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06 março, 2026

MOITA, Irisalva -
PROJECTOS POMBALINOS PROVENIENTES DO ESPÓLIO DO 1.º DUQUE DE LAFÕES, D. PEDRO HENRIQUE DE BRAGANÇA
. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso nas Oficinas Gráficas de Ramos, Afonso &
 Moita, Lda. - Lisboa], 2000. In-4.º (26x18 cm) de 16 p. ; [16] p. il. ; B.
1.ª edição independente.
Importante subsídio com interesse para a história do Terramoto de 1755, e para a política de reconstrução da cidade de Lisboa arquitectada pelo Marquês de Pombal. Trabalho publicado em separata do «Boletim Cultural» da Assembleia Distrital de Lisboa, Série IV - N.º 94 - 1.º tomo - 2000/02.
Estudo muitíssimo interessante, não mencionado na BNP.
Totalmente impresso sobre papel couché, ilustrado com 16 fotografias distribuídas por 13 páginas extra-texto, reproduzindo plantas, projectos e estudos relacionados com a reconstrução de Lisboa.
"A ideia de não se ficar pela reconstrução da cidade antiga atingida pelo Terramoto, mas vir a controlar-se o crescimento da nova cidade que, entretanto, se expandia para norte e ocidente, por meio de verdadeiros planos directores, parece ter preocupado Pombal, ao ver-se confrontado com as primeiras medidas a tomar para conter os efeitos anarquizantes que um fenómenos destas proporções podia provocar. [...]
A intenção de dotar Lisboa com um plano que condicionasse o seu crescimento já encontramos subjacente ao Edital de 30 de Dezembro de 1755, publicado pelo duque regedor das Justiças, cumprindo, naturalmente, ordens do rei, que o mesmo é dizer ordens de Pombal."
(Excerto de III - Planos pombalinos para a «urbanização dos bairros» periféricos de Lisboa)
Índice:
I - [Introdução] | I - Planos-propostas para a reconstrução da Baixa. II - Projectos destinados às construções a edificar na Baixa lisboeta referenciados na «Dissertação - Parte Terceira». III - Planos pombalinos para a «urbanização dos bairros» periféricos de Lisboa. | [Estampas].
Irisalva Moita (1924-2009). "Ilustre museóloga e olisipógrafa, foi durante mais de 20 anos directora dos Museus Municipais de Lisboa. Foi, por mérito próprio, umas das figuras mais relevantes da Olisipografia. Historiadora, arqueóloga e museóloga desenvolveu durante a segunda metade do séc. XX um vasto corpo de trabalho. Destacam-se as exposições, ainda hoje de referência, “O Culto de Sto. António, na região de Lisboa”, “Lisboa e o Marquês de Pombal” e “Lisboa Quinhentista. A imagem e a vida na cidade” e “Faianças de Rafael Bordalo Pinheiro”."
(Fonte: https://www.avidaportuguesa.com/pt/loja/irisalva-moita-um-percurso-fotobiografico-egeac)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
15€

30 novembro, 2025

BRITO, Ferreira de -
CANTIGAS DE ESCÁRNIO E MAL-DIZER DO MARQUÊS DE POMBAL OU A CRÓNICA RIMADA DA VIRADEIRA
. Porto, Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto, 1990. In-8.º (22,5x15,5 cm) de 492 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Capa de Luís Mendes.
Curioso estudo acerca das composições poéticas, pouco abonatórias à figura do Marquês de ombal, que a partir de dada altura promoveram o insulto e perseguição literária ao estadista.
Ilustrado no texto com reprodução de retratos, portadas de livros e documentos fac-similados.
"E que outros nomes chamaram ao Marquês de Pombal para denegrir a sua pessoa e tentar abater a obra gigantesca das suas reformas, utilizando a arma grosseira da poesia soez e anónima? E porque não deram tréguas ao grande Estadista, atirando-lhe ao rosto todas as suas fraquezas pessoais no momento em que, com a morte de D. José, seu patrono ou seu 'súbdito', em 1777, o Primeiro-Ministro entrou em queda vertiginosa do poder absoluto e tantas vezes discricionário, e se deu, com D. Pedro III e a beata e timorata D. Maria I, a reacção político-religiosa conhecida pelo nome de Viradeira? Os detractores do Marquês desfecharam contra ele centenas de composições, algumas originais, outras adaptadas, muitas delas com variantes pertinentes, dispersas por velhos códices da Biblioteca Nacional de Lisboa, da Biblioteca Pública Municipal do Porto e da Academia Real das Ciências. A organização dos mesmos, pelo tipo de selecção efectuada, mesmo quando introduz um pequeno corpus de poemas favoráveis ao Marquês de Pombal (o Marquês, por antonomásia), denuncia, à vista desarmada, que os copistas se inspiravam sensivelmente nas mesmas fontes e adoptavam a mesma estratégia de ataque a esse Carvalho que fora frondejante e à sombra do qual tentaram inutilmente medrar os poetas, alguns de grande nomeada, como Pedro António Correia Garção, o mais distinto membro da Arcádia Lusitana.. Agora, no ocaso político, o Marquês teve o castigo reservado a todos os ditadores da História. Depois de bajulado pelos poetas como nenhuma outra figura política portuguesa, este déspota esclarecido, sentiu que os vates, que o celebrizaram em 1775, naquela grande montagem da Estátua Equestre, que ele fizera ou mandara fazer, mais pela força do que pela convicção, na Praça do Comércio, tinham mudado de opinião no curto prazo de dois anos da lenta agonia política e fisiológica do Rei D. José. Os poetas há que reconhecê-lo, foram, nesta altura mais do que nunca, verdadeiros fingidores."
(Excerto I - História e poética)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico.
25€

