tornasse dificílima, visto o clero português estar sujeito ao domínio dos príncipes da igreja castelhana. E como a organização eclesiástica dependia do papado, todos os esforços deviam tender ao reconhecimento da independência política e da autonomia  eclesiástica pela Santa Sé.
Considerados assim os acontecimentos daquela época, os planos e êxitos do fundador da dinastia portuguesa - o conde Henrique de Borgonha - e de seu filho Afonso, primeiro rei de Portugal, aparecem-nos a uma nova luz. Só agora se pode apreciar devidamente o papel extraordinário desempenhado por um homem, cuja acção não foi ainda julgada devidamente. Refiro-me ao arcebispo João Peculiar de Braga, que suportou sôbre os seus ombros, durante quatro decénios, quási todas as negociações com Roma. Se Portugal conseguiu por fim, graças ao reconhecimento por parte da cúria, assegurar a sua independência política e autonomia eclesiástica em relação aos estados vizinhos, isso pode considerar-se obra sua."
(Excerto da Introdução)
Matérias:
Introdução. | 1. - As primeiras relações entre Roma e Portugal. 2. - Maurício de Braga e Diego de Compostela. 3. - Inocêncio II e o juramento de vassalagem de D. Afonso Henriques. 4. - A luta contra o primado de Toledo. | Apêndice: I - Os bispo D (D. Diogo) de Compostela, A (D. Afonso) de Tuy, M (D. Munio) de Mondonhedo, P (D. Pedro) de Lugo, D (D. Diogo) de Orense e H (D. Hugo) do Porto participaram ao bispo G (D. Gonçalo) de Coimbra as resoluções do Sínodo de Compostela e convidaram-no a entrar na confraternidade que estabeleceram e a sanar as suas diferenças com Santiago e Porto. (1147) 17 de Novembro. II - Os bispos D. Gonçalo de Coimbra e D. Hugo do Porto ajustam entre si que o Douro valha como fronteira entre os dois bispados com excepção daqueles territórios ao sul do Douro que Gonçalo houvesse por bem ceder voluntáriamente. (1114,  de Dezembro). III - B (D. Bernardo), arcebispo de Toledo e legado da Santa Sé, ordena ao abade G (D. Gaudemiro) de S. Tirso, que exorte a população da região de Vizela até Antuã a obedecer ao bispo D. Hugo do Porto, sob pena de interdição. 1115 (comêço). IV - O bispo D. João de Coimbra queixa-se ao arcebispo D. João de Braga. (1154-1155). V - Actas do Concílio (de Valladolid, convocado pelo cardeal-legado Jacinto na presença do rei Afonso VII de Castela). (Janeiro de 1155). VI - Inquirição de testemunhas sôbre a sentença de suspensão pronunciadas no Concílio de Valladolid (Janeiro de 1155) pelo Cardeal-legado Jacinto contra o bispo D. João de Braga (Tuy 1182) 4 de Novembro.
Carl Erdmann (1898-1945). Foi um historiador alemão, especializado em história política e intelectual medieval. Ficou conhecido, sobretudo pelos estudos que desenvolveu sobra as Cruzadas, bem como pelo seu trabalho na recolha e tratamento de correspondência entre as elites seculares e eclesiásticas no século XI. Publicou vários trabalhos relacionados com Portugal na Idade Média. É considerado um dos estudiosos alemães mais influentes e importantes da cultura política medieval no século XX. Faleceu nas fileiras do exército alemão no final da 2.ª Guerra Mundial.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

