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21 fevereiro, 2024

LEAL, Gomes - FIM DE UM MUNDO : satyras modernas. Porto, Livraria Chardron, 1899. In-8.º (17 cm) de XVII, 436 p. ; E.
1.ª edição.
Sátira à sociedade, crítica dos costumes e da classe política da época.
António Duarte Gomes Leal (1848-1921). "Nasceu em 1848 e morreu em 1921. Ao longo da sua vida, teve intensa participação na vida pública, nomeadamente expressando a sua opinião através de inúmeros panfletos e colaboração em diversos jornais e revistas. Foi também poeta, ligado ao Simbolismo e ao Decadentismo." (Fonte: Wook)
Encadernação editorial em percalina com ferros gravados a oura na pasta anterior e na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Invulgar.
20€

30 maio, 2023

QUEIROZ, Eça de -
SINGULARIDADES D'UMA RAPARIGA LOURA.
Brinde aos Senhores Assignantes do Diario de Noticias em 1873. Lisboa, Typographia Universal de Thomaz Quintino Antunes, Impressor da Casa Real, 1874. In-8.º (17 cm) de 144 p. ; B.
1.ª edição.
Livrinho da apreciada colecção Brinde do "Diário de Notícias". O presente número é composto por 5 histórias amenas onde o fantástico se cruza com o histórico, da autoria de algumas das mais destacadas personalidades do panorama literário da época, incluindo um conto do fundador e proprietário do DN - Eduardo Coelho -, destacando-se no entanto dos demais a primeira edição absoluta de Singularidades d'uma rapariga loura, de Eça de Queiroz - que ocupa as primeiras 40 páginas - sendo esta uma das suas primeiras produções bibliográficas impressas em livro.
"Em 1872 Eça de Queirós é nomeado cônsul de Portugal em Havana e parte para as Antilhas. Enceta, depois, uma longa viagem pela América do Norte, tendo viajado pelos Estados Unidos (Nova Orleans, Filadélfia, Chicago, Nova Iorque) e pelo Canadá, onde visita Montreal. Em 1874 o Diário de Notícias publica no seu «Brinde» anual, o seu primeiro conto de grande fôlego, «Singularidades de uma rapariga loira», já marcado pelo normas realistas que pretende adoptar."
(Fonte: http://livro.dglab.gov.pt/sites/DGLB/Portugues/autores/Paginas/PesquisaAutores1.aspx?AutorId=7266)
Vale a pena dar conta de um pormenor que muito ilustra a veia irónica e "realista" de Eça nesta pequena novela, publicada pouco tempo após as Conferências do Casino: a dada altura, no início do conto, que infra reproduzimos excerto, refere: "o facto é - que eu, que sou naturalmente positivo e realista..." Touché!, - ironia e profissão de fé.
"Escrito em 1873 e publicado em 1901 num volume de contos do autor, Singularidades de Uma Rapariga Loira é geralmente apresentado como o primeiro conto realista em português e uma das obras-primas de Eça de Queiroz. Nele se conta a história do amor de um jovem honesto e trabalhador, Macário, por Luísa, uma rapariga loira de «carácter louro como o cabelo - se é certo que o louro é uma cor fraca e desbotada: falava pouco, sorria sempre com os seus brancos dentinhos, dizia a tudo "pois sim"; era muito simples, quase indiferente, cheia de transigências». Macário apaixona-se por essa rapariga aparentemente dócil, etérea e sem vontade própria, a ponto de sair de casa do tio Francisco, para quem trabalhava como escriturário, e ir até Cabo Verde em negócios, só para merecer casar com ela. No entanto, Luísa é de facto uma rapariga loura e singular..."
(Fonte: Wook)
"Começou por me dizer que o seu caso era simples - e que se chamava Macario...
Devo contar que conheci este homem n'uma estalagem do Minho. Era alto e grosso: tinha uma calva larga, lusidia e lisa, com repas brancas que se lhe errissavam em redor: e os seus olhos pretos, com a pelle em roda engelhada e amarellada, e olheiras papudas, tinha uma singular claresa e rectidão - por traz dos seus oculos redondos com aros de tartaruga. [...]
Era isto em setembro: já as noites vinham mais cedo, com uma friagem fina e secca e uma escuridão apparatosa. Eu tinha descido da dilligencia, fatigado, esfomeado, tiritando, n'um cobrejão de listas escarlates.
Vinha de atravessar a serra e os seus aspectos pardos e desertos. Eram 8 horas da noite. Os ceos estavam pesados e sujos. E, ou fosse um certo adormecimento cerebral produzido pelo rolar monotono da dilligencia, ou fosse a debilidade nervosa da fadiga, ou a influencia da paisagem descarpada e chata, sob o concavo silencio nocturno, ou a oppressão da electriciade, que enchia as alturas - o facto é - que eu, que sou naturalmente positivo e realista, - tinha vindo tyrannisado, pela imaginação e pelas chimeras. [...]
Mas eu estava assim, e attribuo a esta disposição visionaria a falta de espirito - a sensação - que fez a historia d'aquelle homem dos canhões de velludilho. A minha curiosidade começou á ceia, quando eu desfazia o peito de uma galinha afogada em arroz branco, com fatias escarlates de paio - e a creada, uma gorda e cheia de sardas, fazia espumar o vinho verde no copo, fazendo-o cair de alto de uma caneca vidrada: o homem estava defronte de mim, comendo traquillamente a sua geléa: perguntei-lhe, com a bocca cheia, o meu guardanapo de linho de Guimarães suspendo nos dedos - se elle era de Villa Real.
- Vivo lá. Ha muitos annos - disse-me elle.
- Terra de mulheres bonitas, segundo me consta, disse eu.
O homem callou-se.
- Hein? tornei.
O homem contrahiu-se n'um silencio saliente. Até ahi estivera alegre, rindo dilatadamente, loquaz, e cheio de bonhomia. Mas então immobilisou o seu sorriso fino.
Comprehendi que tinha tocado a carne viva de uma lembrança. Havia de certo no destino d'aquelle velho uma mulher."
(Excerto de Singularidades d'uma rapariga loura)
Contos:
Singularidades d'uma rapariga loura, por Eça de Queiroz | O primeiro amor (conto phantastico), por Marianno Froes | Firme-Fé, por Oliveira Pires | A Peste Negra, por Gomes Leal | A condessa do Carregal, por Eduardo Coelho.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Pequenas falhas e defeitos. Falha de papel na lombada. Com mancha antiga - desvanecida - nas primeiras folhas do livro.
Raro.
75€