03 maio, 2025

PEREIRA, Isaías da Rosa -
CONSIDERAÇÕES EM TORNO DA CARTA DE LEI DE D. JOSÉ I, DE 1773, RELATIVA À ABOLIÇÃO DAS DESIGNAÇÕES DE "CRISTÃO-VELHO" E "CRISTÃO-NOVO"
. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso nas Oficinas Gráficas da Rádio Renascença, Lda. - Lisboa], 1988. In-4.º (24x17 cm) de 75, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo histórico sobre a Inquisição e a proibição real das designações "cristão-velho" e "cristão-novo".
"Analisa a Carta de Lei que aboliu a distinção social entre "cristãos-novos" (descendentes de judeus e muçulmanos convertidos) e "cristãos-velhos". Esta Carta de Lei, assinada em 1773, tinha como objetivo eliminar a discriminação e estigma que pesavam sobre os descendentes de judeus e muçulmanos convertidos, reconhecendo-os como cidadãos de igualdade." (in Dicionário dos Antis: A Cultura Portuguesa em Negativo, Direcção de José Eduardo Franco, Imprensa Nacional, 2018)
"No dia 28 de Maio de 1773, D. José I promulgou uma Carta de Lei, Constituição Geral ou Édito Perpétuo, pela qual suprimia a distinção entre cristãos-novos e cristãos-velhos.
Nos considerandos que pretendem justificar a dita Lei apoia-se o rei absoluto, pela boca do seu ministro omnipotente, nas «consultas e pareceres da Mesa do Desembargo do Paço, do Conselho-Geral do Santo Ofício e da Mesa da Consciência e Ordens», bem como nos pareceres do Conselho de Estado e Gabinete.
Manda outrossim, anexar a esta Carta de Lei duas outras leis, uma de D. Manuel I, expedida no dia 1 de Março de 1507, e outra de D. João III, datada de 16 de Dezembro de 1524, nas quais, segundo diz textualmente o diploma real, se «proibiram a sediciosa e ímpia distinção de cristãos-novos e cristãos-velhos». Estas duas leis quinhentistas eram «de novo publicadas e impressas com esta (de 1773), para fazerem parte dela, como se nela fossem inteiramente incorporadas».
João Lúcio de Azevedo, o historiador que melhor penetrou nos segredos da Inquisição e a estudou sem paixão, refere-se a estes documentos e enquadra-os no processo legislativo da época de Pombal.
Pareceu-nos, apesar de tudo, que o assunto poderia ser retomado, que valia a pena juntar todos estes documentos que não são facilmente acessíveis e acrescentar outros, fazendo algumas considerações críticas, de ordem histórica e jurídica.
A supressão da distinção: cristão velho/cristão-novo, foi uma medida acertada. Ninguém o contestará. Mas os fundamentos invocados pelo Marquês de Pombal - porque foi ele quem preparou tudo e ditou pelo menos o essencial dos documentos - são totalmente fantasiosos, histórica e juridicamente errados. Pairava no ânimo de Pombal um ódio verdadeiramente mórbido contra os jesuítas. Todas as calamidades, todos os regimentos da Inquisição até aí publicados, a própria distinção entre cristãos-novos e cristãos-velhos, os Autos-da-Fé, os «horrores da Inquisição», eram maquinações inventadas pelos jesuítas. Estes até entregaram a Coroa portuguesa ao domínio estrangeiro no ano de 1580 («calamitosos tempos», lhe chama Pombal)."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | Considerandos da Carta de Lei | Decisões Régias | Crítica do documento | Facto que deu origem à Carta de Lei | Conclusão |  Documentos: - Carta de Lei de 1773; - Cópia da carta de D. Manuel I de 1507; - Cópia da carta de D. João III de 1524; - Conclusão da Mesa do Desembargo do Paço; - Assento do Conselho de Estado; - Consulta da Mesa da Consciência e Ordens; - Nota de Salvador S. Cotrim sobre o número de penitenciados desde 1536 a 1732; - Alvará de 1601 que proíbe chamar-se a alguém cristão-novo; - Filipe III, em 1633, manda cumprir as leis que proibiam aos «homens de nação» receber honras e exercer cargos públicos.
Isaías da Rosa Pereira (1919-1998). "Nasceu a 1 de Dezembro de 1919 na freguesia de Salão, concelho da Horta, ilha do Faial, nos Açores. Concluído o ensino primário na escola da sua freguesia, frequentou os estudos secundários sucessivamente no liceu da Horta e no de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.
Em Setembro de 1940 rumou ao Continente para dar entrada na escola de Sargentos Milicianos de Penafiel. A seguir continuou o serviço militar na Terceira nesse período de movimentação acrescida de tropas nos Açores devido às operações da II Guerra Mundial. Foi desmobilizado a 14 de Janeiro de 1946 depois de quase cinco anos e meio de quartel. Entretanto já tinha decidido consagrar-se ao ministério sacerdotal. Logo a 30 de Janeiro seguinte, contando 26 anos, matriculou-se no Seminário Maior dos Olivais, em Lisboa, onde as “vocações tardias” começavam a aparecer. Terminou o curso de Teologia em1950, com 16 valores, e a 29 de Junho desse ano foi ordenado presbítero na sé de Lisboa pelo Cardeal Patriarca D. Manuel Gonçalves Cerejeira.
Paralelamente à sua actividade no Patriarcado, o cónego Isaías da Rosa Pereira exer ceu a docência na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa desde 1973 a 1993.
O Prof. Isaías da Rosa Pereira deixou uma produção bibliográfica muito avultada: mais de 150 estudos de investigação, dos quais uma dezena de livros, e uma centena de artigos e opúsculos de divulgação. Frequentador assíduo e criterioso de arquivos e bibliotecas, pôs a descoberto vasta documentação inédita, indispensável para o melhor conhecimento do nosso passado medieval e moderno. O seu trabalho científico de pesquisa documental e análise histórica privilegiou três áreas: manuscritos canónicos tanto de carácter geral como próprios de autores e dioceses portuguesas na Idade Média; visitações dos arcebispos de Lisboa ou seus delegados às paróquias da diocese nos séculos XV-XVIII; e legislação e actividade do tribunal da Inquisição."
(Fonte: Lusitania Sacra, 2.ª série, 12 (2000) - Crónica: Prof. Isaías da Rosa Pereira (1919-1998), In Memoriam)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
20€

19 janeiro, 2025

FORJAZ, Augusto -
LIVRES DAS FÉRAS...
[Por]... Augusto Eugenio Duarte Pereira de Sampaio Forjaz Pimentel. Lisboa, Livraria Ferin, 1915. In-8.º (21x15,5 cm) de XII, 270, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Curiosíssimo conjunto de crónicas sobre Portugal e os portugueses, pessimistas na sua maioria, incluindo na primeira parte da obra a descrição de alguns dos episódios mais violentos da nossa história.
"Tem este livro duas partes distinctas, bem caracterizantes.
A primeira é chaga viva, supporando horrores. Pelo fôgo, pela córda, pelo ferro, chamei-lhe, abrangendo quadros temerósos.
São paginas repercutindo gritos de esquartejádos, bramidos de desespero, uivos de soffrimentos. São exhumações de despotismo, arrancando ao esquecimento 356 victimas. São fructos d'uma arvore que foi abatida, mas cujas sementes ainda ás vezes tentam germinar. [...]
Livro de rehabilitação, de Piedade, de Misericordia e de protesto, onde a Verdade surge a rosto nú, despida de ouropeis fictícios e de complacências sem motivo, assim fui procurá-lo na Historia, entenebrecida de pungitíva mágua, nauseáda por justificado ásco. Tristúra pèlos que que morreram; repulsão pèlos que matáram. Assim o apresento na scena contemporanea, como dóbre a finados abatidos por villanzêtes.
A segunda parte da óbra: Nos acasos da vida... é menos áspera. Tráta dos que morreram sem arrepios de tormentos physicos. Bastou-lhes a intriga maledicente."
(Excerto do Prologo)
Indice:
Prologo | Primeira Parte - Pelo fôgo, pela córda, pelo ferro: - O «Lisbôa». Carniceria no Porto. 1757. - Os «Tavoras». Barbarismo em Belem. 1759. - Malagrida. 1761. - A Trafaría. Entre labarédas. 1777. - Gomes Freire. 1817. - Moreira Freire. 1829. - Gravíto. Os assassinados do Porto. 1829. - Campo de Ourique. Fusilamentos. 1831. - Frei Simão. 1832. - O padre Farinha. 1838 - Remechído. 1838. Segunda Parte - Nos acasos da vida: Sotto Maior. - Niza. - Branca de Paiva. - Castello Melhor. - Chico Reis. - Sampaio. - Sant'Anna e Vasconcellos. - Barjona.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos cortes e falhas de papel marginais.
Raro.
Indisponível

16 outubro, 2024

GALLIS, J. Alfredo - SYNOPSE DOS HOMENS CELEBRES DE PORTUGAL DESDE A FUNDAÇÃO DA MONARCHIA.
Por...
Lisboa, Typographia de J. C. de d'Ascensão Almeida, 1883. In-8.º (16x10,5 cm) de 149, [1], VII, [1] p. ; [4] f. il. ; B.