14 janeiro, 2021

COSTA, Magalhães - O SANTO SUDÁRIO DE TURIM (conferência).
Esboço histórico, científico e exegético da Santa Relíquia com gravuras elucidativas
. Braga, [s.n. - Tip. da Oficina de S. José - Braga], 1934. In-8.º (22 cm) de 54, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Conferência do padre Magalhães Costa sobre o Sudário de Turim, assunto que, nas suas palavras, está intimamente ligado com a arte fotográfica e com algumas das ciências de que é apaixonado cultor.
Livro ilustrado ao longo do texto, na sua maioria, com fotogravuras a p.b. do Sudário (completo, bem como secções do mesmo em pormenor).
"O Sudário de Turim ou Santo Sudário é uma peça de linho que mostra a imagem de um homem que, aparentemente, sofreu traumatismos físicos consistentes com a crucificação. Muitos acreditam tratar-se da mortalha utilizada para cobrir o corpo de Jesus Cristo após a sua execução. Algumas hipóteses alegam ser uma criação medieval. Apesar do cepticismo de parte da comunidade académica, a autenticidade da relíquia é discutida até aos dias de hoje.
O Sudário está guardado na Catedral de Turim, na Itália, desde o século XIV. Pertenceu desde 1357 à casa de Saboia que em 1983 o doou ao Vaticano. A peça raramente é exibida em público. O sudário é um acheiropoieta (grego medieval: "não feito pelas mãos"). Na realidade, a imagem no manto é muito mais nítida na impressão branca e negra do negativo fotográfico que na sua cor natural. A imagem do negativo fotográfico do manto foi vista pela primeira vez na noite de 28 de maio de 1898 através da chapa inversa concebida pelo fotógrafo amador Secondo Pia que recebeu permissão par
a fotografá-lo durante a sua exibição na Catedral de Turim."
(Fonte: wikipédia)
"Neste estudo, que é o resumo de uma vasta bibliografia, puz todo o empenho em me fazer compreender, não só pela singeleza da expressão, mas até pelas fotografias, que apresentarei, para maior compreensão dessa maravilha que é o Santo Sudário , e que são dêle a cópia mais exacta possível.
A conferência será dividida em três partes: a primeira será de índole histórica, a segunda de ordem científica e a 3.ª de ordem artística e exegética, e por isso a mais importante. [...]
Várias questões se podem pôr àcêrca do S. Sudário de Turim.
1.º - Deveria ter existido algum lençol, os sudário, no qual foi envolvido o Corpo de N. S. Jesus Cristo, quando o colocaram no sepulcro?
2.º - No caso de ter existido, será êle o lençol de Turim, ou será essa relíquia uma obra de mistificação pictórica?
3.º - Que nos diz a ciência, a arte e a exegese e o próprio Sudário de Turim?
À primeira responderemos com os Evangelhos na mão.
À segunda e terceira com os dados históricos e científicos e com a interpretação dos sinais do Santo Sudário.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
25€

03 janeiro, 2021

VENET, M. - VIDA DO N. SS. PADRE PIO IX.
Por... Versão por M. F. M. e S.
Braga, Typ. Luzitana, 1871. In-8.º (19 cm) de 31 p. ; B.
1.ª edição.
Biografia de Pio IX (1792-1872), papa que protagonizou o 2.º pontificado mais longo da história (depois de S. Pedro) - 1846-1878, e cujo trabalho poucos deixou indiferente. Devoto da Virgem Maria, em 1854 proclamou o dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria como sendo um dogma de fé da Igreja através da encíclica Ineffabilis Deus.
"Pio IX da familia dos Condes Mastai Ferreti, nasceu a 13 de Maio de 1792 em Sinigaglia, pequena cidade dos Estados Romanos. Foi eleito pontifice a 16 de Junho de 1846; havendo com este, na Egreja catholica, 259 papas.
A sua biographia, se fosse escripta só debaixo do ponto de vista actual, sem fazer caso algum das previsões que depois haviam de brotar, inspirar e commover, seria uma longa serie de lendas. Tudo tomaria então proporções extraordinarias; não só os encantos de menino como as virtudes de homem. O papa deixa-se ver o que é em cada passo da sua vida. Primeiro de tudo vêmol-o progredir na santidade á proporção que se adianta na vida; depois factos numerosos e mui expressivos acontecidos de distancia a distancia, por assim dizer progressivamente, explicam esse caracter cheio d'uma grandeza traquilla, adquirido sem violentas agitações, e amadurecida com serenidade."
(Excerto da primeira parte do texto)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Raro.
Sem registo na BNP.
10€

