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26 dezembro, 2025

SILVA, Germesindo -
OS GRANDOLENSES PERANTE A PESTE GRANDE DE 1569
. [S.l.], [s.n. - Composto e impresso nas oficinas gráficas de Ramos, Afonso & Moita, Lda. - Lisboa], 1989. In-8.º (19,5x13 cm) de 893, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante trabalho histórico com interesse regional.
Ilustrado com duas plantas no texto, e em página inteira, com a reprodução da 1.ª edição da obra Recopilacam das Covsas Que Conuem guardar Se no Modo de PreSeruar a cidade de Lixboa [...].
"Constata-se, com base nos documentos que chegaram até nós, que as primeiras notícias sobre a peste teriam chegado à vila de Grândola alguns meses antes da eclosão da Grande Peste em Lisboa. Teriam origem em informação resultante de foco esporádico aparecido em território nacional? Não parece, poi de acordo com Pedro Roiz Soares, cronista dessa época, «[...] avia 39 annos que a Portugal não viera este mal [...]», afirmação esta que é corroborada por Barbosa Machado quando nos diz que «[...] PaSSava de quarenta annos, que a Metropole deSte Reyno gozava de huma continuada corrente de tempos benignos, e Salutíferos [...]». O mais provável é que estas notícias fossem um eco distante de uma peste que grassou por esse tempo na Andaluzia e, designadamente, na cidade de Sevilha. Fosse como fosse, a verdade é que em 12 de Junho de 1568 «[...] Pella muyta nesesidade que esta villa [Grândola] tinha de se guardar das pessoas suspeitozas que podiam vir de de teRas Impididas de ares maos [...]», foi decidido em reunião efectuada nos paços do concelho:
- Colocar bandeiras brancas nas três principais entradas da vila;
- Nomear para guarda da saúde o sapateiro António Gonçalves para que, pelo pagamento de 20 reais diários a custear pelo concelho, verificasse se os caminheiros que desejavam entrar na vila estavam devidamente documentados sobre as terras de onde vinham;
- Facultar ou recusar a entrada aos caminheiros em função das terras de onde viessem (em caso de recusa de entrada na vila apenas lhes concederiam mantimentos)."
(Excerto de O Primeiro Rebate (1568))
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
20€

10 março, 2024

FERREIRA, Dr. Ardisson -
OS QUATRO GRANDES FLAGELLOS DO SECULO XX.
Tuberculose, Avarigenese, Alcoolismo, Mortalidade infantil. 1.º Milhar. Lisboa, Proprietario e editor - O auctor, 1908. In-4.º (23,5x16,5 cm) de22, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Conferência proferida na Sociedade de Geografia de Lisboa, organizada com o intuito de chamar a atenção para os comportamentos individuais desviantes, responsáveis por doenças causadoras de morte.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória manuscrita do autor "Ao velho amigo e colega" Manuel Rosado Fernandes Gião.
"Antes de entrar na descripção dos quatro grandes flagellos que, de dia para dia, mais estão abastardando a nossa raça, ameaçando destruil-a, devo dizer que não me atreveria a vir occupar este logar, se não visse que é necessario, que é indispensavel, pôr-vos de sobreaviso, elucidar-vos e - dirijo-me principalmente ás senhoras que me escutam - recrutar soldados leaes, obedientes e conhecedores do seu papel.
Com effeito, a alliança offensiva constituida pela reunião das diversas causas a que eu chamo avariantes, é tanto mais temivel, quanto é certo que bastava um só dos seus elementos para produzir a degeneração e o aniquilamento da especie humana.
Assim, se observarmos o quadro obituario, quer dizer, o quadro da motalidade, relatico ao triennio de 1902 a 1904, vemos que, em Portugal, em 1902, só a «gastro-enterite» ou diarrhéa e a «tuberculose pulmonar» mataram 18.252 individuos, ao passo que a febre tiphoide, a variola, o sarampo, a escarlatina, a diphteria, a coqueluche (ou tosse convulsa), a meningite, o cancro, a grippe e a pneumonia, todas juntas, produziram 12.103 victimas!
(Excerto do preâmbulo)
Augusto Ardisson Ferreira (Lisboa, 1873-1932). "Foi um médico e cirurgião que se dedicou também à escrita, sendo ainda uma artista plástico curioso. Foi um divulgador da cultura física, tendo traduzido as obras de J. P. Müller para português. Mais tarde, causou polémica ao criticar Müller, que considerou um plagiador. Escreveu diversos livros de grande sucesso e colaborou em revistas como O Vegetariano e Vida e Saúde, e participou em vários congressos em Portugal e no estrangeiro. Encontra-se colaboração da sua autoria na revista Tiro e Sport (1904-1913)."
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Capa e duas primeiras folhas apresentam falha de papel no canto inferior direito, sem contudo afectar a leitura.
Raro.
Indisponível

