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17 março, 2026

VASCONCELLOS, Henrique de -
A MENTIRA VITAL. Coimbra, Edição da Imprensa da Universidade, 1896 [capa, 1897]. In-8.º (22x14 cm) de XVI, 188, [8] p. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de contos, alguns históricos, outros fantásticos, como o encontro surreal entre um abade e o Tentador (Satan), outros ainda impregnados de erotismo, o que, na época, configuraria certo arrojo literário. Inclui ainda um capítulo dedicado aos touros de morte, e outro devotado a três cidades portuguesas: Coimbra; Aveiro; Viana do Castelo. Sete dos contos estão referenciados no Dicionário de Literatura Gay, 7.ª edição, Index, 2022. Relativamente a este assunto, no mesmo Dicionário, é citado António Fernando Cascais: "A Mentira Vital, [está] todo ele recheado de contos (A Elipse; Cerebrais; No Terraço; Eros Trágico; Alma a Penar; O Tentador e A Mentira Vital, que dá título ao volume) sumamente sugestivos do ponto de vista queer." 
Obra ecléctica, invulgar e surpreendente, impressa em papel encorpado.
O autor, assumidamente balzaquiano, no extenso prólogo defende-se das críticas e justifica a obra:
"Abominando os chamados realistas e em geral todas as coteries, sou um discipulo de Balzac. Outra coisa não deve ser o romance ou o conto, senão a analyse d'uma Alma ou d'um estado d'Alma, transitorio ou permanente.
Nos ligeiros contos que apresento ao leitor, em que ás vezes o pensamento parece ficar suspenso, não quis fazer outra coisa.
«Dizer o que vi, o que pensei, o que senti, na melhor prosa de que pude dispôr», foi esta a minha ambição, durante todo o tempo que gastei a escrever as paginas que vão seguir-se."
(Excerto do Prólogo - Isagoge)
"O abbade dormia na rude gruta, sobre um punhado de feno, quando lhe appareceu o Tentador, bello, supremamente bello; no seu olhar nadavam á mistura um grande orgulho e uma grande dôr.
O abbade dormia. Abertas as eclusas, o sonho voava para o peccado. Na noite rasgava-se uma aurora, onde elle via, o pobre santo, montões d'oiro, montões de soes a chamal-o. Caiam pedrarias, como chuvas, caíam oiros, toda a riqueza; levantavam-se palacios magnificos do solo, a recebel-o antre theorias deslumbrantes de raparigas batendo crotalos, antre theorias de escravos illuminando com archotes, firmes como estatuas. [...]
Ouvindo passos, o abbade abriu os olhos,
- Sonho!... sonho!... gemeu com infinita amargura, misturada com o prazer de não ter peccado.
- Dormes? O somno é um peccado, porque a Alma não está com Deus. Vagueia pelo mundo, ora subindo aos altos pincaros para cuspir o céu, ora descendo aos poços envenenados onde a Luxuria estreita os corpos, abraça as Almas. O teu espirito não vae pela escada que o pastor viu no céu, em peregrinação para Deus: erra pelos prados, onde cantaste outr'ora a belleza das cearas e os corpos alvos das ceifeiras...
O abbade crendo ser um anjo, pela belleza surprehendente, rojou-se, beijou-lhe os pés brancos e afilados.
- Perdoae-me, Senhor, perdoae-me! Sonhar não é peccado, porque a Alma está desarmada; se o Demonio vem travar batalha, qual o soldado que despertará? A Alma é então como um campo onde houve carnificina...
- Vês? retorquiu Satan. Emquanto dormias deixaste entrar em tua casa o ladrão..."
(Excerto de O Tentador)
Henrique de Vasconcelos (São Filipe, Cabo Verde, 1876 - Lisboa, 1924). "Diplomata, político, jornalista e escritor português, colaborador e amigo de Afonso Costa, deputado em várias legislaturas da Primeira República Portuguesa. Poeta decadentista, autor da Missa negra, foi Director Geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros e um importante bibliófilo, detentor de uma vasta biblioteca.
Cabo-verdiano de nascimento, radicou-se cedo em Lisboa, desfrutando de prestígio literário em Portugal. Licenciou-se em Direito, pela Universidade de Coimbra, e foi Director–Geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Representou Portugal em legações e missões diplomáticas em vários países.
Com uma obra de temática europeia, foi autor, entre outras, das seguintes obras: Flores cinzentas, poesia (Coimbra, 1893); Os esotéricos, poesia (Lisboa, 1894); A Harpa de Vanádio, poesia (Coimbra, 1894); Amor Perfeito, poesia (Lisboa, 1895); A mentira vital, contos (Coimbra, 1897); Contos novos, contos (Lisboa, 1903); Flirts, contos (Lisboa, 1905); Circe, poesia (Coimbra, 1908); e Sangue das rosas, poesia (Lisboa, 1912). Também se encontra colaboração da sua autoria nas revistas O Branco e Negro (1899), Ave Azul (1899-1900), Brasil-Portugal (1899-1914), Serões (1901-1911) e Atlântida (1915-1920)."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação
Raro.
Indisponível

02 junho, 2025

TOURADAS E TOUREIROS.
Paginas soltas - Publicação Quinzenal - 1895 : Lisboa, 14 de abril : N.º 1. [Dir. Carlos Abreu]. Lisboa, [s.n.], 1895. In-8.º (22,5x16cm) de 16 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra curiosa de informação e divulgação taurina.
Ilustrado nas páginas do texto.
Publicação efémera, este n.º 1 é tudo quanto foi distribuído.
Raro. A BNP não menciona.
"Aqui está mais uma publicação tauromachica. Logar para ella, senhores, porque se não traz desembainhado o fino estoque de Guerrita ou de Mazzantini, se não se apresenta com as bandarilhas em punho, como Roberto ou Calabaça, traz enrolado no braço, de envolta com o capote, um programma que não é muito longo, mas é sincero.
Discutirá e apreciará a tauromachia, com imparcialidade, mas com desassombro. E, á semelhança dos artistas, quando sentem o primeiro toque para a sahida do bicho, procurará tomar no campo onde se vae collocar, sem perder a serenidade tão precisa n'esta lucta impiedosa e ingloria, onde ha que arcar com obstaculos que aos profanos parecem de pouca monta, mas que aos aficionados se antolham difficeis e por vezes insupperaveis.
Correcta, sem que uma phrase escripta n'estas paginas tenha o fito de melindrar alguem, esta publicação occupar-se-ha unica e exclusivamente de assumptos tauromachicos, como o seu titulo indica, publicando em cada numero um retrato, pelo menos, e respectiva biographia, artigos criticos e profissionaes, poesias, contos, etc., de maneira a formar um volume no fim de cada época.
está soando o clarim... Já saltou para o redondel o primeiro touro, nervoso, bonita estampa, os olhos cheios de laivos vermelhos, e as narinas fremendo como que em procura do inimigo...
Vae começar a corrida... Por isso está apresentada a publicação."
(Apresentação, Duas Palavras)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capas apresentam vestígios antigos de humidade junto à lombada.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional (BNP).
Peça de colecção.
25€