07 agosto, 2016

CARVALHO, XAVIER DE - CANTOS EPICOS DA GUERRA. Á memoria gloriosa de meu filho Rafael, soldado da Legião Estrangeira morto na batalha de Champagne em 28 de Setembro de 1915. Paris : Bruxelles, L'Édition d'Art : Gaudio, 1918. In-8.º (21,5 cm) de 29, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Obra poética dedicada pelo autor à memória de seu filho, morto em combate. Precede-a dois epitáfios: um de autoria não identificada, e o outro, da pena do poeta Gomes Leal.


"Inviolavel, augusta, imaculada,
Verdun, terra imortal...
Recebeste, co'a cruz da Torre-e-Espada,
A alma de Portugal.

Heroes de mil acções
Onde vibra o peito lusitano,
Ala dos Namorados,
Os santos e os soldados
Que sublimaram versos de Camões
E a prosa aurifulgente d'Herculano:

Vinde beijar as triunfaes ruinas
De Verdun resplandecente!
Oh, combatentes! épicos guerreiros!
Irmãos dos que em Valverde e em Atoleiros
Nimbaram d'oiros o pendão das quinas,
Enaltecendo a Lusitana Gente. [...]

E n'um extasis d'almas,
Vem Nun'Alvares, da mansão ignota,
Com um punhado d'heroes d'Aljubarrota,
Cobrir Verdun de bençãos e de palmas!"