1.ª edição.
Edição original daquela que terá sido a primeira obra do autor, publicada com apenas 23/24 anos. Trata-se de uma síntese histórica preenchida com os apontamentos biográficos das mais relevantes personalidades da História de Portugal - de Egas Moniz, o Aio (1080-1146) a D. Pedro de Souza Holstein (1781-1850). No final do livro os editores incluíram o Juizo da imprensa onde se encontram reproduzidas as opiniões sobre a obra veiculadas nos principais jornais da época.
A obra divide-se em quatros secções: - Armas; - Descobridores; - Poetas e eruditos; - Factos diversos.
Contém 4 gravuras abertas em metal hors-texte: D. Vasco da Gama; Pedro Alvares Cabral, Luiz de Camões; Marquez de Pombal. O retrato de Camões é da autoria de Pastor; os restantes não foi possível determinar.
"Antes de se lerem as modestas paginas d'esta simplicissima obra, é necessario avisar o leitor, que não deve phantasiar ideaes quanto á essencia do que aqui vae encontrar. Ao ser encarregado de fazer o livro em questão, observei que elle não poderia deixar de ser um modestissimo resumo, em que apenas a escolha dos biographados, e a verdade dos factos lhe dessem algum valor, visto não ser necessario uma vasta intelligencia para a conformação d'estas obras especiaes. No genero, conheço como completo e de grande valor o Diccionario bibliographico do fallecido bibliographo Innocencio da Silva.
É preciso notas que Innocencio escreveu a sua obra em sete grossos volumes, nos quaes cada biographia é uma synthese muito perfeita e completa.
Não pretendo, nem jamais pretendi, escrever um livro biographico de indiscutivel merecimento, mas sim collocal-o ao alcance de todas as bolsas e de todas as intelligencias.
A nossa historia em geral pouco sabida, contem vultos de enorme importancia em todos os ramos do saber humano, vultos que seria um incrivel desleixo, não ir pouco a pouco fazendo sahir da obscuridade em que jazem para os menos versados em leitura.
N'este intuito segui o systema de biographar resumidamente cada um dos homens mais notaveis de Portugal, certo de que os que lerem estas biographias sentirão o desejo de mais desenvolvidamente conhecerem o heroe do seu agrado."
(Excerto da introdução, Ao leitor)
Joaquim Alfredo Gallis (1859-1910). "Mais conhecido por Alfredo Gallis, foi um jornalista e romancista muito afamado nos anos finais do século XIX, que exerceu o cargo de escrivão da Corporação dos Pilotos da Barra e o de administrador do concelho do Barreiro (1901-1905). Usou múltiplos pseudónimos, entre os quais 'Anthony', 'Rabelais', 'Condessa do Til' e 'Katisako Aragwisa'. Desde muito jovem redigiu artigos e folhetins em jornais e revistas, entre os quais a Universal, a Illustração Portugueza, o Jornal do Comércio, a Ecos da Avenida e o Diário Popular (onde usou o pseudónimo Anthony). Como romancista conquistou grande popularidade, especializando-se em textos impregnados de sensualismo exaltado que viviam das «fraquezas e aberrações de que eram possuídas, eram desenvolvidas entre costumes libertinos e explorando o escândalo». Escreveu cerca de três dezenas de romances, por vezes publicados com o pseudónimo 'Rabelais'. Alguns dos seus romances têm títulos sugestivos da sensualidade que exploram, nomeadamente Mulheres perdidas, Sáficas, Mulheres honestas, A amante de Jesus, O marido virgem, As mártires da virgindade, Devassidão de Pompeia e O abortador. É autor dos dois volumes da História de Portugal, apensos à História, de Pinheiro Chagas, referentes ao reinado do rei D. Carlos I de Portugal."
Exemplar em brochura, revestido de capas lisas, com título batido à máquina na capa frontal. Assinatura de posse na f. rosto.
Raro.
50€

03 agosto, 2024

BRANDÃO, Zephyrino -
O MARQUEZ DE POMBAL. (Documentos ineditos). Por... Lisboa, Typographia da «A Editora», 1905. In-4.º (26x18 cm) de [8], 129, [1] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Importante contributo histórico-biográfico sobre o Marquês de Pombal, o todo-poderoso ministro de D. José I, que o autor defende dos seus detractores a partir de correspondência e documentos que lhe foram cedidos, apontando a religiosidade do Marquês como facto paridgmático e pouco conhecido da sua vida privada.
Ilustrado com uma estampa extratexto, tendo por figura central o Marquês de Pombal.
"No que vae lêr-se, pretendo provar que o marquez de Pombal viveu e morreu catholico. É puramente documental a prova. Nem outra convenceria.
Dos numerosos documentos, que compulsei para formar opinião segura, alguns publíco. Á sr.ª marqueza de Rio Maior, ao sr. marquez de Pombal e ao sr. marquez do Lavradio, que tão generosamente m'os confiaram, apraz-me deixar consignado aqui o meu reconhecimento, cumprindo assim um dever imperioso.
Muitos dos meus contemporaneos julgam que o marquez de Pombal foi um impio, e eu não quero contribuir, para que passe na tradição popular, ou fique registado na historia do meu paiz este falso juizo a respeito de um dos portuguezes mais illustres, e que mais assignalados serviços prestou á sua e minha querida patria.. Tal é a razão da presente Memoria, que se não publica para agradar nem a guelfos nem a gibelinos, mas tão só para justo desaggravo da verdade offendida."
(Excerto de Advertencia)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação. Pequenas falhas de papel marginais.
Invulgar.
15€

14 maio, 2024

BASTOS, Leite - O MARQUEZ DE POMBAL E A EXPULSÃO DOS JESUITAS. Lisboa, Typographia da Empreza Serões Romanticos, [1882]. In-8.º (20,5x13 cm) de 32 p. ; E.
1.ª edição.
Narrativa histórica publicada por ocasião das celebrações do Centenário do Marquês de Pombal.
Exemplar muito valorizado pela magnífica encadernação executada nas oficinas de mestre Frederico de Almeida.
"Era fins de Setembro de 1759, pelas horas tristes e monotonas de uma noite sombria e carregada de brumas pardacentas.
Em uma das salas do regio paço da Ajuda, o recento conde de Oeiras, recostado na sua ampla cadeira de espaldar, que alguns dos principaes personagens da côrte rodeava de pé, em attitudes repeitosas e graves, acabava de ouvir da bôca do seu secretario particular: «que as ordens d'el-rei estavam cumpridas, quanto ao embarque dos jesuitas que tinham vindo de Azeitão e n'esse momento estavam sendo recebidos a bordo do brigue S. Nicolau, prestes a largar ferro, afim de os levar a Civita-Vechia.»
De facto, lançando-se uma vista d'olhos para a janella que ficava em frente, viam-se ainda no rio as ultimas galeotas demandando a prôa do brigue S. Nicolau.
Eram cento e trinta e tres os padres jesuitas que essas galeotas conduziam.
Tinham vindo effectivamente da quinta de Azeitão, onde estavam prezos.
Poucos dias depois o brigue S. Boaventura, que estava no nosso ancoradouro, devia conduzir os 120 que restavam.
Ficavam ainda mais cento e vinte e quatro, nos subterraneos da torre de S. Julião da barra, d'onde só mais tarde apenas quarenta logravam sair com vida.
Assim, em pouco mais de duas semanas, foram proscriptos e banidos do reino os opulentos e poderosos padres da Companhia, e completo o pensamento inicial do grande estadista, ao assumir a direcção suprema dos negocios."
(Excerto do Cap. I)
Francisco Leite Bastos (1841-1886). "Jornalista, autor de contos e romances policiais, dramas e comédias, nascido a 17 de setembro de 1841, em Lisboa, e falecido a 5 de dezembro de 1886, na mesma cidade. Apesar da ausência de formação literária, os seus escritos - peças, crónicas  e romances - gozaram no seu tempo, de um relativo êxito popular. Colaborou no Diário de Notícias e em vários jornais literários. Deu sequência ao Rocambole, de Ponson du Terrail, em Maravilhas do Homem Pardo. Toda a sua obra jornalística e literária se pauta pela crítica de costumes."
(Fonte: Infopédia)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na pasta anterior. Conserva as capas de originais.
Exemplar em bom estado de conservação. Aparado e pintado à cabeça.
Raro.
Indisponível