09 maio, 2025

BIBLIOTECA DE ARTE EQUESTRE -
DOM DIOGO DE BRAGANÇA, VIII MARQUÊS DE MARIALVA
. Sintra, Parques de Sintra - Monte da Lua S.A., 2015. In-4.º (27x21 cm) de 143, [1] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Catálogo da importante colecção sobre arte equestre que antes pertenceu a D. Diogo de Bragança. "Foi batizada de «Biblioteca Equestre D. Diogo de Bragança» em honra desse notável cavaleiro,  o VIII Marquês de Marialva. D. Diogo de Bragança durante toda a sua vida reuniu documentos sobre a temática e após a sua morte, em 2012, os seus herdeiros venderam o acervo à Parques Sintra.
A coleção abrange os séculos XVI ao XX e integra 1.400 títulos impressos e manuscritos, 165 gravuras e estampas originais e ainda algumas peças raras. Há ainda exposições temporárias que expõem adereços tauromáquicos, retratos a óleo, entre outros elementos.
Esta compilação pretende incentivar a investigação sobre as bases e a evolução da tradição equestre portuguesa e perpetuar uma arte tão portuguesa, através da manutenção do património equino.
Simultaneamente, promove a Escola Portuguesa de Arte Equestre (EPAE) e o próprio Palácio de Queluz.
(Fonte: https://www.viajecomigo.com/2015/05/27/biblioteca-arte-equestre-palacio-queluz/)
Tiragem: 500 exemplares.
Obra lindíssima, de grande esmero e apuro gráfico, impressa em papel de superior qualidade e profusamente ilustrada ao longo do livro com fotografias a p.b. e a cores, reproduzindo retratos, portadas, gravuras, estampas e documentos vários.
Ficha técnica:
Concepção e textos Pedro Maria de Saldanha e Sousa Mello e Alvim. Descrições bibliográficas e iconográficas Pedro Falcão de Azevedo. Colaboração Inês Mineiro Pais; Leonor da Cunha de Sousa Alvim. Fotografia. Ana Luísa Ulrich da Cunha de Alvim; Dom Manuel Empis de Bragança
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
30€

29 março, 2025

DIAS, Henrique de Carvalho -
O ÚLTIMO FERRO.
[100 fotos de José Mestre Baptista]. [S.l.]. Edições Antologia Taurina [Edição: do Autor], 1985. In-4.º (24x17 cm) de 32 p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Homenagem do autor ao cavaleiro tauromáquico José Mestre Baptista, primeira figura da "Festa" na época, falecido pouco tempo antes em Zafra, Espanha.
Livro preenchido na sua quase totalidade por 100 fotos do autor.
"Mais do que palavras ficam aqui imagens vivas de um grande toureiro, de alguém que pelas arenas portuguesas passou como símbolo de arte e de valentia na nobre arte de cavalgar a toda a sela...
Jamais assomará sorridente, à porta das quadrilhas.
A notícia abrupta do desenlace correu, na madrugada do passado dia 17 de Fevereiro... Um Fevereiro chuvoso e nevoento. 
Em Zafra faleceu José Mestre Baptista, longe de casa, fora do seu País, mas singularmente perto da terra onde nascera.
Parecia inacreditável! Um homem todo vida, desaparecer assim, de um momento para o outro! A triste realiade da morte... [...]
Recordo, com saudade, esses tempos, dos anos 60, quando competindo com João Núncio, montado no "Falcão" e no "Forcado", Baprista inaugurou um toureio diferente, todo feito de emoção e verdade. Entrava pelos toiros dentro, ou citava de largo, quasi fazendo parar os corações de quantos o viam das bancadas, e, em delírio, lhe respondiam com as mais entusiásticas ovações."
(Excerto da Abertura)
José Mestre Baptista ComIH (Reguengos de Monsaraz, Campo, 30 de maio de 1940 - Zafra, Espanha, 17 de fevereiro de 1985) foi um cavaleiro tauromáquico português. Morreu vítima de asma. Para além de ter iniciado em Portugal o toureio frontal e ao pitón contrário, Mestre Baptista era dotado de uma arte e uma valentia, que ficará para sempre na história da tauromaquia. “Toureiro de corpo inteiro que, praticamente sem ajudas de ninguém se fez a si próprio tornando-se num ídolo e marcando uma época”. Ao fim de quatro anos como amador, Mestre Batista recebe a alternativa de cavaleiro tauromáquico profissional a 15 de setembro de 1958 na praça de touros Daniel de Nascimento na Moita depois de lhe ter sido recusada três meses antes a 19 de julho na praça de touros do Campo Pequeno em Lisboa (a única alternativa recusada em toda a história do toureio a cavalo). Aprovada, desta vez por unanimidade, o cavaleiro teve como padrinho D. Francisco Mascarenhas. A sua primeira corrida como profissional foi na Chamusca em outubro, saindo triunfador e tendo feito a estreia do cavalo Forcado. Apesar de muito criticado e apelidado por alguns de louco, devido ao arriscado e frontal toureio que praticava, depressa passou a alternar com cavaleiros de primeira categoria. Aos poucos o público começou a render-se ao seu novo modo de tourear assistindo-se a uma verdadeira revolução no toureio a cavalo. Arrastando multidões, pisando terrenos até então proibidos que culminavam com os famosos “Ferros á Batista”, instituiu um estilo próprio que veio influenciar a maioria dos cavaleiros das gerações posteriores. A 10 de junho de 1962 em Santarém, realizou uma magnífica actuação onde Mestre Batista deu cinco voltas à arena com saída em ombros. Além do seu estilo de tourear incomparável, a revolução no toureio a cavalo passou por alteração no vestuário, tendo adotado o uso casacas mais curtas, leves e ligeiramente cintadas, calções brancos e sem meias a tapar os joelhos. Conservou contudo o uso do tricórnio durante toda a lide."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Apresenta vinco junto à lombada.
Raro.
Com interesse histórico e biográfico.
35€