(Excerto de Portugal á Verdun)

Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. 
Raro.
Indisponível

23 agosto, 2013

LEAL, Gomes – O RENEGADO. A Antonio Rodrigues Sampaio : carta ao velho pamphletario sobre a perseguição da Imprensa. Lisboa, Typographia – Largo dos Inglezinhos, 27, 1881. In-8.º (22 cm) de 65, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Opúsculo em verso publicado por Gomes Leal em 1881, "onde ele critica, de modo mordaz e acutilante, a última passagem pelo governo do Reino de António Rodrigues Sampaio. Com efeito, a 23 de Março de 1881, demitido o ministério progressista, e não querendo Fontes Pereira de Mello assumir nessa ocasião a responsabilidade franca e aberta do poder, foi António Rodrigues Sampaio chamado a organizar um gabinete ministerial, recebendo a presidência do conselho, acumulando com a pasta do Reino, a sua especialidade de sempre.
O governo iniciou funções a 25 de Março de 1880 e manteve-se até 11 de Novembro do mesmo ano, data em que Fontes Pereira de Melo substituiu Rodrigues Sampaio na presidência do ministério. Após essa data, adoentado, Rodrigues Sampaio retirou-se então para a vida particular, continuando a exercer o seu lugar de conselheiro no Tribunal de Contas.
Mas os seus anteriores correligionários nos tempos de revolucionário não lhe perdoaram as medidas de controlo da imprensa que foi obrigado a tomar. É neste cenário, que se inscreve esta obra – «O Renegado - Carta ao Velho Panfletário sobre a Perseguição da Imprensa», publicada em 1881 pelo poeta e jornalista António Duarte Gomes Leal, a qual constitui um autêntico libelo à percebida traição de Rodrigues Sampaio aos ideais que defendera."
António Rodrigues Sampaio (1806 -1882). “Foi um jornalista e político português que, entre outras funções, foi deputado, par do Reino, ministro e presidente do ministério. Foi um dos maiores vultos do liberalismo português de oitocentos, jornalista ímpar e parlamentar de excepção.
Era uma personalidade controversa, polémica, e mesmo revolucionária, mas sempre coerente e fiel aos seus princípios e desígnios, foi um agitador de renome nacional, o que lhe valeria a alcunha de o “Sampaio da Revolução”, já que se notabilizou como redactor principal do periódico «A Revolução de Setembro».
Era um jornalista de causas, não de notícias, como aliás era o jornalismo do século XIX. Foi membro importante da Maçonaria.” (in Tertúlia Bibliófila, 14 Fev. 2010)

“Eis-me em frente de ti, velho urso na caverna –
Eis-me em frente de ti erguendo uma lanterna,
lanterna que accendi na grande escuridão
sobre a plebe açoutada, erguendo a minha mão,
lanterna que accendi n’esta éra ensanguenta,
lanterna que accendi, como em sinistra estrada
por causa dos ladrões perdido viajante.
Eis-me em frente de ti, eis-me de ti deante
cheio d’ódio, rancor, com asco, sem respeito,
perguntando-te, ó Velho – Onde está o Direito?
O que fizeste ao Povo, á Consciencia, ao Brio?
Onde está o Pudor, rude ancião sombrio?
Quem és? Quem és? Quem és?... velho cheio de fel.
Onde está ó Cain o teu irmão Abel?

Quem és? Quem és?... Ó gloria, ó nome hoje aviltado?
Tu foste a Alma do Povo – hoje és um renegado."

(Excerto do poema)

António Duarte Gomes Leal (1848-1921). "Nasce em Lisboa em 1848. Filho ilegítimo de um funcionário público, vive com a mãe e a irmã, a sua principal fonte de inspiração. No ano da morte de sua irmã, em 1875, publica Claridades do Sul, a sua primeira obra poética. Quando a mãe morre, converte-se ao catolicismo, o que tem influência na sua obra. Poeta e jornalista, é escrevente de um notário e publica inúmeros textos panfletários de denúncia político-social. A sua poesia oscila entre os três grandes paradigmas literários do final do século XIX: romantismo, parnasianismo e simbolismo. De 1899 a 1910, compõe e publica quase diariamente. Termina os seus dias na miséria, primeiramente vivendo da caridade alheia, na rua, e depois sustentando-se com uma pensão anual do Estado português que lhe foi conseguida por um grupo de amigos, dos quais se destaca Teixeira de Pascoaes. Morre em 1921."
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas com defeitos: capa apresenta falha de papel no canto inferior dto; contracapa apresenta restauros marginais e no canto inferior esquerdo.
Muito invulgar.
15€