01 outubro, 2019

OLIVEIRA, Fialho de - VOANDO COM O PAPA. Lisboa, Editorial Pórtico, 1967. In-8.º (20 cm) de 63, [1] p. ; mto. il. ; B.
1.ª edição.
"Sois filhos de uma nobre Nação que tanto se distinguiu pelos serviços prestados à Igreja, abrindo os Caminhos do Mar aos seus intrépidos Missionários portadores do Evangelho de Cristo do Oriente e do Ocidente."
(Paulus PP. VI)
"Vivi seis horas com o Papa, a meia dúzia de metros, separado apenas por uma cortina. Voei de Roma para Monte Real e de Monte Real para Roma com Sua Santidade. Registei imagens difíceis de reproduzir. As palavras não traduzem tudo. Não existe mesmo para certas emoções da vida."
É com emoção que Fialho de Oliveira (n. 1933), jornalista do «Diário de Notícias», abre o livro, ponto de partida para a narrativa pormenorizada da viagem de Paulo VI a Fátima, em 1967, - a 1.ª de um Papa ao nosso país, - assinalando o cinquentenário das Aparições.
Esta foi uma viagem marcada pela polémica, dado o frio relacionamento entre Portugal e a Santa Sé, motivado pela visita do mesmo Papa, a Bombaim, em 1963, episódio visto pelo Estado Novo como o reconhecimento implícito do Vaticano pela anexação das possessões portuguesas pela União Indiana, em 1961, e que mereceu o mais veemente protesto do regime. No entanto, a deslocação papal revelou-se um sucesso - os serviços de propaganda do regime aproveitaram as celebrações e a presença do Papa entre nós com vantagem para a imagem exterior do país.
Bonita edição, por certo de curta tiragem, totalmente impressa sobre papel couché, profusamente ilustrada com fotografias a p.b. do Sumo Pontífice em viagem, descontraído, e na Cova da Iria, onde dirigiu as cerimónias. Contém ainda imagens do interior e exterior do Caravelle CS-TCC da TAP, e os retratos e testemunhos da tripulação da que transportou o Papa.
"Não consigo dormir. São duas horas e ainda há pouco acabei de telefonar a minha crónica para Lisboa. No quarto ao lado, Fernando Teixeira não se deitou sequer. Prepara o serviço para o seu jornal. Também ele, apesar de há 35 anos ter chegado aos jornais, sente que vai viver a reportagem que tantos sonharam mas que bem poucos vão ter oportunidade de realizar. Os nossos nomes figuram na lista dos privilegiados que acompanham o Papa na sua peregrinação à terra portuguesa da Cova da Iria.
Só ontem, quando no Vaticano quando me entregaram um minúsculo cartão amarelo com o meu nome e o número catorze, só ontem quando, na «Catholic Internacional Tours», recebi o bilhete para o voo charters da TAP Roma-Monte Real-Roma, tive a certeza que viajaria com o Papa."
(Excerto da narrativa)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e jornalístico.
50€

18 janeiro, 2019

PAPA JOÃO XXI : PEDRO HISPANO = PAPA GIOVANNI XXI : PIETRO SPANO. Coordenação: João Paulo Bessa. Fotografia: António Rafael; Maurizio Necchi; Sergio Galeotti. Tradução: Instituto Italiano de Cultura em Portugal. Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, 2000. In-8.º (22cm) de 72 p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Edição bilíngue (português/italiano) publicada por ocasião da inauguração do novo mausoléu do Papa João XXI, o único papa português, na Catedral de Viterbo, em Itália.
Bonita edição impressa em papel de superior qualidade, profusamente ilustrada com fotografias, esboços e desenhos a p.b. e a cores.
"Pedro Julião, lisboeta de nascimento (1220?) e nobre pela mesma causa, foi clérigo e deão na sua cidade natal - que foi, também, a de Santo António, talvez vinte e cinco anos antes.

Pedro Hispano, homem de letras, viajante, estudante em Paris e professor em Siena, versou filosofia, teologia e ciências físicas e matemáticas, foi o presumível autor de doze obras de lógica, medicina, botânica, teologia e outros saberes (suficientes para que Dante o versejasse como aquele "que luz na terra") e, como médico, chegou à corte papal em Viterbo.
João XXI, Papa dos que o foram em Viterbo (antes arquidiácono e arcebispo de Braga - e também, com as vestes cardinalícias, de Tuscolo, após participar no Concílio de Lião), único português coroado com a mitra pontifical, bateu-se nos terrenos da diplomacia política e da doutrina até que uma ocorrência trágica o levou prematuramente para o sepulcro."
Ter tido um português no ministério de Pedro é algo que interpela a nossa tradicional comunhão com o Santo Padre e sublinha a comunhão católica das Igrejas de Portugal que, embora não isenta, ao longo dos séculos, de nuvens e tempestades, sempre permaneceu viva nos católicos portugueses."
(Excerto do preâmbulo de João Soares)
Matérias:
- Preâmbulo: João Soares, Presidente da CML; José, Patriarca de Lisboa. - Um "Filo Rosso" Lisboa-Viterbo: João XXI: Lorenzo Chiarinelli, Bispo de Viterbo. - Testemunho: António Pinto França, Embaixador de Portugal junto da Santa Sé. - O Túmulo do Papa João XXI: Ana Cristina Leite, Mestre em História de Arte. - Anotações sobre a conservação da pedra tumular do Papa João XXI: Emanuela Marino, Arqueóloga/Restauradora; Paola Coghi, Conservadora/Restauradora. - Reflexão. Solução: Daniela Ermano.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