24 abril, 2022

ALGUNS APHORISMOS POPULARES PARA A DEFEZA CONTRA A TUBERCULOSE.
1.ª edição
. Lisboa, Assistencia Nacional aos Tuberculosos, 1900. In-8.º (15,5 cm) de 19, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Capa (belíssima) de P. Marinho.
Curioso livrinho de propaganda popular anti-tuberculose - composto por pequenas rimas - numa época de grande incidência da doença entre nós. Este opúsculo faz parte de uma série de acções preventivas desenvolvidas pela ANT, Associação criada sob os auspícios da Rainha D. Amélia, para obstar ao avanço da moléstia.

Algumas rimas "pedagógicas":

"A saude é, com certeza,
do mundo, a maior riqueza"

"Quem o seu mal não descura
adianta meia cura."

"Muita gente se mata por não ter
da hygiene o culto e o prazer."

"Léva o mau tratamento á sepultura,
ainda que a molestia tenha cura."

"Fugirás de curandeiros
e de remedios caseiros."

"Em tenra idade, ou velho, não te cazes,
que filhos não consegues ter capazes."

"O beijo mais innocente
póde ao são, tornar doente."

"Para casa os microbios são trazidos
pelas damas, nas caudas dos vestidos."

"Cazar-se o tuberculoso,
é tornar-se criminoso."

"Cuspir no chão
é má acção."

"Com ar puro, luz, limpeza,
com descanço e bom comer,
pode quasi haver certeza
do tuberculo vencer."

Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
15€

17 agosto, 2021

CHOMET, H. - GUIA THEORICA E PRATICA DAS MOLESTIAS VENEREAS.
Por...
Rio de Janeiro, Typographia Universal de Laemmert, 1857. In-8.º (17,5 cm) de 232 p. ; E.
1.ª edição.
Importante tratado oitocentista sobre a Sífilis, publicado pelo Dr. Chomet, reputado médico francês radicado no Rio de Janeiro.
"Logo depois de sua apparição no mundo a molestia de que se trata neste livro, recebeu não poucas denominações. Os povos que a julgárão importada de França, a chamárão Mal-Francez, Gallico. Aquelles que a considerárão como vinda de Napoles, lhe derão o nome Mal-Napolitano; e os Turcos, os Allemães, os Polacos, os Russos, alternativamente accusados e accusadores a chamárão por diversos modos.
O nome mais geralmente admittido foi o de Molestia Venerea. Esta denominação, por mais jjusta que seja, indica perfeitamente o acto venereo que lhe dá commummente a sua origem.
A palavra Syphilis é mais recente; e a palavra franceza Vérole não é mais que uma denominação justificada por alguns symptomas da molestia. [...]
A mesma sombra que envolve a origem de muitas molestias contagiosas, envolve tambem a origem desta. A opinião de não poucos autores é que esta molestia existe desde a mais remota antiguidade. [...]
Na época de que tratamos, parece incontestavel que a molestia hoje chamada venerea não appareceu com os symptomas identicos ao que ella apresenta agora. E isso não é de admirar, porque nessa época, a civilisação estava pouco adiantada, os costumes, os usos, a falta de asseio, as doenças da pelle havião de ter uma grande influencia sobre o curso e o resultado desta molestia."
(Excerto de Considerações geraes sobre a Syphilis)
Joseph Antoine Hector Chomet (1808-187?). Médico, insurgente, escritor e cantor amador. Nasceu em 17 de Março de 1808 em Moulins, (Allier), França. Completou os seus estudos em Paris, defendendo uma tese sobre rinoplastia (1832). Nos anos seguintes publicou diversos tratados académicos. Após o golpe de 1851 que pôs fim à Primeira República Francesa, e que conduziu à restauração imperial em favor de Luís Napoleão (Napoleão III), sobrinho de Bonaparte, Chomet foi acusado de insurrecto e liderar sociedades secretas de inspiração socialista. Foi condenado ao desterro na Argélia. Pode, no entanto, escolher o exílio voluntário na Suíça; posteriormente esteve na Bélgica, e finalmente no Brasil, onde se estabeleceu no Rio de Janeiro. Aí continuou a exercer medicina e tornou-se membro da Academia Imperial de Medicina do Rio de Janeiro. Publicou diversos trabalhos em português, incluindo o presente. Mais tarde retornou a França, para a sua cidade natal. Em 1872, ainda morava em Moulins.
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado, com os rebordos das pastas desgastados.
Muito raro.
Sem registo na BNP de Lisboa.
50€