10 maio, 2024

SOUSA
(Marquês de Rio Maior), João de Saldanha Oliveira e -
A EXECUÇÃO DA MARQUESA DE TÁVORA. Inéditos Pombalinos II. Lisboa, Comp. e Imp. nas Oficinas Gráficas da C. M. L., 1938. In-4.º (25x16,5 cm) de 12 p. ; [2] f. il. ; B.
1.ª edição independente.
Separata do Boletim Cultural e Estatístico da Câmara Municipal de Lisboa : Volume I - N.º 4.
Importante subsídio pombalino para a história do "Processo dos Távoras", apelido da ilustre família que deu nome ao processo, acusada de conspirar e atentar contra a vida do rei D. José, que culminaria com o suplício e execução de alguns membros da família Távora, entre outros, a 13 de Janeiro de 1759 em Belém, Lisboa.
O presente trabalho reporta ao "horroroso" suplício individual da Marquesa de Távora, D. Leonor Tomásia (1700-1759), contestado pelo autor, que refuta eventuais práticas de tortura às mãos dos carrascos, contrariando a conhecida tese do biógrafo anónimo do Marquês de Pombal.
Opúsculo ilustrado em separado com duas estampas:
"A Marqueza de Távora" - reprodução de retrato desenhado de Leonor de Távora quando jovem, com a inscrição "original de Alcype";
"A memoria do chão salgado" - fotografia do Padrão mandado erigir pelo Marquês de Pombal (1759) em memória dos condenados do Processo.
"Na história de Lisboa avulta, como capítulo notável, o Reinado de D. José I, ou seja o período pombalino, de que é facto culminante o frustrado regicídio na noite de 3-9-1758.
Para descrever a execução dos réus condenados à morte por causa dêsse atentado, alguns historiadores recorreram ao manuscrito intitulado Vida de Sebastião José de Carvalho e Melo, 1.º Marquês de Pombal e 1.º Conde de Oeiras... etc., etc.
Na revista e sob o título que acabamos de mencionar em nota, publicou J. Lúcio de Azevedo, com comentários seus, alguns extractos duma cópia do referido manuscrito.
Segundo êsses extractos, o historiador anónimo, ao narrar a execução da Marquesa de Távora, D. Leonor Tomásia de Távora, escreveu:
«O meirinho das cadeias com três algozes a esperava sobre o cadafalso. Logo que a recebeu a foi mostrando ao povo espectador, correndo com ela a circunferencia daquele lugar. Depois lhe foi mostrando muito individualmente os instrumentos e formalidades com que haviam de padecer morte afrontosa ela, filhos, genro e parentes, mais sócios e sequazes do seu delito. Esta a mais tirana vista, em hora de tanta amargura, lhe fêz a mais cruel impressão no ânimo, e abatendo a intrepidez, que até então mostrara, não pôde conter o grande fluxo de lágrimas, que copiosamente entrou a sair de seus olhos, e pediu que lhe abreviassem a vida.»
Êste episódio é, a nosso ver, imaginário."
(Excerto do trabalho)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Com vestígios de humidade marginais.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e pombalino.
Indisponível

01 março, 2024

A EDUCAÇÃO PELA FIGURA. Biografia resumida dos Bustos Históricos em exposição permanente na Quinta da Granja, Bombarral. Lisboa, Tipografia do Comércio, 1926. In-8.º (18,5x13 cm) de 43, [1] p. ; [1] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra de pendor moralista, baseada no exemplo de insignes figuras da história pátria cujos bustos integram a colecção «Bustos Históricos» exposta na Quinta da Granja, no Bombarral. Trata-se de uma compilação de apontamentos biográficos dos expostos, para venda com fins caritativos em favor da Albergaría do Bombarral, e dedicado à mesma instituição pelo proprietário da Quinta da Granja, - António Pereira Bernardino -, cujo retrato, extra-texto, sucede à f. rosto.
A autoria do livro vem 'desvendada' na última página: "Esta obra, sem aspirações literarias e simplesmente circunscrita aos topicos históricos principais de cada homenageado, foi elaborada por Manuel Joaquim da Costa, antigo professor de Taquigrafia, Dactilografia e Correspondencia Comercial no Instituto Profissional dos Pupilos do Exército."
Ilustrado no texto com aspectos da Quinta, e em separado, com um retrato de António Pereira Bernardino, mecenas, e eventual financiador do presente opúsculo.
"Por ser o Padroeiro da Quinta da Granja, cuja capela lhe foi dedicada, aqui vão algumas notas da sua vida.
Santo António nasceu em Lisbôa a 15 de Agôsto de 1195 e foi baptisado com o nome de Fernando. Era filho de Martin Bulhão e Maria Teresa Tavares, fidalgos, sendo o pai general.
Os pais, desejando dar-lhe uma educação condigna da sua família, fizeram-no entrar, primeiramente, na antiga Sé Patriarcal e depois em S. Vicente de Fóra.
Ainda não tinha 15 anos de idade já nutria desejos de ingressar nos cónegos regulares de Santo Agostinho. Dando ali entrada, tornou-se um modêlo de correcção de costumes e de piedade religiosa."
(Excerto de Santo António)
Índice:
Dedicatória de António Pereira Bernardino - «Á infância da minha Terra e do Concelho do Bombarral» | Biografados: - Santo António; - Portus Cale; - D. Afonso Henriques; - Egas Moniz (Aio de D. Afonso Henriques); - D. Diniz; - D. Nuno Alvares Pereira; - Infante D. Henrique; - Bartolomeu Dias / Vasco da Gama / Pedro Alvares Cabral / Afonso de Albuquerque / Fernão de Magalhães; - D. João de Castro; - Luiz de Camões; - Febo Moniz; - D. Pedro IV; - Alexandre Herculano; - Almeida Garrett; - Júlio Diniz; - António Feliciano de Castilho (Visconde de Castilho); - Gomes Freire de Andrade; - José Estevão Coelho de Magalhães; - Camilo Castelo Branco; - Eça de Queirós; - Marquês de Pombal; - Guerra Junqueiro; - Almirante Gago Coutinho / Comandante Sacadura Cabral.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
15€
Reservado