17 abril, 2024

BRANCO, Amarel... y - JOÃO NUNCIO. (O Bandarilheiro Equestre). Lisboa, [s.n. - comp. e imp. Imprensa Lucas & C.ª], 1930. In-8.º (15,5 cm) de 80 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio biográfico sobre Mestre João Branco Núncio. Inclui extensa entrevista do cavaleiro na intimidade da sua quinta (em Alcácer do Sal), onde este fala de si e da profissão que o celebrizou.
Exemplar oferecido pelo filho do autor.
Muito ilustrado com reprodução de desenhos e fotogravuras.
Contém tabela com relação das corridas toureadas por João Branco Núncio à data.
"A arte não cabe, inteiramente, nos curtos limites dos tratados; a arte não se fica, solemnemente, nos paramos altivos da sciencia, da exactidão. Os tratados anotaram e a sciencia estudos e explicou, só depois da criação se ter efectuado. Mas sim, na verdade, João Nuncio, criou, revolucionou; orientado pelas regras, pelo estabelecido, pelo consagrado pela sciencia, não se limitou a imitar friamente, classicamente, conscientemente, - foi alem disso porque sentiu, interpretou, sofreu, entregou-se, criou, fez arte.
Não estava escrita por certo aquela forma nova, aparentemente facil, as filigranas na cara dos toiros, os recortes, as saídas falsas extraordinarias, aparentemente sem perigo, por tão suaves e templadas, nem os galheios, as sortes novas – não estava escrito tudo isso senão em sua alma superior de artista completo e raro."
(Excerto do texto)
Índice: Alcacer do Sal : os quatro azes do seu baralho [figuras gradas da terra] - O cavaleiro João Nuncio, Dr. José Gentil, Dr. Francisco Gentil e maestro Rui Coelho | Toureiro de conjuntos | Como fala João Nuncio [entrevista] | Notas bibliográficas | Opiniões da afición e da critica | A opinião de D. Bernardo da Costa [Mesquitela].
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado, com pequenas falhas e defeitos.
Raro.
Peça de colecção.
Indisponível

29 março, 2024

ONAISSAC, Padre -
CATECISMO NUNCISTA. Pelo... Lisboa, Editado por C. d'Araujo, [192-]. In-16.º (12 cm) de 8 p. ; B.
1.ª edição.
Curiosíssimo opúsculo de apreço, propaganda e dedicação à causa "nuncista", ou seja, à arte equestre de João Branco Núncio (1901-1976), famoso cavaleiro tauromáquico natural de Alcácer do Sal, praticante do "toureio de verdade" - por muitos considerado o melhor cavaleiro português de sempre.
Quanto ao "clérigo" autor deste bem disposto ideário, nada foi possível apurar por falta de referências bio-bibliográficas, para além do que é evidente - um conhecedor da Festa Brava e efusivo entusiasta do cavaleiro de Alcácer. Em todo o caso, o facto do editor ser identificado como "C. d'Araujo" e a contracapa promover artigos de ourivesaria da Casa Araújos (antiga J. C. d'Araujo & Filhos), remete-nos para José Carlos Araújo, conhecido aficionado e proprietário da antiga ourivesaria lisboeta, com sede na Rua do Ouro, como provável autor do "catecismo".
Opúsculo raro, com interesse para a bibliografia taurina. A BNP não menciona.
"P. Sois Nuncista?
R. Sim, pela serenidade, valôr, «aficion» e arte de toureio de N. Sr. Nuncio.
P. Que quer dizer Nuncista?
R. Homem que percebe de toureio equestre e não e deixa enganar por elegantes manequins vestidos á Luiz XV.
P. Quem é Nuncio?
R. O melhor cavaleiro tauromáquico que se tem conhecido.
P. Como é cavaleiro?
R. Porque tem valôr e arte ás carradas e é o unico que crava de alto a baixo.
P. De que nos salvou?
R. De perder a «aficion» ás corridas de touros porque se pratica toda a classe de calamidades taurinas.
P. É este o Cristo ou Fenomeno verdadeiro?
R. Sim o prometido pelos Profetas e que julgavamos não ver chegado."
(Excerto de Catecismo Nuncista)
Índice:
Catecismo Nuncista. | As obrigações do Nuncista. | Sobre os ferros. | Sobre o toureio de frente. | O Credo. | Os mandamentos de S. João Nuncio são cinco. | As obras de misericordia. | Um bocadinho de oiro.
Exemplar em brochura, preso por arame, bem conservado.
Muito raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Peça de colecção.
Indisponível