10 outubro, 2012

CANCIONEIRO DE LEÃO XIII, ou os versos latinos e italianos de Sua Santidade postos em rima portugueza e precedidos da sua biographia pelo Pe. Joaquim José d'Abreu Campo Sancto. Edição Commemorativa do Jubileu Pontifical. Porto, Manuel Malheiro, 1887. In-4º (27cm) de [204] p. ; il. ; E.
Contém um retrato fotográfico do Papa Leão XIII.
Muito valorizado com a assinatura possessória do Cónego A. Ayres Pacheco, reputado orador sacro, no frontíspicio, e com uma dedicatória autógrafa do mesmo a um colega - Cónego Dr. Pereira dos Reis - no verso do rosto, que por sua vez apôs a assinatura de posse.
Colecção de poesias em belíssima edição comemorativa, impressa em papel encorpado, com todas as páginas ricamente decoradas com cercadura e vinhetas tipográficas a emoldurar as poesias.
Encadernação artística inteira de pele finamente decorada nas pastas e na lombada a seco e a ouro. Corte das folhas em dourado.
Exemplar em bom estado de conservação. Lombada algo desgastada no topo.
Invulgar.
75€

10 dezembro, 2011

PACCA, Cardeal - DISCURSO SOBRE O ESTADO ACTUAL DA IGREJA CATHOLICA : pronunciado pelo Em.mo... : na abertura da Academia da Religiaõ Catholica : em Roma no anno de 1843. Lisboa, Typographia da Academia das Bellas Artes, 1844. In-8º (19,5cm) de 20 p. ; B.
Bartolomeo Pacca (1756-1844) foi um cardeal italiano. Passou por Portugal, onde desempenhou o cargo de Núncio da Sé Apostólica. Homem de grande cultura e erudição, chefiou a Secretaria de Estado do Vaticano (Secretaria Apostólica) como Cardeal Secretário de Estado, funções de grande relevo pela proximidade ao Papa, e à condução dos destinos da Igreja.
Bom exemplar.
Invulgar.
10€

15 setembro, 2011

COMPENDIO CHRONOLOGICO DAS VIDAS DOS PAPAS : COM HUMA SUMMA DE TODOS os Concilios Geraes, Provinceaes, e Diocesanos. Recopilado, e traduzido em Portuguez : Por J. B. R. P. Obra que serve de Appendix ao Concilio Tridentino. LISBOA, Na Offic. Patr. de FRANCISCO LUIZ AMENO. M. DCC. LXXXVIII [1788]. Com licença da Real Meza da Commissaõ Geral sobre o Exame, e Censura dos Livros. [seguido de] SYNOPSIS OU COLLECÇAÕ : De todos os Concílios da Religiaõ Christã contra os Hereges, que serve de Appendix ao Concílio de Trento, recopilada pelo Reverendo P. Mauricio de Gregorio, natural de Camerino na Sicília, da Ordem dos Prégadores, Theologo do Illustrissimo S. Horacio Aquaviva, Bispo Calatino; vertido em linguagem : Por JOAQUIM JOSÉ DA COSTA E SÁ; Professor Regio de lingua Latina nesta Corte. In-8º peq. (15cm) de [4], 130, 184, [2] p. ; E.
1ª [e única] edição publicada.
"Depois que Deos creou, e afformoseou este Universo, formou o primeiro Homem, e a primeira Mulher, e deu-lhes por morada hum delicioso jardim, a que chamaõ Paraizo terrestre, de que foraõ expulsos por sua desobediencia; e esta fragilidade dos fundadores do genero humano veio a ser causa de todas as maldades." (excerto do 1º parágrafo) 
Encadernação coeva inteira de carneira com ferros a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação; encadernação sólida, algo desgastada com falha vertical no revestimento da paste anterior; miolo firme; páginas limpas, com excepção de cerca de 60 p., sensívelmente no meio do livro, que se apresentam oxidadas.
Curiosa cronologia dos Papas, "desde S. Pedro até Pio VI. actualmente reinante."
Muito invulgar.
60€

28 agosto, 2011

CONCORDATA e Acôrdo Missionário de 7 de Maio de 1940. [Lisboa], Edição do Secretariado da Propaganda Nacional, MCMXLIII (1943). In-8º grd. (24cm) de 121, [2] p. ; B.
"Assinado em 1940 entre o regime do Estado Novo e a Santa Sé, este acordo estabeleceu as regras do relacionamento do Estado português com a Igreja Católica. Consagrou a liberdade religiosa e a separação entre o poder laico e o religioso. Assegurou à Igreja a restituição de parte do património que perdera em momentos históricos anteriores, bem como uma série de prerrogativas, tais como a liberdade de organização e certas isenções fiscais. A Concordata foi assinada a 7 de maio de 1940 por representantes de Portugal e da Santa Sé, nomeadamente António de Oliveira Salazar e o Núncio Apostólico. Em contraste com o conflito entre o Estado e a Igreja que predominou ao longo da Primeira República (muitos de cujos altos responsáveis eram anticlericalistas confessos), o documento veio firmar uma aliança que é fundamental para a caracterização do Estado Novo." (infopedia.pt)
Bom exemplar.
Invulgar.
25€