10 fevereiro, 2024

PIRES, A. de Oliveira -
OS JESUITAS.
Romance historico do seculo XVIII. Por... Lisboa, Empreza Editora de Romances Instructivos, 1873. In-8.º (18,5x11,5 cm) de [2], XIII, [1], 314, [6] p. ; E.
1.ª edição.
Romance anticlerical cuja acção decorre na época pombalina, no período pós terramoto de 1755, sendo intenção do autor mostrar a influência nefasta da Companhia de Jesus na sociedade da época e as perseguições que o Marquês moveu contra a instituição. Raro. Inocêncio não menciona este romance na sua lista de obras de Oliveira Pires.
"Não cuide o leitor que este livro seja um tratado sobre os jesuitas
É apenas um romance, cuja acção se passa n'uma época extraordinaria da nossa historia; época de luz e de sombras, em que sobresáe o vulto quasi épico do marquez de Pombal.
O assumpto mais particularmente escolhido para elle é a guerra movida pelo marquez contra a companhia de Jesus, e as culpas de que esta sociedade foi universalmente accusada."
(Excerto do Prefacio)
"Tinham decorrido trez annos depois que a catastrophe do 1.º de novembro de 1755 reduzira Lisboa a um montão de ruinas.
Pelas abas dos montes da antiga Olisyppo estendiam-se pedaços de cornijas, fragmentos de cunhaes, restos de paredes derrocadas, e outros destroços de edificios, que a grande convulsão subterranea derrubara
No sopé dos montes do Castello, ou antes no valle que fica entre esses montes e os de S. Roque e S. Pedro d'Alcantara, appareciam já bastantes predios symetricamente alinhados, ruas direitas e largas, praças magestosas. Era a nova cidade que surgia de entre as ruinas ao impulso do ministro potente de el-rei D. José. [...]
Quando no dia de todos os santos Lisboa foi abalada pelo terramoto, estava a familia real no palacio de Belem, que D. João 5.º comprara ao conde de Aveiras.
A catastrophe poupou a residencia real. Mas o susto, a desconfiança de que o sinistro acontecimento se repetisse, os ligeiros abalos que por algum tempo continuaram depois da grande convulsão, fizeram com que D. José abandonasse immediatamente o palacio e fosse habitar em barracas de lona, armadas no meio da quinta.
Carvalho mandou logo edificar no alto da Ajuda uma habitação para o rei, de fórma abarracada, e onde a madeira se empregou como elemento principal da construcção.
É n'esta casa que nós vamos entrar, eu e o leitor, no dia 3 de setembro de 1758.
Era ao cair da tarde. O sol, mergulhando-se no occidente, innundava de clarões rubros as janellas da habitação real, parecendo, atravez dos vidros, que no interior crepitavam as chammas de um grande incendio.
D. José aproximara-se da janella e lançára o olhar para o lado do rio, admiramdo o panorama esplendido, que do alto da Ajuda se disfructa. Atraz do rei estava um homem de pé, vestido de velludo preto, como que aguardando que D. José lhe dirigisse a palavra.
Era este homem o valido Pedro Teixeira."
(Excerto de I - A conspiração)
Alfredo de Oliveira Pires (Lisboa, 1840 - Suiça) funcionário público, empregado na secretaria do Conselho de Estado e na Secretaria da direcção da Associação Protectora do Asilo de Infância Desvalida e dos Pobres do Lumiar. Foi jornalista e escritor. Além de grande número de artigos em diversas publicações periódicas da época escreveu cerca de 22 romances publicados em folhetins nos referidos periódicos, cujos títulos são registados por Brito Aranha continuador de Inocêncio, sem referir datas.
(Inocêncio Vol. XX, pp. 338 e 339)
Encadernação recente em percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
55€

05 setembro, 2023

SANTOS, Guilherme G. de Oliveira - O PROCESSO DOS TÁVORAS (importância do processo revisório). Lisboa, Livraria Portugal, [1979]. In-4.º (24x17,5 cm) de 100, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história do Caso dos Távoras, processo pelo qual foram acusadas de conspirar contra a vida do rei algumas das famílias mais influentes da época pombalina.
"A 13 de Janeiro de 1759 foram executados os acusados de estarem implicados no atentado ao rei D. José I, ocorrido uns meses antes, a 3 de Setembro de 1758.
Após um processo sumário, a sentença final, proferida a 12 de Janeiro de 1759 no Palácio da Ajuda, considerou o veredicto que todos os réus eram, de facto, culpados."
(Fonte: https://antt.dglab.gov.pt/exposicoes-virtuais-2/o_suplicio_tavoras/)
Fez-se desta obra uma tiragem de trezentos exemplares, vinte e cinco dos quais numerados e rubricados pelo autor e fora do mercado.
O presente exemplar pertence à tiragem de 25, e leva o n.º 11.
Exemplar duplamente valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Vinte anos após ter dado a lume O Caso dos Távoras, livro com que noviciei na arte de escrever, volto ao assunto. [...]
Pretendi desenvolver dois ou três tópicos apenas aflorados até aqui, marginalizados, de interesse indiscutível não obstante; tentei, em suma, resolver parte da problemática suscitada pelo atrabiliário acórdão e fiquem embora em suspenso interrogações que historiógrafo que se cativar do tema elucidará um dia."
(Excerto do prefácio - A quem ler)
"Conservam todos na ideia os tiros com que, na infausta noite de 3 de Setembro de 1758, crivaram de chumbo a sege em que D. José, acompanhado de Pedro Teixeira, recolhia de uma entrevista galante com a Marquesa de Távora nova; e, bem assim, a sentença que arrastou ao patíbulo o duque de Aveiro, com alguns apaniguados, os Távoras e o conde de Atouguia e que determinou a expulsão dos Jesuítas e o encerro por quase vinte anos de muitas pessoas que povoaram as masmorras e que só viram a luz da liberdade após o falecimento do monarca.
Ora sempre me admirou uma espécie de respeito supersticioso que tem cercado a injusta sentença."
(Excerto do texto)
Guilherme G. de Oliveira Santos (1919-?). "Nasceu em Lisboa, em 1919, e formou-se em Direito na Universidade de Lisboa, em 1944. Exerceu os cargos de assistente social da Direção Geral dos Serviços Prisionais e delegado do Procurador da República. Uma vida dedicada à escrita onde se destaca: O Caso dos Távoras, Lisboa, 1959; Trovas de Crisfal, Lisboa, 1965; Camilo Castelo Branco e José Agostinho de Macedo, Lisboa, 1985; Testamento de um escritor, Lisboa, 1988 e Digressões Cervantinas, Lisboa, 2004, etc. É sócio da Associação dos Arqueólogos Portugueses e da Asociación de Cervantistas (Espanha) e foi condecorado pela Câmara Municipal de Ovar com a medalha de mérito."
(Fonte: Wook)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