16 janeiro, 2024

JOÃO BRANCO NÚNCIO - ÉPOCA : Suplemento Especial. [Lisboa], Companhia Nacional Editora, 1973. In-4.º (28,5x20,5 cm) de 29, [3] p. (inc. capas) ; il. ; B.
1.ª edição.
Suplemento especial do jornal Época n.º 831 de 27 de Maio de 1973 dedicado às Bodas de Ouro da alternativa de Mestre João Branco Núncio. O jornal Época resultou da fusão dos jornais "A Voz" e "Diário da Manhã", foi lançado em 1 de Fevereiro de 1971 e circulou até Maio de 1974.
Contém uma reportagem de fundo sobre o cavaleiro - circunstância excepcional, dada a sua conhecida aversão a entrevistas. A contracapa reproduz autógrafo do toureiro com o agradecimento público a todos quanto o acompanharam na sua jornada de 50 anos.
Suplemento ilustrado com inúmeras fotografias do Mestre (no campo, feiras e praças), publicidade diversa, e um artigo sobre Nuno Salvação Barreto, cabo do Grupo de Forcados Amadores de Lisboa.
"A singela homenagem que prestamos a João Branco Núncio no dia em que comemora as Bodas de Ouro da sua alternativa, tem  um duplo objectivo: o de festejar o artista que ao longo de cinquenta anos soube e pôde dignificar a sua Arte, e o de enaltecer o Homem probo, o chefe de Família, o trabalhador e o empresário que aos seus e à sua terra não regateou um avo da energia, ao longo da existência.
Respeitador dos valores tradicionais, em cada momento confiante nas amabilidades do futuro, tolerante e justo, nada mais se poderia acrescentar à vida de João Branco Núncio, se não fora a força com que enfrentou as adversidades, opondo-lhes persistentemente, uma ilimitada confiança de vitória.
Para além dos tumultos da existência, do bom e do menos bom existencial, da glória das arenas ou do secreto triunfo interior - homenageia-se também, e antes de tudo, aquele que tão portuguêsmente soube e sabe viver."
(Apresentação)
"Manhã cedo. A terra encharcada estendia-se por canteiros de arroz. Na outra, mesmo à ilharga, semeada de trigo, parecia também, aos olhos leigo da repórter, fortemente humedecida pelas violentas bátegas que, de espaços a espaços, caíam nas leiras castanho-escuras.
Dia de chuva, de vento desabrido, a secar em poucos instantes a água benfazeja.
Minutos antes deixáramos a Quinta da Palmeira, à saída de Alcácer, ao rés da estrada nacional que segue por esse Alentejo dentro, direita ao Torrão e a Beja.
João Núncio, calça de ganga azul justa às pernas, blusão ajaquetado de cabedal preto, botins de vitela, e na cabeça o tradicional chapéu e aba larga, senta-se ao volante do jipão e ruma a Vale de Lobos."
(Excerto da entrevista)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito raro.
Com interesse histórico e tauromáquico.
Indisponível

01 janeiro, 2024

SÁ, Ayres de -
TOIRADAS EM PORTUGAL.
Propaganda da revista A Caça. Bibliotheca do sportsman e do agricultor : N.º 2. Lisboa, Typ. e Lith. de Ricardo de Souza & Salles, 1903. In-8.º (17x11 cm) de [4], 141, [3] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Capa assinada por Navarrete.
Interessante monografia sobre as corridas de touros em Portugal, assinalando inúmeros episódios históricos relacionados com a Festa Brava, de antanho e mais recentes. Dedicada pelo autor ao "seu amigo Dr. Henrique Anachoreta".
Livro ilustrado com bonitos desenhos, fotogravuras e retratos em página inteira.
Extensa dedicatória na f. rosto do conhecido escritor tauromáquico Carlos de Abreu (1868-1952) ao Dr. Amaro de Almeida o "médico dos fadistas" (1916-1976).
"El-rei D. João II gostava muito de toiradas. No cap. LXXVI da chronica que d'elle escreveu Garcia de Resende lê-se:
«Do que el-rei fez indo, com a rainha, a vêr correr toiros em Alcouchete.-
Estando el-rei em Alcouchete, indo um dia, de casa, a pé com a rainha e damas e senhores e muitos fidalgos a vêr correr toiros no terreiro, junto da egreja; acertou que, mettendo um toiro na cancella, fugiu do curro e veio para a rua principal, por onde el-rei ia, e, deante do toiro, vinha muita gente fugindo, com grande grita. Foi o receio tamanho nos que iam deante d'el-rei que todos fugiram e se metteram por casas e travessas; e el-rei, só, tomou a rainha pela mão, e poz se deante d'ella com a capa no braço, e a espada apunhada, com muito grande segurança. Esperou, assim, o toiro, que quiz Deus que passou sem entender n'elle, de que muitos fidalgos e outros homens ficaram  mui envergonhados e elle com muita honra, e foi sorte que, se a el-rei vira fazer a outrem, lhe fizera por isso muita mercê, segundo estimava as coisas bem feitas»."
(Excerto do Cap. I)
Encadernação em percalina com ferros gravados a seco e a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura anterior.
Exemplar em bom estado de conservação. Capa cansada, com defeitos e pequenas falhas de papel. Ex-libris de Amaro d'Almeida na f. de dedicatória.
Raro.
85€

13 agosto, 2023

DUAS PALAVRAS ACERCA DAS CORRIDAS DE TOUROS SEGUIDAS D'UM REGULAMENTO PARA O TRABALHO DAS PEGAS. Por hum amador. Lisboa, Typographia Nova Minerva, 1881. In-8.º (22,5 cm) de 32 p. ; B.
1.ª edição.
Curioso trabalho sobre a Festa Brava, não assinado, dedicado "aos capinhas portuguezes e aos artistas", em que o autor - antigo moço de forcado - procura sintetizar historicamente a corrida de touros, desde os seus primórdios até aos nossos dias, especulando sobre quem terá sido o 1.º cavaleiro tauromáquico, de acordo com fontes impressas e manuscritas.
O Regulamento das pegas - de caras, de costas e de cernelha - é igualmente muito interessante, sobretudo se comparada à luz do presente, como a sugestão do autor em atribuir ao director de corrida as funções normalmente desempenhadas pelo cabo do grupo de forcados, que mediante a avaliação do desempenho do touro na arena - as suas crenças e reacções -, decide se determinado animal é pegado e de que forma.
"Não é minha intenção, publicando as considerações que se seguem, preleccionar tauromachia. O que digo é o que todos sabem e apenas faço alguns reparos que julguei necessarios, para servirem de base a um regulamento que despertenciosamente apresento. Se os mais competentes entenderem, que póde ser adoptado, que o patrocinem com a sua auctorisada opinião e apresentem á censura dos poderes superiores.
Não reclamo a restauração das pegas, que entenderam alcunhar de attentatorias contra a moderna civilisação.
Não discuto...
Produzindo este trabalho, cedo unicamente ao pedido d'um amigo; confessando, porém, que a falta das pegas nas corridas de touros se torna se torna muito sensivel, e muito especialmente nas touradas executadas por curiosos, em que geralmente appareciam valentes e audaciosos rapazes, que pela sua bravura e coragem se tornavam dignos das acclamações do publico, que sempre os applaudia com verdadeiro enthusiasmo.
Serão barbaras para muitos as corridas de touros, mas outros ha cujo espirito se levanta ao presencear essas pugnas, em que certamente ha o que quer que seja de grande, nobre e admiravel. E mais heroicas foram de certo,do que a nossa, as gerações que as acceitaram e desenvolveram."
(Preâmbulo, Ao leitor)
Índice
:
- [Dedicatória] aos Artistas. - Ao leitor. - Primeira Parte: [História das touradas]; Touros puros e touros picados. - Parte Segunda: O que eram d'antes as touradas na praça do campo de Sant'Anna. - Parte Terceira: As pegas; - Regulamento [das pegas].
Exemplar desencadernado em bom estado geral de conservação. Folha de rosto apresenta falhas de papel marginais. Assinatura de posse de Zé Boieiro na f. rosto. Deve ser encadernado.
Raro.
Peça de colecção.
45€