27 julho, 2021

DIAS, José Guilherme Baptista - PARASITAS E MOSQUITOS NA MALARIA.
Memoria apresentada por... Sub-Director do hospital militar permanente do Porto. Congresso Colonial Nacional
. Lisboa, A Liberal - Officina typographica, 1903. In-4.º (23,5 cm) de 29 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante subsídio coevo para o conhecimento e profilaxia da malária - doença infecciosa transmitida pelo mosquito - que atingiu proporções preocupantes, particularmente, nas colónias portuguesas de Angola e Moçambique, no final do século XIX - princípio do século XX.
"A producção exuberante d'industrias, empenhadas nas refertas d'uma competencia a todo o transe; o ancioso bescar de novas terras, onde se refugiem os sobejos de populações oppressas pelo numero, - eis o que se diz mover as nações cultas a cuidar da questão colonial com particular desvelo. [...]
Nos paizes quentes ha muitos inimigos apostados a contrariar a nossa actividade, uns proprios ao meio climaterico, outros pertencentes á flora pathologica. [...]
A malaria, portanto, é digna das attenções geraes que lhe dedicam ao seu estudo, emprehendido por medicos eminentes de quasi todos os paizes, prosperou n'estes ultimos annos em numerosos trabalhos do mais decidido valor. A etilogia conseguiu a preferencia nas publicações em voga, o que não causará surpreza a quem reflectir que a falta de conhecimento do factor morbigeno e do seu modo de acção não se compadece com uma prophylaxia racional e segura."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta discreta rubrica de posse.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
15€

05 maio, 2021

SANTOS, João dos - DO VALOR PREVENTIVO DO SÔRO ANTIDIPHTERICO. (Estudo clinico).
These inaugural por... Interno dos hospitaes. Julho de 1904
. Lisboa, Typographia de J. F. Pinheiro, 1904. In-4.º (25 cm) de 94, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante ensaio sobre vacinação. Trabalho pioneiro entre nós, concebido a propósito das medidas de combate à difteria,- flagelo mundial do final do século XIX/princípio do século XX, - através da produção e administração de vacinas para o efeito. Curioso pela actualidade do assunto, e pelas preocupações e métodos para a imunização - individual e de grupo - sugeridos.
Não foi possível apurar quaisquer referências a respeito deste ensaio clínico, nem sobre o seu autor, incluindo a Biblioteca Nacional, que não dispõe de qualquer exemplar registado na sua base de dados.
Livro ilustrado com um quadro estatístico que ocupa 2 páginas.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"A importancia que a sorotherapia preventiva da diphteria adquiriu n'estes ultimos annos, apoz numerosos trabalhos de laboratorio e grande serie de experiencias clinicas decisivas praticadas nos hospitaes, attingiu hoje o seu grau de perfeição, e, pode dizer-se, que é universalmente admittida como meio preservativo mais efficaz contra a diphteria. Esta interessante questão tem apaixonado consideravelmente os espiritos, pois que as communicações succedem-se nas sociedades e jornaes medicos e ainda ultimamente no congresso internacional de hygiene e demographia realisado em Bruxellas (1903) este assumpto foi tratado, chegando-se a um commum accordo.
Grande problema, porque a mortalidade das creanças atacadas d'esta terrivel doença, as quaes são a primeira preza da diphteria, era enorme e portanto muitos elementos de força e reproducção se perdiam em todos os paizes. [...] Os factos bem o attestam pela applicação do especifico ideal - o sôro - que já é do dominio publico. Só ha uma regra de conducta a seguir para impedir que a diphteria exerça por mais tempo os seus horrorosos desastres, para a considerarmos como uma doença sem gravidade, é a applicação systematica das injecções preventivas do sôro antidiphterico. É o que pretendemos justificar n'este modesto trabalho."
(Excerto da Introducção)
Matérias:
Introducção. | Esboço historico. | Considerações geraes. | Impossibilidade e difficuldade de obter uma prophylaxia efficaz de diphteria com os meios ordinarios sem a applicação preventiva das injecções. | Accidentes atribuidos ao sôro. | Inocuidade das injecções preventivas. | Dóses. | Injecções preventivas nos adultos. | Indicações geraes das injecções preventivas. Duração da immunidade. | Injecções preventivas nos hospitaes. | Injecções preventivas nas familias. | Injecções preventivas nas aglomerações humanas (escolas, creches, asylos, etc.). | Resumo das injecções preventivas em França. | Manual operatorio. | Tratamento local. | Conclusões. | Observações dos doentes considerados suspeitos e que receberam injecção preventiva de sôro antidiphterico: [Descrição de 45 casos]. | Injecções preventivas nas familias: [Descrição de 10 casos, que dizem respeito a quatro famílias detentoras de conhecidos apelidos portugueses]. | Proposições. | Jury. | Bibliographia.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito raro.
Com indubitável interesse histórico e clínico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
35€