23 fevereiro, 2023

AZEVEDO, Pedro A. de - O PROCESSO DOS TÁVORAS. Prefaciado e anotado por... (Conservador da secção de Manuscritos da Biblioteca Nacional). Lisboa, Tip. da Biblioteca Nacional, 1921. In-4.º (26,5 cm) de [31], 226, [1] ; il. ; B. Publicações da Biblioteca Nacional, Inéditos - I
1.ª edição.
Obra de referência sobre o caso dos Távora e seus apoiantes, acusados da tentativa de assassinato do rei D. José I num processo marcado pelo escândalo público, dadas as personalidades envolvidas, e os seus contornos políticos, tendo culminado com a brutal execução pública dos implicados em Belém, Lisboa, a 13 de Janeiro de 1759. Inclui a transcrição dos códices, cópias de autos e decretos do processo.
Ilustrada em separado com estampas reproduzindo gravuras da execução dos implicados na intentona.
Acompanham o livro recortes de jornais dos anos 30, dando conta da existência dos autos originais do Processo no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, contrariando assim a tese da sua destruição.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Lombada apresenta falha de papel.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

10 novembro, 2022

MURY, Paulo - HISTORIA DE GABRIEL MALAGRIDA DA COMPANHIA DE JESUS. Apostolo do Brazil no seculo XVIII estrangulado e queimado no Rocio de Lisboa em 21 de setembro de 1761. Traduzida de Paulo Mury, Padre de mesma Companhia [por Camillo Castello Branco].
Lisboa, Santos & Vieira : Empreza Litteraria Fluminense, [18--]. In-8.º (18 cm) de XXIX, 188, [2] p. ; E.
Biografia do padre Malagrida, religioso executado em Lisboa por ordem do Marquês de Pombal.
Inclui a reprodução integral do opúsculo de Malagrida mandado apreender por Pombal.
Obra muito valorizada pelo extenso prefácio de Camilo Castelo Branco.
Gabriel Malagrida (1689-1761). "Foi um jesuíta místico italiano que passou parte da sua vida no Brasil a pregar e evangelizar, tendo granjeado fama de taumaturgo. Depois de uma estada anterior em Lisboa, regressa a pedido da rainha, viúva de D. João V.
"[...] O marquês de Pombal não se importou com aquele jesuíta santo, enquanto as suas santidades não contrariavam os seus projectos, mas o conflito era inevitável. Sobreveio o terramoto de 1755, estando Malagrida em Lisboa. Aquela catástrofe ocasionou um terror imenso na população da capital, e um dos grandes empenhos do marquês de Pombal era levantar os espíritos abatidos. Para isso mandou compor e publicar um folheto escrito por um padre, em que se explicavam as causas naturais dos terramotos, e se desviava a crença desanimadora de que fora castigo de Deus, e de que eram indispensáveis a penitência e a compunção. Saiu a campo indignado o padre Malagrida escrevendo um folheto intitulado: Juizo da verdadeira causa do terremoto que padeceu a corte de Lisboa no 1.º de Novembro de 1755. Nesse folheto combatia com indignação as doutrinas do outro que Pombal fizera espalhar, atribuía a castigo de Deus o terramoto, citava profecias de freiras, condenava severamente os que levantaram abrigos nos campos, os que trabalhavam em levantar das ruínas da cidade, e recomendava procissões, penitencias, e sobretudo recolhimento e meditação de seis dias nos exercícios de santo Inácio de Loyola…"
(Fonte: www.arqnet.pt)
Encadernação inteira de percalina com dourados na lombada. Sem guardas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

16 agosto, 2022

SILVA, Domingos Maria da - A ECLESIOLOGIA DO PADRE ANTÓNIO P. DE FIGUEIREDO.
Dissertação de Licenciatura em Teologia apresentada à Faculdade de Teologia de Lisboa da Universidade Católica Portuguesa
. Lisboa, [s.n. - Oficinas Gráficas da Livraria Cruz - Braga], 1983. In-8.º (21 cm) de 88, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante ensaio histórico sobre o Padre António Pereira de Figueiredo - "aliado" do Marquês de Pombal aquando da ruptura de Portugal com a Santa Sé - e a sua obra «Tentativa Teológica».
"Só agora vem a lume este trabalho elaborado a seu tempo (1975). Sobre matéria de doutrina, é a que vai expendida na presente dissertação e não representa pequena canseira perante as modestas possibilidades e dificuldades que se me depararam, em virtude do emaranhado de asserções e máximas que o autor da Tentativa rebuscou por toda a parte, no espaço e no tempo, para conseguir os efeitos que desejava alcançar com a sua obra.
Uma das características, que ressalvam à vista, da súmula de todos os argumentos que compreende esta mal fundada iniciativa do autor da Tentativa, porque se alicerçou em parâmetros apenas sedutores da vaidade e do orgulho humano, em toda a escala da sua demasiada extensão, foi o espírito de lisonja e adulação que transparecem claramente de todas as intenções que a promoveram, e o próprio Figueiredo não esconde, ao confirmar que era o sistema dos processos generalizados por que se regia a sociedade do seu tempo. [...]
Saído da humildade da sua origem e nascimento, Figueiredo sentiu-se elevado, sem dúvida com ajuda dos méritos de uma inteligência privilegiada, de trabalho e estudo e que era dotado e inclinado e para temas a cuja investigação se sentia vocacionado. Foi escolhido por Pombal para servir à consecução dos intentos e fins inconfessáveis do todo-poderoso Ministro, como o teólogo ousado e irreverente de que precisava para atingir objectivos que não eram originais, pois já eram ensaiados em tantas outras nações europeias do seu tempo.
A figura altamente controversa de Pombal está no centro do complexo enredo dos acontecimentos históricos que conduziram ao rompimento das relações diplomáticas com a Santa Sé, a partir de Agosto de 1760.
Figueiredo sonhou ir ao encontro e satisfazer inteiramente os desígnios do prepotente ministro de D. José I, aproveitando a oportunidade do corte de relações com a Cúria romana, para fazer do monarca o chefe de uma igreja nacional independente."
(Excerto da Apresentação)
Índice:
Apresentação. | Factores históricos da Eclesiologia da Tentativa Teológica. | O verdadeiro Febrónio. | O Febrónio português. | A Tentativa Teológica. | Os dez «Princípios». | Decretais, Reservas, Centralização e Curialismo. | O «Princípio» V. | Impedimentos, Dispensas. | A Carta de censura. | Resposta apologética. | Responde ao «Anónimo romano». | Conclusõ. | Bibliografia.
António Pereira de Figueiredo (1725-1797). "Nasceu no ano de 1725 em Mação. Foi um padre oratoriano até abandonar a congregação por ordem de Carvalho e Melo. Este padre, teólogo, canonista, historiador, linguista, músico, deputado da Real Mesa Censória, sócio fundador da Academia das Ciências e servidor infatigável do Marquês de Pombal foi o principal arquiteto do estabelecimento das bases teóricas da política religiosa pombalina, procurando combater as tendências da reforma tridentina que tinha reforçado a concentração de poderes no Romano Pontífice que causava situações de tensão e conflito com os emergentes Estados-nação."
(Fonte: https://1library.org/article/ant%C3%B3nio-pereira-de-figueiredo-pombal-e-o-pombalismo.qodd81jz)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
25€