11 julho, 2023

ARANTES, Tito -
O RISCO DA PROFISSÃO E A PROFISSÃO DO RISCO. (A colhida dum moço de forcado não constitue acidente de trabalho).
Alegações da recorrida Sociedade do Campo Pequeno, Ltd.ª Contra Estevão Carraça. Pelo Advogado... Supremo Tribunal Administrativo. [S.l.], [s.n. - Soc. Nac. de Tip. - Lisboa], [1942]. In-4.º (24x18 cm) de 23, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa peça jurídica relacionada com a colhida de um forcado de Alcochete - "marítimo" de profissão -, em 6 de Abril de 1941, na Praça do Campo Pequeno.
Tiragem: 500 exemplares.
"As breves alegações que se seguem não têm qualquer valor que justifique a sua impressão, visto o trabalho do advogado ter equivalido ao de arrombar uma porta aberta.
O que determinou, pois, a distribüição do presente folheto foi exclusivamente o desejo de pôr em foco um processo onde se ousou formular, pela primeira vez em Portugal, um pedido que, a triunfar, poria em grave risco, não só os interêsses de todos aqueles que aparenta defender, mas o próprio desenvolvimento da Causa Desportiva Portuguesa."
(Preâmbulo)
"Numa corrida de touros na Praça do Campo Pequeno, foi colhido o forcado Carraça, ora Recorrente.
Pretendem os Hospitais Civis de Lisboa (porque ao sinistrado, honra lhe seja, nunca ocorreu semelhante fantasia) que êste acidente envolve a responsabilidade da Empreza exploradora da Praça, como se se tratassem dum vulgar acidente de trabalho."
(Excerto de Alegações da Recorrida...)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse jurídico e tauromáquico.
25€

26 maio, 2023

SILVA, A. Bustorff - JOÃO NÚNCIO. (Discurso proferido na cerimónia comemorativa dos 40 anos de alternativa do homenageado, levada e efeito no Salão do Cinema de Alcácer do Sal, em 26 de Maio de 1963). PREÇO: Integralmente a favor do Fundo para as Casas dos Pobres da mesma vila. [S.l.], [s.n. - imp. S. G. C.], [1963]. In-8.º (22 cm) de 49, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Homenagem a João Branco Núncio, cavaleiro de Alcácer, e figura maior do toureio equestre nacional.
"A cerimónia de que estamos participando tem um sabor particular: - é uma festa alegre que visa a comemorar os sucessos e augurar longa vida, prenhe de novos triunfos, a Alguém que é a pedra de toque do toureio equestre nacional. [...]
Do norte ao sul do País, das fronteiras da Espanha às praias do Oceano quiseram vir até esta sala muitos dos que devem a João Núncio momentos de inefável exultação e entusiasmo, arrancados à sensaboria habitual das corridas de toiros à portuguesa."
(Excerto da 1.ª parte do discurso)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
20€

24 maio, 2023

BARRETO, Mascarenhas - CORRIDA : Breve História da Tauromaquia em Portugal.
[Carta introdutória, por Henrique Barrilaro Ruas]
. [S.l.], [Edição do Autor], 1970. In-8.º (18 cm) de 216, [4] p. , [62] p. il. ; B.

1.ª edição.
História da tauromaquia nacional.
Livro ilustrado com fotografias a p.b. sobre a "Festa Brava" e os seus protagonistas.
"A Toirada, em Portugal, era um treino para a guerra, com vista a desenvolver e comprovar a destreza e a coragem dos que teriam de combater o inimigo.
Tendo sido proibidos os torneios e os duelos, em virtude de neles perecerem numerosos guerreiros, em querelas brigadas, com prejuízo das fileiras militares a que competia defender o Reino, passaram os soberanos e os fidalgos a combater toiros, como preparação para as batalhas. Contudo, nas suas justas com a «fera», sempre os cavaleiros tauromáquicos respeitaram regras tradicionais de combate. Ainda nos nossos dias se respeitam esses preceitos de luta.
A prática da Toirada e outros jogos com toiros, em território hoje português, perde-se na imensidão dos Tempos. Desde as caçadas  rituais neolíticas e o combate à fera, com cães, com dardos de arremesso, com lança, com rojão, com espada, até à actual toirada com «ferros» compridos e curtos, a luta entre o homem e o toiro perpetuou-se nesta faixa de litoral atlântico peninsular, entre os Rios Minho e Guadiana, que é Portugal, na Europa.
No Ultramar Português só há toiradas ocasionais, de 2 ou 3 dias consecutivos, realizadas com toiros e toireiros idos de Lisboa, em regime de «tournée», em virtude de aqueles climas não permitirem a criação do toiro de lide, sem perda das qualidades essenciais de bravura e de força."
(Excerto do Cap. I - Origens Históricas)
Índice:  Carta introdutória, por Henrique Barrilaro Ruas. | I - Origens Históricas: 1. Lusitanos e Suevos; 2. Árabes, Almorávidas e Almóadas; 3. Portugueses das Dinastias Afonsinas e de Aviz; 4. Os Ciganos; 5. Portugueses da Dinastia de Bragança. II - O Toiro: 1. A Ferra; 2. A Tenta; 3. Toiros célebres. III - O Cavalo: O cavalo lusitano na guerra; 2. O cavalo de toirada; 3. A Feira de S. Martinho na Golegã. IV - O Homem e a Toirada: 1. Cavaleiros; 2. Forcados; 3 . Peões de Brega, Bandarilheiros, Novilheiros e Matadores; 4. O «Inteligente» e os Críticos; 5. O Embolador e os Campinos; 6. O Toiro de São Marcos; 7. A Espera e a Largada; 8. Marialvismo e Bastardismo.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