10 maio, 2016

ENSAIO ÁCERCA DO QUE HA DE MAIS ESSENCIAL SOBRE A CHOLERA-MORBUS EPIDEMICA, REDIGIDO PELA COMMISÃO MEDICA DA ACADEMIA REAL DAS SCIENCIAS DE LISBOA. Lisboa : Na Typographia da mesma Real Academia. 1833. Com licença de Sua Magestade. In-8.º (22cm) de [2], 46, [6] p.
1.ª edição.
Cholera morbus, é expressão que designa a cólera propriamente dita, mas também outras doenças gastrointestinais epidémicas que se lhe assemelham.
Neste curioso trabalho, são descritas as causas, a sintomatologia, o diagnóstico, o tratamento e recuperação da cólera. Segundo Inocêncio (II, 228), os autores deste opúsculo terão sido os médicos Joaquim Xavier da Silva, Inácio António da Fonseca Benevides, Wenceslau Anselmo Soares, e Francisco Elias Rodrigues da Silveira.
"A causa especifica ou essencial da Cholera-morbus he até ao presente tão desconhecida, como tem sido ignorada a das outras epidemias; e se por ventura bem a conhecessemos, teriamos a vantagem de podermos formar hum plano mais racionavel sobre os seus meios preservativos e therapeuticos: e qual não seria então o triunfo da humanidade, quando apparecesse para a Cholera-morbus outro Jenner como para as bexigas?
Differentes hypotheses se tem formado a este respeito, mas todas ellas não passão de meras conjecturas. Huns tem pretendido achar a sua causa em certa quantidade de cobre, reduzido a moleculas tenuissimas dos aerolithes, lançadas pelos ventos: outros tem querido provar, que o principio cholerico, existindo nas alturas da athmosfera, era acarretado pelas nuvens como em balões, e depositado em differentes pontos da superficie da Terra: outros a attribuem a hum predominio de electricidade negativa ou resinosa: alguns a derivão de insectos invisiveis, não menos fataes que os gafanhotos do Egypto; opinião esta ja lembrada por Auctores antigos, como causa de outras epidemias: em fim muitos a fazer derivar unicamente das modificações da temperatura, da electricidade, da humidade, da decomposição da athmosfera, &c. Porém todas estas hypotheses nada mais são do que bons desejos de querer atinar com o que nunca sahirá da obscuridade das trevas da nossa ignorancia."
(Artigo I, Causa especifica ou essencial da Cholera-morbus)
Matérias:
I. Da causa epecifica ou essencial da Cholera-morbus. II. Das causas predisponentes ou occasionaes da Cholera-morbus. III. Hygiene. IV. Influencia epidemica. V. Da natureza da Cholera-morbus. VI. Descripção ou Diagnostico da Cholera-morbus: 1.º Periodo ou de Invasão; 2.º Periodo, ou de Collapso, algido, cyanose, de concentração, &c.; 3.º Periodo ou de reacção, de decocção, terminação, &c. Anomalia na successão e duração dos periodos. VII. Symptomas essenciaes ou caracteristicos. VIII. Symptomas anomalos. IX. Therapeutica de Cholera-morbus: No 1.º Periodo ou de Invasão; No 2.º Periodo ou de Collapso, algido, &c.; No 3.º Periodo ou de reacção. X. Tratamento especial dos Symptomas dominantes. XI. Prognosticos da Cholera-morbus. XII. Convalescença. XIII. Anatomia pathologica. Conclusão.
Exemplar desencadernado em bom estado de conservação, não obstante apresentar larga mancha de humidade transversal a toda a obra.
Raro.
30€