06 março, 2022

BENTO XIV - BREVE // DO SANTISSIMO PADRE // BENEDICTO XIV // EXPEDIDO A XXIII DE AGOSTO DE MDCCLVI // PARA A SUPRESSÃO, UNIÃO, E INCORPORAÇÃO DE TODOS // OS MOSTEIROS DE FREIRAS, // TANTO DA CORTE DE LISBOA, COMO DE TODO O REINO, // QUE OU POR ARRUINADOS, OU POR FALTOS DE RENDAS, // OU POR NIMIAMENTE INDIVIDADOS NÃO PODEM SUBSISTIR: // SE OBSERVE NO ESTABLECIMENTO DOS DOTES // AQUELLA FÓRMA DE CONSIGNAÇÃO DAS TENÇAS ANNUAS, // QUE SE OBSERVA NO MOSTEIRO DA CONCEIÇÃO DE NOSSA SENHORA DA LUZ. //
LISBOA // NA REGIA OFFICINA TYPOGRAFICA // ANNO MDCCLXXI
. In-4.º (29 cm) de 22 p.
1.ª edição.
Documento histórico. Edição original impressa desta importante bula, redigida em latim e português, a duas colunas.
Sobre este assunto, e com a devida vénia, reproduzimos excerto do trabalho de José Subtil - Os conventos de religiosas no Alentejo entre a Revolução e a Regeneração (1820-1858).
"Logo a seguir aos acontecimentos do terramoto de 1755, quando Sebastião José de Carvalho e Melo assumia o lugar principal no governo josefino como secretário de estado dos Negócios do Reino (6 de Maio de 1756) e D. José Manoel era II Patriarca de Lisboa, o Papa Bento XIV expedia uma bula (23 de Agosto de 1756), expressamente dedicada aos conventos de freiras, onde outorgava enormes poderes às autoridades ordinárias da Igreja em Portugal e ao monarca D. José para iniciarem uma grande reforma nestes conventos por se acharem reduzidos "a hum estado deplorável" por causa das dívidas que contraíram e absorviam todos os capitais que possuíam. Segundo o texto da bula, se fossem satisfeitas estas dívidas, as rendas de um ano pouco chegariam para pagar o sustento de três meses a todas as religiosas enclausuradas.
Para acudirem à insolvência, as superiores dos conventos deitaram mão de um expediente que se revelaria perverso, ou seja, passaram a aceitar noviças em excesso, muito para além do número estabelecido para cada instituto, com o intuito de receberem os seus dotes e com eles pagarem as dívidas mais urgentes. O problema ter-se-á agravado com o aumento das despesas para o sustento de tantas freiras e com as relaxações das comunidades, dentro e fora dos conventos.
As recomendações do Papa apontam vários caminhos, dos quais salientamos três. Em primeiro lugar, reduzir os conventos segundo as possibilidades das suas rendas, tanto mais que com o terramoto muitos ficaram danificados, necessitando de obras para as quais não havia dinheiro. Em segundo lugar, restaurar a "boa ordem" de forma que se "aumente a união Cristã", "a paz Religiosa" e a "Observância da Disciplina Regular". E, em terceiro lugar, pagar as dívidas e desagravar os rendimentos.
Para este efeito, Bento XIV dá plenos poderes ao Patriarca de Lisboa e aos seus sucessores, "precedendo o conselho, e assenço do mesmo Rei Dom José: Para unir, incorporar, supprimir os sobreditos Mosteiros" e fazer a gestão de todos os seus bens, tanto em Lisboa como nas restantes províncias, no que respeita à venda, transferência, alienação ou secularização. Do mesmo modo, proíbe as prioresas de admitirem noviças, além do número prescrito, bem como anula todos os privilégios das ordens que os "constitua isemptos de toda a Jurisdicção Ordinária, Episcopal, e Delegada".
No plano do Direito Canónico, confere faculdade para se aplicarem diversas penas até à excomunhão, desde que as autoridades eclesiásticas obtenham o consentimento e o beneplácito régio. Sobre as novas noviças obrigava os pais (ou parentes) a comprometerem-se com fundos para uma tença anual de 60.000 réis em Lisboa e termo, e nas províncias o correspondente ao estado das terras. À morte das freiras, estas tenças passariam, novamente, aos pais ou parentes e não reverteriam para os conventos. E obrigava que as donzelas, antes de tomarem o hábito, manifestassem com clareza e convicção os seus sentimentos, fora das obrigações dos pais ou parentes, criando um tempo de nojo para as decisões que seriam supervisionadas pelas autoridades ordinárias (arcebispos e bispos) e não conventuais. Este período de reflexão para averiguar da vontade livre das noviças e evitar que fossem "levadas às grades dos mosteiros" devia ocorrer em casas particulares, de senhoras de "probidade" e "piedade", e demorar o tempo que fosse necessário. Passavam, também, a ser proibidas regalias aristocráticas como o uso de criadas particulares, mesmo para as freiras que já tivessem obtido licença apostólica."
(Fonte on-line: https://books.openedition.org/cidehus/4925)
"Ao Nosso Amado Filho D. Manoel Presbytero Cardeal da Santa Igreja Romana, e por concessão, e dispensa Nossa Patriarca de Lisboa.
Benedicto Papa XIV.
Amado Filho Nosso, saude, e Benção Apostolica.
A Obrigação Pastoral, em que Nos constituo a copiosa Graça do Senhor, pede, e requer de Nós, que, segundo as forças, e as luzes, com que Elle nos assiste, ponhamos todo o cuidado em prosperar, e reduzir a melhor estado os Mosteiros do devoto Sexo Feminino. E como da parte de Nosso Clarissimo em Christo Filho Dom José Rei Fidelissimo de Portugal, e dos Algarves, Nos foi representado: Que a pezar dos fervorosos desejos, e opportunas diligencias, com que Elle se applica ao melhoramento espiritual, e temporal de todos os Lugares Pios, e com especialidade ao dos Mosteiros de Freiras; e experiencia lhe tem mostrado (não sem grande mágoa do seu Religiosissimo coração) que a maior parte dos Mosteiros de Freiras, assim da Corte de Lisboa, como de todo o Reino de Portugal, e dos Algarves, se acha reduzida a hum estado deploravel, é excepção dos que são habitados pelas Amadas Filhas da Ordem de S. Francisco, que se chamam Capuchas. De sorte, que a não se lhes acudir com a devida promptidão,  necessarias providencias, todos elles de dia em dia se irão precipitando na ultima ruina; porque muitos destes Mosteiros se acham ao presente tão gravados com dividas, que a importancia destas chega a absorver a dos capitaes, ou a maior parte delles: Donde se segue, que se forem pagas as dividas, apenas chegaráõ as rendas de hum anno para o sustento, e manutenção de tres mezes. O que obrigou algumas Superioras dos ditos Mosteiros a receberem para Freiras supranumerarias muitas Donzellas, com a esperança de poderem com estes dotes matar as suas dividas. E ainda que em parte se conseguio este fim, pagando-se effectivamente algumas; por outra parte veio este meio a ceder em maior gravame dos mesmos Mosteiros: Pois que não chegando as suas rendas annuaes a sustentar o numero de Religiosasd prefixo pelos Fundadores, mas podiam ellas sustentar tantas outras supranumerarias. Daqui se julga prudentemente que teve principio a relaxação, em que hoje se acham os ditos Mosteiros; e o frequentarem as communicações com pessoas seculares, que com escandalo de todos os bons, e com igual damno das almas, e a Disciplina Regular, se tem introduzido nas suas habitantes; porque estas não achando dentro na Clausura os meios, necessariamente os buscavam em pessoas de fóra, na communicação com os ditos seculares, e nas conversações, e familiaridades tidas nos locutorios. Inteirado destes, e de outros males, que cada dia vam recrescendo; e desejando dar-lhes opportuno emedio, conheceo o mesmo Rei Dom José por informações de differentes Pessoas de probidade, de prudencia, muito experimentadas, e cheias de Religião, e de zelo; que toda a causa de tantas desordens consistia na falta de meios para o seu sustento, em que todos aquelles Mosteiros se achavam; e que para esta se remover, não podia excogitar-se modo algum mais proporcionado, que o de se reduzirem os Mosteiros, e Freiras delles  menor numero, segundo a possibilidade das suas rendas; maiormente quando se advertia, que alguns delles depois do Terramoto, e incendio de Lisboa, ou tinham ficado por terra, ou se achavam tão damnificados, que todos necessitavam de reedificação. Por tanto, Nós, que com todos os Poderes, que o Senhor nos deo, temos procurado arrancar todos o abusos, e desordens, que podiam deturpar as Ordens Religiosas de hum, e outro sexo; e que com especialidade desejamos, que nos referidos Mosteiros se restitua, confirme, e augmente a união Christã, a paz Religiosa, e a exacta, e antiga Observancia da Disciplina Regular, em que foram creados."
(Excerto do Breve papal)
Exemplar desencadernado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
45€