14 dezembro, 2022

MARQUES, Gentil - MONTIJO EM FESTA.
Guia Turístico das Festas de S. Pedro, no Montijo. Realização de... Com o patrocínio da Câmara Municipal do Montijo e da Comissão de Festas
. [S.l.], Edição do Jornal Festa, 1959. In-4.º (23 cm) de [36] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Programa das festas do Montijo referente ao ano de 1959.
Livro muito ilustrado, maioritariamente, com anúncios de empresas da cidade (vila, na época). Contém lista de "algumas efemérides" do concelho, assim como "curiosidades" e locais relevantes a visitar na vila. Inclui ainda o programa "3 Grandes Tardes de Touros no Monumental do Montijo".
"Amarelo e Verde são as cores do Montijo. Cores simbolistas, na sua essência. Por isso mesmo, as aproveito e emprego nesta saudação de boa vontade que desejo dirigir aos obreiros das Festas Populares de São Pedro. E bem populares, na verdade. Nasceram há séculos, por iniciativa dos pescadores. Pescador é povo. E hoje continuam a ser, e muito bem, festas do povo. Do povo do Montijo para o povo de Portugal."
(Excerto de Saudação em Amarelo e Verde)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

10 setembro, 2022

SILVA, Luciano - A MORTE DOS TOUROS :  A MORTE DAS TOURADAS.
Compilação de interessantes artigos de ilustres escritores e jornalistas. Por... Questão Moral Oportuna Nacional
. Lisboa, Agencia do Livro e do Jornal, [1927?]. In-4.º (25x16 cm) de 16 p. (inc.capas) ; B.
1.ª edição.
Folheto de propaganda anti-Festa Brava, composto por crónicas e artigos de personalidades de vários quadrantes a vida pública nacional.
"A leitura do oportuno manifesto da Sociedade Protectora dos Animais, com toda a proficiencia elaborado pelo seu activo e respeitavel vice-presidente e nosso particular amigo sr. dr. Julio Eduardo dos Santos, sinceramente empenhado, como nós, na extinção da vergonha nacional que é a tourada, sugeriu-nos a selecção de alguns recentes artigos mais expressivos ao nosso «dossier» anti-taurista cuja reprodução deu a presente brochura. [...]
Este folheto, com o duplo fim de propaganda e receita, é o arauto que toca a reunir. Maior venda equivalerá a um aumento de munições.  Combateremos o inimigo com a mesma arme de que se orgulha ter-nos vencido, quando na realidade a nossa aparente derrota constitui a base de uma mais proxima vitoria. O dinheiro, força malefica nas suas mãos, tenha uma feição construtiva nas nossas. Fará obra meritoria quem o adquirir e propagar.
Sob palavra de honra garantimos positivamente que vamos acabar com as corridas de touros e se alguns de nós forem vitimas da sorte da morte em que os «matadores» são «maestros», muitos mais ficarão persistentes na lide até decisivo sucesso final.
E então, os bois irão para as campinas e os toureiros e aficionados que se ponham a cavar... batatas, mister bem mais digno e util que poderão empregar toda a sua «coragem» a não ser que a opinião publica, considerando-os réus de malvadez, desrespeitadores da lei, selvagens em cujas florestas possa mostrar como são «valentes» defrontando-se desarmados, com o rei dos animais ou, na «alternativa» enviados para a secção de «féras» do Jardim Zoológico ou ainda, que em espectaculo de beneficiencia sejam corridos, sofrendo o «castigo» das varas, ao rojão, das farpas e arranque da mesmas e, sendo martirizados com varios «pinchazos» até cairem... em si!"
(Excerto de Abaixo as touradas!)
Artigos:
Abaixo as touradas!, por L. S. | As touradas : diálogo entre mãe e filha, por Adelaide Cabette (Médica). | As touradas têm de acabar. Para os feridos da Guerra! (A filosofia de Marino, [o touro]), por Martins do Rego (Jornalista). | A morte do touro, por Ferreira de Castro (Escritor). | O prazer da morte, por Dr. Mayer Garção (Escritor e jornalista). | Touradas - Escola de imoralidade e crime. O proletariado defendendo sãos principios, por Carvalhão Duarte (Professor primário). | Optimistas, mesmo assim!, por José A. Fernandes (Redactor do Portugal Evangelico). | Touradas e imprensa, por Luís Leitão. | Apêlo da Liga Nacional contra as Touradas - Às pessoas de bem, por A Comissão Organizadora. | [Apelo] Aos individuos cultos; Á agremiações de qualquer género; Aos jornais do país.
Exemplar brochado, por aparar, em bom estado geral de conservação, com excepção da margem superior que apresenta cortes e pequenas falhas de papel. Deve ser aparado e encadernado.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível

17 julho, 2022

ASCENSÃO, António Cabral de - GANADERO DE SEGUNDA. Lisboa, ERL, 1993. In-4.º (24 cm) de 227, [1] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Monografia sobre a ganadaria Cabral Ascensão, desde a sua fundação até ao presente. Num trajecto algo errático, pejado de dificuldades, o autor, profundo conhecedor do fenómeno taurino, dá
-nos a conhecer o percurso histórico da sua ganadaria.
Livro muitíssimo ilustrado ao longo do texto, a p.b. e a cores.
"Quando, há rigorosamente vinte anos, me aventurei a publicar «Cartas Taurinas», nada faria prever e ninguém - a começar por mim próprio - se atreveria, em boa verdade, a vaticinar, que viesse a ser eu, alguma vez, o responsável mais directo pela ganadaria fundada, em 1947, por António Cabral de Ascensão. [...] Hoje, porém, a poucos meses de se encetar a quinta época em que tenho a meu cargo a administração da ganadaria, quase dez anos volvidos sobre o seu fundador e cumpridas duas décadas desde a data daquela primeira publicação, senti-me - ao pretender assumir, em pleno, responsabilidades que antes me não cabiam - no dever de produzir algo mais elaborado e concludente. Assim surgiu a ideia de dar à estampa este volume.
Imaginei-o, desde logo, como constituído por um primeiro capítulo em que me proporia abordar toda a problemática da bravura do touro de lide: buscando-lhe uma definição; delimitando-lhe os atributos; inventariando-lhe as manifestações; explicitando uma metodologia que julgo válida para a sua selecção na prática ganadera. Destinaria a segunda parte do livro à análise, tão exaustiva quanto me parecesse indispensável, do novo Regulamento tauromáquico português - tecendo-lhe, à luz dos meus atávicos conceitos, as críticas que julgasse mais pertinentes. Pareceu-me legítimo, a seguir, que o terceiro capítulo fosse inteiramente preenchido por alguns textos anteriormente publicados. [...] A quarta parte do livro, por fim, era lógico que fosse dedicada, na íntegra, à elaboração do historial, necessariamente verdadeiro, mas obrigatória e compreensivelmente subjectivo, da ganadaria «Cabral Ascensão», desde os românticos primórdios que conheceu, até a crueza da sua realidade actual."
(Excerto da Introdução)

Matérias: Introdução. | A Bravura do Touro de Lide (Conceito e Selecção). | O Espectáculo Tauromáquico em Portugal (Análise à Luz do Novo Regulamento). | Escritos Ressuscitados: As Vítimas da Festa; Perfil do Tauroescriba Lusitano; Lamento de Forcado; Llanto por Chirivía. | Anamnese Taurina (Histórias Actual e Pregressa).
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar
.
Com interesse histórico e tauromáquico.
25€

03 dezembro, 2021

FRAGOSO, Braancamp de Barahona - O
PRIMEIRO AMÔR (romance)
. Lisboa, Edição do Autor, 1929. In-8.º (19 cm) de [4], 165, [1] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Romance de costumes taurinos.
Ilustrado no texto com bonitos desenhos de Álvaro Duarte de Almeida. Inclui no final do livro três partituras, respectivamente, de um fado, uma canção e um toque de cornetins.
"Este curioso livro de José Manuel Barahona, é um verdadeiro auto de noticia de costumes d'aquelle sport tauromachico que tendo florescido n'uma epocha da vida gentilhomenesca de Portugal, quasi desaparecido vae.
E esta vivida representação de taes costumes tornam este livro, aliás feito com uma sinceridade quasi ingenua, mas pleno de gout de terroir, digno de ser lido; e, mais ainda que lido, de ser conservado ad perpetuam rei memoriam, para consulta e uso dos que no futuro venham a dar-se a escrever amena historia de sociedades que foram elegantes e sportivas."
(Excerto do prefácio)
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
25€

27 junho, 2021

MATHIAS, Jorge - PORTUGAL E OS SEUS CAVALOS. Texto de... Fotografias: Carlos Gil e Jorge Barros. Design gráfico: José Cândido. Lisboa, Edições António Ramos, 1980. In-4.º (29cm) de 112, [2] p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história equestre em Portugal: as raças cavalares nacionais; as principais feiras temáticas; a apresentação dos equídeos em competição e alta escola; em contexto tauromáquico, etc. Especial menção para o capítulo dedicado às corridas às lebres.
Livro impresso em papel de superior qualidade, profusamente ilustrado a p.b. e a cores.
Apreciado e muito procurado.
Índice:
História da Equitação em Portugal. | Os Cavalos Portugueses: O Cavalo Lusitano; O Cavalo do Sorraia; O Cavalo Alter; O Garrano; O Cavalo de Toureio. | A Estação Zootécnica Nacional e o Centro Nacional de Produção Cavalar. | Feiras de Portugal: A Feira da Golegã; Feira do Ribatejo; A Feira de Vila Franca de Xira. | A "Escola de Mafra". | Diversas Escolas de Equitação. | Museu Nacional dos Coches. | As Corridas às Lebres. | À Guisa de Epílogo. | Alguns livros de equitação escritos por portugueses do século XIV ao XIX.
Encadernação cartonada do editor com sobrecapa policromada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
25€