22 outubro, 2021

BUTIÑÁ, P. Francisco - VIDA DEL P. GABRIEL MALAGRIDA DE LA COMPAÑÍA DE JESÚS, QUEMADO COMO HEREJE POR EL MARQUÉS DE POMBAL.
Escrita por el... de la misma compañia. Con las licencias necesarias
. Barcelona, Imprenta de Francisco Rosal, Hospital, 115, 1886. In-8.º (18,5 cm) de XV, [1], 520 P. ; E.
1.ª edição.
Edição original - em castelhano - da biografia do controverso padre Gabriel Malagrida (1689-1761) concebida por um membro da Companhia de Jesus. Sobre Malagrida, existe uma outra versão biográfica da autoria do Padre Paulo Mury, da mesma Companhia, vertida para português e prefaciada por Camilo Castelo Branco, com duas edições publicadas no segundo quartel do século XIX.
"Para tu solaz y enseñanza doy á la estampa la vida del P. Gabriel Malagrida. Habíala en su principio bautizado con el nombre e La primera Víctima y el primer Verdugo en la conspiración anti-jesuíta de fines del siglo XVIII, creido que tal epígrafe formaba la sintesis de cuanto aqui expongo sobre este Mártir ilustre, y su asesino el Marqués de Pombal."
(Excerto do Prólogo)
"No dia 20 de setembro de 1761 teve lugar um auto-de-fé nos claustros do Convento de S. Domingos, em Lisboa. A principal figura era Gabriel Malagrida, um padre jesuíta italiano acusado e condenado por heresia pela Inquisição e “relaxado à justiça secular”, ou seja, condenado à morte.
Foi conduzido pelas ruas de Lisboa “com mordaça e carocha”, isto é, amarrado e com barrete de condenado, até ao Rossio, onde foi garroteado e o seu corpo queimado na fogueira, já no dia seguinte. As suas cinzas foram posteriormente atiradas ao rio.
Assim terminou o processo do padre Malagrida, o “padre das barbas brancas”, como era popularmente conhecido, um caso muito controverso e que ainda hoje é motivo de discussão entre os historiadores.
Malagrida estava preso há vários anos por alegado envolvimento no atentado ao rei D. José e que foi denunciado e preso pela Inquisição em janeiro de 1760. Foi o último réu da Inquisição a sofrer a pena de morte, em Portugal.
Gabriel Malagrida nasceu em Milão e entrou para a Companhia de Jesus, ainda em Itália, mas fez a sua carreira como missionário em diversas regiões do Brasil, onde viveu até 1754.
Estava em Lisboa aquando do grande terramoto que ocorreu no ano seguinte. Imbuído de um intenso fervor religioso, Malagrida rejeitou a explicação oficial do terramoto, que apontava para causas naturais, e afirmava que se tinha tratado de um castigo divino, exortando a população à penitência.
A crescente hostilidade de Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro marquês de Pombal, aos jesuítas, e a ligação de Malagrida aos círculos da oposição levaram ao seu desterro, primeiro, e à sua prisão, pouco depois, sob acusação de ser o instigador moral do atentado ao rei D. José.
Por esta altura, Gabriel Malagrida era acometido de visões e aparições, afirmando falar diretamente com Deus e a Virgem Maria. Tornou-se, portanto, um alvo fácil para a Inquisição, que era já controlada pelo marquês de Pombal, e foi acusado de ser um impostor, um falso profeta e um hereje."
(Fonte: https://ensina.rtp.pt/artigo/execucao-do-padre-gabriel-malagrida-em-lisboa/)
Encadernação editorial inteira de percalina com pastas trabalhadas.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

21 agosto, 2020

SANTOS, João Marinho dos - PARA A HISTÓRIA DA AUTONOMIA DOS AÇORES - A INTRODUÇÃO FORÇADA DA FISIOCRACIA NO ARQUIPÉLAGO. [S.l.], Revista Portuguesa de História, 1996. In-8.º (23 cm) de 20 p. (576-593 pp.) ; B. Separata da Revista Portuguesa de História : t. XXXI, Vol. I (1996)
1.ª edição independente.
Interessante estudo sobre o relacionamento da Coroa com o arquipélago dos Açores durante o período pombalino, tendo como pano de fundo a questão cerealífera.
"A 26 de Fevereiro de 1771, um alvará assinado pelo Marquês de Pombal decretava que, de futuro,  seria «livre a extracção dos referidos trigos das Ilhas dos Açores para esta Cidade de Lisboa em beneficio commum da Capital do Reino [...]», exceptuando somente a situação «em que se verifique falta de trigos para o sustento dos moradores das respectivas Ilhas, no qual caso as Cameras farão praticar provisoriamente a reserva da terça parte [...]». [...]
Entre as considerações circunstanciais ou enquadradoras do referido diploma (já que o Poder Central não duvidaria da forte contestação que ele suscitaria no arquipélago), referiam-se os «intoleraveis monopolios de trigos que se faziam nas ilhas dos Açores a beneficio dos officiais das respectivas Cameras e de outras Pessoas poderosas» e o reconhecimento que as ilhas eram «adjacentes» do Reino, ou seja, províncias suas, e nestas, o «pão» era comercializado para «onde» [as pessoas} querem, e mais interesse lhe faz». [...]
Nos Açores, como aliás em outros «senhorios/donatarias», estava estabelecido que um dos direitos reais a observar deveria ser a obrigatoriedade  da moeda corrente ser a cunhada no Reino, ainda que este princípio nem sempre fosse cumprido. Com efeito, o fluxo monetário a partir de Portugal manteve-se, por norma, extremamente débil e os «atravessadores» locais, fiéis a alguns princípios do mercantilismo, retinham a pouca moeda reinol e, para os seus negócios com o estrangeiro, recorriam, o mais possível, aos «reales» e às letras de câmbio. Assim, quando, concretamente, a guerra estalou entre o Prior do Crato e Filipe II e o primeiro decidiu bater moeda em Angra, algumas relações informam que havia, então, na Terceira «muy poco dinero y pastel» ou havia pouco dinheiro mas «muitas peças de oiro e prata»."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
15€