20 março, 2021

SALVATERRA, Rui de - ANTÓNIO LUÍS LOPES. (O cavaleiro ribatejano). Sua vida. Sua carreira artistica
. Lisboa, [Edição do Autor]. Composto e impresso na Tipografia Beleza, [1930]. In-8.º (17,5 cm) de 103, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Biografia do cavaleiro ribatejano Luís António Lopes, figura de proa do toureio equestre nacional nas décadas 20/30 do século passado.
Na época, o homenageado dividiu os êxitos e as praças com outras grandes figuras da lide a cavalo, entre outros - e especialmente -, João Branco Núncio, de quem foi padrinho de alternativa.
L
ivro muito ilustrado ao longo do texto com fotogravuras a p.b. e um retrato do biografado, no início, em página inteira.
"António Luís Lopes, o cavaleiro ribatejano de que nos vamos ocupar, tem timbrado sempre em manter uma personalidade propria, um modêlo sui-generis, sem cópias reles e degradantes, individualisando-se, usando um processo seu, superior, inconfundivel.
É incontestavelmente o cavaleiro tauromaquico português que melhor e mais sabiamente soubre interpretar a maravilhosa arte do Marquês de Marialva, arte portuguesissima, cheia de valentia e de nobreza, quando posta em prática com o rigor clássico de que nos falam os velhos livros de cavalaria."
(Excerto da introdução - Razões do livro)
António Luiz Lopes (Alhandra, 1893 - Coruche, 1972). "Foi um cavaleiro tauromáquico português. Cursou a Escola de Regentes Agrícolas de Santarém e recebeu a alternativa de cavaleiro tauromáquico na Praça de Touros do Campo Pequeno, a 3 de maio de 1923. Cavaleiro bem sucedido, obteve muitos êxitos nas praças portuguesas, atuando também em Espanha e no Méxic
o. Participou nos filmes A Severa, de José Leitão de Barros, na popular figura do Conde de Marialva, e no filme mudo Tragédia rústica, de Alves da Cunha, ambos rodados no ano de 1931. Em 1932 foi produtor de Campinos do Ribatejo, rodado no Ribatejo, sagrando a lezíria e a figura do campino, e na praça de touros de Algés, com interiores na Sociedade de Belas-Artes. Esteve estabelecido no Brasil, dedicando-se a treinar jovens para a equitação. Foi padrinho de alternativa do seu filho, o também cavaleiro tauromáquico Alberto Luiz Lopes. Foi irmão de outro cavaleiro profissional, Mário Luiz Lopes, com alternativa tirada a 20 de maio de 1927."
(Fonte: wikipédia)
Matérias: [Dedicatória]. | Razões do livro. | António Luís Lopes - Breve esboço psicológico sôbre a sua personalidade. | Alguns subsídios para a biografia do grande cavaleiro ribatejano - A sua infância - A sua «aficcion» - Coimbra... - A sua estreia como cavaleiro - Touros em pontas! - Os grandes exitos de António Luís Lopes em Portugal e Espanha. | António Luís Lopes, primeiro toureio português contratado para tourear na América - Seus triunfos formidáveis na República Mexicana - O que disseram os críticos - ... «el Caballero Lopes es muy certero con los rejones de muerte» - ... «el portugués ejecuta las suertes con precisión, y hace la reunión con el toro clásicamente». | Ouvindo António Luís opes - Sensacionalissimas declarações do notável cavaleiro - O que é o toureio de verdade - Lopes e João Nuncio - Boas e má tarde - Lopes ante o problema cine-teatral - O que êle pensa das mulheres - Suas predilecções pelos desportos - Homenagem a Vitorino Frois - A imprensa - Bandarilhas a duas mãos - Paisagem ou «pamplina»? - «Há que tourear de verdade e não iludir o público... | Algumas opiniões da imprensa, criticos e aficionados em geral sôbre António Luís Lopes - A conversão do critico José Vicente. |
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas envelhecidas,  frágeis e manchadas, com defeitos e pequenas falhas de papel nos cantos. Miolo correcto.
Raro.
Indisponível

13 junho, 2019

SANT'ANA, Henrique de - A RAÇA BRAVA E O SEU APROVEITAMENTO. Tese de... Escola Superior de Medicina Veterinaria. [S.l.], [s.n. - imp. na Tip. Henrique Torres, Lisboa], 1919. In-8.º (22cm) de 38, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Tese de final de curso sobre o touro bravo ribatejano, também conhecido por "boi da terra", cujas áreas de criação se estendiam, sobretudo pelo Ribatejo - de Vila Franca de Xira à Golegâ e da Chamusca a Alcochete -, e em menor número pelo Alentejo.
...........................................
"Existe no nosso paiz, como de todos é sabido, uma raça de bovinos, a raça brava ribatejana ou boi da terra.
Por esta ultima designação sómente é conhecida no Ribatejo mórmente nos concelhos de Coruche e Benavente.
Se a sua existencia é por demais conhecida, as suas aptidões são, pela maioria do nosso povo, ignoradas e por muitos depreciadas. Esta depreciação é filha da ignorancia que há nas demais regiões do paiz do quanto ela é util.
Muitas vezes ainda resulta de opiniões tacitamente concebidas. Não presta por que é bravo e porque é bravo não pode prestar.
Eis a maxima.
Outros, ainda, fulminam a sua existencia sentenciosamente: Deve desaparecer, porque duas coisas há improprias do seculo XX, a construção de uma egreja e a organisação de uma corrida de touros.
Para estes, os touros bravos servem tam sómente para touradas.
A despeito de tudo, estas e aquelas estão ainda de pé."
(Excerto da introdução)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Assinatura de posse na capa frontal e na f. rosto.
Raro e muito curioso.
Peça de colecção.
35€

21 janeiro, 2019

TEIXEIRA, Fernando - O TOURO E O DESTINO : morte e ressurreição a las cinco en punto de la tarde. Prólogo de Luis Badosa. Lisboa, Instituto de Sociologia e Etnologia das Religiões : Universidade Nova de Lisboa, 1994. In-4.º (23cm) de 178, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante trabalho sobre o Touro e a Festa Brava que resulta da tese de Mestrado do autor em Sociologia Aprofundada e Realidade Portuguesa.
Ilustrado com fotografias e bonitos desenhos e pinturas a p.b. e a cores ao longo do texto e em página inteira.
"A corrida de touros - corrida porque como o nome indica o touro corria ao longo das ruas da povoação - realizava-se na Idade Média sob os mais variados pretextos. Boda ou falecimento davam origem a corridas de boda e a corridas de nojo. A chegada de um qualquer personagem importante, a festividade de um santo, muitos outros acontecimentos serviam sempre de motivo para celebrar o festejo. Particularmente nos dias e noites solsticiais o velho touro de Mitra percorria as calles assolado por uma multidão que sempre se mantinha a distância prudente e adequada. As diabruras que se faziam ao touro-demónio consistiam essencialmente no arremesso de pequenas setas que excitavam o animal e imprimiam maior agitação o jogo."
(Excerto de Os Touros e a Festa do Povo)
Índice:
Toque de clarim. Cortezias. Brinde. Prólogo. I - Generalidades sobre as Origens e o Potencial Simbólico do Touro Bravo: Origens e Simbolismo. II - O Cultos do Touro: Aquele que Criou a Vida. III - Mithra: A Crónica de um Deus Vencido. IV - A Corrida e o Poder: A Violência e o seu Monopólio. V - Dos Ritos e do Erotismo: Eros e Thanatos. VI - O Módulo Rural-Etnológico: Os Touros e a Festa do Povo. VII - A Corrida do Forcão: A Capeia Arraiana. VIII - Moldura da Festa Brava: A Industrialização de um Velho Deus. À Saída da Festa. Anexos. Bibliografia.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico e etnográfico.
25€